CAPÍTULO IX
— Você conviveu com o canalha durante vinte anos! Por que não o envenenou? — Lily perguntou entre um gole e outro de champanhe. — Por que não usou um chicote e uma cadeira para obrigá-lo a aceitar alguns princípios morais básicos? Vivien parecia devorada pela culpa.
— Nunca pensei que James pudesse comportar-se assim. Damon sempre foi o mais rebelde.
— James obtinha segurança na quantidade de mulheres... E naquela insuportável — Lily fez uma careta, referindo-se a Elise.
— E pensar que teve a coragem de colocá-la para fora!
— Ela teve seus cinco minutos de fama antes disso, e garanto que soube aproveitá-los — ela recordou, enchendo novamente o copo e ignorando a comida em seu prato.
— Nicky não é seu filho — a loira disse de repente. — E também não é filho de James, é?
Lily encarou-a com um misto de pânico e surpresa.
— Andy deixou escapar... Sem sequer perceber — Vi vien suspirou. — Essa criança é um pequeno acidente na vida de Damon, certo?
— Não posso discutir esse assunto.
— Escute, eu já sei. Gostaria muito de acreditar que minhas suspeitas eram infundadas, mas James... Não fazia sentido. Se não é a mãe de Nicky, quem...?
— Minha irmã. Ela está morta — e Lily revelou toda a história.
— O casamento deles enfrentou problemas sérios no ano passado — Vivien comentou, afagando a mão de Lily com gratidão. — Obrigada por não me tratar como uma idiota. Mais cedo ou mais tarde Andy acabará me contando, e estarei preparada. Prometo não dizer nada a ninguém, está bem? E agora, vamos mudar de assunto.
— Como posso conseguir um divórcio sem perder Nicky? — Lily disparou, aceitando a sugestão.
— Está pensando em divorciar-se?
— E em que mais eu poderia pensar?
— Estratégias...
— Não tenho vontade de lutar por James. Esse é um casamento de conveniência que já começou fracassado, não um romance que saiu do curso por algum golpe trágico.
— Vamos a uma boate relaxar um pouco — Vivien sugeriu repentinamente depois de consultar o relógio.
— Dançar até o amanhecer, ficar fora a noite toda.
— Se quiser...
Lily acompanhou a sogra e as duas entraram na limusine que as esperava na porta. Vivien insistia em sugerir diversos truques para salvar seu casamento, mas Lily sabia que não havia nada a ser salvo. Depois de cometer o maior erro de sua vida, só queria juntar os próprios pedaços e recomeçar. Mas e quanto a Nicky?
Jamais sentira-se tão infeliz, e sabia que era a única culpada. Apaixonara-se por James, e o amor enfraquecera sua vontade, dizimara seu orgulho e a dividira ao meio. Se não houvesse se deixado envolver pelo encanto do americano, teria conseguido manter-se intocável.
— Retoque o batom e sorria como se estivesse radiante — Vivien instruiu.
A boate era um lugar barulhento e lotado, com uma pista de dança cheia de corpos em movimento. Ao acomodar-se numa das mesas, Lily notou que um rapaz a observava com insistência, mas ele virou-se de costas ao perceber que ela também o observava.
— Vamos beber alguma coisa — Vivien sugeriu.
E uma garrafa de champanhe logo foi colocada sobre a mesa. Lily aceitou mais uma taça, certa de que acabaria completamente embriagada.
— Lily! — Vivien exclamou, agarrando seu braço. — Aquele é Stefan!
— Ste... Quem? — As luzes da pista de dança foram bloqueadas por um corpo musculoso e, atordoada, ela encarou o jovem sorridente que a encarava do outro lado da mesa.
— Ele é um... Acompanhante. Eu o contratei para esta noite.
Lily riu, incapaz de conter-se. Vivien levantou-se e o rapaz sentou-se no lugar que ela acabara de vagar.
— Vivien? — Lily chamou assustada.
Mas ela já havia desaparecido no meio da multidão.
Stefan sorriu. Ela retribuiu, disposta a explicar o mal entendido e ir embora, mas então aconteceu. Um flash, uma câmera... O homem que a observara pouco antes estava tirando fotos.
— Gosta de dançar? — Stefan perguntou.
Impossível. Suas pernas não a sustentariam. Vivien retornou com um sorriso triunfante nos lábios.
— E agora, para onde quer ir?
— Para casa — Lily respondeu, levantando-se com algum esforço. — E sozinha!
— Mas... se for para casa tão cedo o jogo estará arruinado!
— Vivien, não devia ter feito isso.
— Eu precisava fazer alguma coisa!
— E eu preciso de ar fresco. Boa noite, Stefan.
— Não gostou dele? — Vivien perguntou num sussurro preocupado enquanto dirigiam-se à porta.
— Também planejou a foto?
— É evidente que sim! Se ninguém sabe como é a esposa de James, como poderiam surpreendê-la em flagrante delito?
— Meu Deus... —Aturdida, Lily sentou-se na limusine.
— Parece que a aborreci. Só estava tentando ajudar.
Lily não respondeu. Depois de deixar a sogra em casa, ordenou ao motorista que a levasse para um passeio pela cidade e acabou adormecendo, vencida pela bebida. O ar frio a despertou do estado letárgico. Com esforço, ela apoiou o corpo sobre o cotovelo e, sem levantar-se do banco, virou a cabeça para encarar o homem que incli nava-se em sua direção.
— Por que não telefonou? — James perguntou ao motorista.
— A culpa não é dele — Lily explicou, tentando sentar-se apesar da tontura.
— Onde esteve? São três horas da madrugada! Saiu de casa há oito horas!
— Uau! — Lily riu, lutando com as próprias pernas para sair do automóvel.
— E está bêbada!
— Estou, mas posso caminhar — ela defendeu-se, sen tindo que o marido a amparava.
James estava tão furioso que mal conseguia falar. Protegida de sua ira por uma espécie de cortina de algodão, Lily não sentia dor ou tristeza. O canalha, traidor, duas caras, hipócrita...
Cambaleando, conseguiu entrar e aproximar-se da escada. Antes de subir, tirou os sapatos, levantou a barra do vestido e procurou alguma coisa onde pudesse segu rar-se, mas James a ergueu do chão antes que pudesse dar um único passo.
— Está me machucando — ela reclamou, sentindo que Potter a apertava com força desnecessária.
— Se fizer isso novamente, tomarei providências para que se arrependa.
— O sótão! — ela riu.
— Onde estava? Com quem? — James perguntou, de positando-a sobre a cama.
— Está bancando o possessivo, James?
— Se esteve com outro homem, juro que vou matá-la. Você é minha esposa!
— Hummm... — ela resmungou sonolenta, incapaz de manter os olhos abertos.
Quando acordou, estava sozinha e a cabeça doía como se fosse explodir. Apesar do mal estar, conseguiu levantar-se e cambalear até o banheiro. Uma ducha a ajudaria a sentir-se melhor.
Estava saindo do chuveiro, enrolada numa toalha, pálida como um fantasma e morta de sede, quando notou a presença de James.
— Oh, não — gemeu. — Agora não. Não devia estar no escritório, ou coisa parecida?
— Hoje é sábado.
— Pensei que trabalhasse todos os dias. — Pelo menos nunca o vira passar um dia todo em casa.
— Quem é ele? — James brandiu um jornal.
Lily olhou para a foto onde aparecia sorrindo para Stefan com aparente intimidade. Poderia aproveitar a ocasião para colocá-lo à prova, mas não era Vivien, e não aprovara a estratégia criada pela sogra. Firme, passou por James e foi sentar-se na beirada da cama, usando as mãos para ajeitar os cabelos despenteados.
— É um acompanhante que sua madrasta contratou. Ela também pagou o fotógrafo.
— Vivien?
— Escute, não importa se acredita em mim ou não, mas acho que merece a verdade. — E ela relatou os fatos de maneira resumida.
— Não precisava ter dito que o sujeito era um acompanhante. Podia ter mentido — James comentou depois de um silêncio prolongado.
— Por quê? Não faço esse tipo de jogo. De que serviria?
— Às vezes esse tipo de jogo funciona com homens como eu.
— Não é o meu estilo.
— Mas é o de Vivien. Por que disse a verdade?
Quantas mentiras Vivien pregara no marido? Quantas James havia testemunhado? Vivien era uma mulher carinhosa e dedicada, e James nutria um grande afeto por ela, mas era evidente que a última coisa que ele esperava de uma mulher era a verdade. Esperava manipulação e manobras, jogos e fingimentos, nunca a honestidade. Por isso não conseguia entender o procedimento de Lily.
— Por quê? — ele insistiu. — Ontem, quando telefonei, você disse...
— Disse um monte de bobagens, como você faz quando está zangado — ela cortou, o rosto tingido por um intenso rubor.
— Passei uma noite miserável por sua causa. Pensei que pudesse realmente...
— Fazer papel de idiota só para aborrecê-lo? Não. Sou séria demais para isso.
— Não parecia muito séria quando saiu da limusine.
— Nunca havia me embriagado antes. E duvido que volte a beber algum dia — ela confessou, os olhos fixos no tapete.
James suspirou e virou-se de costas. Erguendo a cabeça, Lily notou a tensão que enrijecia os ombros largos.
— Acho que devo explicações sobre meu comportamento — Potter começou. — Quando concordei com esse casamento, não pretendia permanecer casado por muito tempo. Sei que não fui muito honesto, mas estava furioso. Por favor, entenda que passei a amar Nicky.
— Sim, eu sei — ela respondeu, culpada e envergonhada demais para dizer mais alguma coisa.
James encarou-a novamente.
— Ele veio ao mundo em circunstâncias que eu jamais teria permitido, e no entanto, eu fui chamado a pagar pela ofensa.
— Sinto muito.
— Mas que alternativa havia? Seus motivos não foram inteiramente puros, mas você tinha mais consciência das necessidades de Nicky que eu. Não poderia criá-lo sozinho, e Elise jamais o teria aceitado. Gosto muito de crianças, mas devo confessar que nunca parei para pensar no que significa ser pai de uma delas. O que estou tentando dizer é que esse bebê precisa de nós dois, e agora aceito esse fato. Entretanto, se houvéssemos mantido a calma depois da morte de sua irmã, não estaríamos casados... — Sabia que James estava dizendo a verdade, mas a dor era a mesma.
— Não estava preparado para deixar Nicky aos seus cuidados, não com a opinião que tinha a seu respeito. Estávamos tão ocupados trocando ofensas, que nenhum de nós mostrou o verdadeiro caráter. Decidi que você não ganharia com o casamento. Sabia que era orgulhosa, e me dispus a destruir esse orgulho. Daí meu comportamento após a cerimônia. Não me sentia um homem casado, não queria ser casado! Para mim, casamento era algo reservado ao futuro distante. Por isso decidi me casar com você e despachá-la novamente o mais depressa possível, usando todos os meios de que dispunha.
Lily abaixou a cabeça. Destruíra a organizada vida de James. Que direito tinha de ressentir-se de seus ataques? Como podia exigir fidelidade de um homem que jamais a quisera como esposa?
— Está muito quieta.
Era mais fácil gritar e ofender, mas sentia-se incapaz de verbalizar emoções profundas e dolorosas que certamente o embaraçariam.
— Talvez esteja surpresa por você estar falando comigo assim.
— Talvez eu também queira me surpreender.
Ficaria surpreso se dissesse o que realmente sentia por ele.
— Lily, estou tentando esclarecer as coisas entre nós — ele insistiu, ajoelhando-se diante dela e tomando suas mãos. Lágrimas formavam-se em seus olhos, e ela sentia-se incapaz de contê-las. — Lamento se a magoei, e prometo tentar reparar meus erros. Sei que posso fazer esse casamento dar certo.
— É impossível...
— Temos de nos esforçar, por Nicky.
— Amo meu sobrinho, mas... não quero continuar casada com você. Essa situação é insuportável para nós dois. Não temos nada em comum.
— Temos Nicky. E existem diversas facetas de seu caráter que aprendi a admirar.
Lily sentia-se devastada por dentro. O homem que amava estava dizendo que não a amava, mas que pretendia permanecer casado com ela por causa de seu instinto maternal. Desprezando-se por deixar-se envolver pelo calor provocado por aquelas mãos, ela rompeu o contato e baixou os olhos.
— James... Eu criei toda essa confusão. Ontem estava furiosa com você, mas agora entendo que não devia ter ficado aborrecida. Se quiser sair com diversas mulheres, não tenho o direito de dizer nada, porque não somos realmente casados. Nenhum de nós estava falando sério quando prometeu amor e fidelidade.
— Eu não fiz amor com nenhuma daquelas mulheres. — James revelou, segurando novamente as mãos dela. — Já ouviu falar no conceito da segunda chance? Estou praticamente de joelhos implorando por uma nova oportunidade, e você fica aí sentada como uma estátua, cheia de compreensão, mas completamente inatingível.
Surpresa com a revelação, Lily o viu levantar-se e caminhar até o outro lado do quarto. Seria verdade que James não havia feito amor com outra mulher desde o casamento?
— Posso ir onde quiser, quando quiser! — ele explodiu. — Deus, meu pai teria matado para se casar com uma mulher como você! Se disser mais uma vez que posso sair com quantas mulheres quiser, juro que a estrangularei! Como posso me sentir casado, se não estabelece padrões para o meu comportamento?
— Você estabeleceu os padrões em nossa noite de núpcias.
— Mas você não é a mulher que eu julgava ser. Con fundiu-me, entende? Se quisermos que esse casamento funcione, alguns padrões terão de ser observados. Sei o que estou dizendo.
— Sabe mesmo?
— O relacionamento de Vivien e meu pai foi um verdadeiro inferno nos primeiros anos. A infidelidade gerou desconfiança e insegurança. Mesmo depois dele ter abandonado seus casos extraconjugais, Vivien vivia desconfiada. Os dois se amavam muito, mas esse início tumultuado minou todo o casamento. Por não confiar nele, ela fazia jogos... Acho que seria capaz de matá-la por ter tentado trazer esses mesmos jogos para o nosso casamento. Ela precisava ouvir umas boas verdades.
— James...
— Tenho de conversar com Vivien, Lily! O máximo que posso fazer é tentar ser gentil.
— Ela sabe sobre Nicky. E sobre Damon e Petunia — Lily revelou, preparando-se para a explosão.
James parou, franziu as sobrancelhas, mas depois encolheu os ombros.
— E daí? Andy e Damon que cuidem de seus problemas. Nosso casamento é mais importante, e Vivien acabaria descobrindo a verdade.
Lily sabia que era inútil protestar. James decidira que permaneceriam casados pelo bem de Nicky, e não havia nada que pudesse fazer senão empenhar-se nessa nova tentativa. Seria capaz de suportar? Seu mundo resumi ria-se em James e Nicky, mas não passaria de uma pequena parte do mundo de James. A esposa que ele tentaria suportar, não a que ele escolhera ou amava.
— Se quer tentar novamente, eu fico — ela suspirou.
— Pelo menos até Nicky completar dezoito anos.
O comentário casual a feriu profundamente, pois expressava o grau de distanciamento emocional de James.
— Gostaria de me vestir — Lily indicou, levantan do-se com um sorriso forçado.
— Por que não saímos para um passeio com Nicky... Como uma verdadeira família? — ele sugeriu de repente.
Havia sido um dia maravilhoso. Como um primeiro encontro, Lily refletiu sonolenta quando voltavam para casa. O passeio a deixara exausta, e às dez ela estava na cama, pronta para dormir. James desaparecera depois de receber um telefonema na biblioteca, e já estava quase adormecendo quando ele deitou-se a seu lado e abraçou-a.
Não queria que ele a tocasse, mas sabia que esse era o preço para manter o casamento. Em troca de fidelidade, James buscaria a satisfação de suas necessidades no leito matrimonial.
Nesse novo relacionamento não havia lugar para mentiras, e por isso ele não voltaria a dizer o quanto era atraente e desejável. Talvez pensasse em outra mulher enquanto a tinha nos braços... Um soluço escapou do peito de Lily.
James a empurrou com violência e levantou-se.
— James... Você não entendeu! Estava pensando em outra coisa! Quero dizer... — ela tentou explicar, sabendo que o futuro de seu casamento estava em jogo. — Eu... Eu quero você.
James encarou-a e um sorriso desenhou-se em seu rosto. Desta vez a sedução lenta e estudada deu lugar à ferocidade do desejo, e Lily surpreendeu-se com a intensidade da própria satisfação.
— Desculpe — James murmurou enquanto levantava-se. — Preciso de uma ducha.
Gostaria de saber o que fizera de errado, mas tinha medo de perguntar e ser ainda mais ferida pela resposta. Dez minutos mais tarde ele deixava o quarto e ela permanecia sozinha na escuridão. Quando retornou, horas mais tarde, James trazia o sabor do conhaque nos lábios e o desejo no corpo, e desta vez amou-a devagar, saboreando cada segundo de prazer.
Os dias seguintes transcorreram numa espécie de emaranhado. Os empregados ocupavam-se com a grande festa que James decidira organizar, e Lily dividia-se entre os cuidados com Nicky e a representação de esposa feliz.
À noite saíam para jantar, mas ele evitava assuntos mais pessoais. Durante o dia jamais a tocava, mas a possuía com ardor na escuridão do quarto.
No início da segunda semana James passou a chegar em casa com imensos ramalhetes de flores, e então as conversas mais significativas começaram a acontecer. Ele perguntava tudo sobre a infância da esposa, sobre seus pais e cada emprego que tivera, e Lily começou a inquietar-se, certa de que seu interesse não era genuíno.
— Precisa mesmo fazer tamanho esforço para viver comigo? — ela perguntou no final da segunda semana durante o jantar.
— O que quer dizer?
— Não precisa fingir para me fazer sentir querida. Prefiro que seja você mesmo.
— Não consigo acertar com você, não é? — James irritou-se.
Como explicar que sentia-se humilhada por seus esforços? Seria aproximar-se muito da verdade, e não podia correr esse risco. Sentindo-se injusta e ingrata, Lily abaixou a cabeça numa luta silenciosa contra as lágrimas.
— Gosta de flores, mas não aprecia as que trago para você. Conversa com os empregados como se fossem velhos amigos, mas é incapaz de me dizer sua cor favorita sem ranger os dentes. O único lugar onde me recebe com alguma disposição é na cama, e por quê?
Porque o amava.
— Está sempre atenta às necessidades de Nicky, e não hesita em deixar a cama para ir atendê-lo, apesar de termos uma excelente babá. Se tem tamanha obsessão por bebês, por que esperar até o ano que vem?
— Não estamos preparados para outra criança — ela respondeu de imediato, sem entender o que acontecia com o marido.
— Pense bem, pethi mou. Em vez de ficar imóvel como uma estátua, tolerando minhas lamentáveis exigências sexuais, podia desenvolver um pouco mais de entusiasmo, tocar-me, dizer meu nome... Seria por uma grande causa!
— Não havia notado que estava insatisfeito.
— E como poderia, se não consegue pensar em nada mais excitante que a próxima mamadeira de Nicky?
Sem esperar pela resposta, James levantou-se e saiu da sala e Lily ficou sozinha, lutando contra as lágrimas amargas. Sabia que ele estava certo. Na tentativa de salvar o que lhe restava de orgulho, tornara-se fria e indiferente.
Mas esta noite trataria de mudar seu comportamento. Amava James, e a idéia de viver sem ele a enchia de pavor. Diante da terrível ameaça, suas prioridades alteravam-se imediatamente.
Mais tarde, depois de perfumar-se e vestir a melhor camisola que possuía, Lily saiu à procura do marido e encontrou-o na biblioteca, falando ao telefone de costas para a porta.
— Sim, Elise — ele ria. — Seria estranho se viesse até aqui. É tudo muito delicado, entende? Sim, sei que a culpa é toda minha. Não, ela ainda não tocou nesse assunto. Por que não almoçamos juntos amanhã? Um restaurante seria muito arriscado, mas podemos usar meu apartamento em Paris. E por que ela suspeitaria, se nem sabe que tenho um apartamento em Paris?
Mortificada, Lily fechou a porta com cuidado e voltou para o quarto. O marido infiel... Atacando-a, quando sempre tivera outra mulher em sua vida! Era evidente que James pretendia o divórcio, mas só quando julgasse oportuno. Enquanto isso, divertia-se com Elise.
Angustiada, Lily atirou-se na cama e deixou as lágrimas lavarem parte da dor. Vivien teria sugerido uma estratégia, mas a única coisa em que conseguia pensar nesse momento era assassinato. Se não podia ter James, Elise também não o teria.
Sim, James tinha razão. Era tudo muito delicado... Especialmente o controle que mantinha contidas emoções tão perigosamente primitivas.
N/A: Olá pessoas! Aqui estou eu, meia noite, 1 hora da manhã pelo horário de verão (onde eu moro não tem horário de verão :P), com minha playlist da minha linda diva Anahí tocando, trazendo o cap novo pra vocês. Espero que gostem!
Bj bj ;*
AdlaPoynter
