CAPÍTULO X

James anunciou:

- Damon e Androula virão para a festa.

Lily encolheu os ombros com indiferença, tentando engolir o café da manhã. Não conseguia deixar de pensar no almoço adúltero do marido e na própria passividade com relação ao assunto.

Na noite anterior ele não fora para a cama. Dormira em outro lugar. Pelo menos tivera a decência de não procurá-la. Mas por que insistia nafesta do dia seguinte? Por que tanto trabalho para apresentar à sociedade uma esposa que já decidira abandonar?

O mordomo trouxe a correspondência e havia uma carta para Lily. Fora enviada de Londres, de um escritório de advocacia, e tratava... Do testamento de Petunia! Por que Petunia havia feito um testamento, se não possuía nada de valor? Lily continuou lendo e empalideceu.

A conta bancária de sua irmã guardava mais de duzentos e cinqüenta mil libras, e o saldo crescia mensalmente através de depósitos regulares. Como Lily era a única beneficiária, os advogados solicitavam sua presença para que fosse decidido o destino de tal conta bancária.

— Algum problema? — James perguntou.

Aturdida, ela empurrou a carta em sua direção e cobriu o rosto com as mãos. O dinheiro só podia pertencer a Damon, e a quantia elevada indicava que ele assumira suas responsabilidades desde o início. Mais uma vez, tinha de admitir que James estava certo e que sua irmã mentira.

— Sugiro que esse dinheiro seja devolvido — James indicou com tom frio.

— Devolvido?

— Já dei início ao processo legal de adoção, e não posso permitir que meu irmão sustente um filho que pretendo criar como sendo meu.

— Tem razão. Se soubesse da existência desse dinheiro já o teria devolvido, mas Petunia não me disse nada e...

— De quem foi a idéia de não descontar o cheque que dei à sua irmã?

— Minha, mas...

— Então Petunia tinha mais juízo que você. Ela estava pensando no futuro. Sem dúvida sabia que se oporia ao uso desse dinheiro, e por isso guardou segredo.

— As mentiras que Petunia me contou... — James suspirou.

— Ela mentiu porque a amava, e por importar-se com sua opinião. Às vezes é difícil conviver com alguém de princípios morais mais rígidos e elevados.

Sabia que ele estava usando o comportamento de Petunia para criticar a maneira como o tratava. James a considerava radical, rígida, e por isso desistira do casamento e estava voltando para Elise.

Estava voltando... Então ainda havia tempo para provar que podia ser a esposa que ele queria, certo? Só precisava abrir mão do orgulho e enfrentar a insegurança. E como só contava com algumas horas para convencê-lo de que era muito melhor que Elise, teria de ser rápida e contundente.

— Eu disse... Ah, esqueça o que eu disse — ele irritou-se. E antes que Lily pudesse fazer alguma coisa James já havia saído da sala. Movida pelo pânico, ela o seguiu até a porta a fim de revelar seus sentimentos, mas o piloto o esperava no jardim, e não seria capaz de abordar um assunto tão íntimo diante de testemunhas.

O som da porta se fechando foi como o estrondo de uma pedra caindo sobre seus sonhos, suas esperanças e seu casamento.

Mas ainda contava com algumas horas e muita determinação. Disposta a lutar até o último instante, Lily procurou o mordomo.

— Henri, a que horas meu marido costuma sair para almoçar?

— Bem, isso depende...

— Preciso saber à que horas ele vai sair hoje, e quero o carro preparado para me levar à Paris a tempo de surpreendê-lo.

— Tomarei as providências, madame — Henri sorriu. Lily foi para o quarto e vestiu-se combinando ousadia e determinação, usando todas as armas para impedi-lo de pensar no compromisso que deixaria de cumprir. Se James podia usar o sexo como instrumento de dominação, como fizera na noite de núpcias, ela tinha o mesmo direito.

Infelizmente seu guarda-roupa não contava com a mais básica ferramenta de sedução que uma mulher pode usar e, apressada, Lily voltou à cozinha em busca do motorista.

— Preciso ir a Tours imediatamente.

François era um excelente empregado, e uma hora mais tarde Lily estava de volta ao castelo. Agora poderia preparar-se adequadamente para a grande batalha.

Lily atravessou o saguão do edifício de cabeça erguida, dizendo a si mesma que ninguém podia enxergar através do casaco preto e longo. Ao deparar-se com a secretária, assumiu um arrogante e avisou:

— Cancele todos os compromissos do sr. Potter e não passe nenhuma ligação. Não quero interrupções.

— Mas...

— Faça o que estou dizendo! — ela cortou, entrando antes que a secretária pudesse impedi-la.

James falava ao telefone, e espantou-se ao vê-la trancando a porta.

— Lily?

— Vim para o almoço. Quero dizer, vim para...

— Que idéia encantadora! — ele sorriu, desligando o aparelho. — Mas receio que tenha escolhido...

— Não pude esperar até que fosse para casa — ela adiantou-se, notando que James levantava-se e consultava o relógio.

— Não pôde esperar... Para quê?

Abandonando a idéia da sedução lenta, ela despiu o casaco.

— Para isso.

James parecia chocado. Os olhos arregalados a fitavam intensamente, e era como se ele não acreditasse no que via.

— Lily...

— A porta está trancada, e sou toda sua. Como vê, sou capaz de ser a esposa de seus sonhos. Não vai precisar de mais ninguém.

— Especialmente se continuar iluminando meus dias de trabalho dessa forma — ele concordou, abraçando-a sem esconder o desejo. — E como nenhuma outra mulher conseguirá me incendiar desse jeito, pode contar com exclusividade pelos próximos cinqüenta anos. Só preciso dar um telefonema e...

— Não! — Elise que ficasse esperando. — Quero você agora...

James hesitou por um instante antes de sucumbir. Queimando de paixão, Lily relaxou e deixou que o marido assumisse o comando.

Já estavam deitados no sofá de couro quando, despin do-se, James disse ofegante:

— Quero me desculpar por ontem à noite. Fui grosseiro, impaciente, e tem todo o direito de estar chocada com o que eu disse.

— Eu entendi o recado, não?

— Perfeitamente — ele sorriu, tomando-a novamente nos braços.

Uma hora mais tarde, exaustos e satisfeitos, repousavam abraçados quando Lily quebrou o silêncio.

— Sempre me desejou, não é?

— Com verdadeira loucura. E agora a quero ainda mais — James confessou com voz terna. — Vamos para casa?

— Mas... e o trabalho?

— Não tenho nenhum compromisso importante, e não seria muito útil se ficasse. Minha cabeça estaria em outro lugar. Iremos de carro, e aproveitarei para resolver um pequeno problema a caminho de casa.

Generosa em seu triunfo, Lily não fez perguntas. A limusine parou alguns quarteirões à frente do edifício Potter.

— Espero não demorar — James disse ao descer. Lily também esperava que ele fosse rápido. Sabia que Elise o esperava no apartamento, apesar do atraso de mais de uma hora.

James retornou dez minutos mais tarde, sorridente e seguro de si. Feliz como jamais estivera, aproveitou a viagem até o castelo para abraçá-la e beijá-la, provocan do-a com comentários sensuais.

Henri tentou dizer alguma coisa quando entraram, mas o patrão estava mais interessado em beijar a esposa. Sem se preocupar com a audiência, ele tomou Lily nos braços antes de chegarem ã escada, beijando-a com ardor contagiante.

— James!

Sobressaltados, os dois voltaram-se na direção da voz.

— Androula! — James exclamou com tom irritado. — Damon, eu pedi que fosse para um hotel, não?

— Lily! — Damon espantou-se. — Quase não a reconheci. Você parece outra mulher!

Androula sorriu divertida.

— Acho que devíamos ter ido para um hotel. Afinal, nos preocupamos por nada. E pensar que Damon estava se culpando por seu casamento com Lily!

— Agradeço a preocupação, mas prefiro deixar essa conversa para outra ocasião.

— James! — Lily censurou-o. — Não podemos adiar uma conversa tão importante!

— Tem razão — ele suspirou contrariado. — Vamos acabar com isso de uma vez.

Os quatro foram para a biblioteca. Damon sentou-se ao lado da esposa e, de cabeça baixa, confessou:

— Não fui totalmente honesto, James.

— Ele está querendo dizer que mentiu — Androula interferiu. Um olhar do marido a fez levantar-se. — Acho melhor ir esperar na sala.

Assim que Andy saiu, Lily retomou o assunto.

— Sei que não abandonou minha irmã como eu imaginava.

— Fiz pior que isso. Disse a James que ela era uma interesseira, e que havia saído com outros homens. Petunia não era nada disso, e tem todo toda a razão de estar me odiando.

Só então Lily descobriu que não o odiava. Damon era imaturo, fraco e superficial, e provavelmente fora envolvido pela personalidade forte e marcante de Petunia.

— Mentiu para mim? — James perguntou ao irmão com tom autoritário.

— Fique quieto e deixe-o falar — Lily impacientou-se.

— Quando Andy esteve em Oxford com as crianças, nosso casamento passava por uma fase muito ruim. Pedi o divórcio e Andy concordou. Isso foi antes dela voltar para casa, antes de eu ter encontrado Petunia. Apaixonei-me por ela e a pedi em casamento, e pretendia realmente levar essa idéia adiante.

— E eu duvidei de você — James disse a Lily.

— Isso não tem importância — ela respondeu, feliz por estarem finalmente desvendando toda a verdade.

— Petunia garantiu que não havia risco de uma gravidez — Damon prosseguiu. — Ela sabia que eu não queria, e quando aconteceu, não soube como lidar com a situação. Petunia e eu tivemos uma violenta discussão. Depois disso voltei para casa para ver as crianças e cuidar do divórcio e... bem, percebi...

— Descobriu que queria voltar para sua esposa — Lily concluiu.

— Petunia chamou-me de covarde — Damon suspirou. — Estava arrependido, entende? Tentei terminar tudo, mas ela se negou a aceitar o rompimento.

— Primeiro a pediu em casamento, depois arrepen deu-se e abandonou-a — James resumiu furioso. — Uma garota de dezoito anos, apaixonada por você! Como pôde ser tão egoísta e irresponsável? E ainda deixou que eu acusasse Lily de...

— Já chega! — Lily interferiu. — Vamos acabar com isso. Damon não foi o único homem do mundo a abandonar uma mulher.

— Mas sua irmã morreu!

— Por que decidiu levar adiante uma gravidez arriscada. Damon não a deixou desamparada. Mandou dinheiro, lembra-se? E ela nem disse nada a respeito — Lily lembrou, virando-se para o rapaz. — Por que se ofereceu para ficar com Nicky?

— O que mais podia fazer depois da morte de Petunia? Andy concordou...

— Queria mesmo o bebê?

— Não — Damon confessou com honestidade. — Sou grato por você e James terem decidido adotá-lo. Essa criança poderia ter destruído meu casamento.

— Interessante, essa mesma criança fez maravilhas pelo meu casamento — James comentou.

— Sorte sua...

Damon levantou-se e caminhou até a porta.

— Ainda querem que Androula e eu venhamos à festa?— perguntou embaraçado.

— É claro que sim! — Lily respondeu apressada, acompanhando-o até a sala.

Ao vê-los, Androula aproximou-se visivelmente emocionada.

— Estive no quarto de Nicky — disse. — Ele é lindo! Quero que saiba que não guardo ressentimentos, Lily. Damon está comigo, e é isso que importa.

Damon despediu-se sem manifestar o menor desejo de ir ver o filho. Para ele. Nicky era filho de James e Lily.

Mais uma vez, Damon optava pela saída mais fácil.

Lily e James estavam jantando quando ele anunciou:

— Iremos ao Caribe em lua-de-mel. O que acha? — Lily sorriu e tentou conter um bocejo.

— Ótima idéia — respondeu em seguida.

— E melhor ir para a cama. Você parece exausta!

— E estou. Pretende ir... A algum lugar?

— E claro que não! De onde tirou essa idéia? — Lily estava adormecendo quando teve a impressão de ouvir o motor do carro de James. Pura imaginação...

— Bom dia. E feliz aniversário — James disse antes de beijá-la.

— Mas não é... Meu Deus! — Lily sentou-se na cama. — Esqueci meu aniversário!

— Mas eu não esqueci — ele sorriu, apontando para a tela aos pés da cama.

Era um retrato de Petunia, e a semelhança teve o poder de impressioná-la.

— Mas como...? Por quê...? Pelo amor de Deus, onde o conseguiu?

— Eu o encomendei a partir de algumas fotos. Gostou?

— É fantástico! Jamais ganhei um presente tão importante quanto esse! Quando o encomendou?

— Há duas semanas.

— Já estava pensando no meu aniversário?

— Na verdade, estava pensando em qualquer oportunidade que surgisse para tentar impressioná-la. Queria ser incluído na categoria dos homens românticos e sensíveis.

— Queria? E por quê?

— Porque amo você.

— Não... Não pode estar falando sério!

— É claro que estou. E teria confessado meu amor de qualquer maneira, mesmo que não houvesse ido me procurar no escritório ontem.

— Desde quando? — Lily perguntou atordoada.

— Desde antes de nos casarmos. Em nossa noite de núpcias, surpreendi-me pensando em como seria maravilhoso ter uma esposa como você e...

— E então disse todas aquelas coisas horríveis.

— Não conseguia entender meus sentimentos, e isso me deixava furioso. Saía todas as noites com outras mulheres, e isso só servia para me fazer ver o quanto queria estar com você.

— Também amo você — Lily sorriu emocionada.

— Eu já sabia.

— Já sabia? Ora, seu... Presunçoso!

— Percebi ontem, quando entrou em meu escritório. Não teria vencido a barreira da timidez sem o estímulo do amor. Fiquei tão feliz quando a vi na minha frente, que esqueci que havia combinado um almoço com Elise para apanhar o retrato.

— O... Retrato?

— Elise o pintou. Esta noite, quando ela for à nossa festa, talvez possa aproveitar para rever sua opinião a respeito dela.

— Meu Deus! Eu sinto muito, James! Pensei que...

— Sei o que pensou — ele riu. — Elise e eu somos apenas bons amigos. Nunca houve nada entre nós, apesar de ter realmente pensado em casamento. Ela veio procurá-la porque estava mesmo preocupada com meu comportamento.

— Eu não sabia que andava encontrando outras mulheres. Acho que a surpresa me levou a reagir daquela maneira estúpida e grosseira.

— Elise compreendeu sua atitude.

— E quanto às suas... Amantes?

— Amantes? Lily, onde acha que eu iria buscar tanta energia?

— Energia nunca foi problema para você.

— Isso foi antes do casamento. Além do mais, não existe mulher melhor que você, meu amor.

— Nem pense em procurar!

— O que acha de nos casarmos novamente? Assim repetiríamos os votos com sinceridade.

— Ótima idéia — ela riu.

— E já que está tão generosa, será que uma vez por ano poderia...

— Sim.

— Mas eu ainda não fiz o pedido.

— Sei o que vai pedir, seu desavergonhado.

— Apaixonado — ele corrigiu. — Uma vez por ano estarei esperando sua visita.

— Só uma vez por ano? Acho que posso fazer melhor que isso, James. Espere só para ver...

~*FIM*~


N/A: Aaah, acabou! Já vou sentir saudades de vocês, de tudo! Não sou boa com despedidas, ainda mais pq eu não quero que isso seja uma despedida, e sim um até logo ;)

Eu estou pensando em fazer outra adptação, de um outro livro da Lynne Graham, o que vcs acham? Se vcs toparem eu faço :)

Mil beijos pra todos os leitores, os que acompanham desde inicio ou os que chegaram agora, e um beijo mais especial ainda para todos aqueles que deixaram reviews. Amo vocês, de coração.

Até a próxima ;)

AdlaPoynter ;*