Capitulo 7 – NÃO ACREDITO!

Lá estávamos nós na imensa fila para a livraria, posso até confessar que o meu coração estava abater muito mais rápido que o habitual, só de pensar que daqui a pouco tempo estarei com um exemplar da ultima obra de Harry Potter na mão pronto a ser degustado por mim fico radiante!

Peguei no meu livro de Jane Austen, Orgulho e Preconceito e sentei-me no chão e comecei a lê-lo, Edward acompanhou-me sentando-se também no chão.

«- "O presente mantém-na sempre ocupada nesses cenários, não é verdade?". - sugeriu ele com um olhar de dúvida.

Sim, sempre. - respondeu ela, sem saber o que dizia, pois os seus pensamentos haviam divagado para outras paragens, como foi perceptível pela súbita exclamação que proferiu em seguida. - Recordo-me de uma vez o ter ouvido afirmar, senhor Darcy, que dificilmente perdoa alguém e que o seu ressentimento, uma vez formado, era implacável. Suponho que seja muito cauteloso com essa afirmação.

Efetivamente. - disse ele, com voz firme.

E nunca permite que o preconceito o cegue?

Espero que não.

É particularmente incumbente para aqueles que nunca mudam de opinião estarem seguros de formar corretamente os seus juízos à primeira.

Posso perguntar qual a finalidade destas questões?

A ilustração do seu carácter, simplesmente. - disse ela, procurando parecer menos séria. – Estou a tentar decifrá-lo.

E a que conclusão chegou?

Ela abanou a cabeça.

Não consigo fazer qualquer progresso. Ouço tão diversas opiniões sobre si que fico extremamente confusa.» (N/A: Excerto de Orgulho e Preconceito de Jane Austen)

– Podes parar de ler, está a irritar-me... Fala! – Disse Edward do nada irritado.

– "Adoro prazeres simples. São o último refúgio dos complexos." – Recorri a Oscar Wilde, A Woman of No Importance de uma forma indiferente transmitida pela minha voz, afinal quem interrompe a leitura dos outros é carrasco vestido de rosa com um tique de suicídio.

– Como queiras, á malucos para tudo! – Disse indiferentes, agora eu sou maluca, né?

Prepara-te Edward pois se achas que sou maluca eu serei maluca só para ti!

– "É bom notar que há ideias pré-fabricadas a respeito de qualquer coisa, o que é bastante prático, permitindo-nos passar facilmente de uma para outra. Mas, quando a gente veio à terra com determinada missão, quando fomos encarregados de executar certa tarefa, as coisas já não são tão fáceis. As ideias pré-fabricadas, que os outros manejam tão bem, recusam-se a ficar em nossa cabeça: entram por um ouvido e saem pelo outro, e vão quebrar-se no chão. Causamos assim muitas surpresas. Primeiro, aos nossos pais. Depois, a todas as outras pessoas grandes, tão apegadas às suas benditas ideias!" - Frase de Maurice Druon, em "O menino do dedo verde", Edward olhou para mim como estivesse a fazer o pino.

– O quê? – Perguntou confuso, a ideia de usar apenas frases de livros vai correr bem, divertido... Consigo senti-lo!

– "Todos aqui são inimigos do único Inimigo, e mesmo assim devo andar como um cego, enquanto o sol alegra a floresta sob as folhas douradas!" – Agora foi a vez de O Senhor dos Anéis: A Sociedade do Anel - Capítulo VI – Lothlórien, aposto que ele deve estar a pensar que fui abduzida!

– Não acredito que piras-te de vez! Ainda por cima não ensinaste-me nada! – Disse olhando de um lado para o outro.

– "Os miseráveis não têm outro remédio a não ser a esperança." – Agora recorri ao grande mestre inglês William Shakespeare.

– Porque deixei de estar aos pegas com a Emily para ficar com está louca? OH DEUS! – Disse dramático e sentando-se exausto no chão.

– "Pateta! Chorão! Desbocado! Beliscão! Obrigado" – Frase de Alvo Dumbledore em Harry Potter e a ordem da Fênix, claro que tinha de fazer referencia não é verdade!

– Não acredito nisto, porquê meu Deus? – Disse desanimado e demasiado dramático em minha opinião.

– "Homens, perdoem-o, ele não sabe o que faz" – Atirei para o ar extremamente dramática a referencia excelente de Jesus crucificado em "O EVANGELHO SEGUNDO J. CRISTO" de Saramago.

Uma espécie de ronco veio do Edward e um ataque de riso apoderou-se de mim.

Eu com um ataque de risos, Edward totalmente vermelho de vergonha e todos ao nosso redor a olhar-nos como se fossemos objetos não identificados, ridículo.

– Ele é bom e tem dona ok, virem a cara que aqui não á nada perdido! – Disse quando recuperei do meu ataque.

– Tenho dona? – Perguntou ainda vermelho.

– A tal Emily conta?

– Eu disse que estávamos curtindo não a namorar, pois se assim fosse estaria perdido, ela é muito chata e burra que até dói! – Disse negando com a cabeça e sorrindo torto.

– Então nunca vais ter uma namorada! – Disse como se fosse obvio, na verdade é!

– Porquê? – Perguntou com a sobrancelha arqueada.

– Queres uma rapariga inteligente... – Disse enquanto abria a mochila para tirar a comida, pois daqui a pouco é a meu estomago que vai dar sinal de vida!

– Sim...

– Mas uma prova que uma rapariga é inteligente é o fato que nunca na vida irá namorar contigo. – Disse empenhada a encontrar comida.

– Mui...

– EU NÃO ACREDITO! – Gritei.

Continua...