Capítulo VI

Mergulho

Não quero ser quem te trás mais um problema,

Não quero ser quem te prende num dilema,

Corre o teu caminho e vá para onde der.

Eu fico de pé sozinho, esteja onde estiver.

Udora, Quero te ver bem.

Zabuza tentou conversar com Jun, porém o som retumbou alto, parecia que a banda contratada ia começar o seu show, e por causa disso a piscina – que era o local mais alto – ficou apinhado de jovens ricos que queriam ter uma visão privilegiada dos artistas tão ricos quanto eles.

Kakashi tentou ver Jun através de todas aquelas pessoas, porém era quase impossível, ele apenas via um pedaço de sua blusa verde e seu cabelo castanho acobreado pelo sol. Zabuza havia saído de seu campo de visão e isso o preocupava mais ainda.

O som começou alto, vários adolescentes cantavam e pulavam juntos. Jun se via perdida no meio deles, se sentia sufocada e prensada, precisava imediatamente sair dali. Kakashi havia saído da sua vista e o estranho que disse conhecer seu irmão também. Caminhou pela borda tentando chegar ao fim, porém sentiu mãos segurarem seus ombros por trás e antes que pudesse se virar sentiu as mesmas mãos a empurrarem em direção à cascata da piscina.

A água se tingiu de vermelho quando Jun caiu na água. Ela havia batido a cabeça na cascata quando foi empurrada.

Sentiu-se afundar e se desesperou momentaneamente quando chegou ao fundo da piscina semi-olímpica sem conseguir pensar direito.

Kakashi estava na beira da piscina e viu um pequeno borrão dentro da piscina, ninguém parecia se importar, ele apertou o olho para enxergar melhor, o que raios poderia se aquilo? Até que ele viu cabelos castanhos e um óculos de sol boiando perto de onde estava e apenas uma lembrança de três anos atrás veio a sua mente, uma lembrança de quando chegara para dar aula no instituto, mais precisamente a lembrança de uma ficha, a ficha de Jun: Não sabe nadar.

Ele estava prestes a se atirar dentro d'água quando o borrão começou a ficar mais nítido, Jun estava nadando para a superfície.

Zabuza curtia a música enquanto bebia a quinta taça de champanhe em menos de quarenta minutos, precisaria de pelos menos três garrafas para começar a ficar bêbado, até lá teria muito chão...

Jun finalmente pode respirar, a cabeça latejava e várias pessoas a olhavam. Isso a estava irritando.

- Jun-san! – Escutou alguém a chamar, era Kakashi, nadou para perto dele, mas quando já estava perto da borda afundou, a cabeça pesava de mais, chamando a atenção de outros.

- Jun! – Dessa vez foram duas garotas que gritaram o nome dela. A música parou e uma multidão se juntou em volta da piscina.

Kakashi a puxou pelos braços antes que afundasse completamente a sentando na beira.

- Tragam toalhas e se afastem! – Não era um pedido, era uma ordem, e ninguém se quer pensou em contestar.

- Jun? – Pela primeira vez ele não usava o sufixo –san – Está me escutando?

- Estou – ela disse de olhos fechados.

- Pensei que não soubesse nadar, deu um grande susto – ele passou a mão pelo rosto dela, afastando o cabelo grudado.

- Como é que você soube? – Ela continuava a falar baixou alheira à confusão em volta.

- Eu li todas as fichas dos meus alunos, e me lembrei que na sua dizia que você não sabia nadar...

- Eu não gosto de nadar, é diferente de não saber... – ela parou de falar e levou a mão à têmpora que sangrava.

- Jun! – Karin e Sakura chegaram com toalhas afastando as pessoas curiosas que estavam na frente.

- Não gritem – ela reclamou, a cabeça latejava.

- Aqui as toalhas Kakashi-sensei – Sakura estendeu toalhas brancas e felpudas para o professor que passou uma em volta da jovem morena e a outra entregou a ela para que enxugasse o rosto e o sangue.

Enquanto Kakashi e Sakura ajudavam a secar Jun, Karin fez com que os curiosos fossem embora, fazendo com que a música voltasse a tocar.

- Quer que eu te leve? – Sakura perguntou solicita enquanto pescava o óculos de grife de Jun de dentro da piscina.

- Não... – Ela gemeu levemente quando Kakashi pressionou o lugar machucado – Eu vou pegar um táxi.

Sakura já ia protestar quando Kakashi pediu para que ela ficasse quieta.

- Pode deixar que eu a levou, vou retribuir o favor que ela me fez outro dia – ele disse sorrindo por baixo da máscara para as alunas.

- Não... – Jun gemeu novamente, dessa vez não de dor, mas de exasperação, não queria estragar a festa de ninguém. Deveria era ter ficado dormindo em casa.

- Eu a levarei, vocês podem ficar tranqüilas – e elas ficaram.

Kakashi gentilmente levantou Jun pelos ombros e a apoiou com um dos braços para que ela não caísse, a cabeça dela provavelmente estava girando.

Em silêncio foram levados até o portão que foi aberto por um frio segurança que desejou uma boa tarde mais gelada que o clima do pólo norte. Sakura e Karin também desejaram uma boa tarde e melhoras para Jun, entregando-lhe a bolsa que havia ficado caída perto da piscina, acenaram e voltaram para a festa. Elas tinham de aproveitar, afinal Jun estava com Kakashi. Não era?

Ele foi caminhando vagarosamente pela calçada apinhada de carros dirigindo-se para o final da primeira fila.

- Fique quietinha aqui e me espere enquanto e pego o carro, tudo bem? – Kakashi fez com que ela se encostasse ao muro.

- Tá... – ela disse.

Kakashi correu pela calçada desaparecendo da vista de Jun, sua cabeça rodava e parecia que o sangue não acabava mais, a toalha começava a se tingir de vermelho gradualmente.

Passado alguns segundo ela escutou o ronco de um motor, e voltou os olhos quando viu uma Ferrari preta virar a esquina. Era Kakashi. Surpreendeu-se um pouco, não se viam muitas Ferraris no Japão, mesmo que fosse um modelo de três anos atrás, ainda mais quando um professor era o dono.

Kakashi parou no meio da rua e saltou do carro, que ainda estava ligado, e encaminhou-se na direção onde Jun estava a amparando para em seguida a pôr dentro do carro, tendo o cuidado de não mexer muito na cabeça dela.

Já dentro do carro Jun reclinou a cabeça para trás e afastou a franja molhada que tendia a cair nos seus olhos e observou o interior ricamente adaptado do carro. Os bancos eram de couro e todo o painel digital, sem falar do caro aparelho de som e o DVD com TV de tela plana no banco de trás. Realmente muita coisa para um salário de professor, mesmo que o salário do instituto fosse tão gordo quanto imagina.

Kakashi já havia dado a volta no carro e se acomodou pondo o cinto de segurança, Jun já o havia feito, adaptou a marcha e foi ganhando velocidade através das ruas calmas da parte alta – e rica – da cidade.

- Hatake-san... – chamou Jun depois de algum tempo de silêncio – você poderia me fazer um favor?

- Claro – ele respondeu.

- Poderia me levar em alguma loja de roupa para que eu pudesse trocar? Não quero que Momo-san e Mr. Jofre saibam do que aconteceu... Isso poderia os deixar preocupados, e eles também poderiam informar o meu irmão, o que seria pior ainda...

- Claro... – Kakashi repetiu a resposta. Achava que Jun estava sendo um tanto quanto irresponsável por não querer informar aos outros sobre o incidente, mas vendo por outro lado ela queria evitar preocupações desnecessárias. Uma pessoa altruísta.

Kakashi dirigiu em silêncio, Jun estava com dor de mais para tentar instituir qualquer tipo de conversa, e Kakashi sabia disso, por isso nem tentou.

Passados alguns minutos começaram a aparecer os primeiros comércios, pequenas lojinhas e bares na sua totalidade. Jun observava pela janela essa parte mais desfavorecida da sua cidade e lamentava que o dinheiro estivesse na mão de poucos, todos deveriam ter o direito de poder esbanjar nem que fosse uma vez na vida. Ela continuou a pensar nisso, porém sua atenção foi desviada quando a cidade passou a ser mais movimentada. Ela começou a se perguntar se Kakashi havia se esquecido do que pedira.

- Hatake-san... – ela começou, mas foi interrompida.

- Só um segundo – ele disse enquanto começava a reduzir para estacionar em frente a uma modesta loja espremida entre duas papelarias gigantes.

Terminado o trabalho de estacionar, Kakashi se virou para Jun e disse:

- Você fica dentro do carro e eu compro algo para você, tudo bem? Sua cabeça está sangrando de mais – ele informou.

Ela assentiu, sua cabeça doía tanto que era capaz de ter tonteira quando levantasse.

- Toma – ela estendeu o cartão de crédito para Kakashi que o recusou.

- Não, não precisa, além do mais duvido que essa lojinha tenha máquina para passar o cartão. Eu compro com o meu dinheiro, não tem problema... Além do mais, qual é o seu número?

- Mas... – Jun tentou contestar o fato de Kakashi pagar a roupa para ela, porém ele revirou os olhos e sorriu, dizendo que não se preocupasse. Ela assentiu a contra gosto, afinal, não tinha dinheiro vivo mesmo.

- Não vai me dizer o seu número não? – Ele refez a pergunta.

- 36 – ela disse suspirando, estava dando tanto trabalho ultimamente ao professor que mal conhecia.

- Tudo bem, eu voltarei em um segundo. – Ele saiu do carro e ligou a ventilação, em nenhum segundo havia abaixado os vidros negros do carro.

Jun ficou olhando pela janela, observou a grande movimentação que havia entre as duas papelarias, milhares de pessoas indo e vindo, olhou para trás e viu o pequeno engarrafamento que estava se formando por causa de uma carroça cheia de frutas que andava lentamente pelo meio da rua.

Continuou observando tudo o que acontecia ao seu redor, sempre achou que o Japão era uma efusão de cores e sabores um tanto quanto diferentes, gostava de lá, mas preferia mil vezes a sua Inglaterra cinzenta e calma, com o seu típico cheiro e sabor de chá da tarde com finos bolos e chás quentes. Podia até escutar o Big Ben dando as suas costumeiras badaladas... Deixou-se levar por essas fantasias até escutar o som da porta do motorista sendo aberta. Kakashi havia voltado.

- Olha... Não tinha praticamente nada nesse número, mas eu consegui um vestido curto e uma calça legue, creio que esse seja o nome... – Kakashi disse em dúvida.

- Arigatou... – ela disse pegando a sacola de papel pardo que Kakashi estendia.

- A vendedora também escolheu roupas intimas... Creio que também estejam molhadas... – Kakashi disse com certo constrangimento dando partida no carro. Jun também ficou constrangida mais preferiu ficar quieta. Pelo menos não havia sido Kakashi a escolher.

- Mas Hatake-san... – a jovem começou – onde é que eu irei me trocar? – Ela não havia pensado nisso até agora.

- No hospital – ele responde como se fosse a coisa mais obvia do mundo.

- Hospital? – Ela exclamou se arrependendo em seguida, sua cabeça girou.

- Não faça esforço! – Ele encostou o carro, a rua que eles estavam era calma. Já estavam fora do centro.

Ele se inclinou e com cuidado retirou a mão de Jun que pressionava com a toalha no local machucado, examinando e fazendo uma cara de desagrado quando recolocou a toalha no lugar.

- Está tão ruim assim? – Ela perguntou receosa.

- Está sangrando muito e parece que vai inflamar... Além de ser fundo, acho que você terá que levar alguns pontos... – ele deu a partida no carro e arrancou.

Jun arregalou os olhos diante da palavra 'pontos', detestava agulhas.

- Hatake-san...

- Não me chame assim, me chame apenas de Kakashi.

- Tá... – ela respondeu simplesmente e direcionou-se para o assunto do qual ia falar – Acho melhor eu não ir ao médico... Sabe, acho que não é para tanto, posso fazer um curativo em casa... – ela dizia rápida e nervosamente.

Pela segunda vez Kakashi encostou e desligou o motor se virando para Jun, que começava a ficar pálida por causa da demasiada perda de sangue.

- Jun – ele disse olhando nos olhos – você confia em mim?

- Hai – Não tinha como dizer não, nem se quisesse, os olhos de Kakashi eram hipnotizantes.

- Então eu te prometo que você não sentirá dor – ele estendeu a mão e passou com o polegar pela bochecha machada de sangue dela e sorriu, fazendo-a corar e sentir a pele onde o dedo dele encostava queimar – nem que tenham de te dar morfina você não vai sentir dor nenhuma.

Ele acariciou a bochecha dela por mais algum tempo se repreendendo mentalmente pelo ato e voltou-se para frente, tendo consciência de o quanto ela estava rubra e desconcertada.

- Qual é o hospital onde você tem plano? – Ele sabia muito bem, isso também constava na ficha do instituto, mas não poderia deixá-la saber disso.

- No Clinical Center – a jovem respondeu baixinho, não conseguia tirar da mente o que acabara de acontecer, parecia muito irreal.

Continua...


Sangue! *-*

Para dar um pouco de cor na história, não acham? ASHAUSHUASH

Já sabe quem a empurrou? Façam suas apostas! Um beijo para quem acertar xD

Bjux ;*


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