Capítulo XI
Sequestrada
'Nós podemos mudar
As coisas agora.
Porque eu não consigo dormir
Devido a dor.'
Akon, Mad.
- Pára o carro! Pára o carro! – Ela gritava batendo com os punhos no vidro negro à prova de balas que separava o motorista do passageiro.
Não veio resposta, apenas o fraco zunido do vidro abaixando.
- Espero que não tenha quebrado nenhuma unha Hinday-sama – ironizou Zabuza que estava ao volante com Mr. Jofre desmaiado no banco do carona.
- O que você fez com ele? – Sibilou Jun.
- Adolescentes – revirou os olhos – fica calma, nem tudo se resume a mortes. Eu só dei uma pancadinha de nada na cabeça desse velho aí...
Jun podia ver que era observada pelo retrovisor do carro. Os olhos negros de Zabuza estavam cravados nela.
- Deixe-o livre, ele não tem nada a ver com isso...
- Nananinanão – ele respondeu balançando o dedo – ele é minha garantia de que você não vai fugir... E nada de gritar ou espernear, se não – Zabuza levantou uma arma – ele vira peneira. Lindo não é? – Sorriu para o retrovisor, passando a língua pelos dentes pontiagudos.
A jovem sentiu as entranhas revirarem. Aquele cara era um lunático.
• • •
- Kakashi?
Kakashi piscou os olhos quando uma forte luz foi colocada no seu olho direito, afastou com uma tapa a mão que segurava o oftalmoscópio de luz potente.
- Ele está bem! – Guinchou uma voz feminina.
- Shizune? – Kakashi estava confuso, sua cabeça doía muito.
- Deixa eu te ajudar a se levantar... – uma voz de homem foi escutada.
Kakashi não teve tempo nem de protestar, foi levantado como uma pena por alguém maior e mais forte que ele.
- Asuma? – Ele perguntou confuso, afinal, o que estava acontecendo?
- Sim! E você levou uma bela pancada, Shizune pensou que você estava em coma – disse o grandalhão que tinha um cigarro pendendo entre os lábios. Tinha quase dois metros e era bem forte também. Os cabelos pretro-azulados estavam bagunçados e os pequenos olhos escuros perscrutavam a rua.
- O que aconteceu? Minha cabeça não para de rodar...
- Você não lembra? – Shizune disse com os olhos negros arregalados.
- Não... – Kakashi levou a mão à cabeça sentindo um galo enorme se formando e sangue seco por todo o pescoço.
- Nós é que íamos perguntar para você o que aconteceu. Momo-san ligou preocupada para a escola querendo saber da Jun, pensávamos que você soubesse alguma coisa – frisou a morena.
- Momo-san...? – Kakashi murmurou confuso, não se lembrava de nenhuma Momo-san. Passou a mão direita pelo cabelo tentando se lembrar.
- Kakashi? – Asuma colocou a mão no ombro do amigo.
O professor se virou para ele, os olhos em completa confusão.
- O que está acontecendo? – Murmurou novamente confuso.
- Kakashi – chamou Shizune receosamente – você se lembra da Jun, não lembra?
- Jun... – Kakashi repetiu o nome o remoendo – Claro! – Ele bateu na própria testa, a adrenalina voltando a correr nas suas veias – Zabuza a sequestrou! Eu estava perseguindo o carro quando em uma curva ele me mandou para fora da estrada... Que horas são? – Ele perguntou de supetão.
- 12h30min – respondeu Asuma.
- Kuso! Eu fiquei desacordando tanto tempo assim?
- É, você sangrou muito – informou a jovem médica.
- Jun foi levada lá pelas 11h00min...
- O que? – Disseram Asuma e Shizune em uníssono, porém foram interrompidos pelo toque do celular de Kakashi.
- Alô?
- Kakashi, é o Japp. Estamos chegando aí. O Senji está no Japão.
O tempo parou. Porque Japp, seu antigo inspetor na Scotland Yard estava no Japão. Porque Senji estava no Japão? Perguntas sem respostas.
• • •
- Para onde você está me levando? – Jun perguntou. Já rodavam de carro a mais de uma hora e meia. Ela estava ficando cada vez mais preocupada, não só com ela, mas com Mr. Jofre, que depois de todo esse tempo não havia dado sinal de vida.
- Você logo descobrirá... Enquanto isso olhe para essas doces vaquinhas e para o bonito pasto verdinho – Zabuza disse sem tirar os olhos da estrada.
"Lunático" – foi o que Jun pensou com amargura.
O silêncio reinou durante a meia hora seguinte, só sendo interrompida quando Zabuza começava a cantarolar alguma música desconhecia. A cada momento ele assustava mais a jovem com seus maneirismos irrefletidos.
- Estamos quase chegando! – Ele guinchou quase feliz, deixando os dentes a mostra em um sorriso maléfico.
"Aonde?" – A jovem se perguntava. Olhou mais a frente vendo uma grande construção e um som familiar que vinha do céu. Aviões.
- Um aeroporto? – Ela perguntou confusa.
- Claro. Aonde mais é que iríamos pegar o seu irmãozinho?
Jun estacou, parou até de respirar. Eles estavam indo até essa parte rural de Tóquio para pegar o irmão dela no aeroporto? Isso era uma piada ou coisa parecida?
- M-Meu irmão? – A jovem gaguejou.
- Claro. Quem mais me pagaria os 50 milhões anuais a não ser o seu tão amado irmão Senji? – Zabuza sorria enquanto olhava pelo retrovisor a adolescente ficar mais pálida a cada palavra dele.
- V-Vocês não eram a-amigos? – Ela gaguejou novamente.
- Isso mesmo, éramos amigos, mais o dinheiro sempre fala mais alto, não acha?
- 50 milhões anuais? – Uma fúria se apossou dela, quem era aquele homem para fazer uma extorsão daquela? – Por que você não vai trabalhar? Faz algo honesto! Você acha realmente que meu irmão vai te dar todo esse dinheiro todos os anos? Isso é mais do que ganhamos! – Sua voz se elevava a cada frase.
- Baka-chan – ele revirou os olhos – claro que ele terá de dar todo esse dinheiro, você será a minha esposa. Se ele não der o dinheiro acontecerá um acidente doméstico e eu infelizmente ficarei viúvo – ele levantou a arma – e claro, herdarei todo o seu dinheiro – ele completou rindo.
Jun engoliu em seco. Zabuza seu marido? Acidente doméstico? Engoliu mais uma vez, sentindo a saliva arranhar a garganta.
Jun tinha vontade de dizer que tudo aquilo era mentira, mas não era. Era a realidade. Não podia deixar que Mr. Jofre sofresse nenhum 'acidente' e nem que seu irmão tivesse de ser extorquido daquela forma. Deveria ter algo que ela pudesse fazer para reverter toda essa situação.
- E se eu não quiser me casar com você? – Desafiou a jovem.
- Eu mato seu irmão e de quebra mato o Kakashi.
Toda a cor se esvaiu do rosto de Jun. Morte não era uma opção, isso ela tinha certeza.
- E se eu não me casar com você e te der uma quantia fixa mensalmente? Não seria melhor? – Jun sabia que sua voz estava falha e provavelmente transbordando de medo, mais não podia parar de tentar ver uma solução.
- Não. O meu plano é muito melhor. Eu me caso com você, Senji me paga e todos ficam felizes! – Zabuza sorriu e completou – Mas claro que todo o plano tem uma falha – era enrugou a testa - tenho de dar um jeito em Kakashi, parece que vocês são muito ligados...
- Iie! – Gritou a jovem desesperada.
- Me desculpe, mais se não for ele é seu irmão. Alguém tem de morrer para que eu fique feliz.
Jun ficou quieta e abraçou as próprias pernas olhando pela janela. Já estava dentro do aeroporto e seguiam para a parte onde os passageiros pegavam taxis ou carros particulares.
Um jovem adulto estava parado no meio do pátio do desembarque. Estava totalmente perdido naquele aeroporto da roça quando avistou os olhos assustados da irmã através de um vidro fumê. Adiantou-se e acenou para o carro. Não trazia bagagem nenhuma.
- Sen-chan – murmurou Jun quando Zabuza parou o carro no ponto mais afastado das pessoas que pegavam táxis e Senji corria para o encontro deles.
Assim que Senji alcançou o carro Zabuza destravou a porta do carona e engatilhou a arma, fazendo o coração de Jun falhar uma batida.
- Vamos logo Senji – sibilou Zabuza para Senji que abria a porta – Largue o inglês em um canto aí e entra!
Senji respirou fundo e evitou olhar para a irmã, fazendo exatamente o que Zabuza havia mandando. Tirou o cinto de segurança do mordomo e o sentou encostado à parede; esperava que alguém o visse logo. Voltou para o carro e ocupou o lugar onde estivera o mordomo respirando ruidosamente.
Jun queria abraçar e chorar no peito do irmão, mas isso era impossível devido às circunstâncias, além de o irmão parecer não a estar vendo.
- Sen-chan... – ela o chamou quando o carro foi posto em movimento.
- Gomen nasai Jun – foi tudo o que o irmão disse.
Zabuza apenas rodou os olhos e pisou fundo no acelerador chegando aos 180 km/h com o potente motor do carro.
Eles seguiam agora pelo litoral, haviam abandonado as campinas e agora viam apenas o grande e imenso azul do pacífico.
- Para onde estamos indo? – Jun tinha de saber algo, aquela ignorância dos fatos a estava deixando louca.
- Yokohama, de lá pegamos um avião para a América e seu irmão volta a vidinha dele para me pagar os 50 milhões anuais para eu te tratar bem, certo Senji?
Senji não respondeu nada, apenas fez um grunhido indefinido fazendo Zabuza rir e Jun se encolher mais ainda no banco traseiro.
A jovem agora olhava a inclinação que a estrada fazia, contornando um penhasco. Seria muito bonito de se ver se não fosse a situação no carro.
- Jun – chamou o irmão – coloque o colete que tem debaixo do banco, vai fazer frio – Senji disse calmo e pausadamente.
Jun franziu as sobrancelhas, confusa, pois o colete que havia embaixo do banco era a prova de balas e ela não via motivos para o usar, mas não desobedeceu. Em silêncio levantou o banco e pegou o colete.
- Quer um? – Ela perguntou ainda confusa.
- Não, apenas vista um.
Zabuza não interferiu na conversa, com certeza não sabia do que se tratava esse colete, deveria apenas pensar que era uma preocupação normal de irmãos com a saúde ou coisa parecida.
Jun vestiu colete e o abotoou, se sentindo desconfortável dentro dele.
O silêncio reinou durante mais algum tempo até que Senji começou a cantarolar, algo estranho vindo dele.
- Pule por la ventana... – Senji cantarolava em espanhol – y no diga no...
- O que é isso que você está cantando? – Indagou Zabuza.
Jun sabia que aquilo havia sido uma mensagem e agradeceu por Zabuza nunca ter tido aulas de espanhol.
- É apenas uma música de ninar espanhola, bem antiga – mentiu Senji continuando a cantarolar.
Jun queria desesperadamente dizer não a isso. Como é que seu irmão poderia abrir uma brecha e a fazer-la pular pela janela? Era loucura! Mas Senji continuou cantando.
- Pare de cantar. Essa música é irritante – disse Zabuza de cenho franzido.
Senji deu de ombros e se abanou.
- Será que você poderia abrir uma das janelas? Está muito calor aqui.
Zabuza franziu o cenho novamente pensando se deveria ou não abrir a janela, até que decidindo-se por sim, ele apertou um botão no painel digital que fez a janela da esquerda do banco de trás abrir-se até a metade.
Continuaram em silêncio. Jun não queria pular de lugar nenhum e deixar seu irmão sozinho com aquele lunático, com certeza isso não sairia barato, mais ela não podia deixar seu irmão se arriscar por nada. Só por precaução se aproximou um tantinho da janela.
Continua...
Fiquei tão feliz por receber a review da Nanda que vim postar um capítulo hahahahaha é tão bom saber que a fanfic não está as moscas hahahahaha muito obrigada pela review Nanda! E espero que gostes desse capítulo também!
Bem... Façam as suas apostas! Jun pula ou não pula? Qual é a opinião de vocês? Eu já sei a resposta hihihi ~apanha~ entrando nos capítulos finais!
Ja nee~
