Já era fim de tarde no templo de Athena e todos estavam indo para a reunião onde conheceriam os filhos de seus inimigos, exceto Eros filho de Afrodite. O lugar estava iluminado com tochas em algumas partes, dando um clima diferente ao lugar. Os rostos dos cavaleiros de ouro de algumas amazonas de prata, passavam iluminados pelo fogo na parte da entrada. Eles chegavam aos poucos e iam quase em silêncio para a sala de reuniões onde a deusa estava. Os primeiros a chegar foram os geminianos, seguidos de Shaka, Mu, Aldebaran, Dohko, Camus, além de Marin e Shina, os outros também já estavam a caminho. Dos semideuses Abáris e Eros eram os únicos já presentes ao lado de Athena, enquanto Abáris e Ana ainda estavam em seus aposentos.
Ana, em seu quarto, olhava suas cartas com receio. A filha de Hades costumava consultar uma espécie de baralho cigano para obter algumas respostas, mas dessa vez, curiosamente, não teve resposta alguma. Aquilo a intrigou, pois nunca tal fato havia acontecido. Fechou e guardou suas cartas numa caixa vermelha. Parou por um momento a observar a lua que surgia, estava linda por sinal. Ela segurou seu medalhão de prata que continha uma metade de uma estrela e uma metade de uma lua talhados, era um presente que seu pai lhe dera para mantê-la sempre em contato com ele.
– Não falharei.- disse ainda segurando o objeto em seu pescoço. Resolveu ir, porque já estava na hora da tal reunião. Saiu de seu quarto e seguiu num corredor iluminado pelo fogo, indo a passos firmes, mas sem perder sua elegância ao andar. Era inverno a essa altura na Grécia, mas não fazia um frio típico europeu. Ana usava uma longa saia preta e uma blusa branca três quartos colada em seu corpo, além de um cinto grosso de couro para definir sua cintura. Caminhava com uma bota que marcavam os seus passos no lugar. Durante o percurso viu um homem de cabelos azuis e uma garota loira, de cabelos lisos na altura dos ombros e de estatura mediana, ao seu lado. Era o cavaleiro de escorpião e uma amazona de prata, de nome Lavínia, recém-formada que tinha um namorico com ele. Os dois que discutiam algo, mas logo pararam ao ver a figura da filha de Hades. A morena com os cabelos negros como aquela noite e de olhos azuis acinzentados, vinha na direção deles. Ela possuía uma beleza diferente, única. O fogo que iluminava o local dava um ar misterioso a seu rosto que nada expressava. O casal parou de discutir enquanto olhavam aquela figura passar por eles sem nada dizer. Havia ignorado completamente os dois ali, sendo que estes não puderam fazer o mesmo, especialmente Milo que ainda olhava a mulher se afastar.
– MILO! – gritou Lavínia dando um susto no cavaleiro.
– O quê? – disse fazendo cara feia por ter se assustado.
– Vai ficar aí olhando?
– Só fiquei curioso, sua maluca.
– Sei, só curioso. – falou a loira cruzando os braços.
– Sim, só e você também ficou.
– É fiquei. Confesso que ela chamou minha atenção.
– Então pára de pirar, gatinha. Sabe que eu só tenho olhos pra você. – falou o escorpião beijando a garota que retribuiu o carinho.
– Aham. – pigarreou Aphrodite que vinha com os irmãos Aiolia e Aiolos logo atrás. – Aqui é lugar de vocês ficarem se pegando?
– Quer participar? – perguntou irritado o escorpião.
– Não tenho mais o que fazer e além do mais, vocês dois não fazem o meu tipo. – respondeu Dite dando de ombros.
– Vamos pessoal, iremos nos atrasar. – chamou a atenção Aiolos.
Shura e Máscara da Morte apareceram em seguida indo enfim para a sala de reunião.
No local, Athena estava à frente de seus cavaleiros, enquanto os semideuses estavam ao seu lado. Féres chegou por último, chamando a atenção para ele enquanto entrava. O homem alto e de sobretudo preto, se aproximava da deusa sendo seguido pelos olhares daqueles a sua frente. Finalmente parou e fitou aqueles rostos com cara de pouco caso e arrogância.
– Podemos começar?- perguntou Athena quebrando aquele silêncio quase incômodo. Todos assentiram que sim. – Meus guerreiros quero apresentar a vocês Eros filho de Afrodite, Féres filho de Ártemis, Abáris filho de Apolo e Ana filha de Hades. – quando a deusa apresentou a filha do deus, Milo não pôde deixar de olhar para ela, mas por alguma razão a mulher olhou de volta, bem no fundo dos olhos dele atordoando o escorpião. Athena voltou a fazer as apresentações, mas agora citando cada um de seus cavaleiros e suas amazonas. – Estão apresentados só peço para que ambas as partes mantenham uma convivência pacífica, pois o momento é delicado...
Enquanto a deusa fazia seu discurso, as amazonas faltavam quase babar vendo aqueles semideuses. Shina não tirava os olhos de Féres , Marin de Abáris e Lavínia de Eros, que por sua vez também a olhava, chamando a atenção do escorpião que deu um beliscão na loira , fazendo- a soltar um sonoro ai interrompendo a deusa.
– Algum problema Lavínia? – perguntou a deusa curiosa.
A garota tinha ficado vermelha, não roxa de tanta vergonha.
– Desculpe Athena, foi nada não.
– Continuando, vocês irão se separar em grupo para realizarem treinamentos. Farei quatro grupos que serão mantidos até o fim. Amanhã vocês saberão com quem irão treinar.
Todos estavam desconfortáveis com o fato de terem que treinar com aqueles prepotentes e eles, por sua vez também não estavam felizes.
– Alguma pergunta? - a deusa estava sem jeito com o clima do lugar. Não recebendo respostas, encerrou a reunião.
Todos foram deixando o salão um a um, mas não deixavam de se encarar. Estava um clima de guerra fria no lugar, como se a qualquer momento iria começar uma nova guerra. Féres olhava o ex mestre do Santuário e esse o encarava a altura. Chegaram na saída principal do salão onde ficaram cara a cara. Os dois pararam um de frente ao outro, mas sem nada dizer. Todos voltaram suas atenções para aquela cena, com receio do que pudesse acontecer. O semideus então sorriu de maneira sombria seguindo em direção a Saga que continuava imóvel. Ele parou bem ao lado do geminiano, falando algo na língua dos deuses, para ele.
– Por que você não fala na minha língua, pra ver se eu quebro a sua cara agora ou depois. – disparou Saga ainda mantendo a postura.
– Saga, deixe. – disse Mu aflito.
O semideus seguiu junto com os outros, passando pelos guerreiros de Athena como se fossem nada, deixando alguns cosmos alterados. Somente Eros passou de cabeça baixa, desconcertado com a situação.
– Isso não vai prestar. – disse Aldebaran baixo, mas suficiente para quem estivesse ao seu lado ouvir.
Depois que todos se retiraram, ficaram apenas os semideuses reunidos em uma sala bebendo um vinho que tinha numa adega, exceto Eros que havia se recolhido.
– Então o que achou deles?- perguntou Abáris para Féres.
– Parecem uns fracos. Se não soubesse que em outras épocas destruíram os planos de nossos pais, os acharia ridículos.
– Acho que não devemos subestimá-los Abáris. Esse foi o erro principal de todos. – disse Ana enquanto dava um gole em sua bebida.
– Não devemos nos precipitar, vamos cumprir o trato e depois agiremos. – rebateu Féres. – Agora vou dormir para encará-los amanhã. – falou e se retirou em seguida, deixando Abáris e Ana para trás.
– Não gostei da maneira que aquele cavaleiro te olhava.
– E o que você quer que eu faça? Arranque os olhos dele?
– Não seria má idéia. – respondeu o filho de Apolo segurando Ana pela cintura e cheirando seus cabelos. – Quando vou poder ter você de novo?
– Boa noite, Abáris.- respondeu se soltando dele
– Isso não vai ficar assim Ana, você será minha querendo ou não. – esbravejou quebrando a taça na mão.
A única coisa que ela fez foi acenar de costas enquanto saía da sala, sem se importar com a ameaça. Ana seguia pelos corredores quando se deu conta que havia perdido seu colar, pensou até em voltar, mas não queria ver a cara de Abáris mais naquele dia. Procuraria no outro dia.
Na casa de escorpião Milo observava o colar com o medalhão de prata, sabia que era daquela mulher, mas como faria para devolver? Sentia um misto de receio e uma estranha atração por aquela figura. O faria durante o treinamento, no dia seguinte.
– Milo, que tanto você olha? – perguntou Lavínia fazendo o escorpião guardar rápido o colar.
– Nada...
– Então vem, o filme vai começar.
– Tá, já vou. – ele guardou a peça numa gaveta.
O dia seguinte seria o início de uma convivência muito difícil para ambas as partes e só o tempo poderá dizer no que isso irá resultar.
