A Cerimônia
Era o dia da cerimônia, Athena mesmo sabendo que o casamento não tinha sentimento algum e desconfiando de algo entre a semideusa e seu cavaleiro, a deusa fez questão de organizar algo bacana no Santuário para os dois semideuses. A cerimônia seria realizada ao ar livre, no jardim do lugar. Afrodite mesmo com muita resistência, atendeu ao pedido da deusa para ornamentar tudo com suas melhores flores. O pisciano sabia o quanto seu amigo estava sofrendo com o casamento da semideusa e Abáris e não gostaria de estar colaborando com o evento.
– Eu devia estar colocando rosas envenenadas nesse altar. – resmungava Dite quase para si mesmo.
– Está lindo. – disse Lavínia se aproximando.
– Obrigado!
– Convencido... eu estou falando do arranjo. – falou a loira.
– Ah, é, está.
– Não parece muito contente por estar fazendo isso.
– E não estou mesmo! Só estou fazendo porque a deusa insistiu muito, viu?
– Você também não está simpatizando muito com essa cerimônia, não é mesmo? Todos estão achando que aí tem coisa.
– E deve ter mesmo! – bufava o cavaleiro enquanto arrumava uns detalhes no arranjo.
– Eles não se gostam. – falou a garota com certo pesar. – Milo está sofrendo muito por causa da Ana.
– Jura não estar achando boa essa união desses doidos? Está se livrando da sua concorrente bobinha.
– Dite, ela não é minha concorrente e nunca foi! Eu jamais ficaria disputado o Milo, forçando-o a ficar comigo. Quando ele veio me dizer seus sentimentos em relação a ela, fiquei triste, porém apenas tive uma confirmação do óbvio. Ele gostou dela desde a primeira vez que a viu, então como eu poderia disputar algo que não me pertencia mais? – fez-se uma pausa- Dite você está bem?
– Caiu um cisco no meu olho. – respondeu o pisciano querendo disfarçar sua demonstração de sentimento em relação ao que a loira havia dito.
– Estou preocupada com o escorpião. Pensei que ele fosse reagir a esse casamento, iria tentar impedi-lo de alguma maneira, porém não fez absolutamente nada! Isso não é da personalidade dele, não acha?
– Também acho! Vai ver a enviada dos infernos não gosta dele de verdade. E ele deve saber disso.
– Será?
– Só pode minha linda. Desde quando nosso amigo escorpião foge de uma batalha? Ainda mais tendo algo relacionado a mulher, quando ele escolhe uma fulana, não desiste.
– Pode ser. Mas não creio que seja isso.
– E você? Pelo visto se recuperou muito bem do chifre. Me conta, você e o bonitinho do Eros estão juntos?
– Nós somos apenas amigos,ora.
– Ha, ha, engana que eu gosto meu bem. E então, já tirou a virgindade dele?
– Afrodite! – disse a garota corando violentamente.
– Tirou ou não tirou?
– Pára de ser fofoqueiro, céus!
– Ainda não me respondeu. – falou ele batendo o pé.
– Não vou cair na sua. O que eu responder vai te dar margem a pensar um monte de besteiras.
– Então tá. Pensei que fôssemos amigos. – ele falou fingindo de ofendido.
– Ah, vai, fica assim não. Sabe que eu te amo. – falou a garota o abraçando.
– Não tenho mais tanta certeza. Não confia mais em mim.
– Está bem. Vou te contar. Eu e Eros estamos ficando e só.
– Ah, eu sabia!
– Fala baixo!
– E vocês já?
– Não ainda não. Estamos indo devagar, nos conhecendo. Acabei de terminar com o Milo e não posso dizer que já me recuperei.
– Ainda o ama, não é?
– Estaria mentindo se dissesse que não. – respondeu Lavínia desviando o olhar, pois esse assunto ainda a incomodava muito.
– Fica assim não! Agora você encontrou alguém que a fará feliz de verdade. Às vezes uma coisa ruim acontece para uma boa aparecer em seguida. Será muito feliz com ele, vai ver.
– Tomara! Dite?
– Diga minha linda.
– Acha mesmo que o Eros é? Você sabe.
– Virgem? Mas é claro menina! Está claro como água. Aquele ali é lacrado, com selo e tudo!
– E agora?
–Como e agora? Está com a faca e o queijo na mão, meu amor. A coisa rica nunca teve ninguém, é só fazer o trabalho direitinho e ele será seu forever! Vai por mim, mas veja bem, ele não é o escorpião, vai devagar pra não assustar o gato.
– Tem razão. Obrigada Afrodite! – falou a garota dando um beijinho no rosto dele.
– Disponha. Mas olha só, se acontecer e não vier me dizer como foi, Ditezinho aqui nunca mais, ouviu?
– Pode deixar, vou te contar tudo quando rolar. Agora vou indo pra me arrumar. Dite, só mais uma coisa. A Ana já chegou?
– Não sei meu bem, ela estava lá com os soldadinhos do coisa ruim pra impedir a passagem de Ofíon e sua tropa, mas já deve estar aí. Pela viber do lugar, a fulana já chegou.
– Você, hein.
– Ai ela me dá arrepios. Não sei, não curto muito ela.
– Deixa eu ir lá. Beijos.
– Tchau.
Enquanto isso na Casa de Escorpião
– Milo, me empresta aquela sua camisa branca? – perguntou Kanon adentrando a casa e vendo o amigo estirado no sofá assistindo um daqueles programas de tarde, onde ensina receitas e comentam de novelas. – Ah, cara, não vai ficar assim nesse bode, só por causa desse casamento. Porra, mas também você é foda, com tanta mulher nesse mundo foi querer justamente a mais complicada.
– Kanon, não espero que me entenda, nunca gostou de alguém.
– Alto lá! Já gostei sim.
– De verdade não. O seu gostar não passa de duas ou três semanas, mas não estou a fim de discutir isso agora com você, deixa eu ver meu programa. Abre lá o armário e pega logo a droga da camisa.
– Agora eu não saio daqui. – respondeu o geminiano sentando na ponta do sofá.
– Ah, não cara. Não estou nem um pouco a fim de papo agora.
– Percebeu o que disse? Milo de escorpião não quer falar! O cara mais tagarela do Santuário não quer simplesmente falar. O mundo está perto de se acabar mesmo. Vamos lá, se levanta daí. Se gosta realmente dela, impeça essa merda toda! Se quiser eu te ajudo.
– Infelizmente não posso fazer nada.
– Como não? Só isso que você tem a me dizer? Ficou covarde?
– Você não acha que eu gostaria de ir até lá, pegá-la e fugir daqui? – falou Milo se levantando exaltado. – Acha que estou me divertindo nessa fossa toda? Vamos, me diga? Eu adoraria ir até lá e encher aquele merda de porrada e dizer umas verdades pra ele.
– E por que não faz isso?
– Porque a amo e eu sei que se eu fizer alguma besteira posso prejudicá-la. Não sei se vou agüentar vê-la se casando com aquele bosta, mas não suportaria se algo acontecesse com ela por conta de alguma atitude minha. Não tem jeito, cara, não tem jeito.
– Sinto muito.
– Não vai pegar a camisa? O casamento será daqui a pouco. – falo uMilo cortando a discussão.
– Vou sim. – disse Kanon indo para o quarto pegando a primeira camisa que viu pela frente e voltando em seguida. – Você não vai à cerimônia?
– Não sei.
– Quer que eu fique aqui?
– Não vai lá. A festa será boa, divirta-se. Vou ficar bem, sério.
– Se quer assim. Estou indo então.
O geminiano saiu em seguida da casa deixando o amigo sozinho, refletindo sobre tudo e sentindo um imenso aperto tomar conta de si.
Na décima terceira casa, Ana terminava de se arrumar. Iria usar um vestido tomara que caia vinho, sem muitos babados ou enfeites, um par de luvas da mesma cor e um sapato preto bem alto. Não usaria véu, apenas uma presilha de cristais em um coque bem feito. Algumas servas do lugar acabavam de fechar seu vestido, enquanto ela se observava no espelho. Seria o início do fim para si. Ficaria fadada a estar com alguém insuportável como Abáris, porém não tinha muita escolha. Se sentia covarde de não impor a sua vontade e aceitar um castigo se assim fosse, preferindo trair seus sentimentos e desejos, se trancando em uma terrível união.
– Está linda! – comentou gentilmente uma serva, porém a semideusa não conseguia disfarça seu descontentamento. As mulheres se retiraram do cômodo a deixando sozinha.
– Nunca vi noiva mais triste. – comentou uma das servas do lado de fora, mas podendo ser ouvida por Ana.
– Nem eu.
Ana dava uma última checada, quando as lembranças da noite com o escorpião e tudo o mais vieram à tona na sua mente, fazendo surgir uma imensa ira dentro de si. Em um impulso, a semideusa jogou tudo no chão, toda a maquiagem, perfumes, enfeites que estavam na penteadeira, além de uns vasos de flores que enfeitavam o lugar. Depois dessa explosão de raiva, a semideusa pegou seu buquê do chão, indo terminar logo aquilo tudo e cerrando seu destino.
Todos já estavam acomodados nos assentos no jardim. Afrodite tinha feito um belíssimo trabalho de ornamentação de flores, deixando o lugar com um aspecto bem agradável. Abáris se encontrava ao lado de Féres e Ahtena no altar.
– Olha a cara daquele filho de uma chocadeira. Não dá vontade de arrancar aquele sorriso de vitorioso da cara dele? – falou Afrodite para Shura.
– Quer tentar? Também adoraria.
– Tadinho do Milinho,viu? Vai perder a bruxa de Salém para o Jafar?
– Jafar? Quem é Jafar?
– Ai, não vê desenho não? É o vilão do Aladin, aquele feiticeiro, ah, deixa pra lá.
Nesse momento Ana aparece com seu vestido vinho na entrada do lugar, chamando a atenção de todos.
– Credo! Nunca vi ninguém casar com essa cor. – falou Dite
– Eu até que gostei. – respondeu Marin que estava perto.
Ana adentrava o lugar a passos lentos, sem olhar para os lados, apenas fitando profundamente os olhos do semideus a sua frente. Enquanto isso, Féres tentava ignorar os olhares de Shina.
Chegando ao altar, Ana parou de frente para Abáris iniciando assim a cerimônia. Athena começou um discurso. Ana não ouvia nada o que a deusa dizia, ela parecia estar à parte da própria realidade do momento, diferente do seu noivo, que parecia curtir cada momento. Em meio ao discurso da deusa, algo acordou Ana. Ela sentiu um cosmo familiar bem atrás dela, a fazendo virar. Era Milo que estava parado na entrada do jardim, observando aquilo tudo. Os olhares dos dois se cruzaram, enquanto o coração da morena disparava de forma descoordenada. Todos sem exceção notaram a cena, deixando Abáris louco de raiva.
– Athena, por favor, seja breve! – disse de forma rude e nervosa.
A deusa entendeu perfeitamente e não se aborreceu com a grosseria.
– Sendo assim, se tem alguém aqui contra esse matrimônio diga agora ou cale-se pra sempre.
Todos na recepção viraram as atenções para o escorpião, porém ao contrário que todos esperavam, ele apenas deu as costas saindo do local, deixando uma tristeza imensa tomar conta da semideusa.
– Então os declaro marido e mulher. Pode beijá-la Abáris.
O semideus se aproximou para selar a união com um beijo, porém Ana virou o rosto, fazendo um burburinho surgir. O semideus não perdeu a pose, pegando a mulher pelo braço e saindo dali.
– Que babado, gente! – comentava Afrodite com as pessoas em volta.
– Acho triste. – comentou Marin.
– Pois é, agora vamos lá, temos uma boca livre a nossa espera.- falou Máscara da Morte se retirando.
– Morto de fome! Sem classe! – criticava o pisciano.
– Eu não aturei essa chatice toda pra voltar pra casa. Vou beber e comer tudo que der. Quem vai comigo?
Kanon, Shura, Aiolia e Aldebaran se levantaram seguindo o canceriano.
– Até você Deba? Decepcionei.
– Vamos, Frô, pára de ser fresco. Tem caviar a balde te esperando. – disse Shura.
– Caviar? Você disse caviar?
– É é.
– Então eu vou né? Fazer o quê?
Todos se retiraram enquanto Shina e Féres ainda permaneciam no mesmo lugar. O semideus a essa altura, não se preocupava mais em desviar o olhar, indo em direção à amazona, parando frente a frente. Ficaram assim por um tempo e quando ela ia esboçar dizer alguma coisa, ele se virou saindo dali.
No salão de festas, os convidados se divertiam nem se lembrando dos maus estares do casamento. Os noivos apareceram brevemente, a pedido da deusa, saindo logo do lugar. Abáris puxava o braço de Ana pelos corredores, em direção ao quarto. Ao contrário de tempos atrás, ela não reagia. Chegando, o semideus abriu de forma abrupta a porta, jogando a semideusa de forma violenta na cama. Passou a chave, os trancando ali. O semideus ainda sentia-se irado com a reação dela ao ver o cavaleiro, dando um tapa no rosto da mulher com toda a força.
– Isso é para você aprender a não me fazer de idiota na frente dos outros!
– Eu não te fiz de idiota Abáris, você é um! – respondeu a semideusa, recebendo em troca mais um tapa e outro que foi defendido por ela.
– Vai aprender a me respeitar, de qualquer maneira.
– Respeito a gente não impõe, a gente conquista! E isso você não será nunca capaz de fazer.
– Ana, não brinca comigo! Não sabe do que sou capaz.
– Sei sim! Agora, por que não aproveita esse momento de raiva e faz algo certo pelo menos uma vez na sua vida? Vamos, Abáris, me mate! Mate-me de uma vez! – dizia a semideusa totalmente entregue e disposta a tal coisa.
Abáris pegou uma adaga que carregava consigo, colocando no peito na semideusa, apertando contra sua pele e fazendo sair um pouco de sangue vivo.
– Anda, seu idiota! Faça! –provocava Ana.
Abáris levantou a adaga, disposto realmente a acabar com ela ali mesmo, porém parou o ato, a ferindo superficialmente.
– Não! Não darei esse gosto a você, minha cara. Além do mais, temos ordens a cumprir.
– Covarde! – falou a semideusa pegando o objeto da mão dele disposta a ela mesma acabar com tudo, porém ele a impediu.
– Chega! – esbravejou ele atirando a arma pra debaixo do armário. – Já chega, Ana! – falou enquanto a puxava contra seu corpo, a beijando em seguida. – Agora será minha, como eu disse que seria. – disse continuando as carícias.
Ele a atirou novamente na cama, a deitando de costas e arrancando vorazmente sua roupa, a expondo.
– É realmente muito linda. – falou enquanto a observava. Sentou ao seu lado, limpando o sangue que escorria com o lençol. – Não faça mais besteiras, Ana.
Depois de ter dito isso, retirou a própria roupa para consumar a união. Aquela noite seria longa, como outras seguintes, porém ela ainda tinha algo para confortá-la. Cada toque dele, ela lembrava do que havia vivido com Milo e da noite maravilhosa que tiveram juntos. Fechava os olhos lembrando de cada momento gravado em seu ser. Isso a tirava da sua realidade, dos toques do Abáris, a acalmando. Mal sabia ela o que a esperava
