Traidores!

Quase um mês se passou após a cerimônia e nesse momento, as tropas de Ofíon tinham sido praticamente exterminadas, não conseguindo chegar à Terra. Contudo uma nova estratégia havia se formado. Tifão ainda tinha sua força intacta apesar de ter perdido Cérbero, um de seus filhos bestiais. Com isso, Ofíon propôs uma aliança para a invasão do mundo mortal, em resposta aos deuses que não tinham cedido às exigências deles. Já que não era possível atacar diretamente, fariam isso de forma indireta. Então todos foram postos em estado de alerta, tanto do lado do Olimpo quanto no lado terrestre. As tropas de Tifão se puseram a caminhar até a fronteira que separavam os mundos, dispostos a derrotar os cavaleiros de Hades e romper a barreira, dando passagem a Ofíon e seus guerreiros restantes.

Athena reagiu mandando diversos de seus cavaleiros e amazonas a pontos cruciais do planeta, os colocando a postos para impedir possíveis ataques aos humanos. Enquanto isso, os semideuses além de alguns cavaleiros de ouro como Máscara da Morte, Afrodite, Shura, Kanon e Dohko foram até a fronteira, para ajudar a impedir a união dos deuses rivais. Quando chegaram lá, as forças de Hades os aguardavam, além de alguns reforços de Ártemis e Apolo, entretanto a tropa do deus Tifão era bem mais numerosa. Uma batalha árdua estava prestes a acontecer e com certeza, haveria muitas perdas. Com um sinal, os guerreiros do deus avançaram de maneira feroz e destemida contra eles que já se encontravam a postos para receberem tais ataques. Alguns espectros fizeram a linha de frente, sendo os primeiros a morrer. Nas laterais vinham os cavaleiros celestiais de Ártemis e Apolo, enquanto na parte de trás se encontravam os semideuses e os cavaleiros de ouro de Athena. No fundo ficaram ainda poucos espectros impedindo as investidas dos guerreiros de Ofíon no outro lado da fronteira. Em pouco tempo de confronto, todo o chão já estava coberto de sangue e corpos. Ambos os lados tinham perdido um número significativo de cavaleiros, porém o lado inimigo parecia continuar em vantagem. Tifão havia levado consigo seu filho, a Hidra de Lerna. O animal tinha o corpo de dragão e nove cabeças de serpentes, apenas seu hálito venenoso, matava os humanos de maneira extremamente agonizante. Espectros e cavaleiros celestiais estavam caídos no chão, moribundos, em um terrível tormento, apenas por terem ficado a metros de distância da tal criatura. Hidra servia de escudo para seu pai, permitindo-lhe atacar sem ser atacado. A cena era bárbara para todos. A uma determinada hora, os guerreiros do deus, cercaram os semideuses, os cavaleiros de ouro e alguns poucos espectros. Não havia mais saída e o fim seria certo! Antes do sinal para atacar, Apolo se comunicou com Abáris pelo cosmo, dando-lhe instruções. O semideus deu um passo à frente de todos e começou a falar, fazendo os cavaleiros de Athena se entreolharem.

– Tifão, temos uma proposta a fazer. – disse alto e de maneira bastante segura.

– Não está em posição de propor nada!- respondeu ameaçando a fazer novamente um sinal para seus cavaleiros os executarem de vez.

– Peço que me escute, tenho certeza que irá se interessar na minha proposta.

O deus fez um sinal com a mão, ordenando que todos ficassem em posição apenas.

– Nós estamos em menor número, porém somos semideuses e temos conosco os cavaleiros mais poderosos da terra que servem à deusa Athena. Nós os entregaremos a você e poderá fazer o que quiser com eles.

– Não vejo proposta alguma, eu os terei de qualquer maneira.

– Meu pai mandará mais reforços e irá convencer Zeus a mandar os dele também, essa batalha não irá terminar tão fácil quanto imagina.

O deus começou a querer ouvir a proposta, pois todos temiam os guerreiros do deus patrono.

– Então se desistir nesse momento de nos atacar e de se unir com Ofíon, não apenas entregaremos os cavaleiros de Athena, como a própria deusa. Em resultado disso terá a Terra inteira para você e nós continuaremos com nossos domínios intactos. Então, o que me diz? – continuou Abáris

O deus pensou hesitante, mas logo se decidiu.

– Feito! – respondeu fazendo sua voz ecoar por toda a região.

Na mesma hora, os espectros, e os cavaleiros do deus, foram em direção aos dourados, os cercando. Eros olhava aquilo atônito e quando foi para ajudá-los, Abáris deu uma pancada em sua nuca, o fazendo apagar. O plano enfim começou a ser posto em andamento.

– Eu sabia que uma hora eles iriam meter no nosso rabo. – falou Máscara.

– Isso todo mundo sabia, porém não imaginava que ia ser já. – retrucou Afrodite

– Preparem-se amigos! Não vamos entregar os pontos assim tão facilmente. – falou Dohko – Atacar! Por Athena!

Dezenas de inimigos partiram para cima deles, recebendo vários golpes certeiros, pois os defensores da deusa eram muito bem preparados e fortes de fato, contudo, eles estavam em desvantagem numérica e seus oponentes não eram tão inferiores assim.

– Eu os quero vivos! – gritava o deus.

Ana via tudo com extremo pesar, logo o mesmo iria acontecer com o escorpião. Em um tempo maior que o esperado, os dourados estavam rendidos depois da dura batalha. Os inimigos, os arrastavam acorrentados, até o deus, passando pelos semideuses. Afrodite levantou os olhos quando estava perto da semideusa dizendo:

– Você é a pior de todos. Sinto muito por meu amigo ter dado seu amor a você. – falou cuspindo em seguida na face de Ana.

A deusa tentou manter a compostura, mas sentia merecedora daquelas palavras do Afrodite. Um vazio tomou conta de si no mesmo instante. Abáris não entendeu o que o pisciano tinha dito, mesmo assim deu-lhe um murro no estômago por ter faltado respeito com sua mulher. Tifão olhou pra os semideuses e disse:

– Agora me levem até Athena.

Féres e Abáris assentiram que sim. Os três seguiram com o deus para o Santuário, enquanto Eros foi levado por espectros para uma prisão no submundo. Já Ofíon, como não recebeu ajuda, foi preso e mandado de vez para o Tártaro, ao mesmo tempo em que o restante do seu exército era destruído.

" Não vai mesmo permitir que esse deus tome posse da Terra vai?" – perguntou Féres a Abáris pelo cosmo.

Abáris apenas deu um sorriso, fazendo o outro entender perfeitamente a situação.

No Santuário

Athena pressentiu o ataque, convocando seus guerreiros restantes.

– Caros cavaleiros e amazonas, não será fácil essa batalha, porém peço que não se preocupem comigo. Lutem bravamente pelas suas vidas, dos seus companheiros e pela vida dos habitantes da Terra. Por favor, não sofram se algo me acontecer. – falou a deusa com firmeza, mesmo com o coração apertado.

Todos apenas se olharam com a declaração, surgindo um silêncio aterrador. Milo ouviu as palavras da deusa, entendendo que os semideuses haviam traído a todos, na primeira oportunidade como previsto. Agora o fato que mais doía era saber que Ana podia ter também envolvimento com tudo isso. O cavaleiro fitava o chão o tempo todo, se sentindo um idiota por amar aquela mulher, ela merecia Abáris afinal. Uma tristeza infinita o invadiu, transparecendo para Lavínia, ao seu lado.

– Milo, não fica assim, vai dar tudo certo. – disse a loira colocando a mão no ombro do escorpião.

– Lavínia me desculpe por não ter te dado o meu melhor. – falou ainda fitando o chão

– Não vamos falar disso agora, está bem?

– Não, Lavínia, preciso dizer isso agora, pois talvez não falaremos mais. Me desculpe, sinceramente, por ter te traído. Você foi a melhor garota que eu já tive e não soube dar valor. Gostaria de voltar no tempo e me impedir de fazer burradas, mas não posso.

Aquelas palavras tocaram a amazona que ainda o amava apesar de tudo. Ela o olhou, dando um sorriso acolhedor.

– Milo, a gente não manda no coração. Mesmo se soubesse de tudo, ainda assim a amaria.

– Não amaria uma inimiga!

Nesse momento, ouviu-se um estrondo e todos ficaram em alerta. Os guerreiros de Tifão, invadiam o Santuário. Os restantes dos cavaleiros de ouro foram para suas casas zodiacais, enquanto o restante fazia uma linha de frente na entrada da Casa de Áries. O deus parou em frente ao front inimigo, ainda junto da Hidra, observando-os. Ele tinha consciência do seu número de guerreiros terem diminuído absurdamente e do restante se encontrar ferido ou cansado da batalha travada há pouco, contudo ainda assim, conseguia visualizar a vitória, por ainda ter um número considerável de cavaleiros. Novamente com o mesmo gesto de antes, os fez atacar, os incentivando a serem precisos e que em breve tudo seria deles.

Lavínia dava vários golpes certeiros, mas também recebia outros, pois em algumas horas era atacada por mais de um oponente ao mesmo tempo. Em um dado momento, a amazona recebeu dois contra-ataques na mesma hora, caindo inconsciente em seguida. Um dos rivais iria dar um golpe final, mas Kiki apareceu na hora usando a tele cinese e os tele transportando dali. O deus teve mais perdas nesse primeiro momento ali e se não fosse a Hidra com seus ataques, podia se considerar derrotado. O animal inegavelmente era uma potente arma. Tifão saiu da vista de todos, deixando seus guerreiros distraindo os cavaleiros de ouro da deusa. Um por um foi abatido pelos dourados, restando poucos de pé. Mesmo estando vitoriosos, por assim dizer, os cavaleiros tinham ferimentos e alguns bem sérios. Ainda restavam por volta de cinqüenta inimigos para abater e o tempo estava correndo.

Os semideuses se expuseram enfim. Eles tinham deixado a batalha "correr" bastante para não precisarem se envolver. Os cavaleiros de ouro prisioneiros tinham sido deixados acorrentado com uma corrente dos deuses, impossível de ser partida por mortais, sob vigilância de dois ou três soldados em um local mais isolado do Santuário. Os três passaram por eles e seguiram em direção onde estava Athena. Com certeza, Tifão não iria passar pelas doze casas para chegar à deusa, iria usar a Hidra para escalar até onde ela estava. Eles tinham que se apressar, pois iriam enfrentar o caminho das doze casas e precisavam chegar a tempo, antes da morte da deusa. Eles correram o mais rápido que podiam, passando seguidamente casa após casa. Algumas estavam mesmo vazias, pois seus guardiões tinha sido feitos reféns, outras tinham seus protetores caídos ou em batalhas. Chegando perto da oitava casa, a adrenalina tomou conta da semideusa. Temia se deparar com o pior. Se algo tivesse acontecido com Milo não se perdoaria nunca. Chegando à Casa de Escorpião, se depararam com Milo na entrada. Ele estava bem ferido, entretanto com forças para continuar a lutar. Ana sentiu um nó na garganta quando o cavaleiro a olhou com total desprezo.

– Ana, você consegue cuidar dele enquanto continuamos nosso caminho, não consegue?- perguntou Abáris testando a lealdade da morena com ele e com todo o plano. Dito isso, seguiu caminho com Féres os deixando para trás. Em outra situação, Milo não os permitiria passar pela oitava casa sem lutar, mas estava muito ferido e também desejava usar todas as suas forças para acabar com a semideusa ali, mesmo que isso doesse.

– Ana, prepare-se para receber minhas agulhas escarlates. Não terei piedade, saiba disso!

A semideusa o olhou, aceitando a morte naquele momento. O cavaleiro deu o primeiro, seguido de mais quatro, não recebendo reação nenhuma por parte dela. Ana sentia muita dor, sangrava bastante e mesmo assim continuava de pé. O cavaleiro não entendia o porquê dela não estar se defendendo.

– Ana, faltam mais 9 para eu dar meu golpe final. Não a farei sentir mais tanta dor, serei rápido.

As palavras dele definitivamente doíam mais que qualquer golpe. Com certo esforço, levantou os olhos e o encarou. Gostaria que a imagem do homem que te trouxe um pouco de humanidade em sua vida, fosse a última a ver. Ela transpirava, apesar do frio, com os ferimentos. Sua boca estava seca e seu semblante, antes altivo, agora era de completa entrega a morte. Em um breve momento, o cavaleiro hesitou ao vê-la daquela maneira, mas logo se recompôs dando mais quatro ataques de uma vez. A semideusa deu um grito de intensa dor, caindo com uma intensa hemorragia aos pés dele. Ela começava a sentir uma terrível dor abdominal, a fazendo quase perder os sentidos. Milo a observava de cima, a vendo tremer no chão e cuspir sangue. Aquela cena era terrível aos seus olhos, deixando surgir dúvidas se devia dar continuidade àquilo.

" Que dor é essa? Não recebia agulhada nenhuma em meu abdômen. Por que ele não acaba logo com isso?" – pensava a semideusa ainda no chão.

Milo fechou os olhos e aplicou mais duas Agulhas Escarlates no corpo dela, fazendo com que os sentidos da semideusa fossem ficando muito debilitados com tamanho sofrimento. Ela se virou de frente, ficando deitada para cima. Seu corpo todo tremia e sua respiração tinha ficado bem fraca. Sua mão ainda permanecia em seu abdômen, pois a dor ali era muito insistente. Ela não o olhava, não conseguia, apenas esperava a morte. O escorpião ficou a observá-la e escapando do seu controle, começou a sentir lágrimas escorrendo em seu rosto de forma intensa. Várias lembranças vieram à tona, trazendo de volta o sentimento dele por ela, mesmo se sentindo traído com a atitude da semideusa. Lembrou do que Lavínia havia dito naquele dia. Ela estaria certa? Nós não mandamos em nosso coração? Em um impulso, se ajoelhou ao lado dela, a pegando nos braços e sentindo o corpo da semideusa reagindo por conta dos seus golpes. Ana sentia feliz por aquela proximidade e triste por entender que não merecia aquilo.

– Acabe de uma vez comigo, sem pena Milo. Eu não mereço viver. – falou a semideusa com a voz bem fraca.

As lágrimas do cavaleiro caíam nela, a fazendo levantar a mão para enxugá-las.

– Eu não mereço suas lágrimas, cavaleiro.

– Não merece mesmo, contudo não consigo contê-las.

A semideusa, gemeu de dor, apertando sua mão contra seu ventre. Milo a olhou e tocou no local. Não havia dado golpe nenhum ali exatamente. A semideusa apertou a mão dele, quando uma outra dor tomava conta de si. Nesse momento, um sangue começou a escorrer pelas pernas dela, assustando o escorpião. Ele rapidamente, deu mais uma agulhada na semideusa, porém essa não era para causar ferimento, mas para deter a hemorragia. Mesmo assim, o sangue entre as pernas dela, não parava.

"Não entendo, ela já deveria ter parado de sangrar" pensou ele.

– Milo! – chamou Saga aparecendo ali e vendo a cena. – Athena precisa de nós!

Por mais que doesse deixá-la ali, seu dever como cavaleiro vinha em primeiro lugar. O escorpião a deitou no chão e se levantou indo para o lado de Saga. De pé a olhava em meio a toda poça de sangue.

– Vamos meu amigo. – disse o geminiano baixo perto do escorpião.

– Vamos. – respondeu.

Milo antes de virar, olhou mais uma vez Ana caída em sua casa para depois correr com Saga em direção à deusa.

Na décima terceira casa, Tifão havia acabado de chegar com Hidra, na presença de Athena. Ele caminhava em direção a ela de maneira a intimidá-la, porém a deusa não deu sequer um passo para trás. A poucos metros dela parou, tendo seu gesto seguido pelo animal.

– Athena, seu fim chegou! Vou acabar com você agora mesmo e me tornar o deus do mundo dos mortais.

– Não entendo porque deseja isso. Os deuses existem para cuidar de todo um sistema, beneficiando a natureza e todo ser vivo existente. Pra quê faz questão da Terra, se não irá cuidar dela, apenas destruí-la?

– Cale-se! Por muito tempo eu e tantos outros titãs, ficamos aprisionados no Tártaro por culpa de Zeus e de todos vocês, para não terem que dividir o que era nossa de direito também. Apolo rege o sol, Poseidon os oceanos, você a Terra, Zeus é o grande deus do Olimpo, além de outros. E eu? E os outros titãs? Somos da mesma descendência que vocês e não tivemos direito a nada. Fomos usados em batalhas mitológicas e depois jogados no Tártaro. Fomos traídos!

– Quem é você para falar de traição? Acabou de virar as costas para Ofíon, por pura ganância. Me diga qual é a diferença da sua traição com a de outros deuses do Olimpo?

– Já chega Athena! Agora se prepare para seu fim.

Hidra soltou um grunhido, partindo em direção ao corpo mortal da deusa, para atacá-la, mas de repente, quando se encontrava bem perto dela, recebeu uma flecha dourada bem nas costas, causando um grave ferimento. Era Féres, o semideus tinha o domínio do arco e flecha, sendo o arqueiro do Olimpo. Tifão olhou para ele e Abáris, entendendo que tudo não passou de uma armadilha deles, fora enganado. A vitória dele no submundo era certeira e a essa altura ele e Ofíon estariam marchando, com uma poderosa força, ameaçando diversos domínios e pressionando outros deuses. Porém o blefe dado por Abáris o fez mudar de rumo por pura ambição. Perdeu todo seu exército e agora seria detido, foi usado por completo pelos semideuses.

Sem piedade alguma Féres acertou mais três flechadas, uma seguida da outra, abatendo o animal sem possibilidade de reação.

– Tifão, pensou mesmo que entregaríamos o ouro em suas mãos? É bem ingênuo para um deus com tamanha existência. – falava Féres andando pelo salão.

– O que farão comigo? Irão me aprisionar no Tártaro também?

– É até podia ser, mas dá muito trabalho. – respondeu Féres atirando de forma certeira bem no meio da testa do deus, deixando cravada em sua cabeça uma flecha.

O deus caiu imediatamente no chão, desfalecido, pois essa arma era capaz de matar um imortal.

– Féres, vem vindo gente. Vamos depressa! – falava Abáris

Os dois se entreolharam e com um só golpe de Abáris, Athena desmaiou. Os dois pegaram a deusa, para escapar logo dali. Nessa hora, Saga e Milo seguido posteriormente por Mu e Shaka, chegaram ali.

– Acabou pra vocês, larguem Athena!

– Idiotas. – falou Abáris.

Nessa hora, Apolo com seu poder, os tele transportou dali.

– Que merda! Merda! Perdemos eles! – xingava Milo.

– Mu, Shaka, conseguem captar o cosmo deles e descobrir para onde levaram Athena?

– Não é fácil, Saga. Os deuses não costumam deixar rastros. – respondeu o ariano.

– Então os perdemos?

– Não Milo, não os perdemos. O que o Mu quis dizer é de não conseguirmos rastreá-los tão facilmente, porém não é impossível. Pode levar algum tempo ainda mais com Athena desacordada. – explicou Shaka.

– Mas poderá ser tarde demais. – retrucou Saga. – Não podemos ficar aqui de braços cruzados enquanto ela corre perigo.

– Irei chamar alguns de meus discípulos que também possuem poderes psíquicos e juntamente com Mu iremos localizá-la o mais rápido possível. – falou Shaka.

– Agora temos que cuidar dos feridos também. Saga, Milo procurem os outros e tentem ajudar outros guerreiros, encaminhando-os para o hospital da fundação. Enquanto eu e Shaka procuramos o cosmo de Athena.

Os dois assentiram que sim, descendo as escadarias, encontrando Aiolia, Aldebaran subindo.

– O que houve? Não sentimos mais o cosmo de Athena. – falou o leonino extremamente preocupado.

– Te explicaremos no caminho. Agora vamos socorrer nossos amigos.

Os quatro foram descendo ajudando outros cavaleiros, e com ajuda de alguns aprendizes e servos, foram encaminhando a todos para a emergência. Helicópteros da fundação ajudavam na retirada dos feridos. Milo desceu até a sua casa, procurando por Ana, porém não a encontrou por lá. Somente seu fluido vermelho permanecia ali, contrastando com o mármore branco do chão.

– Ela se foi com eles. – disse Saga nas costas do amigo.

– É eu sei.

Em um lugar remoto do Santuário, os cavaleiros de ouro acorrentados, despertavam. Não estavam mais sendo vigiados por ninguém, porém ainda permaneciam presos com as correntes dos deuses.

– Beleza e agora como vamos nos livrar disso? – falava Afrodite.

– Athena não está mais aqui, posso sentir. – dizia Shura.

– Estou perdido! Vou ficar acorrentado com vocês até o meu fim. O que eu fiz, oh Athena, pra merecer isso?

– Cala a boca, Afrodite! – gritou Máscara.

– Agora não é hora pra frescuras. Temos que achar um jeito de nos livrar disso. – falava Kanon

– Essa é uma corrente dos deuses, apenas um imortal poderá nos soltar. Não adianta tentarmos. – falou Dohko.

– Agora ferrou de vez. Se o ancião de quase trezentos anos falou para desistirmos é porque só nos resta sentar e chorar mesmo. Ah, não, ah não, por que esse castigo? Será que nenhum deus ou deusa irá ter pena de mim e me deixará acorrentado para sempre? – lamentava-se o pisciano.

Nesse momento, uma áurea dourada e um perfume de rosas tomavam conta de todo o lugar. Em um instante, a áurea tomou a forma da deusa Afrodite.

– Minhas preces foram atendidas. – falou Dite aliviado.

– Cavaleiros, vou libertá-los para salvarem Athena e toda a humanidade. – falou a deusa fazendo os elos que os prendiam partir. – Agora vão, ajudem a todos. – dito isso a deusa desapareceu.

Os cinco correram para as doze casas, encontrando um verdadeiro caos no caminho. Teriam muito a fazer, enquanto a deusa não era localizada.

Em um lugar, no mundo dos imortais, Athena foi posta em uma cela, acorrentada e machucada. Cavaleiros a vigiariam o tempo todo até segundas ordens. Eles estavam em uma espécie de templo, porém em um lugar remoto, até para os olhos de Zeus.

Em uma sala do lugar, encontravam os semideuses conversando enquanto aguardavam notícias de Ana que era cuidada em um dos quartos.

– Quando acabaremos com Athena? – perguntava Féres para Abáris.

– Não pode ser agora. Não devemos chamar ainda mais a atenção de Zeus. Todos no Olimpo ainda estão voltados para a guerra que terminou recentemente e não sabem do que fizemos. Nossos pais darão uma ordem quando chegar o momento.

– E quanto a Eros, o que faremos com ele?

– Féres, deixe-o lá naquela prisão no submundo. Não devemos nos preocupar com ele agora.

– Senhor, já paramos o sangramento da sua senhora. – falou uma espécie de ninfa que dominava conhecimentos médicos.

Abáris adentrou o quarto para ver Ana. A semideusa não o encarou, continuando a olhar para o lado.

– Sente-se melhor? – perguntou sem obter resposta.

– Senhor, preciso lhe dizer algo antes de ir.

– Fale de uma vez, então.

– O sangramento da sua esposa não tinha origem dos golpes recebidos, tem outra origem.

– Seja direta!

– A senhora Ana está grávida e por pouco perdeu o bebê. Está tudo bem agora, ela apenas vai precisar descansar. Agora, se me der licença. – falou a mulher saindo do quarto.

Abáris ficou radiante, não pela criança em si, claro, mas mais pelo fato do plano está seguindo perfeitamente como planejado.

– Está tudo correndo muito bem, Ana e logo mandarei a notícia para meu pai e para Hades. Eles ficarão muito satisfeitos.

A semideusa não disse nada, somente o olhou de forma bem fria e com certa repulsa.

– Descanse agora, eu tenho coisas a fazer. Deixarei uma serva a sua disposição se precisar de algo. – disse o semideus indo em direção à porta – Mais uma coisa, o cavaleiro não te amava afinal, ele fez um bom estrago em você. – falou se retirando em seguida.

Ana ficou sozinha pensando no rumo que as coisas tinham tomado. Abáris falou uma completa idiotice, ele não entendia realmente nada sobre amor. Mesmo que Milo a tivesse ferido de maneira quase mortal, não a matou por ter sentimentos por ela. O certo seria dele tê-la executado sem piedade, mas não o fez. A semideusa respirou fundo e com certo receio tocou seu ventre. Conseguiu sentir uma energia bem fraca se desenvolvendo dentro de si. Em meio a tanta coisa, isso passou despercebido por ela. Em um dado momento, pôde perceber que aquele ser possuía uma energia muito fraca, como a de um simples mortal. Mesmo sendo tão pequeno ainda, deveria emanar outra energia, uma mais forte, por ser filho de dois semideuses. Ana se assustou com tal conclusão, pois havia uma possibilidade daquela criança não ser de Abáris, isso poderia explicar tal coisa. Na noite que teve com Milo não usou proteção alguma e somente alguns dias depois ela ficou com Abáris.

"Só me faltava essa." Pensou ela dando um tapa em sua própria testa.

Em outro local, após ter recebido a notícia de Abáris, Féres estava sentado tomando uma taça de vinho pensando em como tudo havia corrido bem. Se encostou na poltrona após dar um gole na bebida, quando a amazona de cobra veio em sua cabeça. Não a tinha visto e intimamente desejou que ela estivesse bem. Pela primeira vez não tentou desviar seu pensamento, brigar contra ele mesmo, aceitando a idéia que ele se preocupava com Shina e gostaria de tê-la ali com ele. Aquela mulher o fazia se sentir muito bem e não dava mais para negar o fato, porém com todas as circunstâncias ela era sua inimiga, sua querida inimiga.