Pós-batalha

Três dias tinham se passado e cada minuto, cada hora, aumentava a ansiedade e a preocupação de todos em relação à deusa. Mu, Shaka e seus discípulos tentavam incansavelmente localizar Athena pelo cosmo, porém sem sucesso algum. Saga assumiu o controle do Santuário, para a situação não ficar mais caótica do que já estava. Haviam tido muitas perdas e alguns guerreiros ficariam inválidos por conta dos graves ferimentos. Muitos discípulos perderam seus mestres, os fazendo fugir de lá, com medo de se tornarem cavaleiros e amazonas e terem o mesmo fim cruel. O clima era muito tenso e a sensação de impotência crescia dentro de cada guerreiro ateniense.

Desde que tudo aconteceu, Milo não saía de casa, ajudava no necessário e se trancava em seguida. Preocupado seu amigo Camus foi até sua casa para conversar.

– Camus, aconteceu alguma coisa? – falou Milo abrindo a porta já esperando alguma notícia.

– Não, está tudo na mesma. Posso entrar?

– Ah, claro.

– Como você está? – perguntou o aquariano sentando em uma cadeira.

– Estou bem e você?

– Milo, não desconversa. Você sabe do que eu estou falando e eu sei o quanto está sofrendo com tudo, não apenas pelo fato de não ter conseguido salvar Athena, como todos nós, como também por ter tido que ferir quase fatalmente Ana, apesar dela ser sua inimiga. – disse Camus indo direto ao ponto, como sempre.

– Camus, a imagem dela caída no chão toda machucada não sai da minha cabeça.

– Eu imagino.

– Eu estava com muita raiva e disposto a acabar com ela, mas não consegui. Eu apliquei minhas agulhas, cheguei a golpeá-la com quatro de uma vez e não obtive reação nenhuma por parte dela. Ana queria que eu a matasse como punição e não o fiz, mesmo sendo o meu dever Camus. Falhei duas vezes com Athena, não a salvei e deixei uma inimiga viva. – desabafou o escorpião sentando de frente ao amigo.

– De fato, o correto teria sido acabar com ela e ter deixado seus sentimentos de lado, mas também não deve se cobrar dessa maneira, não ajuda em nada.

– E como quer que eu me sinta com tudo isso? Não consigo separar as coisas como você. – falou Milo com um semblante triste – E sinceramente meu amigo, não vou me perdoar se algo de grave tiver acontecido com Ana. Pode me julgar por estar preocupado com uma traidora, mas é o que eu sinto.

– Não te julgo, pois sei que a ama de verdade, porém não deve se sentir mal se o pior vier acontecer com ela. Cada um possui o livre arbítrio para fazer suas escolhas e ela fez as dela. Não se sinta mal com o resultado das escolhas de Ana.

– Eu sei, tem razão.

– Por mais que esteja sofrendo, agora é hora de reunirmos forças para continuar a procurar Athena. Quando a localizarmos, iremos buscá-la e um novo conflito irá acontecer, então até lá se concentre e deixe bem resolvido em sua cabeça todos os seus sentimentos, pois iremos lutar novamente contra eles e não os deixaremos escapar dessa vez.

Milo o olhava sem dizer uma única palavra, por entender o recado do seu amigo. Ana era sua inimiga e se ele não a matasse, outro o faria.

– Vou indo, iremos fazer uma reunião agora com alguns aprendizes.

– Eles ainda estão muito assustados?

– Sim estão. Hoje mais alguns abandonaram o Santuário. Aiolia os encontrou vagando numa vila aqui perto e os trouxe de volta.

– Precisa que eu vá junto?

– Não fique aí. Precisa de um tempo para refletir. Quero te ver seguro para tomar as atitudes certas como cavaleiro.

Dito isso Camus deixou a casa e seguiu para cumprir seus deveres. Milo ficou a refletir sobre tudo e mesmo concordando com o aquariano sobre sua postura em relação à semideusa, não saberia dizer com firmeza se conseguiria acabar com ela.

No templo

Ana tinha se recuperado bem dos ferimentos, mas ainda precisava permanecer de repouso. Em seu quarto, lembrou-se de Athena. Sentia-se mal de alguma forma por tudo, mesmo tendo conhecimento desde o início que teria de trair a confiança da deusa uma hora. Nunca gostou muito de fazer as coisas por trás, mas na guerra tudo era válido. Quando aceitou a incumbência de seu pai para ajudar na execução do plano, não rejeitou a tarefa apesar de ter hesitado por um instante. Em um dado momento, a semideusa resolveu ir até a cela onde estava Athena. Saiu com cuidado pelos corredores, não querendo ser vista. Ela mesma não sabia exatamente o que iria fazer quando encontrasse a deusa, mas mesmo assim, preferia que ninguém tivesse conhecimento disso. Chegando ao subterrâneo do lugar, três espectros faziam ronda. Não queria ser vista por eles, mas não teria jeito. Ana se aproximou, chamando a atenção deles.

– A senhora deseja alguma coisa? – perguntou um deles.

– Quero falar com a prisioneira.

– Temos ordens do senhor Abáris de não permitir a entrada de ninguém aqui.

– E por acaso eu sou ninguém? Vamos, abram logo essa maldita cela para mim, ou eu mesma o farei!

Os três se olharam sem saber o que fazer.

– Andem logo! Ou direi a meu pai que seus espectros não sabem cumprir uma simples ordem.

Após dizer isso, eles abriram a porta, dando passagem para a semideusa.

– Agora me deixem a sós! – ordenou ficando sozinha com Athena.

A deusa estava suja e machucada presa no chão de rocha fria. Seus lábios tinham o aspecto ressecado pela falta de água. Ela levantou os olhos encarando a filha de Hades.

– Ana, o que faz aqui? – perguntou suavemente

– Eu não sei. –respondeu Ana observando o estado da deusa- Deve estar com sede, com certeza não devem ter te dado nada esses dias. – falou a semideusa a fitando. – Espectros! – disse chamando a atenção deles.- Tragam-me água para beber, estou com sede.

– Sim senhora.

Não demorou muito e vieram com uma garrafa e um copo, entregando a ela e saindo em seguida.

– Tome Athena. – disse Ana entregando um copo cheio à deusa.

Mesmo acorrentada conseguiu beber, pois as correntes ainda davam a ela possibilidade de alguns movimentos.

– Obrigada. Não sabe mesmo o que a trouxe aqui, Ana?

– Aonde quer chegar?

– Sente-se mal por ter traído a minha confiança. Eu sabia desde o início que isso podia acontecer, mesmo assim dei uma chance a vocês.

– Não devia ter confiado em nós, pois sempre seremos inimigos do Santuário.

– Não é minha inimiga Ana e eu sei que eu não sou sua.

– Como pode ter certeza disso?

– Se eu fosse sua inimiga, não estaria aqui se importando com meu estado. Não teria me dado água, nem estaria se arriscando com Abáris.

A semideusa recebeu aquilo tudo em silêncio. De repente, sentiu uma pontada no abdômen, precisando sentar ao lado da deusa, com uma expressão de dor estampada em seu rosto.

– Está tudo bem? – perguntou a deusa tocando no ombro dela.

– Não é nada, vai passar.

A deusa observava a mão da semideusa na barriga, resolvendo tocá-la também surpreendendo Ana. A princípio Athena imaginou que ela estivesse com algum ferimento no local, mas logo percebeu do que se tratava, fazendo Ana a olhar assustada.

– Deveria estar de repouso nesse estado. Ainda não está bem. Abáris já está sabendo?

– Sim está.

– Mas não sabe de tudo, não é mesmo?

Ana arregalou os olhos com a declaração da deusa. Com certeza ela notou a energia mortal de seu filho.

– Eu não sei aonde quer chegar, Athena. Ele sabe o que precisa saber.

– Ana, eu não direi nada, pode confiar na minha palavra, mas sabe que não vai conseguir esconder isso por muito tempo, não sabe?

– Eu preciso ir, já fiquei demais aqui. – falou a semideusa se levantando rapidamente apesar de ainda sentir um incômodo.

– Espectros! Estou indo, podem voltar para seus postos.

Ana saiu rápido pelos corredores, sentindo seu coração bater muito acelerado por conta da conversa tida com a deusa. Quando dobrava em um dos corredores deu de cara com Féres que a olhou desconfiado.

– Ana o que faz aqui por esse lado? Além do mais devia estar de repouso.

– Eu fui andar um pouco, não agüentava mais ficar naquele quarto.

– Sei.

– Bom, já vou indo. – falou deixando-o para trás a observá-la.

Deveria ter muito cuidado, a partir de agora, até achar uma saída pra sua situação.

Novamente no Santuário

– Vim ver como está a minha amiguinha. – falou Afrodite chegando na casa de Lavínia na vila das amazonas. A garota ainda se recuperava dos ferimentos causados na batalha.

– Oi.

– Nossa, menina, que desânimo! Eu sei que a situação por aqui não é das melhores, mas também não é pra tanto.

– Estou preocupada com Eros. O que podem ter feito com ele?

– Sinceramente não sei, mas olha, ele é forte e com certeza vai arrumar um jeito de sair da furada que se meteu.

– Tomara.

– Está gostando mesmo do fofo.

– Ele foi a melhor pessoa que eu já conheci.

– Pra começar ele não é exatamente uma pessoa e outra coisa, eu não conto não?

– Ah, você entendeu, não me cansa! – respondeu num tom brincalhão.

– Dessa vez eu vou deixar passar. – respondeu Dite recebendo um sorriso da garota.

No submundo

Eros permanecia preso em uma das prisões no inferno. Orava o tempo todo tentando manter a calma e se comunicar com sua mãe, a deusa Afrodite, porém não conseguia contato há algum tempo e isso o estava preocupando bastante. Em meio a uma de suas tentativas de achá-la sentiu um cosmo perverso se aproximar. O semideus abriu os olhos assustados, vendo a figura de Ártemis a sua frente.

– Olá Eros, ainda procurando pelo cosmo da sua mãe?

– O que quer?

– Nossa, quanta hostilidade! Costumava ser mais gentil. Eu tenho boas notícia para te dar.

– É sobre minha mãe?

– Sim é. Eu fico tão impressionada com a relação de vocês que fico até comovida, então pra não dizer que sou uma deusa insensível, eu a trouxe aqui para te fazer companhia.

– Mamãe. – falou Eros assustado ao ver a deusa sendo jogada no chão aos pés dele, desacordada.

– Gostou da surpresa? Ah, tenho certeza que sim.

– Por que fez isso?

– Porque nem vocês e nem ninguém, vai colocar tudo a perder. Zeus perdeu o juízo há muito tempo quando resolveu apoiar Athena, defendendo os mortais. Desde quando os seres humanos teriam mais direitos à Terra do que nós? Por que dar tanta importância a seres desprezíveis e de breve existência? Mas como tudo começa tudo acaba e em breve toda essa dor de cabeça desnecessária será resolvida. Por isso queridinho, não posso deixar que nenhum bom samaritano vá avisar a Zeus sobre Athena. Agora preciso ir, tenho mais o que fazer. – falou Ártemis virando de costas. – E Eros, pensei que fosse mais inteligente, mas é um fraco como sua mãe. Escolheram o lado errado, assim como Athena. É uma pena. – completou saindo em seguida.

Mais vinte dias se passaram desde então. Zeus começava a ter conhecimento de alguns fatos, agora que todo o estrago no Olimpo havia sido reparado. O deus patrono não desconfiou de nada mais cedo, porque os humanos não tinham sofrido nenhum tipo de catástrofe. Ele pressionava Apolo em especial, para arrancar informações sobre Athena.

– Apolo, sei que o deus Tifão foi derrotado no Santuário de Athena e os semideuses estavam presentes.

– Sim estavam.

– E onde eles estão agora depois disso?

– Devem estar em algum lugar na Terra. Não me interesso pelos seus passos. O importante é que tudo foi resolvido e tudo está como deveria.

– Nem tudo. Não sinto o cosmo de Athena em parte alguma.

– Ela usa sua forma mortal, isso pode dificultar.

– E Afrodite? Também não a vi mais.

– Pai, sinceramente não sei e não me interessa. Tenho minhas obrigações e não tenho tempo de ficar me preocupando com os outros. Agora preciso ir.

– Apolo, espero que esteja falando a verdade. Sabe que irei descobrir se estiver mentindo e minha punição será severa, fique avisado. Se tiver alguma informação...

– Já disse que não sei e não me interessa saber. – cortou o deus sol. – Com licença. – falou fazendo uma reverência e saindo a passos firmes.

No templo

Ana ia todos os dias ver Athena, ajudando na sua sobrevivência, levando água e alimento, pois era liberado à deusa uma quantidade mínima dessas necessidades. Em uma de suas visitas Athena voltou a tocar no assunto que perturbava a semideusa constantemente.

– Eu não posso demorar hoje Athena, Abáris vai me encontrar daqui a pouco.

– Tome cuidado, pois está ficando mais difícil à medida que o tempo passa.

– Sim está. – respondeu a semideusa pela primeira vez, não fugindo do assunto.

– E o que pretende fazer?

– Não pensei ainda.

– É do Milo, não é?

Ana se entristeceu a ouvir o nome do cavaleiro. Evitava a todo custo pensar nele, porém ficava difícil com um pedaço dele crescendo dentro dela.

– Gosta dele de verdade, posso ver isso.

– Nada disso importa, pois estamos em lados diferentes. Sou sua inimiga e dessa vez não creio que ele terá compaixão.

– Pode ser, mas tenho certeza que quando ele souber de tudo o que tem feito por mim e também da sua situação, ele irá te perdoar.

– Não preciso de pena ou perdão, Athena. Eu não fui ingênua nessa história e errei em ter me envolvido com ele. Traí a sua confiança e destruí o sentimento que ele tinha por mim. Ele foi verdadeiro comigo, mas eu não o retribuí da mesma forma.

– Ana, você pode ter lutado do lado oposto ao dele nessa batalha, mas creio ter sido sincera quando se entregou a ele. Viveu algo verdadeiro e real ao seu lado, mesmo brevemente e isso tem valor. Milo pode estar magoado e com raiva, mas tenho certeza que ele ainda sim pensa e se preocupa contigo. Conheço meus cavaleiros, sei o coração de cada um, então se tiverem alguma oportunidade de conversar, não esconda nada. Ele precisa saber Ana, não é necessário passar por isso tudo sozinha, pelo menos uma vez.

As palavras da deusa mexeram muito, talvez ela tivesse certa. Agora, como iria criar uma oportunidade de falar com o cavaleiro? Nessa hora, escutou-se a voz de Abáris do lado de fora.

– Como tem gente aqui dentro? A ordem era ninguém entrar aqui. – gritava o semideus com um dos espectros.

Ana sentia um nervosismo tomar conta, mas ainda transparecia uma certa firmeza. Ele adentrou com ira a cela, dando de cara com a mulher.

– Ora, ora, o que temos aqui?

– Eu já estava de saída Abáris. – respondeu Ana tentando passar pela porta e sendo impedida por ele.

– Não vai a lugar nenhum até esclarecermos algumas coisas, se bem que vejo não ser necessário. Prato de comida, copo de suco... o que é isso? Um hotel ou uma prisão? Eu ficava me perguntando, por que Athena não está definhando? Como ela pode estar corada e com os lábios hidratados, apesar de receber uma quantidade mínima de alimento e água? Alguém estaria ajudando uma inimiga em minhas costas? Quem poderia ser? Ana, você era o último ser que eu queria ver por aqui. Minha própria esposa, traindo minha confiança. Se bem que trair a confiança dos outros é a sua especialidade.

– Não faça nada com ela Abáris, o seu estado é delicado. – disse Athena.

– Olha só, a prisioneira está em sua defesa. – falou batendo devagar 3 palmas. – Bravo! Conseguiu conquistar o outro lado também Ana. Isso é pra garantir se algo der errado ter pra onde correr? Ingênua, será sempre a inimiga dela e de todos do Santuário sem exceção.

– Já disse tudo? Estou cansada, vou pro quarto.

– Eu devia te jogar aqui para apodrecer junto com ela, mas tenho outros planos para você. Vamos! – falou o semideus a pegando forte pelos braços e saindo da cela. – Espectros, não deixem mais ninguém entrar aqui além de Féres e eu. Caso essa ordem seja descumprida, irão ser severamente punidos e não gostarão de saber como. – falou Abáris saindo dali puxando Ana.

– Me solta, idiota! – falou puxando o braço sem sucesso.

– É melhor ficar quieta, antes que sua situação piore.

Em um movimento, Ana deu um golpe nele e saiu correndo pelos corredores o deixando caído.

– Louca! – falou ele pra si, se levantando e a seguindo.

Ana não tinha um plano, somente corria para a saída do lugar. Preocupava-se do que ele poderia fazer com ela por ter ajudado a deusa e temia dele descobrir nesse momento sobre o filho de Milo. A semideusa correu o mais rápido que pôde, passando por diversos corredores e portões, avistando a saída e sorrindo aliviada, porém no momento que iria atravessar a última barreira, foi impedida por Féres que acabava de chegar.

– Féres, não a deixe escapar. – ordenava Abáris se aproximando.

– Não Féres, por favor, me solte.

O filho de Ártemis pela primeira vez viu o medo e o desespero estampados no rosto de Ana. Nem em batalhas travadas anteriormente junto dela, tinha visto tal expressão. Ele ficou sem ação ao presenciar isso, não sabendo o que fazer, porém foi tarde. Abáris chegou e a puxou, acabando de vez com sua esperança de escapar.

– O que está havendo? – perguntou Féres confuso.

– Ana estava ajudando Athena, dando-lhe comida e água, agora com qual intenção fazia isso, eu não sei.

– Fomos longe demais, Abáris. Eu não quero mais fazer parte disso.

– Fraca! É uma vergonha para seu pai e para mim também. Já não dá mais pra ter crise de consciência e ponha uma coisa nessa sua cabeça: você é e sempre será filha de Hades e eterna inimiga do Santuário, querendo ou não. O que aconteceu com você nesses últimos tempos? Seu lado humano resolveu vir à tona?

– Abáris, vamos para dentro, aqui não é lugar de discutirmos isso.

– Eu já acabei por aqui Féres. – falou puxando Ana ainda relutante.

– Não vou voltar! Me larga! – gritava a semideusa dando uns golpes em seu marido.

– Féres, me ajuda a segurá-la.

– Não se meta! – dizia ela pro arqueiro, enquanto lutava.

Ele hesitou, sem saber por que sentia mal com aquela cena, Abáris tinha razão, porém sentia pena dela. Sem pensar, ajudou a segurá-la, recebendo um triste olhar de Ana. Em um rápido movimento, Abáris deu um golpe fraco, mas preciso, fazendo-a apagar.

– O que fará com ela?

– Está preocupado? Não vou matá-la se é isso que quer saber, nem poderia. Agora vamos. – falou Abáris carregando Ana de volta para dentro.

Continua ...