Início de uma nova batalha

No submundo, no salão de Hades, Apolo e Ártemis estavam reunidos para discutir sobre o destino de Athena.

– Então Zeus anda desconfiado? – questionou Hades em seu trono.

– Sim, cada vez mais. – respondeu Ártemis. – Ele chegou a cogitar ir ao Santuário pessoalmente. Devemos executar Athena o quanto antes. - respondeu Ártemis.

– De fato devemos acabar com ela o quanto antes, porém ainda sim não nos livra de ter que enfrentar a ira de Zeus. Em outros tempos tentamos contra a vida dela e fomos perdoados, porque seus cavaleiros se levantaram contra nós. Agora a situação é outra: quebramos uma trégua, traímos a confiança do Olimpo, nos aproveitando de uma situação caótica para colocar em prática nossos planos. – falou Apolo

– Onde você quer chegar? – questionou Ártemis

– Não devemos dar fim somente à Athena, mas em todo Santuário, sem deixar vestígios. – completou Apolo

– Chamaríamos muita atenção, se fizermos um massacre na Terra. – debateu Ártemis

– E quem disse que seria na Terra? – disse Apolo fazendo os outros dois se entreolharem – Nós sabemos que no Santuário tem cavaleiros com poderes psíquicos, procurando por sua deusa, mas claro, nunca vão achá-la se nós não quisermos.

– Devemos deixá-los localizá-la? – perguntou Ártemis.

– Óbvio! Zeus não tem conhecimento daquele templo onde ela se encontra com os semideuses, então atraindo-os para lá, podemos acabar com todos os guerreiros de uma só vez e sem deixar vestígios. – explicou Hades.

– Exatamente! – exclamou Apolo. –

– Deixaremos aqueles pobres coitados acharem que tiveram capacidade de localizar o cosmo da sua deusa. – disse Ártemis dando uma gargalhada– Depois acabamos com todos.

–Não devemos nos esquecer de um fato importante – falou Hades chamando a atenção dos dois - Athena tem um corpo mortal e quando ela o perde, seus poderes que antes eram limitados pela sua condição, passam a ser equivalente ao nosso. Não podemos apenas matá-la, devemos aprisionar sua alma em uma ânfora, como ela costuma fazer com seus inimigos imortais. Mandarei o artefato para eles com o meu selo dentro. Dessa forma iremos nos livrar definitivamente dela e não veremos mais sua reencarnação e de seus cavaleiros a cada duzentos anos.

Todos assentiram chegando a um acordo.

No templo

Abáris havia levado Ana de volta ao quarto, a deitando desacordada na cama. O semideus ficou a olhá-la sentado ao seu lado. Sentia muita raiva das suas recentes atitudes e em outros tempos, a teria castigado severamente. Ele tocou o rosto da mulher observando cada traço seu e vendo o quanto era bela para em seguida, deslizar sua mão em cada parte do seu corpo, percorrendo seu pescoço, seios e descendo até o abdômen, parando ali. Pela primeira vez o semideus tocava aquele lugar para sentir o feto que se desenvolvia dentro dela. Com a mão por debaixo da roupa ia notando a presença do pequeno ser, percebendo este possuidor de uma energia fraca, quase imperceptível, fazendo o semideus tremer desconfiando do que aquilo significava.

"Não pode ser" pensou ele.

De súbito, Ana acordou se deparando com a expressão atordoada de Abáris ainda com a mão em sua barriga. Ela entendeu o que se passava, ele havia descoberto seu segredo.

– Ana, o que foi fazer? – falou ele sem ação. – Por que Ana? Por que insiste em colocar tudo a perder?

Ela o olhava sem conseguir dizer uma palavra.

– Vamos responda!

– O que posso dizer diante disso? Não tenho mais nada a acrescentar, você sabe de tudo agora.

– Quanto tempo pensou que fosse conseguir me enganar, sua maldita? Vai, fale! Seu mal é sempre me subestimar, me tratar como idiota, como um nada. Eu já estou farto disso, Ana. – falou puxando seu punhal e pondo-o contra sua barriga.

– Abáris, o que vai fazer?

– Está com medo? Agora é um pouco tarde para sentir isso, não acha? – falou pressionando mais ainda a arma contra o corpo dela. – É dele, não é mesmo? É daquele cavaleiro miserável de Athena. Patética! Tenho vergonha de tê-la ao meu lado, não passa de uma prostituta burra e barata, que se entregou ao primeiro que quis te comer e ainda engravidou. Idiota! – disse enfiando a ponta da adaga na carne da semideusa.

– Pára Abáris, não faça isso por favor. – falava tentando empurrá-lo de cima dela.

– Por que devo parar? - falou enterrando mais a lâmina fazendo uma quantidade de sangue escorrer pela roupa indo para o lençol. Ana gemeu de dor, contraindo as pernas.

– Abáris, eu prometo que nunca mais farei tolice alguma se você deixar eu ter essa criança.

– Ingênua, acha mesmo que vou permitir o nascimento desse ser desprezível? E depois? Irá me pedir pra criá-lo também?

– Eu o entregarei a alguém, juro, não o verá. Agora por favor, te peço, não o mate. – falou a semideusa tocando a mão dele.

Abáris a olhou no fundo dos olhos não acreditando no que presenciava. Ana não era mais a mesma, isso ele notara há um tempo, porém não tinha se dado conta o quão humana ela havia se tornado. Ficou uma fraca, sentimental, diferente da Ana prática e forte de antes. Nunca a imaginou suplicando coisa alguma e em outros tempos já teria resolvido a situação, sem ele saber de nada. O que a fez ficar assim?

Em um movimento, o semideus tirou a lâmina de dentro dela, fazendo uma quantidade de sangue maior ser derramado. Ana colocou a mão no ferimento, sentindo dor. Ela o olhou e via uma expressão de total desprezo e desapontamento vindo por parte dele. Abáris se pôs de pé, sendo seguido pelo olhar da mulher.

– Você foi a pior coisa que me aconteceu e meu único arrependimento, mesmo assim, continuarei contigo, pois ainda vou precisar levar o plano adiante. Apenas quero que entenda uma coisa: não relevarei mais qualquer deslize seu e independente do acordo feito com seu pai, eu irei matá-la sem pestanejar, fique ciente disso. Enquanto estiver desse jeito, não quero vê-la, ou ouvir a sua voz, ficará nesse quarto até tudo acabar. – falou Abáris se retirando e indo para uma de suas salas, deixando Ana sozinha sentindo uma sensação de total impotência. Não poderia agir como antes, pois não era mais apenas a vida dela que estava em jogo.

Em sua sala, o semideus ardia de raiva e pensava na hora que visse Milo. Ele fazia questão de matá-lo lentamente sob o olhar da semideusa e o faria da forma mais dolorosa possível sem dúvida alguma. Nessa hora, seus pensamentos foram interrompidos quando uma serva bateu à sua porta, trazendo uma garrafa de uísque e um copo com gelo. A garota era descendente de ninfas, portanto muito bonita, chamando a atenção do semideus. Ela tinha a pele alva, olhos verdes amarelados, cabelos acobreados cacheados na altura dos ombros, além de um corpo bem feito. Abáris olhou seu decote enquanto ela o servia, podendo ver seus seios firmes, fazendo-a corar ao se dar conta dos olhares do semideus.

– Não precisa se envergonhar é muito bonita. – disse pegando a bebida já servida e dando um gole.

– Obrigada. – respondeu sem o encarar. – Agora preciso ir, se precisar de algo mais...

– Preciso sim. – falou se aproximando da garota, a deixando arregalada. – Não fique assustada, não te farei mal algum, quero só a sua companhia. – Qual seu nome?

– Ana.

Abáris ficou sério ao escutar a resposta da garota.

– Meu nome te desagrada?

– Não, de jeito nenhum, é um belo nome. – respondeu forçando um sorriso.

A última coisa que gostaria de ouvir era o nome de sua mulher. Ele olhava a garota buscando alguma coisa de Ana nela. Deixando o seu copo em cima da mesa, se voltou para ela e a beijou. A beijava e a tocava com desejo, assustando-a, fazendo-a querer se soltar dele, evitando suas carícias.

– Não gosta disso Ana? Depois de tudo não gosta dos meus beijos?

– Eu não sei do que o senhor está falando.

– Como não sabe? Acabei de te dar uma chance apesar da sua traição e ainda assim não me quer? – falava ele insaciável e de forma irracional.

– Eu... eu nunca te traí senhor, por favor, deixe-me ir.

– Pra quê? Vai se encontrar com ele, vai? – falava descontrolado - É sempre ele, só que agora eu não vou mais deixar. Se não pode ser minha, não vai ser de mais ninguém, Ana! – dito isso, o semideus cravou sua adaga no peito da garota, tirando-lhe a vida. Em seguida, Féres adentrou o lugar, se deparando com a cena.

Abáris estava estático, com o sangue dela respingado em sua roupa, enquanto o corpo ainda sangrava no chão aos seus pés.

– Abáris, o que foi isso? – dizia Féres ao se aproximar.

O semideus olhava para o corpo sem nada responder.

– Diga, o que ela fez?

Abáris levantou os olhos e friamente respondeu:

– Ela estava somente no lugar errado e tinha o nome errado. Mas fale, o que quer?

Féres mesmo acostumado a ver crueldades, especialmente na guerra, ficou chocado com a atitude do companheiro. Ainda olhando para a moça, resolveu ir direto ao ponto, pois o assunto era urgente.

– Cadê a Ana? Tenho um recado pra ser compartilhado por nós três.

– Ela não tem condições no momento de participar de nada.

– E por acaso você tem?

– Está dizendo isso por causa dessa serva?

– Abáris, eu não sei ao certo sobre sua relação com a Ana, mas percebo que está destruindo vocês. Tem estado fora de si e o que acabou de fazer foi completamente desnecessário.

– Me julga idiota também?

– Não, de forma alguma, mas seu sentimento de posse em relação à Ana está acabando com a sua racionalidade e isso pode colocar tudo a perder. Abáris, nos conhecemos desde a infância, você é como um irmão pra mim e te conheço perfeitamente para saber que não está bem. Essa sua vontade de tê-la a qualquer custo, te destrói a cada dia. Deixe-a ir quando essa criança nascer. Podemos dar continuidade a tudo sem ela, apenas precisamos do filho de vocês.

– Não há nenhum filho meu.

– Como assim? Ela perdeu?

– Não.

Após dizer isso, Féres entendeu o que ele queria dizer. Agora começava a entender parte do que acontecia.

– Temos uma mensagem, qual é? – perguntou Abáris quebrando o silêncio constrangedor.

– Minha mãe, Apolo e Hades, irão permitir que captem o cosmo de Athena, fazendo seus cavaleiros seguirem até nós. Ninguém irá impedir a passagem deles do mundo dos mortais até aqui, serão atraídos e estaremos preparados para sua chegada. Quando menos esperarem, os atacaremos e eliminaremos a todos, inclusive Athena, não levantando suspeitas.

– Perfeito, enfim boas notícias.

– Nos mandaram uma ânfora para selar a alma dela para todo o sempre.

– Ótimo! Quando podemos esperá-los?

– Em breve, Abáris.

No Santuário

Mu, Shaka e seus discípulos ainda tentavam achar a deusa quando de repente, o virginiano abriu os olhos.

– Encontramos Athena.

Ao dizer tais palavras, todos começaram a reunir comandos para irem em direção à deusa. Seria uma batalha extremamente difícil e precisariam do maior número possível de amazonas e cavaleiros como nunca antes visto. Sob a direção dos cavaleiros de ouro, dezenas de guerreiros seguiram em direção ao templo. Eles passariam onde justamente Ofíon tentara atravessar a quase um mês atrás, saindo do plano mortal e indo para o imortal.