No dia seguinte do julgamento dos deuses, Athena chamou Milo para uma reunião. Um servo foi até a Casa de Escorpião para dar o recado da deusa a ele.

– Athena pede a sua presença senhor. – disse um servo à sua porta.

– Eu já vou. – respondeu o cavaleiro sem entender o motivo daquela reunião com a deusa.

Depois de colocar sua armadura, foi subindo as escadarias ainda um pouco hesitante com o assunto, pois a batalha já tinha terminado e todos ainda se recuperavam dela. Quando chegou no Grande Salão em frente ao trono de Athena, o cavaleiro fez uma reverência recebendo um sorriso confortante e triste ao mesmo tempo.

– Milo, tenho um assunto delicado para te falar. – disse ela sendo ouvida de forma atenta e preocupada – No tempo em que fui prisioneira naquele templo, eu e Ana ficamos próximas e posso dizer que ela foi a responsável por eu ter suportado tudo de uma maneira mais amena. Ela me trazia diariamente comia e água escondida do meu sobrinho Abáris porque ele me liberava uma quantidade mínima necessária para a sobrevivência do meu corpo mortal. Durante esse período, nós duas confidenciamos algumas coisas e um dos assuntos diz respeito a você. – falou com uma expressão totalmente séria e com pesar fazendo o coração do cavaleiro acelerar absurdamente – Ana ... Milo... está grávida, mas o filho não é de Abáris, é seu.

O chão do cavaleiro faltou imediatamente, o ar parecia ter ficado mais pesado naquele instante.

– Como? Tem certeza disso?

– Sim, absoluta.

– Abáris sabe?

– Sim, Milo, ele agora sabe. Depois do dia em que ele descobriu tudo, eu e Ana não nos vimos mais, somente nos comunicamos brevemente pelo cosmo.

– E agora? Eu preciso encontrá-los antes que aquele louco faça algum mal a eles. – falou e escorpião transtornado com toda a declaração. – Onde eu posso achá-los? Tem alguma pista?

– Não, infelizmente. Apenas sei que estão aqui, na Terra e não no mundo dos deuses.

– E não pode senti-los?

– Não, Milo. Só podemos sentir cosmos que desejam ser encontrados e Abáris não quer isso.

– E Ana? Ela com certeza não quer ficar com ele. Seu cosmo dá pra ser sentido, não dá?

– Estou tentando Milo, mas algo tem me impedido de localizá-la também, obviamente meu sobrinho usou alguma técnica para bloquear a presença deles. Isso me dificulta bastante, sinto muito.

Um semblante sério e desapontado tomou conta do escorpião, nunca antes visto nem nas piores batalhas, deixando a deusa triste em não conseguir ajudar de forma eficaz seu cavaleiro, acabando com seu sofrimento.

– Eu vou descer agora, com licença. – disse fazendo uma reverência e dando as costas.

– Milo, vamos achá-los, tenho uma dívida de gratidão com Ana por ter se arriscado para me ajudar então não pouparei esforços para localizá-la. Terá seu filho nos braços a salvo, cavaleiro, eu prometo.

Aquelas palavras foram confortantes aos ouvidos dele, amenizando um pouco sua ansiedade. Saindo da presença da deusa e passando pela Casa de Peixes, Milo encontrou na escadaria um grupinho reunido que se voltou para ele, notando imediatamente algo de errado.

– O que houve, Milo? – perguntou Lavínia.

– Credo, mas que cara é essa? Foi despedido? – disse Afrodite

– Não foi nada, pessoal. – respondeu querendo seguir adiante, porém sendo impedido pelo pisciano que se pôs à sua frente.

– Como nada? Está aí com a maior cara de enterro e tem a cara de pau de me dizer que não é nada. Vamos, desembucha.

Vendo ser inútil tentar sair dali, o escorpião resolveu se abrir com seus amigos.

– É a Ana, eu não sei nem como dizer isso.

– Milo, se não está à vontade de nos contar seu problema, vai pra casa então. Querendo depois, podemos conversar com calma. – disse Camus preocupado com o amigo.

– Ah, não, nem vem. Ele irá compartilhar com nós três o assunto, eu hein. Vai desabafa com a gente, o que aquela megera da semideusa fez para te deixar assim? – perguntou Dite recebendo um olhar de desaprovação de Lavínia e Camus.

– Afrodite, por favor, não chame a Ana de qualquer outra coisa que não seja seu nome. – disse o escorpião em um tom bem sério, deixando o pisciano sem graça.

– Vai, desculpa, eu juro pela deusa que não a ofendo mais.

– Tá, tudo bem. Eu sei que a Ana é uma inimiga para todos vocês, mas Athena me revelou que ela a ajudou enquanto esteve presa, dando água e bebida todos os dias. Pra falar a verdade, nem eu esperava isso por parte dela, se arriscar para ajudar a nossa deusa. Enfim, não foi isso que me deixou assim mal. Athena me disse que descobriu algo quando ficaram próximas...

– Ai, acaba logo com esse mistério homem... – cortou Dite

– Ana está esperando um filho meu. – disparou deixando todos boquiabertos

– Isso é sério mesmo? Quer dizer, como sabe que é seu? – perguntou Lavínia desconcertada.

– Athena me garantiu e no fundo sei que é verdade.

– Abáris sabe?

– Sabe, Camus.

– Deixa eu ver se entendi, estou confuso agora. Você deu umazinha antes do casamento dos semideuses e engravidou a fulana, quer dizer a Ana, então aconteceu uma série de coisas, várias lutas com ela buchuda e sem Abáris saber de nada e agora viu que foi chifrudo... gente que babado! – completou Afrodite pasmo.

– Exatamente isso.

– Tem idéia de onde eles estão?

– Não Lavínia. Algum tipo de bloqueio impede de serem localizados, mesmo assim Athena prometeu me ajudar.

– É pela primeira vez estou com dó dela. – disse Dite recebendo um olhar da loira.

– Fica assim não, Milo. Se Athena prometeu ajudar, vai dar tudo certo. – falou a amazona dando um abraço confortante nele.

– Só espero não ser tarde demais quando isso acontecer. – disse se soltando e olhando para todos – Eu vou indo agora, vai descer agora também Camus?

O aquariano não iria embora dali naquele momento, mas entendeu perfeitamente a indireta do amigo. Ele queria falar algo em particular.

– Vou, sim. Tenho umas coisas para adiantar.

Falando isso, os dois se despediram e foram descendo as escadas, parando na casa do aquariano.

– Vamos entrar, se quer me contar algo em particular aqui fora não é um lugar adequado. – disse o aquariano abrindo a porta e dando passagem para o amigo. – Agora pode falar. – falou se sentando no sofá tendo o gesto acompanhado pelo escorpião.

– Camus, você se lembra que eu enfrentei a Ana e a feri de uma maneira bem agressiva?

– Sim, me lembro.

– Ela já estava grávida ali e eu não sabia. Provavelmente ela também não. – disse o escorpião abaixando a cabeça sentindo um nó na garganta. – Eu podia tê-los matado, Camus.

– Sim, podia, mas não o fez. Teve compaixão dela mesmo sem saber de nada, não precisa se sentir tão mal, ela era sua inimiga naquele momento.

– Acho que ela nunca foi minha inimiga. Eu estava tão furioso por tudo que fiquei cego me dando vontade de acabar com ela, aplicando meu veneno em seu corpo, causando uma intensa hemorragia. Contudo Ana não deu um passo para se defender, não levantou uma mão contra mim, me deixando puni-la cruelmente. Estou preocupado, não sei o quanto do meu veneno pode ter passado para meu filho, pela corrente sanguínea. Mesmo que Ana tenha ficado bem, não sei se o mesmo ocorreu com ele.

– Isso não temos mesmo como saber Milo, só quando nascer saberemos.

– Eu nunca vou me perdoar se algo de ruim acontecer com essa criança, Camus.

– Eu sei meu amigo, mas não é hora de pensar numa coisa dessas. Precisa procurá-los junto com Athena antes que seja realmente tarde demais para eles. Esteja certo que poderá contar comigo no que precisar.

– Obrigado Camus, eu sei. – disse Milo se levantando. – Vou indo, preciso colocar minha cabeça em ordem pra começar a agir.

– Faça isso! – falou o aquariano dando um abraço no amigo.

Ele não era do tipo que tinha essa demonstração de afeto, sempre mantendo uma distância e uma certa frieza, mas naquele momento sentiu que seu amigo precisava daquele gesto confortante por parte dele. Milo esboçou um sorriso e saiu em seguida.

Ainda na Casa de Peixes

– Tadinho do Milo. – falava Lavínia pra Afrodite.

– O que houve com ele? – perguntou Máscara se aproximando da conversa junto com Kanon e Shura.

– Gente, Ana está grávida do Milo! – disparou Dite

– Dite! – repreendeu Lavínia.

– Opa, me conta essa história direito. – falou o canceriano.

– Sério? – perguntou Shura

– Seriíssimo.

– Que otário! – falou Kanon encostado numa pilastra.

– Porra, é mesmo. Em pleno século 21 o cara foi esquecer de usar camisinha, se fudeu. – completou Máscara.

– Vocês são horríveis mesmo, viu? – indignou-se a loira – O cara está sofrendo, pois seu filho e a mulher que ama estão correndo sério perigo e vocês aqui julgando e fofocando ao invés de se preocuparem com ele. Ai eu não agüento!

Todos se olharam e sentiram um pouco envergonhados com suas próprias atitudes.

– E como ele está? – perguntou Shura

– Péssimo, tadinho. – respondeu Lavínia contando mais alguns detalhes para eles, pensando num jeito de poder ajudar o escorpião.

Em algum lugar da Grécia, Abáris mantinha Ana sob vigilância o tempo todo. A semideusa já tinha tentado fugir do lugar, porém foi achada facilmente por ele.

– Logo isso tudo estará terminado, minha querida e será apenas minha de novo. – dizia o semideus ao acabar de recapturá-la após uma fuga. Estavam na sala do lugar durante essa conversa.

– Abáris, nossa situação não faz o menor sentido. A guerra acabou, não há mais plano algum. Deixe-me ir com essa criança e fique livre para viver da maneira que desejar.

– Nunca! Não me peça uma coisa dessas! Jamais irei permitir que saia da minha vida e de maneira alguma será de outro além de mim. É minha e sempre será, não importando as conseqüências. – disse empurrando a semideusa contra a parede, pressionando seu corpo no dela e ficando com os lábios bem próximos. – Não percebe, Ana, eu sou louco por você. Tudo o que sempre fiz até aqui foi pensando em nós. – falou a beijando cheio de desejo, porém sem ser retribuído- Me beije, Ana, vamos, seja minha como uma vez você foi – falava a acariciando de forma bruta, causando desconforto nela.

– Abáris, está me machucando, me solta! – falava sendo ignorada por ele

– O que ele tem melhor do que eu? Hã, me diga. Fala pra mim Ana, vamos!

– Tudo! – gritou a semideusa empurrando-o para longe – Ele é melhor que você em tudo, Abáris. Milo foi o melhor homem que eu encontrei em toda a minha vida, o único capaz de me levar às nuvens e me libertar de uma existência vazia e sem amor. Ele é tudo isso e fico muito feliz de carregar um pedaço dele em meu corpo.

Essa declaração causou uma fúria no semideus, mas ao contrário do que se podia imaginar, ele não a atacou, mesmo com tamanha humilhação. Abáris se aproximou e disse:

– Não sairá mais dessa casa, Ana, nem para ver a luz do sol. Ficará trancada aqui até aprender a me querer.

Ela ficou surpresa com a atitude dele sabendo que poderia esperar o pior dali pra frente. Ele não era mais racional, apenas um ser tomado por uma doentia obsessão.

Um pouco mais de cinco meses tinham se passado desde então e como prometido, a semideusa passou toda a gestação presa na casa, especialmente no quarto. Não tentava mais fugir, pois sua condição não permitia. Quase todas as noites, Abáris levava mulheres para o local, onde mantinha relações bem promíscuas em todos os cômodos. Algumas vezes fazia questão que a semideusa visse algo, exibindo belas mulheres na sua frente, tentando atingi-la por não estar em sua perfeita forma. Os gemidos deles ecoavam pela casa, porém não incomodavam Ana que por entre frestas de uma das janelas trancadas por Abáris conseguia ver a lua em um céu azul profundo estrelado, lembrando da primeira vez que beijou Milo. Fechou os olhos como se pudesse senti-lo ali com ela. De repente sentiu uma forte pontada na sua barriga, percebendo ter chegado a hora de trazer o fruto de seu amor com o cavaleiro ao mundo. A semideusa sentiu que era a hora de sair imediatamente dali. Aproveitaria o fato do semideus estar ocupado e distraído em um dos quartos para escapar sem ser vista. Apesar da dor, mantinha-se calma andando pelos corredores sem ser notada, conseguindo sair pela porta que por sinal não estava trancada e pôs-se a correr, mesmo naquela condição. Passou o mais rápido que pôde por todo o terreno, achando uma estrada em seguida que não passava carro algum naquela hora da noite. Andava apressada pelo lugar, olhando para trás vez ou outra, com receio de estar sendo seguida. Uma outra dor tomou conta de si, era uma contração bem forte, levando a semideusa a parar curvada.

"Eu preciso continuar" pensava se apoiando em si mesma, seguindo em frente.

Em meio a sua orgia, Abáris pressentiu algo o fazendo vestir uma roupa e procurar Ana pela casa, não a encontrando em parte alguma. Imediatamente saiu a sua procura, a pé mesmo imaginando dela não ter ido muito longe, na condição atual.

No Santuário, Athena pôde localizar Ana, chamando Milo imediatamente pelo cosmo. Apesar de estar dormindo, o cavaleiro levantou com um sobressalto, se vestindo apressado e indo até a presença da deusa.

– Milo, localizei Ana. Pelo visto, ela deixou o lugar onde estava e segue para outra direção. Sinto seu cosmo aflito e imagino já ter chegado a hora do seu filho nascer.

– Athena, me diga, ela está longe daqui?

– Não muito, mas não temos muito tempo. Direi o local e quero que vá de carro, não demorará mais que uma hora se for depressa.

Milo ouviu as instruções atentamente saindo em seguida, passando velozmente com o carro por Eros e Lavínia que vinham de um passeio. Os dois se entreolharam entendendo que algo relacionado à semideusa acontecia. O escorpião passava marcha, pós marcha em seu carro, indo velozmente pelas ruas desertas de Athenas, com apenas ela em seu pensamento.

Ana já tinha caminhado um bocado, mas as contrações não permitiam que fosse mais longe. Ainda na estrada, avistou uma espécie de vila e pelo visto, abandonada. Com dificuldade, foi até o local adentrando em uma das casas. Não tinha mais móveis e naquela altura isso não fazia diferença. Sentou-se ofegante em um canto do lugar, com as contrações menos espaçadas. Transpirava de dor e ao mesmo tempo do calor, pois o verão chegara com força total na Grécia. Contudo, sentia um imenso alívio tomar conta de si por ter se libertado enfim do semideus. Em um momento, lembrou-se de Milo e ficou imaginando se ele sabia que seria pai e como teria reagido quando soube. Mesmo com dor, Ana deu um sorriso lembrando do jeito jovial e sincero do cavaleiro. Em meio a essa boa lembrança, ouviu a porta abrir com violência, notando em seguida a presença de Abáris. Ele se aproximara da vila de forma sorrateira, não podendo ter seu cosmo percebido por ela e mesmo se o tivesse notado, não se encontrava em condições de se esconder mais. O semideus se aproximava dela com os olhos vidrados, com uma adaga em sua mão. Havia algo terrível em sua face, deixando o ambiente com uma energia pesada. A pouca distância dela, agachou em sua frente, a fitando bem dentro dos olhos.

– Pensou que iria fugir de mim? Já te disse, seu lugar é ao meu lado. – falava ele observando Ana tendo outra contração – Está quase nascendo, não vejo a hora dessa criança sair. – falava enquanto passava a lâmina da sua adaga na mão.

– Abáris, me deixa seguir minha vida, por favor! Vai embora e deixe eu ter meu filho em paz.

– Cala a boca! – gritou – Você tinha que estar tendo agora um filho meu não daquele desgraçado. – disse fincando a adaga no chão entre as pernas dela.

– Abáris, a criança não tem nada com nossos erros. Te peço, não lhe faça nenhum mal.

O semideus não respondeu nada, apenas deu um sorriso maléfico assustando Ana, enquanto se contorcia de dor.

– Vamos, Ana. Acabe logo com isso, traga logo esse ser para o mundo e volte a ser minha. – dizia enquanto acariciava o rosto dela.

– Tire suas mãos dela!

– Milo! – falou Ana

O escorpião entrou no lugar, partindo pra cima do semideus com toda a sua fúria, derrubando-o no chão, ficando por cima dele e socando repetidamente a cara de Abáris, fazendo-o cuspir sangue. Ainda imobilizando o inimigo, o cavaleiro tentava aplicar sua agulha escarlate diretamente na veia que levava o sangue com oxigênio para o cérebro, pra acabar o mais rápido possível com o semideus.

– Não vou deixar que a leve, ela é minha! – falava enquanto lutava vendo a unha do escorpião se aproximando de seu pescoço.

– Não, Abáris, ela nunca foi sua. – disse aplicando de vez uma imensa quantidade de veneno no pescoço do semideus, vendo seu sangue sair imediatamente pelas narinas, boca e ouvido, devido ao golpe.

Na mesma hora, o corpo dele relaxou parando de lutar com Milo. Enfim, tinham se livrado do semideus.

– Milo, me ajude! – falava Ana sentindo necessidade de fazer força.

– Droga e agora, o que eu faço? – olhava o cavaleiro sem saber por onde começar.

– Vai uma mãozinha aí?

– Lavínia, Eros o que fazem aqui?

– Você passou muito rápido por nós e imaginamos que estivesse com problemas. Seguimos seu cosmo e cá estamos.

– O bebê está nascendo e não temos mais tempo de irmos a um hospital. – falava Milo aflito.

– Deixa comigo. Chega pra lá. – disse a amazona se posicionando entre as pernas de Ana. – Eros, dá uma viradinha, por favor? Agora, Ana, precisa tirar sua peça íntima para o bebê sair. Não precisa ter vergonha de mim, vamos, temos pouco tempo.

Com descrição, Ana tirou a peça e levantou um pouco do vestido, ajudando Lavínia a visualizar melhor a situação.

– Olha, Milo, a cabeça já está saindo.

O cavaleiro deu uma espiada fazendo uma tremenda cara de nojo ao ver aquilo.

– Vai tudo voltar pro lugar depois? Que cabeção!

– Nossa, Milo, isso é comentário que se faça? Vamos, Ana, quando sentir vontade de fazer força faça, ok?

Ana assentiu que sim, enquanto apertava a mão de Milo e empurrava.

– Isso, está quase, falta pouco.

Com mais um esforço, a criança saiu, dando um choro em seguida para alívio de todos.

– É uma menina! – falou Eros olhando-a ainda cheia de sangue da mãe.

– É linda, Milo! Parabéns! Toma mamãe.- disse entregando a criança para Ana.

– Muito obrigada, Lavínia. – falou Ana sorrindo pela primeira vez para a loira.

– Não precisa agradecer.

– Será que ela está bem? Eu apliquei minhas agulhas em você enquanto a esperava.

– Não consegue ver que ela está ótima? – disse Ana enquanto a menina dava um sorriso para o pai.

– Me desculpa, lindinha, eu não sabia de você quando o papai lutou com sua mãe.

– Milo, esquece isso. – falou Ana o beijando. – É passado e temos muito pela frente. – completou tirando um sentimento de culpa da consciência do cavaleiro.

– Vamos indo, precisamos levá-las ao hospital. – falou Eros

Todos foram para o carro, levando as duas pra receberem os cuidados necessários, deixando o corpo de Abáris pra trás. Em pouco tempo, todo o Santuário ficou sabendo do nascimento da filha de Milo, indo alguns cavaleiros até o hospital para vê-la, inclusive a deusa. A menininha tinha poucos traços do pai, no geral, era uma cópia da mãe. Foi chamada de Calista, nome grego que significava a mais bela.

Apesar de ter recebido algumas visitas dos cavaleiros atenienses, todos ainda tinham um pé atrás com a semideusa, então mesmo com o convite de Athena para ela ir morar no Santuário na Casa de Escorpião, Ana preferia ficar em uma casa na praia, perto dali. Alguns dias se passaram e mãe e filha se mudaram para uma casa com uma vista para o mar. Era confortável e espaçosa, ideal pra uma criança com um olhar esperto como o de Calista. Milo ia quase todos os dias vê-las e nas sextas, saía mais cedo dos seus afazeres, para passar o fim de semana com elas. O cavaleiro e a semideusa mantinham um relacionamento muito feliz e com muito amor. Todas as manhãs de segunda-feira, antes de voltar para o Santuário, o cavaleiro pedia Ana para ir com ele.

– Milo, você não desiste, não é mesmo?

– Ana, não vejo mal algum de você ir morar comigo lá. Eu me sentiria muito mais tranqüilo com vocês duas comigo.

– Abáris morreu, não corremos mais perigos.

– Eu sei, mesmo assim.

– Milo, eu sempre serei filha de Hades para todos naquele lugar. Nunca confiarão em mim plenamente, sendo uma constante ameaça.

– Eu não me importo com o que digam.

– São seus amigos e se importam contigo. Minha presença pode atrapalhar a sua amizade com eles e não desejo isso.

– Segunda que vem vou tentar te convencer de novo, não sabe?

– É, pior que sei. – disse a semideusa dando um sorriso para ele.- Vai, cavaleiro, seu dever te espera.

– Sim, vou indo. – falou se virando e saindo porta a fora. De repente, o cavaleiro voltou às pressas assustando-a. – É que quase eu me esqueci.

– Se esqueceu, do quê?

– De dizer que te amo hoje.

– Eu também te amo Milo.

Após dizer isso, ele foi embora dali, deixando o coração dela em paz, pela primeira vez em sua vida.

Naquela mesma semana, Lavínia tinha convidado Eros para um jantarzinho em sua casa na vila das amazonas. Desde que tudo terminou, ele passou a prestar serviços a Athena, à pedido de sua mãe. Nesse tempo, mantinha um relacionamento de extremo companheirismo com a amazona, porém com o passar do tempo, crescia um desejo jamais sentido antes por alguém. O mensageiro do amor, nunca havia experimentado o amor em todas as suas formas.

Dava oito horas no relógio e a noite se iluminava com uma lua linda no céu. Eros, como de costume, chegou pontualmente ao encontro da amazona. Antes de bater na porta, ela a abriu com um sorriso no rosto. Estava muito linda, usando um vestido leve de alça, cor de rosa com estampa floral, dando um ar romântico e delicado a ela. O semideus a observava e via o quanto ela era bela. Tiveram um jantar agradável, mas sem falar muito. Lavínia notou que ora ou outra, Eros corava com sua proximidade, ficando quieto além do normal.

– Eros, está tudo bem? – perguntava a loira já sabendo da resposta.

– Estou sim, por quê?

– Porque fugiu de mim a noite toda. Mal falou e nem me beijou ainda. – disse se sentando no colo do semideus, deixando-o desconfortável. – Relaxa, nós já ficamos desse jeito antes.

– Eu sei, tem razão. – falou forçando um sorriso.

– Eros, eu sei que nunca teve nada a mais com alguém antes, mas acho que está na hora de darmos esse passo, pois estamos juntos há algum tempo.

– Vai me achar um idiota. Não sei por onde começar e você já sabe tudo o que precisa ser feito e ...

– Eu te amo, Eros. Você foi a melhor coisa que me aconteceu. Estar aqui contigo, desse jeito, ser sua primeira, faz eu me sentir a garota mais sortuda do mundo. – falou tirando o vestido e se expondo para ele. – Dê-me a sua mão. – disse pegando-a e fazendo-o sentir seu corpo de maneira sensual e carinhosa. – Eu quero ser sua essa noite e não me importa em nada se nunca fez isso antes. – falou o beijando de forma carinhosa e com desejo, sendo retribuída.

Aos poucos, ele foi se soltando e o beijo ganhando intensidade. Eros sentia cada parte da pele macia de sua namorada, com os lábios. Percorria com desejo enquanto sentia seu cheiro adocicado. Hesitou quando chegou perto dos seios, mas teve a cabeça direcionada até um deles, pela mão da Lavínia. Quando se pôs a lamber, sentiu a pele dela se arrepiar e viu que agradava. Logo, foi ganhando confiança, a tocando com mais vontade. Em certo momento, a loira arrancou a camisa dele, tendo uma visão e tanto do seu físico. Beijou seu tórax indo em direção ao seu abdômen perfeito, lambendo e arranhando de vez em quando, sentindo muito prazer naquilo. Lavínia se ajoelhou em sua frente e com um sorriso malicioso, abriu o zíper da calça, expondo seu membro rígido, deixando Eros sem graça. Com delicadeza, a garota começou a lambê-lo, dando leves chupadas, arrancando gemidos dele. Os movimentos de vai e vem com a boca se intensificavam à medida que Lavínia via seu prazer aumentando. Percebendo que chegaria ao ápice com aquilo, ela se deitou no sofá onde estavam, fazendo-o ficar por cima dela.

– Pode ir em frente, Eros.

Ao se aconchegar entre as pernas dela, introduziu lentamente seu membro dentro da cavidade úmida dela, sentindo um leve desconforto e prazer ao mesmo tempo. Lavínia o beijava no pescoço enquanto acariciava suas costas, fazendo-o relaxar dentro dela. Passando as pernas em torno da cintura dele, ela o puxava com mais intensidade, aumentando o contato entre eles, em um movimento sensual e que ganhava mais voracidade a cada investida. A amazona, o apertava e gemia, chamando seu nome cada vez mais alto, enquanto ele ia mais rápido tomado de desejo e gemendo rouco em seu ouvido, chegando os dois ao ápice juntos. O semideus deitou sobre ela, cansado com o ato, recebendo um carinho dela.

– Para uma primeira vez, foi muito bem, muito mesmo.

– Obrigado. – respondeu ainda ofegante.

Naquela mesma noite, Shina resolveu andar na areia, como há muito não fazia. Parou observando as ondas baterem de forma violenta nas pedras enquanto o vento, levava seus cabelos para trás, deixando visível seu belo rosto.

– Finalmente apareceu. Pensei que não a veria mais por aqui. – falou uma voz masculina bem próxima a amazona, fazendo-a virar.

– Féres. – disse Shina sentindo o coração disparar ao vê-lo parado a centímetros de seu corpo. – Como eu não notei a sua presença?

– É tudo que tem a me dizer depois desse tempo todo sem me ver?

A amazona via um ar mais leve no semideus, contrastando com a última noite tida juntos, onde ele a atacou.

– Sinceramente, Féres, não sei o que deveria te dizer depois de tudo.

Ele a olhou bem no fundo dos olhos, segurando seu rosto com as duas mãos.

– Tem horas que é melhor não dizermos nada. – falou a beijando com intensidade e cheio de saudades.

Shina nunca saiu da sua cabeça, mesmo nos momentos mais críticos. Agora era livre para se relacionar com ela, sem medo algum. Não eram inimigos, mas não podiam dizer estar no mesmo lado. De qualquer forma, isso não tinha importância alguma para eles. Se completavam e a cada dia, limpariam juntos as sombras da guerra e de outras coisas de seus corações. Não ficariam mais sozinhos, mas ao contrário dos casais convencionais que espalham aos quatro ventos a notícia de uma união, eles guardariam seu relacionamento em segredo, preservando seus sentimentos de qualquer coisa externa que pudesse separá-los. Viveriam assim, pelo resto de seus dias.

Nove anos se passaram, Calista crescia de maneira tranqüila e ia se tornando uma bela garota e quem a via, percebia imediatamente que ela era filha de Ana, mesmo com algo do pai. Um dia, como de costume, foi passear pela praia, catar conchinhas para fazer um colar para a mãe. Olhava todo o lugar, quando viu uma linda perto d'água, indo correndo para pegá-la. Quando abaixou, uma mão tocou a dela, assustando-a.

– Não devia andar por aqui sozinha, pode ser perigoso. – falou o homem pegando a concha e entregando à menina – Vai fazer um presente para sua mãe, pela quantidade de conchas dentro desse cesto.

– Vou fazer um colar pra ela.

– Sua mãe vai ficar mais bonita do que já é.

– Conhece a minha mãe?

– Conheço sim, digamos que sou um velho amigo dela.

– Então, vem comigo! Ela vai gostar de revê-lo. – falou a menina pegando no braço dele.

– Deixa pra outro dia. Mas não conte nada pra ela que me viu, é o nosso segredinho.

– Tudo bem, não vou falar nada. Agora preciso ir, vou ter aula daqui a pouco.

– É muito parecida com sua mãe. Qual é o seu nome?

– Calista e o seu?

– Abáris.

"Calista!" ouviu sua mãe a chamando, mas não a respondeu. Depois de um tempo, a menina apareceu adentrando a casa depressa, se deparando com Ana.

– Calista, estava ficando preocupada. Com quem estava?

– Eu? Com ninguém mamãe.

– Nunca fale com estranhos, ouviu? Agora vai, antes que se atrase.

Ana sentiu um mau pressentimento dentro de si, mas resolveu ignorar o fato por tudo estar tão tranqüilo há tanto tempo.

Anos se passaram e todos os dias, Calista encontrava com o semideus. Construíram um laço forte e de confiança com o tempo, fazendo a garota que agora tinha seus 16 anos, se envolver com ele, sem o conhecimento de seus pais. Novamente Abáris sentia que Ana era dele novamente, de alguma forma.