NT: Embora nada tenha contra o esporte, compartilho meu POV com Sara sobre golfe. Nunca vi um jogo, nem mesmo televisionado, o que significa que não conheço nenhum termo. Se alguém encontrar algum absurdo, por favor me corrija! Se você (como eu) é total e completamente ignorante no assunto, pode querer ler sobre isso antes, para visualizar melhor as cenas e os equipamentos.

Se bem que, depois desse capítulo, meu desprezo (infundado) sobre golfe diminuiu muito. Só de pensar em passar tanto tempo com o Grissom…

Capítulo Dois

Palm Grove Golf and Country Club, Las Vegas

Apesar do avançado da hora, o clube estava inundado de luz. Diversas viaturas da polícia e um punhado dos repórteres estavam lá. No fulgor dos holofotes que iluminavam a estrutura imponente que parecia mais como um solar inglês do que uma instalação de esportes, Sara viu que Brass entrevistava um homem de meia-idade cujo cabelo prateado bem-cortado e roupa de golfe de grife falavam de dinheiro e alta-sociedade.

Brass jogou seu caderno de notas fechado e enfiou-o o no bolso de peito de seu paletó enquanto aproximava dos três criminalistas. "O gerente do clube identificou a vítima como Michelle Burton, 22. Ela é um membro. Seu corpo foi encontrado no bosque perto do 17º campo." Com uma inclinação ligeira da cabeça, ele atraiu a atenção deles para uma área bem iluminada a aproximadamente 450 metros de distância. Os holofotes já haviam sido montados em torno da cena do crime e oficiais da polícia amarravam a fita amarela de cena de crime. "Parece que ela foi espancada até a morte. Vocês podem usar um carrinho do clube para chegar lá," Brass disse apontando o carro motorizado de quatro assentos com uma levantada de seu queixo. "As chaves já estão nele."

Sara aproximou do carro com interesse. Era um pouco maior do que o que ela e Grissom tinham usado em Tahoe, que havia acomodado somente dois. Ela pôs seu kit de campo no assoalho do lado do passageiro do carro e deslizou no assento do motorista.

Nick olhou-a com suspeita. "Alguma vez dirigiu um desses?"

"Uh, Sara," Nick olhou-a explicitamente. "Dê espaço. Eu estou conduzindo."

"Eu estou bem."

Warrick já pulara no banco traseiro.

Ela levantou um ombro em um encolher sem reservas e deu-lhe um lento e diabólico sorriso.

"É, Sara," Warrick cantou lá de trás. "Penso que você disse que não seria encontrada nem morta em um campo de golfe. Quando foi que você já conduziu um destes?"

"Vocês rapazes apenas vão relaxar," ela riu. "Quão complicado isto pode ser?" Nick relutantemente foi para o banco traseiro com Warrick, e os homens trocaram um relance apreensivo antes que apertassem os brancos apoios de mão de cada lado do carro e segurassem seus kits do campo.

Sara forçou um sorriso, e então girou confiante a chave para a posição 'ligar', mudou para a permissão 'seguir' e pisou no pedal.

O carro forçou para diante, duas vezes, estalou e morreu.

"Esta coisa não funciona," ela murmurou impaciente, o que lhe rendeu um par de risadas da parte traseira.

"Hã, Sara…afogador?"

Ela seguiu o olhar de Nick para o botão preto pequeno ao lado do acionador de partida. "Oh… o que eu conduzi antes que não tinha um."

"É provável que tivesse um motor elétrico," Nick disse, rolando seus olhos. "Este é a gasolina."

Disfarçando seu embaraço com dificuldade, ela puxou o afogador e pôs um pé hesitante empurrando o pedal do acelerador. Ela ouviu o motor e aplicou mais pressão, abaixando o pedal até o assoalho.

Ela engoliu um 'é' quando o carro decolou como um demônio.

"Diminua, Sara," Warrick gritou sobre o barulho do motor. "Gasolina é mais forte…"

Mas Sara estava se divertindo demais para ir mais devagar. Ela lançou um sorriso largo para Warrick sobre seu ombro e quando o fez, ela momentaneamente perdeu o controle do veículo. O carro abandonou o trajeto pavimentado, balançou para o lado e bateu em uma baixa do terreno, lançando os traseiros deles para fora dos assentos de vinil para batê-los sem cerimônia de volta.

"Inferno, homem," ela ouviu Nick berrar, "ela vai nos matar." Sara sorriu enquanto corrigia o erro e continuava pelo pavimento abaixo a toda velocidade.

Angra de Zhephyr, Lake Tahoe

Uau aquilo era divertido! Sara pensou enquanto ela freava na primeira baliza. Ela lançou um sorriso de olhos arregalados para Grissom que não parecia alegre. Ele estava aferrando-se ao dossel do carro do clube com sua mão direita e estava prendendo-se à barra de metal na parte superior da parte traseira do assento dela com a esquerda. Ela não sabia se queria rir ou realmente, realmente censurar, mas as emoções conflitantes na cara dele eram verdadeiramente uma alegria de se ver.

"Hã… Alguma coisa errada?" ela perguntou com inocência trocista, e foi recompensada com um olhar de você-realmente-não-espera-que-eu-acredite-nisso'.

Ele pisou fora do carro e foi à parte traseira. Quando ela ouviu alguma perturbação com os tacos de golfe deles, ela pulou fora e juntou-se a ele.

"O que você está fazendo?"

Ele havia retirado sua bolsa de golfe da parte traseira e estava desamarrando-a. Ele então trocou a posição das bolsas, colocando a dele do lado do motorista e a dela no lado do passageiro. "A partir de agora, eu dirijo."

Ela deu-lhe um olhar incrédulo. "Você não confia minha condução."

"É do que você chama aquilo?" A voz dele era terrível mas seus olhos cintilavam comicamente. "Você quase nos derrubou nessa colina."

"Eu estava apenas pegando o jeito desta coisa. Eu estou bem agora."

"É, eu vi aquilo. Você também estava pegando o jeito dos freios agora?"

Ela riu. "Desculpe. Não era minha intenção assustar você."

Ele olhou-a incredulamente, mas então deu-lhe um sorriso irônico e tirou um taco de sua bolsa. "Nunca é," ele murmurou num sopro.

"Tá bom. Você dirige," ela disse, e imaginou se tinha havido um significado mais profundo na observação casual dele.

Ela pegou a nova luva de grife que Grissom tinha comprado para ela do assento dianteiro. Antes que ela calçasse sua luva, ele já estava na baliza, arrumando sua bola. Ele endireitou-se e olhou do 'fairway' (a parte lisa do campo de golfe) para o gramado. Sara seguiu seu olhar. Ele já tinha lhe explicado os princípios do jogo no caminho para o campo de golfe e quando ele pegou o cartão de marcação na loja de esportes do clube, tinha lhe explicado que o primeiro buraco era de valor quatro, o que significava, ele dissera, que era um 'fairway' razoavelmente reto e largo, sem perigos.

Ela observou-o silenciosamente quando ele puxou o taco para trás e bateu-o na bola, lançando-a no ar em uma linha reta para o gramado. O olhar contente dele disse a ela que estava satisfeito com sua jogada.

Sara reuniu uma bola e um "T" (suporte para a bola) e olhou para sua bolsa, um pouco confusa sobre qual taco deveria usar. Ela lançou um rápido olhar para a bolsa de Grissom e observou que o taco número um dele estava faltando, então ela pegou o mesmo taco em sua bolsa e fez seu caminho para a área do "T";

"Você joga do T das senhoras," ele lhe disse, indicando uma área a uns bons 18 metros (vinte jardas) mais perto do gramado.

"Hã? As mulheres tem uma vantagem."

Ele sorriu. "É um fato físico que as mulheres não podem bater tão longe quanto os homens. Então de fato isso nivela o campo de jogo."

"Bom se eu vou competir contra você, eu vou lançar a bola do mesmo lugar que você."

"Sara… eu não sei como lhe dizer isto, mas você não vai ganhar contra mim, então não há razão em tentar competir."

Aquilo mexeu. Sara não baixava a cabeça a um desafio e Grissom havia, quer consciente ou inadvertidamente, lançado um. Sua natureza competidora assumiu e ela jogou-lhe um olhar desafiador. "Nós veremos isto."

Ela marchou até o 'T' e imitou a rotina dele do pré-lançamento de colocação da bola, de afastar suas pernas um pouco e de segurar o cabo do taco. Ela olhou a distância até o gramado e o mastro da bandeira embora não estivesse certa exatamente porque deveria fazê-lo uma vez que estava tão longe que ela duvidou que fizesse coisa alguma por seu lançamento. E então, imediatamente antes de lançar o taco para trás, olhou de relance para Grissom que inclinado contra o carro, observando-a divertido, e a sua determinação para lhe mostrar do que esta mera fêmea era feita fortaleceu-se.

Sara Sidle não jogou para perder.

Enquanto ela lançava o taco para trás com tanta força quanto seus magros braços poderiam controlar, seu único pensamento era que ela estava ficando fora do controle dele. Seus bíceps dobraram-se e seu aperto aumentou em torno do cabo, e finalmente ela tomou uma respiração e lançou o taco para baixou vigorosamente em direção à bola.

Opa! Ela engoliu seu grito enquanto a ponta do taco escavava na terra uns bons trinta centímetros (um pé) atrás da bola. O impacto deu uma sacudida que reverberou acima do eixo de aço até seu cotovelo direito. Ela recuou, e tão discretamente quanto humanamente possível, dobrou seu cotovelo para frente um par de vezes para amenizar a dor palpitante.

Ela ergueu os olhos para Grissom cautelosamente, esperando ele não tivesse testemunhado sua tentativa desajeitada em balançar, e sentiu o calor subir em sua face quando encontrou o olhar divertido dele. Ela quis jogar algo nele então, o taco ou a bola, e por um momento imaginou o que o machucaria mais. A única coisa que o salvou foi quão sexy ele parecia inclinado para trás causalmente contra o carro, braços e pernas cruzados, com uma excitante cintilação em seus olhos quando mordeu e franziu os lábios que se contraíram convulsivamente, tentando não rir.

Ela lançou-lhe uma careta de zombaria. "Praticar o balanço," ela disse sensatamente antes de dirigir-se à bola outra vez.

"Sara, pare." Grissom veio até a área do "T" e ele pareceu quase tímido enquanto erguia o taco do aperto dela. Ele relanceou atrás dele, e ficou satisfeito que eles não estavam atrasando outros jogadores de golfe, ele encarou-a seriamente. "Golfe é um dos esportes mais difíceis de se dominar. Mesmo os profissionais lutam com ele. E mesmo que compitam por posição ou reconhecimento ou dinheiro, seu concorrente mais vigoroso é sempre ele mesmo." Sara dobrou seus braços em torno de si mesma e gentilmente massageou seu cotovelo. Os olhos e a voz dele abrandaram-se. "Eu sei que você gosta de se sobressair em tudo, mas este não um esporte que algum de nós nunca vai dominar. Se você ficar esperando fazer o lançamento perfeito todas as vezes, você ficará frustrada e nunca irá apreciará o jogo."

Ela sorriu acanhada e lançou seus olhos por terra. "Você fez isso parecer fácil."

"Não é, e eu tenho jogado por anos."

Ela deu-lhe um sorriso radiante então, apesar de sentir-se um pouco ridícula. Não era este Grissom que era responsável por aqueles sentimentos. Se havia qualquer coisa, era algo nos ensinamentos dele- por aquilo como ela viria a ver como ele partilhara seu conhecimento- que sempre fizera o coração dela inchar de admiração. Não havia nada condescendente ou paternalista em como ele fazia isso. Era paciente e gentil, e algumas vezes ela sentiu que ele a compreendia demasiadamente bem. Era ao mesmo tempo desconcertante e chato.

"Você está pronta para apreciar o jogo?"

Ela assentiu. "Sim."

"Venha. Eu vou conduzi-la a seu 'T'."

Sara pegou sua bola e 'T' e seguiu-o para o carro. "Então… quão bom você é?"

Ele inclinou um pouco para ela e sussurrou, "Eu sou muito bom, mas não digo pra qualquer um." Ela riu. Ele deslizou no carro e esperou-a fazer o mesmo. "Na verdade," ele continuou, "somente cinco por cento dos jogadores de golfe são e eu estou naqueles cinco por cento. Mas não aconteceu na primeira vez que eu saí de um campo de golfe."

No 'T' das senhoras, ela disse, "Você vai ter que me ensinar como bater essa bolinha."

"Agora existe um bom começo, e provavelmente a coisa mais fácil a fazer consistentemente." Ela olhou-o em dúvida, seu cotovelo ainda um lembrete doloroso de quão 'não fácil' aquilo era. "Tudo que você precisa fazer é manter seu olho na bola e eu garanto que você nunca vai perdê-la." No 'T' ele saiu do carro e tirou o 'driver' (taco de golfe) dele de sua bolsa. Sara fez o mesmo e seguiu-o à área do T. "Você não pode sempre batê-la onde você quer, eis porque, Senhora Sidle, eu vou dar-lhe agora uma lição sobre alguns dos componentes mais cruciais do balanço do golfe."

"Tá certo."

"Chegue mais perto." Ele ficou de pé diante dela e um pouco de lado e apertou o cabo de seu 'driver'. "O aperto. Sua mão deve ser uma extensão de seu taco. Vê?" ele perguntou enquanto demonstrava, e então ele levantou seu taco para mostrar-lhe como ele havia unido o dedo indicador de uma mão como o dedo mínimo da outra. Ele mostrou para ela como suas mãos se sobrepuseram ligeiramente e ela imitou o que ele estava fazendo. "Nada mal." Ele então foi explicar sobre postura, posição da bola e alinhamento, e pediu a ela que fizesse um balanço para praticar, ao qual ele assistiu com interesse.

"Isto parece difícil."

"A dificuldade vai eventualmente embora."

"Vai?" Ela deu-lhe um olhar brincalhão, deixando claro que ela não estava falando sobre golfe.

Ele franziu os lábios ironicamente e envolveu a mão dele no aperto forte dela. "Relaxe," ele disse. "Você está sufocando esse taco." Ele arrumou uma bola. "Certo. Pronta para dar um balanço?"

Ela assentiu e Grissom voltou para o carrinho. Sua respiração veio rápida e seus músculos enrijeceram enquanto ela dirigiu-se à bola novamente com um pouco de mais conhecimento desta vez. Postura, checada. Posição da bola, checada. Alinhamento, checado. Olho na bola, checado. Ela respirou fundo e trouxe o taco de volta e abruptamente para a frente. A ponta do taco girou a bola e enviou-a voando em um ângulo direito em linha reta para Grissom.

Ele saiu rapidamente do caminho e a bola bateu no pneu dianteiro do carrinho do clube.

"Maldição!"

Grissom riu, pegou a bola, e arrumou-a para ela outra vez. "Fique um pouco mais perto da bola," ele instruiu, "e quando você trouxer o taco para trás, use seu corpo, não suas mãos."

"Hã? Eu tive uma idéia melhor. Porque você não vai adiante e joga e eu prestarei atenção?"

Ele olhou-a incredulamente. "Você nem mesmo saiu do primeiro 'T' e quer desistir? Onde está Sara?" ele provocou. "Escute, esse jogo testaria a paciência de um santo, eu sei, mas dê-lhe uma chance. Você vai pegar o jeito disso."

Sara duvidou disto, e suspeitou fortemente que este era o mais estúpido, mais idiota jogo jamais inventado (NT: apoiado, apoiado!). A única coisa que era doce nele era que o jogava com Grissom. Assim ela sorriu e fingiu o máximo interesse quando ele tomou o 'driver' de suas mãos para demonstrar o balanço.

"Se você usar somente suas mãos faltará força ao seu balanço. O que você quer é conseguir velocidade máxima da ponta do taco no impacto. Para isso, você precisa forçar em sua curvatura. Você precisa afastar seu corpo do alvo e deslocar seu peso do pé esquerdo para o direito, mas sem deslocar seu contrapeso." Ele devolveu-lhe o taco. "Tente isto."

Sara fez como ele pediu, mas seus movimentos eram rígidos, mecânicos demais. Ele moveu-se atrás dela e envolveu seus braços em torno dela, cobrindo o corpo dela com seu. Ela vacilou surpresa. Enquanto os braços dele roçavam contra os dela e a respiração dele provocava sua face, uma onda de calor arrastou-se através dela, e Sara começou a revisar sua opinião prévia do jogo. Não era tão mau apesar de tudo.

Ela tentou relaxar nos braços dele enquanto ele girava a parte superior do corpo dela com a dele. "É isto," ele disse perto de sua orelha. "Desloque seu peso para seu pé direito." Juntos, eles trouxeram o taco de volta e para baixo onde a bola estaria normalmente e continuaram o balanço para cima. "O seguimento é importante da mesma forma."

Gil Grissom tinha-lhe ensinado muitas coisas desde que ela o havia conhecido, mas nunca de uma maneira que a fizesse se sentir tão bem. Ela virou sua cabeça ligeiramente e a face dela ficou perigosamente perto da dele. Eles olharam um para o outro por um instante... que não poderia ter sido mais que um segundo ou dois, mas foi longo o suficiente para ver algo brilhar nos olhos dele. Então aquilo se fora.

Ele soltou-a abruptamente e afastou-se. "Vá em frente," ele disse enquanto se movia à parte de trás da área do 'T' e colocava suas mãos nos bolsos.

Quando Sara ajeitou a bola outra vez, teve que esforçar-se para recordar as instruções dele. O golfe exigia um nível de concentração que a presença dele estava desafiando. Sem mencionar o tremor nervoso em suas mãos que ela duvidou que tivesse qualquer coisa a ver com a tensão do jogo.

Postura, posição da bola, alinhamento. Mantenha seu olho na bola. Ela sacudiu a ponta do taco. Gire a parte superior do corpo para longe do alvo. Mantenha seu olho na bola. Desloque o peso. Não esqueça o seguimento. Mantenha seu olho na bola. A voz dele estava em sua cabeça, mas cada instrução estava acentuada com o conhecimento dele, observando-a.

Ela respirou fundo e trouxe o taco de volta, e deu um suspiro de alívio quando a ponta do taco fez contato com a bola. Quando fez o lançamento, não foi bonito. Não tão bonito quanto o dele havia sido. E muito mais curto. A bola saiu mal do chão, mas pelo menos viajou em uma linha reta antes de bater o relvado uns bons quarenta metros abaixo do 'fairway'. Rolou um bocado e parou. Sara estava satisfeita, aparentemente, Grissom também estava. Ele sorriu e piscou para ela e ela respondeu com esgar deleitado.

Naquele momento duas duplas haviam chegado no primeiro 'T' e Grissom gesticulou para que jogassem sem interrupção. Eles sentaram-se no carrinho e observaram em silêncio enquanto os quatro homens faziam voltas batendo com seus tacos. Grissom então conduziu-os à sua bola e enquanto esperavam o quarteto para alcançar o gramado, explicou as diferenças sutis entre a batida com um 'driver' e os 'ferros' mais curtos.

O jogo continuou quase como havia começado para Sara. Cada lançamento renovou sua frustração com o jogo e depois de terem deixado mais quartetos jogarem direto, ela sugeriu outra vez que ela o deixasse jogar e apenas observaria. Mas ele não ouviria isso. "Eu estou sem nenhuma pressa, Sara. Você está?"

Ela sacudiu sua cabeça e continuou a 'arar' seu caminho de buraco em buraco, mas seu único prazer no jogo estava em estar com ele e na beleza do cenário que os cercava. O céu estava azul, o ar quente e perfumado com uma variedade de flores selvagens, gramas nativas e arbustos de florescência decorando o caminho profissionalmente cuidado, e ainda que não exatamente feliz, ela supôs que havia maneiras piores de passar um claro dia de verão.

Mas quando alcançaram o décimo quinto buraco o coração dela afundou. Embora fosse uma paridade três razoavelmente curta, o gramado estava quase completamente cercado pela água e ela poderia apenas visualizar que sua bola iria dar um mergulho.

Ela observou com inveja enquanto a bola de Grissom atingiu o gramado e parou. Determinada a fazer o mesmo apesar das probabilidades contra ela, ela tirou o 'driver' de sua bolsa- o taco mais longo -e marchou até sua área do 'T'.

"Hã… Sara…"

Ela parou e olhou-o. "Sim?"

"Você deve jogar isso curto se você não quer perder sua bola na água."

Ela olhou para o gramado, e então para a marca da metragem. "noventa e cinco metros a partir deste 'T'. Eu posso bater àquela distância com o 'driver'."

"Sim, mas em terra seca. Sua bola rola àquela distância, Sara."

Ela deu de ombros. "É, bem desta vez será diferente." Ela estava cansada e determinada a fazer pelo menos um bom lançamento antes do fim deste jogo estúpido. Este era um buraco curto (era próximo de alcançar) e ela finalmente tinha uma possibilidade de pôr a bola no gramado de acordo com as regras. Ela recusou-se a deixar a água ou Grissom intimidarem-na, de qualquer forma.

"Sara…"

Ela ouviu uma sugestão de exasperação no tom de voz dele e sorriu. "O quê? Você pensa que eu não posso isso?"

"A evidência sugere… que não."

"Eu apostarei com você que eu posso."

"Sara, eu não vou tomar seu dinheiro." Ele foi e pôs o taco de ferro que tinha usado de volta na bolsa dele.

Ela riu. "Aqui entre nós, você não vai." Quando ele virou-se para ela, ela deu-lhe um olhar brincalhão. "Quem disse qualquer coisa sobre dinheiro? Eu tinha algo, hã, muito mais interessante em mente."

"Oh?"

Ela tomou uma respiração e deixou-a sair. "Um beijo," ela disse rapidamente antes que perdesse sua coragem.

Os olhos dele se arregalaram surpresos, e então os lábios dele se retorceram em um suave aborrecimento. "Eu não vou beijar você."

"Bem," Sara falou vagarosamente de forma provocante, "de acordo com você, não, você não vai."

"Você tem um argumento," ele provocou de volta. Ele cruzou seus braços e inclinou-se contra o carrinho do clube. Seus olhos estavam cheios de divertimento. "Certo… Senhorita Sidle, mostre-me o que você pode fazer."

"E então você vai me mostrar o que você pode fazer?"ela perguntou de modo insolente.

Ele não parecia preocupado de modo algum. "Lance a bola."

Ele não pensa que eu posso fazer isto. Ela olhou para a pequena mancha de verde cercada pela água, e duvidou também. Ela teria que ter bastante força e erguer a bola para lançá-la à distância inteira até o gramado. Ela não havia controlado aquilo em quatorze buracos.

Mas um beijo. De Grissom. Ela não sabia de nenhuma motivação melhor.

Ela expulsou toda a negatividade de seu cérebro e persuadiu seus músculos a relaxar. Ela precisava da fluidez dos movimentos neste lançamento se tinha uma esperança no inferno de fazê-lo. Ela ajeitou a bola e verificou sua postura. Então após repetir, quase como um canto em sua cabeça, cada instrução que ele havia lhe dado, ela clareou sua cabeça e esqueceu tudo exceto a bola.

E ela soube, no minuto em que a ponta do taco atingiu a bola, soube que este era diferente. Tinha sentido e soado diferente. Como uma faca que corta através da manteiga macia. E ela observou com excitação quando sua bola seguiu no ar em um trajeto direto ao gramado.

"Vai… vai," ela murmurou baixinho. E então, "vai, neném," ela disse um pouco mais alto enquanto a bola começou a perder velocidade e altura sobre a água. Seu coração afundou quando percebeu que não chegaria ao outro lado.

Desapareceu por um segundo e Sara esperou pelo respingo com uma maldição de jogadora em seus lábios, mas isso não ocorreu, e ela observou em descrença chocada quando a bola bateu na parede de pedra que cercava a lagoa, empurrou-a em linha reta no ar e a bola veio parar no gramado, muito próxima ao pino.

Isso exigiu de Sara um momento para reagir, mas quando ela o fez foi para deixar sair um 'é' encantado. "Você viu aquilo?" ela perguntou a Grissom que estava encarando-a com um sorriso forçadamente largo em sua face e uma luz estranha nos olhos.

"Eu vi. Muito bem."

Ela pulou no carrinho ao lado dele, sua excitação palpável. "Minha primeira oportunidade de 'birdie' (o jogador acerta a bola no buraco com uma tacada a menos que a média para aquele buraco). Você pode acreditar nisso?"

Ele riu suavemente e começou a se dirigir para o gramado. "É bom, não é? Os jogadores de golfe vivem para esse lançamento perfeito… ou golpe de sorte, e quando acontece, toda sua frustração anterior evapora. É o que os faz voltar."

'Putters' (tipo de taco) na mão, ele deram uma volta no gramado e Sara foi inspecionar sua posição. Sua bola havia parado a não mais que trinta centímetros do 'copo'. Ela marcou-a. Era surpreendente realmente quão próximo ela havia chegado de acertar um buraco com um lançamento. Ela compartilhou esse pensamento com Grissom.

Ele agachou-se ao lado dela para consertar a baixa que a bola dela havia feito na superfície delicada da grama. Ele lançou-lhe um olhar divertido. "Agora, você está sendo ávida."

"É… bem, não há nada de errado com querer mais, há?" Depois de um momento ela disse, "Falando nisso, você não me deve algo?" Em sua excitação, ela havia esquecido tudo sobre a aposta deles.

Ele não disse coisa alguma. Pôs-se de pé e foi até sua bola, que tinha aterrissado no final do gramado. Agachou-se outra vez e examinou sua marca, e então se aprontou para seu 'Putt' (tacada leve e bem sutil). Sara removeu a bandeira.

Em quatorze buracos de jogo, Grissom havia mostrado que era certamente um bom jogador de golfe, mas ele primou pelo jogo curto. Ela não esperou que ele perdesse esta tacada fácil, e quando ele errou- longe- ela mordeu o lábio para não rir. Algo havia obviamente interferido com a concentração dele e ela estaria disposta a apostar mais do que um beijo que sabia o que era.

Os olhos deles se encontraram e prenderam-se por um momento, e observando o divertimento nos dela, ele deu-lhe um brilho trocista. "Putt," ele disse simplesmente e ela engoliu o riso que subiu em sua garganta.

Na mesma hora, ela teve um pressentimento no gramado e soube que poderia dar apenas um pequeno impulso na bola para fazer seu 'birdie'. E ela quis aquilo seriamente. Ela respirou fundo para se acalmar e visualizou a bola rolando suavemente até o copo. Alguns segundos mais tarde, ouviu o som abafado e delicioso quando sua bola se afundou no copo plástico. Suas entranhas estavam dançando.

Grissom atingiu o buraco com duas tacadas, e quando eles tomaram o curto caminho através da ponte de madeira de volta ao carro, Sara olhou-o e sorriu. "Você sabe, não somente eu fiz um 'birdie' neste buraco, mas eu também o ganhei."

"Sempre a competidora, hein?"

Ela deu de ombros. "Eu acho. Mas lembre-me não apostar outra vez uma vez que você não paga à vista."

O beijo rápido, firme que aterrou em sua boca então, aconteceu tão veloz que ela poderia tê-lo imaginado. Ele nem mesmo diminuiu o passo. Mas emudeceu-a.

"Feliz agora?" ele perguntou, e ela riu.

Sara não fez nenhum outro lançamento miraculoso após aquele. Mas o décimo quinto buraco havia lhe dado um nível de confiança com o jogo que a ajudou a relaxar seu balanço. Ainda assim, ela fez uma careta quando Grissom registrou a contagem e lhe disse que ela fizera 132 contra os 89 dele.

Ela estava cansada e dolorida e feliz. Eles haviam falado, principalmente sobre o jogo, e se provocado e rido juntos, e Sara sentiu que tinha descoberto um lado inteiramente novo de Grissom que ela apenas suspeitou que existisse. No fim do jogo ela sentiu-se mais relaxada na presença dele do que jamais estivera. Mas mais que isso, ela foi lembrada de quanto ela realmente se importava com aquele homem. Por mais frustrante que o jogo tivesse sido, aquelas poucas horas na companhia dele haviam sido excitantes para dizer o mínimo, e ela fervorosamente esperou que ele pudesse incluí-la no resto das férias dele.

Palm Grove Golf and Country Club, Las Vegas

O carro saiu do trajeto pavimentado e veio parar com um freio perto da fita amarela da polícia. Sara ignorou os olhares que Warrick e Nick lançaram para ela assim que pisaram fora, kits de campo na mão, e juntou-se a Grissom que havia observado a aproximação deles.

Ele brevemente instruiu-os sobre o que eles tinham até agora. "Eu quero passar um pente fino em toda esta área," ele disse. "Parece que o corpo dela foi jogado nos arbustos, mas aquele não é o lugar onde ela foi morta."

"Brass disse que ela foi espancada até a morte," Nick disse.

"Sim. Julgando pelos cortes e equimoses na face e na cabeça dela, foi batida com um objeto duro, não cortante."

"Taco de golfe?" Warrick perguntou.

"Talvez. Nós saberemos mais após a autópsia."

Os quatro criminalistas observaram em silêncio enquanto o corpo era carregado até o rabecão - o único veiculo que tinha sido permitido fora do caminho- com Catherine na parte de trás.

"Catherine irá voltar com o corpo. Vamos trabalhar." Grissom começou a se afastar, e então parou. "Oh, e rapazes," disse, girando para Nick e Warrick, "estou contente de vê-los inteiros." Ele lançou para Sara um relance divertido e abaixou-se sob a fita amarela.