Chapter Four

Las Vegas

Com um grunhido de frustração, Sara socou seu travesseiro pela décima vez, deslizou seu braço sob ele, e derrubou sua cabeça na embalagem macia de algodão. Isso estava se transformando em uma rotina muito cansativa, ela pensou, fazendo caretas diante do trocadilho ruim.

Ela não conseguia dormir. Outra vez. Ela quis acreditar que dormir à noite durante suas férias tinha desregulado seu relógio interno mas ela sabia que aquele não era o problema. O verdadeiro problema dela estava no trabalho e na fotografia em sua mesa de cabeceira... sua única evidência concreta que por um momento, ela havia sido verdadeiramente feliz.

"Você estava certo", ela sussurrou para a foto emoldurada de Grissom e dela, com a bela Emerald Bay (Baía Esmeralda) ao fundo. Os braços dele estavam em torno dela, pressionando as costas dela ao encontro dele, e os olhos dele mais estavam focados no rosto dela que na lente da câmera, algo que ela não tinha meio de saber naquele tempo.

Ela recordou o dia que o retrato foi tirado; mais tarde naquela noite ele havia lhe advertido sobre os perigos de estar envolvido com alguém que você vê todo dia no trabalho. Ele havia lhe perguntado se ela seria capaz de lidar com aquilo quando fosse o tempo de seguir adiante. E ela havia prometido a ele que ela seria.

Mas em momentos como esses, quando seu corpo estava clamando por descanso e o cérebro dela não estava cooperando, ela desejou tê-lo escutado e resistido à tentação. Mas na maioria das vezes, a despeito da dor constante em seu coração, ela não podia lamentar um minuto do tempo que eles haviam passado juntos.

Agora, entretanto, algo tinha que ceder ou essa insônia ia deixá-la louca.

Sara balançou seus pés ao lado da cama e sentou-se. Ela pegou a fotografia e enfiou-a na gaveta da mesa de cabeceira. Talvez se ela não tivesse esse lembrete constante dele no quarto de dormir dela, ela poderia começar a expulsá-lo de sua mente.

Ela pegou o travesseiro outra vez, deu-lhe um bom par de pancadas com seu punho para afofá-lo, e jogou-o de volta no colchão Ela estava prestes a se juntar ao travesseiro quando seus olhos desviaram-se para a gaveta. Isso não se fazia. Ela resgatou a fotografia da gaveta e colocou-a de volta em seu lugar perto da cama dela.

"Boa noite, Grissom," ela sussurrou. "Onde quer que você esteja."

Ela caiu para trás no colchão e fitou o teto. Um longo suspiro mais tarde, depois de decidir que amanhã ela tinha que pegar alguns comprimidos para dormir, a mente dela vagou de volta até o Lago Tahoe.

Zephyr Cove, Lake Tahoe

Sara observou a angra do Zephyr ficando menor enquanto o Dixie II se afastava da marina para seu cruzeiro diário ao pôr-do-sol de três horas e meia no Lago Tahoe. O sol descia no céu do oeste, mas ainda não no ponto do horizonte que faria parecer que as nuvens dispersas estavam em chamas.

Foram as belas fotos cênicas do pôr-do-sol sobre o lago no panfleto de propaganda do Dixie que haviam-na arrastado ao cruzeiro vespertino. Mas quando ela retornou de exame das pás da roda (do barco) para o convés superior e olhou para seus companheiros casais de passageiros em sua maioria, alguns em grupos de quatro, jovens e não tão jovens, e todos bem vestidos- ela começou a questionar o bom-senso de não ter ficado para o cruzeiro vespertino. Logo eles estariam entrando para o jantar-dançante e ela já não poderia se esconder na multidão.

Sara inquietou-se na grade diante na roda do barco. Havia um ar de festividade a bordo, e algo mais que ela não soube descrever completamente, apenas que aquilo a fêz sentir como a única na festa sem um acompanhante.

O cruzeiro ao pôr do sol não tinha sido uma boa idéia.

"Senhora, você se importa de tirar nosso retrato?"

Sara virou-se para a jovem mulher asiática com decididamente um sotaque americano -da Nova Inglaterra - e forçou um sorriso. "De modo nenhum," disse, ignorando a pontada minúscula de irritação em seu status de 'madame'. Ela recebeu a câmara digital e trocou de lugares a grade com jovem casal. Por suas brilhantes alianças de casamento, deduziu que eram recém-casados. Após encontrá-los e centralizá-los no visor, ela murmurou, "digam X," e tirou o retrato.

"Obrigado," a mulher disse quando Sara devolveu a câmera.

Ela observou o jovem casal se afastando, de mãos dadas, em direção às escadas que conduziam ao convés coberto. A multidão tinha começado já a dispersar-se e, de repente, o pensamento de comer sozinha em uma sala cheia de casais encheu-a de temor.

Os bancos que se sucediam ao lado da cabine do piloto estavam começando parecer convidativos. A maioria deles estava livre agora que os passageiros tinham começado fazer seu caminho para os conveses inferiores para jantar. Ela poderia pular a refeição-e a dança- ela pensou, sentar-se por aqui, admirar o cenário, que era a principal razão para que estivesse neste cruzeiro de qualquer modo, e evitar o desconforto do jantar sozinha.

Ela deu um passo para a cabine do piloto, e deu uma parada abrupta enquanto a retirada da multidão revelava Grissom, de pé ao final da roda do veículo, inclinando-se ocasional contra a grade, seus olhos nela.

Seu coração deu um pulo.

Ela observou enquanto ele dava de ombros, ofereceu um sorriso de desculpas, e então ela virou-se para longe, balançando sua cabeça.

Ela havia se controlado para não encontrá-lo durante todo o dia, o que havia sido fácil, uma vez que ela passou a maior parte do dia em sua cabana tentando recuperar-se de uma severa falta de sono. Sua frustração a respeito da inabilidade dele para explorar o que havia entre eles tinha sido em parte responsável por uma noite sem descanso, mas somente em parte. O beijo dele... Oh, Deus! O beijo dele... cada minucioso detalhe de como ele havia olhado, sentido, provado, havia repassado em sua mente durante as primeiras horas da manhã, deixando-a esgotada e terrivelmente excitada.

Enquanto as palavras dele haviam sido como uma campainha de advertência no cérebro dela, alertando-a para manter uma distância segura, a lembrança do beijo dele tinha o efeito oposto, tentando-a a jogar a precaução para longe, pegar e provar o que ele era capaz de oferecer, enquanto ela poderia.

Pela manhã, seu cérebro havia ganhado a batalha.

Mas quando ela levantou seus olhos outra vez, esperando que ela estivesse longe o suficiente dele para que ele não detectasse o anseio que ela estava certa que estaria neles, seu corpo e seu coração discordaram.

Ela o queria, isso estava claro, mas a pergunta permaneceu... ela poderia arriscar seu coração por alguns dias de prazeres carnais? Até agora, seus sentimentos eram controláveis, mas se ela se permitisse estar tão perto dele, eles ainda seriam (controláveis)? Na luz fria do dia, quando ele não estava lá, com a verdadeira proximidade dele estimulando-a, o senso-comum dela dominava seus impulsos mais primitivos.

Mas o sol estava se pondo; eles estavam em um barco pelas próximas três horas; sem rotas de fuga, mesmo se ela quisesse uma, e ele parecia absolutamente lindo e muito 'Ivy League'* . Em suas calças esportivas, camiseta pólo, e blazer de dois botões.

* Ivy League: são as nove melhores faculdades particulares do Nordeste dos EUA (Sara estudou numa delas). O sentido da expressão na frase é alguém acima da média, superior por excelência, um perfeito modelo masculino, aquele cara que sua mãe escolheria como genro perfeito (bonito, inteligente e bem-sucedido profissionalmente).

Seus olhos encontraram-se e prenderam-se, e Sara respirou fundo para se controlar. Seus sentimentos por ele assustaram-na, contudo excitaram-na ao mesmo tempo. Foi a emoção que lançou todo o senso comum ao mar e a fez dar o próximo passo na direção dele.

"Nada é mesmo simples com você," ela disse numa acusação zombeteira quando o alcançou, seu tom amaciado por um sorriso.

Os lábios dele se torceram. "Se você quer dizer permanecer longe de você, então parece que sim."

Sara olhou para ele, observou as sombras sob seus olhos, e imaginou saber se o sono tinha sido difícil de vir para ele também.

Os olhos dele vagaram ao longo de toda a altura dela, percebendo as calças justas e elegantes que ela havia comprado na boutique do alojamento quando percebeu que não tinha nada apropriado para vestir no cruzeiro ao pôr do sol.

Ele lançou-lhe um sorriso rápido, nervoso. "Você parece… muito bem."

"Obrigada."

"Então, o que traz você a este cruzeiro com jantar-dançante?" Na respiração seguinte, ele franziu a testa como se algo tivesse lhe ocorrido naquele instante. "Você está...com alguém?"

Ela franziu os lábios e o olhou-o zombeteira. "Por alguém eu, hã, devo supor que você quer dizer Jake?" Uma sobrancelha levantada confirmou que aquilo era exatamente o que ele estava querendo dizer. Sara agarrou a grade com ambas as mãos e olhos dentro das austeras águas azuis abaixo. Ela balançou sua cabeça, sorriu. "Não,'" ela disse devagar e suavemente. "Eu quis experimentar isso ao pôr do sol." Ela olhou para ele. "Mas eu não esperei que o cruzeiro fosse tão... tão..." Ela procurou pela palavra certa.

"Romântico?" ele sugeriu suavemente, seus lábios subiram em um meio-sorriso encantador.

"Sim." Sara sentiu o calor de um rubor subindo em sua face e ela não pôde sustentar o olhar dele. Seu estômago apertou-se. Droga, o que tem esse homem que me vira do avesso com um simples sorriso? Depois de um instante de silêncio, ela engoliu e respirou fundo, forçando seus pensamentos em outra direção. "Este lago é lindo," ela disse. "Eles têm fotos de Emerald Bay no panfleto. Eu não posso esperar para ver."

A baía esmeralda estava há nove milhas longe de Zephyr Cove, na fronteira do Lake Tahoe com a Califórnia. Era onde ficava Vikingsholm Castle e Eagle Falls, e embora o barco não parasse lá, a vista do barco, como ela havia dito, era de tirar o fôlego.

Quando ele não disse coisa alguma, ela arriscou um relance e foi pega pelos olhos dele. Depois de instante, ele olhou para longe e inclinou-se para frente, apoiando seus antebraços na grade, e cruzou os dedos diante dele.

"Você vai entrar para jantar?" ele perguntou suavemente.

Sara olhou ao redor. Eles eram praticamente os únicos que ainda estavam no convés. "Eu estava pensando em pular o jantar, na verdade."

Grissom endireitou-se e encarou-a. "Por quê?"

Ela encolheu um ombro. Ela não estava disposta a dizer-lhe o motivo real. "Sem fome, eu suponho."

Ele assentiu, mas ela percebeu que ele estava olhando através dela. "Bem, eu estou, e com o risco de aborrecê-la novamente, eu apreciaria sua companhia."

Ela inclinou sua cabeça caçoando. "Desconcerta comer sozinho neste… neste barco do amor, huh?"

O sorriso que ele deu a ela era tão doce, tão cheio de humor e de intimidade, que ela precisou todas as forças para não pressionar os lábios nele.

"Vamos?"

Quando ele colocou sua mão na curva de suas costas, uma revoada de borboletas invadiu o estômago dela, tornando uma mentira sua profecia de não estar com fome.

TODOS OS PENSAMENTOS sobre sua pequena mentira fugiram, entretanto, no minuto em que o garçom explicou as escolhas das entradas para aquela noite. A boca de Sara encheu-se d'água. Ela pediu o vichyssoise (uma sopa-creme de batatas, com cebolas e alho-porró, servida fria), a salada de palmito e o tortellini Alfredo.

"Eu vou querer o mesmo, exceto que com o salmão, e uma garrafa de Robert Mondavi Pinot Noir," Grissom disse. Quando o garçom saiu, ele olhou para Sara, um sorriso zombeteiro em seus lábios.

"O quê?"

"Eu pensei que você não estava com fome," ele provocou, enquanto colocava seu guardanapo no colo.

Sara encolheu um ombro e sorriu modestamente. Felizmente foi salva de ter que explicar-se quando o sommelier chegou com a garrafa deles. Depois dele ter servido uma taça a cada um, Grissom levantou a dele em direção a ela em um brinde silencioso.

O segundo piso do convés era completamente fechado com vidraças o que dava aos passageiros um vista de 360 graus do lago. Cortinas em um borgonha profundo, semelhantes a estolas, pendiam de cada janela, dando à sala um ar régio. A música havia começado e alguns casais já estavam dançando a seleção musical dos DJs de quatro décadas precedentes.

Era, como Sara havia suspeitado, muito elegante, muito jovial, e muito romântico. E, compartilhar isso com Grissom era muito surreal.

Ela finalmente pôs seu olhar ao seu companheiro de jantar. "Eu estou contente você esteja aqui," ela disse sinceramente. "Isto…" ela ilustrou com uma varredura larga de sua mão, "teria sido um pouco embaraçoso de outra maneira."

"É por isso que você queria pular o jantar?" ele perguntou, mas não havia surpresa alguma em seu tom de voz.

Qual a vantagem em negar aquilo? Ele já havia chegado à conclusão certa, "Sim." Ela pegou um pãozinho da cesta de pães, abriu-o, e espalhou manteiga nele. "Então, por que você escolheu isto?"

Os olhos dele sorriram para os dela. "Chame isso… de uma feliz coincidência."

A maneira como ele disse aquilo fez Sara imaginar se ele estava contando a verdade. A lista de atividades no resort era limitada mas, ainda assim, quais as probabilidades de ambos escolherem o mesmo cruzeiro no mesmo dia? Por outro lado, como ele poderia saber que ela estaria ali?

"Eu supunho que você não está mais com raiva de mim," ele continuou, enquanto Sara mordia seu pão.

Ela engoliu e tomou um gole de vinho. "Eu não estava realmente com raiva, apenas…". Ela franziu a testa. "Frustrada, eu acho, " ela finalmente disse. Se ele queria mencionar os 'problemas' deles novamente, ela estava mais que disposta a obsequiá-lo. Havia tanto ainda que ela precisava entender sobre ele… sobre a relutância dele para levar o relacionamento deles a um outro nível. "Seu comportamento é… confuso."

Grissom lançou os olhos à sua taça de vinho, que ele estava segurando entre o polegar e o indicador, e lentamente girou-a na toalha branca da mesa. "Eu sinto muito. Não era minha intenção."

"Bem eu estou aqui por mais cinco dias, e já que a coincidência continua a nos manter juntos, você terá muito tempo para me explicar isso.

Ele olhou para ela. "Não é tudo coincidência. Eu acredito que Catherine deu uma mão nisso."

"É… Eu queria saber o que ela estava pensando. Quero dizer, o que no mundo daria a ela a impressão que nós estaríamos felizes com isso? Ela vai querer saber todos os detalhes.

"Sara," Grissom interrompeu, "eu penso que o melhor plano de ação é não dizer nada."

"Mais fácil dizer que fazer. É Catherine. Ela vai fazer perguntas."

"E daí? Não significa que nós temos que respondê-las."

"E o quê? Deixá-la acreditar no que ela quiser?"

"Eu estava pensando mais no sentido de deixá-la acreditar que seus esforços de Cupido falharam."

Sara sorriu docemente, o tipo do sorriso que embalava um golpe de sarcasmo. "Você quer dizer contar a verdade."

Os lábios dele se torceram em um sorriso tímido. "Eu quero dizer," ele falou vagarosamente, "deixá-la acreditar que nós não vimos um ao outro."

"Hum." Sara dirigiu seu olhar para a janela. O sol havia começado a colorir o céu com uma suave paleta pastel de cor-de-rosa e ouro. Dentro, as luzes do teto foram diminuídas, as velas em cada mesa completando o esquema de suave iluminação. A gentil música de um dia encerrado contribuiu para a atmosfera romanticamente carregada do segundo convés. E sentado transversalmente a ela, os olhos dele às vezes provocando, em outras introspectivo, e agora penetrante, estava o homem que ela seguiria aos confins da terra se ele tão somente sugerisse isso.

Mas o que ele estava sugerindo era que eles fingissem que nada disso estava acontecendo. Isso pararia em Catherine? Embora ela concordasse com a idéia dele, ele iria querer que ela esquecesse para sempre que eles haviam se encontrado também?

O garçom chegou com a sopa deles, então suas saladas e finalmente o prato principal. Eles comeram em relativo silêncio, quebrado apenas para comentar sobre a qualidade da comida, a vista, ou a música. Conversa despretensiosa, forçada, e cheia de tensão. Ele cuidadosamente evitou explicar seu comportamento, e ela não teve coragem de levantar o assunto novamente.

Antes que terminassem sua refeição, a posição do sol tocou no topo das montanhas, pintando o céu em um profundo vermelho-alaranjado com toques de ouro, exatamente tão bonito quanto Sara havia esperado. E quando o DJ anunciou a chegada deles em Emerald Bay, Grissom levantou uma sobrancelha de interrogação.

"Você quer voltar para cima e dar uma olhada?"

"Claro."

Grissom deixou uma generosa gorjeta na mesa-o jantar deles no cruzeiro fora pago adiantado-e juntos escalaram as escadas ao convés superior.

O barco a roda estava contornando Fannette Island, a única ilha no lago, ela relembrou do folheto. Embora a maioria da luz do dia tivesse ido, Sara podia ainda ver a matiz verde distinta da água que tinha dado a Emerald Bay seu nome.

"É lindo," ela sussurrou como se dizer mais alto pudesse quebrar a beleza quieta que os cercava. "Eu queria ter minha câmera."

"Você gostaria que eu tirasse um retrato para a senhora?"

A cabeça de Sara chicoteou para o lado à voz familiar da jovem asiática que ela havia encontrado mais cedo. Tão propositalmente ela havia estado concentrado na vista não tinha percebido o jovem casal chegar até a grade parando perto dela.

Ela sorriu calorosamente e sacudiu sua cabeça. "Está tudo bem. Obrigada de qualquer forma. Hã… você gostaria que eu tirasse outro retrato de você e seu marido?"

A mulher hesitou apenas brevemente. "Bom… se você não se importar."

"De modo nenhum." Ela pegou a câmera deles e bateu o retrato.

"Obrigada." Quando Sara devolveu a câmera, o olhar da mulher deslizou para Grissom por um instante. "Você tem certeza que não gostaria que eu tirasse um retrato seu e de seu marido? Eu poderia enviar para você por e-mail"

"Hã…" Sara lançou a Grissom uma olhadela desconfortável, e então franziu a testa quando viu o olhar de divertimento na cara dele. "Nós não somos "

"Eu acho que esta é uma idéia fabulosa," ele cortou rapidamente, movendo-se para mais perto dela. Ele envolveu seus braços em torno dela, e puxou-a contra ele. "Que gentileza sua oferecer, você não acha, docinho?"

Sara permaneceu atônita no círculo dos braços dele. Depois que todos estes anos de trabalho próxima a ele, de ter testemunhado sua sagacidade prática, de ter sido a receptora das ambigüidades dele, ele ainda era capaz de surpreendê-la.

"Sorria," ele provocou contra a orelha dela, o grave murmúrio dele e a respiração morna emitindo uma onda de calor através das veias dela.

Os lábios dela subiram instintivamente, mas o respirar já não continuava instintivo.

Depois que o flash se apagou, Grissom afrouxou sua preensão e soltou-a lentamente. O ar noturno pareceu mais frio na pele dela agora que tinha perdido o calor do corpo dele. Ela tiritou involuntariamente e friccionou as mãos vivamente contra seus braços.

"Aqui," a mulher disse enquanto ofereceu a Sara o caderno pequeno e uma caneta que havia pescado para fora de sua bolsa.

Sara rabiscou seu e-mail e sorriu para ela em agradecimento. Ela observou a sua fotógrafa amadora e a seu marido se afastarem antes de voltar-se para Grissom. O comportamento incompatível dele estava começando a irritá-la.

"Grissom…" Ela levantou os olhos para os dele, encontrou a intensidade neles, e de repente não soube abordar o assunto. Ela soltou um suspiro frustrado, e olhou para longe.

"Eu deveria me desculpar outra vez?"

"Não," ela disse rapidamente, rápido demais. Ela engoliu pesadamente e enfrentou-o. "O que eu quero é uma explicação, não uma desculpa. Você disse noite passada que você tomou uma decisão sobre mim, hã, nós… que não deveria acontecer. E então você… você…" Ela sacudiu a cabeça, irritada porque ainda não podia colocar em palavras o que ele havia feito com ela.

Ele falou suavemente. "Eu… o quê, Sara? Encontro qualquer desculpa para estar perto de você? Para tocar em você?"

Para me seduzir! Ambos sabiam que era exatamente o que ele estava fazendo. Mesmo agora, a gentileza na voz dele era como uma carícia aos ouvidos dela, também com intenção de seduzir, ela estava certa disso. A pergunta era por quê?

Ela acenou. "Porque você faz aquilo?"

Ela esperou pacientemente sem interromper o silêncio dele, o pulso dela ressoando em seus ouvidos. Ele pareceu estar procurando por palavras, e não fazendo um bom trabalho para encontrá-las. Então, ela observou enquanto ele afastou-se dela e descansou seus antebraços na grade, os dedos entrelaçados à frente dele. Seus polegares moveram-se agitados, como se o rumo de sua conversação o deixasse nervoso.

Ela esperou.

"Sara…" ele finalmente disse , o nome dela travando em sua garganta. Ele soltou um longo suspiro. "Só porque estar envolvido com você não é possível, não significa que eu não penso sobre isso, que eu não fantasie sobre como seria -- "

Ele interrompeu-se e virou sua cabeça para longe dela, mesmo que ele ainda não tivesse olhado diretamente para ela. Ela olhou fixamente a parte de trás da cabeça dele e soltou uma respiração que ela não estava ciente, até então, que estava prendendo.

Por que era tão difícil para ele dizer a ela como se sentia? Ele vinham falando em círculos desde que ambos se tornaram cientes desta atração entre eles. Mas ela tinha que admitir, o lado emocional que ele escondia tão cuidadosamente lhe emprestava um ar de mistério que era parte de seu charme. Mesmo agora, quando ela queria tanto que ele se abrisse, ela estava igualmente encantada e frustrada por ele estar lutando com isso.

Mas ele teria que falar com ela eventualmente, e eles já haviam ido longe demais esta noite para permitir que ele recuasse para trás de seus muros.

"O que seria como o quê, Grissom?" ela sondou delicadamente. Quando sua pergunta encontrou silêncio, Sara persistiu. "Diga-me por favor o que você está pensando."

Ela ouviu a risada macia dele, e ele endireitou um pouco, de modo que ela pudesse pelo menos ver seu rosto de lado.

"Há pelo menos uma dúzia de regras que fazem o que eu estou pensando impróprio… anti-ético. Eu não estou certo se você quer ouvir isso, Sara."

"O que eu quero de você é que pare de falar por enigmas," ela disse, um leve limite em sua voz. "E que você deixe-me decidir o que eu quero ou não quero ouvir."

Grissom pôs-se de pé em toda altura e finalmente encarou-a. Havia uma luz estranha em seus olhos, seu significado perdido totalmente nela. Ele inclinou-se contra a grade, enfiou suas mãos nos bolsos, e deixou sair uma respiração áspera. "Certo. Eu estava pensando sobre quanto eu quero fazer amor com você."

O qu-

O coração dela balançou e martelou contra as costelas, cortando o abastecimento de oxigênio para seus pulmões. Isto era sem dúvida a última coisa que ela havia esperado que ele dissesse. Levou um momento para que o choque diminuísse, e para que Sara recuperasse a respiração. Mas cada nervo seu formigava com excitação. Ela sentiu as palavras dele, sentiu-as em seu coração, na boca de seu estômago, em seu verdadeiro âmago.

Os olhos dele, quase desafiantes agora, nunca deixaram os dela, e ela viu um músculo saltar em sua face. Sara engoliu através da tensão em sua garganta e controlou um fraco, "Oh."

"Isso é que algo que você quer ouvir?" A pergunta dele desafiou-a, desafiou-a a provar que ele estava errado. Mas, ao mesmo tempo, estava dizendo-lhe, `Veja, você deveria ter me escutado e ficado bem melhor sozinha'.

Contudo Sara não podia evitar exceto ver isto como uma etapa adiante para eles. Com essa única indicação, uma linha havia sido mais que definitivamente cruzada, e nenhum deles poderia nunca descruzá-la. Não que ela quisesse de outra maneira. Eles finalmente tinham algo concreto para lidar. E ela estava mais do que pronta para lidar com aquilo.

Ela levantou seu rosto para ele e olhou-o diretamente nos olhos. "O que está impedindo você?" ela perguntou, sem fôlego um pouco demais para seu gosto, mas ela não poderia controlar a resposta de seu corpo à confissão de luxúria dele, se não de amor.

Ela viu a ligeira contração muscular no canto da boca dele e a ardente escuridão de seu olhar, e percebeu que ela apenas havia dito que tudo ele precisava fazer era pedir. Mas apenas tão rapidamente um assombrado olhar penetrou nos olhos dele, apagando todas as outras emoções.

O suspiro ensurdecedor dele falou de frustração e resignação. Ele afastou-se dela outra vez, retomando sua postura anterior na grade, escondendo mais uma vez dela, e lembrando-a que embora eles tivessem jogado uma rodada, revelado algumas cartas, o jogo estava longe de terminar.

O convés estava quase deserto, os outros passageiros tendo retornado ao andar abaixo assim que a escuridão caiu. Sara imitou a posição de Grissom na grade e ambos olharam fixamente para a escuridão, deixando sua tensão cheia de silêncio envolvê-los.

A lua havia começado sua fase minguante para a próxima lua nova, mas ainda estava cheia o bastante iluminar o céu noturno e a ele, enfatizando o feixe de prata nas têmporas dele.

Após um instante, ele tomou a mão dela, gentilmente massageou cada junta delicada com seu polegar, e admirou os longos, magros dedos dela. "É tão fácil agora…" seus olhos se erguendo até o rosto dela por um momento e ele deu-lhe um sorriso rápido. "Tocar em você," ele esclareceu. "Esta é parte da fantasia; algo que eu não posso conceder ao voltar para Vegas. A linha está borrada aqui, não é?"

"Tem que haver uma linha?"

Olhou-a triste. "Está lá. É real. Não é uma escolha."

O coração dela doeu. "Você faz parecer tão… impossível."

"Sara…" O nome dela saiu afetuosamente dos lábios dele - ou pelo menos foi como ela ouviu. Ele estendeu uma mão hesitante e acariciou a face dela. "Isto é," ele disse suavemente, mas o coração dela ouviu apenas o pesar na voz dele, apenas viu a fome nos olhos dele, apenas sentiu a morna, vacilante respiração dele em sua face.

Ela estava se perdendo no momento, no luar, nas canções românticas que os alcançavam do segundo piso do convés, e nele. Os olhos dele eram penetrantes, profundamente procurando os dela, procurando por uma resposta que ela era incapaz de exprimir.

Sua respiração alcançou e se misturou com a dele. Os lábios dele estavam tão próximos, tão tentadores. Ela recusou-se a aceitar a opinião fatalista dele. Ela não estava pronta para conceder a derrota, não quando tudo nele que ela poderia ver transmitia uma paixão que de longe transcendia mera luxúria.

Ela deslizou furtivamente uma mão dentro da jaqueta dele e apoiou-a sobre seu peito. Ela sentiu o bater do coração dele contra a sua palma, e músculos dele juntando-se tensos. "Grissom…" Sua voz era não mais que um sussurro sem fôlego, o nome dele, um argumento não dito. Mas ele ouviu e respondeu a isso com tal desejo, que uma choradeira estrangulada escapou da garganta dela.

Os lábios dele eram mornos e macios contra os dela; gentis, ainda que firmes. A mão esquerda dela juntou-se à sua direita sobre o peito dele, e ele fechou os braços em torno dela, aquecendo-a por dentro e por fora.

Ao contrário da sexualidade crua que ele havia despejado em sua boca na noite anterior, não existia nada de erótico neste beijo. Os lábios dele se apossaram mais com ternura do que fome, despertaram o coração dela mais que sua libido. Este beijo falou mais de amor do que de luxúria.

Sua respiração prendeu-se em seus pulmões e emitiu um aviso gentil para seu cérebro. Você é mais esperta que isto, Sara. Por mais tentador que fosse fingir, ainda que somente por um momento, que ele a amava, que havia uma esperança para eles, não havia nada - nenhuma evidência - para sugerir que era verdade. De fato, toda a evidência apontava para outra direção. Ela sabia que ele se importava com ela da própria maneira dele, que ele era protetor – igualmente possessivo, às vezes. Mas ao contrário dela, que havia permitido uma benigna atração por um grande intelecto seguir descontrolada e se desenvolver em algo muito mais duradouro e perigoso, Grissom nunca seria imprudente bastante para deixar a si mesmo apaixonar-se por ela.

Levou um momento para Sara perceber que ele não estava mais beijando-a. Ela abriu seus olhos lentamente e vislumbrou algo no escurecido olhar dele que incitou-a rebobinar à fantasia e se perguntar, `ou ele poderia?' Mas, ele rapidamente piscou afastando a emoção, e com ela, a fantasia. `Claro que ele não poderia'.

"Você é tão bonita, tão…" O peito dele subiu e desceu pesadamente. "Você me tenta, Sara. Eu não posso negar isso." Ele soltou-a e afastou-se.

"Mas…" De qualquer forma fora dito, a respeito do relacionamento deles, ela suspeitou que sempre haveria um 'mas'.

"Mas… eu tenho quase cinqüenta e você é… jovem." Ele virou e estendeu seus braços ao longo da grade, medindo por palmos alguns pés dele entre cada aperto forte do trilho superior. "Não há nenhum futuro nisso."

"E sobre o presente, Grissom? Você nunca havia feito coisa alguma apenas pelo maldito… apenas porque você quis no momento?"

Sara não parou para pensar sobre o que ela estava sugerindo.

"Não quando existe tanto em jogo."

"Tais como?"

Ele lançou-lhe um olhar de lado e carranqueou, como se surpreso que ela tivesse que perguntar. "Minha carreira; a sua também para aquele assunto."

"Estão isto é sobre trabalho?"

"Não inteiramente."

"Eu achei que não," ela replicou sarcasticamente.

O olhar dele fixou-se de volta no dela, e a sua carranca tornou-se mais severa, mas naquele instante, o Dixie II apitou seu retorno à marina da Angra do Zephyr, pondo fim à conversa.

Sara ficou desapontada. Fazer Grissom falar sobre seus sentimentos era uma façanha por si só. Mas aquilo que ele parecia querer fazer era quase inconcebível. Eles seguiram os outros passageiros fora do barco em silêncio, a frustração dela aumentando a cada passo. O trabalho era um obstáculo ela entendeu. A diferença da idade deles não era. E aquilo estava na raiz de seus problemas com 'eles'. Ela estava certa disso.

Quando deixaram a prancha e Grissom sugeriu que tomassem o caminho da praia de volta a suas respectivas cabines, o humor dela melhorou um pouco. O passo dele era lento e casual, como se não estivesse com nenhuma pressa para terminar a noite. As mãos dele estavam enfiadas profundamente em seus bolsos, e ela respeitou os dois pés de distância que ele manteve entre eles.

Eles não falaram até que uma delicada rajada de vento levantou do lago e se misturou com as emoções turbulentas dela. Sara tiritou e cruzou os braços em torno de si mesma.

"Frio?"

Ela olhou para ele e deu de ombros. "Um pouco. Eu esqueci que é sempre mais frio próximo da água."

Ele removeu seu blazer e colocou-o em torno dos ombros dela. "Melhor?"

Ela agarrou as lapelas do blazer dele, envolveu-o firmemente em torno de seu corpo, e assentiu. O calor do corpo dele era continuava preso ali dentro e parecia como uma fornalha contra sua pele fria. "Por que os homens geram tanto calor corporal?"

Ele levantou uma sobrancelha. "Você quer a explicação científica?"

"Existe outra?"

Mãos de volta aos bolsos, os ombros dele subiram num dar de ombros. "Talvez nós fomos feitos desta maneira então nós podemos ser úteis… às mulheres."

Ele lançou-lhe um desajeitado e charmoso sorriso, ao qual Sara devolveu sinceramente.

Grissom deslizou sua mão pelo cabelo, desceu pela nuca, e até o queixo num gesto agitado. Observando-o, Sara imaginou o que aquela mesma mão pareceria se estivesse em sua pele nua. Acariciando-a. Descobrindo seus lugares secretos. Dando-lhe prazer.

O que diabos eu estou pensando?

Grissom coçou rapidamente sua barba na linha da mandíbula e exalou um suspiro longo, pesado. "Eu nunca estive aqui antes, Sara."

Ela baixou sua cabeça por um momento, concentrou-se em seus pés em sandálias e nas pequenas nuvens da areia que levantaram e picavam suas canelas a cada passo, enquanto ela processava o que ele estava dizendo. Ela sabia que ele não estava falando sobre o Lago Tahoe ou a Angra do Zephyr.

"Eu sei onde eu estou. Onde você está?"

Os olhos dele se prenderam aos dela por um momento, e então assumiram um olhar distante. Eles estavam se aproximando do bar da praia; a banda estava a todo vapor, a multidão densa. Sara localizou Jake e sua turma no bar e rezou que não perceberiam a ela e Grissom enquanto eles fizeram o caminho deles pelo perímetro até a trilha batida do estacionamento.

Enquanto eles passavam, ela fez um esforço planejado para não fazer contato visual com nenhum deles, o que não foi tão difícil uma vez que ela estava muito mais interessada no homem andando silenciosamente ao lado dela, e na pergunta sem resposta, suspensa entre eles. E quando pareceu que ele não responderia, Sara fez uma suposição. "Eu nunca estive aqui antes também, você sabe," ela disse suavemente.

"Você não esteve?"

A surpresa na voz dele a fez olhar para ele. Ela balançou sua cabeça e voltou sua atenção na luta com a ladeira. "Não."

"Peddigrew…"

Ela olhou-o outra vez. "Não."

"Oh. Eu pensei…" Ele balançou rapidamente a cabeça. "Bem, você ainda tem muito tempo. Você ainda é jovem."

"Certo, você continua dizendo isso. Você não tem exatamente um pé na cova, Grissom."

Ele sorriu de lado com aquilo. "Eu fiz outras escolhas para minha vida. Meu trabalho nunca deixou muito espaço para relacionamentos." Ele pegou o braço dela e ajudou-a a passar a beirada de pedra que limitava o estacionamento. "E eu tenho ficado… confortável, com isso."

Sara percebeu que ele não disse 'feliz'. Conforto, como contentamento, nunca fora um objetivo a que ela havia desejado. Soava demais como 'existir'. Ela quis ser agitada por vida, para viver isso. Ela olhou-o curiosa. "Isso é bastante? Quero dizer… o que você considera excitante?" Relembrando uma conversa similar que tinham tido há muito tempo, ela riu. "E não diga que você anda em montanhas-russas. Isso dificilmente se qualifica."

Os olhos dele sorriram dentro dos dela. "Montanhas-russas são meramente uma diversão. Sair uma noite com você… agora isso é excitante."

Ela soube melhor do que ler qualquer coisa na constatação encantadora dele, mas o coração dela deu uma guinada do mesmo jeito. "Ah… isso é onde nós somos diferentes," ela se recompôs, um sorriso em sua voz.

"Bem, obrigado Senhorita Sidle," ele disse meio brincalhão. "Eu não percebi que estava entediando você."

"Oh, não me entenda mal, eu gostei de sair com você essa noite. O que eu chamaria de excitante é passar a noite com você."

O passo dele hesitou e sua cabeça inclinou-se na direção dela.

Sara não podia olhar para ele, mas teve uma imagem mental de uma boca aberta em suspenso. Droga, ela quase não podia acreditar que havia dito aquilo. Isto era demasiado precipitado, mesmo para ela. Mas ela não ia ficar fingindo que passar a noite com ele não era exatamente o que ela queria. E embora ela normalmente preferisse que o cara fizesse aquele primeiro movimento, este era o século 21, ela não era puritana, e sabia que Grissom nunca teria sugerido aquilo, mesmo se quisesse a mesma coisa. Que ele queria, ela lembrou-se. Ele já havia admitido que queria fazer amor com ela. Havia lançado a semente… bem, ela havia tido pouco mais em sua mente por um par de dias, mas ouvir aquelas palavras dos lábios dele havia aguçado o desejo… feito aquilo mais real.

Ainda assim, ela estava grata pela escuridão que estava escondendo o furioso rubor que ela estava certa que coloria seu rosto. Alguns segundos mais tarde e o brilho da lâmpada na parede fora de sua porta descobriria sua capa de mulher-ultra-confiante. Por dentro, ela estava uma pilha de nervos -como deveria estar. Ela acabara de se oferecer a Grissom! Oh Deus!

Ao pé da escada dela ele encarou-a e inspirou profundamente. "Bem… você certamente não faz rodeios."

"Nós fizemos rodeios a noite toda, Grissom."

Ele assentiu abatido, reconhecendo a verdade na declaração dela, e então inclinou sua cabeça, estudou o rosto dela por um momento. "Sara…" ele exalou um suspiro pesado, "Eu não posso oferecer a você…" ele fez uma pausa e fechou os olhos, murmurou num sopro. "Droga, porque isso é tão difícil?" Quando ele abriu os olhos outra vez, as palavras derramaram de seus lábios. "Meu trabalho é minha vida, Sara… sempre foi. É quem eu sou. Isso me excita. Pode não soar como muito para maioria das pessoas, mas é tudo que eu sempre precisei." Surpreendendo-a, ele levantou uma mão morna para o rosto dela e envolveu a face dela delicadamente. "Você me faz questionar isso, e isso me preocupa."

Sara sacudiu a cabeça, confusa. "O que você está dizendo?"

Ele baixou a mão do rosto dela e moveu-se sobre o deque. Ele sentou-se no segundo degrau, e apoiou os cotovelos em seus joelhos. Ele esfregou suas mãos agitadamente. "Eu não quero precisar de qualquer outra coisa. Eu tenho a vida que eu quero. Sem complicações, ninguém a agradar exceto eu mesmo. Se nós nos ficarmos envolvidos, todo isso poderia mudar. Minha vida, minhas escolhas, seriam ditadas por um relacionamento que está condenado a falhar de qualquer maneira."

"Por que você diz isso? Você não pode saber isso."

Ele lançou-lhe um relance rápido. "Eu tenho quase cinqüenta anos de idade. O que acontece quando a novidade passa e você apenas percebe quão desinteressante uma cara velho realmente é?"

"Jesus, Grissom, ninguém pode prever o futuro, nem mesmo você."

"Talvez não. Mas eu entendo bastante sobre a natureza humana, e eu tenho visto bastante, para saber que as probabilidades não estão a meu favor."

Sara foi sentar-se ao lado dele. "O que aconteceu a, `É melhor ter amado e perdido, que nunca ter amado de fato?' '"

"Alfred Tennyson… 'Os prazeres do amor ainda são maiores do que a dor de perdê-los,' " ele citou de volta com um sorriso.

Ela imaginou de repente se ele havia sentido a dor da perda, se aquilo era por que ele havia escolhido devotar sua vida a seu trabalho. "Você já esteve apaixonado, Grissom?"

O olhar dele tornou-se distante. Imediatamente antes dele olhar para longe, Sara pensou vislumbrar uma nuvem de arrependimento passar sobre os olhos dele. "Eu pensei que eu estava, uma vez."

"O que aconteceu?"

Ele lançou-lhe um sorriso irônico, mantido para sussurrar sua resposta. A respiração dele era morna contra a sua orelha dela. "Eu perdi."

"Oh. Eu lamento. Assim você, hã, decidiu que era isso? Tornou-se o epítome do celibatário convicto?" Que desperdício, Sara pensou tristemente. "Ela deve ter sido muito especial."

"Ela é."

Um longo silêncio desceu entre eles. Sara ignorou a ferroada de inveja que veio com o conhecimento que uma outra mulher tivera sucesso em tocar o coração dele quando ela havia falhado.

Ela suspirou pesado, entristecida que aquilo não parecia como se 'eles' pudessem acontecer. Pelo menos ela tivera respostas, uma melhor compreensão dele, ela disse a si mesma, procurando por algo positivo saído de tudo isto. Infelizmente, as respostas dele fizeram pouco para aliviar a dor no coração dela. Continuando, ela colocou sua expressão de jogadora e inclinou-se para mais perto dele para dar-lhe um empurrão de brincadeira com seu ombro. "Então, eu acho que você não quer entrar para um café?"

A expressão dele estava pesada com arrependimento. "Eu quero, é por isso que eu devo sair." Ele pôs-se de pé.

Sara levantou-se do degrau, deslizou-se o paletó dele de seus ombros, e entregou-o a ele. "Obrigada."

Ele colocou o paletó sobre seu braço, a seguir tomou a mão dela na sua e deu-lhe um aperto delicado. Seus olhos prenderam-se ao dela por um momento. Sua voz soou fria. "Boa noite, Sara."

Deus, ela o quis, de uma maneira que ela nunca havia querido outro homem. Ela quis sentir os lábios dele em seu corpo, possuindo-a, murmurando doces bobagens em sua orelha, mesmo que somente desta vez. Quando ele virou-se para sair, arrependimento misturou com amargura na separação, e todo o pensamento racional deixou-a. Ela não pensou no amanhã, nas conseqüências de suas ações. A única coisa que importava era seu desejo intenso de conhecê-lo tão intimamente quanto um homem e uma mulher poderiam se conhecer.

Enquanto os dedos dele começaram a deslizar dos dela, ela agarrou a mão firmemente. "Grissom…" Ele virou-se e olhou para ela, seus olhos revelando as mesmas emoções turbulentas que enfureciam dentro dela. Isso foi tudo que ela precisou ir em frente. "Nós podemos sempre ter esta semana."

A respiração dela se alojou em sua garganta enquanto ela observou, primeiro surpresa, então descrença, então realização e aceitação cruzaram a face dele. E então algo mais que lhe disse que ele queria isso tanto quanto ela queria.

"Sara… esta semana seria tudo que isso pode jamais ser. Você está certo que você vai estar bem com isso?"

O coração dela começou a bater novamente. "Eu vou com Tennyson dessa vez."

Um fantasma de um sorriso engatou em um canto da boca dele. "Eu não gostaria de magoar você com isso."

"Grissom, eu já estou lidando com a dor da perda e eu nunca sequer experimentei os prazeres do amor."

"O que você está propondo é perigoso. Não é como se nós apenas pudéssemos dizer adeus aqui e esquecer que isso nunca aconteceu. Nós nos vemos quase todos os dias."

"Então… como isso é diferente dos dois últimos anos? Você disse que você quer fazer amor comigo. Quer sim quer não nós dormirmos juntos aqui não irá mudar como nós sentimos um sobre o outro."

Uma centelha de algo sombreou seus olhos e ele olhou-a por um longo tempo. "Deus, Sara… você faz tão difícil dizer-lhe não para você."

"Então não diga." Ela percebeu que estava perigosamente perto de implorar, mas recusou-se a deixar seu orgulho roubar-lhe algo que havia desejado demasia por tanto tempo. Mas ela havia dito tudo que iria dizer. Ele teria que cruzar a linha de chegada por si mesmo.

"Isto é insano," ele disse, mas ela podia dizer que ele estava fraquejando. "Você merece tão mais do que eu posso dar." Ele deu um passo adiante, mais perto da linha de chegada, e enlaçou seus dedos com os dela. A batida do coração dela tão rápida e difícil que ela pensou que ele poderia ouvi-la. "Nós não podemos levar este tropeção em nossas vidas de volta para casa. Você pode aceitar isso, Sara? Você pode me prometer que você vai voltar para casa sem se arrepender?"

Uma pessoa mais sã teria observado o aviso dele, se virado, e corrido. Mas Sara viera muito longe para deixar que uma minúscula picada de medo pelo futuro a dissuadisse de alguma felicidade no presente. Ela levantou dedos trêmulos à face dele e encontrou-o na linha de chegada. "Eu prometo," ela sussurrou, seus lábios a meras polegadas dos deles, prometendo-lhe tanto mais.

Ele olhou fixamente para os lábios dela por um longo momento, como se ele pudesse encontrar a resposta que necessitava ali. E então, ele piscou e engoliu convulsivamente. "Eu penso que eu irei, hã, entrar para o café afinal."