Disclaimer e outros avisos no prólogo.
Obrigada, 'claudia40gsr', por me fazer retomar algo tão lindo!
(Essa fic não me pertence. Se você quiser ler o original, vá para o começo da história onde encontrará um link com a fic completa)
Capítulo Sete
Las Vegas
"Você parece sexy com minha camisa."
Ele havia dito isso, Sara repetiu enquanto ela se demorava no banco diante de seu armário. E ela havia se sentido sexy naquilo. Ela havia aproveitado a intimidade de ter o mesmo tecido que havia tocado a pele dele agarrando a sua. E se ela achasse isso bobo ao mesmo tempo – era apenas uma camisa afinal – não desmerecia o sentimento intenso que ela tivera então, e isso que ela tinha agora, que ela era parte dele, e ele era parte dela.
Ela tocou ausentemente o tecido suave da camisa pólo dele. Ela havia seguido pra sala dos armários tão logo haviam retornado do campo de golfe para colocar suas próprias roupas. Ao invés disso, ela estava adiando. A camisa havia trazido de volta a sensação de pertencer, de proximidade, o modo como ela havia sentido sempre que ele havia colocado os braços em volta dela.
Mas havia outra, muito diferente, sensação adicionada à mistura hoje. Uma de perda que ela suspeitou seria multiplicada por dez no minuto que ela removeu a camisa. Sara puxou o tecido até a face, e inalou o cheiro dele novamente.
Uma última vez.
Zephyr Cove, Lake Tahoe
"Grissom?" Sara chamou depois de bater duas vezes.
"Entre," a voz dele convidou lá dentro.
A porta de tela rangeu quando ela abriu e entrou na cabine dele pela primeira vez.
Era óbvio pelo exterior que a cabine dele era muito maior que a dela, mas como aquilo se traduzia no interior era nada menos que surpreendente. Grande, espaçosa, com lareira de pedra, teto de catedral, mezanino pro quarto de dormir, a dele era a versão palaciana do lugar que ela estava chamando de lar.
"Suba aqui," Grissom chamou do mezanino.
Sara galgou os degraus, os olhos escaneando o espaço através da balaustrada enquanto ela alcançava o topo. Sua cabine inteira, menos a cozinha, caberia ali, ela imaginou, mas exceto pela luz do céu sobre a cama, e a porta larga de vidro levando a um balcão no segundo piso, a decoração era muito similar.
"Lugar legal. Onde você planeja se entreter?" ela perguntou enquanto se aproximava do banheiro da suíte. Ele estava aparando a barba na pia; o cabelo ainda estava molhado do chuveiro, e ele parecia absolutamente gracioso num robe azul-escuro que lembrava os smokings que Cary Grant vestia nos filmes antigos. Ela encostou-se na porta aberta e cruzou os braços diante de si.
Ele parou, o barbeador diante do rosto, e olhou pra ela. 'Um cara pode apenas ter esperança,' ele olhou pra ela, divertido.
'Irc!'
Ele riu suavemente e voltou a aparar a barba.
Sara observou-o por um tempo enquanto ele cuidadosamente cortava o excesso da barba. 'Isso não é mais complicado que barbear?'
'Provavelmente.' Os olhos dele dardejaram pra ela, e ele franziu a testa. 'Você não gosta?'
Ela levantou uma sobrancelha divertida. 'Eu acho que é muito sexy.'
'Sexy?' Ele deu-lhe um olhar curioso. 'Bem, então, a barba definitivamente fica.'
Ela imaginou se a opinião dela importava ou se ele estava testando seu fator de atração para a população feminina em geral. Ela suspirou, empurrou a porta e vagou pelo dormitório, através da porta aberta do pátio. Ela inalou o ar que trazia um cheiro fresco de pinho pra dentro do quarto enquanto imaginava por que ela tinha que ver um duplo sentido em tudo que ele dizia. O comportamento dele havia levado a confusão no passado, mas tinha também levado a incerteza?
'Você podia não pensar que é tão boa idéia quando nós voltarmos pra Vegas,' ela disse a ele enquanto ela lentamente corria os dedos pela superfície suave do guarda-roupa, idêntico ao da cabine dela. 'E se eu não puder manter minhas mãos longe de você?'
A mudança de ritmo no barbeador elétrico não passou despercebida a ela. O som arranhado das lâminas havia acabado, mas o som do motor persistiu por alguns segundos. Então, parou. Água correu na pia. Uma gaveta abriu e fechou. A luz estava apagada.
Ela sentiu a presença dele atrás dela, mas não se virou imediatamente pra ele. Ela não estava pronta pra ver a reprimenda que ela estava certa estaria na face dele. Então ela abraçou-se quando ela ouviu o longo e profundo suspiro dele.
'Isso vai ser um problema, Sara?'
Ela não soube quando seus olhos se encheram de água, ou por que seu peito se apertou. A voz dele havia sido suave e hesitante, como se ele estivesse com medo de perguntar, ou talvez com medo da resposta, mas ele estava apenas confirmando com o que ela havia concordando. No minuto que as palavras haviam deixado sua boca, de fato, ela percebeu que haviam significado um teste pra ele. Mas por quê? O que ela estava esperando? Algum tipo de sinal que ele havia mudado de idéia sobre eles?
Ela havia perseguido-o. Ela era a única que havia sugerido que eles tirassem vantagem dos poucos dias que tinham juntos. Ele era o único que havia tido reservas. Então por que ela subitamente se sentia como uma ficada de uma noite? Como alguém que era boa o bastante pra cama, mas não boa o bastante pra levar à casa da mãe?
Isso vai ser um problema? Se ela dissesse sim, isso seria o fim? Aqui e agora?
Sara balançou a cabeça e engoliu com dificuldade. 'Não,' ela disse, virando o rosto pra ele. Ela colocou um sorriso brilhante no rosto e mudou de assunto. 'Você não deveria estar me fazendo o jantar?'
O peito dele subiu e desceu pesadamente, as feições definidas numa linha lúgubre. 'Sara...'
Sara colocou dois dedos nos lábios dele para silenciá-lo. 'Está certo, Gris,' ela disse ternamente. 'Está certo.'
Ele segurou o pulso dela e virou os lábios na palma da mão dela. 'Você merece tão mais...'
'É, você já disse isso,' ela disse sem rancor. 'Não se preocupe. Algum dia, o cara certo vai chegar e eu terei tudo isso.'
Ele retrocedeu, e o olhar que ele lhe deu quase parou o coração dela. Ela dissera aquilo para libertá-lo da culpa, não para magoá-lo. Ou ela estava interpretando-o errado novamente? Ela estava interpretando como dor algo que não era mais que surpresa? Não era como se ela tivesse lhe dado razão pra acreditar que o sol não nasceria e se colocaria nele.
Era o que aquilo era, ela decidiu, surpresa.
Aquilo perturbou-a, mas ela foi cuidadosa em não demonstrar isso. Ao invés disso, ela deu-lhe um olhar sugestivo. 'Você limpou a truta? Você disse que era um mágico na cozinha.'
Ele puxou-a para si com força. 'Agora mesmo, eu prefiro gastar minhas energias no dormitório.'
Sara espalmou as mãos no peito dele e deu um sorrisinho. 'Você, Dr. Grissom, tem uma mente limitada'.
'Aquela truta já fodeu minhas intenções uma vez hoje. Pode esperar.'
Ele inclinou a cabeça e capturou seus lábios com uma fome que deixou seu coração martelando no peito.
Ela ficou igualmente estupefata quando ele curvou-se, suspendeu-a nos braços, e carregou-a por poucos passos para a cama. Ele despiu-a rapidamente e beijou-a novamente com tanta urgência, que ela imaginou o que havia dado nele. Sua boca moveu-se pelo corpo abaixo dela, reivindicando-o com uma vingança que surpreendeu-a tanto quanto excitou-a.
Quando a dele boca fechou-se sobre um mamilo ereto, ela gritou com prazer, e buscou pelos ombros dele, empurrando o tecido do robe dele com mãos urgentes. Ela doía para tocá-lo, sentir a pele dele contra a dela, quase quanto ela doía pelo grosso, rígido bastão da ereção dele repousando contra sua perna.
Ele rapidamente despiu-se do robe e caiu de volta sobre ela, segurando a maioria do peso nos antebraços. Ele deixou seus mamilos, firmes e duros e úmidos, e depois do calor da língua dele, a brisa gentil da noite vindo através da porta aberta do pátio esfriou-o e todas as outras partes de sua carne onde a língua dele havia tocado enquanto viajava por seu corpo abaixo, enviando um arrepio delicioso ao longo de sua pele.
Ele provou a pele sensível em volta de seu umbigo, a boca dele mordiscando, beliscando, e então ele inclinou a língua no recesso raso.
'Você tem um gosto tão bom,' ele murmurou contra a pele sensível de sua barriga, e então como se precisasse provar mais dela, ele espalhou suas coxas e inclinou a cabeça no calor úmido entre suas pernas.
No primeiro toque dos lábios dele, os flancos de Sara pinotaram, e seu corpo se retorceu nos lençóis quentes da cama, uma necessidade escura e primal se misturando em seus quadris e crescendo em sua garganta em um rosnado feroz. Ele segurou seu bumbum nas mãos robustas para mantê-la parada enquanto ele famintamente trabalhava sua abertura com a língua. Ela derreteu nas mãos dele, flexível, disposta e despropositadamente abandonando-se pra ele, enquanto ele a agradava, alternativamente provando e tomando.
Ah Deus. Ele é bom nisso.
Foi seu último pensamento coerente. Ela estava perto... tão perto. Seu fôlego escapou em pequenas, afiadas arfadas, as sensações que ele criava tão intensas que ela temeu que seu coração não resistiria. E então ele deslizou dois dedos dentro dela, e seu corpo entrou em erupção violentamente.
'Gris…' ela arfou, seus músculos internos pulsando selvagemente em torno dos dedos dele. Ele rapidamente substituiu-os pela língua e bebeu seu néctar enquanto ele continuava a trabalhar o sensível botãozinho com os dedos.
As sensações que ele persistia criando eram são agudas que ela segurou a cabeça dele entre suas coxas para mantê-lo parado. Mas ele não parou. Ele continuou a agradá-la com lentos, calmantes movimentos da língua dele. Sara quis dizer-lhe que ele estava perdendo tempo. Ela não era multi-orgásmica. Nunca havia sido. Mas ela se sentia tão bem, que as palavras simplesmente não vieram. Ao invés disso, ela relaxou as pernas e deitou-se quieta, permitindo que ele continuasse a amá-la enquanto as batidas de seu coração diminuíam e sua respiração se acalmava.
Ele acariciou-a gentilmente do quadril ao joelho com a mão livre, quente e trêmula em sua pele. Visões daquelas mãos dançaram atrás de suas pálpebras. Com quanta freqüência ela o via segurar frágeis peças de evidência com um toque delicado que teria sido impossível para tantas fortes, mãos masculinas? Às vezes ela pensava que havia se apaixonado primeiro por aquelas mãos. Sempre haviam parecido poderosas, ainda que tão suaves, e ela havia fantasiado sobre como ela pareceriam em seu corpo. E agora ela sabia, e ela queria se beliscar pra ter certeza que não estava sonhando. Aquele era Grissom tocando-a, amando-a, devorando-a, a boca dele gananciosa e incansável.
Ele alisou as mãos por seus flancos, puxando-a para baixo mais fortemente na boca dele. As mãos dele. Acariciando-a. As mãos dele! Oh! Deus. Um fogo lento veio de seus quadris e cresceu em uma lenta e constante queima. Ela engasgou, e tateou os lençóis da cama, dobrando o algodão macio em seus punhos, se segurando enquanto seu corpo se tensionava e sangue corria pra sua cabeça com tanta força que deixou-a tonta.
E então, ela gritou.
Inconsciente dos arredores, do fato que a porta do pátio estava aberta e os passantes poderiam ouvi-la, seu coração martelando em seu peito e sua cabeça girando em alegria, Sara girava na mais longa onda que já tivera.
Onda após onda de sensações ainda estavam pulsando em seus flancos quando Grissom moveu-se por seu corpo acima e empurrou a língua em sua boca, partilhando seu gosto e seu cheiro com ela, a ereção dele dura como pedra se aninhando em seu Monte de Vênus, acariciando sua carne sensível e prolongando o que já era o mais longo clímax que havia experimentado.
Ele arrancou sua boca da dela. O peito dele estava pesado enquanto ele engoliu o ar, e seus lábios pousaram em seu pescoço, firmes e furiosos. 'Deus, Sara,' ele disse as palavras raspando na garganta, 'você me deixa louco.'
'Eu o deixo louco!' Uma risada escapou de sua garganta. Ela o queria tanto, ainda, de novo, ou talvez apenas mais; ela não podia pensar direito. 'Gris...' ela começou e engoliu pesado, mas isso foi o mais longe que ela chegou.
Ele alcançou a embalagem na mesa de cabeceira como um homem com uma missão. Em segundos, ele protegeu-se, colocou um travesseiro debaixo dela, e afundou-se nela ao máximo. Ela inspirou fundo e enrolou suas pernas em torno da cintura dele, pendurando-se nele, suas unhas curtas se cravando nas costas dele enquanto ela abraçava-o com força.
Ele moveu-se dentro dela em longos, lentos traços, o corpo dele enrolado apertado e a respiração áspera. Como um homem mal controlando a si mesmo. 'Você sabe quantas vezes eu sonhei em ter essas suas pernas em volta de mim?' A voz dele era áspera e trêmula, a respiração era tão quente quanto as palavras em seu ouvido. Os quadris dele arremeteram e ele encaixou-se dentro dela novamente, forte, o ritmo dele crescendo com cada abalo forte.
Ela gemeu suavemente, os mexidos agora muito familiares começando de novo em seus flancos, quentes e intensos, quase dolorosos. Ela fechou-se em torno dele, agarrando-o com firmeza, e ele engasgou.
'Sara… querida goze pra mim. Eu preciso sentir você-' Ele estava batendo dentro dela agora, perdendo o pequeno controle que tinha, como se as palavras dele tivessem excitado-o tanto quanto haviam feito com ela. Ele estava enviando-a além do limite de novo e ela começou a convulsionou em torno dele. 'Oh sim... Deus, eu não posso-'
O corpo dele tensionou-se. Um som áspero vibrou na garganta dele quando ele gozou forte, abrindo as comportas pra ela, enviando o nome dele de seus lábios num grito.
Os olhos dela se encheram d'água com a possessão pura, animal dele. Esse não era o homem que ela conhecia. O homem que ela conhecia era reservado e controlado e gentil. Ele desabou sobre ela e Sara sorriu, deliciada, e alisou as mãos nas costas dele. Os músculos ondularam bem abaixo da pele dele. Ele estava tremendo!
'Grissom?'
Ele pousou a cabeça no ombro dela, a respiração ainda um pouco selvagem enquanto ele pressionava a boca na dela. Ela estava mais que um pouco sem fôlego também.
'Me desculpe, docinho.'
Sara foi surpreendida. 'Desculpe pelo quê?' Ele havia excitado seu corpo para paixão e criado uma resposta que ela gostava de desejar ela não havia acreditado ser capaz por si mesma. Ela estava aliviada. Em êxtase. Ela não podia por sua vida dela entender por que ele deveria se desculpar.
'Eu fui um pouco rude'. Ele saiu de cima dela e retirou o preservativo. Quando ele voltou-se pra ela, os olhos pousaram na junção entre seu pescoço e ombro e ele franziu a testa. 'Eu marquei você,' ele disse se desculpando, tocando a pequena mancha com o dedo indicador.
Ela riu. 'Você me deu um chupão?'
Ele olhou pra ela curioso. 'Eu me comporto como um adolescente fora de controle e isso satisfaz você?'
Sara esfregou o nariz na curva do ombro dele e colocou o braço em torno dele. Ela suspirou em contentamento quando ele colocou a mão dele nas costas dela e puxou-a pra si. 'Grissom, no caso de você não ter percebido, você me satisfez três vezes. Isso é... hã, sem precedentes pra mim. Você pode se comportar como um adolescente fora de controle a qualquer hora que quiser.'
Ele ficou em silêncio por um instante. Então: 'Verdade?'
'Bem… não de verdade. Só comigo.'
Ele empurrou o corpo dela divertidamente contra o seu. 'Eu estava me referindo a estabelecer precedentes. É difícil de acreditar que você nunca teve... bem, você é tão responsiva.'
Ela balançou a cabeça e olhou pra ele. 'Eu nunca tinha sido responsiva assim. Você é muito talentoso.'
O sorriso dele foi rápido e cheio de prazer. Ele beijou a sobrancelha dela e segurou-a com segurança nos braços dele. 'Talvez eu quisesse ter certeza que você não me esqueça completamente quando o Sr. Certo aparecer.'
O coração dela rodopiou. 'Hã… Você não quer que eu esqueça isso… você?' ela questionou incerta, segurando a respiração pela resposta dele.
Ela sentiu-o dar de ombros, e os dedos da mão esquerda dele entrelaçando em seu cabelo. 'Você parece surpresa. Eu sou apenas humano.' Ele puxou a cabeça dela pra mais perto de seu peito e inalou fundo. 'Eu sei que é apenas uma questão de tempo antes que você encontre alguém que seja digno de você, que faça você feliz. E eu quero isso pra você. Mas eu ainda espero que você vá guardar lembranças de... nós.'
'Hum, eu já encontrei esse alguém.' Ela sentiu-o enrijecer, e o braço que a mantinha aninhada contra ele tremeu.
'Você encontrou?'
Ela subitamente percebeu que ela pensava que ela estava falando de mais alguém e ela quis bater nele. Ele podia ser realmente tão denso? Ela apoiou-se no cotovelo e beijou-o ao invés disso. 'Você tem me feito muito feliz nestes dois últimos dias.'
Algo cintilou nos olhos dele ao mesmo tempo que uma leve tração no canto da boca. Era o bastante pra dizer-lhe que a resposta dela havia agradado-o, mesmo se uma máscara caísse sobre a face dele quase imediatamente. 'Foram só dois dias,' ele disse. 'Acredite-me; você não seria feliz comigo por muito tempo.'
Sara não se incomodou em esconder a frustração enquanto ela rolava pra longe dele. 'Como você pode estar certo disso? Eu duvido que mesmo você saiba o que eu preciso.'
'Você está certa. Mas eu sei quem sou, e eu sei que quero algo melhor pra você.'
'Que coisa paternalística pra dizer!' Ela podia sentir a raiva começando a ferver dentro dela e ela controlou isso com dificuldade. 'Quer saber. Não importa. Eu não quero mais gastar meu fôlego com isso. Você quer seu caso de férias, Grissom? Bem você tem. Nós temos um dias sobrando, então vamos tentar não estragar isso.'
A cabeça dele virou-se na direção dela. 'Um dia? Quando você vai embora?'
'Sexta-feira pela manhã. Eu sou esperada de volta ao trabalho no sábado à noite, e eu vou precisar de um dia pra descansar da longa viagem.'
'Oh.' Ele jogou as pernas pro lado da cama. 'Eu acho melhor ver o jantar.'
Ele sumiu no banheiro e fechou a porta atrás dele. Quando ele voltou alguns minutos depois, ele olhou pra ela pensativo, e ela imaginou o que ele estava pensando. Ele colocou os jeans, não se importando com roupa de baixo, ela percebeu, e ela encontrou os movimentos familiares em seu ventre chateando de repente.
Ele estava imóvel. Ele estava tão convencido que eles não deveriam ter feito aquilo que se recusava categoricamente a dar uma chance pra eles. Ele era uma causa perdida. Mas ela ainda o queria. Ela adorava estar com ele, fazer amor com ele, e ela desejou que fosse bastante. Mas não era. E não era porque ela carregava alguma fantasia romântica imatura dele em sua cabeça, como ele parecia pensar. Talvez ela não devesse saber muito sobre ele além do que ela havia aprendido desse tempo deles juntos, mas ela sabia que quem ele era ali contava.
Ela sabia quão importante o trabalho dele era pra ele e que nenhuma mulher jamais viria em primeiro lugar na vida dele. Quando a chamada vinha, você deixava sem olhar o que quer que fosse. Ela se sentia do mesmo modo. De fato, isso era parte do que os fazia tão perfeitos um pro outro. Eles compartilhavam o trabalho dele, e podiam entender um ao outro.
Ele também sabia que ele era um introvertido, e enquanto ela não fosse a reclusa que ele era, ela não estava muito longe disso. Ela certamente não era um livro aberto.
Mas o que realmente a fascinava era a mente dele. Era brilhante, e se ela não pudesse ter nada mais, ela teria passado alegremente o resto de sua vida sondando a massa cinzenta dele.
O fato dele atraí-la do modo que atraía era um bônus. Todo toque das mãos e dos olhos dele agitavam-na sexualmente como nenhum outro homem havia feito. Quando ele estava enterrado fundo nela, o prazer era tão intenso que ela pensou que havia podia morrer daquilo.
Mas isso era como ela sentia. Ela sabia que ele se importava com ela, e ele certamente não havia escondido o fato de que ele era atraído por ela. Mas isso era um grito distante de estar apaixonado por ela.
Ela engoliu com força, e assistiu-o remexer pelo closet por uma camisa limpa. Ele havia dito a ela na noite passada que apenas uma mulher havia tocado-o daquele modo e que aquilo não havia durado. Ele tinha sido mais aberto com ela? Ele tinha deitado na cama depois de fazer amor e compartilhados as esperanças e sonhos dele com ela? Ele tinha oferecido a ela uma vida com ele?
Um choque de ciúme por aquela mulher sem face, sem nome enviou uma pontada de lágrimas pra seus olhos. Ela piscou-as pra longe e puxou o lençol da cama sobre seu corpo.
Os olhos dele nunca a deixaram enquanto ele abotoava a camisa. Eles eram velados, ilegíveis, embora ela detectasse uma tristeza profunda neles e ela descobriu-se desejando que ele apenas se abrisse um pouco, contasse a ela como ele se sentia. Mas aquilo não era ele. Não era ele com ela.
Talvez tivesse sido com aquela outra mulher.
'O jantar vai estar pronto dentro de quarenta minutos,' ele disse a ela quanto ele se aproximava da cama. Ele pegou o relógio dele na mesa de cabeceira e colocou-o no pulso.
'Eu vou descer em alguns minutos.'
Ela precisava de algum tempo sozinha pra se reintegrar e voltar a sua perspectiva. Uma velha amiga chamada tensão havia se estabelecido entre eles, só que dessa vez isso era mais forte que nunca. Sara sentiu isso como um punho de ferro. Agora mesmo, tudo que ela queria era uma boa choradeira. Ela se sentia tão completamente sem forças nesse relacionamento estressante deles, e a frustração e dor disso estava colocando-a para fora.
Ele assentiu ausentemente, e o olhar dele pousou nela novamente por uns poucos segundos excruciantes, cheios de tensão. E então ele deixou o quarto sem olhar pra trás.
'Algo cheira bem aqui,' ele ouviu-a dizer alegre uma boa meia hora depois que ele deixou-a no quarto. Ele estava refogando vegetais picados pro arroz que estava preparando. A truta, que ele havia recheado com picles, creme de leite, um pouco de molho de pimenta, salsa e limão, já estava no forno. Era uma mistura incomum que um colega havia recomendado muitos anos antes pra truta do lago que normalmente precisava enfeitar um pouco. Ele esperava que Sara gostasse.
Ele havia feito o prato com tanta freqüência que por sorte não requeria muita concentração, ou ele não teria sido capaz de fazê-lo. Sara tinha um jeito de estragar com a concentração dele. Mas nunca tanto quanto agora.
Ele não havia percebido que ele tinha apenas mais um dia juntos. Ele nunca pensara em perguntar quando ela estava indo embora; ele havia apenas assumido que eles tinham mais tempo. Descobrir que eles não tinham havia mexido com ele, quase tanto quanto quando ela havia lhe dito que ela já havia encontrado alguém que poderia fazê-la feliz. Ele não percebeu em primeiro lugar que ela estava falando dele, mas algo havia ficado. Apesar de toda bravata e insistência dele que ele queria que ela encontrasse o Sr Certo, ele agora sabia quanto aquilo iria feri-lo quando esse tempo chegasse.
Tempo. Eles tinham tão pouco, mesmo ele duvidou que se sentiria de modo diferente se fosse um dia, cinco ou cinqüenta. Nunca seria suficiente.
A voz dela, tão familiar e doce deixava seu pulso acelerado. Ela voltou-se do fogão pra olhar pra ela, e então checou novamente quando viu que ela não usando nada além da camisa que ele havia descartado nas costas de uma cadeira no dia anterior. A barra vinha até o meio das coxas dela, e ela havia enrolado as mangas. Calor subiu por ele enquanto seus olhos viajavam corpo dela abaixo. Ele imaginou se ela estava vestindo qualquer coisa sob a camisa, e ele sentiu os movimentos familiares em suas calças. Droga, mas ela havia remexido com ele como um adolescente. Ele estava em constante estado de excitação perto dela.
'Eu espero que não se importe,' ela disse quando ela veio ficar ao lado dele. 'Eu não me sinto como se estivesse vestida, e eu, hã... não trouxe nada pra ocasião.'
'De modo algum.' Ele colocou o braço direito em volta dela, e puxou-a contra o lado esperando que ela não notaria a saliência em suas jeans. Ele mal podia acreditar que seu corpo era capaz de responder de novo, tão rápido, e isso o embaraçou. Ele continuou a mexer a mistura de vegetais na panela de teflon com a mão esquerda. 'Você deveria ter pegado uma limpa.'
'Essa está boa.'
Ela colocou os braços em volta dele e descansou a cabeça no ombro dele.
Parecia tão bom.
'O que você está fazendo?'
'Arroz com vegetais. O peixe está no forno.'
'Posso ajudar?'
Ele hesitou por um instante, relutante em deixá-la ir, e então disse, 'Você pode pôr a mesa. Os pratos estão ali,' ele indicou um armário sobre a pia com um movimento da cabeça.
Ela pegou os pratos e talheres necessários e colocou-os sobre a grande mesa retangular pela janela. Diferente da pequena mesa de madeira na cabine dela, essa tinha um vidro sobre um apoio pros pés. O contraste entre rústico e contemporâneo na cabine dele era estranho, ele pensou, mas funcionava.
Ele observou-a pôr a mesa, seu olhar nas pernas dela. Droga, ela tinha pernas. Ele havia percebido o comprimento delas há muito tempo, mas sua imaginação nunca havia chegado perto de retratar a absoluta perfeição delas.
Ele afastou-se da vista e deu os toques finais no arroz antes de abrir uma garrafa de vinho. Quando ela terminou de pôr a mesa, ele se juntou a ela na janela e deu-lhe uma taça.
Ainda que a cabine dele fosse mais recuada na floresta, a vista do lago era similar à vista da cabine dela. Dali, eles quase não podiam alcançar as luzes do bar da praia, ainda que eles pudessem ouvir a música, mas sua localização ainda fazia que parecesse mais isolada que a dela.
Ela sorriu pra ele quando ele pôs o braço em volta dela, e o coração dele inchou dolorosamente. Como diabos ele estava deixando-a ir? Ele sacudiu a si mesmo mentalmente, beijou-a e afastou-se para olhar pra ela, admirando sua quase nudez novamente.
'Você parece sexy em minha camisa,' ele sussurrou no ouvido dela. Seus dedos haviam encontrado o caminho pra cintura dela, acariciando-a através da camisa em pequenos círculos, fazendo-a subir e descer pela coxa dela com cada círculo. Ele ainda não sabia sequer se ela estava usando calcinha, e não saber estava deixando-o um pouco doido.
Ela gemeu. 'Se você continuar com isso nós não vamos jantar.'
Ele quis carregá-la escada acima, mas ele sabia de suas limitações. 'Bem, não podemos fazer isso. Eu preciso comer pra manter meu nível de energia alto.' Ele depositou um beijo rápido nos lábios dela e foi checar o peixe.
Las Vegas
Eles haviam jantado, falado sobre coisas triviais, e feito amor a maior parte da noite, ele relembrou enquanto ele olhava pra ela, inclinando-se em frente ao armário dela. Ela não havia ouvido-o chegar e ninguém mais estava por perto, então ele se aproveitou dessa ocasião rara pra simplesmente olhar pra ela. Ele havia pensado que isso seria bastante, só vê-la todo dia. Como antes.
Não era.
Nada era tão fácil de controlar como havia sido uma vez. Droga, mais cedo naquele dia, quando ele havia tocado nas costas dela, procurando pelas lesmas, ele havia ficado duro como uma rocha, querendo-a tanto quanto ele quisera naquela primeira vez no Lake Tahoe. Ele não costumava não estar no controle de si mesmo, e aquele simples toque havia doído, física e emocionalmente.
O modo de olhar pra ela doeu nele novamente.
Sua necessidade por ela era muito maior que ele havia suspeitado que seria quando ele se fora de Tahoe. Ele a queria em sua cama. Ele queria acordar junto dela todo dia. E o fato de que ele não poderia ter aquilo nunca mais estava lentamente derrubando-o.
O barulho de metal contra metal enquanto ela colocava a chave do armário dela, fechado com o pé, no bolso, o fez dar um pulo. Ela murmurou algo que ele não entendeu, mas tudo sobre ele o alertava para a raiva dela.
'Sara. Está tudo bem?'
Ela virou-se no banco e olhou pra ele. A face dela estava tensa; os olhos escuros e atormentados. Ele também viu as sombras sob eles e imaginou novamente se ela estava dormindo bastante.
'Ah, hã, é, bem… Por quê?' ela perguntou, um rubor adorável achando caminho nas bochechas dela.
Ele sorriu. 'Você não foi muito gentil com esse armário ainda agora.'
'Ah, desculpe.'
Ele franziu a testa quando ela inclinou-se para pegar sua bolsa de ginástica do chão. Por que estava se desculpando? É uma piada, Sara.
Ela ficou em pé e seguiu pra porta, e pra ele; Ela parou e olhou pra ele. 'Eu vou tomar um banho e me trocar e ajudar Nick a processar aqueles tacos.' Ela olhou pra baixo, pra si mesma. 'Eu vou, hã, trazer essa camisa amanhã pra você.'
Ele quis dizer pra ela guardar aquilo. Ele amou o pensamento dela usando aquilo. Mas ele não podia dizer isso pra ela.
'Não tem pressa', ele disse ao invés disso, a voz mais rouca do que deveria ter sido. Ele percebeu uma lesão vermelha brilhante bem acima do seio esquerdo dela. Ele tinha tido dificuldade de remover aquela lesma e ele havia temido que a cabeça tivesse partido e ficado alojada sob a pele dela. Não era perigoso, mas ainda assim, ele tocou-a com a ponta de um dedo, atraindo a atenção dela para isso. 'Você deveria colocar desinfetante nisso.'
Ela não disse nada. Ela estava tão diante dele. Seus olhos encontraram os dele, e ele estava perdido. Um dedo se tornou a mão inteira dele. Ele acariciou a área gentilmente, a pele dela parecendo tão boa sob seus dedos que seu corpo estremeceu com o contato.
E ele estava duro novamente. Deus ele sentia falta dela em sua cama. Ele havia tentado tomar cuidado com aquela dor constante por ela, mas ele não podia sacudir isso fora. Eles apenas não tinham tido tempo suficiente juntos. Eles estavam no trabalho agora, e qualquer um podia entrar a qualquer momento, ainda que tudo que ele pensasse sobre isso era beijá-la, tocá-la, amá-la.
Droga!
Ele arrancou a mão do corpo dela e caminhou pro armário dele. 'Eu vejo você mais tarde,' ele disse bruscamente. Ele abriu o armário mas tinha esquecido que ele tinha vindo fazer. Ele não olhou pra trás até que ele soube que ela havia saído da sala, e então ele fechou a porta do armário com uma pancada.
