Nota: (1) – Harry Potter e seus personagens não me pertencem. E sim a J.K. Rowling.
(2) – Essa é uma história Slash, ou seja, relacionamento Homem x Homem. Se não gosta ou se sente ofendido é muito simples: Não leia.
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Era um corredor gélido e obscuro.
Seus passos ecoavam por entre as paredes de pedra.
E chegavam a uma porta. Não tinha mais saída. E de repente, era azul.
Não um azul bonito e tranqüilizante, mas olhos azuis traiçoeiros, encarando-o com malícia.
- Não... – murmurou assustado.
Algo lhe oprimia o coração e Harry queria apenas sair dali. As paredes daquele corredor sombrio se faziam cada vez maiores e pareciam comprimir a cada segundo mais a passagem. E ele corria. Queria apenas sair daquele lugar. Queria apenas estar com seu pai.
- Harry...
Uma voz distante o chamava.
Uma voz que curiosamente o acalmava.
Uma voz conhecida e preocupada que fazia aquela sensação de desespero se esvair.
- Harry...
Foi então que o pequeno Lord, ao abrir seus belos olhos verdes-esmeraldas, percebeu que todo aquele horripilante cenário se tratava somente de um sonho e a sua frente um par de preocupados olhos acinzentados o encaravam.
- Dray? – perguntou sonolento.
- Sim, meu amor, você está bem?
- Onde...? O que aconteceu?
- Você teve um pesadelo.
- Um pesadelo... – aos poucos sua respiração voltava a normalizar.
- Você está bem? – perguntou novamente, a preocupação evidente em cada palavra.
- Sim... Estou sim, obrigado.
- Achei que você dormiria melhor desde que baniu o Crabbe e o Goyle para o outro quarto no ano passado – sorriu divertido.
E Harry não demorou a corresponder ao sorriso.
- Ora, eu estava cansado de lançar feitiços silenciadores naqueles dois sempre que íamos dormir.
- É mais fácil deixar um feitiço silenciador permanente no quarto deles.
- Exatamente, senão seus roncos acordariam a escola inteira – concordou divertido.
Assim, conversando alegremente com o namorado e se esquecendo do pesadelo que o assolara há alguns minutos, Harry se levantou da cama para encarar o primeiro dia de aula que inaugurava seu quinto ano na Escola de Magia e Bruxaria de Hogwarts. Aquele sonho era apenas algo ruim e passageiro, pensava.
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Para começar bem aquela semana, nada como iniciar as aulas com a tão interessante e essencial matéria de Defesa Contra as Artes Obscuras, ministrada pela charmosa e sempre bem vestida Dolores Umbridge, cuja competência deveria se equivaler ao seu grande senso de moda. Céus, Harry balançou a cabeça negativamente, nunca usara tanto sarcasmo num único pensamento antes. Naquele exato momento, após saborearem um delicioso café da manhã no Salão Principal, o grupo das serpentes se encontrava na sala de DCAO esperando pela professora na companhia dos outros alunos. Na primeira carteira estavam Pansy e Blaise, com Harry e Draco logo atrás, e Theodore acomodado ao lado de Harry, sentado sozinho em sua carteira. Pelo resto da sala, as demais serpentes se espalhavam e para grande irritação destas, dividam o ambiente com os Gryffindors.
Mas o tédio abraçava a todos.
E nada da cara-de-sapo chegar.
Pansy, então, mergulhada num tédio profundo, decidiu enfeitiçar a dobradura que fazia. O resultado imediato fora um lindo pássaro de papel levantar vôo em meio à sala de aula. Foi uma alegria geral, inclusive por entre os Gryffindors, todos se divertiam lançando Wingardium Leviosa para fazê-lo voar mais alto ou menos. Blaise e Pansy sorriam animados, fazendo a dobradura dar um vôo rasante em alguns Gryffindors; Harry, por sua vez, recostado preguiçosamente no peito do namorado, observava a cena sorrindo; e Theodore, é claro, ignorava solenemente tudo o que acontecia a sua volta mergulhado em algum livro obscuro. Mas a alegria que contagiava a sala morreu imediatamente quando uma mulher baixinha e vestida inteiramente de cor-de-rosa, com um sorrisinho falso nos lábios, ingressou na sala de aula e lançou um simples Incendio na dobradura, cujos restos chamuscados cairam no centro da mesa de Blaise e Pansy. Esta última, lançava um olhar gélido e impregnado de desprezo à mulher que a encarava.
- Bom dia, crianças – cumprimento com sua voz forçada e irritante.
Harry como os damais, apenas arqueou uma sobrancelha, com desdém.
Não se preocupou nem mesmo em se erguer do confortavel peito do loiro que, por sua vez, acariciava seus cabelos.
- Níveis Ordinários de Magia – ela continuou, escrevendo com sua varinha na lousa –, são provas, mais conhecidos como N.O.M.s.
A sangue-ruim-Granger, sentada na carteira ao lado de Blaise e Pansy, pareceu em pânico ao ouvir tais palavras. Harry, é claro, apenas revirou os olhos. Aquelas provas, segundo seu pai, eram tão ridículas quando a própria escola.
- Estudem e serão recompensados, deixem de estudar e as conseqüências serão severas – deu uma risadinha – Para se prepararem, vocês vão usar estes belos exemplares oferecidos pelo próprio Ministério.
Com um grande sorriso, ela agitou a varinha e alguns livros apareceram em cima de sua mesa, que a professora logo fez levitar ao encontro de cada aluno.
- Com esta cartilha básica vocês poderão se preparar para as provas dentro dos padrões do objetivo do curso.
- E qual é esse objetivo? – perguntou um desinteressado Blaise, folheando o livro que lhe fora entregue com um sinal de nojo estampado no rosto.
- Senhor...?
- Zabini.
- Muito bem, senhor Zabini, preste atenção.
Apontando para a lousa, ela escreveu as seguintes palavras:
1. Compreender os princípios que fundamentam a magia defensiva.
2. Aprender a reconhecer situações em que a magia defensiva pode ser legalmente usada.
3. Inserir o uso da magia defensiva em contexto de uso.
- Agora, meus queridos, eu gostaria que vocês abrissem na página cinco e lessem o Capítulo Um, "Elementos Básicos para Principiantes", em silêncio.
A Prof. Umbridge, então, acomodou-se à sua mesa, observando todos os alunos com aqueles olhos empapuçados de sapo. Harry, com um suspiro resignado, abriu na página cinco de seu exemplar e começou a ler. Certo, ele pelo menos tentou, por mais ou menos dois segundos, tentou ler aquelas palavras. Mas para alguém acostumado aos mais obscuros e elaborados livros, alguns escritos pelo próprio Merlin ou por Salazar Slytherin, aquela leitura se resumia a uma única palavra: ridícula.
Era algo desesperadamente monótono e sem nexo, tão ruim quanto escutar o Prof. Binnis por horas a fio. Olhando para o lado, ele viu Draco virar e revirar a pena entre os dedos distraidamente, os olhos fixos na página, mas os pensamentos longe desta. Blaise desenhava com maestria, num pergaminho em branco, o ausente perfil de Pansy, que observava suas unhas com um olhar monótono. E Theodore, é claro, sempre acostumado às mais elaboradas obras literárias, ignorava o ridículo material distribuído pela professora e continuava concentrado em sua leitura. Os Gryffindors, ele observou também, pareciam mais perdidos do que nunca, alguns quase adormecendo sobre as monótonas páginas e somente a sangue-ruim-Granger, pelo visto, lia e relia as páginas indicadas com sofreguidão, com o seu ar de sabe-tudo sempre estampado em suas rugas prematuras.
- Isso é ridículo – Harry revirou os olhos, comentando em voz alta.
- Algum problema, meu jovem?
- Sim – contestou com rispidez – Quando vamos lançar feitiços?
- Ora... – a mulher deu uma risadinha irritante – Vocês não usarão a varinha nesta aula, meu querido, apenas esses maravilhosos livros recomendados pelo Ministério.
Harry arqueou uma sobrancelha.
Aquilo era definitivamente ridículo.
- E de que isso vai adiantar? – perguntou Blaise – Esse livro não vai preparar os alunos quando precisarem lançar feitiços de verdade.
- Levante a mão para falar, senhor Zabini!
Blaise, no entanto, revirou os olhos e cruzou os braços. Pansy, por sua vez, levantou a mão prontamente.
- Senhorita...?
- Parkinson. E eu estou de acordo com o senhor Zabini, professora, como este livro vai preparar os alunos em termos práticos?
- A teoria leva à perfeição, senhorita, não se deixe enganar.
- Acredito que a questão central desta matéria tão útil, Defesa Contra as Artes Obscuras, é a prática de feitiços defensivos.
- Por favor, levante a...
Antes mesmo que ela pudesse continuar, Harry levantou a mão e é claro, continuou a falar:
- Teoria e prática devem ser vistas juntas, isso é algo óbvio, a senhora deve saber.
Ela, no entanto, ignorou o pequeno Lord.
Mas outras mãos também passaram a se erguer no ar.
- Diga, senhor...?
- Malfoy. E obviamente nós devemos aprender feitiços práticos para quando formos atacados.
- Ora, o senhor espera ser atacada durante as minhas aulas?
- Não, mas...
- Nos anos anteriores, os senhores foram expostos a alguns bruxos muito irresponsáveis nesta disciplina.
- Isso não é verdade – protestou um Gryffindor que Harry não conhecia o nome – O professor Lupin, por exemplo, foi um ótimo professor.
- É verdade – concordou o amigo deste e muitos outro. Pela primeira vez, serpentes e leões estavam em comum acordo.
- Senhor...?
- Finnigan. Seamus Finnigan, professora.
- Pois bem, senhor Finnigan, o que o senhor não sabe é que esteve exposto, assim como seus companheiros de sala, a um irresponsável – deu uma risadinha desagradável – isso para não dizer, a um imenso perigo que variava de acordo com a lua.
Harry estreitou perigosamente seus olhos.
- E nós aprendemos mais com ele do que aprenderemos com qualquer outro – afirmou o pequeno Lord sem levantar a mão – De fato, ele era um professor bom de mais para estar nesta espelunca.
Em meio a alguns "Oh..." todos concordaram.
- Sua mão não está erguida...!
- Riddle – ele a interrompeu, dizendo seu nome e continuando a falar com a mão finalmente levantada – E de que vai adiantar essa teoria no mundo real?
- Isto não é o mundo real, senhor Riddle, é uma escola.
- E a função desta não é preparar seus alunos para o que está lá fora?
- Não há nada lá fora, senhor Riddle.
A respiração de Harry estava agitada.
Aquela mulher começava a irritá-lo profundamente.
Mas antes que ele pudesse contestá-la, um incrivelmente calmo Theodore Nott levantou a mão.
- Pois não, senhor...?
- Nott – a voz era firme e incrivelmente gélida – Nesta disciplina, metade da nota a ser atribuída ao N.O.M, requer que os alunos sejam capazes de demonstrar habilidades práticas no realizar de diversos feitiços, apenas a leitura deste exemplar oferecido pelo Ministério não abarca os conhecimentos necessários para o aprendizado prático desses alunos.
Um pequeno tic surgiu no olho esquerdo de Umbridge.
- Desde que tenham estudado a teoria com muita atenção, não há razão para não serem capazes de realizar feitiços sob condições de exame cuidadosamente controladas – respondeu ela, encerrando o assunto.
- Oh, por favor – Harry sorriu com maldade – a maioria aqui mal sabe erguer um simples escudo, que dirá lançar o feitiço do Patrono requerido pelo exame.
Aqueles que se sentiram ofendidos pelo comentário, em sua maioria Gryffindors, logo abaixaram o olhar quando se deram conta que, de fato, não tinham idéia de como lançar um feitiço tão elaborado quanto este.
- Dez pontos perdidos para Slytherin, senhor Riddle, pelo seu comentário desrespeitoso. Agora como eu estava dizendo, é perfeitamente aconselhável que jovens da idade de vocês sejam instruídos com tais métodos, pois...
- Aconselhável por quem? Pelo Ministério e sua corja asquerosa de sangues-ruins?
- SENHOR RIDDLE...!
- Porque é óbvio que um método tão medíocre quanto este tenha sido idealizado por algum amante de muggles nojento, como o Ministro ou o próprio diretor desta escola.
- DETENÇÃO, SENHOR RIDDLE! – ela se exaltou, mas com um olhar de triunfo – Amanhã à tarde, cinco horas, na minha sala. O senhor deve aprender a respeitar seus professores.
O pequeno Lord, no entanto, sob o olhar incrédulo de toda a sala se levantou, guardando suas coisas na mochila, e comentou:
- Eu devo respeitar, professora Umbridge, são os meus neurônios. E estes se sentem agredidos ao estarem numa aula como esta.
Dizendo isso, baixo o olhar atônito da mulher, ele simplesmente saiu da sala de aula.
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No dia seguinte, às cinco para as cinco, Harry se despediu dos amigos e rumou para a sala de Umbridge, no terceiro andar. Antes de bater na porta, respirou fundo, dizendo a si mesmo que lançar um Avada Kedrava em sua nova professora não seria algo muito apreciado pelo Ministério, isto é, tentariam mandá-lo para Azkaban e seu pai acabaria de uma vez por todas com o Tratado de Paz e iniciaria uma prematura guerra.
Certo, precisaria ter calma e agir como a pequena serpente que era.
Quando bateu na porta, ouviu uma voz melosa:
- Entre...
Ele entrou com a cabeça erguida, olhando a toda volta com puro desdém. Aquela sala estava definitivamente irreconhecível. Quando Lupin a ocupara, parecia que a pessoa ia se deparar com alguma fascinante criatura das trevas em uma gaiola ou um tanque, se aparecesse para visitá-lo. Na época de Moody, a sala se enchera de instrumentos e artefatos para a detecção de malfeitos e dissimulações. Agora, porém, estava ridícula. As superfícies tinham sido protegidas por capas de rendas e tecidos. Havia vários vasos de flores secas, cada um sobre um paninho de renda, e, circundando as paredes, havia uma coleção de pratos decorativos, estampados com enormes gatos em tecnicolor, cada um com um laço diferente ao pescoço. Era um cenário tão hediondo que Harry ficou estático, encarando o ambiente até a professora tornar a falar.
- Boa noite, Sr. Riddle.
Harry finalmente se dirigiu à mulher, cujas vestes floridas se confundiam à toalha de mesa, encarando-a friamente:
- Professora Umbridge – respondeu com formalidade.
- Muito bem, sente-se – disse ela, apontando para uma mesinha forrada com uma toalha de renda, a qual Pansy lançaria um Incendio se tivesse oportunidade, nesta se encontrava uma cadeira de espaldar reto e sobre a mesa havia uma folha de pergaminho em branco, aparentemente à sua espera.
Sua primeira detenção em Hogwarts.
E com aquela mulher deplorável... Aquilo era sem dúvida, um ultraje.
Ela o encarava com a cabeça ligeiramente inclinada para um lado, mantendo o largo sorriso no rosto, como se soubesse exatamente o que ele estava pensando, e esperasse para ver se o pequeno Lord voltaria a desafiá-la. Harry, porém, observo-a por um segundo inteiro de cima abaixo, friamente, e por fim largou a mochila ao lado da cadeira de espaldar reto e se sentou.
- Pronto – disse a professora com meiguice – Já estamos começando a controlar melhor o nosso temperamento, não estamos? Agora o senhor vai escrever algumas linhas para mim, Sr. Riddle. Não, não com a sua pena – acrescentou, quando Harry se curvou para abrir a mochila – O senhor vai usar uma especial que eu tenho. Tome aqui.
E lhe entregou uma pena longa e preta, com a ponta excepcionalmente aguda.
- Quero que o senhor escreva: "Não devo desrespeitar um professor" – disse ela brandamente.
- Quantas vezes? – perguntou Harry, usando todo o seu autocontrole para abafar o tom de desprezo.
- Ah, o tempo que for preciso para a frase... Penetrar – sorriu com meiguice – Pode começar.
A professora foi para a sua escrivaninha, sentou-se e se debruçou sobre uma pilha de pergaminhos que pareciam deveres para corrigir. Harry ergueu a pena preta e afiada, e então percebeu o que estava faltando.
- A senhora não me deu tinta.
- Ah, você não vai precisar de tinta – disse ela, com um tom de riso na voz.
Harry encostou a ponta da pena no pergaminho e escreveu: "Não devo desrespeitar um professor". No instante seguinte, estreitou os olhos, mas não emitiu qualquer exclamação de dor. As palavras apareceram no pergaminho em tinta brilhante e vermelha. Ao mesmo tempo, elas replicaram nas costas de sua mão direita, gravadas na pele como se tivessem sido riscadas por um bisturi.
Virando lentamente a cabeça, ele encarou a professora. Ela o observava, a boca distendida num sorriso.
- Pois não?
- Nada – disse Harry, seus olhos perfurando-a, obscuros e gélidos.
- Exatamente, Sr. Riddle.
Com um ar quase maternal, ela se aproximou e segurou a mão machucada do menino, cujo sangue-frio próprio de uma serpente mantinha sua mente calma, pois ainda não era hora de dar o bote. Ele apenas esperava para, assim, medir seus movimentos.
- Parece que a mensagem penetrou – ela sorriu com doçura.
Ele, no entanto, permaneceu em silêncio.
- Pode ir, Sr. Riddle. Tenha uma boa noite.
Sem desviar seus olhos do rosto sorridente e irônico da mulher, ele se levantou, pegou a mochila e deixou o aposento, sem pronunciar qualquer palavra. A imagem de Bellatrix e das torturas que esta lhe ensinara rondavam seus pensamentos, mas não era o momento certo, não ainda.
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Horas mais tarde, quando seus amigos chegaram ao Salão Comunal Slytherin depois de um saboroso jantar no Salão Principal, Harry já se encontrava acomodado no centro do sofá de couro negro em frente à lareira. Estava sozinho, folheando um dos livros que Theodore lhe emprestara. Sua expressão concentrada, os olhos frios e o ar sombrio a sua volta denotavam um humor pouco receptivo, para não dizer, é claro, furioso. Mas mesmo assim, seus amigos se aproximaram, cautelosos. Draco se sentou ao seu lado direito e Pansy ao lado esquerdo, enquanto Blaise se acomodou na poltrona ao lado de Draco e Theodore na poltrona próxima à Pansy.
- Como foi com a cara-de-sapo, Harryzito? – a menina perguntou com um ligeiro sorriso, buscando quebrar o gelo.
- Nada de mais.
- Você não foi para o Salão Principal depois...
- Não estava com fome – interrompeu o namorado, sem sequer levantar o olhar.
- Nós podemos mandar um elfo trazer alguma coisa.
- Não é necessário, Draco.
As serpentes trocaram um olhar preocupado.
- Theodore, fale-me mais desta maldição – Harry demandou, mostrando o livro ao amigo, mas um grito agudo de Pansy os interrompeu:
- Harry James Riddle, o que é isso?
A perspicaz menina havia agarrado a mão machucada que ele na mesma hora tentou esconder.
- Nada...
- Como nada? – os olhos negros o encaravam fixamente, a voz doce e ligeiramente infantil repleta de seriedade e preocupação – O seu corpo foi mutilado desse jeito e você diz que não é nada?
- Aquela Umbridge fez isso? – Draco estreitou os olhos perigosamente, como Blaise e Theodore, este último apertando a varinha com força no bolso das vestes.
Harry apenas suspirou.
Seria impossível esconder aquilo de seus amigos.
Quando uma super-protetora Pansy, um perspicaz Blaise e dois apaixonados Theodore e Draco se dispunham a protegê-lo, não havia qualquer coisa que pudesse pará-los. Era preciso, então, abrir o jogo.
- Não foi nada de mais – suspirou – Ela me fez escrever com uma espécie de pena que acabou fazendo isso. É o tipo de encantamento proibido que deve sumir em alguns dias para não deixar vestígios.
- Eu vou matá-la! – afirmaram duas vozes ao mesmo tempo.
- Dray, Theo, por favor... – revirou os olhos – Controlem-se.
- Mas Harryzito, você precisa contar isso para o Lord, aquela megera não pode sair impune!
Harry, porém, apertou os punhos com decisão.
Ele não queria resolver as coisas assim.
Oh não, era preciso ser do seu jeito.
- Péssima idéia, Pan. Eu conto para o meu pai e em menos de dois minutos ele está aqui usando seu repertorio de maldições obscuras nela, o Ministério fica sabendo, e acaba por estourar uma prematura guerra.
- E qual o problema?
- Blaise, querido, não posso deixar meu pai torturar a nova professora de Hogwarts, por mais insuportável que ela seja, e deixar que se inicie a guerra antes do tempo.
- Mas ela torturou você!
- Oh, por favor, eu fui treinado em torturas pela Bella, esses rabiscos ridículos sequer fizeram cócegas.
As jovens serpentes não puderam conter um sorriso.
- O que você vai fazer então?
- Primeiro eu quero saber o que ela e o Dumbledore planejam, depois disso, posso resolver o problema facilmente sozinho.
- Vai matá-la?
- Não sem torturá-la antes, Theo. Mas primeiro quero saber o que aqueles dois têm em mente. Então, por favor, contenham suas presas por enquanto.
- Mas...
- Dray, por favor – pediu seriamente. E o loiro, por sua vez, apenas suspirou concordando.
- Os dias dela estão contados, não se preocupem – Harry sorriu.
Um sorriso bonito e confiante, como ele mesmo.
Não seria uma professorazinha qualquer a subestimá-lo em seu território. E ele provaria isso.
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Enquanto isso, no escritório do diretor da consagrada Escola de Magia e Bruxaria de Hogwarts, duas pessoas saboreavam um delicioso chá de hortelã enquanto conversavam sobre uma pequena serpente muito famosa naquela escola. De um lado, uma cor-de-rosa mulher com cara de sapo e risadinha irritante, do outro, um velhote de traiçoeiros olhos azuis ocultos por um par de óculos em formato de meia-lua, o ar de vovô bonachão encobrindo sua mente sórdida.
- Você precisava ter visto a cara dele, Alvo – um sorrisinho malicioso se desenhava na face grotesca – O todo poderoso principezinho das serpentes silenciado por mim.
- Sem dúvida um grande feito, minha cara Dolores.
- Aquele menininho arrogante precisava conhecer o seu lugar.
- É claro – o sorriso do diretor, porém, mostrava-se apreensivo – Mas é preciso ter cuidado, Dolores, o pai do menino pode causar um grande alvoroço por causa disso.
- Oh, não se preocupe, meu caro. Eu conheço crianças como o jovem Riddle, orgulhosas de mais para correrem para o papai por causa de um incidente como este, sem contar que ele iniciaria uma guerra prematura sem qualquer prova da minha brincadeirinha já que a marca sumirá em poucas horas.
- Mesmo assim, o próprio garoto é perigoso, tome cuidado com ele.
- Não se preocupe, Alvo – deu uma risadinha – Aquela pequena serpente não me assusta.
O diretor, por sua vez, sorriu com evidente malícia.
Aquele ano promissor, pelo visto, estava apenas começando.
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E seria um longo ano.
As semanas transcorriam lentamente e a maioria dos estudantes do quinto ano parecia temerosa com a chegada dos N.O.M.s no final daquele ano letivo. O grupo das serpentes, porém, estava tranqüilo, pois cada um ali se garantia em suas habilidades. Mas a paciência das pequenas serpentes se via comprometida nos momentos em que precisavam assistir às interessantíssimas aulas de Defesa Contra as Artes Obscuras ministradas pela amável e competente professora Dolores Umbridge. Sarcasmo à parte, aquelas tediosas e insuportáveis aulas requeriam sempre uma dose extra de autocontrole de Harry e seus amigos.
Como naquele mesmo dia, em que a professora os obrigou a ler dois intermináveis capítulos daquele livro degradante, distribuído por ela em sua primeira aula. O que gerou, pois, um interminável discurso sobre a competência do Ministério e a obscuridade que existia em certas famílias tradicionais de sangues puros. Naquele instante, Harry e seus amigos apertaram os punhos, estreitando os olhos com desdém. Mas nem mesmo os demais alunos conseguiam suportar aquelas aulas. Apenas a sangue-ruim-Granger, pelo visto, encontrara na cara-de-sapo um mestre em quem se espelhar.
- Aquela mulher insuportável com certeza está tramando alguma coisa – Harry conversava com Morgana enquanto caminhava pelo Bosque Proibido, os pensamentos centrados na aula que assistira mais cedo e na incontrolável vontade de lançar alguns Cruciatos em sua querida professora.
- Eu posso mordê-la para o senhor, amo.
- Obrigado, Morg, mas ainda não é a hora – suspirou – Preciso descobrir o que ela e o velhote estão tramando primeiro.
Harry não estava em seus melhores dias. Não, nem de longe... Além das insuportáveis aulas de Umbridge, aqueles estranhos pesadelos continuavam a assombrá-lo e se existia algo que ele detestava era se sentir indefeso, principalmente em seus próprios sonhos.
Agora, o pequeno Lord se encontrava num dos pontos mais obscuros daquele local.
Perdido em seus próprios pensamentos, de repente, ele observou uma estranha imagem se destacando naquele cenário.
- O que...? – Harry se questionou num sussurro, observando a cena:
Por entre as sombrias árvores daquele final de tarde, rodeada de estranhos seres que se assemelhavam a cavalos negros com asas, encontrava-se uma menina loura de cabelos longos e sem corte, uma expressão sonhadora em seu rosto bonito, mas ligeiramente sujo de terra, o escudo Ravenclaw brilhando em suas vestes. O mais estranho, porém, Harry observou, era o fado de a menina estar descalça, cantarolando tranquilamente com os pés na terra fria.
- Olá, Harry.
O sossegado cumprimento surpreendeu o Slytherin.
Ele, então, aproximou-se devagar.
- Como você sabe o meu nome?
Ok, aquela era um pergunta estúpida, mas foi a primeira coisa que lhe ocorreu. Ela, no entanto, apenas sorriu.
- Todos sabem o seu nome – apontou o óbvio – Todos acham que conhecem você, mas isso é impossível, às vezes nem a própria pessoa sabe quem ela é.
Ele arqueou uma sobrancelha.
- Er... O que são essas coisas?
- Testrálhos – respondeu com aquele ar sonhador.
- Meu pai já me falou deles – murmurou embelezado – são criaturas obscuras.
Ao contrário do esperado, ela sequer se abalou ao ouvi-lo mencionar o "pai". Continuava distraída, sorrindo, enquanto jogava maçãs para aquelas exóticas criaturas.
- Eu não diria obscuras, mas sim, incompreendidas.
Interessante, ele pensou.
- Não são todos os que podem vê-los – comentou Harry – Quem você viu morrer?
- Minha mãe – ela respondeu com a mesma tranqüilidade – Eu tinha nove anos, ela adorava poções e era uma bruxa extraordinária, mas certo dia um de seus experimentos deu errado.
- Sinto muito.
- Não sinta, a morte é natural para o ser humano, tão natural quanto à própria vida.
Harry a observou seriamente e então, sorriu.
Ele podia entender porque aquela menina estava em Ravenclaw.
- Você...?
- Luna Lovegood – respondeu à pergunta muda.
- Certo – sorriu – Mas o que aconteceu com os seus sapatos?
- Oh, às vezes minhas coisas desaparecem do meu dormitório. Acho que é por causa dos Narguilés.
- Nargo... O que?
- Narguilés.
- Entendo – comentou divertido, observando o ar sonhador da menina. Esta, ao notar a rejeição do pequeno filhote de Testrálho às maçãs que ela jogava, retirou um pedaço de carne crua da bolsa e jogou para ele, que na mesma hora abocanhou o aperitivo.
Por incrível que pareça, quando Harry se deu conta, já estava na hora do jantar. Ele passara a tarde inteira conversando com aquela excêntrica, mas sábia menina. Eram estranhas as descobertas que ele fazia a cada ano naquela escola e Luna Lovegood, aluna do quarto ano de Ravenclaw, fora uma de suas descobertas mais estranhas e gratificantes.
Aquela era uma menina que fazia jus ao escudo de sua casa.
Harry admirava pessoas como ela. E dispor da admiração do pequeno Lord, não era para qualquer um.
Continua...
Próximo Capítulo:
- Dumbledore está fazendo isso para desviar a nossa atenção.
(...)
- Ora, então vamos dar o que ele quer.
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N/A: Olá galera, como vocês estão? Espero que muito bem! Bom, como prometido, cá estou eu com uma atualização super rápida graças às FÉRIAS! Hehehe... Espero que gostem!
Gente, eu adoro a Luna! Sério, ela é uma das melhores e mais inteligentes personagens do livro, então, sendo o Harry Gryffindor ou Slytherin, a nossa querida lunática estará ao seu lado! Bom, nos próximos capítulos vocês verão o surgimento da Armada Riddle, os problemas que afligirão à relação do Harry e do Draco e como se não bastasse, uma inusitada aproximação do Harry e do Theo por motivos... Bom, ainda desconhecidos.
Então, se quiserem o próximo capítulo rapidinho, já sabem: mandem suas REVIEWS!
Qualquer comentário, críticas, elogios ou sugestões...
São sempre bem vindos!
Um grande beijo e meus sinceros agradecimentos à:
kaah potter... AB Feta... Deh Isaacs... Simon de Escorpiao... yoshino-sama... vrriacho... Raquel Potter Draco... JeffBee... yuri chan... Bet97 e Lari SL!
Até mais, pessoal!
E a próxima atualização, em breve:
O ÚLTIMO CAPÍTULO de Lágrimasde um Príncipe.
