Nota: (1) – Harry Potter e seus personagens não me pertencem. E sim a J.K. Rowling.
(2) – Essa é uma história Slash, ou seja, relacionamento Homem x Homem. Se não gosta ou se sente ofendido é muito simples: Não leia.

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Para grande pesar do pequeno Lord, no dia seguinte, ele precisou voltar a Hogwarts. Cabe destacar que seu humor estava pior do que o de Snape num dia ruim, uma vez que a terrível briga que tivera com Draco na noite anterior ainda estava dolorosamente gravada em sua mente e o que era pior, em seu coração. Na viagem de volta, no Expresso Hogwarts, ele sequer olhou para os lados antes de se trancar numa cabine com Pansy, a única para quem ele contara o ocorrido e que o estava apoiando desde então. Coisas como: "o ciúme falou mais alto, ele não queria ter dito aquilo" ou então "ele é um idiota, mas ama você, logo virá pedir perdão" era o que sua amiga falava para consolá-lo, mas nada parecia diminuir sua dor, apenas se lembrar das cruéis palavras de Draco afirmando que fora um erro começar aquele namoro fazia com que as lágrimas voltassem a banhar seus olhos. Harry, então, lembrou-se da desculpa que havia dado ao Lord para explicar a ausência de Draco no dia seguinte na mansão: "ele não estava passando bem e achou melhor voltar para casa", havia mentido com um sorriso e um leve ar de preocupação, para que seu pai não percebesse toda a dor que o consumia por causa do herdeiro da fortuna Malfoy e assim, decidisse assassiná-lo da maneira mais cruel que conhecia, pois absolutamente ninguém poderia ferir o coração do seu 'filhote' e sair impune da fúria do Lord e de uma imponente serpente com instinto materno.

As coisas, porém, não estavam sendo fáceis.

Foi o que Harry constatou nos dias que se seguiram.

- Harryzito, você não pode ignorá-lo para sempre – uma exasperada Pansy suspirou.

Eles estavam no Salão Principal, apreciando um delicioso café da manhã na mesa das serpentes, com Harry situado no meio da mesa entre Pansy e Theodore, de frente para Tracey Daves e Wendelin Schwärtz. No outro extremo, próximos à mesa dos professores, estavam Draco e Blaise, o primeiro não parava de lançar olhares preocupados ao pequeno Lord, e o segundo apenas suspirava com o que acontecia entre os dois.

- Ah, não posso? Então veja como eu faço, Pan.

- Ok, você pode ignorá-lo, mas não é o certo – revirou seus belos olhos negros, com um gesto ligeiramente despreocupado – Vocês precisam conversar.

- É mesmo, sobre o que? Sobre como ele é um paranóico idiota?

- Bom...

- Não, Pan, eu cansei disso.

Com seu ar naturalmente superior e o olhar esmeralda decidido, Harry se levantou da mesa e seguiu em direção à saída do Salão Principal, sob o olhar expectante e os murmúrios dos demais estudantes e até mesmo de alguns professores. Absolutamente todos comentavam a ausência de um adorno crucial na suave mão direita de Harry. Há semanas este era o assunto principal de Hogwarts: Harry não estava usando o anel de esmeralda cravejado com diamantes que não havia deixado o seu dedo desde o seu aniversário de treze anos, quando oficializara seu namoro com Draco Malfoy.

O casal mais famoso de Hogwarts estava separado.

- Ele não está usando o anel.

- Acalme-se, Draco.

- Você viu isso, Blaise, desde que chegamos a Hogwarts ele não está usando o anel.

- Oh, Merlin... – o herdeiro da fortuna Zabini suspirou, preparando-se para ouvir as mesmas coisas que ouvira a semana inteira.

- Aquele desgraçado – Draco estreitou os olhos, observando Theodore se levantar logo em seguida e sair atrás de Harry como um cão fiel e sarnento, e Pansy, então, seguir atrás dos dois com um ar exasperado em seu fino e belo rosto – Aposto que ele está adorando isso.

- Sem dúvida – o moreno concordou, ganhando um olhar indignado de Draco – Não me olhe assim, Dragão, o Nott realmente está adorando a briga de vocês e o seu orgulho estúpido está dando exatamente a chance que ele quer.

- O que quer dizer?

- Quero dizer que o Harry está disponível aos encantos de qualquer um.

- O que? É claro que não!

- Vocês não estão mais juntos então é o que parece.

- Mas nós... – apertou os punhos, evidentemente frustrado.

- Vocês o que, Dragão?

- Nós estamos juntos – murmurou não muito convicto. E o olhar de Blaise, com a sobrancelha ironicamente arqueada, deixava claro o que o loiro não fazia questão de saber.

Ok. Talvez eles não estivessem juntos agora, mas era apenas questão de tempo, Draco pensava. Logo o pequeno Lord veria que o amor que professavam um pelo outro era maior do que qualquer mal entendido. Tudo se resolveria facilmente, sem que precisasse pedir desculpas, pois os Malfoy não devem pedir desculpas, principalmente quando estão certos. O único culpado ali era o insuportável come-livros Theodore Nott.

Os dias, então, foram passando e Draco Malfoy revendo seus pensamentos.

Talvez ele precisassem sim pedir desculpas.

Certo, até implorar de joelhos.

Mas agora era inútil.

- Ele não quer falar comigo – suspirou derrotado, deixando-se cair displicentemente numa cadeira ao lado de Blaise, que apreciava o calor da lareira do Salão Comunal Slytherin.

- Você tentou...?

- Eu tentei de tudo – interrompeu, agarrando seus preciosos cabelos louro-prateados com desespero – Desde flores e bombons até serenatas no meio da aula de herbologia, o que ainda me faz lembrar as dores daquele Cruciatos que ele me lançou.

Blaise não pôde conter um sorriso ao se lembrar da cena. O pequeno Lord, com certeza, herdara o sadismo e a impetuosidade do pai.

- E hoje no treinamento da A. R. ele sequer olhou para mim – continuou o lamento, sob o olhar divertido do amigo – As coisas estão assim há semanas, desde que voltamos, eu não agüento mais isso.

- Ninguém mandou ser um idiota – responderam duas vozes: a de Blaise e a de Pansy, que acabava de ingressar no recanto das serpentes.

- Pansy!

Os olhos acinzentados percorriam avidamente o caminho pelo qual surgira a menina, procurando por alguém que a estivesse acompanhando, mas ela se encontrava sozinha.

- Não adianta procurar, Draquinho, ele não está comigo desde o jantar.

- E onde ele está?

Ela hesitou por alguns segundos, mas então, respondeu com um suspiro:

- Na Câmara Secreta, fazendo algumas pesquisas nos livros deixados por Salazar.

- E com quem ele está? – perguntou por entre os dentes cerrados. Sabia muito bem a resposta.

- Com o Nott.

A fúria, então, deixou-se contemplar nos olhos acinzentados que agora se assemelhavam a poços de tempestades. Ora, ele estava ali sofrendo enquanto Harry se deleitava nos braços daquele maldito perdedor. Se essa era a vontade do pequeno Lord então o deixaria em paz para desfrutar dos afetos de outros. Ele não voltaria a se humilhar pelo perdão de Harry, ou não se chamava Draco Malfoy.

- Espero que eles sejam felizes juntos – declarou com ódio, seguindo para o dormitório como um leão, ou melhor, uma serpente enjaulada.

A única menina do grupo, por sua vez, revirou os olhos e se acomodou ao lado do melhor amigo:

- Nunca pensei que um Malfoy pudesse ser tão cego e idiota.

- Oh sim, o Draco sempre nos surpreende. Seus níveis de idiotice podem subir de forma alarmante quando se trata do Harry.

- Espero apenas que não seja tarde de mais quando ele cair em si – suspirou ela.

- Todos nós esperamos.

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Se houvesse uma palavra capaz de definir tanto Harry quanto Draco, esta seria: determinação. Afinal, os meses passavam e o casal mais famoso de Hogwarts não dirigia a palavra um ao outro e assim, atestavam toda a sua determinação em se manterem afastados, ou como Pansy e Blaise diziam, "atestavam suas cabeças-duras". Draco estava sempre com seu amigo Blaise, ou, na pior das hipóteses, era seguido fielmente por Crabbe e Goyle, nunca abandonava o ar auto-suficiente característico de um Malfoy e na presença de Harry se mostrava completamente indiferente, ainda que seu coração parecesse dilacerado por dentro enquanto lançava rápidos olhares ao pequeno Lord e se via consumido pela saudade de tê-lo em seus braços. Harry, por sua vez, estava sempre com Pansy e Theodore – este com um humor radiante desde que haviam voltado a Hogwarts –, fazendo jus ao seu título nunca se mostrava abalado por nada, mantendo o olhar firme e isento de emoções, como seu pai lhe ensinara para enfrentar situações em que se sentisse derrotado. A saudade que sentia do namorado só não era mais forte, porém, do que a dor que o consumia ao se lembrar das cruéis palavras que haviam deixado os lábios do loiro naquela fatídica noite. E não, ainda não estava pronto para perdoá-lo, não sabia se algum dia estaria. Mas o amava. Oh sim, amava-o com toda a sua alma, e nas noites frias do castelo, com sua cama sob um feitiço desilusório e silenciador, deixava as lágrimas banharem livremente o seu rosto enquanto apertava o anel de esmeraldas em sua mão, pois este nunca o havia deixado, permanecia sempre junto ao seu coração numa fina corrente de ouro branco que levava no pescoço. Separados, Harry e Draco sentiam as mesmas coisas: dor, angústia e saudade. Mas o orgulho e o ressentimento pareciam falar mais alto.

Neste deplorável cenário, chegara o mês de junho. E para os quintanistas isto significava apenas uma coisa: estavam às vésperas dos N.O.M.s. Os professores não passavam mais deveres de casa; as aulas eram dedicadas a revisar os tópicos que eles achavam que mais provavelmente cairiam nos exames. A atmosfera premeditada e febril havia varrido a cabeça de quase todos os alunos, 'quase todos', pois Harry sequer se lembrava da proximidade eminente de tais exames e ainda que passasse grande parte do dia preparando os membros da A. R. para as provas ou dedicasse longas horas das noites para estudar com Theodore na Câmara Secreta – não por necessidade, mas pelo simples prazer de mergulhar num bom livro e tentar esquecer o resto do mundo –, bastava um olhar de esgueira a Draco Malfoy, aos seus olhos acinzentados frios e soberbos, ao seu porte naturalmente aristocrático, para que sua mente fosse varrida por completo.

- Como vocês podem ver – disse a Prof.ª McGonagall à classe enquanto os alunos copiavam as datas e os horários dos exames da lousa –, os seus N. O. M.s estão distribuídos por duas semanas sucessivas. Vocês farão os exames teóricos pela manhã e os práticos à tarde. No caso do exame prático de Astronomia, naturalmente, à noite.

- Psiu! Harry, está tudo bem?

- Sim, Pan – sussurrou à preocupada menina ao seu lado – Por que a pergunta?

- Você está com o olhar perdido...

- Impressão sua – interrompeu, fingindo voltar sua atenção aos avisos da professora quanto aos poderosos feitiços anticola que seriam usados nos dias dos exames, seus olhos, porém, recaindo instintivamente numa bela cabeleira loura situada duas carteiras à frente.

Um curioso bilhete, no entanto, voara em sua direção lhe distraindo de seus confusos pensamentos, que só não eram mais confusos do que os seus próprios sentimentos.

"C. S. depois do jantar?
Precisamos aprofundar
no poder ofensivo do Patrono.

Theo.

PS: Não deixe que lhe aflija.
Você é mais forte do que isso.
Mais forte do que tudo".

Um encantador e agradecido sorriso, então, desenhou-se nos lábios rosados do pequeno Lord. Theodore, sem duvida, era um valioso amigo. Obviamente, Harry sabia que o herdeiro da fortuna Nott estava se aproveitando do seu afastamento de Draco para se aproximar, como qualquer Slytherin que se preze faria, mas, mesmo assim, Theo se mostrava solícito e respeitoso, nunca o pressionando em qualquer sentido, parecia satisfeito apenas em poder desfrutar de sua presença.

E sem borrar o sorriso, Harry lhe mandou a resposta:

"Ok. 21h00min.
Entrada do Salão Comunal.
Levarei a Capa de Invisibilidade.

Harry.

PS: Obrigado".

Os dias, então, passaram depressa e antes mesmo que os quintanistas pudessem se dar conta, encontravam-se no Salão Principal acomodados em mesas individuais que haviam substituído as quatro habituais mesas de jantar que representavam cada casa. As mesinhas individuais estavam de frente para a mesa dos professores no fundo do salão, à qual estava a Prof.ª McGonagall, por sua vez, de frente para as mesas dos alunos. Depois de que todos se sentaram e sossegaram, ela disse:

- Podem começar – e virou uma enorme ampulheta na mesa ao lado, sobre a qual havia ainda penas, tinteiros e rolos de pergaminho de reserva.

Harry virou a folha do exame, com o desinteresse de quem folheia uma revista velha na loja da Madame Malkin. Seu pai o havia alertado antes, avisando-o que aquelas provas seria algo ridículo para os seus padrões, o que ele constatou ao ler a primeira pergunta: "a) cite o encantamento e b) descreva o movimento da varinha exigido para fazer os objetos voarem".

Aquilo era ridículo.

Não, era mais do que ridículo.

Era impensável. Uma brincadeira de criança exigiria mais raciocínio.

Com um suspiro resignado, porém, ele começou a escrever, respondendo com perfeição e abrangendo muito mais do que o exigido pelas estúpidas perguntas que uma criança de cinco anos – pelo menos ele aos cinco anos – seria capaz de responder. Em exatos quinze minutos ele havia terminado e entregado para a estupefata professora seus longos pergaminhos preenchidos com exatidão. Retirou-se, então, sob o olhar impressionado dos demais estudantes.

Após cinco minutos de sua saída, Theo se juntava a ele no corredor do Salão Principal.

- Por que a demora? – perguntou divertido.

- Decidi revisar o que havia escrito, estava entediado.

- Quando passei pela sangue-ruim-Granger vi que ela estava quase chorando.

- Típico – Theodore revirou os olhos – Espero que os exames práticos sejam menos estúpidos.

Harry, no entanto, arqueou uma sobrancelha ironicamente:

- Não se iluda, Theo, com certeza serão ainda piores do que este.

- De fato... – antes que pudesse continuar uma terceira pessoa havia acabado o exame e saía do Salão Principal. Theodore, é claro, estreitou os olhos ao vê-lo.

Draco Malfoy os encarava fixamente, o rosto isento de qualquer expressão, mas o ciúme, a dor e a angústia estavam claramente presentes nas íris acinzentadas, pelo menos para quem soubesse lê-las E para Harry, Draco era um livro aberto.

- Vamos, Theo.

A voz do pequeno Lord ressoou gélida aos ouvidos de Draco, que observou o amado seguir em direção às masmorras sem olhar para trás, sem lhe dignar um mísero olhar, com um altivo – e insuportável, na sua opinião – Theodore Nott logo atrás.

O coração do loiro, então, apertou dolorosamente em seu peito.

Ele não sabia por quanto tempo mais agüentaria aquilo.

Precisava de Harry. Amava-o.

Mas não sabia o que fazer.

O exame prático, mais tarde, segundo Harry, não lhe surpreendeu ao ser ainda mais estúpido do que o teórico. Os estudantes precisavam fazer um pequeno objeto levitar. E quando o seu nome foi chamado ele não pode evitar revirar os olhos e lançar ao ar um suspiro de desdém. Cabe destacar que o examinador não despregava os olhos de sua cicatriz, encarando-o com um misto de admiração, temor e curiosidade. Ridículo, Harry pensou pela milionésima vez naquele dia.

- Riddle, não é? – perguntou o examinador quando Harry se aproximou ao ser chamado. E Harry, suspirando internamente, assentiu – Muito bem, senhor Riddle, gostaria que você fizesse este porta-ovo dar saltos mortais para mim.

- Com varinha ou sem? – perguntou com desinteresse. O examinador, no entanto, arregalou os olhos.

- O senhor p-pode movê-lo sem o uso da v-varinha?

Como resposta, Harry apenas agitou sua mão direita e em seguida, o porta-ovo dava piruetas no ar. O agora pálido examinador anotava algo freneticamente no pergaminho em sua prancheta, enquanto murmurava o quão poderoso e genial aquele garoto era e como sua classificação seria formidável. Isto, porém, não era novidade para Harry.

As duas semanas de exames passaram depressa, mas Harry não se importava nem um pouco com aquilo, eram provas ridículas, como seu pai havia comentado. No final da última semana dos N. O. M.s a maioria dos estudantes parecia consumida pelo cansaço e pela tensão, mas o grupo das serpentes – ainda que momentaneamente separado – mostrava-se impecável como sempre. Era indubitável que Harry e seus amigos teriam as melhores notas, pois haviam sido criados para saber muito além daquilo, muito além do óbvio institucional, criados como os poderosos magos e bruxas que eram, sangues-puros cuja finalidade era se impor e governar os demais. A agradável surpresa, no entanto, seriam as boas notas que os membros da A. R. receberiam graças aos ensinamentos das jovens serpentes e Harry, é claro, estava orgulhoso de seus alunos.

Chegavam, então, as últimas semanas do ano letivo.

Logo os alunos de Hogwarts voltariam para suas casas.

E Harry, irrequieto, pensava em como a cara-de-sapo e o velhote maluco estavam silenciosos. Silenciosos de mais, pois o ano letivo estava acabando e o diretor ainda não havia tentado matá-lo, como era de praxe, algo no mínimo de se estranhar.

- "É melhor não pensar nessas coisas – Harry ponderou consigo – se não quiser atraí-las".

Assim, com um suspiro, o pequeno Lord se pôs a dormir.

O sossego havia sido bom...

...Enquanto durara.

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Era um corredor gélido e obscuro. Um conhecido corredor gélido e obscuro. Harry o percorria com a respiração ofegante, o corpo trêmulo e a horripilante impressão de que burlescos olhos azuis observavam-no. A sensação de vulnerabilidade, o medo, a angústia, ele não agüentava mais passar por aquilo, viver quase todas as noites aquilo.

Era o mesmo pesadelo.

Uma e outra vez.

O corredor sombrio. Os olhos azuis o encarando com malícia. E a porta à qual ele chegava, a curiosa porta que nunca conseguia alcançar.

Mas desta vez ele alcançou. E ouviu gritos. Gritos numa conhecida voz.

- Papai... – murmurou assustado, no sonho e na vida real, debatendo-se na cama.

E então ele viu.

Seu pai estava no meio de uma sala sombria e rodeada de prateleiras, amarrado por poderosas correntes mágicas que a cada segundo drenavam sua magia e sua força vital, e ele gritava, Harry nunca havia ouvido tal som, seu pai gritava de dor enquanto era torturado por Dumbledore.

O diretor sorria, encarando-o com os burlescos olhos azuis:

- É o seu fim, Voldemort.

- Você não pode me matar – replicou a voz fraca.

- Oh, mas eu descobri um jeito. Quinze anos de pesquisa foram preciso, mas eu descobri como, e agora você nem mesmo pode se despedir do seu filhinho. Você morrerá sozinho, Voldemort, nesta tétrica sala do Ministério...

- Desgraçado!

Harry sentia a fúria, as lágrimas e a impotência o invadirem.

E gritou:

- PAPAI!

Mas era tarde de mais. Um poderoso raio negro havia deixado a varinha de Dumbledore e impactado diretamente no peito do Lord. Era tarde de mais. Harry havia acordado.

- Papai... – murmurou, a respiração ofegante e o suor frio escorrendo de sua testa. Reconheceu, então, que estava em seu quarto nas masmorras de Hogwarts. Mas seu pai estava em perigo, não havia dúvidas.

No entanto, aquilo podia ser um truque de Dumbledore, e como Harry não era um Gryffindor impulsivo, decidiu averiguar o paradeiro de seu pai pela conexão. Ele se concentrou, mas nada aconteceu. Mais uma vez... E nada. Outra vez... E nada, de novo. E ele se lembrou do sonho.

Era uma clara premonição, seu pai estava correndo perigo de vida.

E ele não conseguia abrir a conexão, o que atestava isso.

Precisava fazer alguma coisa. Urgente.

- Aonde você vai? – a preocupada e sonolenta voz de Draco o surpreendeu. Este encarava o consternado semblante do moreno esperando uma explicação, Harry não se mostraria assim tão abalado por qualquer coisa.

- Não é da sua conta, volte a dormir.

- Você está chorando – observou assustado – O que aconteceu? Aonde você vai, Harry?

- Cale a boca e volte a dormir!

A discussão, porém, logo acordou os outros dois habitantes do quarto:

- O que aconteceu? – murmurou Blaise, sonolento.

- Harry, está tudo bem? – questionou Theodore, observando com a mesma preocupação de Draco o ar descompensado que rodeava o pequeno Lord.

Harry, então, tentando conter as lágrimas, explicou superficialmente o conteúdo do sonho e sua suspeita, esta fortalecida pelo fato de não conseguir abrir a conexão com seu pai. Os três, ao final do breve relato, encaravam-no assombrados.

- Não é possível... – balbuciou Draco, ainda em choque, o poderoso Lord das Trevas não poderia estar correndo tamanho perigo. Mas o fato de Harry não conseguir abrir a conexão era realmente alarmante.

- Possível ou não, estou a caminho do Ministério para descobrir.

- Há grandes chances de ser uma armadilha.

- Eu sei, Theo, mas não posso ficar de braços cruzados enquanto meu pai possivelmente está correndo risco de vida. Eu não consegui abrir a conexão, sabe o que isto significa? Quando um de nós não consegue estabelecer a conexão de nossas mentes o outro está em perigo. Eu não posso ficar aqui e deixá-lo morrer. Ele é tudo para mim – sussurrou a última parte, uma solitária lágrimas deslizando de seu olho esquerdo.

- Eu vou com você – afirmou Draco, convicto, a esta altura o ressentimento que perdurara no coração do herdeiro da fortuna Malfoy por meses havia simplesmente desaparecido.

- Eu também – declarou Theodore.

- Mas...

- Não vão nos deixar sair, há essa hora a segurança do castelo está muito fortalecida, qualquer movimento seria detectado facilmente – Blaise ponderava de maneira analítica – Precisaríamos de uma distração para sair sem perigo de sermos seguidos.

Com as belas esmeraldas brilhando decididas, Harry ordenou:

- Convoque a Armada Riddle.

Havia chegado a hora.

Esta noite seria comprovada as habilidades de seus aprendizes.

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7min42seg.

Havia sido o tempo necessário para que todos estivessem na Sala Precisa.

- Vocês entenderam? – a entonação imponente e decidida remeteria qualquer um à imagem do próprio Lord Voldemort numa importante reunião com seus Comensais – Quero um verdadeiro caos. Espalhem-se pelos pontos estratégicos, em pequenos grupos comecem a duelar e a lançar maldições não verbais a quem quer que vejam pela frente. Quero agitação, terror, gritaria, os mais estrondosos feitiços. Fui claro?

- Sim – responderam em coro.

- E o mais importante, não sejam pegos, ou pelo menos demorem a ser pegos.

Todos assentiram. Não havia qualquer sinal de sono em seus rostos, segundo Harry e o grupo das serpentes, aquela seria a missão mais importante de suas vidas. Eles não sabiam exatamente do que se tratava, mas não questionariam, Harry e seus amigos precisavam sair do castelo e era o que eles providenciariam. Desde Megan Jones, a mais assustada Hufflepuff, até Robert Mulciber, o mais habilidoso e centrado Slytherin, uma única certeza estava gravada em suas mentes: não iriam falhar.

- Agora vão, assumam suas posições e esperem pelo meu sinal – ordenou Harry e imediatamente os membros da A. R. deixaram a Sala Precisa.

Apenas o grupo das serpentes restava no local, com Pansy agora inteirada do que realmente se passava ali. No entanto, uma loura Ravenclaw de ar sonhador ainda permanecia entre eles completamente estática em seu lugar.

- O que você está fazendo aqui ainda, lunática, assuma sua posição com os outros!

A irritada voz de Draco, no entanto, não surtiu efeito algum.

- Luna...? – questionou Harry, e com um avoado sorriso ela declarou:

- Vou com vocês.

- O que...?

- Afinal, como vocês sairão sem serem notados?

- Nossas vassouras, é claro! – o herdeiro da fortuna Malfoy não estava com muita paciência para a lunática menina.

- Oh, não. Vassouras não são nem um pouco discretas. A melhor opção seriam os Testrálios, sem dúvida.

- Essa menina é louca... – Draco começou a protestar, mas antes que pudesse continuar, a animada voz de Harry o deteve:

- Idéia brilhante, Luna! Excelente!

Sob o atônito olhar das demais serpentes, Harry seguiu em direção à saída. Estava na hora. Bastou, então, uma simples mensagem aparecer na moeda dos membros da A. R.: "AGORA". E no estante seguinte, Hogwarts se viu submersa num pandemônio. As maldições voavam deliberadamente pelos ares, acompanhadas de gritos e explosões, os estudantes duelavam entre si, enfeitiçavam objetos com magia obscura, depredavam a escola, criando uma verdadeira algazarra que em poucos minutos despertou todos os habitantes do castelo. Os professores, assombrados, tentavam detê-los a todo custo. Os demais estudantes se viam submersos no assustador cenário: alguns eram vítimas das maldições; outros entravam no clima e aproveitavam para se juntar às brigas lançando diferentes feitiços pelos ares. E Dolores Umbridge, em meio àquele alvoroço, corria de um lado para o outro gritando como uma louca descompensada, até ser atingida por um poderoso feitiço de Padma Patil e cair desmaia no chão.

Enquanto isso, nos arredores do Bosque Proibido, Harry e seus amigos levantavam vôo sobre os Testrálios.

- Eu não acredito que estou voando em cima de uma coisa que não posso ver – choramingou Pansy, agarrada à cintura de Blaise, que também apertava os olhos com força, morrendo de medo.

De fato, apenas Harry, Luna e Theodore conseguiam vê-los.

Mas nenhum deles desistiria. A fidelidade que existia entre as serpentes era maior do que qualquer Gryffindor poderia sonhar. E aquele grupo, em especial, faria o que fosse preciso para ajudar uns aos outros, principalmente para ajudar seu amado líder, e Harry, sinceramente agradecido, sabia que podia contar com todos eles. Seu coração, no entanto, parecia dilacerado em seu peito.

A possibilidade de perder seu pai... Não. Ele não podia pensar naquilo.

Chegaria a tempo de impedir Dumbledore.

Chegaria a tempo de salvá-lo.

- Por favor, papai... – murmurou, sentindo o vento gelado bater em seu rosto. No entanto, resposta alguma ressoou em sua mente. A conexão estava inativa. Seu pai estava em perigo.

Ele precisava chegar a tempo.

Precisava.

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Anoitecera, e eles continuaram pela escuridão que se adensava. Harry sentiu o rosto tenso e frio, as pernas dormentes ao comprimir com tanta força os flancos do Testrálio, mas ele não ousava mudar de posição, seus braços rodeavam com força o pescoço do cavalo alado como se quisesse vê-lo voar ainda mais rápido. A cabeça do Testrálio, então, começou a apontar para o solo, e Harry chegou a deslizar alguns centímetros pelo pescoço do animal. Estavam finalmente descendo. Agora, fortes luzes cor de laranja iam se tornando maiores e mais redondas por todos os lados; podiam ver os altos dos edifícios, cadeias de faróis que lembravam olhos de insetos, quadrados, amarelo-claros assinalando as janelas. Subitamente, pareceu a Harry, estavam se precipitando em direção à calçada; e antes mesmo que o pequeno Lord pudesse se preocupar com uma possível desastrosa aterrissagem, o cavalo alado pousou no chão escuro com a leveza de uma sombra e Harry escorregou do seu dorso, espiando a rua ao seu redor, onde uma cabine telefônica depredada se encontrava a uma pequena distância.

Haviam chegado.

- Por aqui. – Ele deu uma palmadinha breve de agradecimento em seu Testrálio, depois conduziu os amigos rapidamente para a cabine telefônica.

- Meu pai me falou desse lugar – comentou Blaise – é a entrada de visitantes.

- Exato. Vamos!

Logo todos se apertavam dentro do local. E Harry não podia deixar de sentir as bochechas queimando ao ver-se no meio de Draco e Theodore, numa posição realmente incômoda.

- Quem estiver mais próximo do telefone, disque... – e agora, qual era o número mesmo? Ele recordava vagamente as palavras de seu pai enquanto este lhe ensinava sobre cada ponto estratégico que ele precisava saber do Ministério, os quais incluíam suas principais entradas – seis, dois, quanto... acho que quatro outra vez e dois.

Pansy discou, e uma voz tranqüila de mulher ecoou na cabine:

- 'Bem-vindos ao Ministério da Magia. Por favor, informem seus nomes e o objetivo da visita'.

- Harry Riddle, Draco Malfoy, Theodore Nott, Blaise Zabini, Pansy Parkinson e Luna Lovegood – disse Harry imediatamente – Estamos aqui para salvar a vida de alguém, a não ser que o seu inútil Ministério possa fazer isso primeiro!

- 'Obrigada' – disse a voz tranqüila – 'Visitantes, por favor, apanhem os crachás e os prendam no peito das vestes'.

Isso é ridículo, pensou Harry, e então, meia dúzia de crachás saíram da fenda de devolução de moedas. Pansy recolheu e os entregou em silêncio a Harry, por cima da cabeça de Blaise; o pequeno Lord observou o crachá de cima: "Harry Riddle, Missão de Salvamento".

- 'Visitantes ao Ministério, os senhores devem se submeter a uma revista e apresentar suas varinhas para o registro na mesa da segurança localizada ao fundo do Átrio'.

- Ótimo! – exclamou Harry, sentindo sua magia se agitar pela irritação – Agora podemos descer?

O piso da cabine estremeceu e a calçada se elevou passando por suas vidraças; os Testrálios foram desaparecendo de vista; a escuridão se fechou sobre as cabeças dos garotos e, com um ruído surdo de trituração, eles desceram às profundezas do Ministério da Magia. Uma réstia de suave luz dourada, então, iluminou seus pés e ampliou-se para os seus corpos. Harry empunhou firmemente a varinha, pronto para lançar um Avada Kedrava em qualquer guarda que os esperasse no Átrio para a revista, mas o local parecia completamente deserto. A luz estava fraca, não havia lareiras acesas, e o elevador foi parando suavemente.

- 'O Ministério da Magia deseja aos senhores uma noite agradável' – disse a voz de mulher.

A porta da cabine telefônica se escancarou; Harry saiu com dificuldade e a primeira coisa que fez, com um simples balançar de sua mão direita, foi incendiar os estúpidos crachás que ainda estavam em suas mãos. O único som no Átrio era a torrente contínua de água na fonte dourada, que jorrava das varinhas do mago e da bruxa, da ponta da flecha do centauro, do gorro do duende e das orelhas dos elfos domésticos para o tanque ao redor.

- Vamos – disse Harry baixinho, e os seis saíram correndo pelo saguão, Harry à frente, passaram pela fonte e se dirigiram aos portões dourados que davam acesso ao elevador. Não havia nenhum guarda ou vigia, o que certamente era um mau sinal.

- Em que sala eles devem estar? – questionou Pansy, ao chegarem ao elevador.

- Uma sala sombria e cheia de prateleiras... – murmurou Harry, pensando depressa – Draco, seu pai conhece este Ministério melhor do que a própria Mansão Malfoy, ele mencionou alguma vez sobre uma sala sombria, cheia de prateleiras e pouco usada geralmente?

- Uma sala deserta e cheia de prateleiras...? Pode ser... Bem, com estas características ele sempre se referiu ao Departamento de Mistérios, poucos funcionários têm acesso a esse lugar, é o mais horripilante daqui.

- Departamento de Mistérios, é claro!

Eles, então, adentraram no elevador, que logo fechou as grades e começou a descer depressa quando Harry apertou o número nove. Quando o elevador parou, uma tranqüila voz de mulher anunciou: "Departamento de Mistérios", e as grades se abriram. Eles saíram para o corredor onde nada se movia exceto as chamas dos archotes mais próximos, bruxelando na corrente de ar produzida pelo elevador. Harry se virou para a porta no final do corredor gélido e obscuro. Um conhecido corredor gélido e obscuro. Uma conhecida porta que ele nunca conseguia alcançar, exceto por esta noite. Depois de sonhar meses com essa imagem, ele finalmente estava ali.

- Vamos – sussurrou, e saiu à frente pelo corredor, Luna logo atrás, olhando para tudo com a boca ligeiramente aberta.

Quando Harry abriu a porta, aquela conhecida porta, com a mão trêmula, deparou-se com uma sala enorme e sombria repleta de estantes de prateleiras. Seu pai estava ali. Era aquele o exato local. Ele, então, com a varinha em riste sob o feitiço Lumos, correu para o final da sala, seguido de perto por seus preocupados amigos.

Mas não havia nada ali.

Ele parou de frente para a única estante quebrada daquele local, a estante que ele reconheceu em seu sonho, que anunciava onde seu pai deveria estar, mas não havia nada ali.

- Harry... – Theodore o encarava, preocupado, como os demais.

- É uma armadilha – murmurou.

- Nós sabemos – replicou uma tranqüila Luna. No entanto, antes que o pequeno Lord pudesse dizer qualquer outra coisa, uma poderosa luz branca brilhou acima de suas cabeças e uma a uma, as prateleiras começaram a desmoronar.

- CORRAM! – demandou Harry, e foi o que todos fizeram.

Inúmeros vultos brancos deslizavam por entre as prateleiras que desmoronavam, lançando maldições em Harry e seus amigos, que corriam e rechaçavam as maldições com feitiços igualmente poderosos. Mas os inimigos eram muitos, quase o dobro, e então, eles corriam. As nuvens de poeira e magia se misturam aos destroços, o barulho dos feitiços se chocando eram ensurdecedor, e as diferentes cores das maldições se entrelaçavam em meio à destruição e ao pavor.

Ao avistarem uma porta de madeira lascada no final da sala das prateleiras, Harry e os outros correram para ela e quando a cruzaram, viram-se em meio a uma sala redonda e vazia, completamente vazia a não ser pelo curioso arco que parecia coberto por um véu transparente situado sobre alguns degraus. Mas eles sequer puderam contemplar direito o local e procurar por uma saída, quando uma ensurdecedora explosão se fez ouvir acompanhada por um redemoinho branco que logo os rodeou, obrigando-os a se jogar no chão e colocar as mãos sobre as cabeças para se protegerem.

No instante seguinte, quando Harry abriu os olhos, sentiu seu sangue gelar.

Olhando ao redor ele contemplava alguns rostos que conhecera no ano passado, na armadilha que Dumbledore forjara para ele no Torneiro Tribruxo. Era a Ordem da Fênix. Os membros da Ordem da Fênix estavam ali, com a varinha perigosamente apontada para os pescoços de seus amigos, que agora, viam-se aprisionados e impotentes. Aquela odiosa bruxa de cabelos cor-de-rosa sujeitava Pansy, ao lado dela, outro bruxo segurava um enfurecido Draco, e os demais se encontravam na mesma posição.

- Harry, Harry, que surpresa agradável tê-lo por aqui.

- Dumbledore... – suspirou, voltando-se para encarar o sorridente velhote às suas costas.

- Você sabe que está infringindo o toque de recolher, não sabe? – perguntou com burla.

- E eu que pensava que este ano não teríamos o nosso habitual encontro privado.

- Oh, não se preocupe, este ano será o seu último, meu querido.

- Você diz isso todos os anos.

Harry engoliu em seco ao sentir a ponta da varinha do diretor pressionar dolorosamente o seu pescoço, mas permaneceu impassível, encarando os burlescos olhos azuis.

- Mas dessa vez será diferente, meu querido Harry, porque dessa vez você mesmo veio docilmente à minha armadilha. Sabe, não devemos acreditar em tudo que sonhamos, o papai não lhe ensinou isso?

- Entendo. E o que foi que você usou?

- Você deve estar morrendo de curiosidade, não é? O que poderia deixar o poderoso herdeiro do Lord das Trevas assustado como um garotinho a cada sonho ruim? – sorriu com maldade – Bom, uma simples Pedra de Pesadelos foi o suficiente para surtir este efeito, uma pedra convenientemente camuflada na cabeceira de sua cama. Então, foi só mandar um elfo colocar uma Poção Oclumente em seu suco de abóbora no jantar de hoje para que você não conseguisse abrir a conexão com o papai e voilá, caiu como um patinho na minha armadilha.

Harry e Theodore, com um suspiro interno, repreenderam-se ao não pensar no óbvio.

- Meus parabéns, velhote, você se superou. Mas infelizmente este seu plano, como todos os demais, não irá funcionar.

- E por que não, levando em conta que sua garganta está a escassos centímetros de uma certeira maldição?

- Porque eu irei matá-lo antes que você possa agitar esta varinha – respondeu uma voz gélida e sibilante. Segundos depois, o diretor foi bruscamente virado e um punho certeiro impactou diretamente no seu nariz.

Harry sorriu.

Nunca se cansaria de contemplar aquela cena.

- Eu vou repetir apenas mais uma vez – sussurrou perigosamente a mesma voz – Fique longe do meu filho!

No instante seguinte, dezenas de vultos negros se manifestaram no local, colocando-se a duelar com os membros da Ordem da Fênix, que em clara deficiência numérica, não tinham chance alguma.

Uma desigual e violenta batalha, então, começou.

- Harry, pegue seus amigos e saia daqui! – o Lord demandou, digladiando-se com o diretor em meio a poderosos feitiços. A fúria podia ser claramente detectada nos olhos escarlates. Dumbledore seria um homem de muita sorte se conseguisse fugir da ira de Voldemort esta noite.

Sem pensar duas vezes, Harry seguiu as ordens de seu pai e correu para o canto da sala fazendo sinais para que seus amigos o seguissem. Estes, enquanto isso, ajudavam os Comensais a lançar maldições nos membros da Ordem, mas, quando viram os sinais de Harry, correram ao seu encontro.

- Precisamos sair daqui – murmurou o pequeno Lord, ofegante.

- Eu fiz uma Chave de Portal para Hogwarts – comentou Luna, casualmente, indicando um pequeno bracelete dourado em seu braço. Um pequeno filete de sangue escorria de seu supercílio esquerdo – Ele estará ativado em dois minutos.

- Genial, lunática...! Er... Quero dizer, Luna – corrigiu-se Blaise, com um pequeno sorriso.

- Certo, é só esperar dois... – mas Harry sequer pôde concluir a frase quando o assustado grito de Pansy o surpreendeu:

- CUIDADO!

O pequeno Lord, então, viu uma poderosa luz negra vir em sua direção.

Era o fim.

No entanto, um repentino movimento o empurrou para o lado e a única coisa que ele pôde ouvir foi o grito de dor que abandonou os lábios de Draco Malfoy.

- DRACO! – gritou assustado, vendo a maldição atingir em cheio o peito do loiro e este cair com um baque mudo ao seu lado.

- Harry, agora! – alertou Theodore, e todos tocaram no bracelete dourado, Harry abraçando fortemente o corpo frio do loiro em seus braços.

-x-

Minutos depois, seus corpos impactaram no gramado verde da entrada de Hogwarts, e ao fundo, a imponente estrutura do castelo lhes assegurava que estavam a salvo. Todavia, antes mesmo que os demais pudessem se colocar de pé, Harry lançava um feitiço de levitação em Draco e corria com ele para a entrada do castelo, seguido de seus ofegantes amigos. Seu único pensamento era que precisava chegar à enfermaria. Precisava chegar a tempo. Ele sequer notou o quão silencioso o castelo voltava a estar quando adentrou pelos portões principais, sinal de que o alvoroço criado pelos membros da Armada Riddle há algumas horas já havia sido contido. Seus apressados passos o guiavam diretamente ao quarto andar, onde se encontrava a enfermaria. Por sorte, nenhum professor, funcionário ou aluno interceptou seu caminho, pois, naquele momento, quem o fizesse estaria correndo risco de vida.

- Oh, Merlin... – exclamou Madame Pomfrey quando eles adentraram na Ala Hospitalar – O que aconteceu com senhor Malfoy?

- Não pergunte, apenas cure-o!

Ela não fez rogar quando ouviu a desesperada voz do pequeno Lord e num minuto começou a lançar feitiços de cura em Draco, que permanecia desacordado e frio, agora deitado numa das macas dali.

- Ele vai ficar bem, acalme-se, Harry.

Por incrível que pareça quem sussurrou tais palavras consoladoras foi Theodore. E Harry, então, deixou-se desabar nos fortes braços do amigo, chorando com amargura.

- Ele... Ele não pode me deixar...

- Não irá, ele é cabeça-dura de mais para isso.

Com um pequeno e angustiado sorriso, Harry assentiu, observando a enfermeira correr de um lado para o outro lançando feitiços e administrando poções no desacordado Slytherin que permanecia mais pálido do que nunca.

E pareceram passar horas.

Inúmeras horas a fio.

Quando Madame Pomfrey, visivelmente cansada, finalmente afirmou que a situação dele era estável e que acordaria em alguns dias. Ela, então, colocou-se a fazer curativos nos ferimentos superficiais de Luna e das outras serpentes, deixando todos medicados em poucos minutos.

- Vocês precisam descansar agora.

- Eu não vou sair daqui – declarou Harry e ela apenas assentiu.

- Tudo bem, senhor Riddle, mas os demais precisam ir.

Com leve movimento de cabeça, Harry indicou a seus amigos que podiam ir, ele ficaria bem, mas não sairia dali. E suspirando, eles obedeceram à severa enfermeira, deixando-os sozinhos. Ela, porém, ao observar a desoladora expressão do doce menino que tanto lhe recordava seu querido e espevitado aluno favorito, James Potter, assegurou que Draco Malfoy já não corria qualquer risco e após lhe entregar uma manta o deixou sozinho.

Instantes depois, Harry sentiu uma conhecida presença ali.

- Eu sabia que você estaria aqui, pude ver quando o jovem Malfoy foi atingido.

Harry, então, em lágrimas, correu para aqueles conhecidos e protetores braços que logo o estreitaram com carinho.

- Papai...

- Está tudo bem, pequeno.

- Eu não queria fazê-los correr perigo, mas quando eu vi você, naquele sonho, eu fiquei desesperado... E a conexão... E eu não sabia o que fazer... E...

- Acalme-se, pequeno – sussurrou, acariciando os cabelos revoltos e se sentando com ele numa das macas vazias – Respire fundo e me conte com calma exatamente tudo o que passou.

Harry, seguindo as indicações de seu pai, começou a relatar tudo. Desde o seu primeiro pesadelo até aquela noite em que o viu sendo torturado pelo diretor da escola e correu para o Ministério com o intuito de salvá-lo.

- Acabou que foi tudo planejado – murmurou com ódio – Ele camuflou uma Pedra de Pesadelos na minha cama e no jantar desta noite, colocou Poção Oclumente no meu suco de abóbora para que eu não pudesse abrir a conexão com você.

- Desgraçado – o Lord estreitou os olhos, abraçando ainda mais o menino.

- Você o matou?

- Aquele velhote tem sorte, antes que o meu Avada Kedrava chegasse a ele, um de seus capachos conseguiu aparatar com o seu moribundo corpo para longe.

- Moribundo?

- Entre a vida e a morte praticamente.

- Menos mal – Harry suspirou e então, olhou novamente para Draco, que permanecia desacordado na cama ao lado – Ele vai ficar bem? – murmurou.

- Sim, você o socorreu a tempo, pequeno. Ele é um Malfoy, no final das contas, não se deixará abalar tão fácil.

- O meu padrinho...?

- Não, Lucius não chegou a vê-lo atingido, e eu achei melhor não preocupá-lo.

Harry apenas assentiu. E durante algumas horas eles permaneceram assim, lado a lado, o Lord abraçando-o protetoramente. No entanto, Tom precisava voltar à Mansão Riddle e após garantir com uma convicção assustadora e um tanto misteriosa que este fora o último ano em que Harry se vira exposto aos perigos daquela escola, deixou-o novamente sozinho com o desacordado herdeiro da fortuna Malfoy, que, no entanto, já se encontrava com a temperatura do seu corpo normalizada e uma cor saudável adorando seu semblante aristocrático.

- Se você me deixasse sozinho, eu o ressuscitaria apenas para matá-lo, e da forma mais dolorosa possível – murmurou choroso, acariciando a mão cálida de Draco.

É claro que ele não esperava resposta alguma, mas continuou seu monologo mesmo assim:

- Seu cabeça-oca estúpido, não pense que você vai fugir de mim e das coisas horríveis que você me disse assim, não mesmo Draco Malfoy, você não tem o direito de morrer sem me pedir desculpas. Você não tem o direito de morrer e me deixar sozinho, seu idiota, porque eu não sei viver sem você e o seu orgulho, o seu ar de sou-o-melhor-do-mundo, o seu ciúme Veela...

- Eu fico abismado, até no meu leito de morte você consegue ser tão carinhoso comigo, meu amor.

O pequeno Lord arregalou suas belas e chorosas esmeraldas e olhou para cima, observando, então, o sorriso debochado nos lábios do loiro, que o encarava com verdadeira devoção e carinho.

- Ora, seu grandíssimo imbecil!

Draco apertou os olhos, esperando por uma maldição, mas o que ele sentiu foram os apaixonados lábios de Harry sobre os seus.

- Isto significa que eu estou perdoado? – deu um pequeno sorriso – Afinal, depois do meu ato heróico e suicida acho que ficou claro o quanto eu amo você. Por favor, perdoe-me por tudo o que eu disse, meu amor, eu fui um...

- Sim, um verdadeiro idiota, agora cale a boca.

E outro beijo, então, selou os lábios do loiro e o perdão entre os dois.

-x-

Dois dias depois, Harry e seus amigos se encontravam no Salão Principal apreciando o último café da manhã daquele ano letivo, pois em poucas horas embarcariam no Expresso Hogwarts de volta para suas casas. E o clima, naquela bela manhã, não poderia ser mais agradável, com Draco já em perfeito estado abraçando apaixonadamente o namorado como se quisesse recuperar todo o tempo perdido, sob o olhar divertido de Pansy e Blaise e resignado de Theodore.

- Não é curioso o fato de o diretor passar o final de cada ano letivo em St. Mungus?

- Sem dúvida, Blaise – o pequeno Lord sorria com malícia – A essa altura, ele deve ter um quarto especial com o seu nome lá.

As risadas divertidas logo se fizeram ouvir.

- Mas uma coisa eu gostaria de saber – comentou Pansy – Onde está a Umbridge?

Um sorriso cruel, então, desenhou-se nos rosados lábios do pequeno Lord.

- Harry...? – a menina o encarou com suspeita.

- Digamos apenas que ontem, Morgana e eu decidimos fazer uma visitinha a nossa querida professora de DCAO depois do toque de recolher.

Naquele instante, eles observaram uma assustada Minerva McGonagall adentrar no Salão, chamando às pressas pelos demais professores. Os restos mortais de Dolores haviam sido encontrados em seu quarto, pelo visto, a pobre mulher fora devorada viva e lentamente por um enorme animal selvagem.

- Vocês não adoram o último dia em Hogwarts? – Harry perguntou divertido.

E as demais serpentes, é claro, concordaram sorrindo.

-x-

Lar doce lar...

Como era bom estar em casa.

Mas o melhor de tudo era estar com a pessoa que amava.

Naquele instante, Harry e Draco se encontravam sob o majestoso brilho da lua, sentados numa bela manta de seda azul marinho o reconciliado casal observava a beleza das estrelas desfrutando do frescor daquela agradável noite no interior do espesso bosque que circundava a Mansão Riddle, protegidos, é claro, por um poderoso feitiço lançado pelo próprio Harry, que iria repelir qualquer surpresa indesejada.

- Ele está fazendo mistério, mas afirmou que o meu próximo ano letivo não será comparado ao demais.

- O que o Lord estará planejando?

- Não sei, Dray, mas ele assegurou que eu não iria correr mais perigo em Hogwarts.

- Pelo menos é uma boa notícia.

- Sim, mas eu gostaria de saber o que ele está planejando – suspirou, dando outro pequeno sorvo no suco de maçã que constava em sua taça. Cenário mais romântico não poderia existir, os dois estavam abraçados naquela suave manta, com uma pequena cesta de guloseimas preparada cuidadosamente pelos elfos da mansão repousando logo ao lado e ao redor, dezenas de velas criadas com magia flutuavam, fazendo daquele cenário algo ainda mais magnífico.

- É melhor não se preocupar com isso agora, meu amor.

- Tem razão, Dray – sorriu, acomodando-se no peito do loiro, que acariciava suavemente os seus cabelos revoltos.

- Harry... – murmurou inseguro – Você me perdoou mesmo?

O pequeno Lord, por sua vez, suspirou, erguendo-se para depositar um delicado beijo nos lábios do amado.

- Sim, seu bobo, não pense mais nisso.

- Mas eu disse tantas coisas horríveis...

- Coisas que ficaram para trás – interrompeu, trazendo-o para um apaixonado beijo, deitando-se, então, na confortável manta de seda com o musculoso corpo do namorado sobre o seu.

- Eu te amo – Draco sussurrou em seus lábios, observando com verdadeira devoção cada traço do corpo de Harry, escondido pelo encantador pijama de seda verde-claro, que intensificava o brilho de seus olhos.

- Eu sei.

- Você é tudo para mim.

Com um pequeno, mas apaixonado sorriso, Harry iniciou um beijo no qual depositou todos os seus sentimentos, deixando claro para o maior que ele era o único amor de sua vida, o único para quem desejava entregar sua alma, seu coração... E o seu corpo. Assim, com as bochechas encantadoramente tingidas de carmim, o menor começou a desabotoar a camisa do pijama cinzento do amado, com as mãos trêmulas, mas um brilho de decisão reluzindo em seus olhos.

Draco, obviamente, encontrou-se gratamente surpreendido ao sentir os suaves dedos de Harry deslizando pelo seu peito agora desnudo. Então, encarando fixamente aquelas belas esmeraldas, perguntou:

- Tem certeza, meu amor? Em não me importo em esperar se você...

- Eu quero você, Dray – murmurou, desviando o olhar – Eu realmente quero... Ser seu.

E obviamente, Harry não precisava dizer duas vezes.

Em seguida, com extremo cuidado e devoção, o loiro começou a desabotoar a camisa de Harry, maravilhando-se ao contemplar finalmente o suave e esguio abdômen desnudo. As camisas de ambos, agora, encontravam-se esquecidas na manta sob os seus corpos, que roçavam deliciosamente um no outro enquanto partilhavam um beijo intenso e cheio de carinho.

Devagar, Draco deslizou seus lábios pelo pescoço de Harry, saboreando-o, indo de encontro ao abdômen, onde se ocupou dos botões rosados que arrancaram um intenso gemido do menor. Nenhum dos dois possuía experiência, mas seguiam os anseios dos seus corpos, seus mais ocultos instintos, com Draco saboreando cada pedacinho do corpo de Harry, desejando-o por inteiro, e este se entregando completamente às carícias do amado, arranhando levemente suas costas ou embrenhando seus dedos nas madeixas louras que deslizam pelo seu abdômen.

- Você é perfeito, meu amor... – Draco sussurrou com devoção, deslizando devagar e cuidadosamente a calça do pijama de Harry para os seus pés e jogando-a em cima das esquecidas camisas.

As bochechas do moreno queimavam de vergonha.

Mas ele permanecia firme em sua decisão. Estava na hora.

Ele sabia que amava o herdeiro dos Malfoy e que era igualmente correspondido.

- Dray... – gemeu baixinho, assentindo com um suave movimento de cabeça quando o loiro lançou um olhar cobiçoso, mas inseguro, à última peça de roupa que o protegia.

Estava pronto.

Finalmente, sob um poético céu repleto de estrelas, estava pronto para se entregar à pessoa amada. E ao ver o assentimento do menor, Draco se desfez de qualquer dúvida e com sumo cuidado, distribuindo beijos pelas pernas alvas e torneadas, deslizou para longe do perfeito corpo do amado a última peça de roupa que o impedia de contemplá-lo por inteiro.

"Perfeito".

Foi a palavra que veio à mente de Draco.

Não havia criatura mais perfeita na face da terra.

Harry era a mescla perfeita entre poder, beleza e suavidade.

- Dray... – murmurou, incômodo, as bochechas numa linda cor escarlate. Os olhos verdes e brilhantes, porém, encaravam com desejo o baixo ventre do namorado ainda vestido, no qual sua excitação já se fazia evidente.

Draco, então, colocou-se de pé e sem desviar os olhos de Harry, livrou-se finalmente de suas últimas vestes, ficando nas mesmas condições de Harry. Este o encarava com os olhos famintos, semelhante à sua forma animaga, como o pequeno Puma Negro que era, desejando aquele corpo forte e musculoso, inteiramente perfeito, junto ao seu.

Instintivamente, o moreno ergueu os braços com anseio, num chamado mudo ao amado, que não se fez rogar e logo se situou novamente sobre aquele corpo pequeno e esguio que se encaixava perfeitamente ao seu. Um excitado gemido, então, escapou de ambos os lábios. A pele quente de seus corpos, suas respirações se chocando, o desejo brilhando em seus olhos fazia com que se esquecessem de todo o resto, do fato de estarem nas entranhas do bosque que rodeava a mansão, do sereno ao qual estavam expostos, e até mesmo da possibilidade do Lord decidir procurar por seu filho naquela noite e o encontrar em tal posição – o que seria extremamente doloroso para Draco. Mas naquele momento, eles não se importavam, nada fazia sentindo, apenas o fato de estarem juntos ali.

- Eu conheço um feitiço... – murmurou o loiro, com certo constrangimento. Sua excitação, porém, palpável para Harry, que a sentia dura e expectante sobre o músculo de sua coxa, bem próximo à sua própria, que a cada segundo despontava mais.

- Pervertido – sorriu – Andou pesquisando?

- Sim – admitiu Draco, e após observar o assentimento de Harry, murmurou as palavras que havia decorado com facilidade. O menor, então, sentiu seu interior gelado, como se acabasse de ser invadido por um líquido lubrificante. Sua face não poderia estar mais corada, enquanto abafava um gemido.

Ao observar o olhar decidido em verde esmeralda e o confiante, mas não menos ansioso sorriso dançando nos lábios rosados, Draco guiou um de seus dedos à virgem entrada que se abriu com dificuldade para ele, ao som de um desconfortável gemido de Harry. Draco, então, olhou para baixo, onde seu dedo se perdia e quase chegou ao orgasmo apenas ao vislumbrar aquela excitante imagem, mas respirando fundo começou a fazer movimentos circulares enquanto iniciava um beijo profundo e sensual. E Harry, por sua vez, gemia dentro do beijo, deixando de sentir o desconforto e passando a desfrutar de uma agradável sensação que ele não sabia identificar exatamente.

Os dois Slytherins mal podiam acreditar naquilo.

Suas mentes pairavam em algum tipo de realidade paralela.

Enquanto seus corpos se entregavam ao desejo em sua forma mais pura ali.

- Dray... – Harry murmurou ao sentir um segundo dedo invadi-lo, cuidadoso e suave, com o maior repartindo beijos em sua pele macia.

E então, quando um terceiro dedo adentrou em seu corpo, o pequeno Lord quase não sentiu o desconforto, pelo contrário, movimentava os quadris em busca de mais, sentia que faltava algo, algo que Draco estava louco para lhe dar.

- Ah... – um pequeno gemido frustrado escapou de seus lábios quando os habilidosos dedos do loiro o abandonaram.

- Paciência, meu amor, algo melhor está a caminho – a voz rouca e sensual sussurrou em sou ouvido. E em seguida, cuidadosamente, Draco começou a empurrar seu excitado membro para o interior de Harry, devagar, soltando um extasiado gemido ao sentir como este se contraía.

Harry apertava os lábios com força para não gritar.

Aquilo realmente doía. E a lágrimas não demoraram a banhar o seu rosto corado.

Draco, ao observá-lo, deteve-se imediatamente, assustado. A única coisa que não queria, em toda a sua vida, era machucar o amado.

- Você está bem?

- Sim – mentiu. Mas não era hora de voltar atrás – Apenas... Continue, por favor.

- Tem certeza? Eu posso parar e...

- Draco – encarou-o fixamente – Por favor.

Com um olhar receoso, mas o corpo em chamas, o loiro acatou o pedido e seguiu preenchendo-o. Não demorou muito e com um gemido rouco, adentrou por completo, permanecendo estático, porém, para que o choroso menino se acostumasse. Harry se perguntava o que os casais viam de prazeroso naquilo quando sentiu os suaves movimentos começarem e então, rodeou a cintura de Draco com suas pernas, encontrando uma posição mais confortável e sentindo os amorosos beijos que o namorado distribuía em seus ombros e pescoço enquanto se movimentava de maneira suave e ritmada em seu interior. De uma forma até agradável.

Foi então que um gemido extasiado escapou de seus lábios.

Draco havia tocado em algum lugar que... Céus, o levara ao paraíso.

- Dray... Aí... – murmurou, sentindo-se de repente faminto.

E Draco, com um sorriso satisfeito, deu-se conta que descobrira exatamente o lugarzinho que procurava. As investidas um pouco mais intensas, então, começaram, roçando precisamente naquele ponto que arrancava deliciosos gritos de prazer do moreno. Gritos que se mesclavam aos gemidos de Draco e criavam uma melodia celestial, acompanhada do constante roçar de seus corpos, das respirações se chocando, dos suores se misturando, dos olhares – verde esmeralda e cinza prateado se encontrando.

Agora Harry entendia o que os casais achavam prazeroso naquilo.

E pelos deuses, eles estavam completamente certos.

- Ah... Ah... Mais... Draco... Ah...

- Ah... Harry... Meu amor...

Não havia mais nada.

Nada que importasse.

Não havia lua.

Não havia estrelas.

Não havia velas flutuando ao redor.

Não havia a manta de seda sob os seus corpos.

Não havia o exótico barulho dos animais do bosque.

Não havia nada. Nada, exceto seus gemidos, seus corpos... O prazer.

O prazer era o único a ser distinguível ali. Não apenas o prazer de seus corpos se chocando, unidos intimamente, mas o prazer de se sentirem um só, de estarem ligados em corpo e espírito. Seus corpos se entrelaçavam, suas magias se entrelaçavam, suas almas se entrelaçavam numa dança envolvente e sensual, regada a gemidos e respirações ofegantes. Era uma cena digna de ser imortalizada, sob o brilho da lua e a bênção das estrelas. Eles finalmente consumavam o seu amor e se tornavam um.

Então, sob uma chuva incandescente de estrelas cadentes, em meio a gritos de prazer, eles chegaram ao ápice, derramando-se, Harry entre o seu abdômen e o de Draco e este no interior do amado. Num segundo eternizado em suas mentes e em seus corações.

Instantes depois, ao normalizarem um pouco as respirações, Draco se retirou com extremo cuidado do interior do menor e se acomodou ao seu lado, trazendo-o para repousar a cabeça em seu peito e assim, poderem desfrutar daquele momento único, sob uma chuva de estrelas cadentes.

- Faça um pedido – Harry brincou, acomodado confortavelmente nos protetores braços do amado, observando aquele belo espetáculo que era oferecido apenas para eles.

- Eu não preciso de mais nada, meu amor. Eu tenho você.

Com um sorriso dançando em seus lábios, eles se uniram em mais um beijo, expressando todo o amor que sentiam. E assim, tendo o loiro, então, convocado magicamente um aconchegante cobertor para eles, o casal mais famoso e apaixonado do Mundo Mágico passou o resto da noite desfrutando do espetáculo que as estrelas lhes proporcionavam e do espetáculo que seus próprios corações lhe brindavam.

-x-

- NÃO!

Um assustado grito ressoou nos aposentos do Lord das Trevas.

Este abriu os olhos de repente e se sentou em sua cama, sobressaltado.

- Um pesadelo... – murmurou com alívio.

Fora um simples pesadelo.

O seu doce e inocente filho com certeza estava dormindo agora em seu quarto, enquanto o garoto Malfoy estaria nos braços de Morpheus, no quarto de hóspedes. Sim, não havia nada com o que se preocupar, aquilo fora um pesadelo... Um horripilante e cruel pesadelo. Com esse pensamento, Tom voltou a se deitar, fechando os olhos e procurando apagar de sua mente as aterradoras imagens de seu pesadelo, que envolviam seu filho e o garoto Malfoy numa situação impensável para qualquer pai que se preze.

- Apenas um pesadelo – murmurou outra vez, voltando a fechar os olhos e se entregar ao sono.

Uma divertida Nagini, por sua vez, observava-o desde a porta entreaberta.

- Ainda bem que ele não decidiu verificar onde o Harry estava... – comentou com malícia.

Enquanto isso, Harry e Draco, nos confins do bosque que rodeava a mansão, observavam as estrelas, com seus corpos desnudos abraçados normalizando suas respirações.

Continua...

Próximo Capítulo:

- O novo professor...?

- Não pode ser!

Harry arregalou os olhos:

- Papai?

-x-

N/A: Hello people! Finalmente, não é mesmo? Peço inúmeras desculpas pela demora, mas o retorno ao ano letivo foi mais conturbado do que eu pesei. Céus... Mas não há nada melhor do que feriados! Hehehe... E que venha o carnaval, a páscoa e tudo mais para que esta pobre autora possa atualizar suas fics!

Quanto ao capítulo... Um pouco gradinho para compensar. Mas espero sinceramente que vocês tenham gostado. Esse Lemon-primeira-vez-cheio-de-açucar não é bem o meu favorito, admito, prefiro as coisas mais "intensas", o Harry sofrendo e uma alta dose de sadismo, mas a situação não permitia, então, tenham em mãos a insulina! Oh, mas não se preocupem, futuramente virão uns Lemons mais 'hardcore'... Hehehe... No geral, o Dumby se deu mal para variar e a Umbridge virou comida de cobra! Nos próximos capítulos, o sexto ano do Harry, como vocês puderam supor pela "amostra", as coisas vão mudar em Hogwarts! Haverá também Pansy e Blaise enfrentando seus corações e... Revelações decisivas! Espero que apreciem!

E se quiserem a atualização o mais rápido possível que minha dupla vida acadêmica permitir, por favor, mandem suas REVIEWS!

Qualquer comentário, críticas, elogios ou sugestões...
São sempre bem vindos!

Um super beijo e meus agradecimentos de coração à:

Bet97... Lari SL... Kamilla Riddle... amdlara... AB Feta... JeffBee... Sasami-kun... mesquila... Yuna... Tania S.M... Inu... vrriacho... Deh Isaacs... Nicky Evans... Raquel Potter Draco... e Nanda Sophya.

O próximo capítulo de Estocolmo esta a caminho.
Nesta próxima semana vocês poderão conferir. Espero que apreciem!
Um Grande Beijo. E até a próxima.