Nota: (1) – Harry Potter e seus personagens não me pertencem. E sim a J.K. Rowling.
(2) – Essa é uma história Slash, ou seja, relacionamento Homem x Homem. Se não gosta ou se sente ofendido é muito simples: Não leia.

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Em Provença, na região sul da França, numa área cercada pelas belezas da fauna e da flora local, erguia-se uma imponente e deslumbrante estrutura forjada em mármore branco e adornos de ouro. Tal precioso monumento era nada menos que a mansão de veraneio da família Malfoy. Uma mansão luxuosa e com um brilho único e irresistível. Os pisos de mármore, paredes de estuque veneziano, tetos pintados a mão com detalhes exclusivos, preciosos adornos em ouro e pedras preciosas nos dez quartos, bem como banheiras de hidromassagem nos treze banheiros, além dos salões de entretenimento, bibliotecas, quadras de tênis, piscinas e um exuberante jardim que oferecia estátuas, fontes, cachoeiras e lagoas fazia daquele cenário um verdadeiro conto de fadas. Um conto de fadas situado entre os Alpes e o leste da Itália, banhado pelo rio Ródano a oeste e pelo Mediterrâneo ao sul, num paraíso arborizado onde muggle algum conseguiria chegar. E onde, naquele momento, encontrava-se o casal mais famoso e apaixonado de Hogwarts.

Oh, sim...

Depois de semanas de insistência, Harry finalmente conseguira convencer seu pai a deixá-lo viajar sozinho com o namorado e assim, passar uma semana inteira na companhia do herdeiro da fortuna Malfoy.

E que semana maravilhosa.

Mas infelizmente estava chegando ao fim.

- Bom dia, bela adormecida – uma sensual voz murmurou no ouvido de um adormecido Harry, que se encontrava espalhado na enorme cama king size do quarto principal da mansão, com seu esguio e desnudo corpo parcialmente coberto apenas pelos lençóis brancos de seda.

- Hum... – o pequeno Lord suspirou, deixando suas belas esmeraldas serem contempladas finalmente – Bom dia, Dray.

- Eu trouxe o café da manhã, mon amour.

- Oh, e o que os elfos prepararam para nós hoje? – sorriu, divertido com o olhar envergonhado de Draco, pois sabia que o loiro, bem como ele mesmo, nunca havia preparado uma refeição antes.

Draco, então, sentou-se atrás do namorado e abraçou a estreita cintura, colocando a bandeja no colo de Harry:

- Voilá, mon ange.

Harry estremeceu com as palavras francesas sussurradas em sua nuca, sentindo o musculoso tórax do namorado junto às suas costas, o maravilhoso corpo coberto apenas por uma calça de algodão branca, enquanto o seu permanecia desnudo, coberto apenas pelos lençóis, dentro dos poderosos e possessivos braços do amado. Concentrando-se no café da manhã, então, Harry observou a bela bandeja adornada com um pequeno bouquet de rosas brancas, uma cestinha com diversificados e deliciosos pães, bem como diferentes tipos de queijos importados, duas xícaras de porcelana – uma contendo café para Draco e outra com achocolatado para ele mesmo –, diversas mini-geléias e os biscoitos amanteigados que o pequeno Lord adorava.

- Hoje é 30 de julho, o nosso último dia aqui – Draco suspirou com pesar, observando o amado se deliciar com o croissant recheado de geléia de morango.

- Sim, Dray, você sabe que se eu não passar o meu aniversário com o meu pai serei um pobre adolescente de dezesseis anos morto.

- Passou tão rápido...

- Mas nós aproveitamos bem, não é mesmo? – um malicioso e provocante sorriso se desenhou nos lábios de Harry, que fez o loiro concordar de imediato, acariciando a cintura do amado.

- Farei de hoje um dia inesquecível, mon amour – Draco prometeu.

E com um doce sorriso, Harry concordou, pois sabia que ele estava falando sério.

Nas horas que se seguiram, então, o apaixonado casal desfrutou daquele maravilhoso dia numa das magníficas cachoeiras da propriedade de Draco, almoçaram sob a sombra de um imponente carvalho e desfrutaram da companhia um do outro, entre beijos, carícias e é claro, fazendo amor, nos mais diversos e exóticos locais que puderam encontrar.

No entanto, infelizmente, o que é bom uma hora acaba.

Dessa forma, não demorou muito e logo o casal se encontrava desfrutando de uma bela noite de lua cheia, na qual as estrelas se mostravam radiantes, deitados no tapete persa da sala principal da mansão, enquanto se deliciavam com fondue de chocolate e morangos, sob o calor da lareira.

- Eu vou seqüestrá-lo e mantê-lo aqui para sempre – Draco sussurrou na nunca de Harry, que sorriu, deixando-se abraçar possessivamente pelos braços fortes do amado. Seus corpos nus e exaustos se encontravam envoltos apenas por um suave lençol de seda pérola, desfrutando do momento pós-orgasmo, em meio a beijos e delicadas carícias.

- Assim eu ficarei dolorido para o resto da vida.

- Eu machuquei você? – Draco arregalou os olhos, preocupado.

- Não – o menor sorriu – Você foi maravilhoso, meu amor, e cuidadoso como sempre.

Os olhos acinzentados, então, observaram o relógio de bronze acima da lareira.

Faltavam cinco minutos para que ouvissem as badaladas da meia noite.

Cinco minutos para Harry completar seus dezesseis anos.

- Dray...? – o moreno perguntou confuso, vendo o namorado se levantar e ajoelhar ao seu lado – O que houve?

Draco, no entanto, alcançou a varinha que descansava ao seu lado e com um simples feitiço convocatório trouxe para suas mãos uma pequena caixa aveludada preta.

- O que é isso? – as belas esmeraldas brilhavam com curiosidade.

E o loiro sorriu, encarando os olhos do amado com a determinação visível em suas orbes acinzentadas.

- Harry... – Draco abriu a caixinha, deixando o menor ver o que ela escondia, o que fez um gemido abafado escapar dos lábios rosados – Você quer se casar comigo?

Merlin!

Foi a primeira coisa que veio à mente de Harry. Merlin! Seus olhos estavam fixos no magnífico anel de diamantes, ainda registrando a pergunta. O anel era simplesmente uma relíquia: forjado em ouro branco, com um designer delicado e inteiramente cravejado de diamantes, mas no centro, um diamante de doze quilates em formato de coração era o que ofuscava os olhos com tamanha beleza. E Harry reconheceu aquele anel no dedo de Narcisa em suas fotos de noivado com Lucius. Céus! Era uma jóia passada de geração em geração na família Malfoy... Draco estava falando sério!

- Então? – o loiro perguntou com certo nervosismo.

E Harry o encarou fixamente, observando o corpo nu, forte e deslumbrante de seu amado reluzindo sob as chamas da lareira, lembrando-se de tudo o que haviam passado juntos, desde o primeiro momento em que seus olhares se cruzaram no jardim da Mansão Riddle. Será que ele ainda tinha dúvidas?

- É claro que sim, Draco – um radiante sorriso se desenhou em seus lábios.

E com um sorriso igual ou maior, Draco retirou o antigo anel de esmeraldas que representava o namoro dos dois – dado ao menor quando completara seus treze anos – para deslizar o anel de noivado em seu lugar.

Era oficial.

Estavam noivos.

E as badaladas anunciaram a meia noite.

- Feliz aniversário, mon amour – Draco desejou, capturando os lábios de Harry num apaixonado beijo.

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Quando Harry colocou os pés no escritório de seu pai, após viajar pela chaminé com Pó de Flu, a primeira coisa que fez foi correr para os braços do Dark Lord, que o esperava com um ar de poucos amigos, afinal, pensar nos dias que seu filho passara sozinho com o garoto Malfoy não fazia nada bem para o seu humor. Mas um pequeno sorriso logo apareceu em seus lábios ao sentir o seu pequeno furacão de olhos verdes o abraçando tão efusivamente como sempre fazia.

- Feliz aniversário, pequeno.

- Obrigado, papai! – Harry sorriu alegremente – Como estão as coisas por aqui?

- Sua amiga, a senhorita Parkinson, organizou uma festa para você.

- Oh, céus...

- Sim, prepare-se, a menina está mais animada do que a Bella numa chacina a muggles.

- Tenho até medo.

Draco, então, fez sua entrada pela chaminé, ganhando um perigoso olhar do Lord, que o levou a engolir em seco numa profunda reverência:

- Mi Lord.

- Jovem Malfoy – Tom respondeu por entre os dentes – O que vocês andaram fazendo nesses dias?

- Er... – Draco empalideceu, mas Harry logo veio ao seu auxílio:

- Jogando Snap Explosivo e explorando as cachoeiras locais – mentiu com um doce sorriso e Tom, por sua vez, preferiu acreditar ao invés de se martirizar pelo óbvio, afinal, os muggles já diziam, o que os olhos não vêem o coração não sente.

- É melhor eu subir para ver a Pansy e os seus preparativos para a festa – Harry agarrou a mão do namorado, puxando-o para fora do escritório – A propósito, papai, estou noivo – e com esta impactante declaração, o menino praticamente correu para o seu quarto com o namorado, agora noivo, enquanto o Lord permanecia estático em seu lugar assimilando a notícia.

Segundos depois, a Mansão Riddle estremeceu com um furioso grito:

- O QUE?

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Demorou até Harry convencer seu pai a não matar o herdeiro da fortuna Malfoy, mas finalmente, após oportunas chantagens emocionais e olhos verdes lacrimejantes, Tom aceitou aquele prematuro, irresponsável e indecoroso compromisso – segundo palavras do Lord – sabendo que uma união com a nobre e abastada família Malfoy seria o mais próximo de uma união digna para seu herdeiro, uma união que ele esperava que demorasse anos, ou séculos, para se concretizar.

Agora, faltando vinte minutos para as seis horas da tarde, horário em que começaria a festa, Harry e Pansy se encontravam no quarto do pequeno Lord dando os retoques finais na aparência de Harry, que usava uma túnica desenhada pela própria menina como presente de aniversário. A túnica em si consistia num tecido suave, que dava a impressão de vestir água, azul clara com pequenas esmeraldas adorando a barra e os ombros, seu desenho permitia que os ombros ficassem nus e como ela abria na região da coxa, Harry usava uma calça preta com botas de couro da mesma cor por cima. Sua imagem, então, era a de um pequeno príncipe. Pequeno e delicado, sim, pois mesmo completando seus dezesseis anos, sua aparência e altura ainda refletiam seus doze ou treze anos, para divertimento de Draco e indignação do pequeno Lord.

- Está perfeito! – Pansy contemplou extasiada. Ela, por sua vez, usava um vestido negro de pregas, adornado de pequeno cristais, que acentuava seus olhos e seu corte chanel, no qual repousava uma linda tiara de rubis.

Harry apenas revirou os olhos, as bochechas levemente coradas.

- Você é o primeiro a usar um modelo exclusivo desenhado pela grande Pansy Parkinson – ela sorriu radiante – E por Circe, combina perfeitamente com o seu anel de noivado! Oh, meu Harryzito está noivo, mal posso acreditar!

- Nem eu acreditei, Pan, mas foi incrível...

- Eu serei a madrinha, viu?

- É claro – sorriu divertido – Não há dúvidas quanto a isso.

- Agora vamos, está na hora! Os convidados já devem ter chegado!

O pequeno Lord, então, deixou-se arrastar pela animada menina.

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O salão de festas da Mansão Riddle estava simplesmente irreconhecível. Dezenas de pequenas mesas estavam espalhadas pelo local, revestidas com toalhas de seda e um belo arranjo de rosas brancas por cima, rosas e lírios brancos adornavam todo o lugar. A banda favorita de Harry havia sido contratada e no momento, tocava uma suave música ambiente, enquanto os convidados – em suas melhores vestes de gala – conversavam sobre amenidades e desfrutavam dos aperitivos servidos pelo serviço de Buffet Mágico contratado por Pansy. Era pura elegância e glamour. No centro do salão estava reservado o espaço para dança, e numa mesa afastada e lindamente decorada, encontrava-se o bolo de chocolate de três andares coberto de pasta americana e chantilly, no formato de uma serpente enrolada em si mesma.

Era visível a dedicação e o capricho da herdeira da fortuna Parkinson em cada detalhe.

E Harry não poderia estar mais agradecido. Tudo estava maravilhoso.

Para surpresa do pequeno Lord, os convidados não se resumiam apenas em seus amigos mais íntimos e nos aliados e futuros aliados de seu pai, mas sua amiga convidara também os membros da Armada Riddle. Estavam todos lá com suas famílias. Todos radiantes por comparecerem a uma festa nos domínios do Lord das Trevas. E pela maneira como os familiares dos alunos conversavam animadamente com os Comensais, seu pai ganharia ainda mais aliados.

- Feliz aniversário, Harry – Antony Goldstein o cumprimentou, os olhos famintos percorrendo cada centímetro de um envergonhado Harry.

- Obrigado, Antony.

- Você está incrível... – o Ravenclaw elogiou e as bochechas de Harry ganharam uma linda cor camim. Pansy, por sua vez, sorriu com malícia do ver quem se aproximara com um ar de poucos amigos.

- Sim, ele está incrível e está noivo também, Goldstein, agora suma daqui.

Draco abraçou firmemente a cintura do amado, que apenas deu um pequeno sorriso e mostrou seu anel para um perplexo Antony, que balançou a cabeça com desanimo e se afastou do casal.

- Divirtam-se, amores, vou ver onde o Bebê está – Pansy informou com um sorriso indo procurar o herdeiro da fortuna Zabini.

Harry, então, passou os próximos vinte minutos recebendo os efusivos cumprimentos de seus amigos e dos membros da A.R, com Draco o abraçando protetoramente para garantir que nenhum engraçadinho se aproximasse do seu noivo com segundas intenções.

- Harry – uma deslumbrante Narcisa Malfoy abraçou o menino – Feliz aniversário, meu querido. Oh, mal posso acreditar que logo você irá entrar para a nossa família – os olhos dela brilhavam de alegria ao contemplar seu antigo anel adornando o dedo do menino.

- Obrigado, Narcisa, eu não poderia estar mais feliz.

- Você será finalmente um Malfoy – um igualmente satisfeito Lucius comentou, sem conseguir conter o sorriso. E Tom, que estava ao lado do casal, deixou um grunhido indignado escapar de seus lábios.

Harry, ao observar o olhar homicida de seu pai, procurou amenizar o ambiente:

- Estou orgulhoso em fazer parte da sua família, padrinho, mas eu nunca deixarei de ser um Riddle e com muito orgulho.

A expressão do Lord, então, suavizou e ele logo abraçou possessivamente seu filho, sob os divertidos olhares de Lucius e Narcisa que rapidamente concordaram com Harry. E Draco, é claro, não se atreveu a reclamar com o seu futuro sogro o fato de este ter roubado-lhe o noivo de seus braços. Afinal, o loiro não queria sofrer com a Maldição Cruciatus.

As horas seguintes, então, passaram depressa para Harry.

Ele dançou belas músicas com seu noivo. Divertiu-se com seus amigos. E desfrutou como nunca de cada detalhe idealizado por Pansy, que fez daquela uma das melhores festas de aniversário que lhe fora proporcionada. Naquele exato momento, então, ele conversava com uma sonhadora Luna e com uma animada Pansy sobre o seu inesperado pedido de casamento, enquanto Draco e Blaise haviam ido buscar algumas bebidas:

- Os Narguilés me avisaram mesmo que este dia não demoraria a chegar.

- Er... – Pansy arqueou uma sobrancelha, mas Harry apenas sorriu com a excentricidade da menina.

- Apenas não se deixe abater pela culpa, Harry.

- Culpa?

- Um coração dividido é um coração ferido – ela cantarolou sonhadoramente.

Antes que o pequeno Lord pudesse fazer qualquer comentário, porém, uma conhecida voz o surpreendeu:

- Feliz aniversário, Harry.

- Theo! – um deslumbrante sorriso se desenhou nos lábios rosados – Achei que você não vinha mais.

- Desculpe pelo atraso, precisei resolver um problema com o meu pai – seu olhar se tornou sombrio por alguns instantes, mas ele logo sorriu ao sentir os braços de Harry ao redor do seu pescoço e assim, não demorou a estreitar a fina cintura.

Pansy mordeu o lábio suavemente, prevendo o possível desastre que estava por vir. E Luna, por sua vez, cantarolava uma desconhecida canção, aparentemente alheia ao mundo a sua volta.

- Mas aconteceu alguma coisa? – Harry o encarou com preocupação, sem se separar do abraço.

- Não. Ele apenas quer que eu comece a me interessar pelos seus negócios idiotas e deixe de enterrar minha cara nos livros – suspirou – Por sorte eu coloquei um feitiço anti-destruição na minha biblioteca.

- Esqueça isso, você está aqui agora.

- Sim – os olhos azuis se perderam na profundidade esmeralda. Ter Harry em seus braços era a melhor sensação que experimentara na vida. Se ele pudesse apenas tocar os lábios rosados... Seus pensamentos, porém, foram interrompidos por uma arrastada e ameaçadora voz:

- Você poderia tirar essas mãos imundas do meu noivo?

A mente de Theodore, então, entrou em colapso: noivo...?

Malfoy não poderia estar falando sério.

Ele e Harry...

Noivos?

- O que? – conseguiu murmurar com a voz fraca, afastando-se ligeiramente de Harry, que lançou um olhar desaprovador para Draco e logo tomou a palavra:

- Eu queria ter contado antes, Theo, mas aconteceu tudo de repente e...

- É verdade? – a voz fria interrompeu o pequeno Lord.

- Sim – respondeu com um suspiro. E antes que Harry pudesse dizer qualquer outra coisa, Theodore deu as costas e se afastou, seguindo, provavelmente, para a chaminé do escritório do Lord para voltar para a Mansão Nott pela rede de Flu.

- Esse perdedor precisa aprender onde é o seu lugar – Draco declarou com arrogância, mas logo perdeu a pose quando observou Harry seguir atrás de Theodore.

E Harry conseguiu alcançar o amigo antes que este pegasse um punhado de Pó de Flu:

- Theo, espere!

- É melhor eu ir embora – Theodore declarou com a voz isenta de emoções, ainda de costas para o pequeno Lord.

- Theo, eu peço desculpas, a última coisa que eu quero é magoá-lo.

- Eu sei – ele se virou e encarou as esmeraldas imersas em preocupação – Mas eu realmente preciso ir para casa, quero dizer, não sei se posso lidar com isso agora.

- Theo...

- Não se preocupe – com cuidado, Theodore acariciou a bochecha rosada e em seguida, se afastou – Eu só quero o melhor para você.

Com o coração apertado, Harry observou o amigo lançar o Pó de Flu na chaminé e sumir em meio às chamas verdes. Segundos depois, uma conhecida e preocupada voz interrompeu seus pensamentos:

- Você está bem?

- Sim, Dray, eu só não queria que ninguém saísse magoado com isso.

- Nem sempre as coisas são como queremos, Harry – ele abraçou o menor protetoramente – Você tem um coração de ouro, vai saber como lidar com isso. E eu estarei ao seu lado.

- Você promete não provocá-lo?

-...

- Draco!

- Certo, prometo que vou tentar – revirou os olhos – O que acha de voltarmos para a festa agora, antes que Pansy nos arraste para lá?

- Tudo bem – concordou com um pequeno sorriso, lançando um último olhar preocupado à chaminé por onde desaparecera Theodore, antes de seguir com seu noivo de volta para a festa.

Porque aquela maravilhosa noite estava apenas começando.

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No dia seguinte, em meio a uma farta mesa de iguarias, Harry e Tom desfrutavam de um tranqüilo café da manhã em família, tranqüilo na medida do possível, com Morgana e Nagini disputando a atenção do pequeno Lord. Harry, porém, apenas se divertia com aquilo, conversando sobre amenidades com seu pai e saboreando um suculento prato de panquecas com mel acompanhadas do seu sagrado copo de achocolatado. O agradável clima, no entanto, foi interrompido com a entrada de uma coruja acinzentada que deixou cair na frente do prato de Harry um envelope com o selo de Hogwarts.

- Parece que chegou o resultado dos meus N.O.M.s – Harry comentou casualmente, abrindo o envelope sob o atento olhar do Lord.

- Então?

- Ora, o que você acha, papai? – sorriu com arrogância, dando uma breve olhada na carta e entregando-a, em seguida, a seu pai:

RESULTADO NOS NÍVEIS ORDINÁRIOS EM MAGIA

Notas de aprovação:
Ótimo (O)
Excede Expectativas (E)
Aceitável (A)

Notas de reprovação:
Péssimo (P)
Deplorável (D)
Trasgo (T)

RESULTADOS OBTIDOS POR HARRY RIDDLE

Adivinhação...O
Astronomia...O
Defesa Contra as Artes Obscuras...O
Feitiços...O
Herbologia...O
História da Magia...O
Poções...O
Transfiguração...O
Trato das Criaturas Mágicas...O

- Surpreso, papai? – Harry perguntou divertido, ao ver o olhar admirado de seu pai.

- Devo admitir, nem eu obtive resultados unanimes assim em minha época, pequeno, estou muito orgulhoso.

Harry sorriu radiante, percebendo, em seguida, que uma pequena insígnia havia caído do envelope com uma nota anexada:

- O diretor Alvo P. W. B. Dumbledore convida o Sr. Harry J. Riddle a ser monitor da Casa Slytherin em Hogwarts no seu sexto ano escolar – leu em voz alta, fazendo uma pequena careta ao ler o nome do diretor, mas encarando a pequena insígnia com curiosidade.

- Me lembro de como era divertido ser monitor, descontar pontos dos alunos insignificantes, explorar os corredores até tarde, possuir o respeito e a admiração dos professores... Bom, exceto do velho senil, mas ele sempre foi um idiota.

- O que me faz pensar, por que ele me fez monitor se ele tenta me matar a cada ano?

- Para deixá-lo sobrecarregado de deveres é claro, e assim, na sua mente insana, conseguir que você fique vulnerável – revirou os olhos – como se ele não soubesse que este ano, nada poderá ameaçá-lo em Hogwarts.

- O que quer dizer, papai? – perguntou com astúcia, ganhando apenas um sorriso misterioso do Lord.

- É uma surpresa, pequeno.

O que deixou o pequeno Lord ainda mais curioso.

Em quarenta e oito horas, porém, Harry desconfiava que fosse descobrir.

Apenas dois dias e o Expresso Hogwarts o levaria em direção ao seu sexto ano escolar.

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Dois dias que passaram voando e agora, Harry e seus amigos embarcavam no Expresso Hogwarts para mais um ano letivo. Para surpresa e alegria de Harry, sua amiga Pansy havia sido nomeada monitora também e com um sorrisinho malicioso, os dois seguiam, então, para a reunião dos monitores no trem, enquanto planejavam quantos pontos descontariam de cada Gryffindor que vissem. Quando adentraram na cabine dos monitores, Harry e Pansy viram que as demais duplas já se encontravam acomodadas e não puderam conter um suspiro exasperado ao reconhecerem Granger e Weasley como monitores da casa Gryffindor.

- Olá, Harry – um sorridente Antony Goldstein cumprimentou, exibindo orgulhosamente sua insígnia de monitor da casa Ravenclaw. Sua dupla era uma menina loira e silenciosa que Harry desconhecia.

- Olá, Antony – replicou educadamente, acomodando-se com Pansy nos assentos vazios ao lado da porta.

- Como você está, Harry? – a carinhosa voz do monitor da casa Hufflepuff se fez ouvir em seguida.

- Estou ótimo, Ernesto, obrigado. E você?

- Melhor agora – Ernesto McMillan sorriu radiante e sua acompanhante, uma menina ruiva de rosto arredondado apenas revirou os olhos, sorrindo divertida.

- Agora que finalmente estamos todos aqui, vamos organizar as programações... – com o seu característico ar mandão, Hermione Granger começou a falar, mas foi interrompida por Harry:

- Em primeiro lugar, sangue-ruim, você não é a líder do grupo então nem pense em querer dar ordens, em segundo, pense duas vezes antes de abrir a boca, caso contrário eu serei obrigado a despejar em você o meu repertório de Maldições Obscuras, ficou claro?

Com as bochechas vermelhas, ela não se atreveu a encará-lo.

- Ficou claro? – Harry perguntou novamente, endurecendo a voz.

- Sim – ela sussurrou. Ao seu lado, o garoto Weasley apertava os punhos, mas não se atrevia a dizer nada para o herdeiro do Lord.

Pansy, que contemplava a cena com um sorriso, em seguida, tomou a palavra:

- Certo, vamos acabar logo com isso porque eu ainda tenho que decidir quais brincos vou usar com o meu novo bracelete de ouro – ela declarou autoritária e todos assentiram, Harry, por sua vez, divertia-se como nunca ao ver os olhares indignados da sangue-ruim e do garoto Weasley, que, no entanto, não se atreviam a dizer nada.

Neste divertindo clima, com Pansy liderando a discussão e Harry usando apenas a sua estóica imagem para intimidar os Gryffindors, a reunião logo foi encerrada e cada um seguiu de volta para a sua cabine. No corredor de sua cabine, na qual Blaise e Draco esperavam por eles, Harry avistou um silencioso Theodore caminhando em direção ao fundo do trem e após lançar um rápido olhar a Pansy, seguiu atrás dele. A menina, por sua vez, apenas suspirou exasperada, pensando na desculpa que poderia dar ao possessivo dragão.

- Theo... – Harry ingressou na cabine em que o herdeiro da fortuna Nott havia entrado e este o encarou com surpresa, fechando o seu livro. Estavam sozinhos lá dentro.

- O que você está fazendo aqui, Harry?

- Eu precisava falar com você – murmurou, sentando-se ao lado do amigo – Eu precisava saber como você está.

Theodore, por sua vez, suspirou, encarando aquelas belas esmeraldas que faziam o seu coração disparar em seu peito.

- Eu estou bem.

- Mas...

- Foi apenas uma notícia repentina, Harry, eu não podia imaginar que você... Bom, que você ficaria noivo nesta idade. Noivo daquele idiota ainda por cima – sussurrou a última parte, mas Harry a ouvira perfeitamente.

- Você sabe que eu amo você, Theo, mas não da mesma forma que eu amo o Draco. São formas diferentes, mas ainda sim incondicionais.

- Eu sei – suspirou, sujeitando a pequena mão e a acariciando com ternura – Eu não posso obrigá-lo e me amar da forma que eu gostaria, mas fico feliz em contar com o seu carinho e a sua amizade. Eu disse uma vez para você e vou dizer novamente, a sua felicidade é a única coisa que importa para mim. E se você for feliz sendo a Sra. Malfoy, então eu estarei ao seu lado.

Harry sorriu com a brincadeira do amigo. As palavras de Theo impactaram de forma certeira em seu coração, fazendo algumas lágrimas se aglomerarem no canto dos olhos esmeraldas.

- Eu estarei ao seu lado, Harry, sempre. E se em algum momento o Malfoy machucá-lo, eu vou descer até o inferno se for preciso, mas vou encontrá-lo e matá-lo e então, vou roubar você para mim.

Theodore, então, beijou carinhosamente uma solitária lágrima que descia pela bochecha de Harry, e este sussurrou, aninhando-se em seu peito:

- Obrigado, Theo.

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Agora, o grupo das serpentes se encontrava no Salão Principal, em Hogwarts, desfrutando do maravilhoso jantar que inaugurava o ano letivo. Harry sentado entre Draco e Pansy, de frente para Blaise e Theodore, saboreava seu filé com batatas fritas reconhecendo que havia sentido falta das deliciosas iguarias do castelo. E o loiro, enquanto isso, interrogava o namorado com um ar de poucos amigos:

- Onde você estava, Harry? – murmurou por entre os dentes – Você desapareceu durante a viagem inteira.

- Eu estava com o Theo.

- E você fala isso assim, naturalmente?

Harry revirou os olhos ao ver o namorado apertar o garfo e a faca em suas mãos como se estivesse enforcando os pobres utensílios.

- É claro que eu falo isso naturalmente, Dray, eu não estava fazendo nada de mais, apenas passando o tempo com um amigo. E pense bem no que você vai falar, Draco Malfoy, se não quiser se arrepender depois.

O loiro apertou os lábios, sabendo que a coisa mais sábia a fazer era não gritar aos quatro ventos que aquele imbecil do Nott queria apenas estar entre as pernas do seu namorado. Oh, não, Harry ficaria furioso. E ele não queria repetir a experiência do ano passado. Interrompendo os pensamentos do possessivo Slytherin de olhos acinzentados, o diretor se levantou para fazer seus anúncios habituais, o que não atraiu a atenção de nenhuma serpente. Mas isso logo mudou quando, ao finalizar suas advertências sobre o Bosque Proibido, ele abordou um assunto em particular:

- Meus queridos alunos, é de conhecimento geral que O Lord das Trevas e o Ministério da Magia possuem um acordo de paz que garante a coexistência harmoniosa de ambas as partes e desde este acordo, o Mundo Mágico esteve seguro – enquanto o diretor pronunciava seu discurso, com o habitual sorriso amável na face enrugada, Harry observava, no entanto, a contrariedade latente em seus olhos – Assim, eu convido a todos a aprenderem com um dos maiores magos de todos os tempos, provando que o acordo de paz permanece em voga e que trás apenas benefícios para a nossa sociedade, então, meus queridos alunos, eu apresento a vocês o seu novo professor de Defesa Contra as Artes Obscuras, o professor Tom Marvolo Riddle, conhecido mundialmente como Lord Voldemort.

Todos os alunos observaram em silêncio, a maioria empalidecendo, o imponente homem ingressar no Salão Principal e cumprimentar o diretor com um sorriso malicioso no canto da boca. Sua aparência de não mais que trinta e poucos anos, os cabelos negros perfeitamente alinhados e a face aristocrática em complemento do corpo bem trabalhado escondido por uma túnica negra com detalhes em verde-esmeralda fizeram mais de um estudante prender a respiração, tamanha beleza e poder emanando de uma só pessoa. Mas os olhos vermelhos como sangue levaram inúmeros a sentirem um arrepio de medor percorrer suas espinhas.

- Harryzito, você...?

- Não Pansy, eu não sabia – murmurou tão chocado quanto seus amigos.

Dumbledore, então, após cumprimentar o Lord com um falso sorriso, acrescentou:

- Seja bem vindo, Tom.

- Tenho certeza de que serei, Alvo – a hostilidade mascarada de falsa cortesia estava presente em cada sílaba pronunciada pelos dois poderosos magos. E então, vendo todos os alunos ainda em choque, Harry não pensou duas vezes e se levantou, batendo palmas.

No instante seguinte, os murmúrios preenchiam o salão, enquanto todos os Slytherins e até mesmo alguns Raveclaws e Hufflepuffs aplaudiam calorosamente a chegada do Lord, que olhava diretamente para o seu filho, um pequeno sorriso dançando em seus lábios.

Harry ainda estava em choque.

Mas aplaudia com evidente entusiasmo.

Aquela, de fato, fora uma grande surpresa. E ele apenas contava os minutos para escapar para os aposentos do novo professor de DCAO e pedir uma explicação para aquele maravilhoso, mas repentino acontecimento.

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Harry nem mesmo esperou seus amigos se juntarem ao redor da lareira no salão comunal Slytherin para conversar sobre a inesperada chegada do Lord. Ele seguiu diretamente para o seu baú e agora, munido da capa de invisibilidade e do Mapa do Maroto caminhava em direção aos aposentos privados do professor de DCAO que ficava anexado à sala de aula e ao seu escritório pessoal. A porta se abriu imediatamente, após duas insistentes batidas e Harry não pensou duas vezes antes de ingressar no aposento, despindo-se da capa e encontrando a estóica imagem de seu pai sentada confortavelmente numa poltrona acolchoada de couro, com um copo de Whisky de Fogo na mão e Nagini enrolada confortavelmente no tapete ao seu lado.

- Surpresa – o Lord anunciou com um sorriso de burla, observando o olhar chocado de seu filho.

- Papai...! O que...? O que você está fazendo aqui?

- Cuidado com esse tom, senhor Riddle, ou serei obrigado a descontar pontos de sua casa – brincou. E Harry apenas revirou os olhos, acariciando a cabeça de uma adormecida Nagini e se acomodando na poltrona ao lado de seu pai.

- Como o velhote maluco permitiu isso?

- Digamos que ele não teve muita escolha – um sorriso obscuro se desenhou na aristocrática face do Lord – Eu conversei com o ministro sobre os atentados que você andou sofrendo nestes últimos anos aqui e exigi acompanhar o seu sexto ano de perto para que mais nada ameaçasse a sua segurança, caso contrário, o tratado de paz estaria desfeito. E o velhote maluco, com a solicitação do próprio ministro e uma sutil ameaça de morte de minha parte, aceitou me dar o cargo de professor desta matéria inútil.

Harry piscou várias vezes, a boca ligeiramente aberta, numa encantadora imagem que fez o Lord sorrir divertido.

- O que foi, pequeno, vergonha em ter o pai por perto? – provocou. Mas Harry apenas se jogou no colo do adulto com um radiante sorriso em seus lábios.

- Papai, isso é incrível! Você poderá descontar pontos dos Gryffindors, dar nota baixa para a sangue-ruim-Granger e ainda colocar os Wealseys em detenção, será uma maravilha!

- Fico feliz que você já esteja se divertindo, pequeno. Mas não pense que eu pegarei leve com você, ouviu?

- Oh, eu não esperaria outra coisa, papai, você sabe que eu adoro desafios.

- Estão se prepare, as aulas em Hogwarts nunca mais serão as mesmas.

- Finalmente, um professor decente nesta espelunca! – o menino exclamou, abraçando o pescoço do pai, que apenas sorriu com orgulho.

Ambos sabiam que os dias seriam muito mais divertidos a partir de agora.

Tom mal podia esperar para provocar o velhote idiota e torturar alguns Gryffindors.

E Harry, é claro, mal podia esperar para ver seu pai em ação. Seriam dias inesquecíveis em Hogwarts, disso não cabiam dúvidas.

Continua...

Próximo Capítulo:

- Qual é a primeira aula?

- Defesa Contra as Artes Obscuras – Harry respondeu com um brilhante sorriso.

(...)

- A sala está vazia, Harry, não se preocupe – Draco murmurou, beijando o pescoço do menor.

- Mas pode aparecer alguém... Um professor...

Tom, enquanto isso, percorria os corredores fazendo sua ronda noturna.

-x-

N/A: Hello my lovely people! Espero que estejam todos maravilhosamente bem! E é claro, me perdoem pelo atraso, ainda que, é preciso ressaltar a meu favor a fato desta atualização ser relativamente rápida em relação a Estocolmo, cujo terceiro capítulo foi postado no final do último mês! – olhinhos de gatinho arrependido – Então espero que vocês desfrutem!

Harry e Draco noivos. Daddy Tom chegando com o seu charme para assumir o posto de professor de DCAO. Pansy com um futuro namorado... Que não é o Blaise! E Harry fazendo a descoberta que mudará sua vida, essas são as emoções que farão parte do sexto ano do nosso amado Slytherin de olhos esmeraldas. E sua humilde escritora deseja a todos uma ótima leitura! Espero que apreciem e é claro, me deixem saber suas impressões através de suas maravilhosas e sempre bem-vindas REVIEWS!

Qualquer comentário, críticas, elogios ou sugestões...

São sempre bem vindos!

Meus agradecimentos mais do que especiais para:

dreyuki... Ines... Granger Black... Sasami-kun... Rafaella Potter Malfoy... Yuna... FranRenata... Karool Evans Malfoy... Cristin X... Lari SL... vrriacho... Victoire Lestrange... Inu... Kamilla Riddle... Bet97... AB Feta... e Srta. Kinomoto!

Agradeço imensamente o carinho de vocês!
E o capítulo quatro de Estocolmo estará online muito em breve!
Um Grande Beijo. E até a próxima.