Nota: (1) – Harry Potter e seus personagens não me pertencem. E sim a J.K. Rowling.
(2) – Essa é uma história Slash, ou seja, relacionamento Homem x Homem. Se não gosta ou se sente ofendido é muito simples: Não leia.
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- Blaise, querido, tenho certeza de que este pobre filé já está morto – Harry comentou divertido, observando o amigo assassinar o pobre filé ao molho de champignon em seu prato.
- Acredito que ele esteja confundindo o almoço com o sorridente Ravenclaw sentado ao lado da Pansy.
- Cale a boca, Draco – grunhiu irritado. Os olhos escuros observando o inútil capitão do time Ravenclaw sentado na mesa Slytherin, conversando animadamente com Pansy, enquanto a encarava com um insuportável olhar apaixonado.
O que o herdeiro da fortuna Zabini não conseguia entender era como Pansy podia se rebaixar a ponto de dispensar atenções para aquele brutamontes irritante. Com certeza o cabeça-oca estaria falando apenas de Quadribol, o que deixaria a refinada menina entediada em poucos minutos, mas a julgar pelas risadinhas que os dois compartilhavam, Blaise observou com os dentes cerrados de ódio, eles pareciam se divertir imensamente.
- Blaise, se você fosse um Basilisco e seu olhar matasse, o pobre Matthew não estaria mais aqui para contar história.
- Não comece, Harry. Eu não estou nem um pouco interessado naqueles dois.
- É claro que não – o pequeno Lord revirou os olhos, um malicioso sorriso dançando em seus lábios.
Naquele momento, quando observou Pansy abrir docilmente os lábios para o Ravenclaw que lhe oferecia o morango que adornava sua torta de chocolate, Blaise entortou o garfo em sua mão, um olhar homicida fixado no casal. Para evitar lançar um Avada Kedrava no loiro abusado, Blaise, então, jogou os talheres na mesa e se retirou do Salão Comunal sob inúmeros olhares intrigados daqueles que haviam contemplado a cena. Harry, por sua vez, suspirou, observando o discreto olhar que Pansy lançava às enormes portas de madeira, as quais Blaise acabara de cruzar.
- Eu não entendo isso – comentou Draco – Blaise não deveria sentir ciúmes, este é um sentimento tão irracional e desnecessário.
Harry apenas arqueou uma sobrancelha encarando o namorado com um ar incrédulo.
Ele não podia estar falando sério. Podia?
- Quero dizer – o loiro continuou – ciúmes é apenas uma grande demonstração de insegurança. Os Malfoy nunca sentiriam algo assim.
- Dray, querido, a cada dia você me surpreende mais.
- Por que você diz isso, Harry?
- Ora... – No entanto, antes que Harry pudesse afirmar que Draco era a personificação na Terra do ciúme, o diretor se levantou e chamou a atenção de todos para um pronunciamento:
- Meus queridos alunos... – começou ele, fazendo Harry e as demais serpentes revirarem os olhos com desdém –... É com grande prazer que eu gostaria de anunciar que faremos um Baile de Máscaras no Halloween. Isto quer dizer que todos os estudantes deverão se fantasiar e aproveitar a noite em seus trajes mais criativos. Os alunos do primeiro ao quarto ano poderão apreciar a festa até a meia noite e os alunos do quinto ao sétimo ano poderão usufruir até as quatro horas da manhã... – ouviram-se alguns protestos dos estudantes mais novos que o diretor, no entanto, ignorou e continuou a falar –... Bom, aproveitem para visitar Hogsmeade no próximo final de semana e assim providenciarem um belo traje, pois os professores irão votar no melhor figurino feminino e masculino da festa. Agora, meus queridos, voltem aos seus almoços e bom apetite.
O Salão Comunal, então, viu-se inundado de comentários animados e conversas que denotavam pura expectativa para a noite da festa. Mesmo na mesa das serpentes, as reações não eram diferentes:
- Até que o velhote maluco teve uma idéia aproveitável – Harry sorriu, imaginando as possíveis fantasias que iria comprar.
- Sim, poderia ser pior – meditou Draco – posso mandar Crabbe e Goyle batizarem esse ponche sem graça que é sempre servido com um pouco de Whisky de Fogo.
- É uma ótima idéia, Dray, só não deixe o Snape desconfiar disso.
- Eu nem sonharia, amour.
- Um Baile de Máscaras é ridículo – afirmou Theodore com um ar monótono.
- Então passe a noite no Salão Comunal com a cara enfiada em algum livro, Nott – o loiro sugeriu venenoso.
- É o que eu pretendo fazer, Malfoy – replicou no mesmo tom.
- Nem pense nisso, Theo – o pequeno Lord interferiu, fixando suas brilhantes esmeraldas no amigo – Você precisa se divertir. E, além disso, eu estou curioso para ver a fantasia que você vai preparar, vindo de você tenho certeza de que será algo incrível.
O herdeiro da fortuna Nott corou ligeiramente, correspondendo ao lindo sorriso que Harry lhe oferecia, sob o olhar assassino de Draco Malfoy:
- Deixe-o, amor, se o perdedor preferir ficar enfurnado no quarto...
- Para falar a verdade, Malfoy, eu mudei de idéia.
- É assim que se fala, Theo – Harry sorriu radiante, enquanto Draco, por sua vez, murmurava o quão insuportável Theodore era.
Mas as atenções deste estavam focadas apenas no pequeno Lord, em seu deslumbrante sorriso e na beleza que seus intensos olhos esmeraldas refletiam.
- Harryzito!
Uma sorridente Pansy Parkinson havia se jogado em cima de Harry.
- Pansy? O que...?
- Venha, precisamos pensar em nossas roupas!
- Mas...
- Ande logo, semana que vem iremos a Hogsmeade providenciar tudo. Mas primeiro devemos escolher a fantasia adequada, afinal, você deve vestir você e o Draquinho e eu preciso pensar em mim e no Matthew...
- O que? Por que a minha fantasia...? – Draco perguntou, mas foi interrompido, não por Pansy, mas pelo próprio Harry:
- Porque nossas fantasias devem combinar, Dray.
- Ah... É?
- É claro – a menina revirou os olhos como se aquilo fosse óbvio e Harry apenas sorriu, deixando-se arrastar para fora do Salão Principal sob o olhar atordoado do namorado – Um baile de máscaras... Oh, Harryzito, isso não é genial?
- Sim, Pan, é genial.
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No final daquela semana, logo após um jogo de Quadribol particularmente difícil entre Gryffindor e Slytherin, no qual a casa das serpentes mais uma vez se consagrou vencedora quando Harry agarrou o pomo-de-ouro sob o nariz do adversário, os Slytherins deixavam os vestiários em meio a uma alegre algazarra que comemorava a vitória, comemoração esta que se seguiria nas masmorras, pelo menos até o professor Snape aparecer para acabar com a festa e mandar todos para a cama. Todavia, três serpentes ainda se encontravam no vestiário: Harry, que estava à uma hora no banho, pois não iria para a comemoração com o cabelo cheio de barro; Draco, que depois de uma chuveirada rápida se concentrava agora no barulho da água percorrendo o corpo do moreno, inúmeros pensamentos maliciosos rondando sua mente; e Theodore, que após se assear permanecia no local encarando o herdeiro da fortuna Malfoy com um ar de poucos amigos, pois tinha plena consciência das intenções deste.
- Estou apenas esperando você, Harry – informou Theodore, já impecavelmente arrumado com o uniforme Slytherin.
- Oh, não se preocupe, Theo – respondeu desde o chuveiro – Eu ainda vou demorar um pouco, pode ir sem mim.
- De maneira alguma, eu espero.
Draco, que permanecia apenas com uma toalha ao redor do quadril encostado da porta do chuveiro de Harry, cerrou os dentes, encarando com verdadeiro ódio o intrometido Nott.
- Mas Theo, você não prometeu que devolveria os livros que eu peguei na biblioteca antes que ela fechasse hoje?
- Er... Eu...
- Madame Pince irá me dar uma bronca gigantesca se eu atrasar mais um dia.
- Mas...
- Theo, por favor, você prometeu – choramingou, ainda de dentro do chuveiro.
- Certo – Theodore cerrou os punhos, observando o sorriso vitorioso de Malfoy – Encontro você no Salão Comunal mais tarde.
- Obrigado Theo, adoro você, sabia?
- Sim, eu sei – sorriu divertido ao ver o sorriso do loiro ser substituído por um olhar indignado. E assim, com o coração na mão, Theodore saiu do vestiário para cumprir o que prometera ao amigo. Enquanto Draco Malfoy, por sua vez, adotava um olhar sedutor e lançava um simples "alohomora" na porta do chuveiro de Harry e em seguida, um poderoso feitiço de proteção no vestiário inteiro.
Um malicioso sorriso se desenhou nos lábios de Draco ao ver a linda figura de seu noivo de costas para a pequena porta, os olhos fechados e a cabeça entregue à água que varria os últimos resquícios de seu caro shampoo para longe de seus rebeldes cabelos. Os olhos acinzentados deslizaram pelo corpo esguio de forma obscena e sem pensar duas vezes, o herdeiro da fortuna Malfoy ingressou no apertado compartimento, abraçando firmemente a cintura de Harry pelas costas. A toalha que o cobria agora permanecia esquecida no chão.
- Draco!
O moreno se assustou, mas logo relaxou ao sentir os suaves beijos em sua nuca.
- Eu pensei que o imbecil do Nott nunca sairia daqui – murmurou, a voz rouca e sensual fazendo Harry estremecer.
- Seu pervertido, então você estava esperando apenas ele sair para poder me atacar? – perguntou divertido.
- É claro que sim.
Harry riu, deixando escapar em meio ao riso um pequeno gemido, ao sentir o loiro pressionar uma endurecida ereção na abertura de seu traseiro.
- Ah... Dray, estamos nos vestiários – murmurou com as bochechas coradas de excitação, sentindo o loiro roçar-lhe o endurecido membro em sua abertura enquanto lhe acariciava intimamente –... E se alguém aparecer?
- Não se preocupe, coloquei um feitiço.
Em seguida, para surpresa e excitação ainda maior de Harry, o maior lhe estampou na parede fria levando dois dedos lubrificados com a água que os cobria à sua estreita abertura, que os acolheu ansiosamente, fazendo o pequeno Lord gritar, num delicioso misto de dor e prazer. E Draco se viu ainda mais duro.
- Eu te amo tanto, Harry – murmurou, beijando-lhe calorosamente o pescoço e a nuca enquanto o preparava com seus dedos para algo bem maior que estava por vir.
- Ah... Dray...
Harry se ocupava em gemer e desfrutar, sentindo a parede gelada contra o seu rosto febril, febril de puro desejo e do prazer que seu noivo lhe proporcionava. O pequeno Lord não podia negar que adorava quando o loiro se colocava selvagem e intenso, sem perder o caráter gentil e carinhoso, sussurrando-lhe o quão apaixonado era por Harry e como este seria a única pessoa a reinar em sua vida e em seu coração.
- Abra um pouco mais as pernas, meu amor – pediu suavemente, um pedido prontamente acatado pelo menor.
- AH... Draco!
Um gemido rouco escapou dos lábios de Harry ao sentir os dedos longos serem rapidamente substituídos pela imponente ereção de Draco. Fora uma estocada única e precisa, com o loiro praticamente se enterrado dentro o noivo e o impelindo contra a parede, mas Harry não reclamou. Pelo contrário, cerrou os olhos mantendo os lábios entreabertos numa expressão de êxtase profundo.
- Você está bem, amor? – o loiro perguntou, após alguns segundos completamente estático para o moreno se acostumar enquanto ele mesmo se deleitava com a sensação de ser engolido por aquela estreita abertura.
- Sim, Dray... Você pode... Continuar...
- Apenas relaxe – sussurrou com carinho, abraçando a estreita cintura enquanto começava os lentos, mas profundos movimentos de vai-e-vem.
- Humm... Draco... – jogando a cabeça para trás, em puro deleite, Harry ofereceu os lábios ao amado, que logo os devorou de maneira faminta.
O som da água quente golpeando deliciosamente seus corpos se misturava com suas respirações ofegantes. O vapor aquecia seus corpos, que, no entanto, já se encontravam em chamas devido à excitação que corria por suas veias de maneira delirante. E Harry, então, deixava seus necessitados gemidos preencherem o local, clamando por mais... E mais... E mais forte... Mais rápido... Pedidos que Draco não demorou a atender, impulsionando o quadril para frente e para trás de maneira cada vez mais profunda e intensa, usando seu largo e musculoso dorso para envolver o pequeno corpo de Harry, protegendo-o, abraçando-o, unindo-se com o moreno de uma forma que atestava o quão impossível seria para qualquer um tentar separá-los. Porque se amavam de uma forma que poucos poderiam entender. Porque estavam destinados a ser um do outro. Porque compartilhavam a alma e o coração.
- Ah... Draco... amor... Ah...
- Humm... Harry – gemeu em êxtase, sentindo as correntes elétricas do orgasmo começarem inundar o seu corpo. Enquanto Harry, por sua vez, encontrava-se entregue às mais deliciosas sensações, sendo completamente preenchido pelo amado e tendo este o estimulando intimamente.
Com mais algumas estocadas profundas, Draco se viu imerso num intenso clímax, derramando-se dentro de Harry enquanto este, arrebatado pela mesma sensação, deixou-se culminar nas habilidosas mãos do amado. E então, segundos depois, Harry apoiava a testa na parede gelada, procurando normalizar sua respiração com Draco, por sua vez, apoiado em seu ombro, abraçando-lhe carinhosamente a cintura e sussurrando o quanto o amava numa voz rouca e ofegante:
- Eu te amo, Harry.
- E eu amo você, Dray – murmurou com um sorriso sonolento.
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- Senhor Nott?
Theodore, que seguia para a biblioteca com os livros de Harry em seus braços, congelou ao ouvir aquela voz fria e intimidadora.
- Professor Riddle, Mi Lord – cumprimentou com uma respeitosa reverência.
- Você sabe onde o meu filho está?
Não havia sido por nada que Theodore fora selecionado para a casa das serpentes, isto é, ponderando rapidamente as conseqüências de suas palavras e assumindo que tais conseqüências seriam terríveis apenas para Draco Malfoy, ele não demorou a responder a pergunta do Lord:
- Sim, senhor. Ele estava no vestiário Slytherin com Draco Malfoy, sozinhos, quero dizer.
- O que você disse? – perguntou seriamente. Os olhos escarlates escurecendo de ira.
- Harry e Malfoy estavam nos vestiários, senhor. A última coisa que eu vi, na verdade, foi Malfoy, apenas de toalha devo acrescentar, lançando um feitiço de privacidade no vestiário. Algo muito estranho, agora que eu paro para pensar, mas como o Harry me pediu para devolver esses livros não pude investigar mais a fundo, senhor.
- Entendo – grunhiu por entre os dentes cerrados de ódio. E rapidamente, isto é, o mais rapidamente que a nobre dignidade de um Lord das Trevas permite, Tom seguiu para os vestiários do campo de Quadribol sob o olhar satisfeito de Theodore que, por sua vez, retomou seu caminho para a biblioteca, o coração significativamente mais leve agora:
- "Seu sogro está a caminho, Malfoy, prepare-se" – pensou divertido.
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O enamorado casal, enquanto isso, após limpar os resquícios de sua recente atividade compartilhando uma refrescante ducha, encontrava-se agora trocando sorrisinhos e olhares apaixonados enquanto se arrumavam. Naquele momento, pois, com ambos usando apenas uma toalha ao redor do quadril, Draco, acomodado num dos bancos do vestiário, penteava os rebeldes cabelos do amado, que, por sua vez, estava sentado em seu colo. Era realmente uma tarefa impossível domar aquelas belas madeixas e sob os risos divertidos do menor, Draco resmungava sobre o fato dos cabelos negros não permanecerem quietos num lugar só.
- Desista, Dray, é impossível.
- Um Malfoy nunca desiste – respondeu obstinado, dando uma pequena mordida sensual no pescoço alvo que lhe era exposto.
- Oh... Então este Malfoy será vencido pelo cansaço.
Draco, porém, não pôde sequer contestar, pois naquele momento os dois sentiram uma poderosa energia mágica tentando derrubar o feitiço de proteção que o loiro colocara.
- O que...? – as palavras de Draco morreram em sua boca, uma vez que, no instante seguinte, um forte estrondo se fez ouvir indicando que a porta do vestiário fora aberta e em seguida, cruzada por ninguém menos que o Lord das Trevas. Harry, ao avistar o pai, levantou-se do colo do noivo num pulo e este empalidecera ao contemplar o olhar assassino de Voldemort.
- Papai...
- CRUCIO! – a luz vermelha viajou na direção de Draco, que seria dolorosamente atingido se não fosse pela rápida intervenção de Harry:
- Impedimenta! – conjurou Harry, gritando logo em seguida com o adulto – Papai, você prometeu que não iria mais enfeitiçá-lo!
- Mas isso não se aplica ao caso de encontrar vocês dois nus e... Encontrá-los... Encontrar este pirralho se aproveitando de você pelas minhas costas – grunhiu irritado, levantando outra vez a varinha, mas sem lançar mais nenhum feitiço, pois Harry havia se colocado na frente do loiro.
- Papai, a gente não fez nada de mais.
- Sei... – estreitou os olhos, observando o herdeiro Malfoy assentir rapidamente com a cabeça, colocando-se a uma respeitosa distância de Harry – E vocês estão de toalha por que...?
- Porque acabamos de ganhar um jogo e precisávamos de um banho, oras.
- Hum...
- Ora, papai, deixe de pensar coisas absurdas. Sabemos muito bem que os vestiários não são o local adequado para esse tipo de coisa.
- E você me garantiu...!
- Sim, papai, e eu garanti que permaneceria puro e casto até o dia do casamento – sorriu inocentemente, vestindo-se com apenas um balançar de varinha – Agora o que você acha de tomarmos um chá no seu escritório enquanto você me conta como torturou os Gryffindors do primeiro ano?
O Lord apenas franziu os lábios, olhando para o pálido garoto Malfoy com severidade, mas deixando seu filho arrastá-lo para longe dos vestiários. O que Tom não viu, porém, foi a piscadela que Harry lançou para Draco antes de sair, momento em que este voltou a respirar:
- Por Merlin, qualquer dia desses, eu não sobrevivo – suspirou, colocando-se a se arrumar, resignado com a ausência do amado pelo menos até a hora do jantar.
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Era final de semana.
Os alunos de Hogwarts seguiam para Hogsmeade.
E as vésperas do Baile de Máscaras se aproximavam. Para Pansy Parkinson, então, aquele dia se resumia em apenas uma palavra:
- COMPRAS! – a menina gritou entusiasmada.
Ela, Harry, Draco, Theodore e Matthew acabavam de chegar ao abarrotado povoado, onde dezenas de estudantes, professores e outros magos e bruxas já se encontravam. Blaise havia optado por ficar no castelo quando observou o sorridente Ravenclaw abraçado a menina e Harry apenas revirou os olhos com a atitude do amigo, perguntando-se quando ele se declararia de uma vez. Agora, no entanto, o poderoso herdeiro do Lord das Trevas estava pálido, suas mãos tremiam e as belas esmeraldas encaravam o namorado de maneira suplicante:
- Mas Dray...
- Eu confio no seu bom gosto para nossas roupas, amor – sorriu com nervosismo – Vou dar uma passadinha na Dedosdemel e depois encontro vocês no Três Vassouras.
- Dray! – o moreno protestou, mas Draco já havia desaparecido – Theo...?
- Er... Eu preciso passar na livraria, vejo você depois, Harry, Parkinson.
- Espere, Nott, eu também encomendei alguns livros – disse o Ravenclaw, que após um rápido beijo na menina e um aceno para Harry, seguiu com Theodore às pressas para longe dos dois.
- Pelo visto somos apenas você e eu para uma tarde inteira de compras, Harryzito.
- Merlin... – o menino suspirou deprimido – onde eu fui me meter?
Mas a alegre menina ignorou suas palavras. E Harry, então, viu-se arrastado em direção às melhores lojas de roupas sob medida do povoado. Foram somente horas depois que o pequeno Lord pôde se deixar cair displicentemente numa das poltronas da loja, aceitando a limonada que uma das atendentes lhe oferecia, enquanto Pansy mobilizava outras cinco atendentes que tentavam dar conta de seus pedidos:
- Dourada, você não me ouviu? Eu quero cinco metros de seda dourada!
As pobres mulheres pareciam se dividir em mil, enquanto a menina, por sua vez, estava nas nuvens analisando seus elaborados croquis, nos quais desenhara as fantasias dela e de Matthew para o Baile.
- Eu disse serpente! Eu preciso de uma tiara de ouro em forma de serpente!
- Mas, senhorita, não temos...
- Providencie, oras!
- É-É claro.
Harry apenas sorriu diante da cena, olhando para seus próprios pés, nos quais dezenas de sacolas indicavam que já providenciara sua fantasia e a de Draco. E, obviamente, elas eram perfeitas.
- Finalmente – Pansy suspirou com deleite, após sair da loja com as inúmeras sacolas encolhidas em seu bolso.
- Finalmente digo eu.
- Ora, Harryzito, não negue que você se divertiu.
- Talvez – deu uma piscadela marota, ganhando um enorme sorriso da amiga.
- Vamos para o Três Vassouras?
- Oh, sim, por Merlin – o menino suspirou de maneira teatral – o Draco e os outros devem estar cansados de esperar.
- Que exagero, eu só demorei algumas horinhas...
Entre risos e comentários animados sobre como haviam sido geniais suas idéias para aquelas fantasias, Harry e Pansy seguiram finalmente para o bar de Madame Rosmerta, onde Draco, Theodore e Matthew bebiam sua quinta cerveja amanteigada e suspiravam com impaciência devido à demora da dupla.
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Finalmente a noite de Halloween chegou e com ela o tão esperado Baile de Máscaras. Naquele momento, pois, os estudantes iam chegando ao Salão Principal fazendo uso das mais peculiares e belas fantasias. E no Salão Comunal Slytherin, Theodore, Matthew, Padma Patil e um irritado Blaise se encontravam a espera de Pansy, Harry e Draco. O herdeiro da fortuna Zabini ostentava uma bela fantasia de príncipe de conto de fadas, fazendo uso de uma calça preta colada ao corpo com as botas de couro de dragão da mesma cor por cima, camisa de seda branca com alguns babados na gola e nas mangas, bem como uma bela casaca negra por cima. E completando o look, uma espada de prata, com a bainha adornada de pedras preciosas, estava presa em seu cinto. Sua acompanhante, Padma, por sua vez, encontrava-se vestida de princesa e usava um bonito vestido cor-de-rosa cheio de babados com a réplica de uma coroa de cristal sobre seus cabelos presos. Para Blaise, porém, ela estava cor-de-rosa de mais.
- Estou pronta, meninos – uma radiante Pansy vinha descendo as escadas. E Blaise, inevitavelmente, contemplou-a boquiaberto. Ela estava simplesmente magnífica.
Fantasiar-se da famosa e poderosa bruxa egípcia, Cleópatra, foi a escolha de Pansy e assim, ela usava uma longa saia de seda dourada, bordada com fios de ouro, que possuía uma sensual abertura a partir das coxas. Cobrindo o farto busto, encontrava-se um bustiê tomara-que-caia dourado, amarrado ao fino pescoço por fios de ouro trançados. Deste, pendiam pequenos diamantes em forma de losango, mas não era a única jóia que ela usava. Em ambos os braços ela usava braceletes de ouro em formato de serpente, que combinavam com a tornozeleira, esta se destacando por suas sandálias douradas que trançavam na canela. Não obstante, adorando seu cabelo negro em corte chanel, estava a bela tiara de ouro em formato de serpente, uma naja, cujos olhos eram feitos de rubi. E completando o seu look, sobre seus ombros, estava ninguém menos que Morgana. Esta adotara a forma de uma naja negra e a pedido de Harry, acompanharia a menina durante a noite.
- Uau... – conseguiu articular Matthew, indo se juntar rapidamente à menina. Este usava uma fantasia de Faraó completa, e ambos, então, formavam um lindo casal egípcio, para desgosto de Blaise.
- Sim, eu sei. Obrigada – ela sorriu – Vamos indo? O Harryzito e o Draco ainda vão demorar alguns minutos, pois a poção ainda não está pronta.
- Que poção? – perguntou Theodore, arqueando uma sobrancelha.
- Oh, logo você irá ver.
Aceitando o braço de Matthew, então, ela seguiu para fora do Salão Comunal, lançando um frio olhar para Padma ao passar por ela, o que fez a pobre menina correr para o lado de Blaise e assim, eles seguiram para o Salão Principal, onde já acontecia a formidável festa.
Cabe apontar que o Salão Principal estava irreconhecível. Um feitiço de expansão fora usado e assim, o Salão estava bem maior do que o normal. As mesas das quatro casas haviam sido substituídas por mesinhas redondas pequenas, nas quais se encontrava uma pequena fonte de chocolate e frutas frescas em cada, podendo acomodar até quatro estudantes tranquilamente. Na mesa dos professores estava disposto um arranjo completo de Buffet, contando com as mais deliciosas iguarias que os elfos do castelo haviam preparado e onde os estudantes podiam se servir a vontade. E no meio do Salão, aproveitando o amplo espaço, os alunos aproveitavam para dançar as músicas que a banda contratada pela Escola – As Esquisitonas – oferecia naquela noite.
Mas o mais impressionante mesmo era a decoração: o teto permanecia com o encanto de milhares de estrelas reluzentes, mas agora contava com assustadores trovões, e centenas de velas pairavam no ar; nas paredes, esqueletos enfeitiçados dançavam e divertiam os estudantes; encantamentos que imitavam morcegos e aranhas estavam distribuídos pelo local, bem como pedaços de seres humanos dilacerados, que, na verdade, não passavam de doces deliciosos. E assim, Hogwarts surpreendia mais uma vez com uma bela e animada festa.
- Esse lugar está incrível – Pansy exclamou ao ingressar no Salão Principal, ganhando um aceno de concordância daqueles que a acompanhavam e que agora observavam embasbacados a decoração ao redor.
- No mundo muggle é muito comum esse tipo de festa – para desgosto das serpentes, e dos Ravenclaws que as acompanhavam, a voz de Hermione Granger se vez ouvir logo ao lado – Minha prima disse que nos Estados Unidos eles vão de casa em casa pedindo doces ou então aprontando travessuras.
- É mesmo? – perguntou um desinteressado Rony Weasley.
- Olhem, pelo visto o Weasley vai começar a pedir comida de porta em porta – provocou Blaise – só assim mesmo para ganhar alguma coisa.
- Maldita serpente!
- E que fantasia é esta que a sangue-ruim-Granger está usando? – Pansy perguntou com malícia, fazendo a aludida corar com o insulto – Talvez seja um espantalho, quero dizer, a julgar pelo seu cabelo
- Estou de chapeuzinho vermelho, Parkinson, não fale daquilo que você não sabe!
- Chapeuzinho vermelho? – arqueou uma sobrancelha, observando o vestido maltrapilho marrom que estava coberto por uma capa vermelha de um tecido deplorável – Que adorável – comentou com sarcasmo, fazendo seus amigos rirem e os dois Gryffindors corarem furiosamente.
- Sua maldita... – Granger e Weasley, que por sua vez, usava uma ridícula fantasia de homem das cavernas... Ou aquilo seria um lobo? Enfim, ambos levantaram as varinhas, prontos para amaldiçoar os Slytherins, quando, de repente, uma gélida voz fez com que engolissem em seco, pálidos de medo:
- Ora, ora, o que temos aqui?
- Professor Riddle – Pansy cumprimentou educadamente, um pequeno sorrido dançando em seus lábios.
- Boa noite, senhorita Parkinson – o Lord, então, encarou os pálidos Gryffindors – Weasley e... Garota sangue ruim da qual eu não me lembro o nome – fez um gesto vago com a mão – menos cinqüenta pontos para cada um por levantarem a varinha para um colega.
- Mas...
- Você está me questionando, Weasley?
- Não... Er... N-Não, senhor, com licença – murmurou, saindo com Granger rapidamente dali.
- Eu acho que Gryffindor já está com pontos negativos – Theodore observou, fazendo os demais sorrirem com malícia.
- Garanto que ainda não é o bastante, senhor Nott – Tom garantiu divertido – agora me digam, onde o meu filho está?
- Está a caminho, senhor.
- Ele e o senhor Malfoy virão juntos, eu presumo, senhorita Parkinson?
- Sim, senhor. Quando saímos do Salão Comunal ele estava finalizando os últimos detalhes das fantasias e...
No entanto, antes que Pansy pudesse terminar a frase, um forte estrondo foi ouvido. Eram as portas do Salão Principal sendo abruptamente abertas, pelas quais acabavam de ingressar Draco Malfoy e Harry Riddle, o casal mais famoso de Hogwarts, que logo atraiu olhares incrédulos e maravilhados. Afinal, ninguém poderia acreditar no que estava vendo.
- Não é possível... – murmuravam alguns.
- Mas como...? – perguntavam outros.
- Eles estão mesmo...?
- Por Merlin – exclamou uma Hufflepuff do primeiro ano – Eles estão voando!
De fato, eles estavam voando. Mas não simplesmente voando, eles possuíam asas! E isso graças a uma elaborada poção feita por Harry para complementar suas fantasias, fantasias estas, diga-se de passagem, simplesmente incríveis.
Harry estava vestido de anjo e Draco, por sua vez, de demônio.
E harmonia maior entre os dois não poderia haver.
Eles eram a encarnação da beleza.
Harry usava um ajustado short branco feito de couro de dragão albino, muito raro, que combinava com as botas da mesma cor e tecido. Destacando seus belos olhos, por sua vez, estava a camisa de gola alta e mangas curtas, na cor verde-clara, quase branca, encoberta pelo sobretudo de couro de dragão albino branco que possuía pequeno cristais de diamante em seu contorno, acentuando o brilho natural das belas orbes esmeraldas. E levitando sobre os bagunçados cabelos negros estava uma aureola dourada que emitia um lindo brilho por arte da magia. Mas o que havia deixado todos boquiabertos eram as asas brancas, como verdadeiras e imaculadas plumas angelicais, que saíam das costas de Harry. Um verdadeiro anjo. Um anjo que conservava um malicioso sorriso nos lábios.
Não menos impressionante, Draco usava uma ajustada calça de couro preta, com as botas de mesma cor e tecido por baixo. Uma camisa de seda vinho, de mangas longas, acentuava o malicioso brilho de seus olhos acinzentados e era encoberta por um sobretudo de couro, também preto, por cima. Dos impecáveis cabelos louro-prateados saía um par de pequenos e afiados chifres negros, combinando perfeitamente com as asas negras, que possuíam algumas rajadas em vermelho escuro, combinando com a camisa e dando um ar de sensualidade obscura ao herdeiro Malfoy.
- Vocês sabem como fazer uma entrada, Harryzito.
- Obrigada, Pan. Demoramos um pouco porque foi mais complicado do que eu esperava nos acostumarmos às asas
O Pequeno Lord e Draco estavam agora com seu círculo de amigos e o professor de DCAO, mas ainda atraiam todos os olhares do Salão Principal, olhares estes que ignoravam, pois sabiam que estavam impecáveis e que não havia quem não pudesse admirar isto.
- Harry, como...? – o Lord encarava seu filho, sem palavras.
- Uma simples poção metamórfica, papai, foi só adicionar os ingredientes certos e falar algumas palavrinhas em Parsel, mas não se preocupe, o efeito vai passar em mais ou menos oito horas, isto é, no horário em que o baile acabar.
- Dez pontos para Slytherin, senhor Riddle, por tal poção – a gélida voz do professor Snape se fez ouvir às costas do grupo.
- Deixe de ser miserável, Severus – o Lord comentou divertido – cem pontos para Slytherin pela genialidade do senhor Riddle.
- Obrigado, papai. E professor Snape, sua fantasia de morcego é incrível.
- Ora, seu moleque! Eu não estou fantasiado...!
- O que você disse, Severus?
- Er... Eu quis dizer, Mi Lord, que o senhor Riddle possuí uma imaginação primorosa, mas que eu não aderi a nenhuma fantasia. Aliás, nenhum dos professores o fez, somente Dumbledore. Er... Se vocês me dão licença.
Ao ver o professor de poções se afastar nervosamente, Tom arqueou uma sobrancelha com maliciosa diversão, e assim, bagunçando os cabelos de seu filho e fazendo um breve aceno para os demais, ele seguiu na direção de Snape para amedrontá-lo mais um pouco. Aquilo era um interessante entretenimento.
- Eu adorei sua fantasia, Theo.
- Obrigado – o aludido agradeceu ao menino que roubara seu coração, deixando um pequeno sorriso adornar sua face ao observar aqueles lindos olhos brilhantes.
- E essa seria uma fantasia do que, Nott? Um Dementador?
Theodore estava abrindo a boca para replicar as ácidas palavras de Malfoy quando Harry respondeu em seu lugar:
- Não, Dray, ele está vestido de Morte – afirmou com um sorriso. Um manto negro, cujo capuz escondia parcialmente o rosto de Theodore, encobria uma túnica pesada da mesma cor. E em suas mãos, ele portava uma foice de prata, com inscrições em auto-relevo, ricamente adornada.
- Credo – Draco fez uma careta, mas Harry apenas revirou os olhos.
Uma sorridente Pansy, então, interferiu:
- Eu não sei vocês, mas eu quero dançar essa música!
E assim, com a menina arrastando seu acompanhante para o meio do salão, sob o olhar assassino de Blaise, as serpentes e seus acompanhantes não demoraram a dançar sob o som que animava a festa. Somente várias músicas depois, quando os alunos do primeiro ano já haviam se retirado, Pansy e Matthew se sentaram numa das mesinhas para aproveitar as delícias que a pequena fonte de chocolate oferecia. E Blaise e Padma, é claro, acomodaram-se numa mesa convenientemente próxima, pois o herdeiro da fortuna Zabini estava cansado e queria acompanhar o movimento da festa, movimento este que estava focado na mesa de sua colega de casa.
- Eu vou buscar alguma coisa no Buffet, você quer algo?
- Não Matthew, querido, obrigado – ela sorriu docemente – Eu espero aqui.
- Certo. Eu volto já.
Quando Blaise observou o Ravenclaw se afastar, ele não pensou duas vezes, desculpou-se com sua acompanhante e garantiu que precisava resolver algo importante com Pansy, seguindo, então, rapidamente para a mesa da Slytherin, que acariciava distraidamente a cabeça de uma sonolenta Morgana em seus ombros.
- O que você está fazendo com este idiota? – perguntou sem rodeios, sentando-se ao lado da menina que havia arqueado uma sobrancelha, sem entender nada.
- Como é?
- Esse Ravenclaw idiota, o que você está fazendo saindo com ele? Ele obviamente não é o homem certo para você.
- Oh, é mesmo? E quem é o homem certo para mim?
- Ora, bem, alguém que entenda você, que respeite seus gostos e jeito de ser, que ame você por suas peculiaridades, pelo seu sorriso que ilumina qualquer lugar por onde você passe, pelos seus olhos negros que capturam o coração de quem os contemplem, pelo seu jeito doce e infantil que esconde uma personalidade forte, decidida e implacável que não mede esforços para ajudar aqueles que ama e conseguir o que quer. Você precisa de alguém que seja seu melhor amigo, companheiro, confidente, amante apaixonado e que esteja sempre aí para você. Alguém como... Alguém como...
- Como quem? – ela perguntou, os olhos marejados, encarando-o fixamente.
- Alguém como... – Blaise estava perdido naqueles belos olhos negros, mas de repente, infelizmente, ele voltou a si – Ora, eu não sei, não sou um vidente. Pergunte para a Trelawney. Mas eu sei que não é esse cara!
- Blaise, você é um idiota – ela afirmou, seu rosto fino expressando toda a sua decepção e ressentimento. E sem dizer mais nada, levantou-se, usando sua varinha para levitar a fonte de chocolate e jogá-la na cabeça de um perplexo Blaise, sob os olhares divertidos e as gargalhadas dos demais, deixando-o para trás logo em seguida.
Harry, que observava a cena, abraçado ao namorado na pista da dança enquanto desfrutavam de uma música lenta, apenas balançou a cabeça com cansaço.
- Quando ele vai aprender?
- Quem? – perguntou o loiro, aproveitando que o Lord não estava por perto para beijar carinhosamente o pescoço de seu noivo.
- Blaise.
- Hum... Nunca, talvez.
- Ele a ama.
- Sim, e ela também o ama.
- O amor é realmente uma coisa complicada – Harry suspirou, ladeando um pouco a cabeça para dar mais espaço às carícias do amado.
- Não para nós.
- Ainda bem – sorriu aliviado. Mesmo que não estivesse tão certo disso, pois muita calmaria sempre anunciava uma tempestade. Mas era melhor não pensar nisso agora.
- Quer beber alguma coisa, amour?
- Um pouco do ponche seria bom.
- É claro, deve estar ótimo, depois que eu mandei o Crabbe e o Goyle colocar um pouco de Whisky de Fogo nele.
- Certo – sorriu – Vamos provar então.
- Eu vou buscar para nós.
- Ok. Eu espero ali na mesa – após um rápido selinho no maior, Harry seguiu para uma das mesinhas vazias próximas ao meio do salão.
O Pequeno Lord, então, ocupou-se em observar a diversão dos demais enquanto esperava por Draco, mas foi surpreendido por uma amigável voz:
- Gostando da festa, Harry?
- Está melhor do que esperava, professor Dumbledore.
- Fico feliz – o ancião sorriu, sentando-se ao lado do menino, que apenas o encarou friamente. Harry sabia que Dumbledore estava quieto durante o ano inteiro e que permaneceria assim devido à presença de seu pai. O diretor de Hogwarts quase fora morto pelo Lord das Trevas em mais de uma ocasião e este ano ele não parecia muito animado em passar mais uma temporada em St. Mungus. Afinal, ano que vem seria um ano crucial, pois Harry completaria dezessete anos e com isso, a invencibilidade do Lord seria quebrada segundo a profecia, além de o acordo de paz ser formalmente anulado, uma vez que fora cumprido o prazo de dezessete anos estipulado. Oh, sim... Dumbledore estava guardando suas forças para um bem maior.
- A que devo o prazer de sua companhia, diretor? – perguntou com evidente sarcasmo. Mas Dumbledore apenas sorriu com o seu usual ar bonachão:
- Eu estava apenas querendo elogiar sua belíssima fantasia e saber como você estava, Harry.
- É uma fantasia incrível, eu sei. E estou ótimo, é o meu melhor ano em Hogwarts, mas o senhor já deve ter percebido isso.
- É claro – o ancião observou um perigoso par de olhos escarlates observando-o de uma cuidadosa distância, apenas esperando qualquer movimento suspeito para matá-lo diante de todos no salão. Tom estava cuidando cada um de seus passos próximos de Harry e ele sabia disso.
O pequeno Lord, por sua vez, amaldiçoava a demora de Draco, querendo se livrar logo do velhote caduco. E sua oportunidade apareceu quando uma mão foi estendida para ele num elegante pedido:
- Gostaria de dançar, Harry?
- Eu adoraria, Theo – sorriu, aceitando a mão que lhe era oferecida e dirigindo-se uma última vez ao diretor – a propósito, senhor, sua fantasia de galinha está muito divertida.
- É uma fênix! Uma fênix, oras...! – replicou indignado, mas Harry o havia deixado falando sozinho.
Agora, o pequeno Lord abraçava o pescoço de Theodore e este sua cintura, dançando suavemente no ritmo da lenta música que tocava. Por incrível que pareça, as asas não dificultavam os movimentos de Harry, pelo contrário, davam um ar de leveza e mobilidade ao menino, que desfrutava da companhia do amigo, cerrando os olhos e apoiando a cabeça no ombro largo coberto pela túnica obscura.
- Obrigado por me salvar do velhote maluco.
- Sempre às ordens – replicou divertido, estreitando um pouco mais a fina cintura em seus braços – Mas devo confessar que minha intenção também foi evitar que seu pai assustasse a todos colocando o velhote sob a Maldição Cruciatus.
- Ele já estava vindo em nossa direção, acertei?
- Exato.
- Uma nobre ação, Theo – comentou com divertida malícia.
- Tudo para dançar com a pessoa mais bonita da festa.
- Oh... E onde essa pessoa está?
- Em meus braços – sussurrou em seu ouvido – De onde ela nunca deveria sair.
- Theo... – Harry corou. Mas antes que o pequeno Lord pudesse dizer qualquer coisa, uma fria voz se fez ouvir:
- Solte-o imediatamente, Nott – Draco cuspiu o sobrenome com ódio, sua faiscante varinha apontada para o rival.
- Apenas se ele quiser que eu o solte, Malfoy – replicou no mesmo tom.
- Seu maldito bastar...!
- Draco, por favor – Harry interveio – eu estou dançando com um amigo.
- Um amigo, claro.
- O que você está insinuando?
- Nada, para você nada, meu amor – respondeu rapidamente ao observar o perigoso olhar esmeralda – mas este imbecil não quer ser só seu amigo.
- E ele sabe disso, Malfoy, mas eu sei que o Harry não corresponde aos meus sentimentos da mesma forma e eu respeito isso, não em consideração a um idiota mimado feito você, mas em consideração a ele.
- Theo, por favor...
- Posso ser mimado sim, mimado pela minha família, você sabe o que é isso? Família?
- Draco! – Harry o encarou com severidade. E para desespero do pequeno Lord, os dois já preparavam as varinhas – Parem com isso, vocês dois!
Mas as palavras do menor não foram ouvidas.
- ESTUPEFAÇA! – conjurou Draco, mas Theodore foi rápido em se defender:
- IMPEDIMENTA!
- DIFFENDO!
Theodore conseguiu desviar, contra-atracando:
- BOMBARDA!
- PROTEGO!
E naquele momento, o Salão Principal se viu tomado pelo caos. Feitiços ricocheteando na decoração e destruindo tudo, as poderosas luzes quase segando os demais, que tentavam se proteger de serem atingidos.
- Senhor Nott! Senhor Malfoy! – McGonagall gritava – Parem com isso!
Mas era inútil.
- EXPULSO!
- PROTEGO MAXIMA! – o loiro se defendeu, atacando em seguida – REDUCTO!
- Todos para suas Salas Comunais! A festa acabou! – ordenou Dumbledore, em meio à gritaria, e a maioria dos estudantes não pensou duas vezes antes de obedecer, permanecendo apenas Harry e seus amigos no local.
- EXPELLIARMUS!
- Theo, pare com isso! Draco!
- CRUCI... – mas antes que o herdeiro da fortuna Malfoy pudesse terminar de conjurar a maldição, sua varinha desapareceu. E pelo o que ele pode perceber a de Nott também.
- Agora vocês vão parar com esse comportamento absurdo ou eu serei obrigado a ensinar aos dois na prática como funciona cada um desses feitiços? – O Dark Lord perguntou perigosamente, ambas as varinhas em sua mão.
Na mesma hora, os dois Slytherins abaixaram a cabeça e colocaram as mãos para trás, como uma criança pequena que acaba de ser repreendida.
- Ótimo. Agora sumam para os seus dormitórios e venham buscar suas varinhas em minha sala amanhã, pois esta noite eu vou aproveitar para pensar numa detenção adequada – informou duramente – e mais uma coisa, quando o meu filho disser "pare" é para parar, entenderam? Independente do que quer que vocês estejam fazendo.
- Sim, senhor – responderam em coro. Saindo do local após uma longa reverência, sob o olhar atônico dos demais professores e aliviado de Harry.
- Vejo você daqui a pouco, Harryzito – Pansy se despediu, seguindo com os outros para longe dali.
O pequeno Lord, então, juntou-se a seu pai numa das mesinhas vazias, observando os professores saindo um a um e os elfos já começando a fazer a limpeza da bela festa que no final quase virara uma catástrofe.
- O que foi isso tudo, Harry?
- Digamos que o Theo e o Draco, em alguns momentos, não conseguem deixar de lado algumas desavenças infantis – suspirou, molhando um morango na fonte de chocolate que ainda estava inteira e o levando aos lábios.
- Pude perceber.
- Mas você salvou o dia, papai.
- É o que faço – replicou com sarcasmo e os dois, então, não puderam conter os risos. No final das contas, Harry pensava, a festa não havia deixado de ser maravilhosa. E Theo e Draco seriam sempre Theo e Draco, sorriu ao pensar nisso, digladiando-se em cada oportunidade, mas sempre se unindo quando a finalidade era protegê-lo dos demais.
Continua...
Próximo Capítulo: - Isso é ridículo.
- Papai, por favor, será um lindo jantar para oficializar o meu noivado com o Dray.
O Lord, por sua vez, revirou os olhos.
-x-
N/A: Olá pessoas! Tudo bem com vocês? Bom, como prometido, aqui está o novo capítulo de O Pequeno Lord em tempo recorde! Hehehe... Férias é tudo de bom, né? Mas infelizmente minhas férias estão acabando... Passou tão rápido... – pausa para um choro dramático – Mas ainda sim eu prometo que vou tentar continuar as atualizações sem demora. Enfim, espero que vocês continuem apreciando a história!
O que acharam do capítulo de hoje? O Blaise se roendo de ciúmes, o Lord surpreendendo o filho num momento íntimo outra vez e o pobre Dray quase morrendo de susto, e é claro, Draco e Theo se digladiando pelo pequeno Lord! Hehehe... No próximo capítulo vocês poderão apreciar, entre vários momentos, as tensões num jantar de noivado e a confissão de Blaise para Pansy, finalmente! Espero que gostem!
Qualquer comentário, críticas, elogios ou sugestões...
São sempre bem vindos!
Meus sinceros agradecimentos e grandes beijos para:
Deh Isaacs... Karool Evans Malfoy... Mila B... Schaala... Pandora Beaumont... Rafaella Potter Malfoy... Kamilla Riddle... Isabelle Bezarius... Inu... Isys Skeeter... Ines Granger Black... Lari SL... vrriacho... e AB Feta!
Muito obrigada mesmo pelas lindas REVIEWS de vocês!
O próximo capítulo de Estocolmo estará online em breve!
Espero que vocês apreciem!
Muitos Beijos! E até a próxima!
