Nota: (1) – Harry Potter e seus personagens não me pertencem. E sim a J.K. Rowling.
(2) – Essa é uma história Slash, ou seja, relacionamento Homem x Homem. Se não gosta ou se sente ofendido é muito simples: Não leia.

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Foi com imensa expectativa que os alunos da Escola de Magia e Bruxaria de Hogwarts observaram as semanas passarem voando, desde o agitado baile de Halloween, até, finalmente, a chegada da saída da escola para o feriado de Natal. E Harry e seus amigos, é claro, eram os mais animados com o vislumbre daquela merecida temporada de férias que, segundo o pequeno Lord, prometia fortes emoções. Isto é, a julgar pela carta de Narcisa Malfoy em suas mãos e a possível ração do Dark Lord mediante ao conteúdo desta.

- Meu amor, você já não se cansou de ler esta carta que minha mãe mandou? – Draco perguntou com um suspiro, abraçando carinhosamente o menino de belos olhos verdes em seu colo.

Naquele exato momento, eles se encontravam no Expresso Hogwarts a caminho de suas casas, Draco e Harry dividindo uma cabine com uma tranqüila Pansy, que folheava uma revista de moda e um inquieto Blaise, que não parava de lançar olhares de esgueira à menina, ambos no banco em frente ao casal apaixonado.

- Não, Dray – o moreno respondeu, recostado preguiçosamente no peito forte do loiro – Eu ainda estou pensando numa maneira de convencer meu pai.

- Tenho certeza de que você vai achar um jeito.

- É o que eu espero.

- Em todo caso, você sempre pode apelar para os seus lindos olhinhos verdes brilhando inocentemente, lacrimejantes, em silenciosa súplica. Não há quem resista.

- Eu sei – sorriu com malícia, estremecendo com a carícia dos lábios de Draco em sua nuca – Tem razão, Dray.

Com um ar pensativo e um pequeno sorriso dançando em seus lábios, Harry observou mais uma vez o que a elegante caligrafia de Narcisa dizia:

Querido Harry,
Eu e Lucius estivemos conversando e achamos que seria uma ótima idéia que o seu noivado com Draco seja devidamente oficializado com um jantar íntimo na Mansão
Malfoy – apenas eu, Lucius, Draco, você e o Lord – assim, as famílias poderão conversar um pouco mais sobre os detalhes desta bela união tão estimada por nós.
Mandarei servir um menu especial e com certeza não faltará champagne para brindarmos sua chegada à família Malfoy, o que consiste numa indiscutível honra para
todos nós. Desta forma, espero que você e o Lord possam comparecer à Mansão Malfoy na primeira sexta-feira de Janeiro, dia seis – antes da volta às aulas no dia
nove – às 19h00min. Desde já, devo afirmar que estou animadíssima com as ilustres presenças, sua e de seu pai, neste jantar privado, que será um marco na união
de ambas as famílias.
Um grande beijo, meu querido.
Com amor,
Narcisa Black Malfoy.

Sem perder o pequeno sorriso que adornava seus lábios, Harry, então, dobrou cuidadosamente a carta e a guardou no bolso das vestes, deixando-se recostar mais uma vez no peito do namorado e cerrando os olhos para aproveitar os mimos que recebia, com Draco acariciando levemente seus cabelos rebeldes e distribuindo pequenos beijos em sua bochecha corada. Enquanto isso, Blaise não parava de lançar olhares de esgueira a Pansy, que, por sua vez, fazia o possível para ignorá-lo e assim, concentrar-se em sua revista, pois os olhares do moreno já começavam a irritá-la.

- Onde você vai passar as férias, Harryzito?

- Meu pai e eu vamos para Florença. Ele tem alguns negócios para resolver na Itália e assim, vamos aproveitar para passar as festas de fim de ano lá – explicou com um divertido sorriso ao ver que a menina tentava distrair a atenção de Blaise para outro ponto, sem sucesso, no entanto – E você, Pan?

- Oh, você nem imagina, Harryzito! – sorriu radiante, seus olhos negros brilhando de expectativa – minha família e eu vamos fazer um magnífico cruzeiro-mágico pelo Mediterrâneo!

- Que delícia, Pan, posso até imaginar o quanto você...

- E você avisou ao Ravenclaw imbecil de sua viagem? – Blaise interrompeu o pequeno Lord, um sorriso de escárnio desenhado em seu rosto bonito – Porque pelo o que eu ouvi, o perdedor ficará em Hogwarts no feriado.

- Sim, ele ficará. Mas eu e Matthew não conseguimos nos falar muito nos últimos dias por causa dos N.I.E.M.s dele e então, eu me esqueci de mencionar minha viagem para ele, não que isso seja da sua conta, é claro.

Harry, então, interveio:

- Acredito que você e o Matthew não andam se falando muito mesmo, não é, Pan? – perguntou com malícia – Pois, pelo o que eu reparei, vocês preferem se dedicar a coisas muito mais interessantes do que falar.

- Oh, sim... Com certeza, Harryzito! Quando estou com o Matthew nós dois ficamos simplesmente sem palavras, se é que me entende.

Alheio ao olhar cúmplice que Harry e Pansy trocavam e ao sorriso sarcástico adornando os lábios de Draco, enquanto este se limitava a observar a divertida cena, Blaise se levantou bruscamente, lançando um olhar venenoso à menina e em seguida, saiu da cabine batendo estrondosamente a porta no processo. A última coisa que eles ouviram antes do herdeiro da fortuna Zabini desaparecer a passos furiosos pelo corredor vazio do trem foi um indignado murmúrio que soava como: "menina fácil e estúpida!".

- Coitadinho, Pan... – Harry comentou, sem deixar de sorrir, quando viu o amigo sumir pelo corredor.

- Está com pena dele?

- Não – seus belos olhos verdes brilhavam com malícia – Ele fez por merecer.

- Lembrem-me de nunca provocar vocês dois – Draco pediu com aberta diversão, ganhando um sorrisinho maldoso exatamente igual de Harry e Pansy.

- Mas pelo menos você está feliz com o Matthew?

- Sim, Harryzito, muito!

- E ainda sim você se esqueceu de dizer que não passaria o Natal em Hogwarts com ele? – questionou Draco, uma sobrancelha elegantemente arqueada.

- Sim – ela fez um gesto vago com a mão, as belas unhas pintadas de roxo se destacando sob a luz – Amanhã eu mando uma coruja com uma carta para ele.

Harry e Draco, por sua vez, balançaram a cabeça com silenciosa diversão, ambos conscientes de que o pobre Ravenclaw apaixonado estava apostando no coração da bruxa errada, pois o desta já possuía dono, ainda que os dois envolvidos negassem tal fato. No decorrer da viagem até a plataforma 9 ¾, então, Pansy permaneceu interrogando o pequeno Lord sobre a roupa que este usaria em seu jantar de noivado e a possível decoração que Narcisa estaria preparando para aquela elegante e requintada noite, uma noite que, na opinião de um ansioso e apaixonado Draco, parecia estar demorando séculos para chegar.

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No entanto, ao contrário da concepção do jovem herdeiro Malfoy, aquela noite tão especial não demorou a chegar e agora, olhando criticamente para seu deslumbrante reflexo no espelho, Harry esperava pacientemente por seu pai:

- PAPAI! VOCÊ PROMETEU!

- Será apenas um jantar estúpido, Harry – o Lord revirou os olhos, ainda conferindo distraidamente alguns papéis na mesa de seu escritório.

- É o meu jantar de noivado, papai!

- Não me lembre disso – murmurou por entre os dentes, mas logo suspirou ao contemplar os lacrimejantes olhos esmeraldas fixos nos seus – Certo, certo, não precisa me olhar assim, vou deixar para terminar com estes papéis quando eu voltar.

- Ótimo – sorriu radiante, dando outra rápida olhada no espelho para em seguida, seguir em direção à chaminé, por onde viajariam com pó-de-Flu.

Harry estava simplesmente deslumbrante em uma longa e suave túnica verde-clara amarrada na cintura por uma faixa de seda branca, na qual se destacavam pequenos cristais que acentuavam o brilho de seus olhos, em contraste com os lábios rosados e os cabelos sensualmente bagunçados. Em seu dedo anelar direito brilhava o magnífico anel forjado em ouro branco, com um designer delicado e inteiramente cravejado de diamantes, mas que no centro, possuía um diamante de doze quilates em formato de coração, o anel que era passado de geração em geração na família Malfoy.

- Refresque a minha memória mais uma vez, Harry, e me diga por que eu estou indo nesse jantar? – o Lord suspirou, fechando a pasta com seus papéis e colocando a elegante túnica negra por cima do caro terno risca-de-giz.

- Porque eu implorei, esperneei e fiz da sua vida um inferno por duas semanas até que você aceitou e me deu sua palavra de que iria – o menino respondeu com um brilhante sorriso.

- Oh, sim, agora me lembro – massageou as têmporas, recordando as piores semanas de sua vida, com Harry fazendo todos os tipos de chantagens emocionais possíveis até que ele aceitasse comparecer ao maldito jantar.

- Pronto, papai? – o sorriso angelical permanecia nos lábios rosados, e só desapareceu quando as chamas verdes da chaminé o envolveram ao gritar: - Mansão Malfoy! – jogando o pó-de-Flu em seguida.

E o Lord, após deixar escapar outro suspiro exasperado, ao imaginar as maravilhas que aquele jantar guardava, seguiu atrás de seu filho:

- Mansão Malfoy!

Logo, as chamas esverdeadas deram lugar ao imponente escritório de Lucius Malfoy, no qual este, Narcisa e Draco já aguardavam seus ilustres convidados. A família Malfoy definitivamente fazia jus a seus títulos, portando-se elegante e friamente, tal qual ditava o nobre e puro sangue que corria por suas veias. Narcisa estava simplesmente estonteante num vestido longo, azul-escuro, de tecido leve e fino, que deixava os ombros a mostra destacando, assim, a bela gargantilha de diamantes que lhe adornava o pescoço fino, os cabelos louros e longos estavam presos num coque austero e elegante; ao seu lado, Lucius vestia um terno preto de corte reto com uma camisa de seda azul-marinho, e uma túnica da mesma cor e tecido por cima, exalando puro bom gosto e aristocracia, bem como Draco, que, ao lado do pai, fazia o possível para esconder a ansiedade com uma máscara distante e fria que, por sua vez, apenas acentuava o seu ar nobiliárquico em conjunto com a casaca negra e a calça da mesma cor e tecido, sobre a camisa branca de seda, e a capa prateada do mesmo tecido por cima, a qual intensificava o apaixonado brilho de seus olhos acinzentados. Brilho este que logo se viu acompanhado de um radiante sorriso ao contemplar seu desajeitado noivo sair com pouca elegância da chaminé, tossindo pó-de-Flu, e sendo seguido logo atrás pelo Lord das Trevas que, no entanto, saiu da chaminé com impressionante elegância e desenvoltura.

- Cof, cof... Eu odeio essa forma de viajem... Cof, cof... – Harry suspirou, alisando sua bela túnica para eliminar qualquer resquício de pó-de-Flu.

- Como sempre uma bela entrada, Harry – Lucius comentou divertido, após ele e sua família saudarem o Lord das Trevas com uma profunda reverência.

- Muito engraçado, padrinho.

Lucius, porém, não pôde conter um pequeno sorriso ao observar o biquinho emburrado do afilhado, o qual logo puxou para um caloroso abraço – nas limitações de um Malfoy, é claro – fazendo Harry lhe oferecer um radiante sorriso em troca. O pequeno Lord, então, seguiu para os braços de Narcisa, que o envolveu com satisfação e carinho. E depois, para sua alegria, Harry se viu rodeado pelos conhecidos braços fortes de seu noivo, o qual, aproveitando que um distraído Voldemort conversava com Lucius, apoderou-se apaixonadamente dos lábios rosados de seu pequeno amado.

- Hum. Hum. – um irritado pigarrear interrompeu o apaixonado casal.

Tom havia cortado abruptamente sua conversa com Lucius a respeito de como estava a influência dos Comensais da Morte no Ministério, quando observou pelo canto dos olhos o seu doce e inocente filho sendo devorado pelo indecente pirralho Malfoy.

- O que acham de seguirmos à Sala de Estar para tomarmos um aperitivo enquanto esperamos pelo jantar? – Narcisa convidou elegantemente, evitando o assassinato prematuro de seu único filho.

E Harry, sem pensar duas vezes, com um radiante sorriso dançando em seus lábios, seguiu para a sala indicada imediatamente, arrastando o amado, enquanto Lucius, Narcisa e um irritado Dark Lord seguiam logo atrás.

- "Eu sabia que não ia gostar desse jantar" – Tom pensava amargurado – "Mal colocamos os pés aqui e este pirralho de narizinho empinado já aproveitou para agarrar o meu filho!".

No entanto, uma pequena voz racional – que curiosamente se parecia muito à Nagini – ressoou em sua mente, lembrando-lhe que os dois namoravam há tempos e agora estavam noivos. Noivos!

Seus olhos escarlates brilharam de fúria.

Harry era muito novo, inocente, puro, bondoso...

Um noivado aos dezesseis anos era prematuro demais!

- "Mas é a vontade de Harry e ele nunca abrirá mão disso, quando Harry se propõe a algo ele move céus e terras para conseguir. Nem mesmo o próprio Merlin se veria compelido a lhe negar um pedido" – lembrou-lhe a mesma voz irritante.

- Por favor, Mi Lord e Harry, querido, sintam-se a vontade – Narcisa sorriu, convidando-os a se sentar no confortável sofá aveludado branco. E Harry, ao corresponder o sorriso da agradável mulher, viu-se contemplando a bela decoração do local.

A espaçosa Sala de Estar, Harry observou, estava ricamente decorada com arranjos de orquídeas, suas flores favoritas. Ao final do aposento, situadas próximas à parede adornada de obras de arte, encontravam-se duas belas e talentosas bruxas musicistas contratadas por Narcisa, a primeira dedilhava habilmente uma harpa com o dobro de seu tamanho enquanto a segunda a acompanhava na flauta transversal, enriquecendo o aposento com uma melodia suave e harmoniosa. Dois rapazes elegantemente vestidos, bem como as musicistas, também haviam sido contratados pela matriarca Malfoy para servirem canapés e Champagne aos convidados, pois Narcisa não gostava que os feios e melodramáticos elfos domésticos se expusessem aos convidados como garçons. Assim, a majestosa Sala de Estar da mansão se encontrava sem dúvida alguma à altura de tais ilustres convidados.

- A decoração está linda, tia Narcisa, e esta bela música de fundo não poderia ser mais apropriada – Harry elogiou com um sorriso, aceitando a taça de Champagne que o garçom lhe oferecia, sob o atento olhar de seu pai.

- Obrigada, Harry, querido, eu não pude deixar de planejar apenas o melhor para um dia tão importante quanto este.

O Dark Lord, por sua vez, revirou desdenhosamente os olhos. Ele e Harry estavam sentados no confortável sofá aveludado branco de três lugares e para sua irritação, Draco estava sentado do outro lado de seu filho e os dois permaneciam de mãos dadas trocando enjoativos olhares apaixonados. Lucius e Narcisa, por sua vez, estavam acomodados nas duas belas poltronas que faziam conjunto e ladeavam o sofá, um grande tapete persa acinzentado e adornado de runas permanecia sob seus pés, dando um belo arremate à decoração, com uma pequena mesa em vidro e aço escovado ao centro.

- Oh, Harry, deixe-me ver o anel – Narcisa pediu com os olhos brilhando. E o pequeno Lord, com o rosto lindamente corado, estendeu a mão para que sua futura sogra pudesse contemplar a jóia em seu dedo.

- Lembro-me de quando lhe dei este anel, que, outrora, havia sido de minha mãe – Lucius falou para sua esposa, um pequeno sorriso de orgulhoso desenhado em seus lábios aristocráticos.

- Sim, eu me lembro bem, querido, era um casamento arranjado, mas eu mal pude conter um suspiro de alívio ao ver que meu noivo era um verdadeiro príncipe.

- E eu ao contemplar minha noiva e me deparar com tamanha beleza.

- Pai, mãe, por favor... – Draco murmurou com uma careta de enjôo. Ele odiava quando seus pais esqueciam o "código de conduta Malfoy" e passavam a trocar palavras melosas. Ao seu lado, porém, Harry não podia conter as risadinhas e Tom havia mandado o garçom lhe trazer algo mais forte que Champagne para poder agüentar aquela longa noite.

- E agora o nosso filho encontrou alguém a altura do nome de nossa antiga família para ostentar este anel – Lucius continuou, um olhar de puro orgulho pousado em seu afilhado, que lhe sorria com carinho – Harry será um perfeito Malfoy, não é mesmo, querida?

- Sem dúvida, meu bem.

- Eu devo ser obrigado a discordar, Lucius – a gélida voz do Lord das Trevas enviou um arrepio de medo aos presentes na sala, exceto Harry, é claro – Meu filho levará sempre o nome Riddle, provando sua descendência direta de Salazar Slytherin e sua suma importância e nobreza perante o Mundo Mágico.

- Certamente, Mi Lord, perdoe-me... Digo, não foi minha intenção...

- O que o meu padrinho está querendo dizer, papai, é que seria ótimo se eu levasse o nome Malfoy ao lado do nome Riddle – Harry veio ao socorro de Lucius.

- Hum... – o Lord encarou seu fiel Comensal perigosamente.

Narcisa, por sua vez, com o intuito de acalmar o ambiente procurou mudar de assunto:

- Mas me diga, Harry, vocês dois já pensaram numa data?

- Mamãe!

- Tudo bem, Dray – o menor sorriu divertido – Estamos pensando em acabar Hogwarts primeiro e fazer uma viajem para, então, podermos pensar numa data apropriada.

- Entendo. Mas você promete me deixar ajudá-lo com os preparativos da cerimônia, querido?

- É claro, tia Narcisa, eu não ousaria planejar nada sem a sua ajuda e a da Pansy.

- Oh, sim, a senhorita Parkinson também possuiu muito bom gosto – a bela mulher sorriu com evidente expectativa.

Draco, no entanto, gemeu mentalmente ao pensar em sua mãe e Pansy organizando o seu casamento e este sendo consagrado, então, como a cerimônia dos sonhos pelas revistas Pó de Fada, Coração de Bruxa, Caldeirão Encantado e outras do mesmo estilo.

- Mandarei reformar a ala oeste inteira para quando vocês decidirem se mudar.

O Whisky de Fogo que Tom estava saboreando desceu queimando sua garganta ao ouvir as palavras de Lucius. Seu filho não iria se mudar! Harry não sairia da Mansão Riddle nunca!

- Acredito que após o casamento... – pronunciou a palavra como se fosse uma sentença de morte, tentando conter o tom assassino em sua voz -... seja mais apropriado que os dois passem a viver na Mansão Riddle, pois é um local bem maior e Harry já está acostumado ao ambiente familiar.

- Mas Mi Lord... – o fraco protesto de Lucius desapareceu ao contemplar o perigoso olhar escarlate de Lord Voldemort e mais uma vez, Harry veio ao auxílio de seu padrinho:

- É mais provável Draco e eu mandarmos construir nossa própria mansão pelas redondezas, não é mesmo, amor?

- Sim, o que você desejar, mon petit.

O Lord revirou os olhos, mas não replicou as palavras de seu filho, Lucius sorriu para o jovem casal e Narcisa deixou escapar um suspiro sonhador de seus lábios pintados de um delicado tom de cereja. Em seguida, após o discreto aviso de um dos garçons, ela informou que o jantar estava pronto e os aguardava na Sala de Jantar. Todos, então, seguiram a bela matriarca pelo corredor branco adornado com quadros na parede, nos quais repousavam antigas gerações da família Malfoy, as quais cumprimentavam educadamente os convidados. A espaçosa Sala de Jantar, eles logo contemplaram, contava com uma enorme mesa de mogno, a qual, situada ao centro, ostentava ao menos dezoito lugares, e sobre a mesa pendia um belo lustre de cristais e diamantes, iluminando a fina prataria que repousava sobre a mesa.

Todos, então, acomodaram-se à mesa: Lucius na cabeceira tal qual instruía sua posição de patriarca, com Narcisa ao seu lado direito e Draco logo ao lado da mãe, enquanto Tom permanecia ao lado esquerdo de Lucius, e Harry, então, encontrava-se ao lado de seu pai, de frente para Draco. Em seguida, Narcisa balançou um pequeno sino de ouro e na mesma hora, o primeiro prato surgiu, acompanhado da água e do vinho branco já na taça específica.

- Espero que seja do agrado de todos, pois mandei os elfos prepararem um menu especial para esta noite – ela sorriu com delicadeza e todos puderam contemplar que os pratos, de fato, consistiam numa deliciosa obra de arte.

- Parece uma delícia, tia Narcisa – Harry comentou e ao levar uma pequena porção da magnífica salada aos lábios, constatou que suas palavras estavam certas. A elegante e elaborada entrada consistia em anchova grelhada, acompanhada por pimentão assado com emulsão de manjericão que, acompanhada do delicioso e suave vinho branco da melhor safa Chardonnay de 1650, oferecia aos convidados um verdadeiro manjar dos deuses.

- Pelo menos este jantar não será um completo desperdício de tempo – o Lord comentou com seu filho, em Parsel, após degustar o delicioso vinho.

- Papai, não seja cruel, é o meu jantar de noivado.

- Esse é o principal ponto da noite que eu estou tentando esquecer.

- Você está apenas com medo de perder o seu lindo e adorável filho.

- Esqueceu de mencionar o "modesto" – replicou com sarcasmo, mas sem discordar do menino.

- É melhor voltar ao idioma normal, papai, pois creio que estamos deixando nossos anfitriões desconfortáveis – Harry deu uma risadinha suave, lançando uma piscadela brincalhona ao seu pálido noivo.

De fato, os três lançavam olhares de esgueira ao intercâmbio do Lord com seu filho, apreensivos com a possibilidade de que ambos não estivessem desfrutando do jantar.

- Tudo está uma delícia – Harry elogiou no idioma usual, lançando um significativo olhar a seu pai, que, por sua vez, deu o seu parecer apenas para agradar o filho:

- De fato, Narcisa, você organizou um excelente jantar.

- Obrigada, Mi Lord – a bela mulher agradeceu, sua expressão relaxando, tal qual a de seu marido e de seu filho, em evidente alívio. Enquanto Harry contemplava a cena com um brilhante sorriso.

O prato principal, que consistia num delicioso salmão salteado com óleo de rosas gregas, pequenos legumes glaceados em genciana e regados ao molho de ervas finas, foi servido logo em seguida e sua apreciação se deu em meio a uma divertida conversa sobre como estava sendo aquele inusitado ano em Hogwarts e o que ainda viria a tona para frustrar – ainda mais – os sórdidos planos de Dumbledore.

- Antes que nós possamos apreciar a deliciosa sobremesa, eu gostaria de propor um brinde – Lucius se levantou, erguendo a taça de Champagne e comunicando solenemente – à entrada de Harry para a família Malfoy e que Merlin dê sua benção a esta tão esperada união.

O Lord revirou os olhos com desdém, mas, ao observar o radiante sorriso de seu filho, levantou sua própria taça como os demais. Ele sempre garantiu que Harry, como seu herdeiro, tivesse tudo o que quisesse, e então, se era do desejo de seu filho se casar com o pirralho Malfoy, ele iria garantir que sua vontade fosse atendida. Se Harry quer uma coisa, ele a tem. Esta sempre foi a filosofia da Mansão Riddle e, pessoalmente, ele acreditava que seu filho fizera uma escolha minimamente aceitável. Obviamente, ninguém nunca seria bom o bastante para o seu belo e poderoso herdeiro, mas ao menos ele escolhera como companheiro um pirralho de sangue-puro, nobreza incontestável e cuja família possuía milênios de tradição no Mundo Mágico.

Após o elegante brinde de Lucius, para alegria de Harry a sobremesa foi servida, e os olhos do pequeno Lord brilharam de expectativa ao contemplar os morangos cobertos de merengue, calda de chocolate e creme glaceado em Champagne, acompanhados de sorvete de creme, lascas de amêndoas e chocolate.

- Tia Narcisa, eu simplesmente adoro os seus jantares – o menino suspirou com um sorriso, ganhando uma piscadela marota da aristocrata mulher:

- Lambuze-se o quanto quiser, meu querido.

E Harry, é claro, não precisou ouvir duas vezes, deixando todo o protocolo e a etiqueta de lado para apreciar e se lambuzar com aquela deliciosa sobremesa, sob o olhar carinhoso e divertido dos demais.

Finalmente, após o jantar, todos seguiram para o escritório de Lucius, onde se encontravam agora os adultos apreciando um cálice de licor de maçã verde e os dois adolescentes, abraçados, desfrutando cada um de uma xícara de chá de jasmim com hortelã.

- Já está na hora de voltarmos, Harry.

- Mas papai...

- Isso não é uma pergunta, é uma ordem – advertiu o Lord, lançando um perigoso olhar a Draco Malfoy, que, imediatamente, afastou os braços da cintura de Harry não se atrevendo a levantar os olhos para seu futuro carrasco... Er... sogro – Vamos, Harry!

- Por favor, papai – o menino se levantou do sofá de couro negro e abraçou o pescoço do pai, os olhos verdes lacrimejantes – Deixe-me passar o final de semana aqui, segunda-feira você já poderá me ver em Hogwarts.

- Não.

- Por favor, por favor, por favoooor... – Harry choramingou, o lábio inferior tremendo ligeiramente e as lágrimas já começando a deixar as brilhantes esmeraldas.

- Oh, meu bom Salazar! – grunhiu irritado, mas Harry sabia que havia ganhado – Lucius...

- Mi Lord – o Comensal atendeu de imediato, com uma pequena reverência – Será um prazer receber Harry aqui este final de semana. Mandarei um dos elfos prepararem os aposentos dele imediatamente.

Tom estreitou os olhos, mas assentiu, ganhando um beijo estalado e um enorme sorriso do menino em seus braços. Harry possuía os próprios aposentos na Mansão Malfoy, então, não haveria problema, certo? Bom, ao menos era isso o que o protetor Dark Lord pensava.

- Foi um excelente jantar, Lucius, Narcisa – Tom cumprimentou com um balançar de cabeça, ganhando uma profunda reverência dos aludidos, e após um olhar de advertência a um pálido Draco, ele se voltou ao filho – Juízo, Harry, nos veremos em Hogwarts em dois dias.

- Pode deixar, papai, até segunda!

O Lord correspondeu brevemente ao abraço de seu filho, seguindo para a chaminé e então, dando uma última orientação a Narcisa:

- Certifique-se de que cada um durma em seu próprio quarto – grunhiu em aviso.

- Sem dúvida, não se preocupe, Mi Lord – a bela mulher garantiu, observando, em seguida, o Lord das Trevas desaparecer em meio as chamas esverdeadas.

Naquela noite, Narcisa sorriu ao abrir a porta do quarto de seu filho e observar os dois adolescentes entregues ao mundo de Morpheus amorosamente abraçados, com Draco às costas do amado sujeitando possessivamente a estreita cintura do menor, que permanecia seguro e relaxado em seus braços, os corpos desnudos protegidos pelo lençol de seda perolado, e uma expressão de puro amor e deleite dançando em seus semblantes adormecidos.

- Doces sonhos, meus queridos – ela murmurou, sorrindo e fechando a porta em seguida. Os dois jovens estavam onde deveria estar, a matriarca pensava com carinho, a caminho dos aposentos que dividia com seu marido. Eles estavam um nos braços do outro, seguros e felizes.

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O dia de voltar a Hogwarts, porém, chegou rápido de mais na opinião de Harry, que, no exato momento, encontrava-se ingressando no Salão Comunal Slytherin após regressar dos aposentos do professor de DCAO, com que passara o final da noite a saborear uma xícara de chá depois do jantar no Salão Principal. E Harry não podia deixar de sorrir ao se lembrar das divertidas horas que passara com seu pai, rememorando os comentários sarcásticos deste ao se referir às maravilhas de sua carreira acadêmica. O sorriso do pequeno Slytherin de olhos verdes, porém, fez-se ainda maior ao contemplar a única pessoa que ainda permanecia no Salão Comunal àquela hora da noite, num dos sofás de couro negro, próximo ao aconchegante fogo da lareira.

- Theo! – o pequeno Lord cumprimento, radiante, jogando-se ao amigo num carinhoso abraço – Eu senti sua falta nesse feriado! Ah, e adorei o livrou sobre serpentes mágicas que você me mandou de presente – murmurou, o rosto delicadamente apoiado no peito forte do amigo, que logo lhe abraçara a cintura.

- Eu também senti sua falta, Harry, e mal pude acreditar quando recebi a coleção de livros raros de Arte e Cultura Italiana Mágica que você me mandou – sorriu, deixando o livro de Maldições Obscuras que apreciava de lado e passando a acariciar os cabelos revoltos do menino em seus braços, desejando que aquele momento durasse para sempre – Mas me diga, você se divertiu na Itália?

- Muito! Eu adoro a Itália, você sabe disso, os magos de lá são verdadeiros artistas.

- De fato, assim como os magos franceses, porém, menos arrogantes.

- Sim – sorriu divertido, levantando o rosto do aconchegante e definido abdômen de Theodore para encará-lo com seus brilhantes olhos verdes – E o que você está fazendo aqui a essa hora da noite, Theo?

- Terminando um capítulo interessante deste livro.

- Oh, desculpe, eu atrapalhei...

- Não! – interrompeu depressa, segurando o fino pulso do menino que já se levantava do sofá – Você sabe que nunca me atrapalha, Harry.

O pequeno Lord sorriu, e com uma voz encantadoramente infantil, decidiu fazer um pouquinho de doce:

- Tem certeza?

- Sim – correspondeu ao sorriso, puxando-o para o seu lado novamente – Afinal, você é minha musa inspiradora.

- Monsieur Theodore, o senhor, além de me chamar de garota, está soando como um galanteador francês – brincou, fazendo um indignado biquinho.

- Ora, nenhum daqueles comedores de Crème Brûlèe se compara a mim – seguiu a brincadeira fazendo um ar arrogante que lembrava muito uma sátira do herdeiro Malfoy – Até porque nenhum deles pode contar com a sua bela presença como inspiração, Mademoisell...

- Se você me chamar de Mademoiselle, eu vou lançar uma Cruciatus em você, Theo, querido – avisou, com as mãos na cintura e o cenho encantadoramente franzido.

- Oh, longe de mim pensar em dizer isto – sorriu com malícia, mas seu sorriso desapareceu ao ouvir uma gélida voz:

- O que está acontecendo aqui? – um irritado Draco Malfoy, trajando seu elegante pijama de seda verde-musgo, encarava a cena com um ar de pouquíssimos amigos.

Harry, no entanto, apenas revirou os olhos e antes que pudesse responder, Theodore se aditando, replicando com sarcasmo:

- Exatamente o que você está vendo, Malfoy, estamos fazendo sexo selvagem num dos sofás do Salão Comunal, pois desfrutamos da excitação de sermos possivelmente pegos pelo professor Snape e ganharmos uma década de detenção.

Uma risada abafada escapou dos lábios de Harry, que, porém, ao contemplar o olhar homicida de seu noivo, decidiu intervir:

- Nós estávamos conversando, Dray – afastando-se de Theodore, o pequeno Lord se aproximou do loiro para acalmar seu ciúme e foi logo abraçado possessivamente pela cintura.

- Hum! Vamos para a cama? – lançando um perigoso e triunfante olhar ao rival, Draco perguntou no pescoço do menor, trazendo-o para mais perto do seu corpo.

E Harry, querendo evitar uma cena repleta de maldições voando pelos ares, apenas suspirou e assentiu:

- Até amanhã, Theo – deu um pequeno sorriu para o amigo, deixando-se, então, arrastar para o quarto pelo ciumento loiro ao seu lado.

- Durma bem, Harry – o herdeiro da fortuna Nott desejou num murmúrio, observando o pequeno Lord desaparecer em direção aos dormitórios, escoltado pelo insuportável Malfoy.

Assim, com um suspiro resignado, Theodore voltou ao seu livro, imaginando-se a utilizar cada uma daquelas maldições obscuras para borrar o olharzinho superior de Draco Malfoy. Mas, por hora, infelizmente, a visão de um ensangüentado loiro aristocrata se contorcendo de dor sob a potência das mais diversas maldições deveria permanecer apenas em sua mente para não arruinar o olhar carinhoso que aquelas belas esmeraldas sempre lhe dirigiam.

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Duas semanas, então, haviam passado desde a volta dos alunos à Escola de Magia e Bruxaria de Hogwarts após o feriado de Natal e agora, a meados de Janeiro, os estudantes se viam imersos outra vez em suas rotinas. Suspirando com desânimo, devido a esta rotina, encontrava-se Blaise Zabini, que, no momento, seguia mais cedo para o almoço no Salão Principal – havendo deixado Draco e Harry entretidos com seus amassos, no quanto que dividiam, estando Theodore, provavelmente, na biblioteca e Pansy sumida com aquele maldito Ravenclaw – quando, de repente, num dos corredores afastados que ligava as masmorras ao pátio que dava acesso ao Salão Principal, Blaise se viu testemunhando uma acalorada discussão:

- Então você acha que eu sou idiota a ponto de acreditar que você passou o feriado com seus pais num cruzeiro-mágico?

- Não, eu apenas espero que você seja inteligente e cavalheiro o bastante para acreditar na sua namorada sem fazer uma cena – a bela menina de olhos e cabelos negros, vestindo o uniforme Slytherin, replicou friamente. E Blaise gelou ao reconhecer os dois, escondendo-se, então, atrás de uma das armaduras para poder observar melhor.

- E por que você não me escreveu? – perguntou furioso – Eu passei dias revirando esse maldito castelo atrás de você até o professor Snape me dizer, não sem sarcasmo, que era inútil, pois você fora aproveitar seu feriado longe de Hogwarts e dos tolos feito eu que passavam o Natal aqui.

- De fato, eu tinha uma viagem bem mais interessante para fazer – ela revirou os olhos, ignorando o indignado ranger de dentes do rapaz mais velho – E eu esqueci, oras, entre mergulhos com golfinhos e compras nas lojas do navio, é difícil parar para pensar em mandar corujas.

- Ah, é claro, e eu aposto que inúmeros jovens magos de famílias ricas e de sangue-puro também distraíram a sua atenção.

- Não seja ridículo, Matthew.

- Você é que está me fazendo passar por ridículo, sua pequena prostituta! – gritou, segurando os finos braços da menina de maneira dolorosa e a estampando contra a parede de pedra – Diga-me, na cama de quantos você esteve? Com quantos você riu pelas minhas costas por acreditar na sua conversinha de menininha virgem?

- Você está louco – Pansy murmurou, olhando assustada para aquele belo rapaz que sempre havia se mostrado um gentleman perfeito – Solte-me!

- Oh, mas agora você irá aprender a me respeitar...

Ela fechou os olhos com força ao ver o Ravenclaw levantar a mão, já esperando pelo doloroso tapa a ser desferido em sua face. No entanto, nada aconteceu. Mas antes que pudesse abrir os olhos, uma conhecida e furiosa voz a surpreendeu:

- Não se atreva a encostar um dedo nela, seu verme imundo.

Segurando firme e dolorosamente o pulso levantado de Matthew, estava Blaise com um olhar que faria o próprio Lord das Trevas dar um passo para trás, sua obscura figura erguendo-se imponente e ameaçadora com o único intuito de proteger a menina.

- Suma daqui, Zabini, isso não é assunto seu! A não ser que você seja um dos amantes dessa pu... – as palavras, porém, foram interrompidas pelo violento punho do Slytherin em contato com seu rosto, jogando-o para o chão ao mesmo tempo em que um de seus dentes era cuspido pelos lábios ensangüentados.

- Des...Desgraçado...!

- Ouça bem as minhas palavras, seu infeliz, se você sequer olhar para Pansy novamente, eu irei matá-lo de uma maneira tão dolorosa que nem o próprio Lord Voldemort será capaz de contemplar – avisou, a voz destilando puro ódio e seu corpo forte coberto pela tensão – CRUCIO!

Quando os gritos desesperados inundaram o obscuro corredor, Blaise lançou um feitiço silenciador e desilusório ao redor para evitar que qualquer aluno ou professor o interrompesse. E assim, o Ravenclaw se viu atingido pelas mais diversas e malignas maldições durante o que pareceu uma eternidade, mas Blaise só se deteve – na décima quinta combinação do Sectumsempra com a Cruciatus – ao ouvir a trêmula voz de Pansy:

- Blaise, já está bom, chega... – ela não conseguia sequer olhar para o ensangüentado corpo de seu agora ex-namorado, que se encontrava com os ossos partidos, membros torcidos num ângulo estranho, fraturas e até mesmo alguns órgãos a mostra, em meio a gemidos e súplicas desesperadas – Por favor, é o bastante.

O Slytherin, então, assentiu, suspendendo as maldições e se aproximando dela com um olhar de pura preocupação estampando em sua face:

- Você está bem, Pan? Ele a machucou?

- Não, você não deu tempo dele fazer nada – ela sorriu suavemente – Obrigada.

- Eu nunca me perdoaria se ele, ou qualquer outra pessoa, machucasse você.

Ela, então, o encarou fixamente por alguns segundos:

- Por quê? Por que você fez isso, Blaise? – apontou para o moribundo corpo no chão – Por que você diz essas coisas? Por que você apareceu para me salvar?

Sem desviar o seu penetrante olhar, Pansy perguntou, nítidas emoções brilhando em seus belos olhos cor de ônix. E Blaise a encarou com a mesma intensidade, seus corpos a poucos centímetros e as palavras prontas em sua boca, mas, na hora de proferi-las, ele hesitou.

Blaise desviou o olhar.

Deu um passo para trás.

E hesitou. Como sempre, ele hesitou.

- Você é um perfeito idiota, Blaise Zabini! – Pansy gritou, as lágrimas se formando em seus olhos – Fique longe de mim!

E assim, ela correu para longe dele.

Um perfeito idiota, Blaise repetiu as palavras em sua mente, observando a menina se afastar. Um perfeito idiota. Sim, era isso o que ele era. A verdade havia caído em seu coração. Ele era um idiota, ele a perdera, mas, ainda sim, ele não queria ser um idiota e acima de tudo, ele não queria perdê-la. Ele não queria perder o amor de sua vida. E, assim, ele correu atrás dela. Nenhum dos dois se importando com o desfalecido corpo do Ravenclaw que permanecia sob o feitiço silenciador e desilusório.

Num ato impulsivo, pouco característico de um Slytherin, Blaise escancarou as portas do Salão Principal, onde Pansy acabara de ingressar, e gritou:

- PORQUE EU TE AMO! EU FIZ O QUE FIZ PORQUE EU TE AMO, PANSY PARKINSON!

Dezenas de olhares, entre chocados e curiosos, voltaram-se para ele. Mas o único olhar com o qual Blaise se importava era o da menina ainda de pé no meio do corredor, prestes a se sentar na mesa das serpentes.

- Eu sei que eu não sou o cara perfeito que você espera e que você com certeza merece – ele continuou, tomando fôlego e se ajoelhando aos pés de uma boquiaberta Pansy que, pela primeira vez, não sabia o que dizer – mas eu te amo como nunca ninguém poderá amar igual, eu te amo desde a primeira vez em que eu a vi, com seu ar de princesa aos cinco anos de idade, naquele aniversário do Harry. Eu sei que até hoje fui um fraco, um covarde miserável por não admitir meus sentimentos e sei também que você merece alguém que prometa nunca decepcioná-la, porque, com os meus defeitos, eu nunca poderei prometer isto, mas eu posso prometer te amar e dar a minha vida se for preciso para tentar te fazer feliz até o final dos meus dias. Então, por favor, me dê uma chance, Pansy.

O Salão Principal, então, viu-se mergulhado em aplausos e gritos de "beija, beija", e até mesmo o inútil diretor parecia na expectativa enquanto as professoras McGonagall, Trelawney e Sprout limpavam discretamente as lágrimas de emoção com seus guardanapos. Draco e Harry, que já estavam sentados a apreciar o almoço, contemplavam a cena com um sorriso nos lábios e o pequeno Lord, é claro, não perdeu a oportunidade de implicar com o namorado, dando-lhe um tabefe no braço:

- Ai! O que é isso, Harry?

- Bem que você podia aprender com o Blaise a ser mais romântico!

- Mas...

Harry, porém, silenciou o atordoado loiro com um aceno para ouvir as palavras de Pansy:

- Levante-se, Zabini, você está me envergonhando – ela murmurou e Blaise, cabisbaixo, obedeceu.

Olhando a expressão desolada do Slytherin de olhos e tez cor de café, que já se dispunha a se afastar em direção às masmorras para se esconder em seu quarto para o resto da vida, Pansy suspirou:

- Oh, por Morgana Le Fay, onde você pensa que vai? – com esta pergunta, que obviamente não precisava de resposta, a menina o puxou para um apaixonado beijo, que imediatamente encheu o Salão Principal de aplausos e assobios.

E assim, os dois se perderam naquele delicioso e tão esperado beijo, que pareceu durar séculos e que só se viu interrompido por uma poderosa, e evidentemente divertida voz, vinda da mesa dos professores:

- Muito bem, chega de aplausos e algazarra. Senhor Zabini e senhorita Parkinson, queiram se sentar – o Dark Lord ordenou ao apaixonado casal que na mesma hora obedeceu, sentando-se lado a lado e compartilhando um cúmplice sorriso – E senhor Zabini, 50 pontos para Slytherin por finalmente se dar conta do que já era óbvio para todos.

Blaise corou, assentindo respeitosamente. O sorriso bobo não havia abandonado seus lábios e nem sua mão deixado a de sua amada. Sim, sua amada Pansy... Soava perfeito, como deveria ser. Ao fundo de sua mente, algo lhe dizia que ele esquecera alguma coisa num dos corredores do castelo, mas ele não conseguia se lembrar do que era. Bom, não deveria ser nada, pois a única coisa que importava em sua vida estava sentada ao seu lado.

Continua...

Próximo Capítulo: -... Eu matei Lily e James Potter!

Do outro lado da porta, belos olhos esmeraldas se arregalaram, em choque.

(...)

- Harry, filho...

- Filho? Oh, não, Lord Voldemort - cuspiu o nome com ódio - Eu jamais seria filho de um mentiroso, de um ASSASSINO!

(...)

- Harry, não! Espere!

-x-

N/A: Olá, pessoal! Tudo bem com vocês? Espero que sim! Bom... Em primeiro lugar, MIL DESCULPAS PELA DEMORA! Sim, eu sei, foi quase um mês sem uma atualização, mas em minha defesa, devo dizer que época de provas é TENSO! E o curso de Direito está exigindo todo o meu fôlego, mas cá entre nós, eu estou adorando aqui lá... Hehehe... Um dia serei uma advogada apaixonada pelo que faço, bom, pelo menos é o que eu espero! xD

Quando ao capítulo, uma palavra: FINALMENTE! Hehehe... Já estava demorando para a Pansy e o Blaise se acertarem, né? Bom, mas agora eles estão in love graças ao sofrimento do Matthew, que, obviamente, fez por merecer! E acredito que já deu para vocês verem na palhinha do próximo capítulo, que este será o capítulo em que o Harry irá descobrir a verdade! – pausa para a música dramática de fundo – Será que ele continuará sob o teto do Lord? Será que ele vai se unir ao "bando da luz"? Será que ele vai, por fim, dar uma chance para o seu padrinho? Oh, quem será que irá ajudá-lo neste momento tão difícil? E é claro, a pergunta mais importante, ele irá se voltar contra o "pai"? São tantos "serás", mas logo vocês vão poder conferir as respostas para cada uma destas perguntas... Espero, então, que vocês apreciem! Assim, se quiserem o aproximo capítulo, DEIXEM SUAS REVIEW! – sorriso feliz.

Qualquer comentário, críticas, elogios ou sugestões...

São sempre bem vindos!

Um grande beijo e meus enormes agradecimentos para:

Bia Elric... Deh Isaacs... vrriacho... Pandora Beaumont... Ines Granger Black... Rafaella Potter Malfoy... Lari SL... Karool Evans Malfoy... Isabelle Bezarius... AB Feta... Mila B... Inu... e Isys Skeeter!

Um enooorme beijo!
E a próxima atualização, Estocolmo, virá em breve!
Isto, é na medida do possível, mas não se preocupem, uma hora ela vem! Hehe...