Nota: (1) – Harry Potter e seus personagens não me pertencem. E sim a J.K. Rowling.
(2) – Essa é uma história Slash, ou seja, relacionamento Homem x Homem. Se não gosta ou se sente ofendido é muito simples: Não leia.
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Harry mais uma vez se via parado no meio daqueles escombros, em meio às ruínas do que parecia ser o que sobrou de uma casa abandonada e inteiramente destruída. Em volta havia mais ruínas, como se outras casas tivessem desmoronado também, num cenário mórbido de pós-guerra. Um cenário que Harry havia contemplado pela primeira vez em seu quarto ano em Hogwarts, no dia da última tarefa do Torneio Tribruxo, graças às maquinações cruéis de Dumbledore. Por sua vez, Theodore, que permanecia estoicamente ao seu lado, observava a pequena praça mais à frente, talvez no centro do povoado, contemplando aquilo que parecia ser tudo o que restara: as árvores mortas, o lago completamente seco e os bancos de mármore aos pedaços.
Era um cenário deprimente.
Era um cenário mórbido e frio.
Era o cenário de Godric's Hollow.
- Então foi aqui onde tudo começou?
- Sim – Harry respondeu com indiferença, vagando pelos escombros como se procurasse algo em particular, mas sem fazê-lo realmente – Lily e James Potter viveram nessa casa durante o meu primeiro ano de vida e aqui foi onde meu pai... Digo, o Lord das Trevas, marcou-me como seu herdeiro.
- E você esteve aqui antes – não era um pergunta, mas mesmo assim, Harry respondeu:
- Estive. Dumbledore sabotou a Taça do Torneio Tribruxo em uma de suas tentativas de me matar, você se lembra?
- Sim, é claro.
- Então, ele acabou me trazendo aqui daquela vez.
- Aquele velho doente e desequilibrado...
- De fato – o menor sorriu, lembrando-se do evento – Mas seus planos foram frustrados mais uma vez quando meu pai... Er... Voldemort me salvou.
- Eu gostaria de ter visto a cara do velhote.
- Foi hilária – comentou divertido, sentando-se numa parede quebrada pela metade, em ruínas, mas sua expressão logo se tornou sombria – É claro que Voldemort me salvou apenas para não perder um poderoso aliado na guerra...
- Harry – murmurou, sentando-se ao lado do amigo e segurando a pequena mão por entre as suas.
-... Se ao menos eu soubesse disso na época.
- Por mais que o Lord tenha enganado você todos esses anos, eu não acredito que ele o tenha salvado apenas por esse motivo – afirmou, observando as apagadas esmeraldas com cuidado.
- Eu não quero falar sobre isso agora, Theo.
- Ele sempre se preocupou com você.
Harry apenas lançou um olhar frio ao amigo, indicando que ele realmente não queria tocar naquele assunto. E Theodore, na mesma hora, silenciou seus argumentos, soltando um pequeno suspiro.
- E o que você veio fazer aqui, Harry?
- Sinceramente? – perguntou, satisfeito com a mudança de assunto.
- Sim.
- Eu não sei – murmurou, olhando ao redor com um ar desinteressado – Talvez minha intenção fosse conhecer um pouco mais Lily e James Potter ou pelo menos, o que sobrou deles.
Theodore permaneceu em silêncio deixando o menor se perder em seus próprios pensamentos. Harry poderia não admitir, mas aquela ida ao povoado de Godric's Hollow parecia importante para ele. O pequeno Lord, enquanto isso, havia se colocado de pé e agora caminhava por entre os escombros lançando um olhar vazio ao redor. De repente, Harry se deparou com um brilho estranho por entre os entulhos que outrora consistiram numa estante e se aproximando, lançou um simples feitiço de escavação, observando em seguida, nas profundidades dos destroços, um porta-retrato quebrado e envelhecido, no qual se encontrava uma foto antiga e curiosamente conservada de um casal segurando um bebê. Eram Lily e James Potter, constatou sem sombra de dúvida.
Na foto, a bela mulher ruiva e o charmoso homem de cabelos negros e bagunçados que a abraçava seguravam um sorridente bebê de olhos esmeraldas idênticos aos da mulher e cabelos negros, tão bagunçados quanto os do homem que, divertido, rodopiava a criança em seu colo. Era a imagem perfeita de uma família feliz. O casal abraçando o bebê no cenário da cálida pracinha do povoado com as folhas das árvores caindo ao redor e o vento soprando em seus cabelos.
Uma família feliz.
Uma família perfeita.
Uma família que ele nunca conheceu.
Delicadamente, Harry retirou a fotografia do porta-retrato, permanecendo perdido em seus pensamentos.
- Você se parece muito com sua mãe – Theodore, que observava a imagem por cima de seu ombro, comentou com naturalidade – Exceto pelos cabelos bagunçados...
- Sim, agora posso ver de onde eu herdei o meu desafio pelas manhãs.
- Mas não deixa de ser o seu charme.
- É claro – revirou os olhos. Em seguida, renovando o feitiço de conservação que havia na foto, Harry a guardou em seu bolso.
Pela primeira vez havia contemplado os rostos de seus pais. Todavia, a bela mulher ruiva de olhos esmeraldas e o sorridente homem de cabelos bagunçados permaneciam como verdadeiros estranhos aos seus olhos. E mais uma vez seus traiçoeiros pensamentos o levavam à noite da última tarefa do Torneio Tribruxo quando seu pai o salvara.
- Vamos sair daqui – murmurou.
Theo apenas concordou em silêncio, passando um braço protetor ao redor da cintura do menor enquanto o guiava para longe dos escombros daquela casa, em direção à pequena e destruída praça do povoado. Circulando a praça, os dois adolescentes se depararam com um portão enferrujado que dava entrada a uma pessoa por vez. Era a entrada de um cemitério. Theo lançou um olhar interrogante e Harry, por sua vez, concordou com a cabeça e assim, abrindo o mais silenciosamente possível a enferrujada estrutura de ferro, os dois entraram de lado. Nas laterais do caminho escorregadio que levava às portas de uma destruída igreja, os musgos nas pedras permaneciam intocáveis. Os dois, então, atravessaram o caminho de pedras escorregadio, desviando de um ou outro destroço.
No adro da igreja desmoronada, fileiras e mais fileiras de túmulos de pedra cobertos de musgos emergiam por entre as folhagens secas. Apertando a varinha no bolso da calça, Harry se separou dos protetores braços de Theo e se dirigiu ao túmulo mais próximo:
- Kandra Dumbledore e sua filha, Ariana – leu em voz alta os nomes em cima das datas e franziu o cenho em seguida – Era só o que me faltava, parentes do velhote maluco.
- Talvez o velhote e sua família tenham morado aqui há muito tempo.
- Talvez – concordou – Ariana... Parece que ela morreu cedo.
- Eu não duvido que a morte dela tenha sido causada por ele.
- Eu também não duvido – suspirou, colocando-se a observar os outros túmulos.
Harry, então, deparou-se com um túmulo extraordinariamente velho, desintegrado pela umidade e pelo vento, e ele quase não conseguia enxergar o nome. Theo mostrou-lhe um curioso símbolo logo abaixo: um risco, dentro de uma esfera e esta, dentro de um triângulo. O herdeiro da fortuna Nott ponderava a respeito, imaginando se já não havia contemplado tal símbolo anteriormente em alguma de suas leituras.
Acendendo a varinha, Harry iluminou o nome na lápide:
- Ig-Iginoto Pev...alguma coisa.
- Parece ser um dos primeiros moradores desse povoado – comentou o maior, ainda olhando com curiosidade para o estranho símbolo, mas seus pensamentos logo foram interrompidos pela voz desinteressada de Harry:
- Vamos continuar.
- Você está procurando algum túmulo em particular? – perguntou, embora já soubesse a resposta. E Harry, então, ignorou, deixando seus olhos percorrerem os nomes nas lápides.
De vez em quando, ele reconhecia um sobrenome que, como Dumbledore, encontrara em Hogwarts. Às vezes havia várias gerações da mesma família bruxa representadas no cemitério e pelas datas, Harry podia perceber que seus membros mais atuais haviam se mudado do que sobrou de Godric's Hollow. E prosseguia avançando entre os túmulos e cada vez que encontrava uma lápide nova, esperava sentir um aperto de apreensão ou expectativa, mas sentia apenas o vazio.
A escuridão e o silêncio, de repente, pareceram se tornar muito mais profundos. Harry olhou ao redor preocupado com seu amigo, mas então, das trevas veio a voz de Theodore pela terceira vez, alta e clara, a poucos metros de distância:
- Harry, aqui... Eles estão aqui.
A lápide estava apenas duas fileiras atrás de Kandra e Ariana. Era de mármore e isso facilitava a leitura, pois parecia brilhar no escuro, Harry não precisou se ajoelhar nem chegar muito perto, ele apenas conjurou um Lumos como Theo para ler as palavras ali gravadas:
James Charlus Potter, nascido 27 de março de 1960, falecido 31 de outubro de 1981.
Lily Evans Potter, nascida 30 de janeiro de 1960, falecida 31 de outubro de 1981.
Ora, o último inimigo a ser aniquilado é a morte.
- Como se não bastasse, o velhote maluco foi quem fez o epitáfio, essa com certeza se parece com as suas frases feitas de efeito.
Theo encarou o menor, preocupado:
- Você está bem?
- Sim – contestou simplesmente – Não estou sentindo nada.
E era verdade. Ele não sentia absolutamente nada.
Dor. Saudade. Frustração.
Nada disso traduzia os sentimentos de Harry.
Somente a mais pura e branda indiferença o consumia.
- Eu não sinto nada – repetiu, voltando-se para o amigo – Estranho, não é?
- Na verdade não – replicou Theodore, percebendo agora qual a intenção de Harry ao visitar o povoado.
Ele queria sentir.
Ele queria se importar.
Ele queria sentir a dor de nunca ter conhecido seus pais para dessa forma, poder odiar com todas as suas forças o Lord das Trevas. Mas a visita a Godric's Hollow servira apenas para provar que ele não sentia nada, Lily e James Potter permaneciam como rostos desconhecidos dentro de uma multidão.
- Isso é perfeitamente normal, Harry – continuou, puxando o desanimado menino para os seus braços – Você não pode sentir falta daquilo que nunca conheceu.
- Eles me amaram.
- Sem dúvida.
- Mas eu não posso retribuir esse sentimento.
- Não, você não pode – concordou, afagando os cabelos revoltos – Porque você já direcionou esse amor para outra pessoa.
Harry suspirou, mas não disse nada a respeito.
E Theodore, percebendo o silencioso desejo do menor, abraçou o pequeno corpo com firmeza e aparatou os dois de volta para a Mansão Nott.
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MINISTÉRIO DA MAGIA DECRETA ESTADO DE ALERTA!
Há duas semanas, o Tratado de Paz estabelecido entre o ilustre Ministro da Magia, Cornélio Fudge, e o Lord das Trevas deixou de vigorar.
Desde então, esperava-se um violento ataque daquele-que-não-deve-ser-nomeado para usurpar o poder do nosso competente Ministro.
Todavia, tal ataque nunca aconteceu. Apenas esporádicos, e ainda sim, violentos ataques ocorreram desde então em vilarejos mágicos e
muggles próximos de Londres, que dizimaram dezenas de magos, bruxas e muggles.
Os Comensais da Morte estão levando o terror onde quer que passem, contudo, não se pode prever onde será o próximo ataque.
Dessa forma, o Ministério da Magia decreta toque de recolher às 19h00min no Beco Diagonal, Travessa do Tranco,
Hogsmeade e em todos os arredores.
Qualquer ameaça ou suspeita de ataque seve ser informado via coruja à central de Aurores no Ministério.
Nenhum mago ou bruxa está seguro neste momento.
Nossa única esperança é que o jovem Harry Potter una forças com o célebre diretor de Hogwarts, Alvo Dumbledore,
para derrotar este Mago das Trevas e assim, trazer a paz e a tranqüilidade de volta para o Mundo Mágico.
– Rita Skeeter.
- Lixo... – Tom resmungou, amassando a nova edição do Profeta Diário e a incendiando com um simples feitiço não-verbal.
- Você precisa comer alguma coisa.
- Não estou com paciência para o seu instinto materno agora, Nagini.
- Estou falando sério – a preocupada serpente havia adentrado no salão e subido pela mesa do café da manhã até o topo da cadeira do Lord, enrolando-se no encosto da cadeira enquanto observava o conteúdo da xícara de Tom com um olhar reprovador – viver a base de café preto e Whisky de Fogo não permitirá que você sobreviva para encontrar o meu filhote.
- Nagini...
- Ande, ande, pegue um pedaço dessa omelete, parece deliciosa.
Suspirando, Tom colocou um pedaço de omelete em seu prato para não precisar ouvir as reclamações da serpente. Contudo, nada parecia querer passar pela sua garganta, ele estava preocupado de mais com seu filho para dar atenção a coisas supérfluas como comer ou dormir.
- Você tem algum propósito em estar aqui ou é apenas para testar minha paciência?
- Não seja desagradável, eu estou preocupada com você, e com aquela minhoca crescida, ela não saiu do quarto do Harry até hoje e só sabe choramingar em cima da cama, eu estou até dividindo minhas caças com ela... Mas se você contar isso para alguém, eu vou morder você.
- Morgana está devastada devido ao laço que a une como guardiã de Harry – explicou, revirando os olhos ao ouvir as ameaças de sua própria guardiã – Ela provavelmente está se achando indigna para assumir o papel de guardiã dele por não conseguir estar ao seu lado agora para protegê-lo...
- Ótimo, era tudo o que me faltava, uma minhoca crescida com complexo de inferioridade.
- Nagini... – Tom suspirou, mas antes que pudesse continuar a gastar o seu precioso Parseltongue, a chegada inesperada de Lucius Malfoy se fez presente no salão.
- Mi Lord – cumprimentou o recém chegado com uma profunda reverência.
- Lucius.
- Perdoe-me pela interrupção, Mi Lord, mas o senhor ordenou que eu viesse relatar de imediato assim que as buscar na parte leste dos povoados que circulam Hogsmeade fossem encerradas.
- Eu recordo minhas próprias palavras, não é preciso repeti-las – contestou com rispidez. Em seguida, com um breve aceno, convidou o patriarca da família Malfoy para se sentar à mesa e ficar a vontade – Prossiga Lucius.
O aludido imediatamente aceitou o convite do Lord e se sentou, mas não se serviu de nada, preocupado em continuar seu relato:
- Os esquadrões liderados por Rodolphus, McNair e Bella vasculharam cada povoado mágico e muggle nos arredores de Hogwarts e Hogsmeade, mas não encontraram nem sinal de Harry – informou, abaixando rapidamente o olhar ao notar a cólera do Lord – Os esquadrões, então, atacaram sem piedade e principalmente aqueles sob as ordens de Bella estão levando caos e destruição para cada canto, quando se deparam com a frustrante notícia de que não chegaram nem perto de Harry.
- Bella está desesperada com o sumiço dele.
- Sim, ela tem muito apreço por Harry, como todos nós – suspirou, evidenciando em sua preocupada expressão o que sentia devido à ausência de seu futuro genro e afilhado.
- Continue.
- As equipes posicionadas em Londres muggle, no Beco Diagonal e no Ministério da Magia permanecem sem fazer qualquer movimento hostil, apenas com suas atenções focadas em algum sinal do menino. Contudo, também não se depararam com nenhum movimento suspeito até agora.
- Eu quero que intensifiquem as buscas.
- Mi Lord...?
- Convoque todos os Comensais da Morte, inclusive aqueles que estejam fora do país como o Nott e os Rosier.
- Sim, meu senhor.
- Seu filho obteve algum sucesso em sua busca privada com a Sra. Parkinson e o Sr. Zabini?
- Er... – Lucius engoliu em seco – Meu filho não fala comigo desde aquela fatídica noite, meu senhor.
- Bem, não posso culpá-lo, o meu fugiu de casa.
- No entanto, Anthony Zabini mandou uma carta para o seu filho e o jovem Blaise respondeu que ainda não haviam obtido sucesso em sua busca. E David Parkinson, ao se corresponder com sua filha, recebeu a mesma notícia.
- Entendo. Isso é tudo, Lucius?
- Sim, meu senhor.
- Pode se retirar – concedeu. E com uma profunda referência, Lucius se retirou do local, deixando um frustrado Lord das Trevas a se servir de outra xícara de café sob o reprovador olhar de Nagini.
Os pensamentos de Tom estavam todos centrados em Harry.
Preocupação.
Ansiedade.
Receio.
E é claro, culpa.
Uma profunda e intensamente fundamentada culpa.
- "Eu vou encontrá-lo" – o Lord, porém, prometia a si mesmo.
Eu vou encontrá-lo.
E então, ele irá me perdoar.
Isso, pelo menos, era o que Tom esperava.
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Na divisa da França com a Itália, enquanto isso, um grupo de adolescentes se deparava com mais um fracasso em sua busca pelo pequeno Lord. Pansy, Blaise e Draco haviam recebido uma carta de David Cauldwell, um Hufflepuff do seu mesmo ano que fizera parte da Armada Riddle, na qual este afirmava que em sua viagem pela divisa da França com a Itália reconhecera um moreno de cabelos bagunçados a vagar por uma cidadezinha muggle. Todavia, chegando ao local, os Slytherins se colocaram a buscar incessantemente pelo rapaz cujas características coincidiam com aquelas relatadas por Cauldwell, e dessa forma, acabaram se deparando com um jovem muggle de cabelos negros e bagunçados, olhos castanhos e nariz arredondado que trabalhava na livraria local para ajudar sua mãe a sustentar seus quatro irmãos. Sem dúvida, fora um encontro frustrante.
- Eu vou matar o maldito Cauldwell.
- Draquinho, por favor, acalme-se. Ele mesmo afirmou em sua carta que havia olhado de longe e de relance.
- Pelo menos agora podemos afirmar que ele não se encontra na divisa da França com a Itália.
- Sim, Blaise, agora só falta checarmos o resto do globo terrestre – grunhiu Draco, seguindo com o casal para uma área afastada onde pudessem usar a Chave de Portal para voltarem à mansão.
- Você quer desistir, Draquinho? Nós ainda podemos voltar para Hogwarts, afinal, só perdemos algumas semanas de aula...
- Nunca. Eu não vou parar até encontrá-lo.
Pansy apenas sorriu.
Ela, é claro, esperava essa resposta.
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Dois dias haviam se passado desde a ida de Harry e Theodore ao povoado de Godric's Hollow. Nesse meio tempo, os dois Slytherins planejavam uma sutil infiltração no Ministério da Magia para que pudessem conseguir a profecia. A estratégia consistia basicamente em usar uma Poção Polissuco para se disfarçarem e assim, enganarem os Comensais da Morte que obviamente patrulhavam o local sob seus usuais disfarces de nobres sangues-puros que trabalhavam no ministério, contudo, Harry e Theo ainda precisavam descobrir qual cabelo e como pegá-lo para colocar na poção, pois mesmo interceptar alguém nos arredores do ministério parecia arriscado. E agora, enquanto esperavam o jantar, acomodados confortavelmente na cama do quarto de Theo, o qual o pequeno Lord passara a ocupar, os dois discutiam sobre essa questão:
- Tem certeza que não podemos interceptar alguém quando essa pessoa estiver saindo do ministério?
- Seria arriscado de mais – Theo ponderava. Em cima da cama havia um pergaminho contendo a planta do Ministério da Magia em ricos detalhes, planta esta que o herdeiro da fortuna Nott encontrara no escritório pessoal de seu pai há alguns anos.
- Você está certo. Obviamente Voldemort colocou dezenas de Comensais há espreita de lugares como Gringotes, o Beco Diagonal e o Ministério.
- Exato. E nós precisamos especificamente do cabelo de duas pessoas que estejam indo fazer o teste para ganhar a licença para Aparatar – explicou, apontando para os locais onde deveriam seguir na planta – Pois o lugar do teste está apenas três níveis abaixo do Departamento de Mistérios onde se encontra o Hall das Profecias. Dessa forma, podemos facilmente pegar o elevador sem chamar atenção.
- É um plano perfeito, Theo – elogiou Harry, observando com diversão o maior corar ligeiramente – Mas precisamos interceptar dois bruxos que estejam indo para o teste sem chamar atenção.
- Essa é parte mais difícil.
- De fato – murmurou.
Os pensamentos dos dois Slytherins, porém, foram interrompidos pelo aparecimento de um elfo doméstico:
- Amo, a refeição está pronta, posso servi-la?
- Em um instante... – começou Theo, mas o repentino salto de Harry o distraiu:
- É isso!
- Harry, você está bem?
- É isso, Theo! Vamos usar um elfo doméstico para seqüestrar...digo, interceptar por alguns minutos duas pessoas que estejam indo fazer o teste de Apartar.
- Essas pessoas serão trazidas para a mansão desacordadas, pegaremos o cabelo e depois da missão lançaremos um simples Obliviate para limpar suas memórias – Theodore concluiu, sorrindo satisfeito com a brilhante idéia de Harry.
- Exato.
- Brilhante, Harry, simplesmente brilhante – sorriu, dirigindo um olhar calculador para o confuso elfo que apreciava a cena.
E o pobre elfo, ao notar o olhar de seu amo, engoliu em seco:
- Er... Jovem amo? O senhor precisa de mais alguma coisa?
- Na verdade, Sunny, eu vou precisar sim... – estava prestes a explicar em detalhes para o elfo doméstico o que precisaria ser feito em alguns dias, quando a Poção Polissuco estivesse pronta, mas um repentino estalar indicando que alguém havia acabado de aparatar para o Hall de entrada da mansão silenciou suas palavras.
Somente duas pessoas podiam aparatar diretamente para a Mansão Nott.
Ele mesmo.
E seu pai...
- Elfo! – a voz de seu pai chamando pelo elfo doméstico fez o sangue de Theo gelar. Harry, ao seu lado, empalideceu.
- Oh... Parece que o amo Nott chegou mais cedo de sua vigem – o elfo comentou, prestes a desaparecer para se apresentar ao chamado do seu senhor.
- Sunny, meu pai não pode saber que eu estou aqui!
- Mas jovem amo...
- Pelo carinho que eu sei que você tinha pela minha mãe, Sunny, não deixe meu pai descobrir que Harry e eu estamos aqui – pediu o herdeiro da fortuna Nott, nem mesmo percebendo que estava fazendo um pedido ao assustado elfo doméstico, o qual concordou com um breve aceno, ainda surpreso com as palavras de seu jovem amo, mas decidido a fazer o possível para atendê-las.
- Por favor, jovem amo, o senhor e o convidado não devem sair do quarto, vosso pai pensa que o senhor se encontra em Hogwarts. Eu volto num instante...
E com essas rápidas palavras e um apressado aceno, o elfo desapareceu num estalo.
Harry e Theo trocaram um olhar. E o maior logo envolveu o pequeno Lord num protetor abraço, olhando para a porta do quarto com evidente apreensão, enquanto murmurava em seu ouvido:
- Ele não vai descobrir que estamos aqui, Harry, não se preocupe, ele nunca vem ao meu quarto.
- Se ele descobrir, meu pai... Voldemort...
- Eu sei, mas fique calmo, vamos esperar ele dormir ou sair da mansão para que possamos sair daqui também.
- Mas para onde nós vamos?
- Não se preocupe, eu já tenho um lugar em mente.
Harry, então, apenas balançou a cabeça em silêncio e escondeu o rosto no peito forte de seu amigo. No Hall da mansão, um irritado Sr. Nott conversava com o elfo doméstico que parecia pálido e preocupado com alguma coisa, mas o Comensal da Morte que fora convocado às pressas pelo Lord das Trevas, precisando abandonar sua viagem de negócios pela América do Sul, estava concentrado de mais em seus problemas para prestar atenção naquela que, em sua opinião, era uma criatura inferior.
- Prepare os meus aposentos e o jantar, elfo, eu volto em algumas horas e não quero ficar esperando a incompetência de vocês na cozinha.
- Sim, meu senhor. Imediatamente, meu senhor. Sunny deixará tudo em ordem para quando o senhor voltar, amo.
- Hum... – dando um ríspido aceno para o elfo, o Sr. Nott se dirigiu para a chaminé de seu escritório, pois precisava se apresentar imediatamente na Mansão Riddle e informar ao Lord das Trevas que havia regressado para servi-lo.
O pobre elfo, então, soltou um suspiro aliviado quando viu seu amo desaparecer em meio às chamas esverdeadas e na mesma hora, sumiu num estalo, reaparecendo em seguida no quarto de Theo.
- Sunny?
- Jovem amo, o senhor precisa se apressar, vosso pai deixou a mansão por algumas horas, mas logo estará de volta.
- Sim, vamos Harry.
Imediatamente os dois se colocaram a arrumar alguns pertences pessoas que pudessem precisar, colocando-os no baú que usualmente Theodore levaria para Hogwarts. Vestimentas, livros, a planta do ministério, a Poção Polissuco e outras poções e a fotografia de Lily e James Potter agora num novo porta-retrato logo se viram empacotados numa velocidade impressionante com a oportuna ajuda de Sunny. E Harry, então, após constatar que tudo estava pronto para a partida dos dois, lançou um olhar preocupado ao amigo:
- Para onde nós vamos, Theo?
- Espere e verá – respondeu simplesmente, voltando-se em seguida para o elfo – Sunny, eu preciso da minha Chave de Portal para a Mansão Burke.
- Mas amo... – a pequena criatura arregalou os seus já enormes olhos amarelos, preocupada – Ninguém vai naquele lugar há anos. Deve estar cheio de pó, com os móveis cobertos e também não haverá ninguém para cozinhar para os senhores e...
- Sunny! – interrompeu, irritado – Nós não temos tempo!
- Tudo bem... Perdão, amo, mas... Mas Sunny irá verificar o jovem amo todos os dias! – afirmou, desviando o olhar, mas mantendo a voz firme e convicta – Sunny vai cozinhar e limpar a mansão e cuidar de tudo para o jovem amo na Mansão Burke... Vosso pai não conhece os elfos daqui, então ele não irá notar a minha ausência.
Theodore estava chocado demais para dizer alguma coisa. Então Harry, com um agradecido sorriso, respondeu:
- Muito obrigado, Sunny, você é um dos melhores elfos que eu conheço.
Os enormes olhos da pobre criaturinha se encheram de lágrimas. Em seguida, com uma breve reverência, o elfo desapareceu, apenas para reaparecer segundos depois com o que parecia ser uma caixinha de música em formato de rosa em sua mão. Theodore, então, lançou um rápido feitiço para acioná-la.
- Segure-a, Harry, em cinco segundos nós vamos partir.
- Certo – concordou o menor, lançando um breve aceno para o sorridente elfo e tocando na superfície da caixinha de música que Theodore segurava. O baú com seus pertences seria mandado diretamente para o local pelo elfo.
5...
4...
3...
2...
De repente, Harry observou com um olhar enjoado, que o quarto inteiro começou a girar. Em seguida, os dois sentiram seus corpos serem pressionados pelo que parecia ser um funil, enquanto tudo rodopiava a sua volta. Por sorte não demorou muito e logo eles aterrissaram no local desejado, isto é, Theodore caiu de costas no vasto gramado verde com um aturdido Harry em cima dele.
Os olhos azuis se encontraram com os verdes.
E Theo inconscientemente envolveu o pequeno corpo em seus braços.
- Você está bem, Harry? – perguntou com a voz rouca.
- Sim...
O silêncio caiu sobre eles.
Harry permanecendo naquele acolhedor abraço.
Nenhum dos dois desviava o olhar. E ficaram assim por dois eternos minutos, quando Harry finalmente sentiu suas bochechas corarem e murmurou para o amigo:
- Theo... Er... Eu preciso levantar.
- Oh... – o maior finalmente caiu em si a afastou as mãos da estreita cintura – Sim, é claro. Você está bem?
- Um pouco tonto, mas vou sobreviver – brincou, levantando-se e estendendo a mão para ajudá-lo.
Finalmente, quando Theodore se levantou e indicou a direção em que eles deveriam seguir, Harry percebeu que estavam no jardim de entrada de uma magnífica mansão que parecia um pouco esquecida e abandonada no tempo, mas que ainda conservava todo o seu esplendor.
Situada ao norte do País de Gales, a Mansão Burke se erguia num estilo vitoriano com cinco quartos com suíte, incorporando os mais elevados padrões de qualidade que apenas uma família de sangues-puros poderia dispor, exibindo, assim, luxo e conforto em cada detalhe. As salas de estar, a sala de jantar e o hall de entrada haviam sido compostos por uma decoração em madeira maciça com arcos exóticos e pontiagudos que rememoravam a nobreza e articulavam sua poesia. Mesmo oferecendo a imagem de estar esquecida no tempo, com suas imensas janelas fechadas e seus lustres de ouro apagados, a mansão possuía inúmeros encantamentos de proteção e conservação que garantiam um aspecto impecável em seu interior e em seu exterior também, uma vez que as diversas flores que circundavam o jardim ao lado de árvores imensas e chafarizes contendo esculturas de fadas e ninfas, encontravam-se belas e vistosas como o gramado verde próprio daquela terra montanhosa.
Lindo.
Foi a primeira palavra que veio à mente de Harry.
Aquele lugar era em uma simples e precisa palavra, lindo.
- Bem vindo à Mansão Burke, Harry.
- Obrigado, este lugar é incrível. Como você...?
- Esta mansão é minha – informou, desviando o olhar – foi deixada para mim pela falecida família de minha mãe.
- Oh...
- Eu não vinha aqui há muito tempo, porque me trazia más recordações, mas acredito que agora poderemos criar boas recordações neste lugar, você não acha?
Com um agradecido sorriso, Harry abraçou o maior, afirmando em seguida:
- Sim, nós vamos criar novas recordações, apenas você e eu, aqui.
- Harry... – murmurou com evidente surpresa, perdendo-se naquele lindo sorriso.
- Obrigado, Theo. Obrigado por estar aqui para mim.
Continua...
Próximo Capítulo:
- ISSO NÃO É JUSTO!
- Harry, é a única opção – Theodore afirmou. Ele tentava a todo custo conter o riso – Se você quiser entrar no Ministério, precisaremos fazer isso.
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N/A: Olá, meus queridos, como vocês estão? Aproveitando as férias? Oh, eu não posso acreditar que já está acabando... – chora desesperadamente – Tudo bem que ainda faltam vinte dias, mas isso passa tão rápido! Enfim, espero que todos estejam bem e prontos para voltar com tudo à ativa!
Quanto ao capítulo, o que vocês acharam? Querem o cadáver o Theo? O Draco está me pedindo para perguntar se vocês querem bem passado ou ao ponto? Hehehe... Bom, espero sinceramente que vocês estejam apreciando a história! No próximo capítulo haverá a invasão ao Ministério e eu já sei que vou me divertir muito escrevendo sobre os disfarces do Harry e do Theo, então espero que vocês também apreciem! Ah, e para os fãs de Drarry, vocês vão querer não apenas o cadáver do Theo quando lerem próximo capítulo, mas a sua alma, eu garanto! Hehehe...
Eu agradeço muito e quero mandar um grande beijo para:
Pandora Beaumont... vrriacho... Sandra Longbottom... Rafaella Potter Malfoy... sonialeme... AB Feta... mila B... e Nicky Evans!
Minha nova história, Destinos Entrelaçados, será postada semana que vem.
Espero que vocês possam conferi-la!
É uma nova históra Tom e Harry que está a caminho!
