Nota: (1) – Harry Potter e seus personagens não me pertencem. E sim a J.K. Rowling.
(2) – Essa é uma história Slash, ou seja, relacionamento Homem x Homem. Se não gosta ou se sente ofendido é muito simples: Não leia.
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Finalmente havia chegado o dia em que Harry e Theodore usariam a Poção Polissuco para se infiltrar no Ministério da Magia e assim, conseguir a profecia, aquela maldita profecia que segundo Harry havia destruído sua vida. No exato momento, os dois Slytherins esperavam apenas o elfo doméstico chegar com os reféns, ou melhor, com os dois magos que de maneira um tanto forçada iriam se voluntariar naquele plano, e enquanto esperavam, Theodore conferia os últimos detalhes da poção e Harry observava a planta em seu colo e repassava o caminho que iriam seguir para chegar ao Hall das Profecias. O plano era essencialmente simples: disfarçadamente seguir para o Departamento de Ministérios, ingressar no local onde ficavam as profecias e caso alguém aparecesse, usar um feitiço sutil de atordoamento, voltar para o elevador e dizer que haviam se perdido e voltariam no dia seguinte para fazer o teste com mais calma e dessa forma, abandonar o local sem levantar suspeitas.
Era um plano simples, mas muito eficaz.
De repente, um som de estalo se fez ouvir no instante em que Sunny apareceu com os convidados. Harry, porém, estava tão concentrado analisando repetidamente a planta do ministério que sequer percebeu a aparição do elfo, enquanto Theodore observava as duas pessoas desacordadas com uma sobrancelha arqueada.
- Perdão amo, mas os dois foram os únicos a usar a entrada de visitantes sozinhos – explicou o elfo, olhando para o chão com as bochechas avermelhadas.
- Tudo bem, Sunny, vai servir...
Pelo menos era o que Theodore esperava.
Quando Sunny desapareceu com os convidados desacordados, agora amarrados e amordaçados, levando-os para um dos quartos de hospedes, Theo preparou os dois copos com a poção colocando um fio de cabelo diferente em cada corpo e se certificando de beber o copo certo e assim, deixando o outro para Harry.
- Harry – chamou, aproximando-se do menor – Aqui está o seu.
- Oh, certo, eu nem vi Sunny chegar – murmurou fazendo uma careta de desgosto antes de beber o conteúdo inteiro de um só gole.
- Eu reparei...
Theodore deixou escapar um meio sorriso. De repente, porém, ele se curvou com as mãos sobre o estômago, sentindo os efeitos da poção começarem a vigorar. Era uma sensação horrível. Seu corpo parecia borbulhar, alongando e preenchendo de maneira nada sutil, mas antes que aquelas sensações horripilantes pudessem enlouquecê-lo, elas desapareceram abruptamente. E quando Theodore se virou para o espelho, felicitando-se mentalmente por pensar em roupas que se adaptassem magicamente ao tamanho de qualquer portador, seus olhos agora castanho-esverdeados contemplaram um homem de aproximadamente quarenta anos, feições aristocráticas, porém firmes, cabelos castanhos curtos e pulcramente arrumados e um corpo definitivamente em forma, que agora se escondia sob o conjunto de calça risca de giz, camisa cinza e um elegante sobretudo preto com detalhes em cinza. Elegância e maturidade eram o que Theodore desprendia.
- "Nada mal..." – pensou.
- THEODORE NOTT JÚNIOR!
Estremecendo involuntariamente Theo se virou para encarar o amigo.
E Merlin é testemunha de que ele tentou com todas as forças...
...Mas não conseguiu esconder o divertido sorriso.
- O QUE SIGNIFICA ISSO?
- Er... Bem...
Um par de furiosos olhos azuis-acinzentados parecia lhe lançar um Avada Kedrava. Tais olhos adornavam um rosto fino de beleza indubitável com os cabelos castanhos caindo pelas costas finas como uma bela cascata e chegando a altura da cintura. O corpo esguio e mais alto que o de Harry possuía curvas sensuais e um par de seios de fazer inveja a qualquer modelo muggle. Todavia, o rosto delicado da bela menina de dezessete anos agora se encontrava vermelho de fúria.
- Veja bem, Harry... Er... Sunny informou que apenas esses dois, Hector Abrams e Emma Abrams, pai e filha segundo o que pude comprovar de seus documentos, iriam usar a entrada para visitantes. Então, como não temos muito tempo...
- EU SOU UMA GAROTA! – exclamou numa voz aguda – E UMA GAROTA DE SANGUE RUIM!
- Ora, nem mudou muito, foi mais o cabelo e a altura...
- CRUCI...!
- Desculpe! Desculpe! Estou brincando, Harry, não leve isso tão a sério, serão apenas algumas horas.
- Mas por que eu não posso ser o pai e você a filha? – murmurou fazendo beicinho.
- Porque agora não dá mais tempo.
- Você fez isso de propósito, aproveitou que eu estava distraído para me dar o copo com o cabelo da garota, sua serpente rasteira.
Um meio sorriso, que gritava "Slytherin", foi o que Harry recebeu como resposta.
E com um suspiro resignado, o pequeno Lord murmurou em seguida:
- Que seja, nós precisamos ir.
- Só tem mais um probleminha, Harry, você não pode ir com essa roupa... – apontou para o conjunto de calça social preta e camisa de seda verde-musgo que o menino usava com uma túnica da mesma cor por cima.
- O que?
- Não se preocupe, eu vou transfigurar suas roupas com um rápido feitiço.
- Theodore Nott Júnior aponte esta varinha para o outro lado!
- Não seja dramático, Harry.
- Theo, não ouse...!
Theodore, porém, ignorou suas palavras e lançou o silencioso feitiço.
- ISSO NÃO É JUSTO!
- Harry, é a única opção – afirmou, tentando conter o sorriso – Se você quiser entrar no ministério, precisaremos fazer isso...
- Ainda sim não é justo.
-... Sem contar com você ficou ótimo neste vestido.
- EU VOU MATAR VOCÊ!
Para horror de Harry, Theo havia transfigurado suas roupas num esvoaçante vestido azul-escuro que lhe chegava à altura das coxas e possuía detalhes prateados nas mangas combinando, assim, com as sapatilhas da mesma cor. Não cabiam dúvidas de que Harry, ou melhor, Emma, estava simplesmente adorável com a tez levemente rosada e o olhar homicida naquele lindo vestido.
- Certo, você pode me matar a vontade – comentou divertido, arrastando um irritado Harry para o escritório da mansão, onde viajariam com pó-de-Flu ao ministério – Mas deixe para fazer isso quando voltarmos.
- Eu juro que vou cortar você em pedacinhos...
- É claro que vai.
-... E usar cada uma das torturas que Tia Bella ensinou...
- Sim, sim.
-... Quando eu terminar com você, Theodore Nott, os pais do Longbottom irão parecer pessoas perfeitamente normais se comparado ao seu estado.
- Sim, tudo o que você disser, Harry.
- Pare de concordar!
- Bem, se tem uma coisa que Parkinson me ensinou da pior forma, foi nunca discordar de uma garota quando forem "aqueles dias" – comentou divertido, ingressando na chaminé e jogando o pó-de-Flu logo em seguida.
E a última coisa que o herdeiro da fortuna Nott ouviu foi o enfurecido grito:
- THEODORE!
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Quando Harry e Theodore saíram da chaminé e ingressaram finalmente no átrio, isto é, o grande pátio de entrada que dava acesso aos departamentos do ministério, os dois se depararam com dezenas de magos, bruxas e duendes saindo das chaminés também e andando de um lado para o outro em vestes formais, segurando pastas e documentos enquanto conversavam uns com os outros sobre assuntos de trabalho ou amenidades. Lançando um último olhar mortal para o homem ao seu lado, Harry colocou uma máscara impassível no rosto e seguiu ao lado de Theodore a passos fluidos e delicados como Pansy um dia fizera questão de lhe ensinar. Passando ao lado da fonte dourada, que jorrava água em abundância das varinhas do mago e da bruxa, da ponta da flecha do centauro, do gorro do duende e das orelhas dos elfos domésticos para o tanque ao redor, o pai e a filha de detiveram em frente a uma porta giratória, na qual um carrancudo mago esperava para cadastrar suas varinhas.
- Bom dia.
- Hum.
- Estou trazendo minha filha para o Teste de Aparatar – informou educadamente, estendendo a varinha de Hector Abrams.
- Pegue o elevador, fica no sexto nível.
- Obrigado.
Com as varinhas de Hector e Emma Abrams agora registradas, os dois seguiram para o elevador, que, infelizmente, estava infestado de gente. E para piorar a situação, ninguém menos que Artur Weasley e seu filho mais novo, Rony, acabavam de ingressar no abarrotado local.
- Hector?
Ótimo.
Era tudo o que eles precisavam.
- Weasl... Digo, Artur, como vai?
- Ora, que coincidência! E esta deve ser Emma?
- Sim.
- Olá – a menina deu um forçado sorriso.
- Olá, querida. Oh, é uma pena que você decidiu mandá-la para Beauxbatons.
- Pois é.
- Escolha da mãe, eu sei.
- Exato.
- Este é Rony, meu filho, certamente os dois seriam muito amigos se Emma estivesse em Hogwarts, não é mesmo Rony?
- É claro – murmurou, olhando de forma pouco educada para as belas curvas da menina.
Harry sentiu vontade de vomitar.
Ele queria apenas lançar nos dois ruivos um Avada Kedrava.
- Sexto nível – uma voz de mulher anunciou.
- Nós descemos aqui – informou Theodore.
E Artur Weasley abriu um grande sorriso:
- Nós também.
- Ótimo – responderam os dois Slytherins.
O desprezo brilhava em seus olhos.
Mas com um forçado sorriso, seguiram adiante.
Chegando ao Centro de Testes de Aparatação, Harry e Theo faziam o possível para ignorar um alegre Artur Weasley que não parava de falar sobre seus inúmeros filhos e bobagens desse tipo. Seus pensamentos estavam focados em seguir para o Departamento de Mistérios depressa, pois logo os efeitos da Poção Polissuco iriam se dissipar, mas com o insuportável Weasley e seu filho grudados a eles, a situação parecia cada vez mais difícil.
Theodore, por exemplo, estava cogitando lançar a Maldição Imperio nos dois, quando se lembrou de que a varinha de Hector agora poderia ser rastreada. Infelizmente, um Avada Kedrava também estava fora de questão, pensava desanimado.
Harry, porém interrompeu seus pensamentos:
- Papai...
E por um milésimo de segundo, Theo arqueou uma sobrancelha ao ser chamado daquele jeito.
- Sim, Emma?
- Eu preciso ir ao toilet – afirmou, encarando-o fixamente – Você poderia me levar?
- É claro, querida, esse lugar é muito fácil de se perder afinal.
- Nós vamos guardar um lugar para vocês.
- Obrigado, Weasl... Artur – com um breve aceno, Theodore se afastou, seguindo com a menina de volta para o elevador.
Imediatamente, ao ingressaram no abarrotado elevador, Harry lançou um silencioso feitiço para que todos os mago e bruxas presentes se lembrassem de que haviam deixado algo muito importante para fazer em suas casas e assim, descessem no átrio, enquanto outro feitiço desilusório levaria as pessoas que esperavam pelo elevador a acreditarem que este estava cheio de mais e poderiam esperar pelo próximo. Finalmente, sozinhos, Theo apertou o botão do nono nível e segundos depois, após alguns solavancos, uma conhecida voz de mulher informou: "Departamento de Mistérios".
Quando as grades do elevador se abriram, Harry se lembrou de dois anos atrás, quando estivera naquele mesmo local apenas com o intuito de salvar seu pai. O lugar não havia mudado absolutamente nada, mesmo durante o dia, era escuro e sombrio. Harry e Theodore, então, saíram para o corredor onde nada se movia exceto as chamas dos archotes mais próximos. E como se soubesse exatamente aonde ir, Harry se virou para a porta no final do corredor gélido e obscuro. Aquele conhecido corredor gélido e obscuro. E a mesma porta que havia cruzado há dois anos ainda estava ali.
Ao abrir a porta, lentamente, o pequeno Lord se deparou novamente com aquela sala enorme e sombria repleta de estantes de prateleiras, que significava apenas uma coisa:
O Hall das Profecias.
- Você está bem Harry?
- Sim... – suspirou, içando a varinha sob um feitiço Lumos assim como seu amigo – Como vamos achá-la?
- Accio Profecia de Harry Riddle.
Mas nada aconteceu.
- Accio Profecia de Harry Potter – Harry tentou dessa vez.
Mas, novamente, sem resultado algum.
- Talvez você precise senti-la.
- Talvez – suspirou – Estamos desesperados, não é mesmo?
- Sim.
Com um pequeno suspiro, Harry fechou os olhos e assentiu, colocando-se a sentir a presença da profecia. Ele imaginou que era uma parte de si. Dentre aquelas centenas de milhares de globos estava aquele que guardava a sua história, o seu destino, a ligação que possuíra com seu pai desde antes do seu nascimento e que agora poderia mudar sua vida. Uma sensação calorosa, então, inundou o seu peio e depois de alguns minutos, vinte incontáveis minutos para Theo, Harry sabia o que precisava fazer.
Leste.
Uma estante ao leste.
Não, a extremo leste da sala.
Era ali onde estava a sua profecia.
- Aqui, Theo – chamou, correndo para o local.
E o aludido não pensou duas vezes antes de segui-lo.
Eles correram depressa cruzando inúmeros corredores formados por estantes de profecias, cuidando para não esbarrar em nenhuma. Minutos depois, Harry parou abruptamente e olhou para cima. Estava ali. Havia uma pequena esfera da qual saía uma etiqueta com o seu nome escrito. E Harry não duvidou sequer por um segundo antes de alcançar a profecia.
- Harry James Potter e Tom Marvolo Riddle – leu em voz alta.
- Olhe isso, Harry – Theo apontou para o verso da etiqueta – Cassandra Trelawney?
- Será o nome da vidente de quinta categoria que iniciou isso tudo?
- Provavelmente sim – ponderou – Então, você não vai ouvi-la? Basta quebrar a esfera para fazer isso.
- Eu sei, mas agora não temos tempo, quando chegarmos à mansão poderei ouvi-la.
- Se você acha melhor.
Usando um feitiço de encolhimento para guardar a esfera no bolso do vestido, Harry apenas ordenou:
- Vamos.
E assim, seguiram novamente para o elevador, adotando uma expressão vazia. Quando as grades do elevador se abriram e um bruxo, que Harry reconheceu como Amos Diggory, encarou os dois com suspeita, Theodore deu de ombros e deixou escapar um convincente suspiro:
- Nos perdemos.
- Oh... – a expressão do pai de Cedric e chefe da família Diggory pareceu relaxar – Isso é comum por aqui. Para onde vocês estão indo?
- Teste de Aparatar.
- Papai, não vai dar tempo e eu não me sinto mais preparada – murmurou a irritada menina.
- Ela está certa – o Sr. Diggory consultou seu relógio de bolso – Talvez vocês possam voltar amanhã.
- Sim, talvez seja melhor – sorriu o Sr. Abrams.
- Oh, a Srta possui uma curiosa cicatriz...
- O que? – Harry arregalou os olhos e colocando a mão sobre a testa, pôde sentir o conhecido relevo em forma de raio que o caracterizava.
- Acidente na vassoura – mentiu Theodore, depressa, escondendo seu olhar assustado.
- Bom dia, Diggory – cumprimentou outro bruxo, com evidente arrogância, ao ingressar no elevador quando este se deteve no quinto nível. E ao observar quem era, Harry e Theodore engoliram em seco e desviaram rapidamente o olhar implorando silenciosamente para que conseguissem chegar ao átrio o mais rápido possível.
- Bom dia, Malfoy, como está sua família?
- Bem... – respondeu por entre os dentes e Harry pôde detectar facilmente sua mentira.
Foi nesse momento, então, que Harry cometeu um erro:
Ele levantou o olhar.
E seus olhos verdes se fixaram nos de Lucius.
E Lucius Malfoy se perguntou, por um segundo, onde havia visto olhos de um verde-esmeralda tão expressivos.
"Em Hogwarts, aquela sangue-ruim, Lily Evans e também..."
- Perdão, senhorita, mas eu a conheço?
- Não, senhor – respondeu rispidamente, desviando o olhar.
Por sorte, as grades do elevador finalmente se abriram dando acesso ao átrio, e os dois Slytherins disfarçados não pensaram duas vezes antes de fugir, andando rapidamente em direção às chaminés conectadas pela rede-de-Flu. Olhando novamente para a garota, Lucius percebeu que seu longo cabelo castanho agora era curto, negro e incrivelmente bagunçado.
De repente, toda a elegância Malfoy foi esquecida, quando no meio do Ministério da Magia, um desesperado grito ecoou:
- HARRY!
E Harry e Theodore começaram a correr sem olhar para trás.
- Rápido, detenham esses dois!
E os Comensais da Morte que circulavam pelo Ministério em suas fachadas usuais logo perceberam o que estava acontecendo ali.
Harry Riddle, o pequeno Lord, finalmente havia aparecido.
- Harry, depressa! – gritou Theodore, cujo disfarce ainda estava impecável, exceto apenas pelo fato de seu cabelo estar mais escuro. O disfarce de Harry, porém, havia finalmente sucumbido e agora ele corria, usando um detestável vestido, pelo Ministério da Magia em sua aparência facilmente reconhecível.
- HARRY!
A voz de Lucius Malfoy continuava a gritar ao fundo.
- HARRY!
- JOVEM RIDDLE!
- SENHOR!
Acompanhada, agora, das vozes de dezenas de Comensais da Morte que, ao lado dos confusos guardas do ministério, continuavam a segui-los disparando inúmeros feitiços imobilizadores e de desmaio que Harry e Theodore facilmente desviavam e repeliam.
- Lacrem as saídas! LACREM!
Lucius ordenou e na mesma hora, as chaminés começaram se fechar com grades de ferro uma a uma.
- Harry, por aqui, rápido!
Theodore gritou, correndo para última chaminé desbloqueada que estava apenas há alguns metros dos dois. Harry não pensou duas vezes antes de segui-lo e repelindo um Patrificus Totalus num movimento brusco, sentiu a pequena esfera escapar de seu bolso e ir de encontro ao chão...
Não.
Aquilo não podia estar acontecendo.
- Harry, depressa!
A profecia havia acabado se espatifar em inúmeros cristais de vidro.
- Harry!
Theodore, então, agarrou sua mão e o puxou para dentro da chaminé, antes que Harry pudesse ser apanhado por Lucius. No instante seguinte, o herdeiro da fortuna Nott aparatou os dois para um lugar desconhecido. E a última coisa que Harry pôde contemplar foi a fumaça prateada subindo dos estilhaços da profecia, sem que pudesse ouvir absolutamente nada do que esta dizia.
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Harry abriu os olhos e se sentiu ofuscado por uma claridade irritante, sem ter a mínima idéia do que havia acontecido, sabendo apenas que agora estava deitado no que pareciam ser folhas e gravetos. Deixando escapar um profundo suspiro, ele piscou os olhos e compreendeu que a luminosidade irritante era proveniente do sol que se infiltrava por inúmeras árvores cheias de folhas verdes. Seu primeiro pensamento foi a Floresta Proibida e por um segundo e se sentiu feliz em voltar para os arredores de Hogwarts, imaginando que poderia seguir para as masmorras para encontrar seus amigos como se nada tivesse acontecido. Contudo, nos poucos instantes que Theodore levou para se levantar lentamente e aparecer ao seu lado, inspecionando seu rosto com preocupação, Harry percebeu que aquela não era a Floresta Proibida, pois as árvores pareciam mais jovens, mais espaçadas, cheias de frutos e de flores e o chão mais limpo, sem a úmida característica de um lugar sombrio.
- Você está bem?
Harry ouviu a preocupada voz de Theo.
E ao olhar para baixo, gemeu em desgosto:
- Não.
- O que você está sentindo? – perguntou depressa.
- Theo...
- Eu sei que foi uma ação improvisada e abrupta, mas Lucius ia nos seguir, então eu aparatei.
- Theo...
- Merlin, será que você estrunchou?
- Theodore! – gritou, calando abruptamente o amigo – Eu estou ótimo fisicamente, mas ainda estou usando um vestido!
- Oh...
- Você poderia, por favor, transfigurar minhas roupas de volta?
Com um pequeno sorriso de desculpa e uma última olhada para gravar aquela imagem em sua mente, Theodore fez um fluido movimento com a varinha e logo o belo vestido azul-marinho e as sapatilhas voltaram a ser o elegante conjunto de calça social preta e camisa de seda verde-musgo com uma túnica da mesma cor por cima combinando com as botas de couro de Dragão Húngaro.
- Sinto-me incrivelmente melhor.
Theodore, então, murmurou algo que soava como "Eu deveria ter tirado algumas fotos", ganhando um olhar perspicaz do outro menino:
- Você disse alguma coisa, Theo?
- Eu? Não, é claro que não.
- Hum... E onde nós estamos, afinal?
- Na floresta onde foi realizada a Copa Mundial de Quadribol – informou com um suspiro – Foi o primeiro lugar que eu pensei quando Malfoy nos seguiu.
- Será que ele...?
- Não, eu consegui aparatar só nós dois a tempo.
- Você é incrível– sorriu, observando o olhar envergonhado, mas satisfeito de seu amigo – Então daqui nós dois podemos aparatar de volta para a mansão, não é mesmo?
- Er...
- Theo?
- Er... Quando nós nos mudamos para a Mansão Burke, como medida de segurança em relação ao meu pai, eu lancei um feitiço de proteção que proíbe qualquer um, até mesmo um Nott legítimo de aparatar para a mansão.
- E isso significa que nós vamos ficar numa floresta no meio do nada – Harry concluiu.
- Exato, mas pensando nesse tipo de imprevisto eu trouxe alguns itens que podem ser úteis.
Com um olhar incrédulo, mas ainda sim aliviado, Harry observou o amigo retirar do bolso da calça uma mochila preta comum em tamanho miniatura e restaurá-la ao tamanho original com um balançar de varinha. Em seguida, com um simples feitiço convocatório, Theodore alcançou a barraca que usariam para passar a noite, a qual voou para sua mão num amontoado de lona azul-marinho e após murmurar o seguinte feitiço, o amontoado de lona se ergueu no ar e se acomodou, inteiramente montado, no chão de repleto de folhagens.
- Você pode entrar se quiser enquanto eu lanço os feitiços de proteção.
- Certo – murmurou Harry, seguindo para o interior da barraca e deixando o amigo se ocupar de fazer daquela inóspita floresta um local seguro de animais selvagens e fora da localização de qualquer mago ou muggle.
O interior se assemelhava a um loft de luxo que a maioria dos magos e bruxas milionários de cidades como Nova York e Los Angeles possuíam. Era um lugar espaçoso, Harry observou ao descer os degraus que davam acesso à enorme sala de estar, a qual possuía um grande sofá creme em formato de L ao lado de uma pequena mesa de mármore acompanhada de quatro cadeiras onde as refeições eram servidas. Uma cozinha americana estava separada por um balcão de mármore e possuía o mais moderno em tecnologia muggle, porque querendo ou não, um microondas e uma geladeira de porta dupla eram inventos muito úteis. Uma porta de madeira polida, no final da sala, dava acesso à espaçosa suíte que compreendia uma cama de casal, closet, elegantes poltronas de couro e escrivaninha. E por último, mas não menos importante, Harry adentrou no espaçoso banheiro forjado em granito branco, equipado com uma banheira de hidromassagem, ducha e inúmeros armários com todos os artigos de higiene necessários para qualquer um que fosse aventurar num acampamento em meio a uma floresta isolada do resto do mundo.
- É por isso que eu adoro magia – Harry sorriu, deixando-se cair no confortável sofá aveludado da sala. Seu sorriso, porém, desapareceu ao se lembrar da profecia.
Todo o desgaste para se infiltrar no Ministério da Magia.
Todos os dias que passaram planejando aquilo.
Havia sido em vão. Tudo em vão.
- Por sorte eu deixei Sunny avisado de que se nós não voltássemos em três horas, os verdadeiros Hector e Emma Abrams, agora desmemoriados, deveriam ser deixados num beco qualquer em Londres muggle...
Harry, porém, sequer ouviu as palavras do amigo.
E este logo percebeu o olhar melancólico nas esmeraldas sempre cheias de brilho.
- Você está bem? – perguntou com cuidado, segurando a pequena mão de Harry nas suas.
- Foi tudo em vão, Theo.
- Não diga isso.
- Mas é verdade, eu não pude ouvir a profecia!
- Nós vamos encontrar outro jeito.
- Não existe outro jeito – replicou, levando as mãos à cabeça, exasperado.
- Mas agora nós sabemos o nome da mulher que deu origem a tudo isso.
- Sim, e daí?
- Podemos tentar localizá-la.
O semblante de Harry, então, tornou-se pensativo.
- Hum... Você acha que ela ainda pode estar viva?
- Só há um jeito de descobrir – sorriu, observando o leve brilho de expectativa retornar aos olhos do pequeno Lord.
- Cassandra Trelawney... – murmurou – Deve ser parente de Sibila Trelawney. Eu posso pedir para Luna interrogá-la em Hogwarts e descobrir a localização dessa tal Cassandra.
- Sim, você pode – afirmou, sem deixar de sorrir – E sabe o que nós dois podemos fazer agora?
- O que?
- Explorarmos uma cachoeira que eu sei que se encontra pelas redondezas.
- Oh, Theo, você não existe – sorriu, abraçando o pescoço do amigo.
Talvez acampar não fosse tão ruim assim.
Era o que Harry pensava, com um sorriso, enquanto seguia Theodore direção ao local da cachoeira, levando uma cesta de piquenique que os dois haviam conseguido preparar – milagrosamente – sem a ajuda de qualquer elfo doméstico. Começar o dia invadido o Ministério da Magia, Harry pensava divertido, definitivamente exigia uma pausa para se relaxar numa cachoeira ao final da tarde.
E após cruzarem algumas árvores, seguindo o barulho do rio, os dois Slytherins finalmente chegaram naquele cenário paradisíaco onde um pequeno riacho se formava a partir da queda d'água em forma de cortina, que deslizava sob uma série de declives. Assim, após colocarem um manto vermelho sobre o chão com a cesta de piquenique em cima e passarem horas conversando sobre infinitos assuntos, mas principalmente sobre o plano para encontrarem Cassandra Trelawney, Harry e Theodore se deliciaram com alguns sanduíches e em seguida, para deleite do menor, transfiguraram suas roupas em sungas para seguir para o rio.
A água estava fria.
Mas isso só fazia aquele caloroso momento mais divertido.
Eles nadaram, mergulharam e se digladiaram jogando água um no outro.
E depois de um dia repleto de tensão e frustrações não havia nada melhor do que aquilo.
- Obrigado, Theo – Harry murmurou, encostado ao lado de Theodore numa rocha que emergia a partir do meio do rio. Os dois ainda arfavam pela recente batalha, jogando água um no outro e agora, encostados na rocha, deixavam-se descansar com a água do rio na altura da cintura.
- De nada.
Segundos depois, acrescentou:
-... Mas você está agradecendo pelo que exatamente?
O que fez Harry sorrir divertido.
- Por tudo – respondeu o menor – Mas principalmente por você nunca me deixar sozinho.
- Eu jamais faria isso.
- Eu sei.
Acariciando o rosto suave, Theodore se viu perdido naqueles belos olhos esmeraldas, iluminados pela luz do entardecer:
- Eu adoro quando você sorri.
- Theo... – murmurou, desviando o olhar, com as bochechas levemente tingidas de vermelho.
- É verdade.
- Não seja bobo.
- Estou falando sério – afirmou, a voz rouca e o olhar perdidos nas belas esmeraldas que o fitavam com carinho – Eu adoro os seus olhos.
- Pare com isso, Theo – murmurou debilmente. Uma cálida sensação, porém, inundava seu peito.
- E adoro o seu nariz pequeno – deixou um pequeno beijo deslizar-lhe na ponta do nariz.
- Theo...
- E adoro também... – sussurrou, aproximando-se devagar – os seus lábios macios...
Perdido na magia daquele momento e naqueles olhos magnéticos, Theodore se rendeu ao seu mais antigo desejo e uniu seus lábios com os de Harry, que arregalou os olhos, mas não recuou, permitindo-se abraçar pelo maior. Harry não sabia ao certo se o motivo era a mágoa que sentia por Draco, ou o calor do momento, ou a maneira errada de interpretar o profundo agradecimento que sentia pelo fato de Theo apoiá-lo naquela fase tão difícil de sua vida, mas, após alguns segundos, ele acabou correspondendo ao beijo, abraçando o pescoço de Theodore, abrindo seus lábios e se deixando explorar pela curiosa língua do amigo, à qual a sua se uniu instantes depois fazendo daquele um beijo apaixonado e para Harry, cheio de sentimentos confusos.
E sem que nenhum dos dois pudesse perceber...
...Uma solitária lágrima deslizava pelo rosto do pequeno Lord.
Continua...
Próximo Capítulo:
- Se você puder me acompanhar, Harry, eu ficarei muito feliz.
- Dumbledore...
- Acredito que você saiba que isto não é um pedido, não é mesmo, meu querido menino?
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N/A: Hello, my sweet people! Espero que vocês apreciem este novo capítulo. É uma pena, mas minhas férias chegarão ao fim na próxima semana, o que não significa, porém, que eu deixarei de atualizar minhas fics. Muito pelo contrário, pretendo continuar a escrever a todo vapor!
Quanto ao capítulo de hoje... Hehe... Quem quer o cadáver do Theo? Bem, por favor, escrevam suas solicitações e os detalhes das torturas que vocês imaginam para ele que eu irei despachar as propostas e petições para o Sr Draco Malfoy, o qual estará muito interessado em suas sugestões, posso garantir. Espero apenas que vocês não queriam o cadáver da autora também... – dá um sorrisinho amarelo e foge para se esconder com o Remus e o Sirius – Em defesa do Harry, para aqueles que estão pensando nele como uma BITCH que não pode ver um morenaço dando sopa numa cachoeira, lembrem-se de que ele está num momento atribulado e confuso, não sabe em quem mais confiar e não consegue dar conta de seus sentimentos. Ele está frágil... E bem, o Theo está ali, todo lindo consolando o amigo e falando da beleza dos seus olhos sob a luz do luar... Fica difícil, né? Convenhamos... – pára de digitar e foge das maldições que o Draco começa a lançar.
Bem, espero que vocês tenham gostado do capítulo!
Estarei esperando ansiosamente pelas REVIEWS de vocês... – sorriso animado.
Um grande beijo e meus profundos agradecimentos para:
Karool Evans Malfoy... vrriacho... Pandora Beaumont... Sandra Longbottom... AB Feta... Rafaella Potter Malfoy... mesquila... Ines G. Black... e sonialeme!
O segundo capítulo de Destinos Entrelaçados será postado semana que vem.
Espero que vocês possam conferir e que apreciem também essa minha nova fic!
