Nota: (1) – Harry Potter e seus personagens não me pertencem. E sim a J.K. Rowling.
(2) – Essa é uma história Slash, ou seja, relacionamento Homem x Homem. Se não gosta ou se sente ofendido é muito simples: Não leia.
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Em meio ao acolhedor cenário de um céu estrelado, ao anoitecer, erguia-se a imponente mansão de veraneio da família Malfoy em Provença, onde Draco Malfoy, naquele momento, contemplava a paisagem desde a janela do seu quarto, o mesmo quarto que havia sido testemunha de suas noites de paixão com o lindo menino de olhos esmeraldas a quem amava. O menino que agora o odiava por pensar que o havia enganado como todos os demais.
- Harry... – murmurou ao vento, acariciando em suas mãos o presente que ganhara do pequeno Lord no seu último aniversário, um relógio de bolso forjado em ouro branco, cravejado com uma fileira de diamantes, no qual estavam gravados os seguintes dizeres em auto-relevo: Pour Toujours.
Pour Toujours...
Para sempre...
- Para sempre... – repetiu em voz alta –... Nós prometemos que seria para sempre.
De repente, uma estranha onda de angústia parece se apoderar do coração de Draco, que lança um olhar para o céu, com um nó se formando em sua garganta. Era como se este mesmo céu fosse testemunha do final do seu relacionamento com Harry, como se afirmasse que o pequeno Lord o havia esquecido para sempre, como se o céu deixasse claro que em algum outro lugar, Harry deixava de amá-lo e entregava seu coração para outra pessoa.
- Não, isso não vai acontecer... – respirou fundo, falando para si mesmo – Eu não vou deixar você se esquecer do amor que sente por mim.
Lançando um olhar decido para aquele céu que parecia burlar de seus sentimentos, afirmou:
- Eu vou trazê-lo de volta, Harry. Eu vou trazê-lo de volta para mim.
Por que o nosso amor irá resistir a tudo.
...Para sempre.
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Sob o manto daquele mesmo céu, ao anoitecer, em meio ao paradisíaco cenário de uma cachoeira escondida ao norte da Irlanda, Harry e Theodore se separavam lentamente em busca de ar. E o herdeiro da fortuna Nott não poderia estar mais radiante, perguntando-se silenciosamente se aquilo não passava de mais um de seus sonhos vividos em suas noites de solidão, enquanto tocava com a ponta dos dedos os próprios lábios, e sorria, encontrando neles o delicioso sabor de Harry.
- Harry... – murmurou, um sorriso bobo adornando seus lábios.
- Vamos voltar para o acampamento.
- Espere! – gritou, segurando firmemente o braço do menino que já se afastava em direção à margem e que não se atrevia a encará-lo nos olhos – Você está bem?
- Sim, mas está anoitecendo e esfriando.
- Harry, me desculpe, eu não quis forçá-lo a nada e nem me aproveitar da...
- Está tudo bem, Theo – afirmou, finalmente levantando seus olhos. Confusão, culpa, afeição e remorso se misturavam nas belas esmeraldas – Apenas vamos voltar.
Assentindo em silêncio, Theodore seguiu com o menor para a margem, encarando-o com preocupação enquanto se recriminava em pensamento por ter sido tão impulsivo e insensível a ponto de ignorar o óbvio momento de fragilidade em que Harry se encontrava, o qual o havia impelido a corresponder aos seus avanços.
- Eu sinto muito.
- Por favor, não sinta Theo – murmurou, abraçando-o com um sorriso triste – Eu não me arrependo, mas não posso... Quero dizer, não agora, eu não posso...
- Eu entendo – garantiu, afagando os cabelos molhados do menino em seus braços – Não se preocupe com isso, está bem?
Harry acenou sem levantar o olhar. E em seus pensamentos, Theodore acrescentou esperançosamente, ainda sentindo o delicioso sabor de Harry em seus lábios:
- "Eu vou esperar por você o tempo que for preciso".
Em silêncio, os dois voltaram para o local onde estava montada a barraca. O silêncio, porém, não era incômodo ou constrangedor, mas um silêncio cúmplice e agradável, no qual cada um se via perdido em seus próprios pensamentos.
Chegando ao acampamento, Harry seguiu para o chuveiro enquanto Theo se colocava a preparar as camas para passarem a noite e a procurar penas e pergaminhos em sua mochila – na qual havia quase tudo – para que depois Harry pudesse mandar uma carta para Luna. Instantes depois, quando Harry saiu do banheiro já vestindo seu pijama de seda verde-escuro – o qual o maior trouxera naquela conveniente mochila com outras roupas – Theodore seguiu para o banho em seu lugar e o pequeno Lord se viu, então, com a tarefa de preparar o jantar para eles. É claro que preparar significava escolher uma das embalagens de comida congelada e colocá-la no microondas por dez minutos. Mentalmente, Harry agradecia por esta formidável invenção muggle.
- Theo, o jantar está na mesa! – gritou, após os decisivos dez minutos.
E o aludido, então, apareceu na sala em seu pijama de seda negro secando os cabelos molhados com uma felpuda toalha da mesma cor.
- Anda logo ou irá esfriar – ordenou com um sorriso, apontando para bonita travessa na qual se encontrava o Espaguete à Carbonara. Os pratos e talheres já estavam dispostos na mesa com a jarra de água e a garrafa de Chardonnay, a qual Harry havia encontrado na adega da barraca, porque, obviamente, toda barraca de acampamento precisa de uma adega com vinhos de qualidade.
- Parece delicioso.
- Obrigado. Deu muito trabalho para fazer.
- Aposto que sim – sorriu divertido, acomodando-se ao lado do menor.
- Eu passei horas nessa cozinha trabalhando igual um elfo doméstico apenas para aperfeiçoar meus dotes culinários e preparar esta deliciosa refeição para nós, então trate de apreciá-la, ouviu?
- Sim, senhor. Eu irei amá-la – garantiu, erguendo as mãos em sinal de rendição. E assim, os dois saborearam o jantar em meio a brincadeiras descontraídas e lembranças da inusitada visita ao Ministério da Magia, visita esta que os dois Slytherins não pretendiam repetir tão cedo em suas vidas.
No final da noite, Harry se colocou a escrever uma carta para sua amiga Ravenclaw, depositando na excêntrica, mas esperta menina, sua esperança de finalmente descobrir como chegar à profecia:
"Querida Luna,
Em primeiro lugar, não se preocupe, eu não fui seqüestrado por um furioso exercito de Narguilés.
Estou bem, apenas não pude comparecer à Hogwarts este ano porque fiz algumas descobertas que precisam ser investigadas com urgência,
mas quando nos encontrarmos pessoalmente eu lhe contarei os detalhes. Na verdade, estou escrevendo esta carta porque preciso de sua ajuda,
você é a única com a qual eu posso contar nessa missão, que eu peço que fique somente entre nós, está bem?
Eu preciso que você investigue e descubra por meio de Sibila Trelawney – sim, nossa professora de adivinhação –
o paradeiro de Cassandra Trelawney, a quem desconfio ser sua mãe ou avó.
Pessoalmente eu sugiro que você use a Maldição Imperio ou uma Poção Veritasserum, roubada do escritório do Snape, seguida de um Obliviate.
Mas os meios ficam ao seu critério. Enfim, espero sua coruja o mais rápido possível e não diga a ninguém que você recebeu notícias minhas.
Um grande abraço e muito obrigado.
Atenciosamente,
Harry".
Como não havia corujas na região, o pequeno Lord anexou o envelope com a carta a um imponente falcão negro, no qual utilizou um simples feitiço em Parsel para que este voasse para Hogwarts e entregasse sua carta apenas nas mãos de Luna. E agora, bastava esperar a resposta de sua amiga.
Naquela noite, acomodado em sua cama, Harry lançava um olhar de esgueira para um adormecido Theodore Nott, deitado na cama logo ao lado da sua, enquanto tocava seus lábios com a ponta dos dedos frios e pensava no beijo que haviam trocado há poucas horas atrás. Um beijo intenso e envolvente, sem sombra de dúvida, que mergulhara seu corpo num delicioso mar de sensações. Theodore era carinhoso, prestativo, bonito, inteligente e beijava muito bem, Harry ponderava a respeito das qualidades de seu amigo enquanto girava de um lado para o outro na cama. Qualquer um desejaria tê-lo como namorado, pois além dessas qualidades também era sangue-puro, rico e um verdadeiro cavalheiro.
E Theo estaria sempre ao seu lado.
Theo era o homem perfeito...
Todavia, em meio a estes pensamentos, seu coração apertava dolorosamente sem que Harry soubesse explicar o porquê, ao mesmo tempo em que um par de arrogantes, mas belos olhos acinzentados invadiam sua mente. E de seus lábios, antes de adormecer, Harry acabou deixando escapar um angustiado murmúrio:
- Draco...
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Dois dias se passaram e Harry e Theodore continuavam a acampar naquela inóspita floresta, por um lado era agradável estar em contato com as belezas da natureza sem perder as regalias que a tenda mágica oferecia, mas por outro, era frustrante não ter qualquer notícia do Mundo Mágico. Contudo, no raiar do terceiro dia, isto mudou com a chegada da carta de Luna:
Querido Harry,
Fico feliz que você não tenha sido capturado por um exército de Narguilés, pois eles andam muito ferozes ultimamente.
Quanto às informações que você me pediu, eu perguntei para a professora Trelawney onde sua avó morava e ela foi muito gentil em me dizer,
uma bonita vila a propósito, a vila Stirling, meu pai me levou lá uma vez para caçar gnomos fantasmas.
Espero que você e Theodore tenham sucesso em sua busca.
Abraços,
Luna.
Harry piscou duas vezes ao terminar de ler a carta sem acreditar que a menina havia simplesmente perguntado à professora o endereço de sua avó e que esta, então, fornecera de bom grado. Enquanto isso, Theo, que acabara de ler a carta por cima de seu ombro, murmurou com o cenho franzido:
- Como ela sabe que eu estou com você? Não havia nada na carta que você mandou falando ao meu respeito, havia?
- Não. Eu realmente não sei como a Luna... Enfim... – suspirou – Ela será sempre uma incógnita.
Resmungando algo que soava como "lunática maluca", Theo apanhou o pergaminho e observou o nome do vilarejo outra vez enquanto repassava em sua mente o mapa de toda a região daquela floresta e dos vilarejos mágicos e muggles que a rodeavam, pois antes de mergulhar com Harry naquela aventura ao ministério, o herdeiro da fortuna Nott fora inteligente o bastante para estudar inúmeras rotas de aparatação.
- Nós precisamos ir – afirmou Theo, lembrando-se, então que a localização daquela vila não era muito longe dali – por sorte, nós estamos perto, este vilarejo não fica longe daqui.
E Harry, por sua vez, apenas concordou em silêncio.
Esta chance, o pequeno Lord prometia a si mesmo que não deixaria escapar.
Naquela tarde, então, os dois levantaram o acampamento e seguiram na direção do fluxo do rio.
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A caminhada não demorou nem duas horas quando Harry e Theo finalmente se afastaram da floresta e adentraram num vilarejo mágico repleto de casinhas de madeira talhadas no mesmo padrão. Ao centro do vilarejo, situava-se a única e precária praça do local, onde se erguia uma igrejinha e um cemitério de lápides de mármore, ambos caindo aos pedaços. Por um breve instante, Harry reviveu a imagem de Godric's Hollow e isto levou um desconfortável arrepio à sua espinha.
- É aqui mesmo, Theo?
Como resposta, o maior simplesmente apontou para a precária placa de ferro que se destacava cambaleante na entrada da praça, com os seguintes dizeres: "Bem-vindo à Stirling Ville".
- Ótimo – Harry murmurou sem um pingo de entusiasmo. E os dois continuaram a caminhar pela rua onde poucos magos e bruxas circulavam e lançavam aos adolescentes olhares desconfiados, mas Harry e Theodore ignoravam os olhares, concentrados apenas em procurar nas caixas de correio das entradas das casas o sobrenome Trelawney. Vagamente, Harry ponderava a respeito do fato de um povoado inteiramente mágico possuir caixas de correio, uma vez que as corujas sempre interrompiam pela janela.
- Ali!
Finalmente, Theo apontou para uma das últimas casas da rua. Uma grande e velha casa pintada de azul-royal com uma caixa de correio cor de rosa que de destacava em meio à fachada, na qual o sobrenome Trelawney reluzia em letras douradas. Pansy com certeza teria desmaiado ao observar a horrenda sobreposição de cores baratas.
Respirando fundo, e ignorando o cenário, Harry bateu na porta e esperou.
- Será que ela está em casa? – sussurrou para o amigo, que apenas arqueou uma sobrancelha e respondeu:
- Ora, ela deve ter quantos anos? Oitenta? Cem? – ponderou Theo – Senhoras dessa idade não ficam passeando por aí.
Como resposta, eles ouviram um barulho de estrondo seguido de "ai!"... "auch!"..., alguns craks de vidro se partindo e o característico som de bolas de cristal rolando pelo piso de madeira. E de repente, a porta se abriu abruptamente:
- Olá, meus queridos, posso ajudá-los?
Ligeiramente em choque, Harry e Theo encaravam a mulher que parecia ser a versão de oitenta anos de sua professora de adivinhação, usando o cabelo branco preso num coque no alto da cabeça e o rechonchudo corpo coberto por um vestido florido que lembrava muito uma toalha de mesa. Os olhos, porém, pareciam ser os mesmos olhos castanhos alheios ao mundo e sua voz a mesma despreocupada e aérea de sua neta.
- Er... Meu nome é Harry e este é Theodore, nós somos alunos de sua neta em Hogwarts e gostaríamos de...
- Oh, alunos de Siby! Entrem! Entrem!
Os adolescentes, é claro, não tiveram outra opção, pois Cassandra Trelawney praticamente os arrastou para a sala, onde colocou os dois sentados no sofá aveludado cor de rosa, o qual estava coberto por uma manta de babados xadrez. A sala em si era tão cor de rosa, cheia de bibelôs e babadinhos que Harry, por um instante, pensou que aquela mulher poderia ser o resultado de uma combinação genética de Sibila Trelawney e Dolores Umbridge. E ele se sentiu enjoado ao pensar nisso.
- Vocês aceitam uma xícara de chá?
- Er... Não, obriga...
- Oh, é claro que sim, parecem famintos, coitadinhos!
- Por favor, não se incomode – insistiu Theodore, mas a mulher já havia se levantado – Nós estamos bem.
- Não será incômodo algum, meus queridos, eu quase não recebo visitas. Agora esperem só um pouquinho, sim? – com um radiante sorriso, Cassandra sumiu por um corredor que eles imaginaram levar à cozinha.
Sozinhos novamente, os Slytherins trocaram um significativo olhar que dizia: "Como lidar como esta mulher maluca?" e esperaram em silêncio tentando não reparar na horrenda decoração.
Vinte minutos depois, quando Harry já estava a um passo de sair à procura da bruxa para obrigá-la a lhe dizer a profecia mesmo que sob a influência da Maldição Imperio, a sorridente senhora de idade regressou para a sala com três bandejas flutuando às suas costas, nas quais havia um conjunto de bule de chá e duas xícaras floridos, leite, creme, biscoitos, muffins, tortas, canapés e mini-sanduíches que acabaram fazendo os estômagos de Harry e Theodore protestarem de fome.
- Sirvam-se! Sirvam-se! – sem deixar de sorrir, Cassandra indicava as bandejas que havia acomodado habilmente na mesinha de centro em frente ao sofá.
- Obrigado.
- Sim, obrigado, e desculpe o incômodo – Harry sorriu, servindo-se de uma xícara de chá e apanhando um muffin de chocolate.
- Não é incômodo algum, meu querido – balançou a cabeça convicta – agora, diga-me, no que eu posso ajudar vocês?
- A senhora fez uma profecia...
- Oh, sim, eu já fiz várias – suspirou.
- Bem, esta foi ao meu respeito e eu gostaria muito de ouvi-la.
Piscando, confusa, a idosa perguntou:
- Você já foi ao Ministério da Magia? – sem deixá-lo responder, continuou – Todas as profecias são mandadas para o Departamento de Mistérios, sabe onde fica, querido?
- Sim, eu fui lá, mas...
- Aconteceu um acidente – ofereceu Theo, servindo-se de mais um pouco de chá com creme.
- Exato, e este acidente acabou destruindo a esfera sem que eu pudesse ouvi-la.
- Oh... Entendo.
- A senhora poderá me ajudar, por favor? – Harry, então, adotou uma expressão desolada acentuada por seus enormes e entristecidos olhinhos verdes-esmeraldas, expressão esta, quiçá tão efetiva quanto à própria Maldição Imperio.
- É claro que sim, meu querido, não precisa fazer esses olhinhos – deu uma risadinha – seu amigo vai acabar engasgando com a torta de maçã assim.
Ao seu lado, de fato, Theodore tossia discretamente com o rosto corado.
- Você está bem, Theo?
- Estou sim, obrigado – murmurou, bebendo mais um generoso gole de chá.
- Bem, meu querido... – Cassandra os interrompeu, levantando-se e se aproximando de uma velha estante de livros ao lado da chaminé – diga-me seu nome e a data em que você nasceu, pois as profecias sempre nascem com a estrela que deverão seguir... – sussurrou misteriosamente, teatral, e Harry descobriu a quem Sibila puxou.
- Harry James Riddle... Ou Potter – murmurou – 31 de Julho de 1980.
- Oh... Eu vejo – Cassandra o encarou com perspicácia e Harry estremeceu sob seu olhar.
Puxando a varinha do bolso do vestido, ela bateu levemente em alguns livros da estante e na mesma hora esta se abriu ao meio, revelando inúmeras prateleiras repletas de frascos pequenos, nos quais continha um líquido azulado. Memórias, Harry observou, a excêntrica, porém sábia bruxa guardava as memórias de suas previsões para vê-las na Penseira depois, caso fosse necessário.
- 1980... 1980... Sim, aqui está! Agora onde está...? Fevereiro, Março... Aqui, Julho! 27... 28... Achei, 31, foi a única profecia naquela semana – informou, fechando a estante se aproximando dos dois com o pequeno frasco em suas mãos.
- Quantas profecias a senhora têm ali? – Harry perguntou com curiosidade.
- Centenas, talvez milhares – sorriu – mas acredito que apenas esta seja do seu interesse, não é verdade?
- Sim.
Finalmente.
Finalmente poderia ouvir a profecia.
Era apenas nisso que Harry conseguia pensar.
- Accio Penseira – Cassandra convocou e na mesma hora, um recipiente de porcelana voou para o seu colo, no qual ela despejou a memória e estendeu em seguida para os meninos mergulharem.
- Harry, você quer que eu espere...? – Theo perguntou, mas Harry logo negou com veemência:
- Não, eu quero que você venha comigo, quero que veja também.
E assim, entrelaçando seus dedos, os dois mergulharam seus rostos na Penseira, sob o atento olhar de Cassandra, que ainda hoje se lembrava desta profecia, a profecia que a tornara famosa e que traçara o destino do Mundo Mágico.
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Harry e Theodore observaram o cenário em preto e branco...
Era o início de uma noite chuvosa e uma Cassandra alguns anos mais jovem parecia se preparar para ler alguma coisa e dormir. O ambiente exalava a monotonia e a paz de espírito da casa de uma pessoa idosa, com seus bibelôs e mantas xadrez em todos os lugares e um gato de idade avançada dormitando aos pés da cama.
Cassandra deitou-se, touca de babados na cabeça e livro nas mãos, quando de repente colocou-se de pé num salto impróprio para alguém de sua idade e alcançou a varinha. Seus olhos brilharam. E Harry e Theodore, que até então suspiravam, finalmente se interessaram. Ao agitar a varinha, uma esfera apareceu em suas mãos, pois ela sabia, estava a caminho uma nova profecia.
De repente, a esfera foi banhada pela luz da lua, que adentrava pela janela e Cassandra começou a entoar com uma voz grave e obscura:
- Quem possuir o poder sobre aquele que nasceu eleito para definir o fim da guerra, se tornará invencível e prevalecerá diante de todos os seus inimigos...
O coração de Harry apertou ao ouvir tais palavras.
-... A luz e as trevas estão presentes na criança dourada, o ultimo herdeiro do poderoso leão, que deverá ser entregue àquele que é a reencarnação do mal.
Deverá ser entregue à reencarnação do mal?
Isto significa que seu pai... Ou melhor, o Lord das Trevas havia ficado com ele apenas para seguir as palavras daquela maldita profecia.
Segurando as lágrimas e apertando os punhos com ódio, Harry continuou a ouvir:
-... O destino de todos será traçado de acordo com o coração do menino de olhar esmeralda...
"O destino de todos".
Repetiu-se na mente do pequeno Lord.
E aquilo era um peso grande demais para ele.
-... No final das dezessete primaveras, tanto a luz quanto as trevas só poderão ser despertadas com amor verdadeiro e o mais forte triunfará sobre o outro.
Amor?
Nem Dumbledore nem Voldemort sabiam o que era o amor...
Harry, então, sentiu seus olhos pesados.
Seu corpo inteiro enfraquecido.
E de repente, ele se viu exausto, e ao seu lado, Harry observou, Theo parecia mais pálido do que o normal, mas antes que pudesse falar qualquer coisa, a lembrança se dissolveu e os dois voltaram para a sala de Cassandra.
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Quando Harry olhou para o sorridente rosto de Cassandra Trelawney novamente, tentou dizer a ela que não se sentia bem, mas as palavras morreram em sua boca. Somente um gemido confuso, enfraquecido, escapou de seus lábios ao mesmo tempo em que seu corpo caía no sofá, todo dormente. Ao seu lado, ele conseguiu observar pelo canto dos olhos que Theodore ficava cada vez mais pálido e que o corpo do amigo parecia fraco de mais para se mover.
- Har...ry... – Theodore conseguiu murmurar, a preocupação palpável em sua voz.
O pequeno Lord, por sua vez, lançou um olhar às xícaras vazias em cima da mesa e estreitou os olhos para a bruxa, que sorria complacente.
- O q-que... v-você... fez? – a voz rouca saiu apagada e sonolenta.
- Eu fiz isso para ajudar você, meu querido – explicou com um ar maternal – Você precisa seguir o caminho certo.
"Grande Merlin..."
"Isso só pode ser brincadeira".
Harry pensava, tentando se concentrar em sua magia, mas parecia impossível.
- Por sorte, depois que os jornais noticiaram o incidente do ministério, um querido amigo entrou em contato comigo avisando que talvez você me procurasse e que se isto acontecesse, eu deveria comunicá-lo para que ele viesse ajudá-lo.
"Céus, isso não pode estar acontecendo".
Harry tinha uma vaga idéia de quem era esta nobre pessoa à qual a bruxa se referia.
E ele desejava com toda as forças que estivesse enganado.
- Eu precisei usar uma poção calmante no chá e nas guloseimas que preparei, porque me foi avisado que seria melhor que vocês fossem levados sem resistência para que assim, quando conversassem, esclarecessem o que fosse preciso sem levantar os ânimos. Eu espero que vocês me desculpem meus queridos, mas que mesmo assim tenham apreciado o lanche...
"Oh, não..."
"Você não pode estar falando sério".
Harry realmente queria lançar seu repertório de Maldições Cruciatus naquela velha condenada agora.
- Não se preocupe meu querido, eu garanto que ele poderá ajudá-lo – sorriu com doçura, ao mesmo tempo em que um alegre homem de longa barba branca usando uma esvoaçante túnica verde-água saía da chaminé e ingressava na sala, varrendo os resquícios de pó de Flú de sua túnica:
- Cassandra, minha amiga, é muito bom poder contar com você.
- Olá, Alvo, seja bem-vindo e não repare a bagunça.
- Imagine, sua casa está magnífica como sempre!
- Ora, ora, obrigada.
Se Harry não estivesse usando suas faculdades mentais para tentar recuperar suas forças, ele com certeza teria tido algum pensamento sarcástico a respeito. Mas nem isto ele conseguia fazer.
Sua mente estava começando a ficar completamente nublada.
As vozes mais distantes...
A visão embaçada...
E assim, os sentidos começavam a se confundir.
- Se você puder me acompanhar, Harry, eu ficarei muito feliz – ele ouviu aquela conhecida voz ao fundo, ressoando em sua mente, e mesmo com os olhos semi-cerrados era fácil distinguir o maldito sorriso vitorioso.
- Dum...bledore... – murmurou, os dentes cerrados de impotência e ódio.
- Acredito que você saiba que isto não é um pedido, não é mesmo, meu querido menino?
Fazendo uso de suas últimas forças, Harry lançou um olhar de puro desprezo ao diretor de Hogwarts, mas, então, sua visão escureceu completamente, e o pequeno Lord acabou perdendo a consciência em seguida. Seu último pensamento foi para Theo, que, ao seu lado, havia sucumbido minutos antes, desejando que o amigo ficasse bem. Desejando que ambos sobrevivessem ao que quer que Dumbledore planejasse fazer.
Uma coisa, porém, e infelizmente, era certa: Harry não sairia ileso dessa vez.
Dessa vez, para alegria de Dumbledore, o papai não estaria lá para salvá-lo.
Continua...
Próximo Capítulo:
- Você... – Harry murmurou ainda grogue, tentando enfocar em sua visão turva o recém chegado.
- Está tudo bem, Harry, eu vou tirar vocês daqui.
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N/A: Olá, meus queridos... – sorriso radiante igual ao da Cassandra – Espero que vocês tenham apreciado o capítulo! Pelo menos o Harry pôde ouvir a profecia antes de o Dumbledore aparecer, mas isto só o fez mais ressentido com o Lord das Trevas, que, por sua vez, está movendo céus e terras para encontrá-lo... Isto significa apenas uma coisa: que, infelizmente, a história está na sua reta final mesmo. Apenas mais cinco capítulos e esta longfic será encerrada, mas eu espero que no decorrer destes capítulos vocês se divirtam, se emocionem, se enfureçam e que apreciem esta história, na qual eu venho trabalhando há tanto tempo.
Eu agradeço muito mesmo pelas lindas Reviews de vocês e gostaria de salientar que seus comentários são sempre bem-vindos para eu saber o que vocês estão achando de tudo isso!
Um grande beijo e meus sinceros agradecimentos à:
bvcsalvatore... Pandora Beaumont... Cris-Gallas-Benedetti... Rafaella Potter Malfoy... vrriacho... Kamilla Riddle... Sandra Longbottom... dreyuki... AB Feta... Nicky Evans... Ines G. Black... e sonialeme!
Em breve, será postado o novo capítulo de Destinos Entrelaçados.
Espero que gostem!
