Nota: (1) – Harry Potter e seus personagens não me pertencem. E sim a J.K. Rowling.
(2) – Essa é uma história Slash, ou seja, relacionamento Homem x Homem. Se não gosta ou se sente ofendido é muito simples: Não leia.

-x-x-x-x-x-x-x-x-x-x-x-x-x-x-x-x-

Quando Harry finalmente voltou a si, sentiu o corpo inteiro dormente, exausto, a visão borrada e fora de foco, como se tivesse sido pisoteado por uma manada de hipogrifos. Uma dor latejante perdurava em sua cabeça e todo o seu corpo se sentia fraco, drenado, sem acesso à sua magia. Esta constatação lhe assustou de tal maneira que ele se sentou de um salto na cama macia de lençóis de seda azuis-escuros, ignorando o estranho fato de se encontrar numa cama macia forrada com lençóis de seda.

Sua única preocupação naquele momento era:

Por que diabos ele não conseguia acessar sua magia?

- Harry, meu menino, fico feliz que você esteja acordado.

Estreitando os olhos, o adolescente observou um sorridente Alvo Dumbledore ingressar no aposento pela porta de madeira escura, a qual logo trancou atrás de si.

- O que você fez comigo? – perguntou em voz baixa e sibilante, encarando-o perigosamente – O que você fez com a minha magia?

- Harry, por favor, acalme-se...

Mas, olhando em volta, o menino pareceu finalmente cair em si e se desesperou:

- Onde ele está?

- Harry...

- Onde o Theo está? O que você fez com ele?

Com um suspiro resignado e um simples balançar de varinha, Dumbledore lançou um feitiço silenciador e paralisante em Harry, que estreitou os olhos com ódio, e se sentou na confortável poltrona azul-marinho aveludada que se encontrava ao lado da cama. Em seguida, o diretor convocou uma xícara de chá e se colocou a saborear o líquido escuro com gosto de canela calmamente, como se possuísse todo o tempo do mundo, ignorando o olhar assassino do jovem mago.

- Agora, meu querido menino, por que você não se acalma e observa primeiro este belo e confortável quarto que eu escolhi para você?

Num aceno amplo, Dumbledore indicou o aposento em questão que, de fato, parecia muito espaçoso e bem decorado com móveis de madeira de qualidade em cores escuras, como a escrivaninha ao lado da cama, o armário de seis portas, a pequena mesa redonda cercada por cinco cadeiras aveludadas, a enorme cama na qual Harry se encontrava e ainda, cobrindo duas paredes inteiras, havia quatro enormes estantes forradas de livros, livros de artes obscuras, Harry observou espantado.

- Oh, sim... Sinto dizer que o jovem Regulus era um amante das artes obscuras – Dumbledore comentou, também olhando para os grossos volumes que cobriam as estantes – Infelizmente, isto lhe custou à vida.

- "Regulus...?" – Harry repetiu em sua mente, mas, então, o diretor continuou a falar:

- Muito bem, Harry, agora que você já observou o quão generoso eu fui com as suas acomodações, poderei responder suas perguntas.

O olhar esmeralda refletia apenas irritação e impaciência.

- No momento, meu querido menino, você está impossibilitado de acessar o seu núcleo mágico porque eu lancei alguns feitiços neste quarto que, além de garantir que apenas eu possa entrar e sair daqui, também restringiram o acesso ao seu núcleo mágico, impossibilitando, assim, que você faça magia sem varinha. Oh, e não se preocupe, sua varinha está segura comigo.

Se Harry fosse um Basilisco e suas frias esmeraldas pudessem matar, Dumbledore estaria duro e estirado no chão. Infelizmente, não era este o caso.

- Agora, quanto ao senhor Nott – continuou o velho mago – posso garantir que ele está vivo e gozando de ótima saúde em outro aposento, mas se você quiser vê-lo, eu sugiro que você coopere comigo, meu querido menino – sorriu calorosamente – Bem, você irá cooperar se eu remover os feitiços, Harry?

Ao ouvir o suspiro resignado, Dumbledore alargou seu sorriso e balançou outra vez a varinha, libertando o menino.

- Seu velho maldi...!

- Ora, você se lembra do que eu acabei de dizer, a respeito do seu amigo, não é mesmo?

O adolescente apertou os punhos com ódio, mas permaneceu em silêncio.

- Ótimo. Eu sempre soube que você era um menino esperto, Harry – continuou ele, um benevolente olhar adornando o rosto enrugado – agora imagine a minha surpresa quando descobri que você finalmente havia contemplado todas as mentiras de Voldemort...

Harry sentiu o coração ser esmagado em seu peito.

Um sabor amargou logo subiu aos seus lábios.

E seu primeiro impulso fora gritar:

"Cale a boca! Não se atreva a falar dele! Não se atreva a falar do meu pai..."

Mas ele apenas apertou os lábios e desviou o olhar em silêncio.

-... Mas então eu logo pensei: este menino é filho de um Auror, de um Maroto, não havia dúvidas de que uma hora ele acabaria por descobrir todas as mentiras que aquele monstro lhe...

- O que você quer? – interrompeu bruscamente – Qual o seu objetivo me trazendo aqui?

- Eu só quero ajudá-lo, Harry.

- É claro que sim – replicou com ironia

- Eu quero que você conheça a verdade, meu menino, quero que você saiba que o bando da luz irá protegê-lo nesta guerra, porque se você se juntar a nós o Mundo Mágico poderá ser salvo.

- Essa guerra de vocês não me interessa.

- Mas Harry...

- Comensais da Morte ou a Ordem da Fênix, não importa, passaram a ser todos os mesmos para mim. Eu já decidi, não irei participar desta guerra insana de vocês.

- Mas a profecia diz...!

- Bem, a professora McGonagall sempre nos disse que Adivinhação não passa de um assunto extremamente vago e inútil, e eu concordo com ela, pouco me importa esta profecia que serviu apenas para destruir a minha vida, eu não vou lutar nesta guerra.

Ao encarar aquelas esmeraldas frias e cheias de decisão, Dumbledore estreitou os olhos azuis e se colocou de pé em seguida, encarando o menino por cima dos óculos em formato de meia lua:

- Vou deixá-lo sozinho para que você reflita melhor – sua voz era calma e o mais contida possível – Em alguns minutos aparecerá uma bandeja com alimentos. Descanse bem, Harry.

Contudo, tendo observado o jovem rosto coberto por uma máscara de frieza e obstinação, ao deixar o aposento e fechar a porta atrás de si, Dumbledore percebeu que aquela abordagem de brandura e negociações provavelmente não renderia frutos. Talvez fosse preciso, então, recorrer a outras medidas.

-x-

No dia seguinte, quando o diretor de Hogwarts voltou a se encontrar com Harry, este continuou a se recusar a participar da guerra ao lado do bando da luz, refutando cada argumento com comentários frios e impessoais que deixavam claro o quanto ele se importava com o pobre destino que os nascidos muggles teriam se Voldemort ganhasse a guerra. E então, quando Dumbledore praticamente implorou por sua ajuda, chamando-o de meu querido menino destinado ao sucesso, com seus olhos azuis brilhando bondosamente por detrás dos óculos em formato de meia lua e uma expressão cansada e necessitada de ajuda em seu afetuoso rosto de avô, Harry deixou um irônico sorriso adornar seus lábios e lembrou ao velho mago, então, uma por uma, cada vez que o diretor havia tentado matá-lo.

Um brilho de ódio e frustração, então, surgiu nos olhos de Dumbledore, que pensou que se o maldito menino não o ajudaria por bem, não restava alternativa, senão obrigá-lo a fazê-lo por mal.

E antes mesmo que Harry pudesse pensar em reagir, um poderoso feitiço de desmaio lhe atingiu e imediatamente sua visão escureceu. Seus últimos pensamentos se resumindo em:

- "Maldito Dumbledore..."

Horas depois, Harry começou a recobrar os sentidos e a primeira coisa que percebeu foi o chão frio sob seu corpo, em seguida, a sufocante sensação de mofo e umidade das paredes que o rodeavam e finalmente, seus pulsos e tornozelos aprisionados no que pareciam ser grilhões de ferro maciço.

- "Ótimo, as masmorras" – pensou com sarcasmo, os olhos ainda fechados para conter a sensação de náusea proveniente do feitiço de desmaio – "Essas sim são acomodações dignas da imaginação retorcida do velhote".

Um sussurro preocupado, porém, chegou aos seus ouvidos, interrompendo suas divagações:

- Harry, você está acordado? Você está bem? Por favor, esteja bem, por favor...

- Theo... – murmurou, abrindo os olhos abruptamente e se deparando com a esfarrapada imagem de seu amigo igualmente aprisionado ao seu lado.

- Você está bem? – Theodore voltou a perguntar, preocupado.

- Sim. E você?

- Também, exceto pela comida horrível, na verdade – apontou para a tigela com o que parecia ser um mingau estranho jogada ao seu lado com um copo de água.

- Dumbledore não...?

- Não, ele não me torturou, só me deixou aqui morrendo de preocupação. Onde você estava?

- Num quarto confortável e elegante enquanto ele tentava me convencer a me unir a ele, mas eu fui bem taxativo ao recusar e agora estou aqui.

- Será que ele desistiu de persuadi-lo?

- Não – respondeu uma terceira voz – Mas agora eu percebi que o senhor tem um amigo muito teimoso, senhor Nott, então eu decidi recorrer a outros meios para fazê-lo ver a luz da razão.

- Dumbledore... – Harry sibilou com ódio, como uma serpente furiosa que fora aprisionada. E Theodore, por sua vez, estreitou perigosamente seus profundos olhos azuis, deslocando-se de maneira protetora na frente de Harry, isto é, na medida em que os grilhões de ferro permitiam.

O diretor, no entanto, apenas sorriu com cruel diversão e fixando seus olhos no adolescente mais novo, perguntou com falsa doçura:

- Agora, Harry, você vai ser um bom menino e vai concordar em fazer um Voto Perpétuo comigo, no qual você irá jurar, pela sua própria vida, lutar ao meu lado e ser fiel apenas a mim nesta guerra?

- Nunca!

- Oh, então... Crucio!

No instante em que Harry sentiu a maldição lhe atingir, fez o possível para não gritar. Ele mordeu o lábio inferior com força, chegando a arrancar um filete de sangue para conter seus gritos, mas a dor era grande demais. E não era somente a dor física, pois a esta seria fácil resistir, mas havia também a dor emocional muito mais forte e pungente: decepção, ódio, tristeza, saudade...

Então, um grito ensurdecedor interrompeu no aposento.

E Harry já não conseguia parar de gritar.

Ao seu lado, Theodore apertava os punhos com os sentimentos de ódio e impotência se misturando em seu peito: ódio pelo maldito diretor que torturava seu melhor amigo e impotência por não poder fazer nada para ajudar o pequeno Lord e matar aquele velho maluco da forma mais dolorosa possível. Ele apertava os punhos com tanta força que as unhas, cravando-se na palma da mão, arrancavam-lhe sangue. Sangue que escorria silenciosamente de seus punhos, enquanto seu olhar mortal estava fixo no velho mago.

- Pois bem, Harry? – Dumbledore voltou a perguntar, suspendendo a maldição.

- N-não.

- Se é assim... Crucio.

Dessa vez, era Theodore que se debatia sob os efeitos da Maldição Cruciatus, enquanto um ofegante Harry encarava o diretor com um ódio nunca antes visto brilhando em suas esmeraldas:

- E agora, meu menino?

- A resposta continua a mesma.

- Oh, você está gostando de ver o seu querido amigo sofrer?

- Ele sofreria mais se visse eu me render a um verme amante de sangues-ruins como você.

- Eu posso fazer isso o dia inteiro, Harry – informou com malícia – Na verdade, eu conheço alguns feitiços bem desagradáveis que nem mesmo o seu amado papai já ouviu falar.

Pela primeira vez, Harry se perguntava se ele e Theodore chegariam a sair vivos dali.

-x-

A mui antiga e nobre casa dos Black, o Largo Grimmauld, como toda a casa de uma família de sangues-puros era imensa, compreendendo vários quartos, salas, salões, lounges, bibliotecas, laboratório de poções e até mesmo uma masmorra, onde Remus se acorrentava durante as luas cheias para se transformar em segurança. Esta ampla casa era também a sede da Ordem da Fênix graças à generosidade de Sirius Black, último herdeiro da fortuna Black, que outrora havia oferecido sua antiga morada para ajudar na causa que julgava correta. No exato momento, porém, a casa esta vazia, pois os adolescentes filhos de Molly e Arthur Weasley estavam em Hogwarts e Kingsley Shacklebolt, Estúrgio Podmore, Minerva McGonagall, Elifas Doge e os outros Aurores, membros do Ministério da Magia e funcionários de Hogwarts estavam cumprindo seus afazeres longe dali. Dessa forma, os únicos ocupantes da enorme casa passavam a ser Sirius, Remus e... Dumbledore?

De fato, para grande curiosidade e porque não dizer desconfiança dos dois últimos Marotos, há quatro dias eles esbarravam com o diretor de Hogwarts no Largo Grimmauld, que alegava estar fazendo uma importante pesquisa na biblioteca dos Black para derrotar Voldemort, ainda que Remus nunca o tivesse visto em tal aposento. Não obstante, certo dia, Sirius o encontrara no corredor que levava ao quarto de seu irmão, Regulus. E posteriormente, Dumbledore sempre podia ser visto no corredor que dava acesso às masmorras.

- A lua cheia está se aproximando, não é mesmo, Remus? – a bondosa voz do diretor ecoou na cozinha. Naquele momento, os três magos estavam reunidos ao redor de uma vasta mesa de lanche saboreando uma xícara de chá de hortelã com canela.

- Sim – respondeu com cautela.

- Entendo... Porque você e Sirius não vão para a Casa dos Gritos dessa vez? Essas masmorras não parecem nada confortáveis, vocês não acham? E a Casa dos Gritos deverá trazer boas lembranças para vocês, meus meninos, e não há nada como as boas lembranças para enriquecer nossas vidas.

- Talvez, iremos pensar nisso, diretor – Remus respondeu com um aceno polido, antes que Sirius pudesse perguntar por que diabos Dumbledore parecia tão interessado em afastá-los dali.

- Ótimo, isso mesmo, pensem a respeito.

No final da tarde, Dumbledore recebeu um chamado de Hogwarts pela rede-de-flu e precisou voltar para o castelo, momento em que Sirius e Remus trocaram um olhar desconfiado. E ao observarem o velho mago desaparecer por entre as chamas verdes, os dois, em coro, afirmaram em seguida:

- Ele está escondendo alguma coisa.

- Mas o que será? – Remus murmurou, ainda olhando para a chaminé com cautela.

- Não sei, mas vamos descobrir – afirmou Sirius.

Nos próximos cinqüenta minutos, os dois vasculharam a mansão em busca de algo suspeito, mas não encontraram absolutamente nada. Sirius havia até mesmo adentrado no quarto de seu irmão, depois de todos esses anos, mas fora em vão, pois não havia nada suspeito ou fora de lugar nos aposentos de Regulus. Quando os dois estavam a ponto de desistir, parados num corredor obscuro, o mesmo corredor que levava às masmorras, eles se entreolharam e finalmente caíram em si:

- As masmorras, é claro!

- Sim, Dumbledore pareceu especialmente interessado em nos afastar das masmorras – o lobisomem comentou pensativo.

- E eu sempre o vejo espreitando por este corredor.

- Será que ele...? – murmurou preocupado.

- Venha, talvez não tenhamos muito tempo – Sirius agarrou o braço do amigo, puxando-o para que afundassem no corredor sem luz – precisamos descobrir.

Depois de vinte minutos, quando os dois finalmente conseguiram derrubar as barreiras que Dumbledore lançara no obscuro local, eles obtiveram acesso às masmorras. E então, a imagem que se seguiu fez o sangue gelar em suas veias. Uma exclamação de terror escapou de seus lábios ao observarem os dois adolescentes acorrentados e feridos, exibindo sinais claros de tortura e desnutrição com o sangue seco manchando suas vestes esfarrapadas, em contraste com a pele anormalmente pálida e doente.

- Harry! – o animago ofegou em choque, correndo na mesma hora para libertar seu afilhado.

O pequeno Lord, por sua vez, despertou da inconsciência ao sentir seus pulsos e tornozelos serem libertados das correntes de ferro e seu corpo, maltratado pelas maldições de Dumbledore, ser acolhido com cuidado e ternura por um par de braços fortes.

- Você... – murmurou ainda grogue, enfocando em sua visão turva o recém chegado.

- Está tudo bem, Harry, eu vou tirar vocês daqui.

Ao seu lado, Remus havia libertado Theodore, que permanecia desacordado, devido provavelmente à perda de sangue de um corte particularmente profundo que ainda se encontrava aberto em seu peito. O lobisomem estava simplesmente furioso. Isto é, mesmo depois de sua conversa com Harry e o menino Nott no café em Londres muggle, seu coração ainda lutava para confiar no bondoso diretor que havia lhe dado uma vaga em Hogwarts mesmo com sua condição de lobisomem, ele nunca poderia imaginar que Dumbledore pudesse querer machucar dois indefesos meninos. Era imperdoável. O que o maldito homem havia feito era imperdoável e o lobo dentro dele não via à hora de rasgá-lo aos pedaços.

Agora, porém, não era o melhor momento de se deixar levar pela fúria.

Os dois meninos maltratados necessitavam de ajuda.

- Nós precisamos tirá-los daqui – Remus informou ao amigo, que parecia tão ou mais furioso do que ele – O jovem Nott precisa de poções restauradoras de sangue com urgência...

- Sim, eu sei!

- Burke... – Harry murmurou, agarrando-se às vestes de Sirius – Mansão Burke... Segura... É segura...

Sirius e Remus trocaram um olhar urgente e então, assentiram em silêncio. No instante seguinte, o lobisomem lançou um feitiço imobilizante e de levitação em Theodore para evitar que a trajetória acarretasse em mais perda de sangue, saindo às pressas das masmorras com o adolescente desacordado levitando ao seu lado. Enquanto Sirius, por sua vez, seguia imediatamente atrás com Harry em seus braços.

Logo eles se viram na sala principal, onde se encontrava a chaminé conectada à Rede-de-Flu, e o retrato de Walburga Black, que esbravejava aos gritos contra lobisomens, mestiços, traidores do sangue e sangues-ruins, de repente, calou-se ao observar o menino nos braços de Sirius, ao observar o pequeno Lord:

- O herdeiro... – ela murmurou com seus olhos brilhando mesmo no retrato – O herdeiro do Lord das Trevas...

Sirius, por um instante, quase se deteve ao notar que os gritos do retrato de sua adorável mãe tinham desaparecido, mas não havia tempo para pensar nisso. Eles precisavam chegar à chaminé o mais rápido possível, antes que...

- Sirius, Remus, indo a algum lugar?

A imponente presença de Alvo Dumbledore havia surgido por entre as chamas esverdeadas. E os dois marotos, então, deram um cauteloso passo para trás, apontando-lhe perigosamente as varinhas.

- Ora, ora, que situação mais inusitada nós temos aqui – o diretor comentou com tranqüilidade, seus olhos, porém, estreitando-se como os de uma águia pronta para a caça.

- Saia da minha casa, seu velho maldito, antes que eu amaldiçoe essa sua cara enrugada!

- Sirius, meu menino, acalme-se...

- Como você ousa? – Remus grunhiu, fazendo o possível para conter o lobo dentro dele que queria apenas estraçalhar o maldito velho covarde.

- Por que vocês não me devolvem o jovem Harry e então, todos nós podermos conversar civilizadamente, o que acham? – sugeriu, com o seu usual sorriso de avô, dando um passo adiante.

- Não se atreva a se aproximar dele! – os olhos do animago brilhavam de maneira enlouquecida: ódio, desprezo e ferocidade se misturando num semblante do homem que agora, mais do que nunca, parecia-se ao perigoso prófugo de Azkaban.

- Sirius, por favor, entenda...

- Você nunca mais vai tocar num fio de cabelo dele... – rosnou, colocando o menino protegido às suas costas, enquanto ele se erguia para enfrentar aquele que um dia havia admirado como um mentor – Expelliarmus!

- Protego!

- Incarcerous! – conjurou Remus, criando poderosas cordas para aprisionar o diretor, enquanto mantinha o menino Nott protegido atrás de si.

- Repellium! – defendeu-se Dumbledore, repelindo o feitiço de Remus e contra-atacando em seguida.

E assim, uma violenta batalha começou na sala principal da Mansão Black, sob os atentos olhos de Walburga Black, que, desde o seu retrato, gritava para seu filho acabar de uma vez por todas com o maldito velhote amante de muggles. Era óbvio, porém, que mesmo em desvantagem numérica os poderes de Dumbledore ainda se sobrepunham facilmente aos poderes de Sirius e Remus em conjunto.

Agora, aproveitando que o diretor de ocupava em deter as salamandras de fogo que Remus havia conjurado, Sirius, depois de transfigurar a poltrona à sua frente numa barreira de pedras para protegê-los, dirigiu-se ofegante ao amigo:

- Ao meu sinal, você pega o Nott e corre para a lareira, entendeu? Não perca tempo, eu vou distrair o velhote...

- Mas e você e o Harry?

- Não se preocupe Moony, nós vamos conseguir.

- Certo – murmurou a contra gosto – mas se vocês não aparecerem em cindo minutos, eu voltarei para ajudá-los.

- Muito bem... Agora!

No segundo em que Sirius desapareceu com a barreira de pedra, Remus lançou um feitiço de Peso de Pena em Theodore e correu com o menino para a chaminé sem olhar para trás. Ele já podia até sentir a hostil magia de Dumbledore vindo em sua direção, quando, de repente, ouviu a poderosa voz de Sirius:

- Crucio!

Então, um grito que mesclava dor e surpresa escapou dos lábios do diretor Hogwarts. E a última coisa que Remus percebeu antes de as chamas esverdeadas envolverem a si mesmo ao jovem Theodore foram os risos de Walburga e o tom orgulhoso ao gritar de seu retrato:

- Muito bem, Sirius! Como a mamãe ensinou! Esse é o meu garoto...!

O aludido, porém, pelo bem de sua sanidade mental preferiu ignorar os extasiados gritos de sua mãe e chamou pelo elfo doméstico da mansão:

- Monstro!

E este imediatamente apareceu ao seu lado com um "plop".

- Chamou, mestre? – perguntou com desinteresse, lançando ao herdeiro da fortuna Black um olhar venenoso, mas então seus enormes olhos amarelos enfocaram o menino deitado atrás de Sirius, que lutava contra dor em seu corpo para se manter consciente – O herdeiro... – murmurou, observando fixamente a famosa cicatriz em forma de raio – Monstro está na presença do herdeiro do Lord das Trevas... Quanta honra!

- Monstro! – Sirius interrompeu, ignorando as palavras do elfo – Eu preciso que você nos aparate para a Mansão Burke agora!

- Mostro pode fazer isso... Mostro conheceu os Burke, nobres sangues-puros... Monstro sabe onde fica...

- Ótimo, faça isso depressa, antes que Dumbledore consiga interromper minha maldição Cruciatus!

Pela primeira vez, Monstro olhou com adoração para Sirius Black:

- Sim, mestre!

- Agora! – ordenou, com Harry firmemente sujeito em seus braços, ao ver que Dumbledore já se levantava.

No instante que se seguiu, tudo aconteceu rápido de mais: Harry usou suas últimas forças para convocar sua varinha do bolso da túnica de Dumbledore, enquanto este, furioso, lançou a maldição da morte em sua direção, ao mesmo tempo em que Mostro os aparatou e assim, a maldição acabou por atingir a parede às suas costas. E este conturbado instante aconteceu inteiramente diante dos olhos de Severus Snape, que acabara de ingressar no aposento pela chaminé a tempo de observar o pequeno Lord desaparecer nos braços de Black.

Um pesado silêncio, então, instalou-se no destruído aposento, quebrado apenas pelos risos e comentários maldosos do retrato de Walburga, que parecia radiante, exaltando que nunca fora tão orgulhosa de seu filho.

- Eu perdi alguma coisa? – o professor de poções finalmente perguntou, ironicamente, ao furioso homem que ainda olhava fixamente na direção em que Harry havia desaparecido.

-x-

Três dias se passaram e Harry e Theo finalmente haviam conseguido se recuperar de seu encontro com Dumbledore graças aos cuidados de Remus, que possuía uma vaga noção de medimagia, e à intensa devoção de Monstro, que sempre aparecia na hora certa com suas poções. E agora, diante de uma vasta mesa de café da manhã que o animado elfo doméstico havia preparado, Harry constatava que a única coisa boa de sua experiência na Mansão Black fora conseguir o apoio incondicional de Sirius e Remus, que agora alegavam que nunca mais se separariam do seu lado.

- Eu mandei a carta para Gringotes e hoje recebi uma coruja com eles me garantindo que amanhã mesmo, com as novas alas de proteção, ninguém será capaz de entrar em qualquer propriedade Black sem a minha expressa autorização – Harry comentou encarando seu padrinho.

- Isso é ótimo.

- Eu não sabia que os Black possuíam tantas propriedades...

- Sim, e elas são suas agora, enquanto eu for considerado foragido cabe a você, como meu afilhado e único herdeiro, impedir que o maldito Dumbledore consiga colocar os pés no Largo Grimmauld outra vez.

Harry apenas assentiu em silêncio, sorvendo um pequeno gole de seu suco de laranja, enquanto pensava no que Sirius havia dito.

- Eu vou garantir a sua liberdade – o menino pronunciou de repente – Eu prometo que um dia você não precisará mais se preocupar com isso, Sirius.

O animago, por sua vez, apenas sorriu, contemplando aquelas esmeraldas decididas e ainda sim cheias de doçura, tão iguais as de Lily.

-... Ou então, todos nós podemos fugir para uma ilha deserta no Caribe – o pequeno Lord acrescentou fazendo os demais sorrirem. Theo, na cabeceira da mesa, com Harry ao seu lado direito, parecia especialmente animado com esta idéia.

- Eu, particularmente, estou precisando de um bronzeado – Remus comentou divertido.

- Eu também, isto irá aumentar ainda mais a minha natural e irresistível beleza.

- Não duvidamos disso, Sirius.

- Estou até sentindo o sabor das Margaritas.

- Marga... O que?

- Margaritas, Moony, uma bebida muggle que você precisa experimentar!

- Er... Eu acho que eu passo, obrigado.

Em silêncio, o herdeiro da fortuna Nott observava a cena com um brilho divertido. Em sua mente, porém, ele já organizava o que seria preciso para comprar uma ilha no Caribe, escondê-la dos mundos mágico e muggle e construir nela uma gigantesca mansão capaz de oferecer todo o conforto para ele, Harry e os padrinhos de seu melhor amigo. Seria perfeito. Dessa forma, ele poderia garantir a segurança de Harry e tê-lo para sempre ao seu lado.

O pequeno Lord, porém, alheio aos planos de Theo, contentava-se em observar o intercâmbio de Remus e Sirius com um sorriso divertido. Contudo, interiormente, uma forte angústia parecia consumi-lo, angústia esta que se misturava à dor da decepção, à saudade daqueles que ainda amava e ao ressentimento de lembrar-se traído por todos eles. E sem que Harry pudesse parar a si mesmo, ele se pegou imaginando como seu pai estaria naquele momento.

-x-

Era óbvio que, naquele momento, o Lord das Trevas não se encontrava nem um pouco satisfeito. Em seu escritório, na Mansão Riddle, com Rodolphus e Lucius parados estoicamente ao seu lado, ele fixava seus furiosos olhos escarlates em Severus Snape, que permanecia ajoelhado à sua frente, e ouvia os relatos de seu espião:

- Ficou claro que Dumbledore não me chamou antes porque sua confiança em mim está balançada, Mi Lord, somente depois de seu fracasso ele me contou seus planos de convencer o menino. Então, eu não consegui chegar a tempo...

- E o meu filho? – interrompeu friamente – O que ele fez com o meu filho?

- Ele está vivo, meu senhor, pude comprovar rapidamente antes de ele desaparecer com o Black. No entanto, Dumbledore me confessou que fez uso de alguns meios drásticos para convencê-lo a se unir a ele.

- Esse velho bastardo!

- Temo que ele tenha torturado os dois...

- Os dois?

- Sim, seu filho e o senhor Nott.

- Nott? – seus olhos vermelhos se estreitaram perigosamente.

- Theodore Nott Júnior – afirmou Snape – De acordo com Dumbledore, os dois estavam juntos quando foram capturados na casa da vidente.

A furiosa magia de Tom explodiu as janelas de seu escritório e os três Comensais da Morte, engolindo em seco, sentiram um arrepio de medo lhes subir pela espinha ao contemplar tamanha cólera nos olhos mortais de seu amo.

- Nott, aquele moleque maldito... – sibilou, apertando a varinha em sua mão, que já soltava algumas faíscas esverdeadas – Como ele ousa me enganar? Como ousa esconder o meu filho de mim?

- Acalme-se, Tom – a tranqüila voz de Nagini surgiu deslizando pelo chão frio e coberto de cacos de vidro do aposento – O pobre menino Nott não tem culpa, a gente faz loucuras quando ama...

- Agora não é uma boa hora, Nagini – grunhiu irritado.

- Não seja tolo, você finalmente obteve notícias do meu filhote e ao invés de ficar aliviado prefere chafurdar em rancor para com um pobre rapaz apaixonado.

- Eu estou aliviado – suspirou, deixando-se cair em sua poltrona atrás da mesa, um semblante cansado adornando o rosto geralmente impassível – E preocupado e com desejos homicidas em relação ao pirralho Nott, e se Dumbledore aparecesse na minha frente agora, eu arrancaria sua pele e seus olhos com minhas próprias mãos!

- Neste ponto, eu concordo plenamente.

- E como se não bastasse, agora Harry está com o maldito Black! – acrescentou com ódio, sob o olhar temeroso dos três Comensais da Morte que se mantinham sabiamente em silêncio, sem entender a discussão na língua das cobras que parecia deixar seu amo cada vez mais furioso – Ele confia no Black! Ele agora confia no Black e não confia mais em mim!

Se as serpentes pudessem sorrir, Nagini estaria fazendo isso diante da confissão óbvia:

- Fique tranqüilo, Tom, por mais que ele seja seu padrinho, Black nunca roubará o lugar no coração do meu filhote que pertence a você. Harry te ama, ainda que ele esteja chateado neste momento, mas você continua sendo o homem que o criou com todo o amor que as limitações de um Lord das Trevas podem oferecer. Você é seu pai e Harry o ama por causa disso.

O Lord em questão franziu ligeiramente o cenho, mas não respondeu nada à serpente. Interiormente, ele se dividia entre pensamentos homicidas para com o herdeiro da fortuna Nott e o maldito diretor de Hogwarts, cada qual mais sangrento, lento e doloroso. Mas sua mente também se perdia em sentimentos como saudade e preocupação. Era como se a cada dia, na ausência de Harry, sua vida fosse perdendo a cor e mergulhando num infinito mar de sombras, uma vez que apenas o doce sorriso infantil e aquelas brilhantes esmeraldas conseguiam levar luz e alento ao seu coração endurecido.

- Lucius.

- Sim, Mi Lord?

- Convoque Theodore Nott imediatamente. Ele me deve algumas explicações a respeito do comportamento de seu filho... – comentou friamente. E o três Comensais, naquele momento, quase sentiram pena do patriarca da família Nott – E você, Severus, pode voltar para Hogwarts agora. Mas fique atento, se você perder outra oportunidade de recuperar o meu filho, eu vou servi-lo de jantar para Nagini.

Ligeiramente pálido, mas sem se atrever a contestar as palavras do Lord, o professor de poções se afastou em direção à chaminé conectada à Rede-de-Flu, lançando um olhar de esgueira para a enorme serpente que circulava os ombros de Voldemort.

Atrás de sua mesa, por sua vez, enquanto discutia com Rodolphus os planos para a tomada do Ministério da Magia, Tom se lembrava do refrescante som dos risos de Harry e assim, prometia a si mesmo que ao obter o controle do Mundo Mágico, seu filho poderia voltar para o seu lado sem se preocupar mais em ser utilizado na guerra. Porque, ao contrário do que Dumbledore e, infelizmente, o próprio Harry agora pensavam, ele não se importava mais com a profecia. Ele não queria usar seu filho nesta guerra, mas apenas tê-lo ao seu lado para usufruir da vitória, seu único desejo, pois, era ter Harry de volta e assim, poder mergulhar outra vez naquele lindo sorriso que o menino sempre reservava para ele.

Sim, este era o seu principal objetivo, acima da conquista do Mundo Mágico:

Contemplar o sorriso de Harry outra vez.

-x-

Dias mais tarde, numa bela mansão em Provença, mais precisamente no escritório principal desta mansão, Draco Malfoy se encontrava sentado atrás de sua mesa com o olhar acinzentado fixo na edição do Profeta Diário da semana passada. Estampada na capa estava uma foto de seu noivo – usando um vestido, cabe destacar –, ao lado de um estranho homem, fugindo de inúmeros guardas e funcionários do Ministério, isto é, Comensais da Morte infiltrados, ao que Draco pôde observar.

"O salvador leva caos ao Ministério"

Era o título da manchete de capa, que se ocupava em especular o que Harry Potter, o eleito, estaria fazendo disfarçado no Ministério da Magia, mas sem chegar à conclusão alguma, apenas ponderando hipóteses radículas como uma possível aliança com o ministro, ou um trabalho de investigação para o bando da luz.

- De novo olhando este artigo? – Pansy sorriu, colocando-se a observar o jornal por cima de seu ombro – Eu ainda acho que o Harryzito deveria ter escolhido um vestido verde esmeralda para combinar com seus lindos olhos e talvez uma echarpe cinza ou creme para dar um contraste com...

- Pansy!

- O que foi? – murmurou com um biquinho – Credo, eu só estava comentando.

- Eu estou mais preocupado em descobrir quem é este homem ao lado dele.

- Poção Polissuco, com certeza.

- Sim, mas quem está por detrás da poção?

Foi neste momento, então, que Blaise escolheu para adentrar no aposento com um envelope lacrado em suas mãos. Envelope no qual se destacava o elegante selo com o brasão da família Malfoy.

- Dragão, parece que você recebeu uma carta do seu pai.

- Queime-a.

- Não seja ridículo – Pansy protestou – Pode haver alguma informação sobre o Harryzito!

Ponderando a respeito, Draco assentiu, aceitando o envelope a contra gosto e puxando a carta de seu interior, a qual se colocou a ler em voz alta:

Draco,
Eu imagino que você ainda não tenha perdoado a mim e sua mãe e posso entender o seu sentimento em relação ao que escondemos de você, mas acredite, fizemos isto para o seu próprio bem. Todavia, o intuito desta carta não é desculpar minhas ações, mas contar a você o que o Lord das Trevas descobriu a respeito de Harry, pois imagino que você ainda o esteja buscando por conta própria. Esta manhã, pois, Severus nos informou que Harry e o senhor Nott haviam sido seqüestrados por Dumbledore e que estavam sendo mantidos na Mansão Black. Por sorte, porém, os dois conseguiram escapar com a ajuda de Sirius Black para um lugar, infelizmente, desconhecido para nós. O Lord ficou furioso ao descobrir que o senhor Nott estava com Harry este tempo todo e se eu bem conheço você, meu filho, você com certeza está igualmente furioso agora, mas não deixe essa fúria ofuscar o alcance de seu objetivo, que é conseguir o seu noivo de volta. Harry ama você e eu tenho certeza de que, chegada à hora, ele irá ver a sua inocência e então, perdoá-lo. Como eu espero que você perdoe a mim e sua mãe por nosso erro em esconder a verdade.
Atenciosamente.
Seu pai,
Lucius A. Malfoy.

Terminada a leitura da carta, Pansy e Blaise lançaram um cauteloso olhar para o herdeiro da fortuna Malfoy, que havia amassado o pergaminho em suas mãos, os olhos acinzentados brilhando com fúria nunca antes vista.

- Eu vou matá-lo – afirmou friamente.

- Draco... – Pansy murmurou.

- Eu vou conseguir Harry de volta, e quando eu colocar os meus olhos no maldito bastardo do Nott, eu vou matá-lo.

Compartilhando um olhar receoso, Pansy e Blaise não se atreveram a contestar.

Os dois sabiam que Draco não estava blefando.

-x-

Ao longo da semana, Theodore percebeu que Harry estava estranhamente silencioso e pensativo, passando longas horas do dia na biblioteca e em seus aposentos privados, na maioria das vezes, sozinho. Sirius e Remus, enquanto isso, haviam se adaptado facilmente à vida na Mansão Burke e naquele exato momento, o herdeiro da fortuna Black estava nos estábulos escolhendo um cavalo para dar uma volta ao redor da mansão, remetendo-se, assim, aos raros momentos felizes de sua infância, quando seu pai o levava para cavalgar. Remus, por sua vez, ocupava-se de mergulhar em cada obra interessantíssima que havia na biblioteca, obras estas que não existiam nem na sessão restrita de Hogwarts.

- Harry? – perguntou suavemente, ao adentrar no quarto do amigo após duas pequenas batidas na porta.

- Olá, Theo.

- Como você está?

- Bem – respondeu depressa. Depressa demais, na verdade, e o herdeiro da fortuna Nott pôde ver facilmente seu sutil movimento para limpar algumas lágrimas que ainda maculavam seus olhos – Você precisa de alguma coisa?

- Sim, eu preciso que você diga a verdade.

- O que?

Sentando-se ao lado de Harry na confortável cama de casal rodeada por cortinas de seda verde e prata, Theodore alcançou a pequena mão de seu amigo e aperto-a com delicadeza, fixando o olhar naquelas belas esmeraldas que há anos haviam capturado seu coração:

- Diga-me a verdade, Harry, eu sei que você não está bem – pediu com suavidade – Eu sei que você sente falta do Lord e que, no Largo Grimmauld, você imaginou que seria ele a vir salvá-lo como nas outras vezes.

- Eu... – Harry começou com a voz embargada, mas, segundos depois, balançou a cabeça e esboçou um pequeno sorriso – Eu estive pensando.

- Sim, eu percebi, nos últimos dias você quase não falou com ninguém.

- Eu estive pensando numa forma de conseguir a minha liberdade.

- Liberdade?

- Exato. Uma maneira de deixar a Inglaterra e desaparecer para esta ilha no Caribe que nós estivemos pensando sem que o velhote maluco venha atrás de mim com o intuito de tentar me matar outra vez.

Theo suspirou, sabendo que seu amigo estava mudando de assunto e evitando habilmente dirigir seus pensamentos ao Lord das Trevas.

- E o que você pensou? – perguntou finalmente.

- Simples, para que ele possa me deixar em paz, eu irei matá-lo.

- Oh... – murmurou surpreso – Não será algo fácil, eu temo.

- De fato, mas eu tenho certeza de que poderei contar com a Armada Riddle e agora, Sirius e Remus também estão ao meu lado.

- E você sempre poderá contar comigo.

- Mesmo em planos suicidas de se infiltrar em Hogwarts para matar o diretor? – o menor perguntou com um sorriso.

- Principalmente nestes planos.

- Obrigado, Theo – murmurou, colocando um casto beijo em seus lábios e se dirigindo à saída – Agora eu preciso falar com Remus e Sirius.

Sozinho, no belo aposento de hóspedes, Theodore pousava suavemente o dedo indicador em seus lábios e sorria. Não obstante, uma desagradável sensação de angústia oprimia seu coração e ele não sabia ao certo se era pelo ousado plano de Harry, que poderia falhar no menor deslize, ou pelo gradativo desaparecimento do brilho daquelas belas esmeraldas, que a cada dia se mostravam mais tristes.

Continua...

Próximo Capítulo: Harry, naquele dia, colocava o Profeta Diário com a notícia da morte do ministro de lado e observava a carta que havia recebido.

Estava tudo pronto para seguir para Hogwarts.

-x-

N/A: Olá, meus amados e pacientes leitores – sorriso radiante – Como vocês estão neste oportuno feriado? Espero que muito bem! Em primeiro lugar, gostaria de justificar o atraso na atualização do capítulo com a cruel semana de provas que se seguiu na faculdade. Sim, muito cruel, eu ainda tenho pesadelos com a prova de Economia Brasileira para provar isso, mas agora, ao invés de estar estudando Direito Civil, cá estou eu postando mais um capítulo para vocês que eu espero que seja do seu agrado.

Como vocês sabem, esta história está na sua reta final, apenas mais quatro capítulos irão se seguir. Dessa forma, eu gostaria de deixar o meu imenso agradecimento àqueles que sempre deixaram suas Reviews, o que me deu grande motivação e fez a história chegar aonde chegou.

Um enorme beijo, então, para:

Paulo Ruembz... vrriacho... Nailly... DreYuki-Chan... Cris-Gallas-Benedetti... Pandora Beaumont... Sandra Longbottom... Kamilla Riddle... Rafaella Potter Malfoy... sonialeme... Ines G. Black... Nicky Evans... bvcsalvatore... e AB Feta!

Até a próxima atualização, isto é:
O novo capítulo de Destinos Entrelaçados!
O qual mostrará a dramática separação dos irmãos Tom e Harry com a ida de Tom para Hogwarts...
Espero que apreciem!