Nota: (1) – Harry Potter e seus personagens não me pertencem. E sim a J.K. Rowling.
(2) – Essa é uma história Slash, ou seja, relacionamento Homem x Homem. Se não gosta ou se sente ofendido é muito simples: Não leia.

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A luz verde esmeralda levou um brilho assustador aos olhos de Harry, que observou, em choque, o corpo de seu pai ser lançado para trás e cair com um baque mudo no chão. Os poucos segundos daquela cena pareceram se desenrolar em câmera lenta, como num filme muggle antigo, que busca dar enfoque à expressão de desespero de cada personagem. Desespero silencioso este que, naquele momento, desenhava-se no olhar de cada Comensal da Morte presente. Desespero, porém, que não se comparava ao turbilhão de sentimentos refletidos nos olhos de Harry.

Dor.

Incredulidade.

E o principal: negação.

Naquele momento, seus pensamentos se resumiam a uma única palavra:

"Não".

Aquilo não podia ser verdade.

"Não".

Seu pai não poderia estar morto.

"Não".

Pelo amor de Merlin, aquele era o bruxo mais poderoso do mundo.

"Não".

Ele não poderia acabar assim.

"Não".

Mas...

Ele não estava se mexendo.

Ele não estava respirando.

Ele não estava mais em sua mente...

De repente, um sufocante silêncio havia tomado conta do Salão Principal e todos os olhares estavam voltados para a cena, alguns cheios de esperança e alegria incontida e outros repletos de terror e perplexidade. Mas nenhum olhar se comparava ao de Alvo Dumbledore. Este destilava numa única palavra: vitória. E em seu rosto enrugado um sorriso cheio de dentes se desenhava, ignorando por completo a dor do menino em seus braços, que agora escorregava lentamente para chão, fraco, derrotado.

- Pai... – um sussurro angustiado finalmente abandonou seus lábios – Pai, por favor, levante-se... Por favor... Por favor...

- Ele não vai levantar Harry, além disso, ele não pode mais ouvir você. Sabe por quê? – Dumbledore sorriu com maldade – Por que ele está morto.

- Não...

- Sim, meu menino, o seu querido papai foi derrotado.

- Não...

- A guerra acabou.

- Não...

- Ele está morto.

- NÃO!

Naquele momento, os olhos esmeraldas se viram manchados de vermelho, um vermelho obscuro e frio, que destilava dor e poder, ambos em sua forma mais pura. E sob o olhar assustado de todos no salão, as paredes de pedra começaram a tremer, ao mesmo tempo em que uma desconhecida rajada de vento envolvia o corpo do pequeno Lord. Devagar, Harry se levantou, olhando para baixo, com sua túnica e os cabelos negros se agitando violentamente sob a ventania que o rodeava. Cada pessoa dentro do salão podia sentir o seu poder.

Perigoso.

Sufocante.

Descontrolado.

- Esse pirralho problemático – Dumbledore murmurou irritado. E sem a mínima hesitação apontou a varinha para Harry, pronto para acabar com a existência do menino de uma vez por todas.

Mas quando Harry estendeu a mão a varinha de sabugueiro abandonou os enrugados dedos do ancião e o pequeno Lord, sem se preocupar sequer em poupar um olhar ao poderoso objeto, guardou-o no bolso de sua túnica. E várias exclamações de choque puderam ser ouvidas. Dumbledore, por sua vez, deu um passo para trás, hesitante, mas não conseguiu chegar muito longe, pois Harry havia levantado o olhar e no momento em que seus olhos vermelhos como sangue, olhos de um assassino, fixaram-se no velho mago este percebeu que não havia para onde fugir.

Ele havia perdido.

E com este último pensamento, Alvo Dumbledore observou o pequeno Lord estender a mão novamente e logo seu corpo foi suspenso há quinze metros do piso e quando Harry apertou a mão em punho, Dumbledore sequer teve tempo de gritar em agonia, e sob o olhar de todos no salão, cada camada do seu corpo foi arrancada por aquela violenta onda de magia.

O sangue do ex-diretor jorrou para todos os lugares.

E logo se viu acompanhado dos histéricos gritos daqueles que ainda depositavam sua fé no suposto bando da luz e que agora corriam desesperados, aparatavam sem olhar para trás, fugindo para proteger suas míseras vidas.

- Harry... – Pansy murmurou preocupada, olhando para o menino banhado do sangue do homem que havia assassinado seu pai, que agora se arrastava para o corpo do Lord das Trevas e o embalava cuidadosamente em seus braços.

O castelo desmoronaria a qualquer momento.

Mas nenhum Comensal da Morte ou membro da Armada Riddle havia se movido de seu lugar, contemplando a cena com um semblante entristecido e alguns até mesmo com as lágrimas se formando em seus olhos.

- Harry, nós precisamos sair daqui – Theodore podia sentir o coração apertar a cada lágrima que deixava os olhos de Harry, que já não eram vermelhos, mas um verde desolado e sem brilho.

O pequeno Lord, porém, continuava a abraçar firmemente o corpo frio de seu pai.

- Harry... – Pansy tentou novamente, mas pela primeira vez a esperta menina não sabia ao certo o que dizer.

Mesmo Sirius e Remus assistiam a cena com tristeza, mantendo-se em silêncio, notando a dor que envolvia o menino.

- Harry, nós precisamos... – as palavras de Lucius, porém, foram interrompidas por Harry, que havia levantado seu decido olhar esmeralda:

- Venham comigo para a mansão Riddle.

A ordem foi dirigida ao círculo interno de Comensais da Morte e aos seus amigos, que naquele momento faziam um semicírculo a sua volta, oferecendo o seu silencioso apoio e protegendo o herdeiro do Lord de qualquer perigo. Em seguida, após lançar em si mesmo um feitiço Sonorus, Harry se dirigiu aos demais:

- Para todos aqueles que portam orgulhosamente a marca negra em seus braços eu tenho apenas uma ordem, encontrem os sobreviventes desta batalha e acabem com suas vidas! Acabem com qualquer resistência ao governo do Lord das Trevas!

- Sim, meu senhor! – responderam em coro.

Em seguida, um estalo foi ouvido: Harry havia desaparecido com o corpo de seu pai em seus braços. E no instante seguinte, os demais o seguiram, no exato momento em que a Escola de Magia e Bruxaria de Hogwarts sucumbia.

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Harry aparatou diretamente para os aposentos pessoais de Lord, deixando-o cuidadosamente em cima da cama no exato momento em que duas preocupadas serpentes adentravam no quarto:

- Eu sabia que havia sentido a presença do meu filhote! – exclamou Nagini – Harry, o que aconteceu? Por que eu não estou mais sentindo o vínculo de familiar com o seu pai...?

- Ele está morto.

- O QUE?

- Céus, jovem amo... – murmurou uma assustada Morgana, enroscando-se na cabeceira da cama assim como a serpente maior.

- Mas não ficará assim por muito tempo.

- O que você quer dizer?

- Eu irei trazê-lo de volta – afirmou decidido, apertando os punhos furiosamente, sentindo o crepitar de sua magia.

- Isso é impossível, Harry, mesmo para alguém como você.

- Eu sei das Horcruxes.

Surpresa, a imponente cobra apenas conseguiu murmurar:

- Como...?

- Eu li sobre elas num dos livros de Regulus Black e percebi que este seria o tipo de magia negra praticada pelo meu pai – explicou, lançando um breve olhar ao semblante impassível e gelado do homem deitado na cama, que parecia apenas dormir tranquilamente – Então, eu me lembrei do diário que continha sua memória e percebi que nossa conexão só poderia ter sido estabelecida com um vínculo de almas e você mesma, Nagini, deve possuir um pedaço de sua alma para fazer deste laço entre bruxo e familiar algo tão especial.

-...

- Onde estão as outras?

- Harry...

- Eu sei que devem ser no mínimo sete, o número mágico perfeito, agora me diga onde elas estão escondidas, Nagini.

- Seu pai me fez jurar que nunca falaria nada para você. É magia negra, mais obscura do que nenhuma outra que você já viu, perigoso demais para um adolescente...

- ELE ESTÁ MORTO!

- Harry, por favor...

- EU NÃO POSSO DEIXÁ-LO ASSIM! EU NÃO POSSO VIVER SEM ELE! Eu... Eu não posso...

Quando as lágrimas começaram a deslizar furiosamente pelo rosto ainda manchado de sangue, Nagini percebeu que não poderia cumprir a promessa que havia feito a Tom de nunca permitir que Harry se envolvesse com magia negra tão poderosa quanto a das Hocruxes. Ela não poderia ficar sem o seu amo. Mas acima de tudo, ela não poderia permitir que Harry ficasse sem o seu pai:

- De fato, eu e você possuímos um pedaço da alma do seu pai; o Diadema de Ravenclaw está em Hogwarts; a Taça de Hufflepuff no cofre dos Lestrange; o medalhão de Salazar Slytherin está escondido no castelo de Slytherin ao norte da Irlanda; o diário foi destruído pelo garoto Malfoy e o anel de Mérope Gaunt... Bem, o anel está na última gaveta do closet.

- Mas...

- Seu pai pretendia dá-lo para você.

Contendo as lágrimas, Harry respirou fundo e seguiu para o armário de seu pai quando, de repente, uma preocupada voz do outro lado da porta o deteve:

- Harry, você está aí dentro? Por Merlin, o que está acontecendo? – perguntava Lucius Malfoy – Abra a porta, Harry, deixe-nos entrar.

- Por favor, Harry, nós sabemos o que você está sentindo – dizia seu amigo Theodore – Mas você não pode se trancar com o copo do Lord aí dentro.

- Harry, por favor, saia – pediu uma voz que o pequeno Lord ansiava ouvir a tempos: a voz de Draco Malfoy – Por favor, meu amor, nós estamos aqui para você.

Mas nenhum deles entenderia o que Harry estava prestes a fazer.

E Harry não deixaria nenhum deles tentar impedi-lo.

- Eu vou trazê-lo de volta – informou simplesmente.

E inúmeros sons de exclamação foram ouvidos:

- Harry, isso é impossível.

- Meu amor, você é um mago poderoso, mas nenhum mago pode trazer outro a vida.

- Malfoy tem razão, Harry, você irá apenas se machucar com as tentativas.

Ignorando-os por completo, o pequeno Lord lançou um feitiço silenciador no aposento, envolvendo-o num poderoso escudo. Do lado de fora, os Comensais presentes – Lucius, Bellatrix, Severus, Rodolphus e Narcisa – e os melhores amigos de Harry – Blaise, Pansy, Draco e Theodore – observavam a elegante porta de carvalho real com um olhar de puro medo e angústia. Sirius e Remus, logo atrás, trocavam olhares receosos e rezavam em silêncio para que seu afilhado ficasse bem, mesmo que isto significasse a ressurreição do Lord das Trevas.

Ao ingressar no enorme closet do Lord, Harry fechou os olhos e se concentrou, buscando a essência de seu pai, a magia compatível com a sua conexão. O mesmo que havia sentido, sem sequer se dar conta, ao encontrar o diário há cinco anos. E ao encarar a gaveta indicada por Nagini percebeu imediatamente que a Horcrux estava ali.

- Espere apenas mais um pouco, papai – murmurou. E com um suave balançar de sua mão direita, a gaveta fora destrancada e Harry cuidadosamente apanhou a caixinha de veludo negro que se destacava no centro, envolvida cuidadosamente por uma conhecida capa prateada: sua capa de invisibilidade.

Harry apanhou a capa e colocou-a sobre os ombros, deixando um pequeno sorriso adornar os seus lábios ao relembrar dos gloriosos momentos que havia vivido com aquele raro objeto mágico. Em seguida, o pequeno Lord abriu a caixinha de veludo e contendo a respiração, observou o bonito anel que fora passado de geração em geração em sua família.

Lentamente, sob o olhar ansioso de duas serpentes, Harry regressou ao leito de seu pai e se ajoelhou ao lado do corpo sem vida.

- Você se lembra do feitiço?

- Cada palavra – murmurou, lembrando-se claramente das linhas que havia lido no obscuro livro de Regulus Black, as quais expunham o perigoso ritual para ressuscitar um mago através de sua Horcrux criada em vida.

Harry estava pronto para dar toda a sua magia em troca da vida de seu pai.

Pois este era o preço a ser pago para realizar o feitiço.

- Você vai voltar para mim, papai, e quando isso acontecer, eu vou lançar uma dúzia de Cruciatus em você pelas mentiras que contou para mim e te abraçarei com todas as minhas forças para nunca mais deixá-lo ir – prometeu com um pequeno sorriso e após respirar fundo, concentrando-se no núcleo de sua magia, Harry começou a murmurar as palavras em latim.

Nagini e Morgana se afastaram, permanecendo a observar o ritual de um dos cantos mais remotos do aposento, o qual logo se viu inundado por uma poderosa e sufocante onda de magia.

Passaram-se horas...

Incontáveis horas...

E Harry continuava murmurando o encantamento com o mesmo afinco, sentindo sua magia desaparecer pouco a pouco, assim como suas energias. No entanto, a cada palavra sua entonação era mais firme e decidida.

- "Eu vou conseguir" – pensava, recitando as palavras na ordem perfeita que recordava – "Eu sei que vou conseguir papai".

Do lado de fora, alheios ao que se passava no aposento, os Comensais e amigos de Harry não poderiam estar mais preocupados. Severus havia administrado uma poção calmante em Bellatrix – que até então gritava desesperada, pois não poderia perder o seu amado Lord, nem muito menos o seu adorado e pequeno príncipe aprendiz – e agora, sob o olhar atento de seu marido e da irmã, Narcisa, que também havia tomado uma poção para os nervos, Bella descansa num dos quartos de hóspedes. Lucius e Severus, por sua vez, permaneciam à porta dos aposentos do Lord, por vezes trocando alguns olhares venenosos com Remus e Sirius, mas sem se atrever a dizer qualquer palavra, assim como o lobisomem e o animago.

Pansy chorava silenciosamente no ombro de Blaise rezando para que Merlin protegesse seu melhor amigo. E Draco e Theodore haviam chegado a um acordo tácito e agora, observavam em completo silêncio a maldita porta de madeira que os separava de Harry. Lucius havia tentado os mais diversos feitiços para colocar a porta abaixo, mas nada havia resultado, devido ao poderoso escudo de Harry. Portanto, agora só lhes restava esperar e torcer para que o pequeno Lord conseguisse cumprir seu propósito sem sacrificar nada valioso demais para isso.

Harry, porém, estava disposto a sacrificar o que fosse preciso.

Sua vida.

Sua magia.

Sua própria alma...

Não importava. Contanto que pudesse trazer seu pai de volta.

O belo anel dourado cuja pedra triangular negra destacava-se ao centro exibindo o símbolo da família Gaunt agora flutuava sobre as mãos estendidas de Harry, acima do peito imóvel de Tom, enquanto o pequeno Lord murmurava incansavelmente o feitiço.

Pouco a pouco, Harry sentia sua própria magia abandoná-lo. A cada verso entoado na língua arcaica sua energia vital era drenada e seus sentidos iam ficando cada vez mais fracos, obstruídos. Ele sabia que morreria. E se isto não acontecesse, sem dúvida alguma acabaria reduzido a um Squib, com seu núcleo mágico destruído. Mas nenhuma dessas conseqüências lhe importavam diante da possibilidade de trazer seu pai de volta à vida.

O que Harry não sabia, contudo, era que naquele momento ele portava três objetos que mudariam o seu destino.

Três objetos que a olho nu pareciam ser:

Um anel.

Uma capa.

E uma varinha.

Foi então que, aos versos finais do feitiço, o pequeno Lord sentiu um calor estranho em seu bolso, que logo se combinou ao calor da capa de invisibilidade que ainda pendia de seus ombros e do anel que flutuava a alguns centímetros de suas mãos, cuja pedra negra emitia um curioso brilho prateado. O que estava acontecendo ali? Era o que Harry se perguntava uma a outra vez em pensamentos, sem deixar de murmurar o feitiço, mas quando uma inexplicável escuridão tomou conta do aposento, o pequeno Lord sentiu sua voz simplesmente sumir.

Onde estava seu pai?

Onde estavam Morgana e Nagini?

Onde estava o seu próprio corpo e a sua magia?

Não havia mais nada ali senão o breu, a escuridão plena, quebrada apenas pelo brilho prateado da pedra triangular negra que ainda flutuava a sua frente.

Seria este o fim?

Não havia conseguido?

- Eu... Eu estou morto?... – perguntou a si mesmo.

Entretanto, uma voz obscura, metálica, quase sobrenatural lhe respondeu:

- Não. Você não está morto, jovem amo – a última palavra proferida com evidente cinismo.

- Quem está aí? Quem é você? Um aliado? Apareça!

- Eu não tenho forma. Não sou nem aliado nem inimigo. Nem boa nem má... Eu apenas sou.

- Quem...?

- Eu sou a morte.

Harry piscou. Seus olhos ainda estavam fixados na pedra que emitia um fraco brilho e lentamente ele tentava assimilar o que havia ouvido. Seria aquele o resultado do feitiço? Ele deveria negociar com a própria morte? Era uma idéia absurda. Mas ele faria o que fosse preciso.

- A morte você diz? – murmurou, buscando no fundo de seu coração sua coragem Gryffindor – E eu fui capaz de convocá-la por causa deste feitiço?

- Ninguém pode convocar a morte, jovem amo, não quando ainda não for sua hora...

- Então chegou a minha hora?

- Não.

- Mas como? E por que você está me chamando de jovem amo? – perguntou curioso e neste momento acreditou ouvir um riso obscuro, que levou um arrepio de medo a sua espinha.

- Porque você é o possuidor das relíquias.

"Relíquias?"

- As relíquias da morte: a capa de invisibilidade, a pedra da ressurreição e a varinha das varinhas – explicou com desdém – Itens que, usados em conjunto, tornam seu possuidor o senhor da morte.

- Isso... Isso é apenas um conto de fadas... – murmurou, lembrando-se do Conto dos Três Irmãos que seu pai sempre lia para ele antes de dormir.

- É o que muitos pensam da própria magia.

- Então você pode ressuscitar o meu pai?

- Posso.

- Isso é perfeito! Eu quero...

- Mas não vou.

Em choque, Harry perguntou:

- Por que não?

- Porque nem mesmo sob suas ordens eu posso alterar a natureza do mundo.

Ao ouvir estas palavras, Harry estreitou os olhos e apertou fortemente seus punhos, sentindo o sangue escorrer da palma das mãos, mas seu conseguir distinguir qualquer coisa em meio àquela escuridão.

- E se eu continuar o encantamento para ressuscitá-lo com a alma presa na Horcrux...?

- Você irá morrer e mesmo que seu precioso pai volte à vida, apenas sua essência como um poderoso bruxo das trevas retornará, mas não suas memórias desta vida.

Usando toda astucia herdada de Salazar, Harry se colocou a pensar:

- Enquanto eu possuir estes objetos, eu sou o seu amo, correto?

- Sim.

- Então a poderosa e inatingível morte não é livre?

-... Sim.

- Quando eu morrer eu me tornarei uma espécie de deus da morte? Seu chefe?

Evidentemente irritada, a voz cortante respondeu:

- Se você deseja colocar nestes termos simplórios, sim.

- Lamentável – suspirou com malícia.

Escondendo facilmente seu nervosismo, Harry continuou em seguida:

- E você gostaria de ser livre?

- Cuidado, jovem amo, não se pode enganar a morte...

- Eu não quero enganar a morte – replicou com astúcia – Eu quero negociar com ela.

-...

- O que me diz?

-...

Após alguns segundos, Harry finalmente ouviu a fria pergunta:

- Qual a sua oferta?

- Eu lhe devolverei as relíquias.

- Em troca?

- Em troca eu quero que você traga o meu pai de volta a vida, exatamente como ele era antes do maldito Dumbledore lhe atingir.

-...

- É a sua liberdade em troca de uma simples vida.

-...

- Talvez você ache que tem a eternidade para se decidir, mas eu não tenho, ainda há um Mundo Mágico inteiro que pretendo governar ao lado do meu pai. Então, por favor, decida-se.

- Hum...

- Bem, vamos fazer isso ao estilo muggle.

-... O que?

- Dou-lhe uma.

- Pirralho arrogante.

- Eu ainda sou o seu amo. Mas isso pode mudar, só depende de você.

-...

- Dou-lhe duas.

-...

- Dou-lhe três...

- Aceito.

Harry suspirou internamente de alívio. Em seguida, o pequeno Lord retirou a varinha que outrora pertencera a Alvo Dumbledore de seu bolso, que logo passou a flutuar ao lado do anel. E após retirar a capa de seus ombros, sentindo pela última vez o tecido leitoso sobre os dedos, colocou-a junto com as outras relíquias. Segundos depois, antes de cair na inconsciência, Harry ouviu a voz metálica da morte comentar com um leve ar divertido:

- Um humano interessante. Harry Potter... Interessante, sem dúvida...

- Riddle. Meu nome é Riddle... – foi a última coisa que Harry se ouviu dizer. E logo em seguida, tudo ficou negro.

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Horas depois, Harry acordou, mas parecia que havia dormido por dias. Curiosamente, o pequeno Lord se viu deitado sobre a enorme cama de seu pai, envolto por lençóis de seda negros enquanto sua cabeça repousava sobre uma dezena de macios travesseiros. Arregalando os olhos, de repente, o menino se sentou assustado:

Onde estava seu pai?

- Hey, vai devagar, pequeno – ouviu uma voz divertida – Senão vai ficar desacordado por mais uma hora ou duas.

- Papai...? – murmurou e logo em seguida, seu olhar enfocou o semblante tranqüilo do Lord das Trevas, que acabava se sentar ao seu lado na cama macia:

- Como você está se sentindo?

- Bem, mas você está vivo? Isso não é um sonho? Eu... Eu realmente consegui?

Com um pequeno sorrio, Tom bagunçou os cabelos do menino:

- Eu não sei o que você fez, pequeno, mas de fato você conseguiu.

Harry, por sua vez, apenas encarava aqueles conhecidos olhos vermelhos com incredulidade e ternura.

- Sobre o que aconteceu antes... Eu... Eu gostaria de pedir desculpas, pequeno. Eu nunca deveria ter escond...

- Sim, onde você estava com a cabeça? Deixar o velhote lhe acertar daquele jeito!

- O que...?

- Seu grande idiota! – gritou o menino, as lágrimas inundando rapidamente suas belas esmeraldas – Nunca mais ouse me deixar sozinho! Entendeu? Nunca mais!

Surpreendendo o maior, Harry se jogou em seus braços, enterrando o rosto no peito bem tonificado coberto pela elegante túnica de seda negra. E nesse momento, as lágrimas não pararam mais.

- Me perdoe Harry, por tudo.

- É claro que...

- Não, ouça – pediu o Lord, abraçando firmemente seu filho – Me perdoe por matar seus verdadeiros pais por razões egoístas, por enganá-lo esses anos todos, por nunca ter sido um pai perfeito, mas alguém arrogante e egoísta que sempre esteve preocupado com a dominação do mundo. Por favor, pequeno, perdoe-me por cada lágrima que eu já fiz você chorar, por cada angústia que eu o fiz passar, por cada sentimento de dor e aflição que você se viu mergulhado principalmente nesses últimos meses. Eu admito que pensei em criar você apenas para usá-lo como uma arma na guerra, mas então, um par de pequenas esmeraldas me fez ver que eu ainda possuía um coração... Eu amei você a cada segundo, Harry. Eu dei minha vida para você uma vez e faria exatamente a mesma coisa se fosse preciso. Eu amo você, pequeno. E você pode escolher não me perdoar, mas eu sempre irei amá-lo. Sempre.

Soluçando, o pequeno Lord agarrava com força as vestes de seu pai, como uma criança assustada. E após alguns segundos, murmurou, colocando todo o seu coração em suas palavras:

- Eu amo você, papai. E eu o perdôo. É claro que perdôo. Eu nunca pude conhecer James Potter, mas tenho certeza de que ele não teria sido a metade do pai que você foi para mim, não por falta de vontade talvez, mas porque você foi exatamente o pai que eu precisava ter. Em cada falha e acerto, você me fez ser quem eu sou hoje e eu só tenho a agradecer por isso. E se você der a sua vida por mim novamente, eu irei até o inferno para trazê-lo de volta outra vez.

- Eu provavelmente estarei lá – brincou, ganhando uma pequena risada do menino.

Os dois passaram os seguintes dez minutos na mesma posição, apenas saboreando a sensação de estar um nos braços do outro novamente. E quando Tom se separou, advertindo suavemente que Harry precisava descansar para mais tarde enfrentar seus amigos, que estavam muito preocupados, o pequeno Lord apenas sorriu e se viu cair lentamente no mundo de Morpheus.

- Eu te amo, papai – Harry murmurou, fechando os olhos, sem soltar da mão cálida que sempre o protegeria.

- E eu amo você, pequeno.

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Quando Harry acordou pela segunda vez naquele mesmo dia, Nagini lhe avisou que seu pai estava numa reunião com seus Comensais da Morte e com seus padrinhos, que surpreendentemente não haviam tentado matar o Lord, mas ouvir sua versão da história. Isto é claro, depois de lhe dar uma bronca fenomenal por deixá-la morta de preocupação ao cair na inconsciência durante a execução do feitiço. Harry, por sua vez, apenas sorriu e decidiu ir para o seu próprio quarto tomar um banho e trocar de roupa para poder enfrentar seus amigos.

Para enfrentar Draco.

Contundo, ao ingressar no aposento que há meses não via, quatro pessoas viraram as cabeças para encará-lo. E no instante seguinte, ouviu-se um extasiado grito:

- Harry! Oh, Merlin, eu não acredito que você está bem!

- Sim, eu estou bem, não se preocupe Pansy.

- Seu irresponsável! Quase nos matou do coração ao se trancar naquele quarto!

- Me desculpe.

- E todos esses meses de sumiço!

- Er... Eu estou aqui agora, Pan – sorriu com nervosismo – Você já pode me soltar, está bem?

Com um último "humph", a menina o soltou e Harry logo se viu abraçado por Blaise, que lhe desejou as boas-vindas e aproveitou para retirar a namorada do aposento, sabendo que Harry precisaria lidar com alguns assuntos importantes ali. No quarto, então, restaram Harry, Draco e Theodore. E o pequeno Lord sentiu um estranho aperto no peito ao ver-se no meio dos dois.

- Harry... – Draco começou, suplicante, mas o pequeno Lord apenas desviou o olhar.

- Se você o ama como infelizmente eu sei que o faz – interrompeu Theodore – você deveria escutá-lo, Harry.

Os olhos acinzentados se arregalaram de imediato, surpreso ao ouvir as palavras de seu rival. Mas reconheceu em seguida o ato honroso do herdeiro da fortuna Nott, que acabava de sair do aposento, deixando os dois sozinhos e deixando também o próprio coração para trás, unicamente pela felicidade de Harry.

- Eu juro que não sabia de nada, Harry.

-...

- Por favor, olhe para mim – implorou o loiro, conseguindo finalmente que as belas esmeraldas se fixassem em seus olhos – Há meses eu não falo com meu pai e minha mãe porque os dois sabiam da verdade por detrás do assassinato dos Potter, mas eu juro que não sabia de nada disso. Eu acreditei na mesma história que você, meu amor, esses anos todos, e se por algum motivo eu viesse saber da verdade eu não hesitaria nem por um segundo em contá-la para você.

Suspirando, Harry se sentou na cama, olhando para os belos olhos acinzentados que exibiam apenas sinceridade.

Draco parecia ainda mais lindo desde a última vez que o havia visto. Alguns centímetros mais alto – Harry provavelmente batia em seu ombro agora – o corpo escultural oculto pela elegante calça de seda negra, em conjunto com uma camisa da mesma cor, sobre a qual se destacava a bela túnica acinzentada. O rosto aristocrático, que sempre exibia um semblante de desdém, naquele momento oferecia um ar de pura saudade e esperança. Esperança de que Harry acreditasse em suas palavras.

E o pequeno Lord acreditava.

E morria de vontade de estar em seus braços outra vez.

- Draco... – Harry murmurou, interrompendo mais um discurso arrependido que o herdeiro da fortuna Malfoy se preparava para dar – Eu acredito em você.

- Mesmo?

- Sim.

- Oh, Harry – suspirando de alívio, Draco não conseguiu se conter e puxou o menor para os seus braços, segurando-o como se a qualquer momento Harry pudesse ser arrancado de seu abraço – Eu senti tanto a sua falta.

Com um pequeno sorriso, o menor apoiou o rosto no peito forte e murmurou sobre o tecido:

- Eu também senti sua falta.

- Por que você fugiu meu amor? Por que não me deixou explicar?

- Eu estava furioso, Dray, me sentindo enganado, traído – suspirou – não pensei em mais nada, só em sair daqui.

- E correr para o Nott? – perguntou por entre os dentes sem conseguir se segurar.

- Sim – revirando os olhos, Harry já esperava por aquilo – Ele me ajudou muito, sem o seu incondicional apoio talvez hoje eu não estivesse aqui.

- Incondicional apoio? Hum. Eu posso até imaginar isso.

- O que você quer dizer, Draco? – afastou-se, cruzando os braços com o cenho perigosamente franzido.

- Ora, vamos lá, vocês passaram meses sozinhos, como você espera que eu esteja me sentindo?

- Bem, eu sinto muito por não ter acreditado em você nem ter mandado notícias, mas não vou me arrepender desses meses que estive com o Theo, meses, a propósito, que eu só pude lidar graças ao seu apoio. E fique sabendo Dray, que ele sempre será um dos meus melhores amigos.

- Apenas amigos?

- Sim, Dray, apenas amigos – suspirou, desviando o olhar – Eu devo confessar que tive oportunidade de ser mais do que seu amigo, mas mesmo acreditando que você havia me traído, ainda sim eu só conseguia pensar em você. Meu coração sempre foi seu, esse tempo todo, seu loiro arrogante.

Com um aliviado sorriso, Draco puxou o menor novamente para os seus braços, deliciando-se com o aroma leve e adocicado que apenas Harry possuía:

- Eu amo você Harry e somente por causa deste amor, eu prometo não fazer nenhum atentado à vida de Nott, inclusive me proponho a esquecer que o miserável escondeu você de nós este tempo todo, mentindo, e deixando que procurássemos a toa. Nem mesmo um pequeno Cruciatus será lançado, você tem a minha palavra.

- Obrigado, senhor Malfoy, é muita gentileza sua – comentou divertido. Envolto pelos protetores braços de Draco, o pequeno Lord finalmente se sentia em casa.

- Eu te amo Harry.

- Eu também te amo Draco – sorriu. E o herdeiro da fortuna Malfoy, ao deixar escapar um pequeno suspiro, finalmente perguntou:

- O que será que enfrentaremos agora, meu amor?

- Não sei Dray, que venha o futuro...

Continua...

Próximo Capítulo: O Epílogo.

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N/A: Olá meus queridos... – sorri apreensivamente – Eu sei que mereço uma enxurrada de Cruciatus pela demorar em atualizar essa história, não há desculpas que justifiquem esta demora, me perdoem. Eu mereço cada Crucio e Sectumsempra a ser lançado em mim... – murmura, escondendo-se da fúria dos leitores atrás de um confuso Harry, que por sua vez se esconde atrás de Tom. E o Lord apenas arqueia uma sobrancelha, divertido – Sinto muito! De verdade! Mas agora, sem mais delongas, eu trago para vocês o novo e penúltimo capítulo desta fic! O próximo será realmente o desfecho, o adeus, mas também será a partida para novos projetos, não se preocupem!

Eu gostaria de saber agora o que vocês acharam do capítulo. Foi merecida a morte do Dumbledore? Ficaram apreensivos com a suposta morte do Tom? Ah, não me diga que vocês acharam mesmo que o Harry deixaria o seu querido pai morrer? Não, o pequeno Lord estava disposto a sacrificar o que fosse preciso, principalmente depois de ver o pai morrer diante dos seus olhos para salvá-lo. E quando ao reencontro com o Draco, o que acharam? Gostaram da atitude madura do Theo ou acham que o herdeiro da fortuna Nott deveria ter lutado mais pelo seu amor? Bem, espero que vocês me contem todas as suas impressões nas Reviews!

Em breve será postado o Capítulo Final.

O Epílogo.

Porque eu imagino que vocês estejam curiosos para saber o que se passou alguns anos depois da conquista do Mundo Mágico, não é mesmo?

Enfim, eu gostaria de deixar registrado meus sinceros agradecimentos a:

dianaolimpus98... Elaine... Karool Evans Malfoy... AB Feta... Paulo Ruembz... Pandora Beaumont... Nicky Evans... lunynha... Sandra Longbottom... Aziza Phoenix... e Dyeniffer Mariane!

Muito obrigada mesmo pelas lindas Reviews de vocês!

Não vou prometer uma atualização rápida, mas prometo que o novo capítulo de Destinos Entrelaçados saíra antes do Natal... Na verdade, o que eu posso prometer é que assim que eu entrar de férias – a meados de Dezembro – começarei a atualizar minhas histórias a toda velocidade! E prometo começar novos projetos também! Então, por favor, aguardem! As atualizações estão a caminho!