Nota: (1) – Harry Potter e seus personagens não me pertencem. E sim a J.K. Rowling.
(2) – Essa é uma história Slash, ou seja, relacionamento Homem x Homem. Se não gosta ou se sente ofendido é muito simples: Não leia.
-x-x-x-x-x-x-x-x-x-x-x-x-x-x-x-x-
EPÍLOGO
Um ano inteiro havia se passado desde a sangrenta batalha na Escola de Magia e Bruxaria de Hogwarts, que fora levada às ruínas, ressurgindo, contudo, sob o poder do Lord das Trevas logo em seguida. Com isso, Harry, Draco, Pansy, Blaise e Theodore haviam voltado para terminar de cursar o sétimo ano na prestigiosa escola de magia que agora se encontrava nas mãos de um novo diretor, ninguém menos que Severus Snape. Após a batalha, Severus fora interrogado duramente por Voldemort, que desejava saber a quem sua lealdade pertencia e o Lord não se surpreendeu ao ouvir do ex-professor de poções que sua lealdade pertencia única e exclusivamente a Harry e que se fosse preciso daria sua própria vida para proteger o filho de Lily. E ao contrário do esperado, Tom havia ficado satisfeito ao ouvir isto.
Ao longo deste ano, o mundo mágico se viu sob inúmeras reformas com o governo do Lord das Trevas, que a cada dia se mostrava um excelente governo. A princípio, obviamente, a população mágica se mostrara amedrontada e receosa, ainda sob influência dos discursos de Dumbledore, mas logo os magos e bruxas britânicos passaram a notar a diminuição dos índices de violência, a eliminação de toda a corrupção que outrora existira no ministério e o crescimento duradouro e gradativo da economia. E assim, a população passou a deixar suas ressalvas de lado – com certa influência da mídia, que também era controlada pelo Lord – para apreciar todos os benefícios que aquele governo lhes trouxera. Um governo que não massacrava os nascidos muggles, mas prezava pelo casamento destes com magos e bruxas e condenava qualquer relação com o mundo muggle. Um governo próspero e sem opositores, pois quando estes surgiam eram rapidamente eliminados para não contaminar os outros. Um governo ainda temido, sim, mas que passara a ser respeitado e apreciado.
Agora, dois meses depois de se formarem em Hogwarts, garantindo excelentes notas em seus N.I.E.M's, Harry e Draco estavam prestes a viver um dos dias mais felizes de suas vidas:
O dia do seu casamento.
E como se a própria natureza estivesse dando sua benção, aquela bela manhã de sábado se encontrava ensolarada e radiante com uma brisa suave agitando levemente às pétalas de flores que forravam o jardim da Mansão Riddle. O imenso jardim em questão fora o local escolhido para a cerimônia íntima e luxuosa, reservada apenas para amigos e familiares, que somavam pouco mais de cento e cinqüenta pessoas contando com o círculo interno de Comensais da Morte, os membros da antiga Armada Riddle e importantes políticos e diplomatas estrangeiros aliados de seu pai.
Pansy, em seu papel de madrinha, havia garantido que o local da cerimônia estivesse impecável: uma passarela de mármore coberta de flores encerrava num altar de mármore branco situado entre duas imensas árvores de flores de cerejeira. E ao longo do caminho florido por onde Harry caminharia cento e cinqüenta cadeiras estofadas estavam dispostas para os convidados, num cenário requintado que aproveitava a beleza natural do jardim combinada com pedras preciosas expostas ricamente em cada detalhe da decoração.
Há alguns metros do local da cerimônia, naquele imenso e exuberante jardim, encontravam-se ainda mais de trinta mesas redondas de mármore e cadeiras que acomodavam facilmente mais de duzentas pessoas, nas quais se destacavam louças de prata e cristais combinando com os elegantes arranjos florais adornados de pedras preciosas que acentuavam a beleza de cada detalhe requintado da decoração em verde esmeralda, branco e prata. Uma mesa longa de mais de oito metros em U exibia um delicioso e diversificado bufê ao estilo brunch para os convidados oferecendo os mais elaborados canapés e pratos quentes elegantes para todos os gostos, além de garantir belas e diversificadas sobremesas que haviam sido selecionadas especialmente por Harry na organização do casamento – momento indubitavelmente apreciado pelo herdeiro do Lord.
Uma cascata da champagne mais cara do mercado havia sido encomendada e situada ao centro da mesa e, como se não bastasse, sucos, águas aromatizadas e vinhos da mais alta qualidade circulavam em bandejas que elfos domésticos elegantemente trajados carregavam. E obviamente, numa mesa a parte, ao centro da enorme mesa em U, esperando pacientemente para ser cortado pelos pombinhos, encontrava-se o belíssimo bolo de casamento de oito camadas feito de chocolate branco, preto e recheado de marshmallow e creme de avelãs e damasco coberto pela elegante pasta americana branca. Cada camada era rodeada por uma fileira de pérolas reluzentes de chocolate branco e no topo, dois bonequinhos representando Harry e Draco abraçados se destacavam. E completando a bela imagem do delicioso bolo, uma enorme serpente de pasta americana e chocolate mesclados, prateada, rodeava toda a sua volta. Sem dúvida alguma, um bolo Slytherin, que permanecia ainda rodeado por mini cupcakes lindamente decorados e de diversos sabores, além de inúmeros docinhos elegantes e ricamente elaborados pelos melhores chefs do mundo mágico.
Em meio às mesas uma enorme pista de dança forjada em mármore branco se destacava, e ao lado desta, uma verdadeira orquestra, a mais famosa do mundo mágico fora contratada para animar aquele elegante evento que sem dúvida alguma seria lembrado através dos séculos, os quais apenas alguns poucos e selecionados repórteres da escolha do Lord haviam ganhado o privilégio de comparecer e registrar.
Neste momento, os convidados iam chegando usando as mais elegantes túnicas e os mais caros e elaborados vestidos e jóias, e logo se acomodavam nas cadeiras dispostas em frente ao altar, sendo recepcionados pelo próprio Lord das Trevas e pelo orgulhoso casal Malfoy, que não poderia estar mais contente com o casamento de seu único filho. Contudo, naquele preciso instante, nos aposentos pessoas de Harry, uma tranqüila Pansy Parkinson revirava os olhos pela milésima vez naquele único dia:
- Harryzito, pela qüinquagésima sexta vez, você está deslumbrante nesta túnica.
- Tem certeza, Pan?
- Sim.
- Absoluta?
- Aham.
- Mesmo? Mesmo?
- Harry!
- Ok... Eu entendi, desculpe – suspirando, o pequeno Lord olhou novamente para o espelho de corpo inteiro no centro do quarto. Este revelava a imagem de um lindo jovem de quase dezenove anos trajando uma longa túnica de seda esvoaçante branca presa em seus ombros por fios de ouro branco cravejados de esmeraldas, cuja cauda arrastava dois metros no chão, contando com um simples feitiço para permanecer distendida e impecavelmente limpa ao deslizar pelo jardim. Sobre seus cabelos naturalmente rebeldes, mas que acentuavam sempre a suavidade e inocência de seu rosto de traços finos, repousava uma delicada auréola inteiramente forjada de diamantes, cristais e pequenas esmeraldas. E para completar a imagem angelical, seus olhos verde-esmeraldas brilhavam de felicidade ao pensar que finalmente havia chegado o dia de se casar com o amor de sua vida.
- E o Draco?
- Blaise me disse que ele já está pronto e desceu para recepcionar os convidados – a menina sorriu diante do óbvio nervosismo de seu melhor amigo. Pansy, por sua vez, usava um elegante vestido tomara que caia prata, ajustado na cintura por três largas fileiras de diamantes e uma maquiagem suave, ressaltando apenas os seus traços naturalmente bonitos.
Naquele momento, porém, uma suave batida na porta interrompeu os dois:
- Entre – ordenou o pequeno Lord.
E quando Harry observou o recém chegado, seus olhos se arregalaram de surpresa. Ninguém menos que Theodore Nott usando um casual conjunto de calça preta e túnica azul marinho havia ingressado em seu quarto. Diante da cena, Pansy apenas sorriu nervosamente e decidiu lhes dar um pouco de privacidade:
- É melhor eu verificar se os convidados estão bem instalados. Não se esqueça que você tem dez minutos antes de seu pai vir buscá-lo, Harry.
Após um breve aceno para a menina, que saiu silenciosamente do aposento, Harry se dirigiu ao herdeiro da fortuna Nott:
- Theo... Eu... Eu não esperava vê-lo aqui...
- Eu não vou ficar para a cerimônia – assegurou, pronunciando "cerimônia" com evidente desgosto – Mas eu precisava vê-lo.
O pequeno Lord ficou em silêncio e o maior se aproximou sem desviar o olhar. Era injusto, Theodore pensava, o fato de Malfoy conseguir o que o seu coração mais desejava. Mas desde cedo ele havia aprendido que a vida nem sempre era justa.
- Você está lindo.
- Obrigado, Theo – murmurou com um pequeno sorriso.
- É uma pena que você esteja assim para ele.
- Eu sinto muito.
- Não, por favor, não se desculpe – pediu suavemente, abraçando a estreita cintura sem medo de amarrotar o imaculado tecido, pois sabia que este fora embebido em diversos feitiços para permanecer impecável e a altura do menino – Eu estou aqui para dizer que não poderei deixar de amá-lo e que você permanecerá como o único dono do meu coração até o dia da minha morte.
- Theo...
- Mas o meu maior desejo é vê-lo feliz – suspirou – E eu sei que sua felicidade está com Malfoy.
Uma lágrima solitária deslizou dos olhos de Harry:
- Obrigado – sussurrou.
E Theodore, por sua vez, uniu seus lábios suavemente, provando pela última vez o delicioso sabor de Harry, afastando-se em seguida com um sorriso triste, mas com seu coração mais tranqüilo.
- Estou interrompendo alguma coisa? – uma divertida voz ressoou no aposento.
- Não, papai.
- Você já está pronto, pequeno? Ou decidiu trocar de noivo?
Lançando um olhar de advertência para seu pai, Harry observou Theodore se afastar com um último beijo em sua testa e sair do aposento após uma profunda reverência para o Lord das Trevas, que usava um elegante smoking preto por baixo da uma túnica aveludada vinho com detalhes em rubis e contemplava a cena com um ar divertido:
- Ou talvez você tenha decido não se casar com nenhum desses pirralhos arrogantes? – sugeriu com esperança.
- Bela tentativa, papai, mas eu ainda vou me casar com Draco.
O Lord não pôde deixar de revirar os olhos com desgosto, mas não disse mais nada, sabendo que esta era a vontade de seu filho.
- Então eu acredito que esta seja a melhor hora para eu lhe dar o seu presente de casamento.
- Mas você já não mandou construir uma mansão para nós perto daqui?
- Sim, mas isto não vem ao caso agora, o principal presente que eu quero lhe dar está aqui, pequeno – afirmou o Lord, estendo uma pequena caixa de veludo preta, que Harry aceitou sem pestanejar e logo abriu com evidente curiosidade.
E quando o pequeno Lord se deparou com o objeto em seu interior um olhar assustado se desenhou no jovem rosto corado:
- Isso não pode ser o que eu estou pensando.
- Oh, eu receio que seja exatamente o que você está pensando, pequeno.
- Mas... Não é possível... É realmente a pedra filosofal?
- Sim.
- Mas como?
- Simples – o Lord sorriu com a sua usual altivez – a partir da pedra que você me deu quanto tinha apenas onze anos, pequeno, eu consegui produzir mais uma com a intenção lhe dar quando você decidisse formar uma família. E parece que chegou à hora.
- Isso é incrível, papai!
- Mas é claro, isto é algo que apenas eu poderia fazer.
Harry não pôde deixar de revirar os olhos, divertido, lançando-se logo em seguida aos braços de seu pai, que sorria com carinho e satisfação ao ver a felicidade dançando nos olhos esmeraldas de seu filho.
- Eu receio que esteja na hora, pequeno. Vamos?
- Sim, vamos – após guardar o precioso obséquio de seu pai no pequeno cofre sob o criado mudo ao lado da cama, Harry aceitou braço que lhe era estendido e respirou fundo, sabendo que estava apenas há alguns passos de viver um dos momentos mais felizes de sua vida.
-x-
Um jovem loiro de magnéticos olhos acinzentados andava de um lado para o outro no altar enquanto esfregava as mãos ansiosamente esperando que a marcha nupcial começasse logo a tocar. Draco não estava nervoso. É claro que não, isto seria muito baixo para um Malfoy. Um Malfoy nunca ficava nervoso. Pelo menos era isto o que ele repedia várias e várias vezes em sua mente, sob o olhar divertido de Blaise, seu padrinho, que sorria tranquilamente ao seu lado. Seus pais também lançavam olhares divertidos ao seu único herdeiro, sentados na primeira fileira em frente ao altar, sabendo que Draco estava a ponto de colapsar de nervosismo enquanto esperava por Harry.
- Ora, fique calmo Dragão, tenho certeza que ele não desistiu de casar com você e fugiu para uma ilha deserta com o Nott.
- Você não está ajudando, Blaise! – grunhiu irritado, alisando as inexistentes rugas da túnica aveludada preta que cobria o smoking da mesma cor. Este combinava impecavelmente com a gravata italiana prata e colete prata liso acetinado, acentuando o brilho sedutor de seu olhar, que naquele momento estava ansiosamente voltado ao caminho de mármore que Harry percorreria.
De repente, porém, para alegria de Draco, a orquestra começou a tocar o inconfundível e belo som da marcha nupcial no momento em que Harry e seu pai apareciam no jardim e começavam a caminhar pela passarela de mármore coberta de pétalas de flores. O herdeiro da fortuna Malfoy, naquele momento, quase se esqueceu de respirar ao contemplar o belo anjo de olhos esmeraldas que se aproximava lentamente do altar, segurando carinhosamente o braço do Lord das Trevas, enquanto sua outra mão segurava um único e belo lírio branco.
- Eu ainda não me conformo com o fato de não poder levá-lo ao altar – murmurou Sirius, sentado ao lado de Remus na primeira fileira, enquanto tentava discretamente secar as lágrimas de emoção ao ver seu belo afilhado tão crescido e prestes a se casar.
- Cale-se, Sirius, lembre-se do Cruciatus que Voldemort lhe lançou quando você sugeriu isso – repreendeu o lobisomem, revirando os olhos ao ouvir o muxoxo do animago, mas sem deixar de sorrir enquanto observava Harry caminhar lindamente pela passarela florida.
Todos os convidados se mostravam encantados com a beleza da cerimônia e do próprio herdeiro do Lord das Trevas. Seus amigos e antigos companheiros da Armada Riddle sorriam com orgulho, alguns lançando olhares de inveja para Draco, mas todos desfrutando da felicidade que emanava claramente dos dois noivos. Nagini e Morgana, é claro, não poderiam perder a cerimônia e para o seu deleite haviam garantido excelentes lugares nos ramos mais altos de uma das árvores de cerejeira que se encontrava ao lado do altar para testemunhar o enlace de seu jovem amo.
Finalmente, quando Harry chegou ao altar, entregando o lírio branco para sua madrinha segurar, Tom olhou fixamente para Draco, com um ar perigoso que teria feito qualquer outra pessoa sair correndo sem olhar para trás, e murmurou em advertência:
- Se uma única lágrima deixar os olhos dele por sua causa, você verá suas próprias lágrimas secarem até que o seu próprio sangue seja a única coisa que você consiga chorar. Quebre o coração dele e eu quebrarei todos os ossos do seu corpo, entendeu?
- Perfeitamente, meu senhor – murmurou, engolindo em seco.
Harry, por sua vez, apenas sorriu divertido apreciando o suave beijo que seu pai depositara em sua testa antes de seguir para sua própria cadeira ao lado do casal Malfoy. No instante seguinte, com os olhos brilhando de expectativa, ele sentiu as mãos de Draco segurarem carinhosamente as suas e ouviu o carinhoso sussurro em seu ouvido:
- Você está lindo, meu amor.
- Obrigado, Dray. Você também está incrível.
E pouco depois, as palavras do velho sacerdote ecoaram magicamente pelo jardim:
- Senhoras e senhores, magos e bruxas aqui presentes, estamos reunidos nesta bela manhã para unir em sagrado matrimônio os senhores Draco Lucius Malfoy e Harry James Riddle que ainda jovens decidiram compartilhar o resto de suas vidas...
Harry estava tão feliz que as palavras seguintes passaram despercebidas e vagaram livres e desconexas por sua mente, apenas o calor da mão de Draco segurando carinhosamente a sua, o seu perfume característico inundando seus sentidos e a sensação de suas magias dançando em suas veias, prestes a se entrelaçar, era o que importava para o pequeno Lord.
E então, as seguintes palavras lhe despertaram:
-... Draco Lucius Malfoy, você aceita Harry James Riddle como seu legítimo esposo, na saúde e na doença, na alegria e na tristeza, na riqueza e na pobreza? E promete amá-lo e respeitá-lo até o dia de sua morte?
- Aceito – respondeu Draco, deslizando para o fino dedo anelar da mão esquerda de Harry a bela aliança de ouro maciço.
- Harry James Riddle, você aceita Draco Lucius Malfoy como seu legítimo esposo, na saúde e na doença, na alegria e na tristeza, na riqueza e na pobreza? E promete amá-lo e respeitá-lo até o dia de sua morte?
Harry sorriu e sem qualquer hesitação também respondeu:
- Aceito – deslizando, por sua vez, a outra aliança no dedo de Draco.
- Existe alguém aqui presente que possa objetar contra esta união? Que fale agora ou se cale para sempre.
Imediatamente, Draco pensou em Theodore Nott, preparando-se para lançar um certeiro Avada Kedrava no maldito perdedor caso este aparecesse. Harry, porém, sabia que Theo iria cumprir sua palavra e que lhe deixaria ser feliz com Draco.
- Sendo assim, com poder investido a mim pelo Ministério da Magia, eu vos declaro casados com a benção de Merlin – com um leve balançar de sua varinha, o velho sacerdote concluiu a união fazendo uma bonita nuvem prateada envolver os dois, que naquele momento sentiam suas magias se unirem num poderoso vínculo que sem dúvida algum seria quase impossível de se destruir.
Em seguida, com um divertido sorriso, o velho sacerdote acrescentou:
- E vocês já podem se beijar também.
Draco, é claro, não precisou ouvir duas vezes e logo trouxe o menor para um apaixonado beijo que arrancou aplausos e assobios de quase todos os convidados. Exceto de Sirius Black e Tom Riddle, que se encontravam planejando como castrar o loiro abusado.
- Eu amo você, senhor Harry Riddle-Malfoy – sussurrou, após se separarem para recuperar o fôlego.
- Eu também te amo, Dray.
- E depois da festa, sabe qual será a melhor parte?
- Qual? – perguntou divertido.
- A lua de mel, é claro.
-x-
Fazendo jus aos anseios de Draco, logo no dia seguinte à magnífica festa, os jovens recém casados estavam prontos para tomar a chave de portal que os levaria ao paradisíaco destino de sua lua de mel, isto é, a deslumbrante cidade de Cancún no México. E naquele momento, enquanto esperava por seu esposo no hall da Mansão Riddle, Draco engolia em seco e tentava dissimular o nervosismo ao se ver sozinho na presença do Lord das Trevas minutos antes de seguir para uma viagem de dez dias de sexo desenfreado e apaixonado com o único filho do governante do mundo mágico inglês.
- Está um pouco calor hoje, não é mesmo? – comentou com um educado sorriso, que vacilou ligeiramente ao notar o semblante frio e perigoso do Lord.
Sentado numa poltrona ao lado de seu genro, Tom permanecia em silêncio, pensando em qualquer motivo que pudesse levar Harry – seu precioso e inocente bebê – a cancelar esta desnecessária lua de mel. Talvez a morte ou o súbito desaparecimento de Malfoy configurassem um bom motivo.
- Er... Talvez chova mais tarde... – continuou Draco, olhando desesperadamente para as escadas à espera de Harry chegar.
-...
- Por sorte, nesta época do ano, o clima está sempre excelente no país aonde vamos.
-...
- Harry disse que vai tirar muitas fotos para mostrá-las ao senhor, Mi Lord.
-...
- Ele está demorando, não é mesmo?
- Se você não calar a boca, Malfoy, talvez um Avada Kedrava faça o truque.
Empalidecendo na mesma hora, Draco apenas murmurou um pedido de desculpas e quase chorou de alegria ao observar o pequeno Lord finalmente se aproximando:
- Desculpe a demora, Dray, mas eu precisei rever todas as roupas que colocamos nas malas.
- Por quê?
- Bem, você me disse que vamos para um hotel famoso no mundo mágico, mas que também é freqüentado por muggles da alta sociedade, então eu achei melhor substituir todas as nossas roupas por roupas muggles de verão que compramos em nossa última ida a Mônaco no meu aniversário, assim poderemos tentar passar despercebidos para os magos e bruxas que sem dúvidas alguma nos reconheceriam.
- Foi uma excelente idéia amor, ainda que eu não suporte esta indigna moda muggle, prefiro desfrutar destes dias no anonimato com você.
- Ah, mas você não pode negar que esta roupa é uma maravilha no verão – comentou divertido, dando uma voltinha para enfatizar suas palavras. E sem dúvida alguma, Harry estava um verdadeiro charme usando uma ajustada calça jeans Calvin Klein, tênis pretos, uma camiseta leve verde clara Armani e óculos escuros da mesma marca.
Draco não pôde evitar que seu olhar descesse ao delicioso traseiro de seu esposo, que parecia ainda mais tentador naquela calça, mas logo balançou a cabeça voltando à realidade antes que o seu querido sogro decidisse mandá-lo fazer companhia aos falecidos pais de Harry. Por sua vez, Draco usava uma calça jeans preta Armani, tênis da mesma cor e uma camisa pólo cinza chumbo Dolce & Gabbana, que Harry havia comprado numa de suas seis horas de compras num dos abarrotados – e infernais – shoppings muggles de Mônaco, e que segundo o pequeno Lord acentuava o magnético brilho de seu olhar.
- Podemos ir, amor? – o pequeno Lord perguntou com um sorriso. E Draco, por sua vez, imediatamente assentiu retirando a chave de portal do seu bolso: um pomo-de-ouro que seria ativado ao pronunciar seu destino.
Suspirando, Tom abraçou seu filho:
- Boa viagem, pequeno, se você precisar de qualquer coisa é só me deixar saber.
- Obrigado, papai, mas nós ficaremos bem.
- Juízo, está bem?
- Papai, é a minha lua de mel, a última coisa que eu vou ter é juízo – riu, ganhando um grunhido indignado do Lord – Além disso, não é a minha primeira vez...
- Ok! Chega. Eu não quero saber de mais nada – suspirou – E você, Malfoy, cuide bem dele.
- Sim senhor.
- Estou avisando, se algo acontecer ao meu filho...
- Ele já entendeu, papai.
Depois de rápido beijo na bochecha de seu pai, Harry correu para os braços de seu marido e sem pensar duas vezes, informou seu destino para a bolinha dourada, acionando, assim, a chave do portal.
- Ah, pobre amo... Mas não podemos fazer nada, os filhotes sempre acabam deixando o ninho...
- Cale a boca, Nagini – murmurou um irritado Lord, olhando de soslaio para o local onde Harry e Malfoy haviam desaparecido. Ao fundo, ouvia-se apenas a risada sibilante de Nagini.
-x-
Instantes depois, Harry e Draco apareceram diretamente na sala principal de sua suíte, onde as malas mandadas pelos elfos doméstico já haviam sido desfeitas e seus pertences organizados no closet pelos mordomos especialmente designados para servi-los, e onde o próprio gerente do hotel aguardava sua chegada para dar pessoalmente as boas vindas aos seus mais ilustres hóspedes. Harry, ainda atordoado pela detestável viagem com a chave de portal, não pôde deixar de notar a beleza da suíte presidencial do The Royal Cancún Resort, que possuía a estrutura de um apartamento de médio porte com seus 124m2 exibindo apenas o mais alto padrão de móveis em madeira fina escura, feitos a mão, os quais combinavam elegantemente com as tonalidades pastéis da decoração. Não obstante, a TV 32'' giratória LCD, a máquina de café expresso de última geração e os demais aparelhos eletro-eletrônicos mais modernos do mundo muggle garantiam ainda o conforto e a modernidade desejados. E para arrematar aquele luxuoso cenário, a imensa varanda oferecia uma vista privilegiada do deslumbrante mar de Cancún.
- Senhores Malfoy, é uma honra recebê-los em nosso humilde hotel – cumprimentou o sorridente homem de meia idade, olhos escuros e traje impecável, estendendo a mão para o pequeno Lord – Meu nome é Esteban, sou o gerente do hotel e gostaria de lhes dar as boas vindas. Eu e minha equipe desejamos que sua estadia aqui seja maravilhosa e que os senhores possam levar magníficas lembranças desta viagem.
- Também esperamos isso – sorriu Harry, aceitando o cumprimento amigável.
- E os preparativos que eu encomendei? – o loiro perguntou friamente, ignorando por completo os cumprimentos do Squib.
- Todos foram acertados nos mínimos detalhes, senhor. Seguindo para o quarto principal da suíte os senhores já poderão apreciar cada detalhe.
- Obrigado – disse Harry, enquanto Draco apenas lançou um olhar desinteressado para o pobre gerente que não sabia mais o que fazer para agradá-los.
- Eu vou deixá-los à vontade agora. Uma equipe de mordomos especiais foi designada para atender sua suíte, caso seja necessário, disquem o número 07, por favor. Tenham uma excelente estadia e meus parabéns pela sua recente união – após uma longa reverência, Esteban se retirou do local, deixando o jovem casal sozinho na bela suíte.
Um sorriso sensual imediatamente se desenhou nos lábios de Draco, que se aproximou de seu esposo, abraçando-lhe pelas costas e sentindo o delicioso perfume característico do menor:
- Enfim sós, meu amor.
- Ansioso? – perguntou divertido, dando um pequeno grito de surpresa quando o maior lhe pegou no colo ao estilo nupcial.
- Você nem imagina o quanto.
Sem abandonar o sorriso e o olhar de luxúria absoluta, Draco carregou Harry em seus braços para o quarto principal da suíte, onde uma romântica e elegante atmosfera lhes recebeu: a cama king size estava coberta de pétalas de rosas que formavam um coração, ao lado desta, uma espaçosa jacuzi repleta de água quente, nas quais também se destacavam pétalas de rosas, aguardava os dois pombinhos. Ao lado da jacuzi havia um cálice de cristal cheio de morangos impecavelmente cortados, duas taças e um balde de gelo dentro do qual repousava elegantemente a cara garrafa de espumante. Um cenário impressionante, que fez os olhos de Harry brilharem apreciativos.
- Eu não acredito que você pensou em tudo isso, Dray.
- Em cada detalhe, meu amor, só para você – beijando delicadamente os lábios rosados, Draco colocou seu esposo deitado na cama e lentamente começou a se desfazer das roupas que este usava, distribuindo beijos em cada pedacinho leitoso de pele que encontrava. Harry, por sua vez, suspirava de leite e quando ouviu a sedutora voz do loiro o chamar para um relaxante banho de jacuzi, não pensou duas vezes antes de aceitar a mão que lhe era estendida.
Quando os dois corpos desnudos submergiram na água quente, Harry deixou escapar um suspiro apreciativo, sentando-se no colo de Draco e apoiando suas costas no peito bem tonificado de seu marido, que imediatamente lhe rodeou a cintura, começando a distribuir beijos e pequenas mordidas em seus ombros e pescoço fino:
- Eu precisei me segurar para não invadir o seu quarto ontem à noite depois da festa.
- Jura? – sorriu o menor – Oh, meu pai teria adorado a possibilidade de castrá-lo antes da lua de mel.
- Nem brinque com isso, amor.
- Tem razão, seria um enorme desperdício – ronronou, balançando levemente os quadris em cima da ereção do loiro, que já despontava orgulhosa sob o delicioso corpo de Harry. E na mesma hora, um grunhido de excitação escapou dos lábios de Draco, fazendo o menor sorrir com malícia enquanto enchia suas taças de espumante com um simples feitiço sem varinha.
Para deleite do loiro, Harry girou levemente em seu colo, colocando-se frente a frente e entregando a taça para que fizessem um brinde:
- Um brinde, Dray, a nossa união.
- Um brinde a nós – sorriu o maior, saboreando a bebida leve e adocicada, que não se comparava, porém, aos lábios de Harry. E deixando rapidamente as taças de lado, Draco não pensou duas vezes antes de se apropriar dos lábios rosados que pareciam tentá-lo a cada segundo.
Enrolando suas pernas na cintura de Draco, o menor movia sensualmente os quadris, gemendo na boca de seu marido, que percorria os dedos ávidos por sua pele macia, acariciando-o, despertando a cada segundo o desejo que se reunia em seu baixo ventre. Um pequeno grito de prazer escapou de seus lábios quando Draco introduziu um dedo longo em sua entrada, acariciando lentamente seu interior apertado, enquanto deixava uma mordida particularmente severa lhe marcar a garganta, estimulando-o ainda mais.
- Dray... Ah... Por favor...
Os quadris finos balançavam sensualmente sobre a ereção de Draco, que sem pensar duas vezes introduziu um segundo dedo no interior apertado do menor, que gemeu ansioso quando sentiu o toque certeiro em sua próstata combinado aos movimentos leves que a outra mão de Draco começava a fazer em seu membro. Naquele momento, era como se todo o seu corpo estivesse em chamas. E ele precisava de mais.
- Ah... Dray... Mais...
- Mais o que?
- Hum... Não seja mau...
- Apenas me diga, amor – sorriu, chupando-lhe o lóbulo da orelha, enquanto acrescentava um terceiro dedo para fazer companhia aos outros dois, ganhando um gemido que mesclava dor e desejo de seu pequeno esposo. Harry era tão adorável. Os lábios molhados, as bochechas encantadoramente vermelhas enquanto permanecia de olhos fechados, apreciando as sensações que apenas o loiro poderia lhe proporcionar. Era simplesmente adorável. Encantador. Pecaminoso. Um verdadeiro anjo caído dos céus.
- Mais... Ah... Por favor, pare com isso, eu quero sentir você dentro de mim.
Draco não precisou de qualquer outro incentivo e na mesma hora, sentindo que sua ereção já esfregava dolorosamente no traseiro de Harry, levantou-se com cuidado saindo da jacuzi com o menor em seus braços e colocando-o, em seguida, sobre a cama de lençóis de seda coberta de pétalas de rosas. Instintivamente, Harry abriu as pernas, num convite mudo que foi logo atendido, mas contendo seus próprios desejos, Draco apenas acariciou a pequena entrada com seu membro, sem penetrá-la, saboreando o olhar de desejo, luxúria e anseio que se desenhava no rosto de Harry.
- Eu quero ouvir você pedir novamente, meu amor.
- Ah... Eu vou matar você...
- Não, sem ameaçadas de morte, apenas pedidos desesperados para que eu tome o seu delicioso corpo – sorriu, fazendo uma ligeira pressão com a ponta de seu membro no buraquinho ainda lubrificado pela água.
- Por favor... Ah... Por favor, Dray... Eu quero sentir você em mim...
- Assim está melhor – sussurrou em seu ouvido, penetrando-o lentamente, ao mesmo tempo em que Harry enrolava as pernas ao redor de sua cintura e levantava os quadris, desfrutando da pontada de dor e prazer entrelaçados. Um gemido longo e prazeroso abandonou os lábios de Harry quando este sentiu seu marido finalmente enterrado por completo dentro de si, preenchendo-o, e tocando o delicioso ponto que apenas exaltava seu prazer.
Draco, por sua vez, mal conseguiu se conter quando se viu envolto pelas apertadas paredes do interior de Harry e logo começou com lentos, mas profundos movimentos de vai e vem, que apenas arrancavam gemidos extasiados do menor, que pedia por mais, mais rápido, mais força, mais, mais, e mais... E com muito prazer, Draco atendia a todos os pedidos.
Eles não sabiam ao certo quanto tempo havia se passado. Para falar a verdade, não se importavam, pois a única coisa que consumia suas mentes agora era a necessidade de permanecer unidos intimamente, desfrutando das carícias, dos beijos e dos movimentos de seus corpos, que nublavam seus sentidos e entrelaçavam suas magias. Era como se estivessem se amando pela primeira vez. Isto porque mesmo nas vezes em que Draco conseguia escapar para o quarto de Harry na mansão Riddle, ou quando dividiam a cama de seu dormitório em Hogwarts, ou quando escapavam da protetora atenção do Lord para desfrutarem do calor dos seus corpos em qualquer lugar da mansão era como se fosse a primeira vez. O desejo, a excitação, o prazer... Eram sempre levados ao ápice como na primeira vez que se uniram sob o brilho da lua e do céu estrelado que pairava sobre o bosque da mansão Riddle. E mesmo depois de altos e baixos, seu amor apenas crescera desde aquela época, assim como seu desejo, que a cada estocada se via maior.
- Ah... Dray!... Ah... Isso! – palavras desconexas escapavam dos lábios de Harry, que evocavam apenas gemidos e gritos de prazer, enquanto os lábios do loiro devoravam seu pescoço, marcando-lhe, para que ninguém mais ousasse colocar os olhos sobre o novo senhor Malfoy.
Com um beijo apaixonado, no qual suas línguas travavam uma batalha de dominação da qual Draco acabou saindo vitorioso, o loiro aumentou as estocadas, agarrando as coxas macias e colocando-as sobre seus ombros, enquanto Harry, com os olhos apertados de puro prazer, arranhava as costas largas que o cobriam, gemendo, gritando e implorando por mais, sempre mais... Algo que Draco não lhe negava em absoluto. Depois do que pareceram ser horas de prazer e corpos suados se chocando, a arrebatadora sensação do orgasmo se formando em seus ventres apenas levou Draco a aumentar a velocidade de seus momentos e Harry a gritar ainda mais alto, apertando seus músculos ao redor do membro em seu interior quando chegou finalmente ao clímax, derramando-se entre seus corpos. E quando Draco sentiu aquele delicioso aperto ao redor de seu membro não conseguiu se segurar mais, deixando que toda a sua semente preenchesse o interior de Harry, que gemeu de deleite ao sentir-se tão cheio.
Após alguns segundos na mesma posição, buscando normalizar sua respiração, o loiro saiu com cuidado do corpo de Harry e observou com um sorriso satisfeito o líquido branco escorrendo da pequena entrada. Em seguida, Draco deitou-se ao lado de seu esposo, que não pensou duas vezes antes de se aconchegar no peito tonificado, sorrindo levemente ao sentir um par de braços possessivos lhe rodear.
- Que bela maneira de começar nossa lua de mel, Dray – murmurou sonolento.
- Sem dúvidas, meu amor. Na verdade, esta foi apenas uma demonstração do que viveremos nos próximos dez dias, ou melhor, nos próximos anos de nossas vidas.
- Mal posso esperar.
- Eu também – sorriu, beijando os cabelos bagunçados – Mas agora durma um pouco, anjo, eu sei que você ainda está cansado da festa de ontem.
- Sim... – os olhos esmeraldas já se encontravam fechados. E com um olhar de puro carinho e adoração, Draco convocou magicamente um lençol de seda para cobri-los e estreitou o menino em seus braços, deixando-se levar também ao mundo de Morpheus.
-x-
Horas mais tarde, quando o sol já se escondia no horizonte e a lua despontava magnífica no céu, Harry acordou sentindo pequenos beijos serem depositados em seu rosto e na curva de seu pescoço enquanto a voz suave de Draco pedia lentamente para que ele despertasse:
- Vamos, acorde meu amor.
- Humm...
- Não seja tão dorminhoco.
- Humm...
- Acorde, meu anjo, nosso jantar especial já deve estar nos esperando.
- Humm... Jantar especial? – murmurou sonolento.
- Isso mesmo, agora vamos tomar um banho e descer ao saguão do hotel – disse o loiro, mas Harry apenas lhe estendeu os braços como uma criança pequena e preguiçosa e Draco, sorrindo, não pensou duas vezes antes de tomá-lo em seus braços. Levando-o ao banheiro em mármore que possuía um espaçoso chuveiro com vista para o mar, com várias saídas para massagem corporal, os dois aproveitaram para tomar banho juntos desfrutando de pequenas carícias e beijos roubados enquanto se provocavam como duas crianças pequenas, mas sem dúvida alguma, crianças apaixonadas.
Finalmente, quando já se encontravam elegantemente vestidos, isto é, Draco usando uma calça social preta, sapatos pretos e camisa pólo cinza acentuando seu ar aristocrático, e Harry usando uma calça leve de algodão branca, sapatenis da mesma cor e uma ajustada camiseta azul clara gola V que delineava perfeitamente sua sedutora imagem, os dois pegaram o elevador e seguiram ao luxuoso saguão do hotel. De lá, o próprio gerente, Esteban, guiou os dois ao local onde sua mesa privada os aguardava na praia, seguindo por um caminho de velas aromáticas.
- Boa noite, senhores Malfoy, meu nome é Miguel e eu serei seu garçom esta noite.
- Olá Miguel – Harry sorriu maravilhado com a surpresa encomendada por seu marido, que ignorou o jovem garçom, como sempre fazia com a criadagem, seguindo os ensinamentos Malfoy.
- Este é Arthur, o chef.
- Boa noite, senhores, eu serei o seu chef pessoal esta noite – cumprimentou Arthur, ganhando um sorriso simpático do pequeno Lord e o desinteresse de Draco. Quando os dois se sentaram frente a frente na pequena, porém elegante mesa situada sobre a areia branca e brindada pela luz do luar, Draco demandou ao garçom a carta de vinhos e mandou vir uma garrafa de um delicioso vinho branco francês, Chassagne Montrachet Pillot.
Enquanto saboreavam o vinho sentindo a brisa refrescante do mar, Harry não podia deixar de sorrir e olhar para seu marido como se este não fosse real, mas um de seus sonhos que havia se tornado realidade.
- Eu sei que eu sou irresistível, uma verdadeira obra de arte a ser contemplada, mas por que você está me olhando tanto meu amor?
- Você também é super modesto, Dray – revirou os olhos, divertido – mas eu estou olhando para você porque nem consigo acreditar que estamos aqui, finalmente, prontos para viver o resto de nossas vidas juntos.
- É maravilhoso, não é? Mas eu nunca duvidei que fossemos acabar assim.
- Nem eu... Bom, exceto naquela vez que eu achei que você tinha me enganado assim como meu pai, ou nas vezes em que você atuava como um idiota ciumento, ou quando arrumava briga com o Theo sem motivo, ou...
- Certo, eu já entendi.
- Mas nas outras vezes, eu nunca duvidei que fossemos ficar juntos – afirmou brincalhão.
Com um olhar arrogante, digno de um Malfoy, Draco assegurou:
- Isso não importa, porque eu nunca deixaria você fugir de mim – oferecendo então, um pequeno sorriso, mostrando ao pequeno Lord que, se fosse preciso, daria a sua própria alma para mantê-lo ao seu lado.
- Eu sei.
Depois de saborearem a deliciosa iguaria preparada especialmente pelo chef, isto é, salmão ao molho de maracujá para Draco e truta com amêndoas torradas e batatas sautée para Harry, o loiro mandou vir a sobremesa, e o pequeno Lord logo se maravilhou ao contemplar seu doce favorito: petit gâteau. Finalmente, quando acabaram a deliciosa refeição, Harry e Draco seguiram para a orla da praia e de mãos dadas, aproveitaram para passear com os pés na areia, sentindo a brisa do mar bagunçar seus cabelos e a água salgada molhar seus pés dando uma relaxante sensação de paz e frescor. Como era baixa temporada, não havia muitos hóspedes no hotel, e o casal podia facilmente desfrutar da companhia um do outro com tranqüilidade, sem olhares indiscretos de muggles medíocres e preconceituosos, ou olhares de admiração e inveja de magos e bruxas irritantes que desejavam estar em seus lugares.
- Você tem certeza que não é indigno para um Malfoy andar com os pés na areia?
- Se você perguntar isso de novo, eu vou jogá-lo no mar com um simples feitiço de levitação, Dray querido.
Engolindo em seco ao ver o sorriso angelical – e perigoso – do menor, Draco apenas continuou a caminhar em silêncio, apreciando a presença de Harry ao seu lado e o suave calor que a mão pequena transmitia à sua.
- Como será nossa vida a partir de agora, Draco? – Harry perguntou de repente, interrompendo seus passos e olhando fixamente para o homem ao seu lado.
Ao ser pego de surpresa, Draco se mostrou atordoado por alguns segundos, mas logo encarou seriamente as belas esmeraldas e afirmou com toda a certeza de seu coração:
- Nossa vida não será perfeita, meu amor. Eu não posso prometer que não serei ciumento e possessivo, que não tentarei matar qualquer um que ouse chegar perto de você, ou que deixarei de lado minha atitude arrogante que sempre trás à tona o pior de mim. Porém, não restam dúvidas de que nós dois passaremos por cima de qualquer coisa juntos. Nós vamos crescer individualmente, você trabalhando com seu pai no Ministério, enquanto eu assumirei meu papel nas indústrias Malfoy, mas cresceremos também em conjunto, aprendendo a conviver e dividir nossas angústias como um casal, uma família. Talvez possamos viver alguns altos e baixos, mas não iremos nos deixar abater por nada e continuaremos a desfrutar de nossas vidas e dos momentos felizes que, com toda a certeza, irão sobrepor aos ruins.
- E como você pode ter certeza disso?
- Porque eu amo você, Harry, mais do que tudo nesse mundo. E eu vou fazer qualquer coisa para deixá-lo feliz e para que nossas vidas possam ser assim.
Com um sorriso que ofuscaria mil sóis e lágrimas de felicidade deslizando de seus olhos, Harry se jogou nos braços do loiro, num beijo apaixonado e cheio de significado:
- Eu acredito em você – murmurou o menor, separando-se apenas alguns centímetros para observa aqueles ardentes olhos acinzentados que o encaravam com puro amor e adoração.
- Só isso?
- E eu também te amo, seu loiro arrogante – sorrindo, os dois compartilharam mais um beijo, que selava a promessa de uma vida repleta de felicidade juntos, sob a luz do luar e com seus pés regados pelo cristalino mar de Cancún.
E aquele era apenas o início de suas vidas.
-x-
Sete anos depois...
O governo do ministro da magia, Lord Voldemort, podia ser considerado um dos melhores governos da história, que perdurava há mais de oito anos e seguiria ainda por muitos séculos a fio.
Em Hogwarts, Severus Snape continuava como diretor fazendo um excelente trabalho e para seu desespero, Remus e Sirius agora trabalhavam como professores, o primeiro de Transfiguração – pois McGonagall havia morrido na batalha de Hogwarts – e o segundo de Teoria das Artes das Trevas – que havia substituído a matéria de Defesa Contra as Artes Obscuras – fazendo jus a todo conhecimento Black que possuía. Sirius é claro, usava cada oportunidade para fazer da vida de Severus um inferno, pregando-lhe peças e expondo-o ao ridículo várias vezes na frente da escola inteira, e o pobre diretor não podia fazer nada, porque os dois eram protegidos de Harry, que sempre aparecia para visitar seus padrinhos.
Pansy e Blaise haviam se casado e agora tinham os gêmeos de quatro anos: Giorgio Blaise Zabini e Catherine Eleonor Zabini. Nesse meio tempo, Pansy se tornara a estilista mais famosa do mundo mágico, uma vez que sua grife Empório Parkinson havia reinventado a moda mágica com a elegância, sutileza e bom gosto que apenas a bruxa mais bem vestida do século poderia criar. Blaise, por sua vez, comprara o Profeta Diário e agora era o editor chefe da maior rede de comunicação do mundo mágico. E pela primeira vez em séculos de existência, o Profeta Diário se tornara uma fascinante e verídica leitura.
Enquanto isso, Theodore havia largado os negócios de seu pai de lado para se tornar chefe dos Inomináveis. E sem dúvida alguma, ele adorava seu trabalho, que envolvia estudos e pesquisas de artefatos, feitiços, maldições e inúmeras matérias de artes das trevas para o ministério e, portanto, para o próprio Lord das Trevas. No campo afetivo, Theodore não se preocupava em se envolver com ninguém, pois ele sabia que nunca poderia chegar a amar alguém da mesma forma que, ainda hoje, ele amava Harry. Por esse motivo, as únicas pessoas que ocupavam seu coração eram Harry e agora sua filha de três anos, Helen Esmerald Nott, frutos de esporádicos encontros com uma mulher que para falar a verdade ele sequer recordava o nome: uma bruxa sangue-puro francesa que morrera ao dar a luz, mas que nem mesmo ao enterro Theodore havia comparecido, pois a única coisa para a qual a mulher havia servido fora para lhe dar sua pequena Helen, uma linda menina de longos cabelos negros e olhos verdes cheios de brilho, que sempre sorria alegremente quando estava com seu adorado padrinho Harry.
Harry e Draco, por sua vez, estavam felizes e casados há seis anos, morando numa elegante mansão que o Lord das Trevas havia mandado construir num vasto terreno entre as mansões Riddle e Malfoy. Draco agora trabalhava com seu pai nos negócios das Indústrias Malfoy, como presidente executivo, isto é, apenas um cargo abaixo de seu pai, cargo este que ele havia conquistado com esforço e mérito próprio, ganhando o respeito e o reconhecimento de Lucius. Harry, no entanto, havia começado a trabalhar com seu pai no ministério, mas toda a politicagem e burocracia o estavam levando a loucura. Ele simplesmente detestava tudo aquilo. Notando o descontentamento de seu filho, o Lord, então, criou a chamada OMU (Organização da Magia Unida), que passou a ser responsável por fazer e coordenar orfanatos mágicos, hospitais especiais – além de St. Mungus – escolas infantis para as crianças bruxas e para os nascidos muggles freqüentarem e assim, familiarizarem-se com a magia antes de ingressar em Hogwarts, além de inúmeras ações filantrópicas, sob os cuidados e a direção de Harry.
E foi numa visita a um de seus orfanatos que Harry conheceu um pequeno anjinho:
(Flashback)
- As crianças adoraram os brinquedos, senhor Riddle.
- Por favor, me chame de Harry – sorriu, caminhando pelos corredores do orfanato com a diretora ao seu lado – E me alegra saber disso, Eliza.
- Eu devo confessar ao senhor que estava relutante com o governo de seu pai a princípio, pensando que os nascidos muggles seriam tirados de suas famílias, mas vi que não foi isso o que aconteceu e as crianças que chegam aqui realmente precisam de um lar, do amor e de toda a assistência que graças ao senhor podemos prover.
- De fato, o governo do meu pai não deseja que as crianças nascidas no mundo muggle sejam roubadas de suas famílias – explicou ele – mas todas têm sua criação acompanhada por uma espécie de conselho tutelar de magos e bruxas, do qual também faço parte, e apenas aquelas crianças que são abusadas por suas famílias devido à sua condição mágica são trazidas para os orfanatos.
- E todas ficam muito melhor com isso, Harry.
- Eu sei, mas ainda não posso acreditar que existam muggles que maltratem pobres crianças apenas pelo fato de possuírem magia.
- Infelizmente, a intolerância e a maldade são facilmente encontradas no mundo.
- Sim... – suspirou, oferecendo um pequeno sorriso à bruxa de idade avançada, rosto simpático e longos cabelos brancos enrolados numa trança que caminhava ao seu lado. De repente, porém, Harry interrompeu seus passos ao ouvir o entristecido choro de um bebê e logo observou duas funcionárias do orfanato tentando acalmar a pobre criança enrolada num cobertorzinho cor de rosa.
Sem pensar duas vezes, o pequeno Lord ingressou no berçário e se dirigiu às duas moças que pareciam aflitas e tentava a todo custo cantarolar palavras de amor e carinho para acalmar o bebê:
- O que aconteceu? – perguntou Harry, sentindo seu coração apertar ao ouvir um choro tão entristecido.
- Oh, senhor Riddle – uma das moças se surpreendeu – nós não estamos conseguindo acalmá-la. Esta pequena chegou aqui há dois meses, sua mãe deu a luz em nossa porta e morreu logo em seguida, mas desde então ela só chora.
- Nós damos comida, trocamos suas fraldas, até chamamos um médico para olhar a garganta e ver se a pequena estava com febre, mas não há problema algum com ela – explicou a outra mulher – Sua saúde e seu núcleo mágico estão perfeitos, mas a pobrezinha continua chorando desde então...
- Deixe-me segura-la – exigiu, e na mesma hora, o bebê foi entregue aos seus braços. Com um talento natural, Harry aninhou a pequena, envolvendo-a com uma protetora onda de sua própria magia.
Na instante seguinte, o choro cessou.
E brilhantes olhinhos cinza-azulados se fixaram aos seus.
E um sorriso balbuciante e sem dentes foi oferecido ao pequeno Lord.
- Mérope... – sussurrou ele, inconscientemente, aconchegando-a em seus braços.
- Senhor Riddle?
- Seu nome é Mérope – afirmou, voltando-se à diretora do orfanato – Eu vou adotá-la.
Naquela noite, Harry estava sentado na sala de estar de sua mansão com um sorridente bebê balbuciando palavras desconexas em seus braços. A pequena já havia tomado sua mamadeira especialmente preparada por um radiante Dobby e Harry já havia trocado as fraldas habilmente, graças à experiência adquirida com os gêmeos de Pansy e Blaise e com sua afilhada, Helen. Um dos quartos próximos à suíte principal que dividia com Draco havia sido rapidamente transformado num lindo quarto para a pequena e nova integrante da família, pintado de cor de rosa, branco e lilás pelos feitiços dos elfos domésticos e contando com os mais elegantes e adoráveis moveis que Harry havia comprado no mesmo dia. Agora, o pequeno Lord cantarolava suavemente enquanto balançava uma linda boneca de porcelana pequena para o bebê, que tentava a todo custo agarrá-la, rindo com deleite a cada tentativa.
- Estou em casa, amor – anunciou Draco, saindo da chaminé e limpando os resquícios inexistentes de pó de Flú de sua túnica negra.
- Olhe Mérope, o papai chegou.
Quando Draco levantou o olhar para contemplar seu esposo sentado no sofá, uma das imagens mais belas do mundo lhe foi oferecida: Harry segurava um pequeno bebê em seus braços, que sorria alegremente e tentava alcançar a boneca a sua frente. No topo da cabecinha do bebê um chumaço de cabelos negros se destacava, sua pele era pálida, mas suas bochechas contavam com uma saudável cor rosada, e para completar a adorável imagem, um par de brilhantes olhos cinza-azulados agora o encaravam.
- Então, você vai ficar aí parado ou virá conhecer sua filha?
- Amor, você...?
- Eu a adotei – explicou com um sorriso. Mas este sorriso vacilou ligeiramente ao pensar na possível reação de seu marido – Você está bravo?
- O que? Como eu poderia ficar bravo? – largando a pasta no chão, Draco correu para se sentar ao lado do menor e encarar o bebê que sorria, balbuciando frases inteiras sem o menor sentido – Eu desejava aumentar nossa família desde que nos casamos, há quatro anos, mas não sabia como falar com você.
- Seu pai é um bobo, não é mesmo, Mérope? – sorriu, sentindo-se muito mais aliviado.
- É um lindo nome, meu amor.
- Em homenagem à minha avó – explicou, acomodando o bebê nos braços de um surpreendido Draco, que se mostrava totalmente sem jeito, mas ainda sim cheio de cuidados para a nova integrante da família – Nossa pequena se chama Mérope Clio Riddle-Malfoy.
- Bem vinda à família, pequena – sussurrou Draco, assumindo naturalmente o papel de pai coruja – Seja boazinha para mim e para a mamãe, está bem?
Com uma risadinha, a menina capturou um dos dedos de Draco, trazendo-o para a boquinha sem dentes.
- Mamãe? – Harry grunhiu, lançando um olhar perigoso ao maior, que foi arruinado por outra risadinha vitoriosa de Mérope ao conseguir agarrar os fios loiros do cabelo de seu pai.
- Precisamos adotar um menino agora – afirmou Draco, sorrindo para o olhar indignado que o menor ainda ostentava ao ser chamado de mamãe – Um irmãozinho para a pequena Mérope, não é mesmo, querida?
Harry não podia deixar de sorrir.
Ele possuía uma linda família...
- Não quero nem imaginar o quão insuportavelmente coruja meu pai vai se tornar com esta pobre menina quando eu levá-la para conhecê-lo amanhã – comentou divertido.
- Tenho certeza de que não restarão lojas de brinquedos intactas quando meus pais souberem também.
- Oh, Merlin...
Rindo, os três formavam o lindo quadro de uma família.
Família esta que ainda cresceria no ano seguinte com a chegada do pequeno Thomas Orion Riddle-Malfoy.
(Fim do Flashback)
-x-
- Eu quero bolo, mamãe.
- Mérope, eu já disse... Ah, deixa para lá – Harry suspirou, sabendo que era inútil dizer a sua filha para não chamá-lo de mamãe – E ainda não está na hora de cortar o bolo, você precisa esperar um pouco, meu amor.
Com um olhar indignado, a menina de três anos bateu um de seus pesinhos no chão e se afastou dignamente, balançando seu vestido lilás cheio de bordados no caminho e arrastando uma tranqüila Helen, de sua mesma idade, pela mãozinha. Esta apenas sorriu para seu padrinho, deixando-se arrastar pela melhor amiga, enquanto seu vestido verde esmeralda agitava-se com a abrupta saída.
- Mérope está mais parecida com você a cada dia, mamãe.
- Há. Há. Muito engraçado, Pansy – Harry grunhiu para a amiga, mas um sorriso sincero apareceu em seus lábios logo em seguida – Mas você tem razão, após o ritual de sangue que usamos para adotá-los, Mérope e Thomas têm se parecido ainda mais conosco.
De fato, os olhos de Mérope agora possuíam a mesma cor acinzentada dos olhos de Draco e os traços finos de seu rosto eram idênticos aos de Harry, assim como seus cabelos negros ondulados. O pequeno Thomas, por sua vez, agora possuía o cabelo louro prateado característico de um verdadeiro Malfoy, olhos verdes brilhantes como os de Harry e os traços aristocráticos de Draco. Além de suas características físicas, o ritual de adoção pelo sangue também garantia que os dois herdassem as habilidades e o poder mágico de seus pais, resultando em sibilantes conversas em Parsel de Mérope e Thomas com duas orgulhosas serpentes, Morgana e Nagini, que não poderiam estar mais felizes com a chegada destes novos filhotes para o seu ninho.
- Eu acho que seu padrinho está prestes a lançar um Cruciatus em Bellatrix – comentou Blaise, casualmente, oferecendo uma taça de espumante para sua esposa.
- Ou talvez seja o contrário – observou Theodore, juntando-se a eles enquanto saboreava um cálice de licor.
- Esses dois não têm jeito – Harry suspirou, observando Rodolphus e Bellatrix conversarem com Sirius e Remus próximos à mesa de licores. Esta conversa, na verdade, tratava-se de Bellatrix e Sirius se provocando mutuamente e Rodolphus e Remus tentando apaziguar seus cônjuges.
Naquele momento, seus amigos mais íntimos e sua família estavam reunidos na sala de estar da mansão Riddle-Malfoy para comemorar seu aniversário de vinte e seis anos e Harry não podia deixar de se divertir ao observar a usual troca de insultos de Sirius e Bellatrix, ou como Lucius e Narcisa se esqueciam de todos os ensinamentos Malfoy para brincar com um sorridente Thomas de dois aninhos de idade, que estava sentado no colo de sua avó enquanto inúmeros brinquedos o rodeavam espalhados por todo o sofá. Enquanto isso, os gêmeos Zabini de quatro aninhos seguiam sorrateiramente para a cozinha para tentar subornar ou chantagear os elfos domésticos em troca de doces, sob o atento olhar de Pansy, que em poucos minutos sairia atrás de seus filhos para acabar com seus planos malignos.
- Eu quero bolo, papai – uma sorridente Mérope interceptou seu pai na saída do escritório, que havia acabado de receber uma ligação de um de seus incompetentes funcionários da filial das Indústrias Malfoy em Amsterdam.
- Você pediu para a mamãe?
- Pedi, mas a mamãe disse que não.
- Então você precisa esperar, Mérope.
- Mas...
- O que está acontecendo aqui?
- Vovô! – a menina voltou seus lacrimejantes olhinhos para o Lord das Trevas – O papai não quer me dar bolo!
- Mi Lord, ela não irá jantar se...
- Silêncio, Malfoy – interrompeu bruscamente – Venham Mérope, Helen, vamos para a cozinha pegar esse bolo que vocês querem.
- Êba! – com um sorriso radiante, Mérope deu a mão para seu avô, puxando Helen pela outra mãozinha, enquanto lançava um sorrisinho vitorioso para seu pai.
No momento em que o Lord apareceu, Draco sabia que havia perdido a batalha e que sua filha era uma verdadeira Slytherin. Agora, com um suspiro resignado e um olhar irritado para Theodore – que estava muito próximo a Harry – Draco se aproximou de seu esposo, abraçando-lhe pela cintura e notando o sorriso divertido que se desenhava nos lábios rosados, os quais ele não se cansava de beijar:
- Ela ganhou novamente, não foi?
- Sim.
- Não se preocupe Dray, vou conversar com meu pai depois.
- É um caso perdido, ele mima aqueles dois mais do que mimou você.
- Eu sei... Hey! Eu nunca fui mimado!
Neste momento, os olhares descrentes de Blaise, Pansy, Theodore e Draco se voltaram ao pequeno Lord:
- Ok. Talvez um pouquinho... – murmurou, ouvindo as risadas de seu marido e de seus amigos.
-x-
No final da noite, Pansy e Blaise haviam voltado com os gêmeos para a mansão Zabini após felicitar novamente o aniversariante. Theodore também havia se despedido com Helen, prometendo para sua chorosa filha que poderia voltar em breve para brincar com Mérope. E o casal Malfoy, assim como os Lestrange e Remus e Sirius também haviam voltado para suas casas após desejar os melhores votos para o pequeno Lord. E agora, enquanto Draco colocava Mérope em sua cama, garantindo a menina que Helen estaria de volta para brincarem depois, e levava um sonolento Thomas para o berço no quarto ao lado, Harry passeava pelo jardim da mansão na agradável companhia de seu pai.
- Parece que foi ontem quando você era um garotinho pequeno e choroso que corria para o meu quarto ao ouvir o barulho dos trovões.
- Papai, por favor... – corando, Harry desviou o olhar. E o Lord apenas sorriu divertido.
- Você se tornou um homem maravilhoso, Harry, do qual eu só posso me orgulhar.
Com os olhos marejados de lágrimas, Harry sorriu para Tom, sentando-se ao seu lado na borda do belo chafariz de mármore que exibia o deus grego Eros rodeado de ninfas. Estas palavras haviam inundado seu coração de alegria, pois durante toda a sua vida Harry buscou orgulhar seu pai, a quem amava mais do que tudo no mundo.
- Eu me tornei o que sou hoje graças a você – respondeu o menor, apoiando a cabeça suavemente no ombro do homem que ainda hoje conservava os traços aristocráticos na aparência de pouco mais de quarenta anos de idade, os cabelos negro impecavelmente alinhados, assim como as vestes negras da melhor qualidade que acentuavam o brilho escarlate de seu olhar. Olhar este que estava fixado num ponto qualquer do belo jardim que rodeada a mansão enquanto acariciava a mão pequena de seu filho.
- Às vezes eu me lembro da primeira vez que olhei para você – divagou o Lord – Um bebê pequeno de brilhantes olhos esmeraldas e bochechas coradas. Eu havia acabado de assassinar sua mãe diante dos seus olhos e você apenas sorriu, você olhou para mim e sorriu. E quando eu o peguei em meus braços você se aninhou em busca de calor e afeto, um afeto que eu achei que nunca pudesse lhe dar, mas que mesmo assim ignorei por motivos egoístas.
- E no final, você me criou com todo o afeto, carinho e amor que uma criança poderia desejar.
- Porque eu passei a amá-lo como meu próprio filho. E desde aquela noite, quando você se escondeu em minha cama com medo dos trovões, eu descobri que poderia lhe proporcionar aquilo que eu nunca tive:
Palavras de conforto e afeto.
Tom parecia em estado de choque sentindo como pequenas mãozinhas se agarravam com força à sua cintura e como o frágil corpo do menino parecia tremer a cada barulho de relâmpago no céu. É claro que o estupor não durou muito e já estava prestes a levar Harry de volta ao seu quarto, com um severo discurso de: "Meu herdeiro não pode temer uma simples tempestade", quando ouviu a melodiosa voz do menino murmurar abafada em seu peito:
- Num gostu desse barulho, papai...
Lentamente, Tom olhou para baixo, e com cuidado puxou um pouco o menino para observar diretamente aquela imagem.
Já visualizara algo assim antes.
Ele próprio, com a mesma idade de Harry, escondido embaixo das cobertas naquele imundo orfanato muggle. Com medo e torcendo para que ninguém o descobrisse ali e mais tarde fosse se burlar dele, como sempre acontecia.
Harry e ele.
Exatamente iguais.
Com a diferença que...
- Não se preocupe, pequeno – puxou o menino, com uma delicadeza que ninguém jamais imaginara ver nos atos de um Lord das Trevas, para que Harry se deitasse ao seu lado – Esse barulho não é nada de mais. São apenas os elfos domésticos de Merlin arrastando os móveis de sua casa lá no céu para arrumá-la um pouco.
- Igual o Kiky e a Lucy?
- Igualzinho.
- Ahh... Tendi... – os intensos olhos verdes mostravam-se mais tranqüilos e com um encantador sorriso nos pequenos lábios o menino se aconchegou mais contra o corpo maior e o abraçou carinhosamente, deixando-se levar pelo sono que lutava por invadi-lo. Harry sabia que agora não precisava mais temer. Ele sabia que estava sendo protegido pelo seu pai.
Porque a diferença é que Tom podia oferecer um pai a Harry.
Um pai que ele nunca teve.
Palavras que se transformaram em sentimentos.
Pois naquele momento, Tom havia descoberto que ainda possuía um coração. E que seu coração pertencia a Harry.
- E naquela noite, quando você me acalmou e me acolheu em seus braços, você devolveu a família que roubou de mim – Harry sorriu – Você se tornou meu pai, meu amigo, meu porto-seguro. E se eu tivesse que escolher entre a vida de Lily e James Potter e a sua, eu sempre escolheria a sua. Eu sempre escolheria que a história se repetisse. Eu sempre escolheria ser seu filho.
- Harry... – pela primeira vez, o poderoso Lord das Trevas não sabia o que falar.
Mas só havia uma coisa a ser dita.
- Eu amo você, pai.
Aquilo que seu coração lhe dizia:
- Eu também amo você, meu filho.
E rodeado pelos braços de seu pai, um sorriso cheio de ternura se desenhava nos lábios daquele que seria sempre o pequeno Lord.
FIM
-x-
N/A: Olá, meus queridos, lindos e amados leitores! – sorriso de orelha a orelha – Feliz Natal! Feliz Ano Novo! Desejo os meus melhores votos para todos vocês que me acompanharam com esta história durante quatro anos, sofrendo com meus atrasos, vibrando com as emoções vividas por Harry, Draco, Tom e companhia... Agradeço de todo o coração e gostaria de dizer que sem vocês, sem os seus comentários de incentivo, eu jamais teria chegado até aqui e terminado esta história. Muito obrigada mesmo, meus leitores queridos!
Agora eu entrego a vocês o final de O Pequeno Lord.
Então, gostaram do Epílogo? Gostaram do rumo que a vida do nosso amado "grupo das serpentes" tomou? Eu sei que ficou aquele "quê" de final de novela com todos felizes, com seus filhos e suas famílias, mas não podia ser diferente, né? Afinal, eu não suporto finais trágicos! Tenho dito! Hehehe...
Depois de quatro anos escrevendo esta história vou sentir um grande vazio, mas também o sentimento de dever cumprido e que dei o meu melhor para criar algo legal para vocês. É triste terminar uma história como esta, mas também é preciso, porque agora novos projetos poderão vir! Eu já posso adiantar que Destinos Entrelaçados será uma long-fic com mais de vinte capítulos – que atualizarei na próxima semana – e uma nova história UA (universo alternativo) também está a caminho!
Finalmente, gostaria de agradecer mais uma vez a todos que acompanharam a história até aqui. É graças a vocês que O Pequeno Lord chegou até onde chegou, graças a suas lindas e sempre incentivadoras REVIEWS!
Um beijo muito especial e meus sinceros agradecimentos para:
PrisD... Karool Evans Malfoy... AB Feta... vrriacho... Aziza Phoenix... Nicky Evans... Sandra Longbottom... Dyeniffer Mariane... E lunynha!
Um grande beijo, meus queridos!
E não percam o próximo capítulo de Destinos Entrelaçados!
