Terror no Vale Quieto.

Heitor Sacramento voltou a casa do seu avô a tempo de acompanhar o enterro do velho. A conversa com Pan foi longa e por um momento ele temeu que sua ausência no velório fosse notada. O caixão com o corpo de Akira estava sendo enterrado na fazenda, perto de uma lapide meio que improvisada. O padre continuava a dar um sermão interminável sendo que poucos dos presentes prestavam atenção em suas palavras.

- Pai, o vô morreu de que mesmo? - Perguntou Heitor a Joaquim.

- Dormindo, de velhice.

- Sim, mas de quê? Enfarto?

- Acho que foi. Você sabe aqui não tem legista e eu não queria prolongar esse sofrimento então...

- Não. Tudo bem, tudo bem. - Heitor terminou aquele assunto pra poupar seu pai. Não que precisasse, Joaquim não sentia muito a morte de Akira. Mesmo que não confessasse isso nem pra si mesmo.

Caixão enterrado, os convidados trocaram algumas palavras entre si e começaram a ir embora. Joaquim e Heitor estavam entre os últimos. Sendo que o detetive não planejava deixar a fazenda ainda. - Pai, você sabe onde está a Jacira?

- Ela mora na cidade. Por quê?

- Queria trocar um dedinho de prosa com ela. Estranho ela não ter aparecido.

O Vale Quieto é o nome da cidade mais próxima da fazenda de Akira. De certo, a propriedade do falecido está dentro dos limites da cidade, porém é tão longe do centro que quase que ele não interagia com os outros moradores. Local muito pequeno, todo mundo se conhecia. Sem cinema, sem shopping, sem grandes eventos e com um clima péssimo, tomado por uma neblina espessa que parece interminável, o Vale Quieto não é um lugar fácil de se viver. O simples fato de se pedir informação era uma tarefa complicada. Devido a serração o povo de lá evitava ficar caminhando pela rua. Heitor teve que entrar em uma loja pra tirar sua duvida. O único lado positivo do lugar é que seu povo era prestativo. O vendedor prontamente indica onde Jacira morava.

Heitor estaciona seu corola perto da casa. Ele se perguntava se tinha realmente acertado o endereço. A casa era um pouco grande, na visão de Heitor, não parecia pertencer a alguém que trabalhou a vida toda como empregada doméstica. - Talvez ela foi ajudada por algum dos seus filhos? - Pensou o detetive. Só aí que ele se lembrou que nunca havia conhecido filho algum de Jacira. Pensou mais um pouco e teve uma ideia estranha. Dada a relação que ela possuía com seu finado avô Heitor se perguntou se não existiria por aí alguns tios seu, ou até mesmo primos, desconhecidos.

- Jacira? - A porta estava apenas encostada, por isso Heitor foi logo entrando. A primeira impressão que ele teve foi de surpresa. O lado de dentro era ainda mais amplo que o de fora. A decoração era muito bonita. A casa parecia ser muito cara. Alguma coisa não estava batendo.

Por falar em bater de repente Heitor sente uma forte dor em suas costas e é empurrado para frente. Alguém o havia surpreendido com um chute. Ao se virar para encarar seu agressor Heitor encontra um homem forte de trinta e poucos anos. Será que essa não era a casa de Jacira? Seria esse sujeito o verdadeiro dono do lugar?

- Calma, eu posso explicar. - Disse Heitor. - Pensei que era a casa de uma conhecida minha e... - O homem não deu chance para que Heitor se explicasse, continuando seu ataque. Sem outra alternativa Heitor resolveu entrar na briga, só que dessa vez não iria pegar leve.

Heitor bloqueia dois socos e desvia de um chute. Na última tentativa de ataque do seu oponente Heitor agarra o seu braço e o imobiliza no chão. A luta tinha terminado. - Se você continuar com isso eu desloco seu ombro!

- O que é que você quer? Já não basta terem raptado minha mãe?

- Do que você está falando?

Um momento de trégua. Heitor se afastou, dando possibilidade para que o outro levantasse, e começou a relatar o motivo que o levou ali. - Estou procurando uma senhora chamada Jacira? Você a conhece?

- Claro, ela é minha mãe. - Nesse momento Heitor começou a se perguntar se o homem que estava a sua frente era ou não seu tio.

- Eu sou Heitor Sacramento. Neto de Akira, o homem que empregava sua mãe.

- Sim, sim. Eu conheço. - Ele já começava a ficar sem graça. Percebendo a cagada que havia cometido ao atacar aquele "invasor". - Me chamo Nestor. Desculpe o mal jeito.

- Você disse que Jacira foi sequestrada?

- Sim, pelos mesmos homens que mataram seu avô. - Agora a conversa havia despertado o interesse de Heitor. - Como você já deve saber seu avô era um guardião. Apesar da idade avançada ainda estava na ativa. Policiar a atividade de seres místicos é um trabalho ingrato. Atraí uma grande variedade de inimigos.

- Eu sei disso. - Completou Heitor. - Eu sou um guardião também.

Nestor arregalou os olhos, impressionado com a descoberta. - Há um ceifador na cidade. Sujeito horrível, que anda com um grande capuz negro e uma enorme foice. Foi ele que cometeu esses crimes.

- Ótimo, você me ajudaria a achá-lo?

- Não posso. Não tenho o dom. É possível que eu tenha passado por ele sem ter percebido. Mas você, por outro lado... Você pode vingar seu avô e resgatar a minha mãe. O ceifador está em algum lugar da cidade. É só procurar.

Heitor nem se despediu, assim que percebeu que Nestor não seria mais de grande ajuda ele simplesmente se direcionou até a saída e foi embora. Se caminhando para o corola. - Por onde começar? - Se perguntava. O Vale Quieto era uma cidade pequena, mesmo assim visitar todos os cidadãos seria algo penoso e possivelmente infrutífero. Heitor deu partida no carro e resolveu dar a volta na cidade. Acreditava que durante o caminho alguma solução apareceria em sua frente.

- Espere! Espere! - Gritou Nestor enquanto corria na direção do corola. - Ninguém anda pelo Vale Quieto a noite! É muito perigoso! - Tarde demais, o carro já havia dado a partida e Heitor já tinha se afastado demais. O vidro do carro estava completamente fechado impossibilitando que o motorista ouvisse alguma coisa de fora.

Heitor estava vageando pela cidade sem destino certo. Se lembrou do livro que seu avô havia lhe presenteado e se amaldiçoou por tê-lo esquecido em Gotham. Seria de uma grande ajuda naquele momento. Provavelmente teria uma ou duas páginas falando dessa tal criatura. Heitor não se lembra de já ter ouvido falar em ceifadores. Seu devaneio é interrompido quando cruzando uma rua Heitor finalmente parece ter encontrado algum cidadão vagando na rua. O detetive chega o mais próximo possível da pessoa e para seu carro. Fazendo o resto do caminho a pé. Estava escuro e a iluminação da cidade era péssima. No meio do trajeto para chegar perto do sujeito a ficha de Heitor parecia cair. O que ele deveria perguntar? Provavelmente uma pessoa comum não iria levar a sério uma conversa sobre monstros e ceifadores.

Heitor estava quase fazendo a volta e deixando o cidadão em paz quando ele percebeu algo estranho. Agora que estava mais perto dava pra ver que a silhueta daquele homem era estranha. O sujeito caminhava na direção de Heitor, parecia ter notado sua presença. Andava de um jeito estranho, meio desengonçado, os braços colados ao corpo.

Mais tarde, quando se aproximou o suficiente, Heitor finalmente descobriu o que era aquela "pessoa". Um ser estranho, sem rosto e nem braços. As pernas eram tortas e os pés virados pra dentro. O que explicava seu caminhar estranho. Na barriga havia uma abertura, como se fosse uma enorme ferida. Assim que viu o monstro Heitor pôs a mão na cintura esperando encontrar um coldre com uma pistola. Nesse momento ele lembrou que não estava em missão, por isso não estava armado.

Do buraco na barriga a criatura cuspiu um líquido visgoso e verde, Heitor conseguiu desviar por pouco. Desarmado o detetive achou mais prudente fugir do que ficar e enfrentar o monstro. Ele pretendia voltar ao seu corola e sumir dali, mas percebeu que isso seria impossível ao ver que próximo ao seu carro duas outras monstruosidades faziam vigília. Não demorou muito para que Heitor percebesse que aqueles monstros queriam encurralá-lo. Por sorte eles eram muito lerdos, Heitor deixou seu carro pra lá e fugiu dali correndo. Rumo a escuridão das estradas desertas.

Sem nenhuma lanterna para ajudar a se guiar não dava pra enxergar muita coisa que estivesse distante. Heitor temia que no meio de sua correria ele acabasse indo de encontro a outra bizarrice. O que acabou se confirmando. Heitor entra em uma rua sem saída. Ao tentar dar a volta percebe que um grupo de seres bizarros haviam fechado o caminho. E agora? Mais um guardião iria encontrar o seu fim?

- Garoto! Rápido! Por aqui!

Por milagre um dos moradores abre a porta de sua casa e possibilita uma opção de fuga para aquela enrascada. Sem pensar duas vezes Heitor aceita a ajuda e sai em disparada porta a dentro da casa daquele estranho.

- O que são esses monstros?

Assim que Heitor passa pro lado de dentro o bom samaritano tranca a porta de sua casa e com as mãos pede para o seu convidado fazer silêncio. Mesmo com as janelas trancadas dava pra ouvir o arrastar de pés das criaturas. Pra piorar eles emitiam um som estranho. Um chiado amedrontador. Se Heitor não estivesse acostumado com esse tipo de coisa ele até poderia ficar aterrorizado com aquilo. Mas para ele aquele tipo de coisa era fichinha.

- Você é maluco?! Sair pela cidade a noite! Não tem juízo?! - Heitor ficou calado, sem reação. Não sabia o que responder.

- Pai ele não é daqui. Não tinha como saber. - Só quando se pronunciou que Heitor percebeu que havia mais uma pessoa na casa. Um garoto gordinho de aparentemente oito anos de idade.

- Desculpe meus modos, é que essa cidade está me deixando maluco! Me chamo Frederico. Esse pequenino é meu sobrinho, Renato.

- O que são aqueles monstros que vi agora a pouco?

- São a maldição da cidade. Todo dia após o por do sol eles aparecem e dão fim a toda pobre alma que fique perambulando pela rua. - Heitor ficou nervoso. Ele se lembrou de quando era criança e gostava de ficar andando pela fazenda de seu avô a noite. Se perguntou se aqueles monstros poderiam andar pela fazenda de Akira, a final a propriedade fazia parte da cidade. Quantas vezes Heitor ficou perto da morte sem ter percebido?

- Desde quando esses monstros estão por aí?

- Desde sempre eu acho. Quando criança eu ouvia as histórias dos fundadores do Vale Quieto e sua relação com uma religião exótica. Acho que a maldição tem origem nisso.

- E vocês nunca tentaram fazer nada a respeito?

- Bem, pedimos ajuda a um "especialista". Um japonês velho que prometeu dar um fim nesse perrengue. O pobre morreu e acho que com ele as esperanças da cidade. - Heitor deduziu que Frederico estivesse falando de seu avô. Finalmente a história de Pan parecia ter sentido. Seu velho havia sido assassinado. Humano ou não o responsável iria pagar.

- Preciso descobrir tudo o que for possível sobre a história dessa cidade e dos seus fundadores.

- Talvez você descubra algo indo para a igreja da cidade. Ela agora é católica, mas soube que quando foi construída, há muito tempo atrás, seu credo era outro.

- Você tem alguma arma? - Heitor não poderia enfrentar aquele mal com as mãos nuas. Ele era um bom lutador, mas não tanto assim.

- Deus! Não! Você pode dormir aqui no sofá, assim que o sol nascer esses demônios irão desaparecer.

Frederico e Renato foram se recolher logo. Era apenas nove da noite, pelo jeito o povo daquela cidade tinha costume de ir dormir cedo. Heitor bem que tentou, mas o sofá pequeno de dois andares não ajudava. Além disso ele não estava com muita disposição pra relaxar. Passou a noite em claro pensando que tipo de morte teria acometido seu avô. Não havia sinal de ferimento visível, mas isso não significava que a morte havia sido sem dor.

O sol não havia nem bem aparecido e Heitor já tinha deixado a casa, como haviam lhe dito as criaturas realmente tinham desaparecido com o surgimento da alvorada. Que tipo de maldição era aquela Heitor não sabia dizer. Nunca tinha visto nada como aquilo antes.

Como previsto, seis horas da manhã a igreja ainda estava fechada. Não era muito grande, parecendo mais uma capela. Heitor, do lado de fora, tentou procurar por algum sinal de cultura pagã em seus ornamentos, mas não encontrou nada de irregular. Ele ali esperou até que o padre finalmente apareceu para abrir a igreja. O padre era um sujeito alto, mas que andava curvado. Era meio estranho.

- Em que posso ajudá-lo, filho?

O padre poderia esconder sua real imagem dos outros, mas não de Heitor que era um guardião. Por poucos segundos aquela figura amistosa deu lugar a figura de um homem sombrio vestido com um capuz que lhe cobria o rosto.

Apagar um clérigo não era algo que dava muita popularidade, mas era muito cedo, não havia ninguém na rua, Heitor poderia fazer o que quisesse com ele que ninguém viria. O detetive pegou o vilão pelo colarinho da blusa e o ameaçou. - Miserável! Você matou meu avô. - Heitor pensou que tinha subjugado o ceifador. Estava enganado. O "padre" se desvencilhou do agarão com um empurrão e se pôs em posição de ataque.

O ceifador abandonou de vez sua forma humana mostrando sua real aparência. Um ser coberto por um manto negro, com ossos no lugar da pele e empunhando uma enorme foice. - Seu maldito avô foi um pé no saco por anos!

Heitor conseguiu desviar de todas as investidas do ceifador. A foice era uma arma grande e por isso pesada, isso trazia uma desvantagem. Heitor consegue chegar mais perto da criatura e desfere nela várias sequências de golpes até que ela cai no chão. O detetive achou que a luta havia chegado ao fim, mas não. O monstro se levantou e mostrou um ás na manga.

O ceifador abre seu manto, não havia nada dentro da roupa, apenas uma escuridão total. Como um buraco negro que engolia a tudo. Primeiro Heitor ouviu uma voz familiar, depois viu um par de braços nervosos tentando escapar do manto. Por fim ela apareceu, Jacira estava desesperada, tentando inutilmente se afastar do seu opressor. - Heitor, meu filho, me ajuda! - Após mostrar sua prisioneira o ceifador a empurra de volta para dentro de si e fecha seu manto fazendo-a sumir.

- O que fez com ela, sua desgraça!

- Ela é minha prisioneira. - Disse o ceifador rindo. Uma imagem estranha de se ver. Uma caveira sorrindo não é algo muito comum. - Está um pouco passada, mas em minha condição a gente se distrai com o que pode.

BLAM! BLAM! Dois tiros no peito do ceifador. O monstro se assusta, mas já era tarde demais para ele tomar alguma providência. Ele cai no chão e abandona sua forma monstruosa, voltando a aparecer um singelo padre. Um singelo padre morto. Heitor procura pela origem daqueles disparos e encontra um rosto conhecido. Nestor estava ali perto empunhando uma pistola.

- Como? Você viu o ceifador? Mas você disse que não tinha o dom!

- Não, eu não vi ceifador nenhum. No meu ponto de vista você estava trocando socos com o padre.

- Então, por quê...?

- Se você estava brigando com esse sujeito boa coisa ele não era. Por isso resolvi ajudá-lo. Cometi algum erro.

- Não! De forma alguma!

Heitor vasculha o corpo até encontrar o que procurava, a chave da igreja. - Agora só falta encontrar sua mãe. Você poderia dar um jeito nesse cadáver?

- Com certeza. Continue com seu trabalho.

Heitor largou Nestor com o presunto e foi até a igreja. Ele abriu as portas e começou a vasculhar por algum compartimento secreto. Alguma sala escondida que pudesse esconder uma mulher cativa. Heitor foi parar atrás do púlpito onde descobriu um alçapão. Após descer um lance de escadas encontrou algo que não esperava. Várias jaulas contendo várias mulheres cativas. O falso padre, o monstro, era do tipo que gostava de fazer um harém pessoal. Jacira estava dentro de uma das jaulas. Ela chorou, emocionada, quando viu o neto do homem que ela amava a sua frente. - Heitor! Graças a Deus! Graças a Deus!

As mulheres foram soltas e levadas de volta as suas famílias, aquela noite Heitor iria passar junto de Jacira e Nestor na casa dos dois. Mas não antes de dar uma volta pela cidade em seu corola ao luar. Como haviam imaginado nenhuma criatura horrorosa foi avistada.

- Heitor tenho algo a te contar. - Disse Jacira enquanto os três se reuniram em sua cozinha e tomavam o café. - Eu e seu avô eramos...

- Amantes, sim eu sei. - Jacira ficou um pouco assustada, depois concluiu. - Mas era tão óbvio assim?

- Nestor por acaso é...

- Seu tio? Sim. - Jacira fez uma pausa, em que deu um gole no seu café antes de continuar. - Não sei se você ficaria chateado com isso, mas, em testamento, Akira deixou a fazenda para Nestor.

- Tudo bem. - Disse Heitor honestamente. - Acho que não me daria bem vivendo no interior.

- Você poderá visitar a fazenda quanto quiser. Sei que ainda tem alguns amigos por lá. - Heitor tinha a impressão que Jacira se referia a Pan e as outras criaturas místicas da fazenda.

- Obrigado. Acho até que vou dar uma passada por lá para contar as novidades.

Antes de voltar a Gotham, no dia posterior, Heitor passou na fazenda e se reuniu com Pan e seus amigos que tanto o ajudaram em sua infância. Além do fauno de madeira haviam ali fadas, duendes e várias outras criaturas originárias de lendas europeias. Naquele momento Heitor se perguntou como aqueles seres europeus foram parar na fazenda de um japonês que morava no Brasil.

- Que os deuses velem pelo seu destino. - Disse Pan. Enquanto dava um abraço meio sem jeito no detetive.

- Sentirei falta de vocês. - Disse Heitor. - Vocês foram de grande ajuda no meu aprendizado.

Pan entrega um presente a seu protegido. Um saquinho que Heitor verificou tinha pequenos feijões coloridos. O detetive fez menção que iria comer um ou dois deles o que resultou em reprimenda enérgica do fauno. - Não! Pela Deusa esses feijões não são pra se comer!

- São para o quê então?

- Quando houver necessidade você poderá usá-los para ir a outros mundos. Basta para isso molhá-los.

Heitor pôs o saquinho no bolso e agradeceu o presente. Após se despedir Heitor volta ao seu corola e dá a partida.

Agora suas novas aventuras se dariam em Gotham.