A Casa Monstro.

Heitor Sacramento estava adentrando a DP. Parecia um dia como outro qualquer. Policiais andando de um lado a outro, alguns suspeitos algemados aguardando seu destino, "cidadãos de bem" na fila para prestar alguma queixa e por aí vai. Nesse último grupo havia uma moça jovem que chamou a atenção de Heitor. Ela penteou o cabelo pra frente na tentativa de esconder seu machucado, um embaraçoso olho roxo. Heitor já havia visto cenas similares antes. Isso o deixava revoltado.

- Aquela moça veio prestar queixa do quê? - Perguntou Heitor ao policial Leleco já prevendo sua resposta.

- O de sempre. Namorado ciumento que não aceita fim do romance.

Não era função de Heitor se envolver com aquela moça, mas mesmo assim ele o fez. A chamou para uma conversa mais reservada e começou a fazer as mesmas perguntas que um policial que registra ocorrência faria.

- Mas eu já falei isso pro outro policial. - Disse a moça. - Preciso mesmo passar por isso novamente?

- Só me diga o nome e onde mora o sacana que fez isso com você. Pode deixar que o resto cuido eu. - A mulher se sentiu protegida com o apoio tão espontâneo de Heitor e deu a ele tudo o que pediu. Um nome e um endereço. O covarde que gostava de bater em mulher se chamava Giles. Um imigrante francês. Como se já não bastasse ter que resolver as merdas que o povo daqui faz Heitor tem que lidar com as merdas do pessoal que vem de fora.

Heitor estava usando seu corola, não queria dar pinta com uma viatura e além do mais ele não estava ali oficialmente. Ele esperou pela chegada desse tal de Giles sorrateiramente. Estacionando o seu carro na rua do suspeito e ficando de butuca até que ele chegasse em casa. Esse Giles era um homem de condição. A casa ficava em um bairro nobre e era bem grande. Com jardim, piscina e tudo o que o dinheiro podia pagar.

Ele chegou. Não dava pra ver direito por trás do vidro do carro, mas Heitor teve uma ideia de como ele se parecia. O sujeito era muito feio. Heitor se perguntou como um homem daquele poderia ter atraído uma moça tão bonita. Então o detetive viu a casa e o carro do homem e acabou chegando a uma conclusão.

Giles parou o carro na frente do portão de sua casa e saiu para abri-lo. No curto momento em que ele se dirigia até a entrada para abrir o portão Heitor viu algo que o surpreendeu. Por poucos segundos o carro do suspeito, um Impala 67 preto, se transformou em uma linda mulher. Heitor arregalou os olhos se perguntando se finalmente seu dom estaria lhe pregando uma peça. Era uma coisa que ele tinha que tirar duvida com o seu único confidente.

Adamastor Pitágoras, ou Pan como você achar melhor, não estava mais dividindo o mesmo teto com Heitor. Não que as coisas tivessem mudado muito. Por sorte um apartamento no mesmo prédio estava oferecendo vaga. O fauno a pegou sem pensar duas vezes. Heitor foi até a sua porta pedir uma ajuda. Quando o fauno o atendeu e Heitor finalmente conheceu o interior do apartamento do amigo ele por alguns minutos até tinha se esquecido o que vinha fazer ali. Pan trouxe um pouco de seu lar original pra sua nova moradia. Havia várias plantas decorando (mais do até do que móveis) e muitos animais correndo de um lado a outro além de algumas criaturas místicas das matas. Como se ali dentro houvesse uma "minifloresta".

- O sindico do prédio deixou você fazer isso com o apartamento?

- Ele não tem como saber. - Disse o fauno. - Pus um filtro de percepção na porta. Desde que ele não entre ele não verá nada mais do que um apartamento convencional.

Adamastor convidou Heitor para entrar e indicou seu sofá. O guardião assim que sentou ouviu um guincho agudo. Por sorte ele levantou rápido, tinha um guaxinim deitado lá antes dele chegar. O animal sai correndo e finalmente Heitor pôde se sentar sossegado.

- Pois não, amigo. Qual o seu problema?

- Acho que meu dom está me pregando peças. Eu segui um suspeito até sua casa, coisa normal na minha profissão e então...

- E então...?

- Por alguns segundos eu pude jurar que seu carro assumiu a forma de uma mulher. Isso nunca me aconteceu antes. Eu cansei de ver pessoas se transformando nas criaturas mais estranhas, mas isso... Um carro virar gente é coisa nova pra mim.

- Sei. E esse suspeito que você estava perseguindo, o dono desse carro. Você percebeu algo estranho nele.

- Não. Quer dizer, não tive oportunidade de vê-lo por tempo suficiente. Não sei dizer se ele é uma criatura sobrenatural.

Pan estava sorrindo, Heitor não entendia o porque. - O dom mais invejado de um guardião é sua capacidade de ver além das aparências. Isso não se limita a perceber os disfarces das criaturas sobrenaturais.

- Não estou entendendo.

- Por exemplo, imagine um bruxo. Imagine que esse bruxo ponha uma maldição em uma pessoa, uma bela dama como no seu caso, e comece a andar por aí com ela transformada em um carro. Você que tem o dom dos guardiões tem o poder de enxergar além da maldição. Tem o poder de perceber que o suposto carro na verdade é uma bela dama.

- Você acha que esse Giles é um feiticeiro?

- Provável. - Heitor começou a bolar alguns planos. Ele era policial por isso sabia meios de fazer com que alguém mofasse na cadeia. Mas essa situação era tensa. Na nossa constituição não é crime conjurar maldições. Como fazer com que Giles pagasse? Havia um meio mais fácil, mas Heitor não gostava de pensar nele. Não era assassino.

- Como se faz pra quebrar uma maldição?

- Isso está além das capacidades de um guardião. Sinto informar. Você precisaria da ajuda de algum bruxo, curandeiro, messias, divindade, milagreiro... Ou...

- Ou?

- Maldições não perduram quando o bruxo que rogou a praga morre. - A ideia que Heitor tentava evitar teimava a aparecer diante dele.

Madrugada, Heitor estava prestes a fazer algo completamente ilegal. Um policial, detetive ou seja lá o que for, pela lei não pode invadir uma casa, mesmo sendo de um suspeito, sem mandato. A não ser em flagrante delito, o que não era o caso. Porém Heitor não conseguiria conciliar suas funções de policial e guardião se não olhasse para suas regras de conduta com uma certa maleabilidade.

O muro era alto, pra piorar tinha arame enfarpado no alto. Passar por isso não foi problema. O pano grosso que trouxera servia pra isso. Já dentro da casa Heitor passou pelo jardim. Se não fosse a situação que se encontrava ele até o acharia bem bonito. Não tinha cachorro algum fazendo guarda, o que era um alivio. Nem mesmo nenhuma criatura mística, o que é de se imaginar encontrar na residência de um bruxo.

O impala 67 preto do suspeito estava estacionado na grama. Heitor ficou o encarando por um tempo pra ver se sua visão voltava. Dito e certo. Por alguns segundos, como da outra vez, o carro assumiu a aparência de uma jovem. A moça era morena e tinha um corpão. Heitor não confessava aquela verdade intima nem pra ele mesmo. Mas ele gostava de olhar para aquele carro. Principalmente porque nos poucos segundos que o impala mostrava seu verdadeiro eu esse verdadeiro eu vinha sem roupa.

Arrombar a fechadura da porta da casa foi fácil. Heitor tinha uma ferramenta pequena que servia para abrir a maioria das fechaduras. A porta tinha uma fechadura compatível. Tentar abri-la não demorou mais do que alguns segundos. Lá dentro estava tudo escuro. O morador aparentemente estava dormindo. Parecia fácil demais. O guardião, com cuidado pra não fazer barulho, subiu as escadas e foi parar direto no quarto. Giles estava ali, dormindo de pijama na cama, roncando que nem porco. Heitor acendeu a luz do quarto e quando Giles se levantou assustado tratou logo de dar dois tapas no sujeito.

- Então você gosta de bater em mulher, né seu bruxo?!

Giles ainda tentou lutar, mas seus socos eram desajeitados. Ele não era oponente. Heitor o pôs no chão com facilidade e deu mais alguns socos no suspeito. O homem começou a chorar. Heitor não queria admitir isso, mas sentiu prazer com o sofrimento dele.

- Retire sua maldição! Não me obrigue a fazer o pior!

Giles olhou para Heitor como se tivesse ouvido a coisa mais absurda do mundo. Heitor olhou atentamente para aquele homem caído e finalmente percebeu. Aquele aspecto humano não era um disfarce, Giles era um humano de fato. Heitor nunca havia enfrentado um bruxo antes por isso demorou de compreender. Chegou a pensar que por ter aspecto semelhante ao humano um bruxo não se revelaria assim tão fácil como as outras criaturas sobrenaturais. Porém, vendo aquele homem naquele estado ele teve certeza. Um bruxo não agiria assim. Giles era apenas um mundano. O caso da mulher transformada em carro acabara de se complicar.

Heitor sentou na cama e ficou parado pensando. Deveria haver uma saída para aquele problema. Enquanto o detetive refletia Giles ficava imóvel encarando-o como se estivesse vendo o diabo em pessoa. - Onde você conseguiu o seu carro?

- O impala? É seu! Pode levar!

- Não é isso o que eu perguntei. Quero saber onde você ganhou aquele carro!

- Ganhei de herança, assim como essa casa e quase tudo o que tem nela.

As coisas complicaram de vez, não havia mais pistas sobre o bruxo responsável pela maldição. Heitor ficou tão abalado com isso que nem se importou em deixar Giles sozinho em seu quarto. Isso foi um erro, o francês se aproveitou da distração do guardião para pegar seu celular e fazer uma ligação. Estava chamando a polícia.

Heitor desceu as escadas e foi parar na sala da casa. Sentou no sofá como se não tivesse invadido o lugar feito um ladrão, mas como se fosse o dono. Estava com a mente tão voltada para resolver a maldição da moça presa no impala que não se importava com mais nada. Ficou lá parado, com olhar vago. Quando de súbito teve uma visão que o fez pular do sofá. A televisão, por alguns segundos, havia se transformado em um japonês obeso de meia idade.

- Mas que porra, não é só o carro?!

Heitor acendeu todas as luzes de dentro da casa e parou na porta, para ter a visão mais ampla possível. Como ele temia a morena no carro e o japonês na televisão não eram os únicos humanos transformados em objetos ali. Em um vaso Heitor viu uma criança de oito anos, no lustre do teto ele viu uma loura pendurada, no tapete ele viu um adolescente deitado, no relógio da cozinha ele viu uma menina pendurada na parede... Era difícil encontrar alguma coisa naquela casa que o dom de Heitor não revelasse ser na verdade uma pessoa amaldiçoada.

Quando ouviu passos apressados subindo a escada Giles tratou logo de jogar seu celular em baixo da cama. Heitor apareceu na porta do quarto no mesmo instante em que o coração de Giles queria sair pela sua boca a fora. O detetive agarrou o francês pelo pescoço e o forçou a ficar em pé. O imprensando contra a parede. - De quem era essa casa? Você herdou ela de quem? Onde eu posso achá-lo?

O que deixava Giles mais nervoso era que os pedidos daquele invasor não faziam muito sentido para ele. Um criminoso por si só já parece perigoso. Um criminoso insano então nem se fala. - Essa casa era do meu pai! Ele está morto! - Aquilo não poderia estar correto. Pois se estivesse as pessoas na sala não estariam ainda amaldiçoadas. Então Heitor chegou a uma conclusão que o deixou ainda mais sem perspectiva. Talvez o bruxo não fosse o antigo dono da casa. Talvez fosse alguém que não tivesse nada a ver com a casa. Desvendar aquele mistério parecia uma tarefa impossível. Heitor tinha que pedir ajuda.

O guardião pegou seu celular e ligou para o seu fiel escudeiro, Adamastor. O fauno demorou a atender a ligação, Heitor julgava que isso se devia a falta de tato que Adamastor tinha com a tecnologia mundana.

- Ferrou, Pan, Giles não é o bruxo e eu não tenho a mínima ideia de quem seja. E agora?

- Tem certeza? Geralmente quando um bruxo transforma alguém em objeto é para ele ficar usando. Uma forma de punição bem sádica.

- Tenho. Giles é só um mundano. E pra piorar o carro não é o único objeto amaldiçoado na casa. É praticamente ela inteira. Quase todos os objetos nela são pessoas. - Giles ouviu toda aquela conversa. Acharia graça dela se não fosse a situação em que se encontrava.

- O bruxo deve estar por perto. Nenhum deles descartaria tantos escravos. Nenhum dono fica muito longe de seus escravos. Ele está por perto. Confie em seu dom.

Heitor não sabia onde procurar, fez um pente fino na casa e só encontrou mais e mais amaldiçoados. Pessoas transformadas em objeto. Por fim Heitor saiu da casa, do jardim ele começou a encará-la na tentativa de ter uma visão mais geral. Nesse momento ele teve a revelação.

Por poucos segundos a casa como um todo se revelou para ele. Mostrou sua verdadeira forma. A casa na verdade não era uma casa, mas sim um homem. Um velho trajando algo que parecia um vestido. Tinha uma barba comprida e pra terminar o visual de feiticeiro só lhe faltava um chapéu pontudo. Heitor finalmente havia encontrado o responsável por aquelas maldições. Heitor havia encontrado o bruxo. O bruxo era a própria casa.

Heitor podia ver a real forma da casa e parecia que ela também podia ver que estava sendo notada. Aconteceu um tremor semelhante a um terremoto. Giles se encolheu no canto do quarto temendo que algo caísse sobre a sua cabeça. Ao invés disso o chão sumiu debaixo dele. Onde antes tinha uma casa não havia mais. Giles caiu de uma altura considerável, tendo a sorte de ter pousado em cima de vários objetos amontoados. Onde antes tinha uma mansão de luxo agora parecia ter um lixão. Um lixão com vários móveis e quinquilharias empilhados.

A casa a qual Heitor estava encarando agora estava na sua frente na sua forma verdadeira. O bruxo barbudo olhava para o guardião. Ele tirou uma varinha de sua manga. Heitor começou a tremer.

- Na minha coleção tem de tudo. - Disse o bruxo. - Menos um guardião. No que você gostaria que eu te transformasse?

O bruxo apontava sua varinha pro guardião e esse reagia como se tivessem apontando uma arma a ele. O que não estava muito longe da verdade. Giles assistiu aquela disputa sem ser notado. Não é que não soubessem de sua presença ali é que simplesmente não se importavam. O francês tentava encontrar uma solução racional para um evento não racional. Se ele persistisse muito naquilo poderia perder a sanidade. Ao invés de tentar entender o que ocorreu Giles passou a se preocupar no que estava ocorrendo agora. Ele se aproximou dos estranhos no seu jardim e prestou atenção em seus rostos. Ao ver o velho barbudo de frente ele tomou um susto.

- Pai?

- Agora não, meu bem! Estou ocupado! - Disse o velho sem se virar pra não perder o guardião de vista.

- Eu pensei que o senhor estivesse morto! E que barba ridícula é essa?! Que roupas são essas?!

- Agora não, querido, papai está ocupado. - O bruxo se virou para dar atenção ao seu filho por apenas um instante. Era o que Heitor precisava. O guardião se jogou na direção do bruxo e agarrou seu pulso. Fazendo com que ele não pudesse apontar sua varinha direito. O bruxo e Heitor começaram a rolar no chão. Giles ficou assistindo a disputa sem entender nada.

Para alguém que parecia ser tão idoso o bruxo era incrivelmente capaz. No meio da luta o velho consegue apontar sua varinha para o seu oponente. Ele grita algo em uma língua estranha e como resultado Heitor sai voando, caindo a alguns metros de distância.

- Já chega! - Disse o velho. - Acho que você daria uma ótima privada! - O bruxo apontou para o guardião caído e começou a recitar as palavras mágicas. Heitor sentiu uma forte dor e percebeu que o pior estava acontecendo.

- Pai! Já chega! - Gritou Giles. Demonstrando uma humanidade que surpreendeu Heitor.

- Mas filho!

- O que você está fazendo?!

- Seu pai é um monstro! - Gritou o guardião, ainda caído no chão. - Ele amaldiçoou várias pessoas, as transformando em objetos. Sua casa foi mobiliada com dor e sofrimento. - Aquilo ainda soava estranho aos ouvidos de Giles, mas depois de tudo o que ele passou aquela noite ele não duvidava de mais nada.

- Isso é verdade?

O bruxo encarou o filho com um olhar envergonhado. - Não amaldiçoei qualquer um. Todas essas pessoas te fizeram sofrer. Eles mereceram.

- Você amaldiçoou até crianças seu monstro! - Gritou Heitor.

- Pai, se me ama, desfaça o que fez.

Apesar de um pouco triste e desapontado com a atitude do filho o bruxo velho acatou o que lhe foi pedido. Balançou sua varinha no ar por alguns instantes e de repente a pilha de entulho que tomava o jardim desapareceu. Em seu lugar surgiu várias pessoas, das mais variadas idades, raças e gêneros. O terreno da casa de Giles estava parecendo um campo nudista já que os humanos convertidos não vieram com roupas.

- Só queria ajudar. - Disse o bruxo.

BLAM! BLAM! Dois disparos. Heitor aproveitou novamente a distração do bruxo. Só que dessa vez tomou uma atitude mais definitiva. Pegou a arma de seu coldre e disparou contra o velho. Giles o pega antes que ele caísse no chão. No colo do filho o bruxo deu seus últimos suspiros. - Eu te amo. - Disse o bruxo a Giles. - Nunca se esqueça disso.

O francês olhou para Heitor como se perguntasse o motivo daquilo. O guardião nada respondeu apenas caminhou tranquilamente até a saída. Tentando se obrigar a não sentir remorso pelo assassinato que acabara de cometer. Ele julgava que o maldito bruxo não merecia nem isso. A polícia que Giles chamou chegou logo em seguida. O francês estava tão transtornado que não sabia o que responder. Coletaram depoimentos das pessoas que estavam nuas no jardim. Todas voltaram sua raiva para o filho do bruxo o acusando de sequestro e carcere privado (não era bem isso que sofreram, mas era quase). Giles teria problemas. E iria descobrir o que é ter a liberdade privada.

Mais tarde, ainda naquela noite, Heitor foi desabafar com o único amigo a qual ele podia. O fauno Pan. Cujo em sua forma humana era conhecido como Adamastor.

- Eu gostei. - Confessou Heitor. - Senti prazer quando atirei no bruxo e quando espanquei o filho dele. Isso me preocupa as vezes.

- Você não é um homem mau. - Disse o fauno. - Só passou por uma situação extrema. O bruxo sim tinha uma alma podre. Mas não se preocupe. Agora que está morto ele vai ter o dele. Acredite, o sofrimento que ele fez os outros sofrerem vai parecer um passeio no parque comparado ao que o aguarda.

Heitor ainda estava meio cabisbaixo. Pra amenizar a situação Adamastor tratou de mudar de assunto. - Identificar objetos transformados é algo impressionante até mesmo para um guardião. - Heitor deu um sorriso triste, como se quisesse passar a impressão de que tinha gostado do elogio.

- Se você trabalhar mais sua habilidade poderá enxergar até os disfarces dentre os próprios humanos. Ver através das máscaras que eles usam pra viver em sociedade. - Heitor não estava com cabeça para ouvir mais nada. Ele se despediu e deixou o fauno sozinho.