Cirque du Macabre

Apesar de não ser evidente por causa de sua pele morena, que herdou da mãe, Heitor é descendente de japoneses, pelo lado da família do seu pai. Apesar de nunca ter conhecido o Japão, algo que ele pretende remediar em breve, Heitor é muito interessado pelas notícias que acontecem lá. Desde as catástrofes naturais, as inovações tecnológicas até o último desenho animado da moda. Naquele domingo o detetive não trabalharia, a não ser que ocorresse alguma emergência, o que em uma cidade como Gotham não era muito difícil. Ele aproveitou a folga pra aproveitar um dos seus maiores prazeres que é negligenciado por causa do seu trabalho puxado. Dormir. Heitor acordou quase ao meio dia. Algo atípico em sua rotina.

Ainda vestindo apenas a cueca samba-canção que usou pra dormir, Heitor vai até a cozinha e prepara o almoço. Tudo com calma, não havia motivo pra pressa. De repente o seu celular toca. Seu sangue chegou a gelar. - Maldição! Será que é trabalho?! - O detetive atende a chamada e se sente aliviado ao perceber que era sua mãe no outro lado da linha, ou seja, não era o comandante Levi Straus pedindo reforço.

- Oi, mãe. Tudo bem?

- Garoto, liga logo a TV no canal 10!

- O que é mãe? Parece até que é o fim do mundo!

Heitor ainda com o celular no ouvido vai até a sala e pega o controle remoto em cima do sofá pra ligar a TV. Estava passando um noticiário. A repórter parecia estar emocionada, ao que parece aconteceu alguma tragédia. Ao fundo ruas e casas destroçadas. Um desastre natural na certa. Heitor não demorou a perceber que aquilo ocorria no Japão mesmo não tendo ouvido ainda o que a repórter dizia.

- E você ainda quer visitar esse país?! - Manoela não gostava da ideia do filho visitar o Japão. Ela já ouviu muitas histórias sobre tragédias naquele país ao ponto de não achá-lo seguro. Aquela notícia só veio para agravar aquela má impressão.

- Tá bom, mãe. Obrigado por me avisar. Beijos. - Heitor desliga o celular e o joga de qualquer jeito no sofá. Estava em pé diante a TV e só sairia dali quando o furo de reportagem acabasse.

- O evento atingiu 30.000 km2, uma porção considerável de toda a área do país. Tóquio está em ruínas. - Dizia a repórter. - Alguns dizem ter sido uma catástrofe natural sem precedentes, mas há também quem diga que foi um ataque militar. Algumas testemunhas dizem ter visto naves e sons de bombardeio. A China nega a autoria.

Após a notícia trágica o telejornal apresentou outra matéria, na verdade a previsão do tempo, feito por uma outra repórter que ia se desnudando a medida que falava. Como o assunto do seu interesse tinha acabado, Heitor sai da sala e foi pra cozinha, resolver logo o seu almoço. Arroz, carne seca e uma banana.

Heitor não se preocupou em desligar a TV, da cozinha ele ouvia o que se passava. Começou a ser transmitida uma matéria sobre o grupo de arruaceiros que espancava vítimas inocentes nas madrugadas de Gotham. Imediatamente Heitor lembrou do caso e imaginou como Wagner, o responsável por essas atrocidades, estava se saindo na cadeia. O povo de Gotham não tinha como saber disso, mas grande parte da população carceraria da cidade era formada por seres sobrenaturais. Heitor sabia disso, pois foi ele que pôs a maioria deles atrás das grades. Um guardião não é muito popular, um guardião sanguinário deveria ser menos ainda. Heitor se perguntava por quanto tempo Wagner conseguiria sobreviver.

No meio da matéria um senhor de idade dá uma entrevista e se queixa de que sua cidade, a outrora bela Gotham segundo ele, estava se afundando em um mar de criminalidade. O velhinho era bem informado. Citou o caso da menina esquartejada e encontrada na geladeira. Falou sobre o caso do imigrante francês sequestrador, que mantinha suas vitimas presas em sua casa sabe se lá como. Falou sobre o garoto que espancou um homem até a morte sobre efeito de uma nova droga. Enfim, para o velhinho Gotham estava indo para o inferno. Heitor não conseguia discordar totalmente daquela opinião. E ele ainda acrescentava mais um adendo. Pra ele a cidade estava apodrecendo por causa dos seus moradores não humanos.

Depois de almoçar Heitor lavou o prato que usou para comer e o guardou. Em seguida tomou um banho e vestiu uma boa roupa. Ele tinha a tarde inteira livre e estava pensando no melhor jeito de aproveitá-la.

Heitor pega o seu celular e liga para seu pai, quem atende é a namorada dele, a ninfa Sofia. Ela quando percebeu se tratar do guardião ficou um pouco nervosa, o último encontro dos dois não foi lá muito amistoso.

- Joaquim, meu pai, está aí?

- Um momento. - Heitor ficou quase dois minutos na linha esperando. Os dois pareciam estar tendo uma discussão, Heitor não conseguia entender direito sobre o quê. Mas parecia ter algo a ver com ele.

- Diga, filhão! - Joaquim enfim atende a ligação.

- Pai, estou com o domingo livre e faz um bom tempo que a gente não se vê. Pensei em fazer um programa em família. Que tal?

- Ótima ideia! Só um momento. - Joaquim tapou o fone pra falar alguma coisa com Sofia. Depois de alguns segundos voltou a falar com o filho. - Sofia está sugerindo um circo que está passando pela cidade. Você se interessaria?

- Se você gostar pra mim tudo bem. Qual é?

- Um tal de Cirque du Macabre. Gostei do nome exótico. A gente se encontra lá as seis, você sabe onde ele fica?

- Relaxa, pai. Pra isso existe o são Google.

Heitor desligou o celular já tendo um programa pra aquela noite. Ele preferiria se encontrar a sós com seu pai, mas com essa nova namorada dele Heitor tinha que se acostumar com a ideia de vê-la sempre pendurada no pescoço do seu velho. Com tanta mulher bonita em Gotham por que seu pai foi se interessar justo por uma mulher sobrenatural? Se indagou Heitor. Depois ele desiste da linha de raciocínio ao se lembrar que ele também havia se interessado por uma mulher não humana. A maluquinha Felícia. Ao lembrar do seu último romance Heitor ficou imaginando onde ela poderia estar. Será que ainda estava em Gotham? Será que ainda estava no mundo mundano? Difícil de dizer. Ela não deixou contato. Não queria ser encontrada.

A tarde toda, como não tinha o que fazer, Heitor gastou assistindo televisão. Ele havia gravado no pen-drive alguns seriados antigos e o pôs pra assistir na TV, que tinha entrada USB. Assistiu alguns animes e alguns seriados de heróis coloridos, os tais tokusatsus. Ficou jogado no sofá comendo bobagem por horas, só se levantando quando chegou o horário de sair.

Heitor toma um banho e veste uma boa roupa. Calça jeans azul, blusa branca com um ômega vermelho desenhado em cima de um grande X e, pra finalizar, uma jaqueta de couro preta, já que as noites de Gotham tendem a serem frias. O detetive sai do prédio e vai até a garagem do apartamento. Entra no seu corola prateado e ruma até o bendito circo. Na saída do prédio dá boa noite ao porteiro. Um sujeito alto e de pele bem escura.

O circo ficava longe do centro, praticamente no limite de Gotham. Havia uma grande área verde ao redor. E a tenda do circo era bem grande. O estacionamento foi a primeira coisa que desagradou Heitor. 15 reais. Ele achou um absurdo. Heitor para seu carro ao lado de um mustangue azul. Ele conhecia aquele carro. Significava que seu pai já havia chegado.

Heitor sai do carro e, em seguida, do estacionamento. Encontrou seu pai, Joaquim, junto de sua namorada na fila da bilheteria. Joaquim estava vestido de terno e Sofia usava um vestido vermelho tão atraente que Heitor se pegava olhando pra ela de maneira errada, por mais que ele tentasse se controlar. A fila era um pouco grande, o espetáculo parecia ser famoso. Heitor se aproximou do casal e abraçou seu pai. Com Sofia deu dois beijos na bochecha, fingindo cordialidade.

- O circo é bom? - Perguntou Heitor a Joaquim. Porém quem respondeu foi Sofia.

- Já tive um passado no circo. - Revelou a ninfa. - Trabalhei aqui quando era adolescente. O dono é um grande amigo meu. O considero praticamente como sendo alguém da família.

Aquela informação preocupou Heitor, ele olhou para o seu redor e seus temores foram confirmados. Ao olhar atentamente para todos os funcionários do circo que estavam ao seu redor, desde vendedores de pipoca a simples faxineiros, seu dom de guardião revelou que não eram humanos. Mas sim seres sobrenaturais. - Um circo de aberrações! Que maravilha! - Comentou Heitor pra si mesmo de maneira irônica. Apesar de usar um tom bem baixo, quase inaudível jugava ele, Sofia ouviu e obviamente não gostou.

Na bilheteria Heitor toma uma surpresa, o bilheteiro era alguém conhecido. Adamastor Pitágoras, o fauno Pan disfarçado de humano. Ele usava uma roupa vermelha e um boné estranho. Parecendo mais um vendedor de cachorro quente do que um bilheteiro. - O que está fazendo aqui? - Perguntou Heitor.

- Como assim? Eu também tenho que trabalhar. Como você acha que eu pago pelo meu apartamento mundano? - Respondeu Pan.

- Vocês já se conhecem? - Indagou Joaquim, que achou o fato curioso.

- Sim ele é meu vizinho. - Heitor pegou seu cartão de dentro da carteira e entregou ao fauno. - Três ingressos, por favor. - Quando Pan pegou no cartão Heitor se aproximou e tentou falar com ele baixinho no ouvido, para que seu pai e, principalmente, Sofia não ouvissem. - Tem alguma coisa errada com esse circo?

- Como assim?

- Percebi errado ou todos os funcionários são não humanos? Quando eu vejo tanto ser imaginário junto já prevejo problemas.

- Isso é preconceito! - O fauno ficou chateado e Heitor se arrependeu de ter dito aquilo. - O show é ótimo, você não vai se arrepender.

Após pegar os ingressos o trio comprou pipocas e refrigerantes e entraram no circo. O lado de dentro não tinha nada de que um circo qualquer não teria. As cadeiras estavam lotadas, Heitor olhou para os lugares e notou que não haviam crianças na plateia. Isso ele achou estranho já que é comum encontrá-las em circos. Os três se sentaram na segunda fila em uma posição bem central, um bom lugar. Dava pra ver tudo sem se incomodar com nenhuma pilastra inconveniente. Joaquim sentou no meio, Heitor ao seu lado esquerdo e Sofia no direito.

Um homem vestido de capa e cartola apareceu no palco em meio a uma cortina de fumaça. Era um mágico, era evidente pelas suas roupas que eram bem estereotipadas. O homem pegou uma varinha de sua cartola e, mesmo de longe, Heitor percebeu. Aquela não era uma varinha de brincadeira, era uma de verdade, o mágico que no palco distraia a plateia era um bruxo. O bruxo se apresentou como Mozenrath, se fosse um ilusionista mundano Heitor diria que era nome artístico, mas como era um bruxo de verdade Heitor não duvidava que aquele fosse de fato seu nome.

Mozenrath começou o show expelindo pombas brancas da ponta de sua varinha. Os pássaros voavam até o topo da tenda e a plateia aplaudia. Todos achavam incrível e se perguntavam como ele fazia para dar aquela impressão que os pássaros surgiam do nada, se materializando no ar. Heitor não sentia a mínima vontade de aplaudir, pois ele sabia como era feito aquele truque. Era feito com magia.

Pro próximo número Mozenrath chamou alguém da plateia, uma moça jovem e bem bonita. O mago a pôs no meio do palco e a escondeu colocando um cobertor em cima dela. Heitor desconfiava que seria um truque barato de fazer uma pessoa desaparecer, no entanto o efeito foi outro. Quando Mozenrath tirou o cobertor que escondia a moça ela permanecia no palco, mas suas roupas não.

A moça parecia não ter percebido sua nudez, ficou apenas parada olhando para os rostos cobiçosos que se viravam a ela. Só ao olhar pra baixo que a ficha caiu. Ela deu um gritinho agudo e se agachou na tentativa de esconder seu corpo nu. Nesse momento Mozenrath colocou novamente o cobertor sobre ela por alguns segundos. Ao retirá-lo ela estava novamente vestida.

- É, agora entendi porque esse circo não tem crianças. - Constatou Heitor. - Mas vou logo avisando se alguém tentar fazer com que eu passe por uma vergonha dessas vai ter encrenca!

- Pra um detetive você é bem inocente. - Disse Sofia. - Não percebe que a moça faz parte do circo? É tudo encenação, é tudo armado.

Quando a garota saiu do palco Heitor ficou a encarando de longe olhando bem pro seu rosto. Sua fisionomia mudou revelando sua verdadeira natureza. O rosto humano foi substituído por um rosto que lembrava uma pantera negra.

Mozenrath sai do palco pra dar espaço a próxima apresentação, um homem ruivo, alto e forte que parecia e se vestia como um viking. Com direito a barba espessa e trançada. O gigante se apresentou como Sigfried. Com dois bastões em chamas nas mãos o grandalhão cuspia fogo e brincava colocando as pontas flamejantes dos bastões bem próximas ao seu corpo. Heitor olhou pro rosto do viking e percebeu sua real natureza. Ele parecia um dinossauro ou um lagarto. Como tinha tanta intimidade assim com fogo Heitor deduziu que ele era um dragão.

A próxima atração foi ainda mais bizarra, um homem magro, alto, com cabelo comprido e pele pálida com a ajuda de um assistente anão tinha seu corpo perfurado por lâminas. Seu nome era Mayhem. Apesar de não sangrar a cena era chocante e muitos da plateia desviavam o olhar. No final da apresentação o sujeito tinha umas cinco espadas finas enfiadas no corpo. Uma na perna esquerda, três no tronco e uma no braço direito. Pra não perder o hábito, Heitor ficou encarando o figura pra tentar ver o que ele era. A fisionomia real de Mayhem não era assim tão diferente. O rosto parecia com o humano, apesar de ser ainda mais branco, só que marcas negras rondavam seus olhos e sua boca.

O show era demorado. Duas horas e meia, contando com o intervalo de vinte minutos. Teve de tudo um pouco, desde malabaristas, a contorcionistas, palhaços e acrobatas. Todos os artistas, como Heitor não pôde deixar de notar, eram não humanos. Seres sobrenaturais criados pela imaginação dos mundanos. Heitor nunca tinha visto um grupo tão grande como aquele antes. Ele tentou contar mentalmente quantos eram todos os funcionários do circo. Contando artistas e pessoal de apoio, a equipe facilmente ultrapassava a casa dos cem.

No fim do espetáculo Heitor se despediu de seu pai e da sua "madrasta". Cada um veio com seu próprio carro fazendo com que fosse natural que saíssem em momentos diferentes. Depois de Joaquim e Sofia irem embora no mustangue azul foi a vez de Heitor entrar no seu corola e seguir rumo ao seu apartamento. O detetive ficou curioso ao ver seu amigo, Adamastor, junto a seu carro.

- Que foi, Pan? Quer uma carona pra casa?

- Na verdade queria que você viesse comigo. Tem alguém que quer conhecê-lo.

O fauno levou Heitor para fora do estacionamento, o guiou em direção ao circo, mas não ao palco ou a plateia, mas sim aos bastidores, que ficavam no fundo. O bastidor era um lugar grande. Cheio de várias portas que levavam a diversos camarins. As pessoas a sua volta o deixavam nervoso. Heitor sentia todos os seus sentidos de guardião alertas por estar em meio a tantas criaturas místicas.

- Pra onde está me levando? - Perguntou Heitor quase gaguejando.

- Você verá.

Se o fauno não fosse o seu melhor amigo Heitor não aceitaria uma situação dessa. Um convite pra entrar em um "ninho" de sobrenaturais. A última porta de um longo corredor tinha a palavra diretoria entalhada na madeira. Adamastor abriu essa porta e indicou para que Heitor entrasse. - Daqui pra frente é com você. - Heitor hesitou um pouco, mas o fauno conseguiu convencê-lo ao fazer uma de suas caras de menino pidão.

Heitor entrou na sala. Havia um homem sentado atrás de uma mesa. O homem era negro e usava uma roupa muito antiquada, com direito a gravata borboleta e suspensório. Parecia ser muito jovem pra ocupar a vaga de diretor de qualquer coisa, mesmo que fosse um circo. O diretor apontou para uma cadeira que ficava na frente da mesa. Heitor sentou nela, mas ainda não conseguia relaxar.

Apesar do resto dos bastidores terem paredes convencionais a daquela sala era de madeira, fazendo com que aquele ambiente lembrasse até o interior de um chalé. Fora a mesa havia uma estante de livros e um armário. Não havia janelas e nem ar condicionado, mesmo assim não era abafado, o clima ali dentro era bem agradável. Melhor até do que no lado de fora.

- Queria conversar comigo? - Perguntou Heitor.

- Sim, mas deixe me apresentar primeiro. Sou o dono desse circo. Me chamo Gallifrey. - O tal Gallifrey estendeu a mão para Heitor. O guardião demorou de apertar a mão do seu anfitrião, demonstrando que não estava muito a vontade.

Como fez com os outros funcionários do circo, Heitor forçou o olhar no rosto de Gallifrey na tentativa de descobrir o que ele era. A resposta para aquilo pegou o guardião de surpresa. Heitor não viu apenas uma pessoa mudar de forma revelando uma cabeça de animal ou de um monstro, como acontece na maioria das vezes, Heitor viu uma imagem que tomou toda a sua visão. Viu um universo inteiro, cheio de planetas e estrelas. A imagem era tão forte e grande que Heitor teve que parar de confrontá-la. Devido a visão Heitor começou a sentir uma forte enxaqueca, como se aquilo fosse informação demais para sua cabeça humana registrar.

- O que é você?! - Perguntou Heitor, logo que voltou a si.

- Perdão, devia avisá-lo desse inconveniente. Minha forma real pode ser por demais desconcertante. Não sou um ser criado pela imaginação humana. Pelo contrário, sou um primordial. Da nossa mente, da nossa imaginação, é que o universo e os humanos foram criados.

- Besteira!

- Seu ceticismo é compreensível, mas ele não vem ao caso. Pedi que o nosso amigo fauno o chamasse, pois preciso tratar de um assunto mais sério.

- O que seria?

- Como primordial eu posso viajar livremente pelo tempo e espaço. Eu vi o futuro, meu caro guardião, vi a humanidade conquistar as estrelas e se tornar eterna. Vi maravilhas que você não pode sequer imaginar.

Heitor sorria, com ceticismo. - Sorte sua.

- Esse futuro glorioso foi ameaçado graças a uma decisão sua. Uma decisão que você terá que corrigir.

- Do que está falando?

- Você vendeu o nome do seu filho a um bruxo, certo?

- Como você sabe disso?!

- Porque eu vi o que irá acontecer mais a frente. O mundo mundano irá ser dominado por forças malignas. Tudo por causa do nome de uma criança. Já começou a acontecer. Você viu as notícias sobre o Japão, certo?

- Isso não faz sentido. Como um nome pode causar tanta coisa?! O nome de uma criança que nem existe!

- Quem disse que não existe? Seu filho acaba de nascer. Parabéns, papai.

Heitor acharia aquilo absurdo, mas aí lembrou de Felícia e de como a amou sem usar preservativo. A possibilidade era remota, mas não impossível.

Enquanto isso, em um hospital público de Gotham uma jovem gótica dá a luz ao filho do guardião.