Capítulo 3-Rizenpool
–Desculpe, Ed-kun, Eu não sabia... –ao terminar de dizer isso, ela pousou uma das mãos no ombro do garoto, tentava reconfortá-lo, ainda que soubesse que seu ato era dispensável. Ele assentiu sem gesto ou palavra alguma, apenas com o silêncio em que permaneceu. Kanaye olhou-o, permanecia parado, sua cabeça pendia caída e os olhos dourados miravam a lápide fixamente.
Percebeu que em nada adiantaria continuar ao lado de Edward naquele momento, ele necessitava seu espaço e a morena o daria. Saiu dali sem dizer palavra que fosse, deixando-o sozinho.
De início, Edward não se moveu, apenas ficava observando cada detalhe daquela lápide, cada entalhe parecia cativar a atenção de seus olhos. Na realidade, seu silêncio era conseqüência das muitas coisas que lhe passavam pela cabeça. Contudo, nada que ele acreditasse que devesse ser necessariamente exposto.
–Okaa-san, desculpe por tudo, nós só queríamos ver você mais uma vez, e tudo isso aconteceu. Espero que um dia você possa sorrir novamente por algo que fizemos. Kaa-san, eu não sei o que fazer mais. Antes de ir para o outro lado eu tentei trazer o Al de volta, mas quais garantias eu possuo? E se aconteceu o mesmo que aconteceu com você? –silêncio... Ninguém respondia, mas não era nada inesperado. –Se eu chegar e descobrir que fracassei novamente... Como vou poder olhar para todos? Isso é o que chamam de medo?
Edward agachou-se e puxou algo de dentro do bolso, uma pequena caixa negra, olhou-a por uns instantes.
-Há quatro anos eu peguei isto de você, estou devolvendo agora. –estendeu a mão que segurava a caixa e pousou-a na frente da lápide. –Okaa-san... Desculpe-me, mas não me importo com a quantidade de Homúnculos que criarei até que consiga trazer Al de volta. Vou tentar até que eu não tenha nada a oferecer e se preciso, morrerei tentando. Espero que possa me perdoar por isto.
Segundos após aquelas palavras, ele levantou-se e recomeçou a andar calmamente colina a baixo. Quando chegasse à base da colina encontraria Kanaye, que o seguiria de perto, e pela primeira vez, ela não pronunciaria palavra sequer.
Apenas três pessoas se encontravam na mesa, todos entretidos com seus respectivos pratos, até que alguém resolveu se pronunciar.
–Eu vou com você, Al! –aquilo parecia ter pego todos de surpresa, até mesmo a jovem que dissera aquilo. De qualquer forma, Alphonse não havia dito que iria a lugar algum e ela estava se precipitando. -Eu sei que você vai embora para procurar a Ed, mas não pode ir sozinho!
–Por q... –Alphonse foi interrompido por alguns irritantes latidos e insistentes ruídos vindos da porta, feitos por unhas de um cão desesperado para sair daquele ambiente.
–Den? –Winry andou até o cachorro e abriu a porta que ele insistia em arranhar, e quando o fez, Den saiu em disparada para longe, ainda latindo. –O que deu nele?-perguntou-se mentalmente olhando pela porta na tentativa de encontrar algo ou alguém se aproximando. Contudo não via nada, apenas podia perceber que ao longe os latidos do cachorro diminuíam sua intensidade. –aconteceu alguma coisa –comentou novamente para si. Den não era muito de sair latindo, raramente o fazia, ignorando o fato ela fechou a porta e dirigiu-se para a mesa, onde todos estavam.
–Por que você iria querer procurá-lo comigo? É perigoso para você! –Alphonse disse não entendendo a atitude de Winry.
–E não é para você, Al? Não quero ficar aqui, como sempre. Só esperando vocês voltarem para casa sem dizer nada. E depois, você não tem mais um corpo quase imortal! –Winry não gritava, mas falava tudo em um tom alto e autoritário. Ainda de pé apoiou as mãos na mesa e debruçou seu corpo ficando com a face próxima e voltada para Alphonse, assumira daquela forma uma postura ofensiva, de quem não aceitaria uma recusa.
–Eu estudei esses anos para que pudesse ir atrás do Nii-san!
–NÃO VOU IMPEDÍ-LO! –a garota já estava começando a estressar-se com aquela conversa quando ouviu algo batendo a porta. –EU SÓ NÃO QUERO QUE VOCÊ VÁ SOZINHO! É perigoso, Al. Eu não quero e nem suportaria perder você também –novamente o mesmo barulho na porta.
–Mas...
–Parem de brigar e atendam! –os dois se calaram instantaneamente e perceberam que havia realmente alguém batendo na porta. Estavam tão imersos em sua briga, que não conseguiram ouvir o barulho que vinha dali.
–Vai, Al! –Winry apontou na direção da porta e olhou o garoto. Vencido, ele se levantou da cadeira e rumou para a porta. Ouviu-se o barulho da porta rangendo, como se estivesse sendo aberta, todavia Alphonse não voltava.
Alphonse rumou para a porta com uma expressão irritada. –Por que ela tem que ser tão teimosa? –ele abriu a porta como lhe fora ordenado e de cara encontrou duas pessoas, uma delas totalmente desconhecida e a outra lembrava muito...
–Nii-san? –depois dessa palavra, Al ficou em silêncio. Tentava achar uma explicação plausível para aquilo que via, queria acreditar que aquele era seu irmão e que ele estava à sua frente. Por alguns segundos permaneceu assim, até que alguém quebrou o silêncio.
–Então é ele? Ele se parece bastante com você! Tem os mesmos olhos, e o cabelo também, mas... ele é... alto! –ela foi cortada por uma outra voz.
–Al, se ficar na porta nós não poderemos entrar e depois, não era exatamente a recepção que eu esperava... –Edward falou sem emoção, além da raiva do comentário de Kanaye. Não obstante, não era bem assim que estava. Sentia-se feliz por seu irmão estar bem e não ter acontecido o mesmo que havia ocorrido com a mãe deles, havia sido bem sucedido naquela transmutação humana. –Obrigado, okaa-san! –falou em sua mente.
–AHH... ALPHONSE, MAS QUE DEMORA EM ATENDER A PORTA! QUEM É? –perguntou Winry indo para a porta ver o que estava acontecendo. Encontrou com uma figura loira e de olhos amarelos à sua frente, paralisou com sua mão no ar, apontava para o garoto. –E. Eed... ED? –ao terminar de dizer isso ela se jogou em cima dele quase o derrubando.
–Errr... -foi apenas isso que Edward conseguiu pronunciar ao ser esmagado pelos braços de Winry. Depois de algum tempo, soltou-o. Olhou novamente para sua face, ela precisava checar se não era enganada pela sua mente. Ele parecia diferente, maior e com traços mais amadurecidos, mas ainda assim era Edward.
–BAKA! BAKA! O que você fez nesses anos que não pode voltar?
–... –Edward permaneceu em silêncio, apenas observando as pessoas ao seu redor. Seus olhos encontraram os de Winry e passaram para os de seu irmão e ali permaneceram por um tempo, até que ele sentisse aquelas lembranças entrando em sua cabeça novamente. Em um ato de fazer a dor cessar colocou as mãos na cabeça e apertou os dedos contra ela.
–Ed? ED? –ouviu várias vozes o chamando, mas a dor o impedia de responder. Finalmente as imagens pararam e juntamente a dor o fez. Edward voltou a olhá-los e sorriu, tentando fazer com que eles não se incomodassem com aquilo.
–Não é nada para se preocupar! Nada que não precise esperar para ser dito. Mas... eu ia gostar de entrar. –ao dizer isto, Winry rapidamente percebeu que ele estava do lado de fora e atrás dele havia uma garota desconhecida, em seguida deu passagem para os dois.
Notas da autora:
Próximo capítulo na sexta feira.
Deixem reviews, por favor. Aceito até xingamentos ^^
Preview: Meia-explicação.
A loira queria explicações, mas elas não poderiam ser dadas. Kanaye podia sentir a chuva tocar seu corpo, pois já não trazia destruição. Era a calmaria que iria acabar rapidamente como começou.
