Capitulo 5°

Fugindo de casa

Eu lembro que quando criança, tudo de ruim que acontecia eu sempre correria para casa, para os braços dos meus pais, mas agora que o pior de tudo o que é ruim aconteceu, eu estou correndo para longe deles, eu estou fugindo, fugindo de casa.

- Acho melhor você ir caçar. Quer que eu vá com você? – Eu não queria ir sozinha, poderia acontecer uma tragédia, eu nunca havia ido sozinha antes, mas não queria Alice comigo. Eu precisava de alguém que fosse me ouvir.

- Eu... eu vou, mas se importa de que seja Rafhael quem me acompanhe? – Eu não queria magoar Alice, ela vinha sendo uma ótima amiga, mas parece que as expectativas de que eu e Rafhael pudéssemos ficar juntos fez com que ela sorrisse.

- Tudo bem, eu queria conversar com o Jazz primeiro mesmo, então seria ótimo que você fosse com Rafhael.

...

- O que aconteceu para você se tornar um vampiro. – Perguntei enquanto caminhávamos pela rua depois de termos caçado, eu não gostava de matar humanos, mas era isso ou ficar com fome.

- Eu simplesmente escolhi... – Ele começou a falar, mas se perdeu em pensamentos.

- Como assim... escolheu? Você pediu para ser um?

- Eu não tinha mais ninguém, meus pais haviam sido assassinados por um cara a quem meu pai devia muito dinheiro. Minha irmã pequena foi seqüestrada um ano depois que meus pais se foram. Meus tios decidiram viajar e me deixaram para trás. Aro me encontrou na rua, eu tinha quatorze anos.

- Mas não foi aí que ele te transformou... você cresceu.

- É, eu cresci, mas cresci em meio a vampiros, eles me contaram o segredo e me permitiram treinar com eles, ainda humano. Seis anos depois veio a pergunta, era viver ou morrer – Ele riu com a ironia do que disse – Ou melhor, era morrer ou morrer. Eu escolhi ser transformado e me tornar um deles.

- Acho que eu também teria escolhido a transformação, mas ao menos eu poderia dizer que escolhi algo. Acho que não estaria pronta para morrer.

- Mas você tinha direito a três opções, poderia ser humana ainda, era só não entrar na floresta. Por que veio naquele dia? – Eu ainda não havia falado sobre Edward, nem sobre nada que aconteceu aquela noite.

- Um cara me humilhou na minha formatura de ultimo ano, foi totalmente idiota minha ação de correr para cá, mas eu só queria ir o mais longe de onde Edward estava.

- Edward... eu já ouvi esse nome. Ele é o cara que ficou andando na reserva com uma lanterna e te chaman

do noites seguidas. Acho que ele se arrependeu.

- Humanos são idiotas, ele não se arrependeu, só esta com medo. – Falei me encostando em uma arvore para observar a lua. Era tão bonita a noite pelos olhos de um vampiro, a lua parecia dez vezes mais brilhantes.

- É lua cheia, os Blacks devem estar eriçados. – Ele falou e eu não entendi.

- Por quê? O que tem os Blacks? – Jacob era o único dos Black que eu realmente conhecia, e ele nunca me pareceu eriçado em noite de lua cheia.

- Não só os Blacks, todos os Quileutes, são transmorfos, lobisomens. Transformam-se quando querem, mas a lua cheia costuma quebrar o controle deles.

- O que mais existe no mundo que eu não sei? Será que não há nada normal por aí? – Perguntei, olhando dessa vez para ele, Rafhael brilhava com a luz da lua, os cabelos negros, os olhos verdes, a pele branca, tudo nele era brilhante, tudo entrava em contraste com as suas roupas, a camiseta cavada preta, uma calça jeans preta, tudo o que ele vestia era negro, mas o deixava impressionantemente belo.

- O que tanto olha, tem sangue no meu rosto? – Não foi uma pergunta seria, foi quase uma brincadeira para quebrar o gelo, eu teria corado se pudesse, mas só pude sorrir, e ele sorriu também, o primeiro sorriso verdadeiro que eu havia visto em seu rosto.

- Não, só estava... sei lá, você é muito bonito na luz da lua. – Não pensei que isso fosse sair tão fácil, mas foi quase instantâneo, em menos de um segundo eu estava presa por seus braços entre a arvore e ele.

- Só na luz da lua?

- Sempre. Só não fica se achando, só por que eu disse que você é bonito. – Ele gargalhou e retirou seu barco liberando a passagem, por um segundo eu quis que ele me beijasse, mas o que eu estava pensando... ele não olharia para mim.

- Você também é bonita, muito bonita, aquele idiota que te humilhou não sabe o que está perdendo.

- E você por acaso sabe o que ele está perdendo?

- Não sei, mas posso imaginar. – A distancia entre nós diminuiu consideravelmente, e seu braço voltou a me prender na arvore. – Será que eu poderia sair da imaginação e tornar real?

Boa Bella! Você deixa a brecha, ele está onde você quer e agora eu simplesmente não sei o que fazer. Embora tenha uma luzinha piscando em neon dizendo "beija ele logo", tem uma voz pedindo que eu me afaste dele. Talvez eu deva seguir a primeira opção.

Eu deixei minha mão ir para sua nuca, e selei nossos lábios, era bom me sentir colada a ele, suas mãos em minha cintura, só de encostar dava pra sentir os músculos sob a camiseta dele, eu me senti como uma garotinha em seu primeiro beijo.

- Bella! – Só até aquela voz chegar aos meus ouvidos, eu reconhecia o maldito dono dela e esperava que ele tivesse um bom motivo pra interromper.