Título:
Checkmate
Autora:
Naadi
Tradutora:
milacrazyx (mila – sublinhado- crazyx -arroba- yahoo . com)
Beta
da tradução:
Isinha101
Classificação:
R
Pares:
Draco Malfoy – Harry Potter
Site da história original: http/www. fanfiction. net/s /798255/1/
Disclaimer: Essa história é baseada em personagens e situações pertencentes à JK Rowling, vários publicadores incluindo, mas não limitado à Bloomsbury Books, Scholastic Books and Raincoast Books, e Warner Bros., Inc. Nenhum lucro está sendo feito por parte do autor ou tradutor dessa fanfiction.
Contato da Autora: naadi - sublinhado - moon feather – arroba – hotmail . com
Sumário: HxD slash. Draco tem um plano para conquistar Harry Potter, e o desafia a um jogo de Xadrez Desafio. Mas é amor, ou traição, que ele tem em mente?
A/N: Olá! Pessoal, desculpem a demora para a atualização! Abril foi o mês mais corrido da minha vida! Tive vários trabalhos, provas, estudando para um concurso (que passei! Yey) e não tive tempo para traduzir! Mas agora já está tudo mais calmo e vou poder me dedicar mais a essa fic! Aproveitem e comentem, por favor!
CHECKMATE
PARTE I – PREPARAÇÃO
Capítulo 3
Through
the elegant yelling
Of this compelling
dispute
Comes the
ghastly suspicion
My opposition's
a fruit.
Através da gritaria elegante
dessa disputa de força irresistível
Vem a suspeição terrível
De que minha oposição
é uma fruta.
It's
very sad
to see the ancient and
distinguished game
That used
to be
a model of decorum
and tranquility
Become like any
other sport,
A battleground
for rival ideologies
To slug it
out with glee.
É muito triste
Ver o antigo e
Distinto jogo
Que costumava ser
Um modelo de dignidade
E tranqüilidade
Virar qualquer outro esporte,
Um campo de batalha
Para ideologias rivais
Para travarem com prazer.
Letra de "Quartet" de Chess por Benny Anderson, Tim Rice e Björn Ulvaeus.
…
--
…
"ACORDA, HARRY!" Uma voz muito insistente ficava repetindo aquela mesma baboseira sem parar.
Harry bufou. Rony.
"Ei, vamos! Tá ficando tarde."
Harry se mexeu sem pressa e conseguiu se sentar. Sentia-se péssimo. "Cala a boca, Rony," ele murmurou. "Estou indo." Escutou passos se aproximando e então pararem. Alguém puxou as cortinas de sua cama. Harry se encolheu quando a luz forte da janela ao lado de sua cama atingiu-lhe os olhos. Forçou um olho a abrir e encarou seu alto amigo ruivo com uma careta.
Rony assoviou. "Meu Deus, Harry," ele disse em voz baixa. "Você está horrível. Está doente?"
Harry sacudiu a cabeça. Não estava doente.
Rony sentou na borda da cama. "Você não teve outro daqueles, hã . . . pesadelos com Você-Sabe-Quem, não é?" ele sussurrou.
Harry soltou um baixo gemido. Ah, sim. Era isso mesmo – esse era o problema nessa manhã. Um pesadelo. O pior pesadelo de sua vida o estava esperando no Salão Principal. Ele afastou as cobertas e se arrastou para se levantar. "Não," ele suspirou. "Estou bem, Rony. Eu só . . . não dormi muito bem essa noite." Não havia motivos para alertar Rony sobre o que estava prestes a acontecer. Como poderia? Ele mesmo mal podia imaginar as palavras Draco Malfoy me beijou, ainda mais falá-las em voz alta. Bem, ele pensou, então Rony talvez não sobreviva ao café da manhã também.
Eles encontraram Hermione no Salão Comunal da Grifinória e os três desceram para o Salão Principal juntos. Rony e Hermione andavam a frente de Harry, de mãos dadas, admirando as luzes e decorações natalinas que estavam começando a aparecer em todos os lugares, mas eles tinham que sempre parar e esperar, porque Harry parecia ser incapaz de acompanhá-los, e sempre ficava para trás. Quando chegaram ao Salão Principal, seus amigos já estavam lançando-lhe olhares preocupados. Harry manteve a cabeça baixa, olhos no chão, e os ignorou. Perguntou-se se teria que andar de tal maneira pelo resto do ano letivo.
Harry pausou por um momento diante das portas do Salão Principal, preparando-se para entrar. Então seguiu Rony e Hermione quando eles fizeram sua entrada pelo cômodo lotado até chegarem à mesa da Grifinória. Ele podia ouvir o costumeiro barulho de vozes e risadas, junto ao ruído da batida de talheres. E só isso. Levantou o olhar um pouco e olhou ao seu redor. Nada aconteceu. Então, "Ei, Harry," Seamus chamou quando ele passou. "Acho que você vai ter que cancelar o treino de Quadribol essa tarde. Fiquei sabendo que as previsões de Trelawney foram de neve, perigo e morte!" O comentário resultou em risadas de várias alunas mais novas que, sem dúvida, estavam tendo aula com Trelawney esse período. Mas ninguém riu de Harry. Ninguém prestou atenção a ele.
Sentou-se e, desatento, pegou uma torrada e a colocou em seu prato. Isso era muito estranho. Seus olhos foram até a mesa Sonserina. Draco estava lá, sentado e sereno, quase toda sua face escondida atrás de uma cópia do Profeta Diário, como se nada de extraordinário tivesse ocorrido. Sem tirar seus olhos do outro, Harry depositou ovos mexidos em cima de sua torrada. Então pegou uma colherada de pêssegos enlatados e os colocou em cima dos ovos.
"Harry, qual é o seu problema!" Rony sussurrou, cutucando-o nas costelas. "Olhe o que está fazendo!"
Harry desviou o olhar da mesa Sonserina e observou a meleca em seu prato. Enojado, pegou seu garfo e deu uma mordida. "Acontece que eu gosto desse jeito," ele murmurou para Rony, que estava balançando a cabeça. Quando o ruivo virou para escutar a algo que Hermione dizia, Harry voltou a observar Draco.
Ele ainda estava lendo o jornal. Então se lembrou que Malfoy tinha dito que não tinha intenção de falar com ninguém sobre os acontecimentos daquela noite. Será que dizia a verdade? Fala sério. Será que tinha se preocupado à toa?
Harry olhou para baixo, forçando-se a comer mais um pouco, então começou a empurrar o resto dos ovos doces e da torrada molhada com seu garfo. Estava tão convicto de que Malfoy o tinha beijado para fazê-lo de idiota, para ridicularizar seus sentimentos, que não tinha levado seriamente em conta nada que o outro garoto dissera. Se Malfoy não tinha intenções de humilhá-lo publicamente, então que merda que ele queria, beijando-o daquele jeito? Até mesmo agora, estava tão irritado com o modo com que aquele beijo o fez se sentir para pensar claramente. Até mesmo agora, ainda podia sentir. . .
Harry sentiu sua face corar com a memória, e olhou para a mesa Sonserina novamente. Draco o estava observando por cima de seu jornal. Por um segundo, os olhos deles se conectaram. Um choque como eletricidade passou por Harry. Mas Draco calmamente desviou o olhar, dobrou o jornal e colocou-o na mesa, levantou-se, e começou a andar em direção às portas. Ah não, você não vai, Harry pensou enquanto agarrava sua mochila e pulava de seu assento.
"Harry!" Hermione chamou. "Espera! Rony e eu ainda não terminamos de comer."
"Hã, desculpa gente," Harry disse enquanto ia à direção das portas, "- não se apressem – eu só esqueci algo. Me encontro com vocês no corredor, antes da aula." E então virou e correu atrás de Draco, que tinha desaparecido do Salão Principal.
"Esqueceu algo?" Rony bufou. "Eu digo o quê. Seu cérebro!"
…
--
…
Draco desceu para o café da manhã cedo, apesar de não ter dormido muito bem. Ele estava antecipando chegar ao Salão antes de Harry. Queria observar o outro garoto entrar, queria se esconder atrás do jornal e ver como Harry reagiria, sem permitir que Harry percebesse. Precisava falar com ele, precisava desesperadamente que Harry se envolvesse no jogo de xadrez que tinha inventado – todo o plano centrava nisso. E Draco concluiu que a única maneira de deixar Harry bravo o suficiente, confuso o suficiente e com a guarda baixa o suficiente para concordar com o jogo, era ignorá-lo completamente. Harry tinha o hábito de confrontar forçadamente tudo o que o incomodava; um hábito com o qual Draco estava contando.
Se Harry estava incomodado com aquele beijo, ou, calma-coração, se tinha gostado, Draco sabia que Harry iria ficar louco se ele fingisse que nada tinha acontecido. É claro que a maior possibilidade, e Draco estava ciente de que as chances inclinavam nessa direção, era de que Harry estava horrorizado e enojado, e simplesmente marcharia no Salão Principal para socar Draco no meio da cara – nesse caso, o plano de Draco já estaria afundado antes mesmo de começar.
Draco deu uma espiada na mesa da Grifinória e então verificou as horas em seu relógio. Harry estava atrasado. Se não chegasse logo, Draco não teria tempo de conversar com ele antes do início das aulas. Mas então, naquele instante, viu Weasley e Granger entrarem. Eles pararam assim que entraram e olharam para trás. Draco teve que erguer um pouco o jornal para esconder seu sorriso e o calor que subiu ao seu rosto quando, alguns segundos depois, Harry, obviamente com relutância, entrou. Ele parecia não ter dormido nada e como se estivesse esperando o teto do Salão Principal desabar nele. Estava sendo adorável novamente, completamente patético, mas tão adorável.
E, Draco pensou com alegria interior, se ele está chateado, deve ter gostado do beijo.
Draco invocou sua calma exterior característica, e fingiu ler o Profeta Diário. Seu plano estava encaminhando. Observou Harry discretamente por cima de seu jornal, e apesar de seus olhos não serem visíveis do ponto de vista de Harry, Draco conseguia ver o outro com clareza. Ele percebeu Harry olhando na sua direção duas vezes, e então cutucar a comida em seu prato com miséria. Agora, Draco disse a si mesmo. Hora do jogo. Abaixou um pouco o jornal e esperou que Harry olhasse em sua direção novamente. E então aconteceu. Harry olhou, os olhos deles se encontraram, e raios surgiram.
Apenas anos de hábito permitiram com que Draco mantivesse a calma, abaixasse o olhar, dobrasse o jornal e andasse serenamente em direção à porta do Salão Principal. Mas funcionou. Ele viu Harry pular de sua posição, dar alguma desculpa a Hermione, e segui-lo com um olhar de determinação em sua face com que Draco já estava acostumado. Era o mesmo olhar que tinha quando jogava Quadribol, quando ele avistava o Pomo-de-Ouro. Há uma grande diferença, no entanto, Draco pensou. Diferente daquele maldito pomo, eu quero ser capturado – é claro, ele não pode saber disso – ou pelo menos ainda não.
Quando Draco chegou ao corredor, aumentou a velocidade e foi na direção das masmorras da Sonserina. Ele tinha que calcular o tempo com perfeição. Se Harry o alcançasse muito perto do corredor principal, eles não conseguiriam conversar privadamente, mas, por outro lado, ele duvidava de que Harry o seguiria em território Sonserino. Eles também não tinham muito tempo, pois logo todos terminariam suas refeições. Olhou por cima de seu ombro a tempo de ver Harry sair apressado do Salão Principal e pausar do outro lado da porta. Harry o avistou e correu em perseguição.
"Malfoy!"
Draco não podia parar e olhar para trás, mas sorriu mesmo assim. Se fosse possível estrangular uma palavra, era o que Harry tinha acabado de fazer com seu nome. Draco continuou andando, ignorando Harry; ele estava quase aonde queria. Era como esgrima, ele pensou, dar território para seu oponente vir até você, torná-lo descuidado. Ele queria que Harry ficasse bravo e descuidado, desequilibrado. Ouviu os passos perto de si, ouviu, "Pare, droga!" Draco parou e virou tão repentinamente, que Harry correu diretamente nele. Exatamente como Draco queria.
Draco já antecipara a colisão, então estava preparado para apanhar Harry e mantê-los ambos de pé. Segurou Harry calmamente até sentir o outro garoto recuperar o equilíbrio, então pôs as mãos nos ombros de Harry e o empurrou com força, fazendo o moreno dar alguns passos para trás. Então arrumou sua expressão em uma de indiferença superior que fazia tão bem. "Você devia olhar por onde anda, Potter," ele disse. "Se eu fosse um aluno do primeiro ano, você teria me matado."
…
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…
Harry colidiu com Draco e sentiu os braços do outro garoto o circular, apoiando-o e então deslizando até seus ombros. Como na noite passada. Estava completamente despreparado para o empurrão que recebeu. Tropeçou alguns passos para trás, então olhou Draco, confuso, vendo aquela tão-familiar-e-odiada-expressão facial.
"Você devia olhar por onde anda, Potter," Draco disse. "Se eu fosse um aluno do primeiro ano, você teria me matado.".
Harry estava furioso. Furioso e. . . chateado. Ele deu um passo para frente, na direção de Draco, com suas mãos cerradas em punhos. "Pare isso!" ele rugiu, enunciando cada palavra, mas ainda mantendo a voz baixa. "Não sou estúpido. Tudo o que fez essa manhã foi perfeitamente calculado para me fazer vir atrás de você – então pode parar com essa pose de 'desinteressado' agora mesmo!"
E para a surpresa de Harry, Draco parou. Em um piscar de olhos, a máscara sumiu. No lugar dela havia um par de olhos cinza calorosos e um sorriso desculposo. "Desculpa," Draco disse.
Harry continuou com a expressão brava, apesar de ter amolecido um pouco com a mudança de tom de voz e com a desculpa. "Você me conseguiu aqui, Malfoy. Agora você tem algumas coisas a explicar, e eu espero honestidade. Ou você vai direto ao ponto, ou eu vou embora agora mesmo."
O sorriso de Draco aumentou. "Ai, droga, Potter," ele disse em uma voz baixa e divertida, "ir direto ao ponto com você não é o que eu tinha em mente. Mas," ele disse mais alto "eu prometo que tentarei ser honesto com você."
"Tá bom então," Harry disse, devagar e incerto. Teve a sensação de que algo importante lhe passou despercebido, mas sua atenção estava toda em uma pergunta que realmente queria respondida. "Eu só quero saber uma coisa, Malfoy," ele disse, encarando Draco direto nos olhos. "Que merda foi aquela noite passada?"
"Hmm," Draco murmurou, pensativo, retornando o olhar esmeralda com uma calma já aperfeiçoada. "Eu me lembro de tê-lo desafiado a um jogo de xadrez desafio, Harry. Eu até fiz o primeiro movimento." Levantou uma sobrancelha. "Você ainda não me disse se aceita ou não."
Harry sentiu a raiva surgindo novamente. "Não é isso que estou perguntando, e você sabe disso."
Draco soltou uma risada curta. "Ah, é sim. É exatamente o que está me perguntando. Você quer jogar, ou não?"
"E por que eu iria querer jogar um jogo esquisito de xadrez com você?"
"Porque eu não vou responder suas perguntas a não ser que jogue."
Deus, como ele era irritante. Harry teve uma repentina vontade de socar Draco no nariz.
"Não. . . faça . . . isso," Draco disse, baixinho, como se pudesse ler a mente de Harry.
Harry encarou Draco e percebeu que seus pensamentos provavelmente estavam estampados na sua cara. Eu devia ir embora, ele pensou. Vá embora agora, Harry. Mas não podia. Algo o impedia de ir – ele queria uma resposta do loiro mimado. "Então, explique-se Malfoy," ele disse com a voz gélida. "Não irei jogar a não ser que eu saiba exatamente no que estou me metendo." Ele pausou. "Existe alguma regra nesse seu jogo?"
"Existem regras, Potter, mas não muitas. Xadrez Desafio é muito simples." Draco olhou para o lado, por cima do ombro de Harry; alguns alunos estavam começando a sair do Salão Principal. Ele pegou o braço do outro e o puxou até uma parede onde não estariam tão visíveis. Continuou em voz mais baixa. "Há três regras principais. A primeira é que para cada movimento que você faça no tabuleiro, você deve fazer um movimento em relação ao seu oponente. O movimento pode ser físico ou retórico, mas não pode ser mágico ou material. Em outras palavras, você não pode realizar feitiços ou pegar possessões alheias. Você pode fazer algo com seu oponente, que é o que eu fiz noite passada, ou você pode contar algo, ou fazer uma pergunta. A única estipulação é que a pergunta deve ser pessoal, privada ou íntima. Como um segredo, ou algo assim. E –"
"Espera," Harry interrompeu. "Quer dizer, que seu eu jogar esse jogo com você, poderei te perguntar coisas privadas?"
"Sim," Draco disse.
"E você tem que responder?"
"Estava chegando lá, Potter. Segunda regra, você não pode revelar nada do que é dito durante o jogo para ninguém de fora, e terceiro, se você se recusar um movimento do oponente, então você está desistindo do jogo."
"E o que acontece?" Harry perguntou. "O que acontece quando alguém ganha?"
"O vencedor leva tudo – ou nada. Escolha de quem vencer."
"Tudo?" Harry disse, olhando Draco com suspeição. "Do que estamos falando exatamente? Ah! Eu não vou dormir com você, Malfoy, se é disso que está falando."
Draco fez um gesto de indiferença. "Então talvez você devesse ficar fora do jogo, Potter. Você sabe o que dizem – se não agüenta o calor, fique longe do fogo. Talvez isso seja 'muito quente' para você."
Harry roncou. "Não tenho nada a esconder, Malfoy. Eu acho que consigo agüentar qualquer coisa que você faça." Harry parou de falar quando duas garotas Sonserinas do sexto ano passaram por eles. Ambas estavam olhando Draco e dando risinhos. Deus, Harry pensou, ele deve ter ficado com garotas pela escola inteira. Então ele sorriu, e voltou a olhar Draco. "Acredito ser minha vez. . . Peão para D5," Harry disse. "Responda isso: com quantas garotas já dormiu?"
Draco se engasgou, levantando as sobrancelhas. "Hã, Harry –"
"Apenas responda a pergunta, Malfoy. Ou ela é muito quente para você?"
Draco balançou a cabeça, e então sorriu. "Tá bom, me de um minuto. Pode levar algum tempo para contar todas." Ele encarou o espaço de ar acima da cabeça de Harry. "Vejamos. . . teve . . hmm, e . . . bem . . . sim, e . . . e então também . . . ah, não posso esquecer . . ." Draco olhou novamente para Harry. Ele parecia estar se segurando para não rir. "Ta bom, Potter. Tenho sua resposta. Foram. . . nenhuma!"
Foi a vez de Harry de se engasgar. "Fala sério, Malfoy. Não espera que eu acredite que você seja virgem."
Draco corou levemente, e cruzou os braços. "Bem," ele disse. "Eu sou. Mas pretendo mudar isso até o fim desse jogo."
"Ah, dá um tempo," Harry disse, exasperado, sem registrar o último comentário do outro bruxo. "Não acredito que você não tenha feito seu caminho pelo dormitório feminino todos esses anos. Todos sabem que todas elas querem você."
Draco riu. "E eu não acredito que você é tão tonto, Potter. Caso não tenha prestado atenção, e você obviamente não tem, eu prefiro fazer meu caminho pelo dormitório masculino, muito obrigado, e as possíveis escolhas têm sido. . . como posso dizer . . . bem nojentas, e . . . de mal gosto?"
O maxilar de Harry caiu, e ele encarou Draco por um longo momento e então foi ficando cada vez mais vermelho. Várias coisas que tinha ignorado recentemente caíram nos seus respectivos lugares com claridade alarmante. "Que merda, Malfoy," ele disse em fim, "Eu tava brincando quando fiz a piada de 'tudo' querendo dizer nós dois dormindo juntos. Mas você não está brincando, está?".
"Não." Draco inclinou a cabeça para o lado, e olhou para Harry de maneira divertida e pensativa. "Você realmente é um idiota, Potter," disse suavemente. "Por que outro motivo eu teria te beijado noite passada? E se você é tão heterossexual, como gostou tanto?"
"O QUÊ! Arrgh! Eu não vou fazer sexo com você," Harry gemeu, "seu. . ."
"Sonserino irritante?" Draco ofereceu. "Agora eu acho que é minha vez." Ele pausou por um momento, pensando. "Bispo para F4," ele disse, e então levantou uma sobrancelha. "Você é virgem, Potter?"
Harry fechou os olhos. Ele ainda podia sentir o sangue pulsando em sua face e orelhas. Há um segundo atrás ele achava que a situação não podia ficar pior. Mas tinha acabado de ficar. Malfoy está certo – eu realmente sou idiota. Harry tinha um segredo, e era esse. Nem mesmo Rony sabia. E para piorar tudo, Draco provavelmente nunca teria perguntado se Harry não tivesse começado essa linha de pensamento. Era tão horrível. Sua garganta estava doendo, a mágoa em seu coração ainda estava lá. Harry virou o corpo para o outro lado e se apoiou na parede, cabeça baixa. "Não," ele se ouviu dizer, como se estivesse a uma longa distância dali. "Não, eu não sou."
Houve um longo momento de silêncio. "Quem?" Draco finalmente perguntou quase em um sussurro, como se a fala o tivesse falhado momentaneamente.
Harry se desgrudou da parede e virou na direção de Draco. Os olhos deles se encontraram por um rápido segundo, e então se separaram. Eu não vou te contar isso, ele pensou. Sem chance. É muito pessoal. Pense, Harry – pense em algo rápido. Ele respirou fundo. "Isso não é legal, Malfoy," ele disse, comprando tempo, pensando rapidamente. "Não é muito honrável dormir com uma garota e contar." Ele suspirou dramaticamente. "Eu realmente não deveria dizer . . . mas se você deve saber . . . vejamos, a primeira foi Fleur Delacour. Aconteceu no verão depois do quarto ano enquanto eu estava em casa. Ela veio trabalhar em Londres para melhorar seu inglês, e ela veio atrás de mim. Ela estava muito agradecida por eu ter salvo a irmãzinha dela, sabe."
"Fleur!?" Draco disse, sem fôlego. "Você dormiu com a Fleur! Mas você só tinha quatorze anos!"
"Eu tinha quinze – foi logo após meu aniversário. Melhor presente que já recebi." Harry olhou Draco e quase riu em voz alta. Draco estava muito pálido e em choque. Nesse momento Harry se sentiu bem melhor. Ele podia lidar com isso, afinal de contas. "Depois," Harry disse, ficando mais animado com o assunto, "foi a Hermione – ano passado. E agora no verão teve uma menina trouxa bem linda que estudava comigo." Harry sorriu para Draco. "O que posso dizer, Malfoy – deve ser a cicatriz. As meninas parecem me achar irresistível."
Draco parecia estar genuinamente horrorizado. "Weasley sabe," ele disse enfim, "que você dormiu com a namorada dele? E fala em fazer caminho! Deus, Potter, eu achei que você tinha mais classe que isso. Não acredito que você dormiu com Granger.".
"Isso é porque eu não dormi, seu pentelho!" Harry disse, sentindo-se mal com a verdade dos comentários do outro. "Eu não dormi com Hermione. Ou Fleur. Ou uma menina trouxa. Eu acabei de inventar."
Uma pequena multidão começou a se formar no corredor atrás de Harry e Draco; os estudantes estavam saindo do Salão Principal e agora estavam parando para observá-los. Os dois garotos, ignorantes de sua crescente audiência, estavam conversando em vozes bem baixas, fazendo com que apenas uma ou outra palavra chegasse à multidão. Mas era óbvio pelas expressões nos rostos deles que uma tempestade estava se formando. Fazia um tempo desde que Harry e Draco tinham dado um show, e todos estavam loucos para ver o que iria acontecer.
Draco estudou Harry, mas um sorriso safado estava se formando em seus lábios. "Então a resposta correta para a minha pergunta é. . ."
Ai, não, Harry pensou. Não tenho saída. Não tinha como evitar o 'quem' que seria perguntado a não ser que mentisse a respeito de sua 'virgindade'. Então foi isso que fez. "A resposta é sim, droga," ele disse. Então um pensamento veio a Harry, e ele sorriu para Draco. "Eu te enganei por um momento, não é?"
Draco sorriu em resposta. "Sabe Potter, acontece que tem mais uma regra nesse jogo que eu esqueci de mencionar."
Ai ai. "E qual seria?" Harry perguntou, tentando parecer despreocupado.
"Que se você mentir ao responder uma pergunta, seu oponente pode fazer dois movimentos extras – não no jogo de xadrez, é claro, mas aqui, em pessoa."
"Ah," Harry disse, ficando vermelho novamente.
Draco pegou os pulsos de Harry e o puxou para perto. Então passou as mãos vagarosamente pelos braços de Harry até estar segurando seus ombros com força. Ele olhou nos olhos de Harry. "Potter," ele disse suavemente, "você parece com uma árvore de Natal, com esses olhos verdes e cara vermelha".
"Termine isso de uma vez, Malfoy. Sabe, quando começamos isso, eu realmente não sabia quais eram suas intenções verdadeiras."
"Ah," Draco disse, apertando ainda mais suas mãos nos ombros de Harry, com a boca a apenas centímetros da de Harry. "Você ainda não sabe." E ele chutou Harry no calcanhar.
Harry sobressaltou e agarrou sua perna. "AI!! Seu maldito!"
"Esse foi um," Draco disse. Então pisou com força no pé de Harry. "E dois. Esses foram pela Granger. Ela merece mais da sua parte, Potter".
Harry caiu no chão, uma mão em seu calcanhar dolorido e a outra acariciando seus dedos do pé. "Você realmente é um bastardo, Malfoy," ele disse.
Draco riu. "Eu? Acho que não. Acontece que sou a imagem idêntica do meu querido papai, quem foi infelizmente, mas legalmente, casado com minha mãe antes de eu nascer." Ele olhou para Harry com um sorriso perfeitamente charmoso. "Seu movimento de novo, Harry." Então, com um voar de sua capa, virou-se e começou a andar.
Droga, Harry pensou, enquanto observava Draco caminhar para longe dele. Droga, ele é tão . . . arrrgh – Harry não conseguia nem pensar em uma palavra. Deslumbrante, uma pequena voz em sua mente sugeriu, a qual ele prontamente ignorou.
"HARRY!!" Harry virou o corpo e olhou atrás de si. Era Hermione, forçando seu caminho pela multidão de alunos que estavam sussurrando e dando risinhos no corredor. Ela veio correndo, com Rony logo atrás. "O que aconteceu? Você está bem?"
Rony olhou para ele com uma expressão brava. "Estávamos saindo do Salão Principal quando ouvimos que teve uma briga. Acho que vi Malfoy andando por aqui. O que ele fez, Harry? Ele socou você?"
Harry olhou para seus amigos e começou a rir. "Não," ele disse a Rony, "ele não me socou." Ele virou para Hermione, percebendo a expressão preocupada. "Estou bem, sério," ele disse. Ele massageou rapidamente seu calcanhar e então se levantou. "Eu mereci."
"O que quer dizer, Harry?" Hermione disse, chocada. "Como você poderia ter merecido apanhar de Draco Malfoy? E eu achei que ele tinha mudado."
"Eu não apanhei, Hermione. Olha – estou bem. Eu apenas disse algo que não deveria ter dito –".
"Isso é loucura," Hermione disse.
"Completamente louco" Rony disse ao mesmo tempo. Então ele sorriu. "O que você disse?"
Harry olhou Hermione e se sentiu muito envergonhado enquanto lembrava do que dissera. Sim, eu mereci ser chutado por aquilo. "Hã, não posso repetir, Rony," ele disse.
Rony bufou. "Tão bom, é? Bom pra você, Harry." Ele deu tapas leves nas costas de Harry. "Bom pra você."
Então uma voz áspera chamou. "Alunos! Todos vocês – já para suas aulas!" Harry, Rony e Hermione viraram para ver a Professora McGonagall aparecendo pela multidão de estudantes aglomerados no corredor. Ela bateu as palmas três vezes. "VÃO PARA SUAS AULAS!" O corredor clareou quase instantaneamente enquanto alunos corriam em todas as direções.
Ai, não, Harry pensou. Ele sentiu um nó se formando no fundo de seu estômago. Isso não é nada bom.
A professora McGonagall caminhou rapidamente até eles. Olhou diretamente para Harry. "Ouvi rumores de que houve uma briga, Sr. Potter, envolvendo você e o Sr. Malfoy. É verdade?"
Harry achou que podia derreter sob aquele olhar. "Não," Harry disse. "Não foi uma briga. Foi . . ." Palavras o fugiram.
Rony interrompeu. "Encontramos Harry no chão, professora, e vimos Malfoy andando na outra direção. Eu acho que Malfoy o socou."
"Rony, cala a boca!" Harry sussurrou com voz baixa.
A professora McGonagall olhou de Harry para Rony, e então novamente para Harry. "Eu esperava um comportamento mais maduro da sua parte," ela disse em seu tom mais severo. "Você é um aluno do sétimo ano, Potter, e capitão do time de Quadribol da Grifinória. Os alunos mais novos o vêem como exemplo a ser seguido. O que eles acharão agora, vendo você brigando em um dos corredores com um monitor?" Os lábios dela estavam apertados em raiva. "Haverá uma investigação," ela continuou "mas não por mim. Como Draco Malfoy é um monitor, e se espera que ele sirva de exemplo para os outros alunos, Dumbledore irá querer tratar disso pessoalmente." Ela examinou Harry novamente. "Eu sugiro que vocês três vão para suas aulas," ela disse, então virou e caminhou até sua sala de aula.
Harry virou para Rony. "Ah, isso ajudou muito, Rony. Por que você teve que se meter?"
Rony olhou Harry com choque. "Harry, se Malfoy o socou –".
"Eu disse que não foi isso que aconteceu!"
"Tá bom, vocês dois," Hermione interrompeu, agarrando os braços deles. "Parem! Se não formos agora mesmo, chegaremos atrasados para a aula de Poções. E então estaremos encrencados com Snape!".
Fim do Capítulo 3
