Disclaimer: Characters are, of course, owned by J

A/N: Muito obrigada pelas reviews!! Valeu mesmo, gente! Aiai, esses capítulos estão ficando cada vez mais longos . . . hehe. Mas espero que vocês gostem desse também!

Todas as informações e disclaimers são os mesmos dos capítulos anteriores.

CHECKMATE

PARTE I – A PREPARAÇÃO

Capítulo 4

Now I'm where I want to be and who I want to be and
doing
what I always said I would and yet
I feel I haven't won at all.

Agora estou aonde quero estar e sou quem quero ser e

estou fazendo o que sempre disse que ia fazer e mesmo assim

sinto como se não tivesse vencido de maneira alguma.

Don't get me wrong
I'm not complaining
Times have been good
Fast, entertaining
But what's the point
If I'm concealing
Not only love
All other feeling

Não me entenda mal

Não estou reclamando

Os tempos foram bons

Rápidos e divertidos

Mas qual é a finalidade

Se estou escondendo

Não apenas o amor

Mas também todos os outros sentimentos

Letras de "Where I Want To Be" de Chess por Benny Anderson, Tim Rice and Björn Ulvaeus

--

Rony, Hermione e Harry mal entraram pela porta e se sentaram quando Snape entrou na sala de Poções. Ele lançou a todos um olhar severo, e então se virou para Harry.

"Sr. Potter," Snape disse, como se estivesse falando com uma criança. "Parece haver um rumor circulando de que você esteve brigando no corredor. Eu espero, para o seu bem, que não seja verdade."

Houve um risinho do lado Sonserino da sala. "Apanhando, foi o que eu ouvi," ouviu-se um sussurro alto e anônimo, o qual ocasionou mais risinhos.

Harry não disse nada; tinha aprendido por experiência que não era sábio responder às provocações de Snape. Apenas manteve seus olhos abaixados até o professor se virar e voltar à sua mesa. Então olhou para onde Draco estava sentado, na primeira mesa da fila à sua esquerda. Draco estava com a cara enterrada muito conscientemente em seu livro de Poções Avançadas. Harry não conseguia dizer se ele estava rindo ou não. Do canto de seu olho, no entanto, percebeu que Rony estava ficando roxo, e parecia estar bufando de maneira assustadora, provavelmente pelo fato de Snape ter ignorado o envolvimento de Malfoy no incidente daquela manhã.

Snape abriu o livro de poções em sua mesa, e então se virou para encarar os alunos com olhos suspeitos. "Muito bem, Potter. Já que não quer discutir o rumor dessa manhã, talvez queira explicar à classe quais são os ingredientes da poção de hoje?"

Houve um silêncio que durou vários segundos, quebrado apenas pelo riso abafado de algum Sonserino."Senhor?" Harry disse em uma voz muito instável. Qual é a merda da poção de hoje?

"Os ingredientes foram listados na leitura designada para a noite passada, Potter."

Ai Deus, Harry pensou. Esteve tão abalado com o anúncio de Rony e Hermione, e então tão aborrecido na noite passada, que não fez sua tarefa. Todos na sala se viraram para observá-lo, com a exceção de Draco, que parecia estar ignorando tudo e todos, escrevendo rapidamente em um pergaminho na sua mesa. Harry olhou rapidamente para Rony e Hermione, que estavam sentados juntos na fila à sua direita e pareciam surpresos e extremamente culpados, respectivamente. Era evidente que eles também não tinham feito a tarefa, o que chocou Harry ainda mais – bem, a parte da Hermione, pelo menos.

Sem pressa alguma, Snape começou a se aproximar. "Estamos esperando, Sr. Potter," Snape disse com um sorriso satisfeito.

"Hã, sim senhor," Harry disse, comprando tempo, a voz trêmula. "Eu –"

Um movimento na primeira mesa à sua esquerda chamou sua atenção. Draco tinha virado pela primeira vez para observá-lo. Os olhos deles se encontraram. Ele parecia estar tentando manter uma cara séria, e quando Harry olhou em sua direção, ele levantou uma sobrancelha e cuidadosamente retirou um pedaço de pergaminho de sua manga. Nele, em grandes letras de forma, estava escrita uma lista de ingredientes de poções. Ninguém mais podia ver, pois todos estavam com as costas viradas para Draco, observando Harry. Ele não parou para considerar a hipótese de que tudo poderia ser uma armadilha – uma lista com os ingredientes errados. Ele arrumou a postura e leu o mais rápido que pôde.

Harry mal tinha terminado de ler quando Snape chegou à sua mesa. Ele retirou seus olhos da lista e os direcionou ao professor. "Eu acho," disse com calma, "que os ingredientes são, hã, uma . . . língua de lagarto, hum, uma colher de . . . cogumelos picados, hã . . três unhas de . . ." De quê? Ele olhou novamente para Draco, mas a lista tinha sumido. ". . . três unhas de uma lula gigante, uma pitada de salamandra em pó, e . . . e . . . cinco gotas de fluído de samambaia –"

Snape estava olhando para Harry, sem disfarçar sua irritação com cada resposta correta. Então Harry parou. Snape parecia estar esperando por um erro. . .

Ai, droga, Harry pensou, qual era o resto? Qual era o último ingrediente? Seis alguma coisa. "E seis asas de borboletas?" Harry disse, esperançoso.

Os olhos de Snape brilharam, e ele soltou um sorriso malvado. "ERRADO, Potter! Cinco pontos da Grifinória, por vir para a aula despreparado."

Harry engoliu seco, e olhou novamente para Draco.

No mesmo segundo, Snape virou e também olhou para o loiro. "Sr. Malfoy!" ele chamou com orgulho.

Por um segundo, Harry viu na face de Draco que ele achava que tinha sido pego ajudando o Grifinório, mas então a expressão dele se acalmou.

"Senhor?"

"Por favor, nos diga qual é o último ingrediente."

"Seis garrafas de cerveja amanteigada, senhor?" Draco disse com a cara séria. Risos quebraram pela sala. Até mesmo Harry riu.

Snape parecia como Olho-Tonto-Moody por um momento, seus olhos pipocando em direções diferentes. Ele encarou Draco. "Quem diria," Snape disse, raivoso. "Eu esperava que você soubesse a resposta, Malfoy." Snape virou em um círculo, encarando com irritação todos os alunos. "SERÁ QUE NINGUÉM FEZ A TAREFA?" Harry podia ver Rony ficando roxo de novo, provavelmente porque Snape não tinha retirado pontos da Sonserina pela resposta errada de Draco.

Então o olhar de Snape parou e se fixou em Hermione. Harry viu o horror aparecer nos olhos dela. Snape não podia chamá-la – na única vez em sua vida em que não tinha estudado! Um sorriso malicioso se formou na face do professor. Então ele virou. "Sr. Longbottom!"

Um gemido assustado soou da frente de Harry.

"Será que você sabe a resposta, Sr. Longbottom?"

Uma pequena voz disse, "Seis pétalas de copo-de-leite, senhor?"

"Hum," Snape rosnou. "Correto." Ele andou rigidamente até a frente da sala e encarou Neville. "Continue então. Qual é o nome da poção?"

"É um Repelente de Maldições, senhor. Mais conhecido como 'Anti-maldição', senhor."

"Hum," Snape disse novamente, coçando seu queixo, ainda encarando Neville. "Estou impressionado, Longbottom. Seu desempenho nessa aula melhorou." Ele virou e se dirigiu à classe. "Parece que todos vocês chegaram a outro nível," ele sussurrou, "quando LONGBOTTOMé o único aqui que SABE A TAREFA!"

Snape sentou novamente em sua mesa e cruzou os braços. "A conseqüência de sua negligência é que agora terão que me escutar lecionar sobre o que deveriam ter lido." Um coral de gemidos mal-disfarçados quebrou como uma onda na sala. Snape limpou a garganta em advertência, e os gemidos cessaram abruptamente.

"A poção do Repelente de Maldições que é discutida no livro," Snape começou, "é, se feita corretamente, muito eficiente em tornar o usuário imune a até as mais poderosas maldições, e tem sido conhecida por diminuir em grande percentagem o impacto de feitiços. No entanto, ela tem duração curta – geralmente dura apenas de uma a duas horas no máximo. O que seu texto não diz é que existe uma variação mais potente . . ."

Harry já não estava mais prestando atenção. Os eventos da noite anterior e dessa manhã com Draco eram muito confusos, muito fantásticos e inacreditáveis, para que conseguisse mantê-los longe de sua mente por mais de alguns minutos. Sentia como se precisasse se trancar em algum armário escuro por aí para pensar. Ele não parecia conseguir absorver tudo. A única coisa que tinha entrado em sua mente, como se um piano tivesse caído em sua cabeça, era que . . . Draco Malfoy gostava dele. Como em segurar mãos e beijar e . . . ai meu Deus, gostava dele.

Harry sentiu suas orelhas queimarem. Desviou os olhos para sua esquerda e até a primeira mesa. Draco estava tomando notas, sua atenção focada em Snape. Harry voltou sua atenção ao professor por um momento, apenas para ver o que Draco achava tão fascinante.

"Essa variação," Snape estava dizendo, "permite que o usuário concentre o poder da poção em um objeto que o usuário pode usar, aumentando a efetividade de duas a três semanas. Os ingredientes da poção normal também são usados, com a adição de mais dois que não estão disponíveis para alunos. Então eu trouxe algumas amostras aqui em minha mesa para vocês estudarem. O objeto é mergulhado na poção por um intervalo de 24 a 48 horas . . ."

Harry olhou para Draco e uma idéia completamente nova lhe ocorreu – que Draco era bom em Poções. Por algum motivo, Harry sempre pensou que Draco fazia questão de saber as respostas corretas das aulas para se mostrar, e para ser irritante, mas talvez . . . talvez . . . era porque ele estudava, e tinha interesse em poções! Harry observou o outro, percebendo a maneira com que ele cuidadosamente tomava notas, como estava realmente escutando a Snape falar, o jeito com que suas sobrancelhas se juntavam em concentração, como seu cabelo parecia macio e sedoso e bonito – ! Harry engasgou, voltou seu olhar a Snape, e tentou fingir que estava prestando atenção.

Snape estava perguntando, "Quem pode me dizer uma aplicação prática para a Poção Repelente de Maldições?"

Uma garota Sonserina levantou a mão. "Se você usá-la antes de um duelo, o outro bruxo não pode amaldiçoá-lo."

Harry ouviu um ronco familiar, e então Rony murmurou, "Eu acho que isso se chama trapacear".

Snape virou, e encarou Rony com os olhos estreitos. "Não, Sr. Weasley," ele disse com um tom desagradavelmente padronizador, "isso se chama usar uma precaução inteligente, algo que não espero que você consiga entender." Os Sonserinos riram do outro lado da sala.

Harry deixou sua mente viajar novamente, mas manteve seus olhos em Snape, para pelo menos parecer que estava prestando atenção. Havia uma coisa que o estava incomodando imensamente. Draco o tinha beijado noite passada. . . Não, não tinha apenas o beijado – tinha o beijado daquele jeito. E então tinha dito naquela manhã, "Se você é tão hetero, como gostou tanto?" Essa frase, feita com tanta certeza, o estava deixando louco. Eu sei que gosto de mulheres, ele disse a si mesmo. Pelo amor de Deus, eu até dormi com uma garota. E achei que estávamos apaixonados. Mas Harry não conseguia explicar por que nunca se sentiu da maneira como aquele beijo o fez se sentir. E como Malfoy percebeu isso?

Harry não podia evitar – ele olhou novamente para Draco. O loiro tinha parado de escrever e agora estava encarando o espaço como se estivesse perdido em pensamentos. Harry observou o perfil perfeito, o meio-sorriso abstrato, a mecha de cabelo que caia atrás da orelha de Draco e formava um pequeno cacho em seu pescoço. A atenção de Harry estava então fixada naquele ponto, logo embaixo da orelha de Draco, que estava sendo moldado por uma mecha macia de cabelo loiro. Parecia inexplicavelmente adorável, tão desejável e . . . queria beijar –

"SR. POTTER!"

Harry pulou em susto. Snape o estava encarando, seus olhos pretos brilhando.

"Fiz uma pergunta, Potter, mas você não escutou a uma palavra, não é?"

Harry se sentia nauseado. Todos na sala viraram novamente para observá-lo, incluindo Draco. "Não, senhor," ele disse. "Desculpe," ele adicionou com uma voz baixa.

"Talvez," Snape disse em seu tom mais venenoso, "eu deva deixá-lo ir até a Ala Hospitalar. É evidente que aquele tropeção que sofreu no corredor esta manhã o fez perder o resto de seu cérebro que ainda estava conectado. Cinco pontos da Grifinória, de novo, Potter".

Harry manteve seus olhos desviados de Draco, mas estava ciente de que o outro garoto o estava observando atentamente. Seu último pensamento sobre Draco então o ocorreu, assuntando-o horrivelmente. Harry corou e deslizou em sua cadeira. Sentia-se muito nauseado. Ai Deus, ele pensou, deixe-me vomitar agora, para eu poder sair dessa aula.

O resto da aula, no entanto, passou sem incidentes. Era evidente que Snape não planejava deixá-los fazer a poção por si mesmos – o que era algo bom, Harry pensou com gratidão – ele podia imaginar todos tentando amaldiçoar uns aos outros para testar as poções, e os estudantes com poções falhas teriam que andar por aí com partes do corpo inchadas, ou com pernas de aranhas saindo de suas cabeças, ou qualquer outro resultado revoltante.

Em certo momento, Snape fez todos irem até sua mesa para olhar os ingredientes restritos que tinha trazido. Harry tentou ficar o mais longe de Draco o possível, apesar de perceber que o outro estava extremamente interessado em pegar várias amostras e analisá-las de perto. Harry ao mesmo tempo tentou ficar invisível para Snape. Para sua sorte, Snape parecia ter cansado dele nesse período, e sequer olhou em sua direção pelo resto da aula.

Finalmente, a aula terminou, e antes que um aliviado Harry pudesse se preocupar com o que diria a Draco caso se encontrassem do lado de fora, percebeu que o outro tinha sumido. Hermione e Rony, no entanto, o atacaram assim que ele pisou no corredor.

"Harry!" Rony disse com exasperação escrita claramente em sua face. "O que está acontecendo com você? Você agiu que nem um louco a manhã inteira!"

Harry olhou Rony com indiferença, e então começou a andar na direção da próxima aula. Seus dois amigos trocaram um olhar, e se apressaram para alcançá-lo.

"Não tem nada a ver com . . . nós – com que contamos para você na noite passada, não é?" Hermione perguntou, preocupada, enquanto caminhavam. "Achamos que nos ver juntos pudesse deixá-lo chateado novamente . . . sabe, por causa do seu rompimento com –

"Não!" Harry disse, interrompendo-a. "Não é isso. Ou talvez seja um pouco. Mas vocês sabem que estou feliz por vocês. Eu só tenho . . . algo na minha mente."

"Bem," Rony bufou. "Seja o que for, sabemos com certeza que não é Poções."

"Cala a boca, Rony," Hermione disse, socando-o no braço. "Você não está ajudando." Ela virou para Harry. "Harry, sabe que pode falar conosco – ou comigo, pelo menos," ela disse, ignorando Rony. "Se você precisar."

"Eu sei, Hermione. Obrigado. Mas nesse momento, eu só preciso arrumar tudo na minha cabeça."

Felizmente para Harry, a próxima aula deles era História de Mistérios Mágicos, que era ensinada pelo professor Binns. E já que quase todos, com a exceção de Hermione, dormiam durante a aula, enquanto Binns falava sem parar sobre bruxos e feitiços antiquados, os mistérios mágicos eram tão misteriosos antes da aula quanto depois. Mas Binns nunca chamava ninguém, e Harry finalmente teria a oportunidade de refletir. Poções Avançadas era a única matéria que tinha com Draco nesse ano, então agora que isso tinha passado, Harry não o veria até o próximo dia. E isso era um alívio, não era? Então? Isso era justamente o que Harry queria refletir. O que ele queria fazer a respeito de Malfoy?

Harry deslizou em sua cadeira e cruzou os braços. Deixou sua cabeça cair para frente, seus olhos fixados em sua carteira. Harry tentou se lembrar das palavras exatas que Draco usou na noite passada:

"Você acreditaria se eu dissesse que quase tudo que sabe sobre mim era apenas um ato, para esconder o que realmente sinto?"

"Se era atuação, você era muito bom – parecia bem real."

"Eu sou bom. Mas isso não torna o ato real."

Seu coração disse agora o que suas emoções conturbadas o impediram de ver então – que o Draco que encontrou na outra noite – que tinha visto pela primeira vez em sua vida – ele era real. Ele sempre odiou Draco Malfoy – ou odiou o Draco Malfoy que o garoto fingia ser. Talvez o que realmente odiava era o sentimento de falsidade que sempre sentira em Draco; aquela atitude arrogante e insuportável que sempre o frustrou, porque ele sabia que tinha algo debaixo de tudo aquilo que ele queria conhecer, mas nunca pôde ver. Ele certamente nunca odiou o garoto com que conversou na noite passada, que tinha rido com ele, e o tinha tocado com surpreendente gentileza. Na verdade, tinha uma ternura tranqüila naquele garoto que surpreendeu Harry, e capturou seu interesse de um jeito que ninguém jamais conseguiu antes. Harry lembrava como sofreu posteriormente, ao pensar que nada tinha sido real. Mas sim, seu coração o disse, e Harry sentiu algo aflorar dentro de si, a noite passada tinha sido real.

Então seus pensamentos voltaram para a última vez que se sentiu dessa maneira, e um nó subiu em sua garganta. Ainda doía toda vez que pensava nela. Harry tinha acreditado que ela o amava; que eles iriam criar um futuro juntos. Eles tinham feito amor na última noite do último ano letivo, antes das férias de verão o separarem, e para Harry essa tinha sido uma expressão de seriedade no relacionamento. Na manhã seguinte, ela o informou, com tristeza e gentileza, mas também com finalidade, que tudo estava acabado.

Harry ficou completamente, totalmente devastado e horrivelmente chocado. De alguma maneira ele foi parar no escritório de Dumbledore, chorando a história no ombro do sábio homem, implorando para poder ficar em Hogwarts durante o verão. Ele não podia suportar a idéia de ainda ter que enfrentar os Dursleys. Deus, ele mal podia enfrentar seus amigos. Todos partiram com o trem e ele ficou para trás. E nunca contou a mais ninguém o que aconteceu. Deixou Rony e Hermione acreditarem que o relacionamento tinha terminado durante o verão. Eles sabiam apenas que Harry estava chateado, já que se recusava a tocar no assunto.

Durante o verão ele trabalhou, fazendo qualquer trabalho que pudessem encontrar para ele. Ajudou Hagrid várias vezes e ocasionalmente até mesmo Filch, apesar disso não ter melhorado em nada seu relacionamento com o homem. E passou muito tempo pensando. Finalmente, ele chegou a uma aceitação do término do namoro, e até mesmo reconheceu que apesar da experiência sexual ter sido extremamente significante, ele ainda sentia como se uma parte importante estivesse faltando. O sexo não o tocou tão profundamente como esperava. Agora ele sabia o que faltou. Ela sempre soube que eles não iriam ficar juntos, tinha sempre se mantido reservada. Ela não se deixou realmente envolver, ou se apaixonar por ele.

Então o que fez aquele breve beijo com Draco tão intenso, tão perfeito? Como ele tinha o tocado tão profundamente? Draco disse, "Estou certo de que deve haver alguém por aí que quer beijá-lo desse jeito." E o que Draco quis dizer quando disse que esteve escondendo como realmente se sentia? E por que não estou mais chocado com tudo isso?

Havia tanto que Harry queria saber – tantas perguntas a se fazer. Ele queria se sentir daquele jeito novamente enquanto falava com Draco, escutando-o, confiando nele, naquele momento inesperado em que Draco parecia entender tão bem seu medo de ficar sozinho. Nunca tinha sentido qualquer desejo sexual por outro garoto, mas quando pensou no jeito com que o corpo e os lábios de Draco se sentiam junto aos seus, sentia uma dor de desejo, e aquela excitação estranha começou dentro dele. Sentia-se inconfortável com esses sentimentos e em continuar com essa linha de pensamento, e a sugestão de Draco do que aconteceria caso ele ganhasse o jogo era algo que Harry nem queria contemplar. Mas voltando ao assunto. O que ele queria com Malfoy? Ele queria que se encontrassem novamente. Sozinhos. Sem outros cinqüenta alunos assistindo. E queria fazer milhões de perguntas. E é isso. Iria dar um passo por vez.

Harry sentiu uma cutucada forte em seu ombro. "Psst." Ele virou a cabeça, distraído de seus pensamentos, e olhou para Rony.

"Harry," Rony sussurrou. "Está bem?"

"Sim," Harry sussurrou. "Bem melhor."

--

Quando Harry, Rony e Hermione chegaram ao Salão Principal para almoçar, Harry estava se sentindo muito bem. Seu mundo tinha abruptamente entrado em um inesperado eixo, mas Harry sentia que tinha restabelecido seu equilíbrio. E com isso, sua autoconfiança. Na verdade, estava meio que animado. Quando entraram no Salão, Harry imediatamente procurou Draco. O loiro estava sentado em seu lugar usual, aparentemente envolvido em uma discussão com as duas garotas Sonserinas do sexto ano que estavam dando risinhos para ele naquela manhã. Draco estava balançando a cabeça, e parecia querer ao mesmo tempo rir e matá-las.

Harry encheu o prato, com um pouco mais de atenção do que no café da manhã, e ia começar a comer, quando um pequeno pergaminho fechado apareceu ao lado de seu prato. Estava surpreso – seria para ele? Pegou-o e leu a etiqueta. "Harry Potter." Hmmm. Harry desfez o laço e desenrolou a carta. Estava escrito:

Senhor Potter,

Gostaria que viesse até meu escritório imediatamente após o término das suas aulas. Um relatório a respeito de um incidente veio à minha atenção, e devo discuti-lo com você e com o Sr. Malfoy. Espero sua presença.

A. Dumbledore

Harry engoliu seco. Tinha esquecido completamente do sermão de McGonagall daquela manhã. Olhou para a mesa Sonserina. Draco estava lendo um bilhete idêntico ao seu e estava ficando extremamente pálido. Draco também olhou diretamente para ele e eles se observaram por um instante. Mas até mesmo naquele breve contato, Harry percebeu o alarme nos olhos do outro garoto. Então Draco abaixou o olhar, levantou-se e começou a andar em direção às portas do Salão Principal. Harry teve que lutar contra a vontade que sentia de ir atrás dele novamente.

"Ei, o que é isso, Harry?"

Rony estava se inclinando no seu braço para ver o bilhete. Harry passou-o.

"Parece uma carta de amor," Seamus disse, rindo.

Rony leu a carta rapidamente, e então assoviou. "Ai, Harry. Isso é ruim." Ele passou o papel para Hermione. Ela leu silenciosamente e passou para Seamus.

"Foi mal, Harry," Rony disse, sentindo-se culpado. "Se eu não tivesse dito nada sobre o soco para McGonagall –"

"Não se preocupe comigo, Rony," Harry disse com voz áspera. "Não acho que estou muito encrencado. Mas e Malfoy? Ele é um monitor. E se Dumbledore o expulsar? Será tudo minha culpa!"

Rony encarou Harry por um minuto como se ele tivesse crescido outra cabeça – com antenas. "Você está preocupado com Malfoy?"

"SIM!" Harry disse. "Estou. Porque ele não fez nada o ano todo – até eu provocá-lo nessa manhã."

"Harry está certo, Rony," Hermione disse. "Eu falei bastante com ele ultimamente, já que sou Monitora Chefe e ele é monitor – ele realmente está tentando mudar."

Rony bateu a palma da mão em sua testa, sem acreditar e enojado, murmurando algo como, "quando trolls fizerem balé".

Harry o ignorou. Olhou para Seamus. "Chegarei atrasado para o treino de Quadribol hoje. Você pode assumir no meu lugar e fazer todos começarem?" Seamus tinha se juntando ao time de Quadribol grifinório no sexto ano como um batedor, para substituir um dos gêmeos Weasley, e acabou ficando muito bom.

"Sim, sim, Capitão," Seamus disse. "Eu apenas direi que você chegará atrasado por estar na companhia de um atraente loiro." Seamus riu ao ver a expressão assustada de Harry. "É a verdade pura, não é? Draco Malfoy é a coisa mais linda nessa escola."

Harry sentiu sua face corar. Ouviu Rony fazendo sons de vômito. "Só diga que eu tenho uma reunião com um professor, Seamus, obrigado."

"Você não tem graça, Harry."

Ah, se você soubesse.

--

Harry chegou até a gárgula que marcava a entrada do escritório de Dumbledore, e viu que Draco já estava ali, jogado na parede, seus braços cruzados com força, seus olhos grudados no chão. O que Harry podia ver de seu rosto, atrás das mechas loiro-prateadas que caiam nos olhos do outro, é que estava muito pálido. Então Harry percebeu que Draco, ao contrário dele, não tinha idéia de que seriam chamados para falar com Dumbledore até receber a carta no almoço. Ele parece bem preocupado – talvez até mesmo com medo, Harry pensou.

Harry parou por um instante, e então foi ficar ao lado dele, perto o suficiente para que seus ombros quase tocassem. Inclinou-se na parede, e cruzou os braços também, mas sua face estava virada para observar o outro garoto.

Draco não se mexeu, ou reconheceu a chegada de Harry.

Harry não sabia o que dizer; como devia reagir a um Malfoy assustado e quieto? Todas as respostas-Draco-Malfoy que tinha usado por tanto tempo eram quase automáticas e mais do que desapropriadas. O que você diz para alguém que costumava ser seu inimigo para informá-lo que seus sentimentos mudaram? E se Harry estava tendo toda essa dificuldade em se expressar, sabendo que Draco gostava dele, sentia mais respeito pela coragem que Draco teve que ter para acostá-lo na outra noite, sentar e conversar com ele. Draco tinha arriscado ser rejeitado, e permitiu que Harry visse como ele realmente era. Na verdade, Harry percebeu, ele está sendo muito honesto nesse momento. Deixando que eu veja seu medo, sem tentar escondê-lo. A significância de tal ato era muito profunda. Percebendo isso, veio um sentimento de simpatia e uma grande necessidade de passar conforto, na qual Harry tinha que agir. "Ei, Malfoy," ele disse suavemente. Após um longo momento de silêncio, adicionou. "Aquilo foi muito legal – o que fez por mim na aula de Poções. Só teria sido melhor se eu tivesse me lembrado do último ingrediente."

Draco moveu seus ombros um pouco, em um gesto de reconhecimento, e continuou a encarar seus sapatos.

Mais um longo silêncio passou. Harry queria muito levantar os espíritos de Draco e fazê-lo sorrir novamente. "Seus sapatos estão ótimos, Malfoy," ele disse finalmente, com um tom de brincadeira em sua voz. "Muito marcantes. Na verdade, eu os percebi essa manhã – eles deixaram uma ótima impressão em mim."

Draco olhou brevemente para Harry por trás de seu cabelo. Um pequeno sorriso apareceu por um momento, e então desapareceu. "McGonagall está lá agora," ele disse finalmente em uma voz muito baixa. "Alguém disse a ela que nós brigamos."

"Foram as cinqüenta pessoas que estavam assistindo essa manhã," Harry disse em voz igualmente baixa. Achou melhor não mencionar Rony. "McGonagall apareceu assim que você saiu. Eu tentei explicar que não estávamos brigando, mas ela deve ter achado que eu estava fugindo do castigo. Me deu um longo sermão."

"Eu recebi um também, antes dela subir." Houve uma pausa, e então Draco disse, "você realmente disse a ela que não estávamos brigando?"

"Sim," Harry disse. "Mas eu não sabia o que mais dizer – a respeito do que nós estávamos fazendo."

Draco inclinou a cabeça na parede e fechou os olhos. Ele suspirou. "Estou tão ferrado, Harry."

"Ei," Harry disse, tentando soar certo. "Eu acho que não. Dumbledore sempre foi justo. Não é como se estivéssemos duelando, e ninguém ficou machucado."

Draco virou para encarar Harry pela primeira vez. "Mas tem algo que você não sabe."

Harry encostou seu ombro na parede para ficar cara-a-cara com Draco. Os olhos deles se encontraram, cinza derretendo em verde derretendo em cinza, e Harry então não conseguia pensar em Dumbledore, ou na encrenca em que estavam, ou em nada a não ser no que estava acontecendo naquele momento entre ele e Draco. Até mesmo o ar entre eles parecia tremer. Respirou profundamente, e concentrou toda a sua coragem. "Tem algo que eu quero saber," ele disse suavemente. "Você sempre me odiou. Não entendo essa mudança repentina. Por que você . . . gosta de mim agora – eu gostaria de saber disso."

Draco ficou parado por um momento, olhando nos olhos de Harry. "Você realmente não sabe, não é?" Então ele levantou uma mão, retirou o cabelo dos olhos de Harry, e gentilmente traçou a cicatriz em sua testa. Um pequeno sorriso apareceu no canto de sua boca, e uma delicada sobrancelha se levantou. "É a cicatriz, Harry. O que posso dizer, eu acho irresistível."

Harry soltou uma risada curta, e corou um pouco com a eletricidade que sentiu com aquele toque e com a recordação de sua mentira terrível daquela manhã. Mas balançou a cabeça, seus olhos nunca deixando os de Draco. "Não acredito nisso, Malfoy."

Draco encontrou o olhar de Harry sem hesitar. Ele respirou profundamente. "Eu sempre gostei de você," ele disse em tom baixo. "Do momento que te vi pela primeira vez, quando entrou na Madame Malkins, até mesmo antes de saber quem você era." Ele pausou. "Mas, Harry –" ele disse, ainda mais suavemente, "você não gostou de mim".

"Ah," Harry disse. Era verdade. E seu mundo virou ainda mais um pouco para que pudesse ver como seu desgosto e sua rejeição devem ter machucado Draco. "Terrivelmente, horrivelmente, e até os ossos," Draco tinha dito noite passada. E apesar de Harry ter se desculpado daquela vez, o impacto total apenas o atingiu agora. Mesmo assim, ele pensou, se eu soubesse, não teria mudado nada – eu não teria gostado dele do jeito como ele costumava ser. Mas Harry, sendo Harry, não gostava da idéia de causar dor a ninguém – e era triste que eles tinham perdido tanto tempo brigando.

Draco, olhando nos olhos de Harry, conseguiu ler parte do conflito interno ocorrendo no outro garoto. Viu a compreensão e o arrependimento nos olhos verdes, e estava tocado. "Não se preocupe," ele disse. "Eu sei que eu era um pentelho chato. Não te culpo por não gostar de mim – não mais." Então ele sorriu pela primeira vez desde que começaram a conversar, e algo na expressão aliviada de Harry o fez se lembrar da aula de Poções daquela manhã. Ele levantou uma sobrancelha, e o sorriso virou uma versão fofa de seu velho sorriso malicioso, seus olhos cinza acesos com afeto e brincadeira. "Você estava um espetáculo na aula de Poções hoje, sabe," ele disse.

Harry sabia que devia dizer algo, fazer alguma resposta inteligente, mas o sorriso de Draco e o olhar do outro estava fazendo algo misterioso à estabilidade de seus joelhos. Ele sorriu, sentindo-se bobo e não conseguindo evitar. Repentinamente se sentia com a língua presa.

Draco deu um passo mais perto de Harry. "Na verdade, está sendo um espetáculo, agora," ele disse com ternura. Colocou uma mão na parede muito perto do ombro de Harry.

Harry sentiu sua face queimar.

Draco riu suavemente. "Eu amo o jeito com que faço você corar, Harry. É tão mais divertido do que deixá-lo bravo. Que pena que não descobri isso mais cedo."

Harry olhou para baixo, quebrando o contato visual, seus sentimentos misturando em uma massa de excitação e vergonha com a proximidade de Draco. Ele estava desesperadamente tentando pensar em algo para dizer que mudaria o rumo da conversa. A menção anterior de Draco a respeito da aula de Poções fez Harry se lembrar do sucesso do sonserino na matéria. "Eu nunca fui muito bom em Poções. Mas você é muito talentoso," ele disse, e então adicionou, "eu simplesmente pareço não entender, às vezes".

"Eu tenho muito interesse," Draco respondeu com entusiasmo. "E Snape é um dos melhores mestres de Poções vivos – ele sabe as coisas mais legais." Draco riu ao ver a expressão dolorida e cética de Harry. "Eu sei. Às vezes ele pode ser um sacan-"

Draco foi cortado quando a gárgula atrás dele se mexeu, e a porta para o escritório se abriu. A professora McGonagall saiu e lhes lançou um olhar de reprovação. Se ela estava surpresa ao vê-los tão próximos, não demonstrou. "Podem subir," ela disse com firmeza, e os abanou na direção da porta. "O Professor Dumbledore está esperando por vocês."

Toda a cor e animação sumiram do rosto de Draco, e ele ficou muito pálido novamente, mas virou e entrou primeiro, com resolução. Harry o seguiu rapidamente, e a parede atrás deles se fechou com um barulho oco. Draco parou no primeiro degrau, fazendo com que Harry quase esbarrasse nele.

"Você já esteve aqui antes?" Harry perguntou.

"Uma vez," Draco disse. "Você?"

Harry suspirou. "Muitas vezes."

Draco virou um pouco e olhou para Harry, então jogou seu cabelo e sorriu. "Escritório legal, não é?"

"Demais," Harry disse. Mas Harry não sabia se estava se referindo ao escritório ou a Draco, porque de alguma forma, apesar de estar com medo, entre um segundo e outro, o loiro tinha se recomposto com uma pose e confiança aparentemente inabaláveis. Como ele faz isso? Harry indagou-se.

Draco virou e pulou nas escadas. Harry esperou um momento, então subiu também. E apenas quando estavam quase no topo Harry se lembrou do que Draco disse no corredor. O que é que eu não sei? Ele pensou. Mas agora era tarde demais para perguntar, porque Draco já estava batendo na porta de Dumbledore.

Fim do Capítulo 4