Diclamers: Harry Potter ainda não pertence a mim, infelizmente! O conteúdo dessa fanfiction também não, já que esta é apenas a tradução da original, que é em inglês e pode ser encontrada no link que coloquei no primeiro capítulo.
A/N: Muito obrigada novamente pelas reviews, alerts e tudo mais! Faz tempo que não atualizo, mas finalmente acabaram minhas provas da faculdade e entrei em férias! Até agosto, graças! Esse é o último capítulo da Primeira Parte. Boa leitura!
CHECKMATE
PARTE I – PREPARAÇÃO
Capítulo 5
This is the one situation I wanted most to avoid
My dear opponent – I really can't imagine why
So I am not dangerous then? – what a shame!
Oh you're not dangerous – who could think that of you?
You
– you are so strange – why can't you be what you ought to
be?
You should be scheming, intriguing, too clever by half –
Essa é a situação que eu mais queria evitar
Meu querido oponente – eu realmente não consigo imaginar por que
Então eu não sou perigoso? – que pena!
Ah você não é perigoso – quem pensaria isso de você?
Você – você é tão estranho – por que você não pode ser o que deve ser?
Você deveria ser planejador, intrigante, inteligente até demais –
Letras de "Mountain Duet" de Chess por Benny Anderson, Tim Rice e Björn Ulvaeus
…
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Draco bateu duas vezes, e a grande porta de madeira se abriu, no exato momento em que Harry chegou ao topo das escadas. "Sr. Malfoy . . . Sr. Potter," Dumbledore disse, acenando para ambos de sua cadeira atrás da escrivaninha. Sua voz era grave, e ele lançou um olhar crítico por cima de seus óculos meia-lua enquanto eles se moviam até ficarem na frente do diretor. Harry percebeu que nunca tinha visto aqueles olhos azul-claros tão antipáticos, e sentiu seu estômago cair até além de seus sapatos. Talvez a situação não desenrolasse tão calmamente quanto esperava. Dumbledore cruzou as mãos e os observou com aquele olhar azul pálido, parecendo estar sem palavras para expressar o quão desapontado estava com eles.
Harry roubou um olhar rápido na direção de Draco. O loiro estava imóvel e com a postura reta, olhos abaixados em uma atitude de resignação. Ele estava pálido, mas seu queixo estava levemente levantado, em um gesto não de rebeldia, mas de uma corajosa aceitação de seu destino. E Harry então soube que desta vez Draco não iria argumentar ou se defender, ou tentar culpar Harry, ou tentar convencer Dumbledore a não puni-lo. Ele realmente mudou, Harry pensou, com preocupação crescente em relação ao que estava prestes de acontecer.
"Sr. Malfoy." Dumbledore disse em um tom baixo, mas severo. "Foi-me reportado que um grande número de estudantes presenciou um incidente entre você e o Sr. Potter nessa manhã. Mais especificamente, você chutando o Sr. Potter no tornozelo e então pisando no pé dele. Isso é verdade?"
Harry sabia que não devia, absolutamente não podia dar risada, mas a figura mental de quão bobo aquilo deve ter parecido se apoderou dele, e quase riu. Olhou para Draco novamente, e viu o outro mordendo o lábio inferior, lutando para manter a cara séria também.
"Sim senhor," Draco disse, com a voz levemente forçada.
"E por acaso," o diretor continuou, "você não fez uma promessa solene a mim no começo desse ano letivo, quando eu concordei em torná-lo monitor, de que não iria de modo algum brigar com Harry Potter? Que você o iria deixar estritamente em paz?"
Houve uma longa pausa. "Sim senhor," Draco disse suavemente, sem qualquer traço de diversão.
Harry ficou instantaneamente sóbrio. Ah não, pensou. Era isso que eu não sabia. Mas nós não estávamos brigando. E eu . . . eu não quero que ele me deixe em paz. "Professor Dumbledore, senhor?" Harry disse, tentando interromper da maneira mais educada possível. "Posso dizer algo?"
Dumbledore virou seu olhar gélido para Harry. "Não, Sr. Potter, não pode," disse com firmeza. "Você terá sua chance de falar no momento adequado."
Harry sentiu uma grande dor se formar no fundo de sua garganta quando Dumbledore retornou sua atenção a Draco.
"Até hoje," Dumbledore continuou, como se Harry não tivesse falado nada, "eu acreditei que você seria capaz de manter essa promessa." Então adicionou, em um tom ainda mais brusco, "Tenho certeza de que não preciso lembrá-lo que teria se tornado Monitor Chefe esse ano, se seu comportamento, particularmente em relação ao Sr. Potter, não tivesse sido tão disruptivo no passado. Suas notas são as mais altas entre todos os alunos do seu ano – você está na frente ou empatado com a Srta. Granger quanto à maior nota em todas as matérias." Aqui ele pausou e olhou para Harry com rigor, e quando voltou a falar, havia um sinal de raiva em sua voz que assustou Harry. "Mas eu estou particularmente desapontado que vocês dois persistem em antagonizar um ao outro. Esse comportamento é simplesmente inaceitável e inapropriado para suas posições e ano que estão nessa instituição, e desse modo, não será mais tolerado de maneira alguma." Dumbledore se levantou. "Isto ficou claro?"
"Sim senhor," Harry e Draco responderam juntos.
"Sr. Malfoy?"
"Senhor?"
"Um monitor deve se fazer de exemplo para os outros estudantes. Eu estarei retirando 20 pontos da Sonserina pela sua conduta nessa manhã, e mais 30 pontos por quebrar sua promessa. Também o estarei colocando em situação de análise. Se houver algum outro incidente envolvendo você e o Sr. Potter, será removido do seu posto, e possivelmente expulso."
"Sim senhor," Draco disse em voz quase inaudível.
Harry estava certo que ouviu um tremor na voz de Draco. Ele estava tão pálido agora que beirava em transparente. Harry nunca tinha visto o outro tão perto de perder aquela pose infalível. E não era justo.
"E," Dumbledore continuou, "você e o Sr. Potter ambos estão de detenção."
Harry deu um passo à frente. "Mas senhor," ele disse com calma determinação, "tem algo que deveria saber."
Dumbledore virou para Harry e franziu as sobrancelhas. "Sr. Potter," disse com firmeza, "eu perdi a paciência com desculpas. Se você e o Sr. Malfoy querem brigar, então acho justo que ambos sirvam detenção."
"Eu servirei, senhor," Harry disse com resolução, "porque eu mereço. Mas Draco não merece. O que aconteceu nessa manhã foi minha culpa. Eu não acho justo que ele receba qualquer tipo de punição."
Dumbledore encarou Harry.
Draco, também, virou para encarar Harry.
E naquele momento longo de silêncio que se seguiu, uma pequena voz no fundo de sua mente estava gritando que ele tinha acabado de chamar Draco Malfoy pelo primeiro nome. Harry sentiu sua face corar.
"Harry, não – " Draco sussurrou. "Você não precisa fazer isso."
…
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O professor Dumbledore parou um momento e simplesmente encarou Harry, e então olhou mais atentamente para o garoto. Amaciou sua barba algumas vezes. Ele tinha ficado tão impaciente com a briga aparentemente incessante entre os dois garotos, que não tinha percebido até agora o que estava realmente acontecendo, nesse local e agora. Onde estavam as caras bravas, o apontar de dedos, os insultos, a mal-disfarçada vontade mútua de produzir dano físico? Por que eles não estavam em pontos opostos do escritório, se encarando com malícia e prometendo morte com os olhares, como sempre? Dumbledore estudou a face extremamente honesta, e, no momento, também intensa de Harry. Era óbvio que ele estava sendo completamente sincero. E para adicionar à sua confusão, Harry corou. E em cima de tudo isso, em seguida, ouviu o protesto sussurrado de Draco direcionado ao moreno. Desde quando os dois se chamavam pelos seus primeiros nomes?
Perplexo, Dumbledore virou para ver como Draco estava reagindo à declaração de Harry, e o que viu fez com que se sentasse abruptamente em sua cadeira. Percebeu distraidamente que sua boca estava aberta e prontamente a fechou. Não havia dúvida de como Draco estava apreciando Harry. A melhor pluma de Dumbledore "acidentalmente" caiu de sua mesa ao chão, e o diretor mergulhou atrás dela para que pudesse ter um momento atrás de sua mesa para se recompor. Não seria bom rir agora.
E o pêndulo balançou! Dumbledore pensou. Ah céus, como balançou. Ele sempre imaginou se existia algo escondido atrás da intensidade das reações que aqueles dois tinham um com o outro, atrás da incapacidade incessante e incansável que ambos tinham em deixar o outro em paz. E parecia que Draco, pelo menos, tinha descoberto que havia. Mas e quanto a Harry? Valia a pena observar esse progresso, com certeza. Dumbledore voltou após um momento com sua pluma, com o que esperava ser uma cara séria.
Virou para Harry novamente, e limpou sua garganta. "Entendo," ele disse, o mais solidamente possível. "Talvez devesse explicar, Harry."
"Eu tentei explicar para a Professora McGonagall essa manhã," Harry disse, muito sério. "Que nós não estávamos brigando. Eu sei que é o que deve ter parecido, mas não estávamos." Então Harry corou novamente, e pareceu estar ligeiramente surpreso.
"Continue, Harry," Dumbledore disse, lutando novamente para manter sua expressão severa. "Se vocês não estavam brigando, o que estavam fazendo?"
"Er, jogando um . . . jogo," Harry disse, ficando mais vermelho ao minuto.
Dumbledore o viu trocando olhares com Draco, que tinha se movido para ficar mais próximo de Harry até que seus ombros estavam quase se tocando, não – estavam se tocando, e que estava encarando a parede atrás de Dumbledore com uma expressão levemente confusa e abstrata. Isso está ficando muito engraçado, Dumbledore pensou. Não, não – não pense em engraçado.
"Um jogo?" Dumbledore incentivou Harry, em uma voz um pouco engasgada. Ai minhas estrelas e luas! Eles estão SEGURANDO MÃOS? Um peso de cristal repentinamente rolou da mesa de Dumbledore, e ele teve que pular atrás de sua mesa por vários minutos até que pudesse encontrá-lo e devolvê-lo ao seu local devido. Quando retornou, Draco tinha se distanciado um pouco de Harry.
"Desculpe," Dumbledore disse, sua barba tremendo. "Às vezes esses objetos têm mente própria. Mas, estava dizendo, Harry – que você e Draco estavam jogando um jogo?"
"Sim senhor," Harry disse, infeliz. Olhou para Draco novamente. "E eu . . . er, eu . . . quebrei uma das regras, e ele ganhou dois movimentos bônus."
"E, deixe-me adivinhar, os dois movimentos foram o chute e a pisada no seu pé."
"Sim senhor." Harry parecia pronto para afundar no chão. "Nós não sabíamos que tinha pessoas assistindo."
Dumbledore virou para Draco. "Foi isso que aconteceu?"
"Bem, sim senhor," Draco disse, agora sério. "Mas eu sei que não deveria ter – "
"E você não iria me dizer nada, sobre não ter realmente brigado, ou sobre não ter mantido sua promessa?"
"Não, senhor."
"Posso perguntar por que não?"
"Porque eu quebrei parte da minha promessa, senhor. Eu não o deixei em paz, e estou pronto para lidar com quaisquer conseqüências que você ache justo."
Dumbledore acariciou sua barba por vários minutos, considerando. "Harry," ele disse finalmente, "entendo corretamente que você não tem nenhuma reclamação contra o Sr. Malfoy pelo que ele fez?"
"Não, senhor – nenhuma," Harry respondeu em um tom esperançoso.
"Bem," Dumbledore disse, "pareceu uma briga, então entendam que eu devo fazer algo que pareça um castigo?" Ambos os garotos concordaram. "Então 20 pontos serão tirados da Sonserina e da Grifinória. Não retirarei nenhum ponto adicional da Sonserina, nem o colocarei em análise, Sr. Malfoy. Mas eu não removerei a detenção a não ser que vocês dois me prometam que não haverá nenhuma briga entre vocês. Prometem?"
"Sim, senhor," Harry disse.
"Obrigado, senhor," Draco disse. "Isso não voltará a acontecer. Eu manterei minha palavra."
"Mas senhor," Harry disse, então hesitou. Ele olhou para o chão, e sua face ficou vermelha novamente. "O Draco . . . er . . . ainda precisa manter aquela outra parte da promessa . . ."
Dumbledore já não tinha mais coisas para acidentalmente deixar cair, então ele acariciou sua barba para esconder o sorriso que não conseguiu evitar. Draco estava observando Harry daquele jeito de novo. "Você quer dizer o que eu mencionei sobre ele o deixar em paz, Harry?"
Harry levantou o olhar. "Sim," disse suavemente. "Parece-me . . . desnecessário, senhor."
"Muito bem, ele não precisa manter mais essa parte da promessa," Dumbledore disse, movendo sua mão para que Harry visse seu sorriso. Harry sorriu em resposta. E também Draco. E por um momento, Dumbledore ficou completamente sem reação. Ele nunca tinha visto Draco Malfoy sorrir – não desse jeito, não um sorriso real, genuíno, de coração. Deus, esse garoto poderia quebrar todos os corações daqui até a eternidade com esse sorriso.
É claro que Dumbledore sabia do devastador rompimento de Harry no começo do verão passado. Na verdade, suspeitava ser o único a par de toda a história, e ele não queria ver Harry sofrendo novamente. Draco poderia ser confiado com o coração de Harry? Harry, que esteve com o coração tão partido no final do último ano que Dumbledore permitiu que passasse o verão em Hogwarts. Harry, que nunca tinha sido amado por uma família, que sentia tal falta como alguém sentiria falta de um braço ou perna, ou até mesmo metade do corpo. Draco obviamente conseguiu abrir uma porta entre eles, e era igualmente óbvio que Harry estava com a mão na maçaneta. Dumbledore não tinha dúvidas que ele queria entrar por aquela porta, que iria entrar.
Dumbledore se virou na direção do loiro. "Draco," ele disse, "você pode se retirar. Fico contente de saber que está levando sua promessa a sério, no final das contas." Então virou para Harry. "Harry, por favor, fique por mais um momento, eu gostaria de conversar com você um minuto, se possível."
Draco passou por Harry na direção à porta. Virou-se pouco antes de sair, lançou um breve olhar na direção do moreno, e então se dirigiu a Dumbledore. "Obrigado novamente, senhor," ele disse, e então fechou a porta silenciosamente atrás de si.
Dumbledore voltou a sentar, e gesticulou para que Harry fizesse o mesmo. Pegou o pequeno peso de cristal e o rolou entre suas mãos pensativamente. "Harry," disse finalmente, "eu não vou mentir e dizer que não percebi as mudanças entre você e Draco. Devo dizer, considerando tudo, que estou extremamente satisfeito com isso. Mas você entende que ele pode te machucar desse jeito muito mais do que antes?" Dumbledore levantou uma mão ao ver a expressão chocada de Harry. "Não, não estou dizendo que você não deve confiar nele, ou que não devem ser amigos. Mas estou dizendo agora, que ele possui um futuro muito incerto, e que o amar pode trazer conseqüências para você, para vocês ambos, que nenhum de nós pode prever."
Harry deslizou na cadeira e analisou o chão. "Eu acredito que tenho um futuro muito incerto também, senhor," ele disse muito suavemente. Após um momento, continuou, "eu só quero descobrir qual é a verdade. Parece tão triste que nós estivemos brigando esse tempo todo quando poderíamos ter sido . . . amigos. Eu não sei se sinto . . . outra coisa."
Mas o que você achará quando perceber que ele está apaixonado por você, Dumbledore ponderou. Depois de uma pausa, quando Harry não disse mais nada, Dumbledore continuou. "Eu acho que você deveria saber que ele veio me ver no começo do ano letivo, e me disse que pretendia se desprender completamente de Lucius. Que ele queria uma chance nesse ano para provar que tinha mudado, para ganhar minha confiança e uma possível posição aqui em Hogwarts depois de se graduar. É o único local em que ele acha que estará seguro quando se opuser ao seu pai. Eis o motivo de eu concordar em torná-lo monitor esse ano, e o motivo pelo qual eu pedi que ele me fizesse aquela promessa."
Harry se endireitou na cadeira. "Mas isso é ótimo! Draco pode ficar aqui e ser um professor – você disse que as notas dele são boas e – "
"Harry," Dumbledore interrompeu gentilmente. "Acredito que Draco seria um ótimo professor, e estou considerando essa hipótese muito seriamente, mas essa não é a questão. Não fazemos idéia do que Lucius Malfoy fará quando Draco o desafiar publicamente. Poderia levar à conseqüências terríveis e perigosas, para ele, e para você. Eu só quero que seja cuidadoso, Harry – não quero vê-lo sofrendo de novo."
Harry se levantou com calma. "Entendo, senhor. Obrigado. Mas algo está acontecendo entre nós e eu . . . eu não sei como explicar . . . mas . . ." Harry olhou para baixo. "Eu não quero que isso pare."
"Não," Dumbledore disse com um sorriso triste, "é claro que não quer." Ele suspirou, e então deu uma pequena risada e piscou. "Saia já daqui, então. Tenho certeza que seus amigos o estão esperando." Harry sorriu, e Dumbledore o acenou na direção da porta. "E Harry," ele disse, quando Harry já estava com a mão na maçaneta. "É bom te ver sorrindo de novo."
Dumbledore observou Harry fechar a porta e puxou sua barba enquanto pensava. Levantou o olhar quando escutou um ruído e então levantou o braço. Fawkes desceu de sua posição do topo da estante de livros para pousar no pulso do diretor. Dumbledore acariciou as brilhantes penas vermelhas e douradas do peito da fênix. "Aqueles dois são um quebra-cabeças, não são?" ele disse em tom baixo.
Eles eram dois dos bruxos mais poderosos que já tinha visto, quase perfeitamente iguais em questão de habilidade. Mas devido à oposição constante entre eles, Dumbledore tinha cada vez mais medo de que eles chegassem a nada. Que eles iriam, como efeito, cancelar um ao outro em uma rivalidade que significaria o desperdício de ambos, usando seus poderes para nada mais do que se destruirem. Mas, agora . . . o que essa nova aliança significava? E havia mais alguma coisa que Dumbledore deveria estar enxergando? Estava sentindo algo, algo que não conseguia discernir exatamente. Coçou o local macio embaixo do bico de Fawkes. "Hmm, um quebra-cabeças . . ." Ele terminou, pensativo.
Fawkes cantou algumas notas líquidas e trêmulas.
"Sim, minha amiga," Dumbledore disse. "É uma possibilidade, mas é muito raro. E se minha memória anda correta, nunca existiu um par desse tipo. Mas ainda . . . pretendo manter um olho naqueles dois." Sim, ele pensou, isso com certeza valeria a pena assistir.
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Draco estava mesmo esperando por Harry no corredor do lado de fora do escritório de Dumbledore. "Harry," ele disse, desencostando da parede. "Você não está em apuros, está?"
"Não," Harry disse. Ele se moveu para perto de Draco e cruzou os braços levemente. "Nada desse tipo. O professor Dumbledore só se preocupa comigo de vez em quando – como se sentisse responsável por mim, já que eu não tenho minha mãe e pai para conversar."
"Hmm," Draco disse, franzindo as sobrancelhas enquanto estudava a face de Harry. "Acho que sei com o que ele estava preocupado." Ele suspirou e abaixou o olhar, então levou dois dedos cautelosamente ao braço de Harry. "Obrigado pelo que fez lá dentro," disse suavemente. "Aquilo foi a coisa mais legal que alguém já fez por mim." Deixou sua mão cair. Então encontrou os olhos de Harry novamente. "Eu . . . acho que você deveria escutar o Dumbledore, Harry, então se quiser parar de jogar, tudo bem. Eu entendo."
Olhando nos olhos cinza-azulados, Harry pôde ver desapontamento, mostrando-o o quanto Draco queria que ele jogasse. Mas ele estava oferecendo uma saída mesmo assim. Uma atitude muito honrável, Harry pensou, novamente surpreso com as mudanças que via em Draco. Ele sorriu. "Bem," disse com calma, "já que tocou no assunto, eu queria falar com você sobre isso. Eu não consigo jogar xadrez na minha cabeça. Então estava pensando se, talvez, você teria um tabuleiro que a gente possa usar, e se você se importaria se fôssemos para um lugar que tivéssemos . . . alguma privacidade? Eu não gostei muito do lance da . . . er, audiência . . . que aconteceu nessa manhã."
Draco olhou para Harry como se não pudesse realmente acreditar no que tinha ouvido. "Tenho um tabuleiro no meu quarto," ele disse com hesitação. "Podemos jogar lá – sou apenas eu."
"Você tem um quarto só para você?" Harry disse, surpreso. "Onde?"
"Quando você chega às escadas que levam até as masmorras da Sonserina, olhe para a parede à direita e verá uma alcova com uma pequena estátua de uma serpente. Apenas entre na alcova, é na realidade uma entrada para uma das torres menores, e você verá as escadas. Meu quarto é no topo." Draco ainda parecia atordoado, mechas loiras caindo em sua testa sem que percebesse. "Quando pode vir?" ele perguntou delicadamente.
"Já era para eu estar no treino de Quadribol, então eu tenho que ir agora, mas eu posso aparecer lá depois do jantar, depois que eu fizer minha tarefa . . . se estiver tudo bem com você."
Draco concordou movendo a cabeça. "Prepararei o tabuleiro."
Eles ficaram parados por um momento sem saber como se separarem. Então Harry disse, "eu já deveria ir."
"Você já está bem atrasado," Draco disse.
"Te vejo depois?"
"Até depois."
Harry finalmente se virou e começou a andar. Parou, e olhou para trás antes de virar na curva. Draco ainda estava no mesmo ponto. Ele parecia incrédulo e . . . feliz. Eu acho que gosto de colocar aquele olhar nele, Harry pensou. Ele sorriu para Draco e recebeu um sorriso de tirar o fôlego em resposta. Sim, com certeza gosto.
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Quando Draco voltou ao seu quarto, ele puxou sua varinha e a apontou três vezes para a lareira. "Incendio," murmurou. Um fogo aconchegante surgiu no carvão. O Sonserino foi imediatamente à sua escrivaninha e abriu a última gaveta. Então procurou nos bolsos de sua capa, até encontrar dois pequenos pacotes. Um continha pele de verme em pó, e outro flores "forget-me-nots", ingredientes que ele tinha roubado da mesa de Snape naquela manhã durante a aula de Poções. Ele escondeu os dois na gaveta e fechou. Então trocou seu uniforme por roupas mais confortáveis e, porque tinha deixado o melhor para o final, foi abrir sua janela, escalando na beira. Sentou-se encolhido, com os joelhos para cima, braços envolta dos joelhos, costas contra a parede, e olhou para fora.
Quando lhe fora designado esse quarto, e depois de olhar pela janela pela primeira vez, ele esteve entusiasmado. Apesar de o quarto ser no topo de uma das menores torres de Hogwarts, ele ainda tinha uma vista espetacular, que dava diretamente ao campo de Quadribol. Draco tinha passado muitas horas durante esse ano assistindo o time Grifinório praticar por motivos que não tinham absolutamente nada a ver com o roubo de estratégias. Ele apenas amava observar Harry voando.
Draco olhou para baixo e viu Harry entrando no campo. O moreno sinalou para alguém nas arquibancadas, Weasley ou Granger, com certeza, e então decolou no ar. Ele voou verticalmente até estar bem acima das arquibancadas, então circulou e completou cinco voltas em alta velocidade no campo, terminando com um mergulho espetacular. Desviou do chão com precisão absoluta no último instante, e então voou para cima espiralmente, seu corpo perfeitamente alinhado com sua vassoura. Finalmente, ele endireitou a vassoura quando ficou bem alto, acenou para seus companheiros de time, e mergulhou de costas. Draco sorriu. Era óbvio pelo jeito como estava voando, que Harry estava em altos espíritos, e Draco sabia a razão disso. Fazia um tempo desde que Draco viu Harry fazer manobras como aquelas – voando pelo simples prazer de voar. Era ótimo ver isso novamente.
E apesar de Draco ter de admitir que Harry voava melhor do que ele, eles eram muito próximos em questão de habilidade, e Draco sabia que essa não era a real razão porquê Harry sempre avistava o Pomo primeiro. A verdade é que, desde o primeiro ano, Draco achava que observar o moreno era muito mais interessante do que aquele velho, elusivo, pomo-dourado-marrom-com-asas. Na verdade, quando estavam no ar juntos, tão perto que quase se tocavam, com Harry tão atraente naquele uniforme vermelho da Grifinória, e fazendo aquelas manobras perfeitas, era impossível não olhar. Cedo ou tarde, a mente de Draco iria viajar, não importava quantas vezes tentasse prestar atenção, e ele se descobriria encarando Harry em um trance, ignorante do jogo, perdido em uma contemplação profunda de poesias em vassoura.
Era algo que o envergonhava muito nos primeiros jogos, quando ainda pensava em nada mais do que derrotar Harry Potter. Era algo que sempre manteve em absoluto segredo. Agora ele podia rir de si mesmo. Sabia o que queria. Ele queria voar com Harry, não contra ele. Na verdade, pensou enquanto olhava pela janela, ele não queria voar contra Harry nunca mais. Não depois de hoje.
Draco chegou, nesse exato momento, à decisão de sair do time da Sonserina. Os Sonserinos teriam que encontrar outro Apanhador – isso aconteceria no próximo ano de qualquer jeito. Desejava fervorosamente que pudesse se desligar de tudo ligado à Sonserina. Esteve andando na ponta dos pés desde o começo do ano, especialmente com Crabbe e Goyle, mantendo distância, e ainda não deixando transparecer que ele não queria mais nada a ver com os dois. Finalmente conseguiu convencer seus antigos guarda-costas que se eles o acompanhassem, sendo ele monitor, iria arruinar a imagem de garoto-mau. Ele deixou tudo claro quando tirou pontos da Sonserina e deu a ambos detenção quando eles atiraram uma bomba de fezes embaixo da cama de Pansy Parkinson. Nunca deixou que eles soubessem como achou engraçado ver Pansy do lado de fora do seu quarto, gritando como uma louca em sua camisola, fedendo extremamente a fezes, ou como deu risada quando voltou ao seu quarto. Não, ele agiu severamente com todos eles, inclusive Pansy. O que era importante agora era o trabalho escolar, aumentar suas notas para impressionar Dumbledore, e cuidar de seus deveres como monitor, porque se perdesse seu lugar em Hogwarts, as conseqüências eram inimagináveis. E então tinha o Harry. Harry era a coisa mais importante de todas.
Observou o grifinório executar uma pirueta perfeitamente e, sem esforços, capturar o pomo-de-ouro do treino enquanto descia. Deus, ele era incrível – e Draco o queria em todos os sentidos possíveis. Saiu da janela, apesar de saber que o treino iria durar por mais um tempo. Ele tinha que arrumar o tabuleiro de xadrez antes do jantar. E depois disso, tinha tarefa para fazer.
Repentinamente, uma sombra escureceu a janela aberta e Draco virou, um pouco assustado. A águia-coruja de seu pai tinha pousado na beira da janela, e estava fechando suas gigantescas asas enquanto pisava para dentro. "Olá, Lúcifer," Draco disse, sua voz cheia de veneno. "Como está o Papai?" Pegou a mensagem da imensa ave e a abriu.
Draco,
Já é hora de você parar de besteiras, e finalmente fazer como mandei. Discutiremos seu plano quando você vier para casa no feriado. Estarei esperando um relatório detalhado de seu progresso.
L.M.
Draco foi até sua mesa e retirou um pergaminho e sua pena. Pensou por vários momentos e então escreveu:
Pai,
Meu plano está procedendo melhor do que antecipei. Por favor, me mande o anel de serpente de prata que se encontra na caixa de madeira no meu quarto. Pretendo entregá-lo a Potter como um presente de Natal – com os feitiços apropriados, é claro. Até semana que vem.
D.M
Draco amarrou a mensagem na perna de Lúcifer, e mandou a coruja de volta. Com sorte, seu pai iria mandar o anel imediatamente. Estava escurecendo lá fora, e o ar entrando pela janela aberta estava esfriando. Draco olhou para fora uma última vez e viu que os Grifinórios estavam entrando no castelo, mas estava muito escuro para distinguir Harry entre o grupo. Ele sorriu. Logo, iria ver Harry – não lá fora dessa vez – mas aqui, em seu quarto. Fechou a janela, ainda sorrindo para si mesmo, e foi procurar o tabuleiro dentro de seu baú.
Fim do Capítulo 5
Fim da Parte I
