A/N: Olá

A/N: Olá! Muito obrigada pelas reviews!! Desculpa a demora para atualizar! Mas é que esse foi meu mês de provas na facul, e não deu tempo de fazer mais nada! Graças a Deus o stress já passou, e vou tentar atualizar mais rápido para vocês! Mas não esperem muito, não, porque esses capítulos estão ficando cada vez maiores! Só posso prometer que vou terminar a tradução, não se preocupem com isso. Eis mais um capítulo de Checkmate, relembrando que a história não é minha, apenas a tradução! Aproveitem!!

CHECKMATE

PARTE II – O JOGO

Capítulo 6

Who'd ever guess it?
This would be the situation –
One more observation –
How'd we ever get this far
Before you showed me what you really are?

Quem teria imaginado?

Que essa seria a situação –

Mais uma observação –

Como chegamos tão longe

Até você me mostrar o que você realmente é?

Letras de "The American and Florence" de Chess por Benny Anderson, Tim Rice e Björn Ulvaeus

--

Mesmo trabalhando o mais rápido possível, já se tinha passado das oito horas da noite quando Harry terminou sua tarefa e pôde escapar do Salão Comunal da Grifinória. Rony e Hermione estavam em algum outro local, aproveitando um momento a sós, e Dean, Neville, e Seamus estavam concentrados em um projeto importante de Herbologia Avançada para a próxima segunda-feira. Portanto, ninguém questionou Harry quando ele simplesmente se dirigiu ao retrato da Mulher-Gorda e saiu. Ele não tinha nenhuma intenção de contar onde estava indo. Se sentissem sua falta antes de retornar, bem . . . pensaria nisso depois.

Caminhou rapidamente pelos corredores e desceu as escadas. Estava ao mesmo tempo excitado e nervoso. Ah, qual é, Potter, disse a si mesmo, admita. Está morrendo de medo. Pensou no que o professor Dumbledore tinha dito naquela tarde a respeito do pai de Draco. Levou o conselho a sério, porque sabia que provavelmente seria forçado a enfrentar Lucius Malfoy e outros Comensais da Morte cedo ou tarde – sabia que era o principal alvo deles. Tal pensamento o enojava, e não desejava nada mais do que nunca ter de encarar Voldemort e seus seguidores. Se possível, era isso que pretendia evitar. Mas Voldemort era um perigo de que tinha conhecimento. O que realmente o estava deixando nervoso nesse momento era mais imediato e desconhecido – era o que Draco poderia fazer com ele, e o que isso significaria.

Harry relembrou o que Draco havia feito naquela tarde enquanto estavam conversando com Dumbledore. Até mesmo agora, apenas pensando naquilo, fazia sua face corar. Ele estava tentando explicar ao diretor que não tinham brigado, quando de repente sentiu Draco se inclinando nele. Então, os dedos do Sonserino acharam a manga de sua capa, e Draco permitiu que eles deslizassem, tão-tão suavemente, e tão-tão vagarosamente, até os dedos de Harry, subindo até sua palma, para o pulso, e descendo novamente. Depois, escorregou seus dedos entre os de Harry e segurou sua mão por um brevíssimo momento. Graças a Deus que aquele peso tinha caído da mesa de Dumbledore – pelo menos dessa maneira, havia uma chance de o Diretor não ter percebido as ações do outro garoto. A coisa toda não levou mais de alguns segundos, mas Harry quase foi reduzido a uma massa trêmula de gelatina incoerente quando o loiro apertou sua mão uma última vez, e se afastou.

Ninguém, com a exceção de Draco Malfoy, conseguia retirar reações tão intensamente emocionais dele com apenas um olhar, ou uma palavra, e agora um toque – ou, oh Deus, um beijo. Isso tinha que significar algo importante, e, nervoso ou não, ele queria descobrir o quê.

Tudo tinha mudado tão rapidamente entre eles, e tão completamente, que a realidade do dia anterior parecia como um século atrás, e, portanto, além de estar nervoso, Harry repentinamente se sentia confuso e apreensivo. Realmente confiava em Draco? Como é possível, em um único dia, apagar seis anos de tratamento ruim e desconfiança de sua mente? Mas é exatamente o que parecia estar acontecendo. Existia a possibilidade de tudo acabar sendo um truque no final, mas tinha presenciado evidências muito convincentes de que Draco realmente havia mudado. Por algum motivo, Harry tinha certeza – apenas sabia de uma maneira que não conseguia explicar, que não era um truque, que a mudança que via em Draco era real. Seu coração estava dizendo para confiar no Sonserino, para perdoá-lo e dar mais uma chance. Mas, será que deveria? Pensar no assunto apenas o levava a um círculo vicioso de perguntas. Apenas com Draco ele poderia encontrar respostas, e então foi.

Harry não teve dificuldade para encontrar a alcova que levava à torre onde estava o quarto de Draco. Engraçado como nunca tinha a percebido ali antes – mas grande parte da arquitetura do castelo Hogwarts era assim – você nunca percebia algo a não ser que já soubesse de sua existência. As escadas eram espirais, com portas em todos os andares. Harry contou cinco portas até chegar à do topo. Imaginou brevemente quem moraria nos outros quartos, mas qualquer pensamento coerente fugiu de sua mente quando chegou na última porta. Era agora ou nunca – deveria bater ou sair correndo aos gritos para seu seguro casulo Grifinório? Bem, Grifinórios não deveriam ser corajosos? Harry decidiu que não gostava de casulos. Respirou fundo e bateu.

Após alguns segundos, Harry ouviu passos, a porta abriu, e então estava na frente daqueles olhos cinza-claros. Olhos de tirar o fôlego, que pareceram se iluminar ao vê-lo, e que fez uma fagulha subir dentro dele em resposta.

"Oi, Harry," Draco disse, delicadamente. Então deu um passo para o lado e deixou Harry entrar, fechando a porta atrás deles. Observaram-se por alguns segundos em meio a um silêncio tímido e embaraçoso. Draco estava vestindo jeans pretos e um fino suéter preto, de pés descalços. De alguma forma, Draco sempre conseguiu fazer as roupas mais simples parecerem elegantes, enquanto Harry – Harry ainda estava vestindo sua camisa escolar e capa, com um par de jeans velhos e seu tênis usual – um conjunto de que nunca tinha sentido vergonha, até agora.

Draco olhou para sua escrivaninha e então para Harry. "Eu tenho mais três problemas de Aritmancia para fazer," disse em tom de desculpa. "Se importa se eu terminar?"

"Não," Harry disse. "É claro que não me importo."

"Então venha se sentar na frente do fogo," Draco disse. "É ali que montei o tabuleiro. Tenho que deixar a lareira funcionando a maioria do tempo nesse quarto – fica bem frio." Lançou mais um longo olhar para Harry, e então andou até sua escrivaninha e se sentou.

O Grifinório olhou ao redor do quarto pela primeira vez se espantou. Na frente da lareira, à sua direita, estavam duas poltronas grandes e macias com uma pequena mesa entre elas. Além delas, junto à parede, estava a escrivaninha de Draco, e no canto ao lado dela havia uma prateleira alta cheia de livros. A larga cama com cortinas estava no meio do quarto à sua esquerda, com a cabeceira contra a parede e um baú nos pés. Entre a escrivaninha e a cama havia uma gigantesca janela. Do outro lado da cama havia uma pequena mesa e um amplo armário. Harry viu que havia outra porta ao lado do armário. Várias lâmpadas estavam penduradas nas paredes, adicionando círculos de luz dourada ao brilho da lareira. "Esse quarto é ótimo," ele disse, muito impressionado. "O que tem naquela porta?"

"Banheiro," Draco disse distraidamente, no meio de um problema.

"Você tem um banheiro próprio!" Harry estava incrédulo. Ele nunca, em toda a sua vida, teve um banheiro só para ele.

Draco virou, e tirou os olhos de seu problema por um momento. "Todos os outros Sonserinos do sétimo ano têm quartos nessa torre, mas esse é o único quarto com banheiro. Era para ser um quarto de professor, na verdade," ele disse. "Tive muita sorte em consegui-lo."

Quarto de professor. Harry sorriu. Então Dumbledore tinha intenção de deixar Draco ficar em Hogwarts no ano seguinte – tinha tido fé suficiente nele no começo do ano, para dá-lo um quarto de professor agora. Sabendo disso já deixava Harry um pouco mais tranqüilo, e ele sentou na poltrona mais próxima – a que estava de frente para a escrivaninha de Draco. Observou o loiro trabalhar por alguns minutos e então se inclinou para analisar o tabuleiro e as peças que estavam prontas na mesa entre os dois assentos.

Era um belo conjunto. As peças eram feitas de ônix e alabastro, os quadrados no tabuleiro eram entalhados de uma madeira bem escura e de mão de pérola. Harry pegou um Cavalo preto. Era um dragão detalhadamente esculpido, com as asas abertas e olhos feitos de pequenas pedras preciosas vermelhas que brilhavam na luz da lareira. A Torre era igual à de um castelo, com vinhos de rosas abraçando suas paredes circulares; e os Peões, todos ajoelhados graciosamente em uma flor ou folha, eram delicadas fadas que pareciam brilhar por dentro, como ocorria com fadas de verdade. Harry nunca tinha visto algo tão adorável. Cada peça era incrivelmente detalhada e perfeita. Ele cuidadosamente recolocou o dragão em sua posição original, percebendo que Draco já tinha arranjado os três movimentos que fizeram na noite passada e nessa manhã.

"Pronto," Draco disse de sua posição na escrivaninha. Ele fechou o livro, enrolou o pergaminho em que estava sua lição, e veio se sentar na poltrona oposta à de Harry. "O que você acha?" perguntou, gesticulando ao tabuleiro. "Foi o conjunto da minha avó. Ela me ensinou a jogar."

"É muito bonito," Harry disse, sorrindo. "Quase tenho medo de tocar. É xadrez bruxo?"

"Ah não," Draco disse, "definitivamente não. Eu odeio xadrez bruxo – muito bagunçado, sem elegância. Você terá de mover as peças por si mesmo." Ele se encolheu na poltrona, puxando um de seus pés descalços para debaixo de uma perna.

Harry retirou seus tênis usados e puxou seus pés para cima também, mas se sentou de pernas cruzadas, seus joelhos encostados nos braços da poltrona, cotovelos nos joelhos e queixo descansando em suas mãos.

"E por falar em mover, é sua vez, Harry," Draco disse quietamente.

Harry observou o outro. Draco estava em risco, agora. Ele parecia nervoso, com as mãos cruzadas em seu colo. Harry podia fazer qualquer coisa, perguntar o que quiser. Olhou para baixo e analisou o tabuleiro. Ele sabia qual seria seu próximo movimento no jogo . . . mas a pergunta que queria perguntar seria bem mais vergonhosa para si do que para Draco. Mesmo assim, era o que queria saber. Encarou o tabuleiro como se estivesse contemplando seu próximo movimento, camuflando o fato de que estava ponderando em como fazer sua primeira pergunta – aquela que o acompanhou o dia inteiro. Correu os dedos pelo cabelo e suspirou. Finalmente, alcançou o dragão que tinha pegado anteriormente. "Cavalo para F6," ele disse. Olhou para Draco, e então para baixo. "Você me perguntou nessa manhã como tinha gostado tanto daquele beijo." Encontrou os olhos do outro. "O que o fez pensar que eu gostei?"

A tensão parecia ter desaparecido da face de Draco. Ele sorriu ligeiramente para Harry e relaxou em sua cadeira. "Porque você está aqui."

O coração de Harry fez um engraçado sobressalto ao ver aquele sorriso. Deus, ele estava tão despreparado para lidar com o impacto que os sorrisos de Draco tinham nele. Eles eram tão novos, tão inesperados, tão . . . cativantes. Harry balançou a cabeça, lutando para manter sua concentração no que precisava dizer. A resposta de Draco foi embaraçosamente perceptiva, mas não era o que ele queria saber. "Não agora," ele disse, após um momento. "Quis dizer essa manhã – nós não tínhamos nem conversado, quando você disse aquilo."

Draco sorriu. "Eu soube assim que você entrou no Salão Principal para o café da manhã, Harry. Imaginei que sua reação poderia ir de dois jeitos – ou você teria gostado e iria ficar louco tentando descobrir porque, sendo que nesse caso você não iria contar a ninguém, ou você teria ficado horrivelmente enojado e aparecer no Salão com um batalhão de Grifinórios para me bater. Na verdade, era isso que eu imaginava que iria acontecer," ele adicionou. "Mas quando você chegou parecendo não ter dormido a noite inteira, tão adoravelmente patético e confuso, eu soube."

Harry não tinha certeza se gostava de ser tão previsível e transparente – mas Draco não estava tirando sarro dele. Na verdade, tinha ele dito que Harry era 'adorável'? Ah droga. Harry achava que poderia manter em segredo o quanto tinha sido afetado por aquele beijo por mais tempo. Mas essa opção parecia fútil em face da certeza de Draco. Adorável? Estou mais encrencado do que pensei.

"Tá bom," Harry disse com calma. "Talvez eu tenha gostado, mas isso não quer dizer necessariamente que eu queria uma repetição. Talvez eu só queira ser seu amigo, Draco, agora que sei que podemos. Talvez eu só queira por um fim a toda a briga."

Draco olhou para suas mãos, deixando as mechas loiras mais longas caírem na frente de seus olhos. Ficou em silêncio por um longo momento. Finalmente, em um tom baixo, ele disse, "Se é isso que quer, Harry . . . tudo bem." Jogou o cabelo para trás com um movimento sutil de sua cabeça, olhou para o tabuleiro e apanhou um dragão branco. "Cavalo para C3." Olhou para o moreno. "O que você quer, Harry?"

Harry encontrou os olhos de Draco, e uma dor crescente desabrochou em seu estômago. Havia uma leve reserva nos olhos de Draco agora, a abertura que tinha deixado aqueles olhos cinza brilhantes com afeto havia sumido, e Harry sentiu a perda daquele afeto como um soco na barriga. "Eu não sei," ele disse, incerto. Mas naquele momento, afrontando a distância nos olhos de Draco, ele sabia. Desviou o olhar abruptamente, quebrando o contato visual, um pouco assustado com sua realização, e sentiu o calor subir-lhe até as orelhas. Sabia o que queria. Mais do que nada, queria aquele afeto novamente, queria olhar dentro dos olhos cinza-prateados e os ver aquecendo por ele. Queria que Draco o tocasse daquela maneira tenra e gentil que utilizou na noite passada, queria segurar Draco e enterrar sua face naquele cabelo loiro sedoso. Queria que Draco o beijasse novamente. E saber de tudo isso o deixava imensamente abalado.

Ele veio essa noite esperando levar as coisas devagar, mas isso não era devagar. Havia completamente subestimado o efeito que Draco tinha sobre ele – estarem ali, sozinhos naquele quarto, sabendo como Draco se sentia, e o que Draco queria – e quais seriam suas respostas para tudo. Naquela manhã, durante a aula de Binns, perguntou-se por que não estava mais chocado em relação à atração de Draco por ele. Provavelmente porque os sentimentos em que estava pensando naquela hora eram de Draco, mas agora que eram de si mesmo, estava chocado. Sua sexualidade estava em pedaços, e ele não conseguia ajustar suas emoções rápido o suficiente para colocar o que estava sentindo em palavras. O que poderia dizer? Tudo estava acontecendo muito rápido. Tudo que conseguia fazer era sentar ali, sentindo-se chocado com si mesmo e podre por machucar Draco. "Sinto muito. . ." foi o que saiu.

Draco levantou suas pernas e as abraçou junto ao peito. Estava observando Harry atentamente, como se tentando entender o que ele estava dizendo. "Seu movimento de novo, Harry," ele disse finalmente, em um tom ferido, "se essa é a única resposta que consegue me dar."

Harry conseguiu pensar em uma pergunta – a única que desesperadamente queria respondida. Seus óculos escorregaram um ponto em seu nariz, e ele distraidamente os arrumou, estudando o tabuleiro – enrolando novamente. A atmosfera entre os dois garotos ficou distintivamente pesada, e Harry estava se sentindo nervoso com o tom de voz de Draco.

Finalmente disse "Peão para B5," alcançando a peça e a movendo com uma mão ligeiramente instável. "Eu o vi em bailes e outras ocasiões com garotas," disse quietamente. Ele pausou, respirou fundo para equilibrar o pânico crescente que sentia, e se empenhou a terminar a pergunta. "Então, como soube que era . . . gay?"

Draco se moveu, sem jeito, em sua cadeira. Retirou uma mecha que caiu em seus olhos novamente. "Acho que eu devo ser," disse hesitantemente, "já que a única pessoa com quero ficar é um menino. Mas eu não me sinto atraído a qualquer outro garoto . . . ou garota. Apenas àquela pessoa, que," adicionou, em murmúrios, "nunca esteve interessada em mim."

Harry o encarou, sem acreditar. "Então você criou todo esse elaborado jogo de xadrez só para me fazer dormir com você?" perguntou com incredulidade. Assim que a sentença saiu de sua boca, no entanto, Harry soube que disse algo muito errado.

Os olhos de Draco brilharam como um trovão. Endireitou-se na cadeira e se levantou mais rápido do que Harry imaginava possível. "Eu acho que você deveria ir," disse friamente. "Agora."

"Draco, não – "

Draco deu um passo rápido na direção de Harry, agarrou seu braço e o arrastou de sua cadeira. "Apenas saia!" Puxou Harry, que estava surpreso demais para reagir, até a porta, abrindo-a, jogando o moreno para fora e a fechando com força atrás de si. Alguns segundos depois a porta foi aberta, e os sapatos de Harry vieram voando, sendo que um acertou o Grifinório no meio das costas.

"AI!" Harry virou no momento em que a porta foi fechada pela segunda vez. Viu-se de pé no topo das escadas espirais, na torre escura e congeladora, encarando a porta que acabara de fechar em sua cara. Anestesiado, apanhou seus sapatos. E encarou a porta novamente. Droga, droga e droga! O que acabou de acontecer?

Tentou se acalmar e pensar. Draco foi resolutamente honesto e aberto com ele, até mesmo quando obviamente estava chateado. E Harry apenas sentou ali e permitiu que sua confusão o transformasse em um covarde, machucando Draco ainda mais com seu silêncio. E depois o deixou zangado, por cima de tudo, apesar de não ter certeza do motivo. Pensou no que Draco disse por último, e ficou mortificado. Ai Deus – ele me disse que nunca quis ninguém além de mim e eu nem percebi. Soltou um rugido de frustração. Mestre Babaca ataca novamente! Mas mesmo assim, provavelmente não fora por esse motivo que Draco o jogou para fora.

E agora? Ele pensou. Virou a cabeça e analisou as longas escadas, e então a porta fechada. Sem chance que ele iria voltar para o dormitório. Queria entrar no quarto de Draco. Tudo que ele queria naquele momento estava atrás daquela porta. Passou a mão pelo cabelo e suspirou. Tenho que voltar lá e conversar com ele, isso sim.

Deu um passo na direção da porta e encostou sua cabeça nela. Do outro lado da porta ouviu algo que parecia um gemido de lamentação. Harry estava horrorizado. "Draco!" disse, o mais alto que se atreveu. Bateu levemente. "Draco, por favor, deixe-me entrar!" Esperou um momento, escutando. Bateu novamente. "Desculpa!" Arrepiou-se. Droga, está congelando aqui! "Eu não quero ir embora."

A porta tremeu um pouco, como se alguém que estivesse se encostando a ela tivesse se mexido.

Harry bateu na porta novamente. "Draco? Quero falar com você, e não vou embora. Vou ficar aqui fora a noite inteira, se precisar." Sentiu outro arrepio, encostou sua cabeça na porta e suspirou. "Está congelando aqui. Se não me deixar entrar logo, não sobrará nada mais do que um bloco feio de babaca congelado!" Pausou para escutar novamente. Quase podia sentir o loiro do outro lado da porta. "Draco," ele disse, e dessa vez o mais seriamente que pôde, "preciso dizer algo. Que você está errado – o que disse sobre eu não estar interessado – não é verdade."

Repentinamente ouviu o som de passos atrás dele. "Olha, olha," disse uma voz metida e nojenta. "Se não é Harry Potter! Que fascinante!"

Harry virou, costas contra a porta de Draco, segurando seus sapatos com uma mão. Viu-se encarando Pansy Parkinson vestida em nada mais do que uma camisola.

Ai. Meu. Deus.

"Então é isso que o Rei do Gelo andou escondendo esse tempo todo," Pansy disse, voz pingando de raiva mal-disfarçada. Então seu olhar ficou especulativo e sorriu para Harry de uma maneira sedutora que fez ele se arrepiar de nojo. Ela se aproximou dele e sua voz virou puro açúcar. "Ou ele te jogou para fora, também?" ela perguntou docemente, observando-o por debaixo dos cílios. Pansy colocou uma mão na porta ao lado de Harry. Seus dedos se aproximaram do peito dele.

Harry engoliu seco, e se afastou.

"Sabe, eu não te jogaria para fora se fosse me visitar," ela disse. Inclinou-se para frente até que seus lábios estavam a centímetros do de Harry.

Harry pulou para trás e sua cabeça bateu com força na porta. DRACO! Gritou em sua mente. Abra essa porta AGORA!

De repente, como se estivesse respondendo, sentiu apenas ar atrás dele onde a porta estivera, e uma mão agarrou sua camiseta, puxando forte. Harry tropeçou dentro do quarto de Draco e foi jogado para um lado. Assistiu, surpreso, enquanto Draco se inclinou para fora do quarto, varinha em mão, e disse, "Obliviate quintminutus." Então o Sonserino retirou sua mão e segurou sua varinha atrás de si.

"Pansy," Draco disse em um tom irritado, como se tivesse acabado de abrir a porta. "O que está fazendo aqui? Sabe que eu não gosto de ser perturbado à noite enquanto estudo." Olhou-a de cima a baixo, enojado. "Pelo amor de Deus, você mal está vestida."

"Eu . . . eu sinto muito, Draco," Pansy disse, com uma voz muito alterada e submissa. "Não tenho certeza . . . eu não consigo me lembrar por que vim até aqui. Algo a ver com portas batendo . . . e vozes . . . talvez."

"Tudo parece perfeitamente calmo para mim," Draco disse com firmeza. "Desça as escadas agora, antes que pegue pneumonia ou outra coisa. Boa garota. Volte para seu quarto. Sim, isso mesmo – descendo. Boa noite." Fechou a porta e suspirou profundamente. Olhou de canto de olho para Harry. "Você," ele disse, sem emoção, "quase esteve muito encrencado."

Harry deslizou até o chão, olhos fechados, óculos tortos, e mordeu seu lábio inferior. Estava congelando, traumatizado e não sabia se Draco continuava zangado com ele. Talvez devesse ir embora afinal de contas. Mas então sentiu calor, não chegando a tocá-lo, mas muito próximo, e seus óculos foram gentilmente endireitados. Seus sapatos foram retirados de seu abraço e ele os ouviu bater no chão.

"Tudo bem?" disse uma voz baixa perto de sua face.

Harry abriu os olhos, e Draco estava tão próximo dele que se assustou ligeiramente. Ainda havia um olhar de suspeição e irritação nos olhos do loiro, mas Harry também viu preocupação neles, e isso estava perto o suficiente do afeto que sentiu antes de ser jogado para fora, do motivo que o levou a querer voltar ao quarto e ser honesto. "Não," ele disse, em um sussurro agravado. "Não estou. Estou congelado, terei pesadelos de rostos de buldogues com lábios por semanas, e não sei por que você me jogou para fora, para começar."

Por um momento, Draco pareceu dividido entre querer dar risada e ficar aborrecido. Suas sobrancelhas subiram e então desceram – a raiva venceu. "Eu o joguei para fora porque o que você disse foi podre – como pôde pensar que tudo isso era apenas um plano para te fazer dormir comigo, ou que eu mesmo o queira desse jeito – "

"Porque foi isso que você me falou nessa manhã!" Harry disse, interrompendo-o. "Que você pretendia "ganhar tudo" e perder sua virgindade ao final desse jogo de xadrez."

"Não foi isso que eu disse!" Draco retrucou em voz alta. "Deus, Harry, como eu fariavocê dormir comigo? Usando a Maldição Imperio? Mesmo se ela não fosse ilegal, acontece que eu sei que ela não funciona muito bem em você. E eu realmente não consigo imaginar que você seria tão idiota a ponto de dormir comigo, mesmo não querendo, apenas por causa de um estúpido jogo que pedi para você jogar!" Draco estava levantado com os punhos cerrados, encarando Harry. "Mas o pior é que você obviamente pensa que eu sou o tipo de babaca que iria pedir uma coisa dessas!"

Harry parou de olhar para Draco, e estava encarando o chão, mordendo seu lábio inferior novamente, braços cruzados em seu peito. Levantou o olhar apenas após um longo intervalo de silêncio, quando Draco parecia ter terminado de gritar com ele. Draco estava com a face virada para o outro lado, também com os olhos no chão. Harry percebeu, para sua surpresa, que não estava zangado, que o que mais queria era entender o que Draco quis dizer. "Me desculpe," ele disse quietamente, com um tom resoluto, "se entendi mal. Mas eu não o conheço direito, Draco. A pessoa que eu costumava conhecer era um babaca. Nessa manhã, quando disse que não acreditava que você era virgem, você disse que pretendia mudar isso até o jogo terminar. E eu não entendo o que mais você poderia ter querido dizer com isso"

Draco cruzou os braços, mas não disse nada. Ele parecia estar trancado em uma batalha interna com seus sentimentos de raiva e dor.

Observando-o, Harry sentiu uma vontade inesperada de alcançar e tocá-lo, para parar a dor. A distância entre eles o fazia doer por dentro. Queria puxar Draco a ele, e abraçá-lo, para que não houvesse mais nenhuma distância entre eles. E dessa vez o sentimento não o chocou tanto, parecia . . . aceitável, de alguma forma. Mesmo assim, havia uma grande diferença entre pensar e efetivamente fazer, então ele aguardou, esperando Draco dizer alguma coisa. Mas quando o silêncio se estendeu pelo que parecia ser um longíssimo tempo, ele perguntou tristemente, "Você ainda quer que eu vá embora?"

Draco levantou o olhar rapidamente. "Não!" ele disse, como se assustado pela sugestão. Olhou para Harry por um instante e então para baixo. "Não, não vá. Eu . . . eu sinto muito. Não acredito que gritei com você daquele jeito."

Harry respirou profundamente em alívio, e a tensão em seu estômago relaxou um pouco. "Esqueça," ele disse. Então continuou, em uma voz gentilmente provocadora, "posso agüentar muito mais do que aquilo de você, Malfoy." Ele viu a sombra de um sorriso aparecer no rosto do outro. "Então," ele disse, tentou atrair mais sorrisos cativantes de Draco, "eu estava errado então, quando achei que você estava planejando me jogar no chão, arrancar minhas roupas, e fazer sexo comigo se ganhasse o jogo?" Ele esperava fazer Draco rir, e ficou completamente surpreso com a reação diversa deste.

"Ai droga, Harry," Draco disse suavemente, e então corou até as raízes de seu cabelo. "Não foi isso que eu quis dizer, de forma alguma," continuou seriamente. Ele respirou profundamente. "Talvez porque eu estivesse te provocando – convencendo-o a jogar, e estava envergonhado da minha virgindade, saiu desse jeito. Obviamente, você nunca teve uma visão muito boa da minha moral já que imaginou que eu estava dormindo com metade do dormitório Sonserino, mas todos me chamam de . . . o que Pansy disse." Draco pausou, e então continuou em uma voz ainda mais suave, "A verdade é que eu sempre tive essa idéia idiota – que eu queria esperar até eu amar alguém, até alguém me amar."

Com as palavras de Draco, um pequeno nó de medo, que Harry nem tinha percebido estar presente, gentilmente se desfez. "Isso não é estúpido, Draco," Harry interrompeu gentilmente, deliberadamente usando as mesmas palavras que o loiro usou com ele na última noite – palavras que significaram muito para ele. O olhar de Draco levantou-se ao dele por um segundo, e Harry viu um raio de reconhecimento neles, antes de Draco olhar para baixo novamente.

"A questão é que," Draco disse, continuando com a voz um pouco presa, "eu sei que você não me ama . . . Deus, não sei se você poderia ao menos gostar de mim . . . mas eu não iria querer dormir com você, ao menos que me amasse. Eu só esperava que ao término do jogo . . . se você me conhecesse melhor . . . talvez você pudesse . . . "

Ele finalmente encarou Harry nos olhos. "A noite passada não foi planejada – era para eu manter minha distância de você. Mas então você tinha seus braços ao meu redor, e eu . . . eu inventei esse jogo de xadrez ali mesmo como uma desculpa para beijá-lo . . . porque eu queria muito, porque pensei que nunca mais teria a chance. Nunca imaginei que passaria disso, até você entrar para tomar café da manhã. Tudo que eu realmente queria com esse jogo era uma desculpa para conversarmos. . . ou qualquer outra coisa . . ." A voz dele diminuiu e ele suspirou, olhando tristemente para seus pés. "Já disse que você pode parar de jogar se quiser."

Harry tinha ficado completamente surpreso quando Draco corou. Ele ficava com o tom mais maravilhoso de rosa. Harry estava quase distraído demais para ouvir, mas toda palavra que Draco dizia estourava como um trovão, rasgando seu coração. Observou novamente a habilidade de Draco de ser absolutamente honesto a respeito de seus sentimentos, e como seus próprios sentimentos estavam mudando de um minuto para o outro. Analisou o rosto do outro atentamente enquanto falava, e quando Draco pausou e olhou para ele, a sinceridade naqueles olhos cinza fez sua garganta doer, e quando Draco desviou o olhar, Harry novamente sentiu a perda. Então agora era sua vez de ser absolutamente honesto.

"Quero continuar a jogar," Harry disse. "O jogo está nos fazendo conversar, e eu quero isso. Se não quisesse, não teria vindo hoje, ou teria ido embora depois que você me jogou para fora." Respirou fundo. "Estou tentando entender o que sinto por você, mas no momento estou me sentindo nervoso e confuso. E," ele adicionou gentilmente, "não é justo que você fique triste ou bravo por eu não entendê-lo ainda, ou por eu não saber como me sinto. Você evidentemente teve tempo para pensar sobre tudo isso, mas eu tive menos de um dia."

Draco sorriu de maneira arrependida. "Ser paciente e justo nunca foram algumas das minhas melhores qualidades, Harry," ele disse. "Nem tudo sobre mim mudou."

Mas Harry sabia que ele estava brincando, e não estava de modo algum imune ao sorriso tenro que Draco estava dirigindo a ele, ou àquele olhar gentil. "É sua vez," Harry disse, tentando ignorar as sensações divididas de pânico e felicidade quando Draco o olhava daquela maneira.

Os olhos de Draco o seguraram por um momento, então ele foi até a mesa, depositou sua varinha, e ficou observando o tabuleiro.

Harry o seguiu, e sentou-se na mesma cadeira de antes, agradecido de estar novamente diante do fogo, mas ao mesmo tempo se sentindo tenso pela antecipação suspensa quanto ao que Draco faria com seu próximo movimento.

Draco contemplou o tabuleiro por mais alguns momentos antes de mover sua peça. "Peão para G4," ele disse. Então o loiro se sentou na cadeira e encarou Harry com um olhar firme e assegurador. "Diga o que sente por mim, Harry. Você não precisa entender o que significa. Apenas me diga o que está acontecendo."

Harry suspirou e encostou-se na cadeira, fechando os olhos. "Tá bom," ele disse. "Vou tentar. Mas o motivo porque eu disse que não sabia antes é porque tudo fica mudando. Toda vez que você fala comigo, ou olha para mim . . . ou me toca," ele adicionou suavemente, "meus sentimentos a seu respeito, sobre como vejo as coisas entre nós, muda." Abriu os olhos e encarou as chamas por um minuto, e então voltou sua atenção para o loiro. Draco não estava olhando para ele, mas Harry sabia que ele estava escutando atentamente. "Sinto-me confuso – já que ontem mesmo eu achava que te odiava, mas hoje não odeio mais." Harry pausou, e passou a mão pelo seu cabelo desarrumado, pensando. "Não, eu não quis dizer isso . . . Eu não apenas não te odeio agora. A pessoa que você tem sido ontem à noite e hoje é alguém . . . de que eu poderia gostar muito – de que eu acho que gostaria de me aproximar – talvez me aproximar bastante."

Os olhos de Draco finalmente encontraram os seus. Aquela ternura maravilhosa havia voltado, fazendo os olhos de Draco brilharem como a luz do luar através de uma névoa cinza e suave.

Um pequeno arrepio correu por Harry. Deus, ele tem os olhos mais inacreditavelmente belos. Harry podia facilmente se perder naqueles olhos. Olhou para baixo, sentindo-se um pouco corado. Após um momento, continuou. "Eu disse que queria que ficássemos apenas amigos porque as coisas estavam indo muito rápido – que você estava me puxando para algo que eu não quero – mas outra parte de mim na verdade quer isso. Você me faz sentir coisas que nunca senti antes – na verdade, tenho certeza que sou heterossexual . . . ou eu tinha certeza . . . e agora –" Ele parou abruptamente, e então, após uma breve pausa, levantou-se com calma, seus olhos baixos. "Que droga, Draco," ele disse gentilmente, "quando você me beijou ontem, aquele foi simplesmente o melhor beijo da minha vida, e eu já fui beijado várias vezes." Ele alcançou o tabuleiro e moveu um dragão negro. "Cavalo para C6." Ele encarou o sonserino. "Por que não tentou me beijar novamente?"

Draco sorriu para ele, levantando uma sobrancelha. "Duas razões muito simples, Harry. Primeiro, eu achei que você não queria, e segundo, é a sua vez. Eu não irei beijá-lo novamente, a não ser que você me beije antes." Levantou-se também, olhou para o tabuleiro, e moveu seu peão. "Peão para E3. Então, por que não me beijou?" ele desafiou.

Harry olhou para o tabuleiro. Várias razões passaram por sua mente, incluindo o aviso de Dumbledore, a questão da sua sexualidade, e a pergunta problemática, o que Rony irá dizer? Mas ele não podia mais tentar se convencer de que não queria – ele queria. Nada que vinha à sua mente pôde combater a força do desejo que estava sentindo de agarrar Draco e beijá-lo novamente. Nada mais importava a não ser esse momento e essa pessoa.

O que Draco tinha dito anteriormente passou por sua mente – "acontece que a pessoa com quero ficar é um menino. Eu não me sinto atraído a outros garotos, ou garotas. Apenas àquela pessoa." Seria possível encontrar uma pessoa, amar aquela pessoa, sem importar o sexo dela, porque ela é justamente o que você quer e precisa, aquela que encaixa perfeitamente – e isso tornava tudo certo? Poderia ser tão simples? Draco evidentemente se sentia dessa maneira em relação a Harry. E talvez Draco fosse essa pessoa para Harry, também, porque Deus, tocar Draco era tão certo –.

"Harry?" Draco disse, baixo e hesitante. "Você vai responder minha pergunta?"

Harry olhou para Draco, e sorriu. "Não," ele disse. "Direi apenas que acho que conversamos o suficiente." Pausou por um breve momento. "Cavalo para G4." Moveu seu dragão e capturou o peão de Draco. Apanhou a pequena fada branca e a analisou por um momento na palma de sua mão, então a colocando no tabuleiro. Retirou seus óculos e os depositou cuidadosamente na mesa, então a contornou e olhou para Draco.

Draco encontrou seus olhos, cabelos loiros caindo sobre sua testa, um lado de seu lábio inferior preso por seus dentes, olhos mostrando surpresa e uma tímida esperança.

Draco não poderia ter parecido mais desejável se tivesse tentado. Harry estava hipnotizado. Talvez fosse mesmo tão simples. Todos os seus conflitos internos se dissiparam. "Vem cá," ele disse suavemente.

Fim do Capítulo 6