A/N: Oieee! Fiquei tão animada com vocês, muito obrigada por todas as reviews, alertas e favoritos!! Capítulo 7, continuando do beijo, hehe. Os disclamers são os mesmos dos capítulos anteriores, e lembrando que esta é apenas uma tradução! Ciao!
CHECKMATE
PARTE II – O JOGO
Capítulo 7
I
have to hand it to you
For you've managed to make me forget why
I ever agreed to this farce
I
don't know why I can't think of anything
I would rather
do
Then be wasting my time . . . with you
Devo reconhecer seu mérito
Pois você conseguiu me fazer esquecer do por que eu concordei com essa farsa
Não sei por que não consigo pensar em nada
que preferiria estar fazendo
além de estar perdendo meu tempo . . . com você
Letras de "Mountain Duet" de Chess por Benny Anderson, Tim Rice e Björn Ulvaeus
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O tempo congelou por um momento enquanto as palavras suavemente ditas por Harry, "Vem cá", suspenderam no ar entre eles, ecoando incessantemente no silêncio. Então Draco contornou a mesa, e veio até ele, uma mão apoiada no canto da mesa, como se precisasse de algo sólido para se apoiar. Acabou de pé na frente de Harry, muito perto, com a mão esquerda ainda encostada na ponta da mesa, o brilho do fogo tornando seu cabelo loiro um vermelho-dourado.
Harry repentinamente sentiu uma vontade forte de apenas observar Draco de perto, deixar seus olhos descansarem na curva perfeita daquele tentador lábio superior, ou nas pálidas bochechas que estavam coradas agora com a luz da lareira e talvez com algo mais, ou nas sobrancelhas loiras e delicadamente arqueadas, ou nos longos cílios que delineavam aqueles olhos fascinantes. Harry viu que Draco estava estudando sua face também, e reservou uma indagação breve e distraída, se Draco possivelmente o achava tão atraente quanto ele achava Draco, porque ele estava chegando à conclusão surpreendente que Draco Malfoy era muito bonito de se olhar. Não em um sentido feminino, mas no sentido de que Harry poderia encarar as feições perfeitas e as cores claras e suaves da face de Draco a noite inteira.
Então seus olhos subiram até a pálida franja loira que caía na testa de Draco, e sua vontade-de-olhar virou vontade-de-tocar. Então assim o fez. Com as pontas dos dedos e um toque levíssimo, Harry alcançou uma mão e tocou aquelas mechas, deixando seus dedos escorregarem até o lado da face de Draco, empurrando a franja para trás de sua orelha até que as mechas sedosas caíssem junto ao seu pescoço.
Com o primeiro toque, os olhos de Draco se fecharam e ele soltou um suspiro trêmulo.
Harry acariciou o cabelo loiro atrás de sua orelha, então levantou sua mão novamente e deixou seus dedos passearem do lado do rosto de Draco até sua testa e então sua mandíbula.
Draco virou um pouco sua face na direção da mão de Harry, fazendo sua bochecha tocar a palma aventureira.
O afeto naquele toque quase desfez Harry. Tocando Draco apenas com aquela pequena carícia na bochecha, Harry se inclinou para beijá-lo. Hesitou por apenas um segundo, tão perto que podia sentir a respiração de Draco em seu rosto, e então seus lábios se encontraram, e ele o estava beijando, tão, tão suavemente, e tudo derreteu. Tempo, o quarto, e todos os pensamentos sumiram em um maremoto de sensações trêmulas.
Draco nunca moveu suas mãos, deixando Harry possuir esse beijo, fazendo nenhuma demanda, cedendo controle de qualquer coisa que acontecesse nesse momento para Harry, dando-o tudo.
Harry moveu suas mãos até a nuca de Draco, dedos passando por aquele cabelo maravilhosamente macio, e colocou a outra mão ao redor de sua cintura, vagarosamente trazendo seus corpos mais próximos, enquanto aprofundava o beijo. A boca quente de Draco se abriu para ele, e Harry sentiu um tremor correr pelo corpo do Sonserino quando seus corpos se juntaram. Um arrepio correu por Harry em resposta, e ele sentiu, naquele segundo interminável, como se alguma parte dele tivesse quietamente se encaixado. Deixou sua mão na cabeça de Draco cair, colocou-a nas costas do loiro, e puxou-o mais perto. Draco se moveu então, e Harry sentiu braços firmes circularem seu pescoço, mãos e dedos gentis acariciavam sua nuca, enrolando em seu cabelo.
Ah . . .
Draco estava respondendo ao seu toque com um abandono e vontade que eram novidade para a experiência de Harry, e mostrou a ele, com muito mais sucesso do que se fossem palavras, como Draco realmente queria isso. Ele realmente quer isso – me quer. Ah, Deus, isso é sério para ele – não, ele pensou, isso é sério para nós, e Harry reconheceu os laços que estava criando com esse beijo. Pois, nesse momento, sabia com certeza que nunca mais queria machucar Draco, nunca mais.
Harry se afastou um pouco, quebrando o primeiro beijo deles gentilmente, seguindo com um segundo mais breve. "Draco," ele sussurrou.
Draco abriu os olhos e fixou o olhar intenso de Harry com honestidade completa. Seus olhos eram um cinza nublado e sonhador, e Harry se perdeu neles. Com os olhos fixados uns nos outros, esmeralda e cinza, todas as paredes quebraram, os muros ruíram, as fronteiras caíram, até não haver nada mais entre eles além de espaços vastos e inexplorados, grandes campos verdes se mesclando com céus acinzentados, derretendo juntos em um horizonte distante, tão naturalmente quanto dois riachos se tornando um só.
Harry ficou profundamente comovido. Fechou os olhos e beijou o canto da boca de Draco, beijou sua bochecha, e o local doce atrás de sua orelha. Então enfiou seu rosto no cabelo macio do loiro e tentou continuar de pé. Estava respirando rápido e seu coração batia forte. Podia também escutar o coração de Draco, sentir sua respiração acelerada em seu ouvido.
Os braços que estavam em volta de seu pescoço apertaram, e um sussurro em seu ouvido disse, "Cavalo para B5," e então beijos impossivelmente lentos e carinhosos estavam sendo despejados em seu pescoço, sua garganta, sua mandíbula, até que aqueles lábios encontraram os seus novamente, e Harry descobriu como era ser beijado por alguém que o desejava intensamente, e sem reservas. Foi uma revelação, uma explicação, delirante. Harry sentiu seus joelhos quase cederem.
Mas então, abruptamente, Draco quebrou o beijo e se afastou.
Harry abriu os olhos e encontrou os de Draco com preocupação, sentindo-se ansioso, e então surpreso em como não queria que aquele beijo terminasse, imaginando por que Draco havia se afastando tão repentinamente.
Draco o encarou com grande afeição em seus olhos e um meio-sorriso brincalhão em seus lábios. "Só estou confirmando –" ele disse com uma voz baixa e fora de ar. "Você ainda não quer ser . . . só amigos . . . não é, Harry?"
Harry exalou a respiração que estava inconscientemente segurando com uma risada. "Deus, você," ele disse, balançando a cabeça, um pouco sem ar também devido àquele beijo. Apertou seus braços ao redor de Draco e sorriu. "Não," disse suavemente, corando um pouco, "Não quero." O sorriso de Draco como resposta fez o coração de Harry virar. Inclinou-se e rapidamente beijou a curva adorável daquele sorriso. Então virou a cabeça e olhou para o tabuleiro, rindo novamente. "Você nem moveu sua peça no tabuleiro."
Draco inclinou a cabeça para o lado e sorriu de forma encantadora. "Estava ocupado," ele brincou. O loiro relutantemente retirou um braço de Harry, e encarou o tabuleiro. "Hmm," disse com superioridade, virando para Harry com uma sobrancelha levantada, "parece que roubei seu Peão".
"Roubei o seu primeiro," Harry respondeu com um sorriso.
Draco riu novamente e moveu seu dragão, retirando o de Harry.
"Cavalo para E6." Ele deu um passo para trás, segurou o pulso de Draco e se sentou, puxando o loiro no seu colo. Olhou para aqueles olhos cinza-prateados. "Beije-me daquele jeito de novo," ele disse, circulando Draco com seus braços. "E dessa vez," adicionou suavemente, enquanto Draco se aconchegava nele, "não pare".
Draco colocou um braço ao redor dos ombros de Harry, abaixando seus olhos, e começou a desabotoar os botões da camisa do Grifinório com sua outra mão. Abriu a camisa gentilmente, enfiando sua face na curva quente do pescoço de Harry e o beijou ali. Então levantou sua cabeça vagarosamente, trilhando pequenos beijos pela coluna do pescoço do moreno até sua orelha. "Assim?" ele sussurrou no ouvido de Harry.
Harry gemeu suavemente; seus olhos fecharam. Sentiu a língua de Draco passar pelo lóbulo de sua orelha e se arrepiou. Deus. "Sim," ele respirou. Apertou seus braços e puxou Draco mais perto.
Mas então Draco levantou sua cabeça para olhar para Harry, dessa vez seriamente. "Harry?" Esperou que o outro abrisse seus olhos. Segurou os olhos de Harry em um olhar curioso e atento por um momento, até falar novamente. "Sabe, isso não é um jogo para mim, de maneira alguma."
"Eu sei," Harry disse com a voz baixa, séria, retornando o olhar de Draco com sinceridade completa. "E o único jogo que estou jogando é xadrez." Colocou a mão sobre o rosto de Draco e correu seu polegar levemente por sua bochecha. "Essa é a coisa mais real que eu já senti em toda minha vida." Harry viu algo acender nos olhos de Draco por um segundo, antes de fecharem, e a boca de Draco caiu na sua com uma intensidade trêmula que enviou ondas de arrepios por Harry, cancelando qualquer pensamento racional.
Nada foi dito por um longo momento, com a exceção do que foi dito com beijos e suspiros, gemidos suaves e toques tenros. Mas então Draco descansou sua cabeça sobre o ombro de Harry, sua face escondida no pescoço dele, e os dois apenas se abraçaram, Harry com um braço ao redor de Draco, acariciando seu cabelo com a outra mão, e apenas isso já era muito.
Harry sentou com os olhos fechados, segurando Draco, mergulhando no calor e conforto que sentia. O fogo estava baixo, mas agradável; podia sentir a respiração de Draco em seu pescoço, e as carícias gentis de suas mãos. Poderia ficar ali sem nunca mais se mover, mas a realização do horário finalmente penetrou sua mente, e ele suspirou. "Tenho que ir logo," ele sussurrou.
"Eu sei," Draco disse. Nenhum deles se moveu.
Então após um momento, Harry abaixou a cabeça e beijou a ponta do nariz de Draco. "Eu provavelmente deveria ir agora," ele disse.
Draco se desenroscou dele e se sentou. Ele parecia sonhador, apenas meio-acordado, com o cabelo adoravelmente dessarumado. "O que dirá aos seus amigos?" ele perguntou, parecendo ansioso.
"O menos possível," Harry disse. "Pelo menos por enquanto. O que quer que eu diga?"
Draco olhou para baixo, pensando. "Eu não espero que guarde segredos dos seus amigos, Harry," ele disse após um momento. "Mas acredito que quanto menos pessoas souberem disso, melhor."
"Eu concordo," Harry disse. "E . . . bem, isso é muito novo para mim . . . e nós dois sabemos a confusão que vai causar. Eu não quero lidar com pressão exterior ainda. Então, não vou contar nem para meus amigos até acharmos que é melhor."
Então Harry pareceu alarmado. "Mas e Pansy? Ela vai se lembrar de algo? O que você fez com ela, afinal de contas?"
"Feitiço de memória," Draco disse. "Apaguei os últimos cinco minutos da memória dela – então não, ela não irá se lembrar de ter visto você aqui." Então Draco começou a rir. "Graças a Deus que eu ainda estava bravo quanto te puxei para dentro de novo, senão poderia ter um derrame de tanto rir. O olhar na sua cara . . ."
"Ei!" Harry disse. "Não foi engraçado. Eu achei que ela ia me comer vivo."
"Ah, ela ia," Draco disse. "Aquela garota não tem vergonha – é uma maldita armadilha-para-homens. Pelo menos ela não te prendeu em um dos armários de vassouras."
Harry engasgou. "Ela fez isso com você? Sério?"
"Sim, ela fez. No final do quinto ano – foi horrível – na verdade aquele deve ter sido um momento definitivo em minha vida – a razão por ter virado gay, na verdade." Então Draco riu novamente com a expressão assustada de Harry. "Ela não chegou a encostar em mim," ele disse. "Quando percebi suas intenções, eu a soquei no nariz e corri que nem louco."
"Não acredito," Harry disse. Então ele começou a rir. "Tá bom, acredito."
"Ela quase me deixou em paz deste então, a não ser por aquele maldito apelido." Draco sorriu se levantou, espreguiçando-se. "Era ou o nariz dela, que não era lá essas belezas para começar, ou eu teria que saltar de uma das torres depois, e isso seria um grande desperdício, e tão sujo." Estendeu uma mão para Harry.
Harry riu e segurou a mão de Draco, deixando o outro o puxar da cadeira.
"Sabe que eu não quero que vá," Draco disse suavemente, segurando a mão de Harry. Seus olhos eram o cinza profundo de nuvens chuvosas, cheios de esperança e desejo.
Harry sentiu calor subindo à sua face. "Eu . . . realmente tenho que voltar . . . está tarde . . . e meus amigos . . ." ele gaguejou, sem palavras.
"Eu sei," Draco disse com um sorriso. Soltou a mão de Harry com um pequeno aperto.
Harry pegou seus óculos da mesa, e então foi achar seus tênis. Draco ficou na porta enquanto os colocava. Então Harry abraçou Draco e o beijou novamente, um beijo longo e profundo, seguido de um menor e carinhoso. "Você me deixa voltar amanhã à noite?" ele perguntou com timidez, encarando aqueles olhos cativantes.
"Harry," Draco disse com uma voz afetuosa. "Se você não voltar amanhã à noite, eu vou dizer a Pansy que você gosta dela."
Harry se arrepiou, e então sorriu. "Se fizer isso, terá que explicar toda a sujeira embaixo da torre no dia seguinte."
Draco riu, e relutantemente se afastou dos braços de Harry. Abriu a porta. "Tome cuidado ao voltar."
"Eu vou," Harry disse. "Não se preocupe. Estou despistando Filch há seis anos." Ele pausou, alcançando para correr seus dedos gentilmente pela face de Draco. Os olhos deles se encontraram, verde e cinza. "Obrigado . . ." Harry disse, muito suavemente. ". . . por vir falar comigo noite passada." Então ele passou pela porta, e enquanto descia as escadas, ouviu um sussurrado "Boa noite," e então o clique da porta atrás de si.
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Draco fechou a porta após Harry sair, e então se inclinou sobre ela com os olhos fechados, exatamente da forma como fizera antes, depois de ter jogado os sapatos de Harry para fora e fechado a porta. Mas o sentimento agora era bem diferente. Naquela ocasião, com o bater da porta, a raiva de Draco havia se transformado quase imediatamente em arrependimento – com a sensação de que acabara de cometer um grande erro. Ele tinha mesmo expulsado Harry – depois de o querer tanto ali? Como pôde ter feito algo tão estúpido?
Harry provavelmente já estaria na torre agora. Seria muito tarde para ir atrás dele? Harry iria querer voltar? Draco tinha colocado as mãos no rosto e gemido. Mesmo estando irritado, queria Harry novamente. E então, incrivelmente, Harry tinha chamado seu nome do outro lado. Não tinha ido embora. Draco estivera muito surpreso para responder, no início. Após um momento, afastou-se da porta e ficou a encarando, completamente surpreso, enquanto escutava Harry pedindo para voltar. E então o moreno dissera, "Eu quero lhe dizer algo. Você está enganado – o que disse sobre eu não estar interessado – não é verdade," e Draco então alcançou a maçaneta. Mas antes que pudesse abrir a porta, ouviu a voz de Pansy, e congelou por meio segundo em alarme. Então prontamente correu para achar sua varinha.
E ele conseguiu Harry de volta. Mas então, maldito seja seu temperamento, quase estragou tudo novamente. Ficou mortificado após gritar com Harry. Mas o outro tinha sido maravilhoso, brincando, e o deixou explicar. E continuou lá. Foi tudo que Draco desejava.
Agora, inclinando na porta, Draco repentinamente percebeu que a dor intensa de desejo que o acompanhava havia sumido, continuando apenas de uma maneira superficial, como uma doce memória da ausência de Harry, e de como Draco queria ficar com ele novamente. Em seu lugar, estava um sentimento que Draco nunca, nunca sentiu antes. Era a mais maravilhosa e doce mistura de um calor confortável dentro de seu coração, e uma sensação leve de tontura – provavelmente felicidade, ou contentamento, ou algo igualmente clichê – portanto não queria pôr um nome a ele – apenas queria aproveitá-lo.
Afastou-se da porta e caminhou até seu guarda-roupa. Abriu a gaveta mais inferior e retirou uma caixa marrom, a qual levou com ele até a lareira. Ajoelhou-se em frente ao fogo, pôs a caixa no chão, e encarou por um momento as chamas dançantes enquanto um furacão de sensações se apossava dele. Draco ainda conseguia sentir os toques leves de Harry, ouvir sua voz, suas palavras, ainda conseguia sentir o gosto de sua boca. Mais do que tudo, Draco queria se perder nessas sensações, queria reviver a memória do modo perfeito em que estiveram juntos.
Mas estava cansado, sem ter dormido bem a noite anterior, e estava tarde. E tinha mais uma coisa importante a fazer antes de dormir. Forçou-se em um estado de concentração – teria que pensar em Harry depois. Draco abriu a caixa e retirou outra caixa em que estava escrito Kit de Poções Portáveis. Havia encomendado por coruja algumas semanas atrás, mais por curiosidade, mas era algo perfeito para o queria fazer agora.
Abriu o kit e retirou um pequeno caldeirão de alumínio, tamanho 0.67, duas torqueses, alguns instrumentos de corte, uma corrente, um crivo e um funil, todos apropriadamente pequenos, além de garrafas e recipientes de diversos tamanhos, e outra caixa nomeada 50 Ingredientes Típicos de Poções. Essa última caixa continha pequeninos pacotes e recipientes de tudo entre bílis de porco e dedos de zumbis em pó. Draco sorriu, muito satisfeito com o pacote, e descobriu ter perdido o sono. Juntando seu kit, o material que usava para as aulas, e o que conseguiu furtar da mesa de Snape naquela manhã, provavelmente tinha tudo que precisava.
Pulou de pé e foi até sua escrivaninha para pegar as anotações da aula que tivera de manhã, seu material de poções e o que pegou de Snape. Carregou tudo para frente da lareira e caiu graciosamente de pernas cruzadas no chão. Desenrolou o pergaminho e o releu. Ele havia anotado a aula de Snape sobre a variação avançada da Poção Repelente de Maldições muito cuidadosamente esta manhã. Era um pouco complicado, pois ela tinha de ser feita em dois passos.
Ele passou por todos os pacotes de ingredientes, separando o que precisava e guardando o resto. Usou a corrente para pendurar o caldeirão em cima de sua lareira, para ficar acima do fogo, e começou a misturar os ingredientes. Ele teve que encher uma das garrafas com água do banheiro, então colocou no fogo para ferver. Quando ferveu, pôs as flores "forget-me-nots", esperou o tempo apropriado, então adicionou uma pitada de pele de verme em pó. Mexeu novamente, e adicionou sua mistura de ingredientes que estavam no caldeirão. A mistura liberou uma fumaça branca e o líquido no caldeirão ficou azul. Draco o encarou e perto, torcendo para que tivesse feito corretamente. Snape não havia mencionando nenhuma mudança de coloração.
Encontrou as torqueses, e as utilizou para retirar o caldeirão do fogo. Então despejou o conteúdo em uma jarra, fechando a tampa. Levantou a jarra e inspecionou o líquido com um olhar crítico. Isso tinha que estar absolutamente correto – não havia lugar para erros.
Abaixou a jarra, suspirou, e limpou o suor de sua testa com a parte de trás de sua mão. Então bocejou. Estava muito cansado agora, a falta de sono da noite anterior estava o alcançando, e ficar tão perto do fogo o deixou quente e melado. Levantou-se e começou a arrumar tudo. Lavou seu pequeno caldeirão na pia do banheiro e empacotou o kit novamente na caixa marrom, guardando-a em seu guarda-roupa, sem deixar nenhum traço do que havia feito. Escondeu a jarra com a poção pronta em seu armário de remédios. Agora, se seu pai mandasse logo o anel. . .
Tomou um banho rápido, e finalmente caiu em sua cama. Apenas então se deixou pensar em Harry novamente.
Essa noite ficaria gravada em sua memória para a eternidade. Especialmente o momento em que Harry retirou os óculos e desviou a mesa. Harry sorriu para ele de um jeito que o deixou sem ar com surpresa e esperança, e Draco soube então que Harry iria beijá-lo. Harry disse, "Vem cá," naquele jeito doce, e o quarto – ou talvez o mundo inteiro – tinha girado loucamente embaixo de seus pés, tendo que se segurar na ponta da mesa para não desabar.
Draco foi até ele, e descobriu que tinha que segurar mais forte na beira da mesa. Nunca tinha visto Harry sem seus óculos. Harry de óculos era fofo, atraente, de uma maneira muito adorável. Até mesmo os óculos em si ganharam um status de fofura para Draco, assim como o cabelo desarrumado, simplesmente por serem parte de Harry. Mas sem os óculos, Harry era – bem, simplesmente deslumbrante. Seus olhos eram o mais inacreditável e puro verde, brilhando como vidro colorido, ou pedras preciosas, de maneira calorosa e brilhante, refletindo a luz em tudo que tocava. E aqueles cílios pretos e longos fizeram o coração de Draco pular várias batidas. Harry o tocou tão gentilmente, e o beijou com doçura, e tudo que Draco queria naquele trêmulo momento era dar tudo a Harry.
Então Harry disse seu nome, em um tom também deslumbrado, e quando abriu seus olhos para olhar nos de Harry, se perdeu na expressão daqueles olhos esmeralda – era a realidade movente de tudo que sempre quis ver naqueles olhos. Perdeu-se, intencionalmente e com alegria, em um local onde o tempo não existe e em que é impossível identificar onde um começa e o outro termina, perdido na dimensão daqueles olhos, seu coração cedeu sem hesitar.
Mas o momento que causou o derretimento total do coração de Draco foi quando Harry o puxou em seu colo, segurando-o perto, e disse, "Isso é a coisa mais real que já senti na minha vida." Draco não acreditava que nada o tocaria de maneira tão profunda e eloqüente como fez aquela sentença. E foi Harry quem perguntou se eles se veriam novamente. Isso significou tanto. Significou que Harry o queria. Foi tudo muito inesperado.
Não, essa noite não foi o que Draco tinha esperado. Foi mais do que ele jamais se deixou desejar, mas com certeza não o que tinha esperado. Ele achava que presenciaria acusações sobre ações passadas, perguntas sobre seu pai e Comensais da Morte e sobre quanto de Magia Negra ele conhecia, coisas que tinha se preparado para responder o mais honestamente possível. Mas Harry agiu como se nada disso importasse. Ao contrário, Harry o revirou do avesso com toques tentadores e gentis, beijos e palavras doces, e o preencheu com os sentimentos mais incríveis.
Draco trocou de lado, e exalou profundamente. Não, isso realmente não era o que tinha esperado. Um Harry que retorna seus sentimentos não era parte de seu plano – tinha sido muito impossível – era a única coisa que não tinha considerado. E agora . . .
Ele rolou de bruços e enfiou a cabeça em seu travesseiro. Sentiu um senso de arrependimento que nunca sentiu antes. Porque até mesmo com esses novos sentimentos maravilhosos que estava tendo, no centro de tudo, vivia o conhecimento aterrorizante do que tinha planejado para seu pai. E isso significava que ele tinha muito pouco tempo para ficar com Harry, para amá-lo. Mais do que tudo, Draco queria que Harry soubesse o quanto o amava, antes de o fim inevitável chegar. Sua mente desviou desse trajeto – de saber o que seu pai faria. Estava ciente desde o início do preço que iria pagar. Não, não podia pensar nisso. É impossível impedir o que iria acontecer. Era a única opção viável, pensou. Mas antes de eu perdê-lo, quero tocá-lo, beijá-lo . . . amá-lo. Só quero que ele saiba o quanto o amo. Só quero que ele me ame também. Os pensamentos de Draco reviraram em sua cabeça, e foi após muito tempo que conseguiu finalmente cair no sono. Eu só preciso que ele me ame também. . .
Harry literalmente correu todo o caminho até o dormitório da Grifinória. Estava excitado e cheio de emoções, e correr era gostoso. Quando chegou ao retrato, estava completamente sem fôlego, e teve que se encostar à parede antes de dizer a senha. O cabelo da Mulher-Gorda estava preso em cachos, e ela o estava observando com uma irritação sonolenta. Harry percebeu que era a segunda noite consecutiva que teve que acordá-la para entrar na torre. Forçou seu melhor sorriso e sussurrou "Pudim de tapioca".
Ao passar pelo buraco do retrato, sorriu e balançou a cabeça. Eles decidiram deixar Neville pensar na senha esse ano, porque ele tinha tanta dificuldade para lembrá-las. Essa era, na realidade, a senha mais complicada que eles tiveram até agora, porque as de Neville geralmente eram uma lista de suas sobremesas favoritas, e as iniciais eram coisas como "Bolo" e "Torta" e "Cookie". Harry sorriu enquanto subia as escadas para seu dormitório, pulando dois degraus por vez. Todos tinham zoado um pouco com Neville, mas ninguém realmente se importava.
Ele abriu a porta de seu quarto o mais silenciosamente possível, e espiou para dentro. Estava escuro, todos já em suas camas, e Harry torcia que estivessem adormecidos. Ele esperou um momento para regularizar sua respiração, e entrou. Andou nas pontas dos dedos até sua cama. Harry escutou seus quatro companheiros de quarto levantarem simultaneamente. Então Dean acendeu uma lâmpada, e a luz inesperada captou Harry no centro do quarto, ainda longe de sua cama. Harry olhou para seus quatro amigos e suspirou. "Foi mal, pessoal," ele disse. "Eu não tinha intenção de acordar todo mundo." Andou o resto do caminho e sentou em sua cama.
"Você não nos acordou, Harry," Dean disse.
"Não," Seamus adicionou, "estávamos esperando por você".
"Harry, você está bem?" Rony perguntou. "Você está agindo tão estranhamente hoje, e ninguém conseguiu te encontrar a noite inteira".
"É," Neville disse. "Estávamos ficando preocupados, Harry. Achamos que Você-Sabe-Quem pudesse ter te seqüestrado".
"Nós não achamos isso," Dean disse.
"Bom, eu pensei," Neville disse, baixinho.
"Ah!" Seamus interrompeu com um risinho. "Ele estava por aí beijando alguém, isso sim!"
Houve um segundo de silêncio. "Ah, pára, Seamus," Rony disse, defendendo Harry. "Por que você diria isso?"
"Bem, olhem para ele," Seamus disse, sorrindo. "Conheço esse visual – ele está todo desarrumado, e sua boca está rosa, camisa para fora da calça. Na verdade, acho que a camisa dele está completamente desabotoada, e ali – olha, ali está a prova –" Seamus riu. "Harry, você parece uma maldita rosa . . . com um queimado de sol!"
E era verdade. Apesar de estar usando a capa, a qual cobria sua camisa, quando Harry olhou para baixo, viu que sua camisa estava obviamente desabotoada, e corou fortemente. Quando isso aconteceu? Deus, Draco tinha aquelas mãos gentis e ágeis correndo por ele, e Harry estivera muito perdido no mar de sensações que Draco estava causando nele, para perceber esses detalhes. Nem tinha percebido que sua camisa estava nesse estado.
"Harry? Você está saindo com alguém?" Rony perguntou com preocupação. "É isso que aconteceu hoje?"
Harry correu uma mão por seu cabelo, fazendo parte dele levantar. "Eu estava jogando xadrez com alguém de outra casa," ele disse, tentando pensar em uma explicação sem ter de mentir. "Apenas perdi a noção do tempo –"
Seamus roncou. "Deve ter sido Xadrez-Verdade-Ou-Desafio, então, Harry. Essas marcas no seu pescoço não foram feitas por nenhum jogador que eu tenha visto."
Harry soltou um som de frustração. Não queria ser zoado por causa disso. Isso era sério. Pode ter tudo acontecido em um dia, mas seis anos de emoção suprimida e interação intensa levaram a esta situação, e agora toda sua dor, seu desejo por alguém, sua solidão, tudo tinha sido levado embora pelo amor gentil de Draco. Ele só queria deitar em sua cama, no escuro, e mergulhar nas memórias do que acontecera hoje. Em paz.
"Quem é, Harry?" Neville perguntou.
"De que casa ela é?" Dean perguntou.
"É alguém que conhecemos?"
"Ah, que os Santos nos preservem," Seamus disse, com um sorriso conspiratório para Dean e Neville. "Agora teremos que agüentar dois falando sobre suas namoradas e ficando todos sérios."
"Ah, cala a boca, Seamus", Rony disse. "Eu não fico falando sobre a Hermione."
"Fica sim," Seamus respondeu. "Nesse outro dia, você –"
"Parem!" Harry gritou. Encarou seus amigos assustados. "Sim, estou saindo com alguém! E é sério! Muito sério," disse mais baixo. "Eu só não quero falar sobre isso, pode ser?"
Um coro submisso de "Foi mal," e "Desculpa, Harry", veio de várias partes do quarto.
Então Seamus falou, sem graça. "Mas teve beijos, Harry?"
"Ah, meu Deus, Seamus", Harry disse. Então suspirou. "Ta bom. Sim. Muitos beijos, se você deve saber." Então teve que morder o lábio para não sorrir em face das memórias que conjurou e corou novamente.
"Sabia," Seamus cantou. "Consigo avistar uma face-pós-beijo a um quilômetro de distância. Não vai nos dar uma dica, Harry? Quem é a garota sortuda?"
"Ta bom, chega, Seamus," Rony disse. "Deixe-o em paz. Ele nos dirá quando estiver pronto."
Harry lançou um olhar agradecido para Rony.
Rony devolveu o olhar com uma expressão muito confusa. "Né, Harry?"
"É claro que sim," Harry disse, sinceramente. "Vocês são meus melhores amigos. Prometo que serão os primeiros a saber – " Assim que eu tiver certeza, adicionou em sua mente. "Mas agora está tarde e eu gostaria de ir dormir." Começou a se despir para dormir, e Dean apagou sua lâmpada. Um coro baixo de "Boa noite," correu pelo quarto escuro, pontuado no fim por um som de beijo vindo da cama de Seamus, e um alto "Shhhh!" de Rony.
Harry subiu em sua cama, sentindo-se culpado, e também um pouco humorado. Todos assumiram que estava com uma garota – e por enquanto não tinha intenções de corrigir tal presunção – iria distraí-los por um tempo, até que ele e Draco estivessem prontos para dizer a verdade. Ah, Draco era um segredo tão delicioso! E estar com ele esta noite tinha sido incrível. Nunca tinha imaginado que eles poderiam conversar e rir juntos como tinham feito naquela noite. Ou que Draco Malfoy poderia ser tão gentil, tão amoroso, e conseguir arrancar respostas tão profundas e igualmente amorosas dele. Um grande senso de conforto se apoderou do coração de Harry, e teve a sensação mais feliz crescendo dentro de si. Deitou acordado por um tempo, sorrindo no escuro, deixando as memórias e os sentimentos correrem por ele, e quando caiu no sono, dormiu melhor do que tinha há muito tempo. Porque pela primeira vez em muito tempo, estava antecipando o amanhã.
Fim do Capítulo 7
