A/N: Novamente, obrigada por todo o apoio! Desculpem, já faz mais um mês desde a minha última atualização... Mas esse capítulo tem 22 páginas, e o último teve 9! Gigantesco!!

Mas então, tenho uma notícia para vocês, é boa para mim, mas nem tanto para os readers... É que eu vou viajar dia 14 de fevereiro para Portugal, e vou ficar na Europa por 6 meses, cursando uma universidade de Direito lá. Então, sinceramente, as atualizações não virão muito rapidamente, mas eu vou dar meu melhor! Entre o estudo, o trabalho e as viagens, vou tentar encontrar um tempinho para essa fic!

CHECKMATE

PARTE II – O JOGO

Capítulo 8

Did I know where he'd lead me to?
Did
I plan
Doing all of this for the love of a man?
Well I let it happen anyhow
And what I'm feeling now
Has no easy explanation
Reason plays no part
Heaven help my heart

Eu sabia para onde ele me levaria?

Eu planejava

Fazer tudo isso pelo amor de um homem?

Bem, eu deixo acontecer de qualquer maneira

E o que estou sentindo agora

Não tem explicação fácil

Razões não têm um papel

Paraíso ajude meu coração

Letras de "Heaven Help My Heart" de Chess por Benny Anderson, Tim Rice e Björn Ulvaeus

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Na manhã seguinte, durante o café da manhã, Harry e Draco trocaram vários olhares sutis e sorrisos secretos pelo Salão Principal. Mas Harry rapidamente percebeu que teria que tomar muito cuidado com onde olhava, e por quanto tempo, pois Seamus o estava observando atentamente. Seamus estava determinado a descobrir a identidade da namorada misteriosa de Harry. Harry se divertia com isso, deixando seu olhar cair em várias garotas que ele nem conhecia de outras casas, e apenas nos intervalos entre elas, deixava-se encarar um certo Sonserino.

Após o café da manhã, Harry, Rony e Hermione deixaram o Salão Principal juntos em direção à aula de Poções. Eles estavam quase nas masmorras quando Harry repentinamente, e de maneira um pouco rude, foi puxado por trás. Ao mesmo tempo, sentiu uma carícia afetuosa em seu lado. "Você tem que bloquear o corredor, Potter," disse uma voz familiar em sua orelha esquerda, "e fazer todos chegarem atrasados como você?"

Harry desviou o cotovelo de Draco que estava tentando passar por ele. "Sentiu minha falta, Malfoy?" Harry tirou sarro, enquanto Draco continuava andando. Ele colocou uma pergunta discreta nas palavras que apenas Draco conseguiria entender.

Eles estavam do lado de fora da sala de Poções quando Draco se virou. Seus olhos encontraram os de Harry com um brilho brincalhão. "Quero uma palavra com você, Potter," ele disse. "Sozinho."

"Harry, sem chance," Rony avisou seriamente. "Não o ouça. Lembra do que aconteceu ontem?"

Harry parou bem na frente de Draco, e deixou sua mochila cair no chão. Ah Deus, sim, eu lembro do que aconteceu ontem. Inclinou-se na parede, encarando Draco, seus olhos fixos no Sonserino. "Vá para a sala, Rony," ele disse. "Eu cuido dele –"

"Harry," Hermione disse com firmeza, em um tom que Harry e Rony chamavam de A Voz de Monitora. "Isso não é uma boa idéia." Ela olhou com frieza para Draco. "Nenhum de vocês podem se encrencar novamente com uma briga."

Harry retirou seus olhos de Draco por um segundo para observar seus dois amigos, mas antes que pudesse dizer qualquer cosia, Draco virou para fitar Hermione. Harry teve que segurar um sorriso. O olhar de inocência absoluta na face de Draco poderia pertencer a um anjo.

"Confie em mim, Senhorita Granger," Draco disse, com a voz solene, enquanto colocava sua mão direita sobre o distintivo de Monitor. Ele desviou o olhar para Harry por um segundo. "Por minha honra de Monitor," ele continuou, encarando Hermione novamente com a expressão de mais perfeita pureza que Harry já tinha visto, "minhas intenções com o Sr. Potter não estão nem perto de briga."

Harry engasgou em uma risada, e sorriu para Draco, incapaz de cobrir sua reação àquela frase.

"Certamente não há regras que proíbam uma conversa com o Potter aqui," Draco continuou, virando seu olhar inocente para o moreno, ". . . contanto que ele concorde."

Harry percebeu que Hermione o estava observando, mas ele estava preso nos olhos de Draco, incapaz de desviar o olhar do outro garoto, o qual estava retornando seu olhar, sorrindo também, com uma bela sobrancelha levantada e uma expressão divertida substituindo a inocência de um segundo atrás. Deus, ele está tão lindo. O mais normalmente que pôde, Harry disse, "Não acho que tenha problema ouvir o que ele tem a dizer."

"Bem . . ." Hermione disse, olhando de Harry para Draco como se fossem um quebra-cabeças que estava tentando resolver. "Se tem certeza, Harry."

"Hermione!" Rony interrompeu, chocado. "Não vá me dizer que você acreditou naquela porcaria de honra de monitor – "

"Eu ficarei bem," Harry disse a Hermione, com os olhos ainda fixos em Draco. "Você e Rony vão para a sala. E," ele disse com firmeza, "devem se apressar, ou vão chegar atrasados." Eles foram, mas apenas porque Hermione estava forçadamente puxando um Rony relutante e protestante até a sala.

Assim que eles desapareceram pela porta, Draco derrubou sua mochila e deu um passe na direção de Harry para acabar com o espaço entre eles. A diversão não estava mais nos olhos de Draco, substituída por promessas e afeição. "Eu tive o sonho mais maravilhoso ontem à noite, Harry," ele disse suavemente, colocando as mãos nos ombros de Harry. Ele empurrou o moreno gentilmente contra a parede. "Você estava no meu quarto." Ele sorriu. "Parecia tão real."

"Era real," Harry sussurrou com um sorriso. Ele se inclinou na parede, sentindo-se grato pelo suporte.

Draco inclinou sua cabeça para frente e encostou sua face no pescoço de Harry. "A palavra," ele murmurou no ouvido de Harry, "que quero lhe dizer é . . . sim."

Harry sentiu um beijo suave, e então dentes levemente mordendo o lóbulo de sua orelha. Ele se arrepiou e circulou a cintura de Draco com seus braços, puxando seus corpos mais próximos. "Sim, o que?" ele sussurrou.

Draco se afastou um pouco para ver seus olhos novamente. Ele sorriu. "Sim. . . senti sua falta."

Harry riu quietamente. "Eu também," ele disse, seus olhos trancados em cinza aveludado. Passou suas mãos pelas costas de Draco, uma mão alcançando o cabelo loiro, para puxá-lo para um beijo. Sentiu as mãos de Draco nos dois lados de seu pescoço, segurando sua face logo abaixo da mandíbula. Então os lábios se encontraram, e Draco parecia ter derretido nele. Draco tinha gosto de doce de maçã e chocolate quente, e Harry se perdeu tanto na paixão tenra que estava sentindo, e no sabor doce e quente daquele beijo, que não escutou os passos no corredor.

Mas Draco repentinamente se separou dele e virou a cabeça para olhar o corredor. "Rápido! Pegue seus livros!" ele sussurrou com urgência.

Harry espiou o corredor enquanto se agachava para pegar a mochila e arregalou os olhos. Snape estava andando até eles, seus olhos cheios de fúria letal.

Em um instante, Harry e Draco pegaram seus livros e sumiram para dentro da sala, com Snape a um passo assassino atrás deles. Enquanto Harry caia freneticamente em sua cadeira, percebeu que todos estavam observando ele e Draco entrarem. Seu coração estava batendo forte, estava alarmado com o que Snape poderia dizer ou fazer, mas ao mesmo tempo teve que morder seu lábio inferior para não dar risada. Nunca tinha se sentido tão energizado. Rony estava o olhando com uma expressão curiosa, mas Harry balançou a cabeça, sua atenção presa em Snape. O professor estava agora na frente da classe com seus braços cruzados, sua capa o rodeando como asas fechadas de um morcego gigante e maléfico. Ele lançou um olhar azedo para Draco e então para Harry.

"Malfoy, Potter," ele disse finalmente, com uma voz baixa, fria e furiosa. "Vocês dois permanecerão na sala." Então dirigiu seu olhar para o resto da classe. "Bem, o que estão encarando?" ele sussurrou. "Retirem seus livros! Isso é uma sala de aula, não um palco!"

Seguiu-se um barulho imediato de mochilas sendo abertas, e Harry relaxou um pouco. Draco lançou um olhar rápido para ele, sua sobrancelha levantada dizendo tudo. Eles teriam que esperar até o término da aula para descobrir o que Snape havia visto exatamente.

Harry tinha se esforçado na tarefa de Poções na noite anterior, o que era ótimo, pois apesar de Snape ignorar Draco completamente, o professor fez perguntas a Harry durante todo o período da aula, com a intenção de pegá-lo despreparado. Mas ele conseguiu responder a todas as respostas corretamente. Draco, a certo ponto, virou e o lançou um sorriso. No fim da aula, no entanto, Snape estava furioso, e após a aula, quando Harry ficou ao lado de Draco na frente da mesa do professor, estava temeroso de ter piorado a situação.

Mas Snape, parado como um pilar de ódio atrás de sua mesa, agora ignorou Harry completamente, fixando sua atenção em Draco. Inclinou-se para frente, com as mãos em sua mesa, olhos negros cheios de raiva. "Sr. Malfoy," ele disse, "como diretor da sua Casa, eu falei com o Professor Dumbledore a respeito do incidente de ontem entre você e o Sr. Potter, e o diretor me informou de certos acordos que vocês têm. Especificamente de que não iria brigar com o Sr. Potter. Mas nessa manhã o encontrei obviamente quebrando essa promessa! Você não entende a seriedade da situação? Você pode ser expulso!" Snape direcionou seu olhar furioso em Harry. "E você! Potter, se descobrir que você deliberadamente o provocou –"

Draco e Harry trocaram olhares confusos. Será que Snape não tinha visto o que eles estavam fazendo? "Senhor," ele disse com calma, "eu estou cumprindo minha promessa ao Professor Dumbledore. Eu não estava brigando com Potter."

"Então como você explica o que eu vi essa manhã," Snape disse, lívido com irritação. "Você o estava segurando contra a parede, com as mãos na garganta dele –"

Draco olhou para Snape por um longo momento. Ele colocou a mochila no chão. "Eu realmente não quero explicar," ele disse, com um pouco de irritação em sua voz. "Terá que confiar em mim, senhor. Nós não estávamos brigando."

A voz de Snape se tornou gélida. "Como posso confiar em você," ele sussurrou com raiva, "quando você me diz algo que contradiz completamente o que vi com meus próprios olhos. Isso é muito importante. Eu não vou admitir que você seja expulso por um incidente trivial com Potter. Exijo uma explicação!"

"Mas isso é uma questão entre eu e –"

"AGORA!"

Draco virou para Harry, obviamente agitado, e levantou uma sobrancelha em um gesto elegante de desculpa.

Harry suspirou, e afirmou com a cabeça.

Draco virou para Snape, fixando o professor com um olhar gélido. "Tudo bem, então," ele disse. "Se você tem que saber, eu estava o beijando."

"Malfoy," Snape praticamente cuspiu, "estou avisando pela última vez. Não brinque comigo sobre essa questão!"

"Eu não estou BRINCANDO!" Draco disse, completamente irritado. Ele virou e olhou para Harry.

Harry viu uma faísca de safadeza nos olhos de Draco. Ele mal teve tempo de registrar o que o olhar significava, quando Draco deu um passo até ele, pegou sua face entre as mãos, e o beijou profundamente. Por um segundo, Harry ficou imóvel e chocado, mas os lábios nos dele eram quentes, insistentes e irresistíveis. Ele deixou sua mochila cair, abraçou Draco e retornou o beijo. Em algum lugar no fundo, ele vagamente percebeu que, por um momento, houve o som de alguém engasgando.

Quando Draco e Harry finalmente se separaram, Harry capturou a mão de Draco e entrelaçou os seus dedos com os dele. Sentiu sua face corar quando os olhos de Draco continuaram nos seus por um momento antes de se virarem para o professor. Snape estava sentado, tendo o feito muito abruptamente, e suas mãos estavam cerradas em punhos no topo de sua mesa.

Por vários segundos, Snape apenas ficou alternando seu olhar entre Draco e Harry, seu rosto rígido com incompreensão e choque. Parecia que um acidente de trem havia ocorrido em seu cérebro. "Vocês dois terminaram?" ele perguntou finalmente, com um sussurro enraivecido.

"Desculpe, professor," Draco disse com a compostura intacta. "Eu tentei avisar que era um assunto privado."

Harry estava lutando uma batalha perdida para conter o sorriso que queria sair em sua face.

Snape levantou de sua cadeira em fúria. Ele parecia uma torre em cima de Harry e Draco. O pilar de raiva havia voltado. "Certamente é privado," ele disse em um tom vicioso e enfurecido. "E desse modo, foi um comportamento completamente inapropriado para um corredor público, e eu não precisava ter sido submetido a isso também."

"Bem, você não acreditou quando eu disse, senhor," Draco argumentou, um pouco do seu velho sorriso malicioso ressurgindo em sua boca.

"Ah . . . cala a boca, Malfoy," Snape cortou. Ele lançou um olhar irritado a ambos. "Se eu ficar sabendo de uma repetição dessa performance em público, retirarei tantos pontos de ambas as suas Casas, que Lufa-Lufa ganhará a Copa! Agora saiam daqui antes que eu lhes dê detenção!"

"Se você der, senhor," Draco disse, "podemos cumprir juntos?"

"NÃO! SAIAM!"

Eles agarraram seus livros e correram.

"E PARE DE SORRIR NESSE INSTANTE, POTTER!"

As últimas palavras de Snape ecoaram atrás deles enquanto escapavam pelo corredor. Eles correram sem restrições, quase competindo, e finalmente parando, rindo e sem fôlego, em um ponto em que tinham que se separar para irem a aulas diferentes.

Harry teve que retirar seus óculos por um momento para limpar as lágrimas de seus olhos. "Ah, Draco," ele disse, "eu não acho que você deveria ter feito aquilo. Ele gostava de você."

Draco apenas riu. "Que bom que não está bravo, Harry. Eu não sabia como iria reagir."

Harry balançou a cabeça. "Deus, eu amei," ele disse sorrindo. "E ele já me odiava, de qualquer jeito. Não tinha nada a perder. Só espero que ele não te odeie agora também, por associação."

Draco se aproximou e colocou uma mão no ombro de Harry. "Ele mereceu depois de todas as perguntas que fez a você hoje. Além do mais, ele vai superar," ele disse, com outra risada. "Aquilo foi a última coisa no mundo que ele esperava, e uma oportunidade que eu não pude resistir."

"Foi brilhante," Harry disse entre risos. "Ele parecia ter engolido um peixe pelo caminho errado. Mas não acredito que não nos encrencamos – e se ele contar –"

"Ah! Para quem ele iria contar?"

"Er, Dumbledore?"

Draco sorriu. "Estou certo que Dumbledore já sabe um pouco do que está acontecendo conosco, Harry. Afinal de contas, eu estava segurando sua mão na frente dele ontem."

Harry parecia um pouco surpreso. "Eu não sabia que ele tinha visto aquilo."

Draco riu. "É claro que sim. Por que você acha que tudo ficava caindo da mesa dele?"

"Gravidade?" Harry disse com um sorriso envergonhado.

"Idiota," Draco disse com afeição. Ele colocou uma mão no pescoço de Harry e brincou com uma mecha do cabelo negro. "Você estava ótimo na aula hoje. O que tem a seguir?"

"Medicina Avançada com Madame Pomfrey"

"Eu não sabia que isso existia," Draco disse com uma expressão confusa.

"Er," Harry disse, "bem . . . na verdade não existe. Só eu tenho, e eu –" Harry parou repentinamente, envergonhado. Eu . . . bem . . . quase ninguém sabe a respeito."

Draco levantou uma sobrancelha em surpresa. "Um segredo, Harry?"

"Não," Harry disse rapidamente. "É só que . . . Eu não costumo falar muito sobre isso."

Draco o encarou, pensativo, e então balançou a cabeça ao ver a expressão preocupada de Harry. "Então prometo que não vou perguntar. Mas . . . você gosta dessa aula?"

"Adoro," Harry respondeu, aliviado com a inesperada resposta de Draco em não pressioná-lo. "É minha matéria favorita. Eu gosto até de fazer a tarefa."

"Hmm," Draco disse, ainda analisando Harry atentamente. Então seus olhos suavizaram. "Falando em tarefa – eu esperava que você pudesse vir mais cedo hoje, Harry. Depois do jantar. Nós podíamos fazer nossas tarefas juntos."

Os olhos de Harry se iluminaram. "Eu gostaria disso."

Draco sorriu, inclinando-se para sussurrar no ouvido de Harry. "Eu o beijaria," ele disse em um sussurro conspiratório, "mas nunca se sabe quem pode estar olhando por aqui, e eu realmente não suportaria que Lufa-Lufa ganhasse a Copa."

"Salve ele para mim, então," Harry sussurrou. "Para hoje à noite."

Draco olhou para Harry, seus olhos brilhando. "Eu com certeza irei," ele disse suavemente. Inclinou a cabeça um pouco e levantou uma sobrancelha pálida e elegante. "O próximo movimento é meu, sabe." Ele puxou o cabelo de Harry de brincadeira, e então deixou sua mão cair, seus dedos traçando levemente a mandíbula de Harry. "Vejo você depois, então," ele adicionou, e com um mexer de sua capa, virou e seguiu seu caminho.

Harry o observou por um momento, imaginando se seu coração estava batendo forte da corrida ou se tinha algo a ver com aquela despedida. Então ele virou e se apressou na direção da Ala Hospitalar, rezando para ter uma boa desculpa por ter chegado tarde para Madame Pomfrey quando chegasse lá.

Mais tarde, durante o almoço no Salão Principal, Rony estava quase morrendo devido ao suspense de não saber o que tinha acontecido com Harry após a aula de Poções. Hermione, por outro lado, disse absolutamente nada, apenas estudando Harry com uma expressão muito calculadora em seus olhos castanhos – olhos que de vez em quando iam à direção da mesa Sonserina, para se concentrarem em um certo loiro. Um certo loiro cujos olhos, ela percebeu, tendiam a se prender bastante em Harry. Mas Harry não percebeu isso, já que Rony estava o questionando incessantemente por detalhes acerca do que Snape havia feito.

Tudo que Harry disse foi que Snape gritou com ele, e que não estava encrencado. Harry queria poder contar a Rony o que Draco tinha feito – Rony teria amado ver o olhar de completa incompreensão no rosto de Snape – isso é, se Rony sequer percebesse, por portar a mesma expressão em seu rosto. Não, Rony teria que perder essa. Mas Harry percebeu que não queria manter esse segredo por muito tempo de seu melhor amigo. E contar tudo a ele não seria nada fácil.

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Seamus enfiou a cabeça pela porta do banheiro abafado, pela oitava vez. Ele sorriu para Harry, que estava em pé na frente do espelho, escova em uma mão e um franzido entre as sobrancelhas.

"Saia daqui!" Harry disse, tanto irritado quanto entretido. "Você não está ajudando!" ele tinha corrido escadas acima depois do jantar para tomar uma ducha rápida, tinha colocado sua melhor camiseta e um par de jeans, e estava agora na frente do espelho, tentando sem sucesso domar seu cabelo.

Seamus piscou várias vezes. "Aaaah, Harry, você está tããoo bonito."

Harry lhe lançou um olhar azedo, então agarrou uma toalha encharcada e arremessou na direção do outro garoto. Mas Seamus fechou a porta como um escudo, desaparecendo por um momento. A toalha bateu na porta com um baque molhado e caiu no chão.

Seamus enfiou a cabeça para dentro novamente. "Você está ótimo, Harry," ele disse, ainda sorrindo. "E você sabe, se a noite passada serve como indicação, o que for que você faça com seu cabelo agora irá apenas ficar bagunçado de novo." Ele entrou no banheiro e pegou a escova de sua mão. "Quer que eu tente?"

"Não!" Harry disse, arrancando a escova dele e a depositando do outro lado da pia. Olhou-se criticamente mais uma vez no espelho, então encarou seu amigo. "Tá bom," ele disse, sorrindo para Seamus, "acho que tem razão. Ele provavelmente vai ficar bagunçado de novo. Talvez bastante. E talvez o cabelo de outra pessoa vá ficar bagunçado também."

Seamus mexeu as sobrancelhas de maneira sugestiva. "E de quem seria esse cabelo, Harry?" ele perguntou.

Harry passou por Seamus até a porta. Ele pausou por um momento, e então com um movimento rápido, pegou a toalha molhada no chão e a jogou na cabeça de Seamus. "Seu, seu pentelho!" Ele captou um último olhar de Seamus apanhando a toalha encharcada, traços de água escorrendo por seu pescoço e peito, e então correu. Ele mal chegou à porta quando os palavrões coloridos irlandeses começaram. Correu até seu quarto para pegar seus livros. Enfiou sua Capa da Invisibilidade dentro da mochila também, caso precisasse dela no caminho de volta, e então se apressou para sair.

Surpreendeu-se ao ver Rony sentado em uma mesa no Salão Comunal deserto, estudando sozinho. Harry já tinha gasto muito tempo se aprontando, e estava ansioso para ir embora, mas não podia apenas sair sem falar com Rony. Então ao invés de se dirigir direto ao retrato como planejava, fez um desvio e sentou-se à mesa junto ao seu amigo ruivo. "Cadê a Hermione?" ele perguntou quando Rony o percebeu. "Eu não esperava te encontrar aqui sozinho."

Rony empurrou seu livro para o lado e balançou sua pena na direção do dormitório feminino. Ele tinha uma expressão dolorida em seu rosto. "Ela está olhando catálogos de vestidos de noiva com a minha irmã, Lilá e Parvati. Eu achava que estávamos mantendo o noivado em segredo, mas se aquelas garotas sabem . . ." Ele passou uma mão pelo cabelo ruivo. "Deus, você nunca escutou tantas risadinhas. Eu tive que me mandar." Então ele sorriu. "Saindo de novo, Harry?"

Harry corou um pouco, mas sorriu. "É, eu tenho um . . . encontro de estudo."

Rony descansou o queixo em sua mão e estudou Harry por um momento. "Eu não o vejo desse jeito há muito tempo. Você parece feliz. Hermione e eu estamos preocupados com você, sabia. Posso contar para ela que você está saindo com alguém?"

"Pode – mas só para ela. Nós não queremos que isso se espalhe por enquanto."

"Eu não acredito que você está sendo tão misterioso com tudo isso, Harry – quero dizer, você pode contar pelo menos para mim quem é. Eu não vou contar para os outros."

Harry suspirou e olhou para baixo. "Eu não posso ainda, Rony. Eu só preciso ter certeza do que estou sentindo dessa vez." Ele sabia que Rony e Hermione estavam certos de como se sentiam um pelo outro. Você podia ver quando os olhos deles se encontravam. Será que Draco e eu um dia nos olharemos desse jeito? ele imaginou. Harry levantou o olhar, hesitou por um momento, e então perguntou, "Como você sabia que estava . . . apaixonado? Eu achava que estava antes, mas . . ." Não quero cometer o mesmo erro duas vezes.

Rony acariciou a sua pena enquanto considerava a pergunta. "Bem, como você se sente agora?" ele perguntou finalmente. "Comparado com antes –"

Harry não conseguiu segurar o sorriso. "Eu nunca senti nada como isso antes," ele disse suavemente. "Essa pessoa é esperta, e engraçada . . . e bonita . . . (bem, ele é) . . . e . . . tão . . ." Harry parou. Ele estava prestes a dizer, tão gentil, mas percebeu como seria absurdo descrever Draco Malfoy dessa maneira para Rony Weasley.

Rony riu dele. "E, pelo que entendi do seu olhar na noite passada, o beijo foi muito bom também."

"Rony," Harry disse com a voz baixa, encontrando os olhos brincalhões de Rony. "Eu não estava brincando na noite passada quando disse que isso era sério. A noite passada foi a coisa mais incrível que já aconteceu comigo em um relacionamento, e isso não teve nada a ver com o beijo. O qual foi espetacular," ele adicionou, corando contra sua vontade.

"Você gosta mesmo dela, hein?" Rony disse, sorrindo e balançando a cabeça. "Mas Harry, quando você está apaixonado, você sabe. Não tem que pensar sobre isso."

"Hmm," Harry murmurou pensativo, levantando-se vagarosamente. Ele colocou sua mochila nos ombros. Então sorriu. "Vestidos de noiva, Rony! Deus!"

"Oh," Rony gemeu, deixando sua cabeça cair em suas mãos. "Não me lembre. Quando eu fiz o pedido, não tinha idéia de todas as coisas que estavam envolvidas em planejar um casamento."

Harry riu. "Imagino que era mais a noite de núpcias que você tinha em mente, não é?" Ele ainda tinha a face entre as mãos, mas Harry viu as orelhas de Rony virarem quase vermelhas o suficiente para combinar com seu cabelo.

"Você não está atrasado não, Harry?" Rony murmurou por trás de suas mãos.

"Sim, muito," Harry riu. Virou na direção do retrato, mas nesse instante, ouviu passos vindo das escadas e Gina entrou no cômodo.

Ela sorriu para ambos, excitação brilhando em seus olhos castanhos. "Ah Roninho," ela cantou, tirando sarro de seu irmão mais velho. "Hermione quer que você suba para olhar algo." Ela virou e encarou Harry. "Oi, Harry," ela continuou alegremente. "Sei que Hermione não se importará se você subir para olhar também. É tãooo bonito." Ela suspirou dramaticamente. "Eu amo casamentos."

"Harry não pode vir," Rony disse com uma voz nada satisfeita, enquanto se levantada. "Ele tem um encontro."

Os olhos de Gina se arregalaram e ela encarou Harry com interesse. "Ah, uau." Ela sorriu. "Que ótimo, Harry. Quem é?"

Harry olhou da Gina para Rony e balançou a cabeça. "Que guardião de segredos você é, Rony," ele disse com uma risada.

Rony pareceu envergonhado por um momento. "Ah, bem," ele disse. "Ela é família, isso não conta."

"O quê?" Gina perguntou. "Por que é segredo?"

"Eu só preciso de um tempo para ter certeza desse relacionamento, antes que as notícias se espalhem pela escola inteira," Harry disse, e viu a expressão nos olhos de Gina mudar para compreensão.

"Não direi sequer uma palavra, Harry," Gina disse. "Eu prometo." Ela lançou um olhar divertido a seu irmão. "Não como certas pessoas." Ela mostrou a língua para Rony, o qual fingiu bater na cabeça dela enquanto Gina ria.

"Obrigado Gina," Harry disse, grato. Ele sabia que ela iria se manter fiel à sua palavra. Ela não tinha o pentelhado por detalhes sobre o término do seu namoro quando a escola começou, como Rony e Hermione tinham feito a princípio. Ao contrário, ela simplesmente ficou por perto, oferecendo apoio, compreensão e alegria. Ela foi a pessoa que mais o consolou. Ele chegou até a imaginar se algo aconteceria entre eles, mas nada aconteceu. A paixonite que ela tinha nele havia se transformado em uma amizade profunda. E quanto aos seus sentimentos por ela, ela era muito querida para ele, como todos os Weasleys, ela era como Rony disse, família. "Eu vou te contar assim que puder," ele disse com um sorriso.

"Vou segurar meu fôlego," ela brincou.

Harry riu. Ele virou e deu alguns passos na direção da saída, então virou novamente quando Gina chamou.

"Ei," ela disse. "Algum de vocês viu o Seamus? Eu quero emprestar as anotações de Herbologia."

Harry lhe lançou um largo sorriso. "Da última vez que o vi, ele estava lá em cima no banheiro. Ele estava com um pequeno, er, problema com seu cabelo." Então virou para Rony. "E não esperem por mim hoje!" ele adicionou. Saiu do retrato e ficou parado por um momento. Eu estou feliz, ele pensou. Então começou a correr. Estava bem mais atrasado do que antecipara.

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Segundos após bater na porta de Draco, o loiro espiou para fora, sua expressão uma mistura estranha de esperança e irritação. "Harry," ele disse, sua expressão se transformando em alívio. "Que bom que é você dessa vez." Ele abriu a porta para Harry entrar.

Harry entrou no quarto, percebendo que Draco estava usando jeans pretos novamente, desta vez com um suéter cinza-grafite. Estava descalço dessa vez, também.

"Teve mais pessoas aqui nessa noite," Draco disse enquanto fechava a porta firmemente atrás de Harry. "Primeiro Snape veio falar comigo de novo sobre essa manhã, e então Granger teve um problema de disciplina com um garoto da Corvinal sobre o qual queria conversar."

Harry olhou para Draco com surpresa. Hermione esteve aqui?

"E então aquelas garotas apareceram," Draco continuou. "Eu juro, se você fosse uma daquelas garotas novamente . . ."

"Uma daquelas garotas?" Harry perguntou, confuso. Ele andou até a cadeira em que se sentou na noite anterior e colocou sua mochila no chão. "Que garotas?"

Draco seguiu Harry até a cadeira. Ele parecia ao mesmo tempo entretido e irritado. "Ah, espere até você ouvir isso," ele disse com uma risada sarcástica. "Isso envolve você também. Tem duas meninas do sexto ano na minha Casa – e eu nem sei o nome delas – mas evidentemente elas nos viram no corredor juntos nessa manhã, e decidiram que nós éramos os pares perfeitos para o Baile Anual."

Harry roncou. Não o Baile Anual novamente. "Eu me lembro delas," ele disse. "As que ficavam rindo. Eu as vi falando com você durante o almoço ontem, também."

"É, bem, elas vieram aqui hoje à noite. Elas acham que nós podemos fazer um encontro-duplo! Eu já tinha dito a Pansy que não a levaria ao Baile esse ano – então eu acho que como vingança, ela deve ter dito que eu estava disponível."

Harry olhou para cima e encontrou o olhar irritado de Draco. Ele alcançou e gentilmente afastou uma longa mecha loira dos olhos do outro, e viu a irritação evaporar quando Draco sorriu, seus olhos brilhando calorosamente com o toque de Harry. Draco o estava olhando novamente daquele jeito que trazia sensações flutuantes dentro dele, e transformava seus joelhos em gelatina. Disponível? Harry sabia então que não queria que aquele olhar fixado em mais ninguém. "Você definitivamente não está disponível, meu querido," Harry disse suavemente, e então ele perdeu o fôlego quando os olhos de Draco se derreteram às suas palavras.

Draco paralisou, seus olhos trancados nos de Harry, aqueles olhos prateados refletindo a surpresa também presente nos de Harry como um espelho. Então ele se inclinou na direção do moreno, jogou os braços envolta de seu pescoço, e deixou sua cabeça cair no ombro de Harry, com o rosto escondido em seu pescoço.

Uau, Harry pensou, também surpreso. Eu acabei de chamá-lo de querido? Ele acariciou o cabelo na nuca de Draco e o segurou apertado. Podia sentir o coração de Draco batendo. Ah, sim, ele pensou nesse momento, com excitação silenciosa. Eu também consigo fazer ele se derreter. Virou a cabeça e cheirou o cabelo sedoso de Draco. Eles ficaram nessa posição por um longo momento e então Harry sentiu, tanto quanto escutou, as palavras que Draco sussurrou contra sua pele.

"Você tem idéia do que acabou de fazer comigo?"

"Sim," Harry sussurrou em resposta. "E eu gosto disso – de saber da reação que posso tirar de você."

"Ninguém nunca me chamou daquilo antes."

Harry massageou as costas de Draco com uma mão por um minuto, então alcançou e bagunçou o cabelo loiro de maneira brincalhona. "Eu posso te chamar de Meu Fofinho, se você preferir," ele sussurrou.

Houve um segundo de silêncio, e então um som de alguém se engasgando em resposta. Draco levantou a cabeça e olhou para Harry, tentando sem sucesso esconder um sorriso com uma expressão de insulto horrorizado. "Eu não vou responder isso," ele disse. Então ele levantou uma sobrancelha, e o sorriso ficou um pouco safado. "Ou talvez você queira que eu te chame de Meu Chuchuzinho, Harry?"

"Ah, Deus me livre!" Harry disse rindo.

Draco riu também, e seus olhos amoleceram. Ele alcançou uma mão, retirando cuidadosamente os óculos de Harry, colocando-os em cima da mesa ao lado do tabuleiro. "Você pediu para eu guardar isso para você – até agora . . ." Então ele se inclinou e beijou Harry vagarosamente e de maneira tenra, como tinha feito naquela primeira noite no corredor.

"Oh," Harry disse quando Draco se afastou, sem ar e quente, mas ainda em um tom brincalhão. "Você tem idéia do que acabou de fazer comigo?"

Draco colocou as mãos nos ombros de Harry e o empurrou para que caísse na cadeira. "Espero que sim," ele disse com um sorriso satisfeito. Então ele caminhou até sua escrivaninha e sentou. Ele virou em sua cadeira por um momento, assistindo Harry colocar seus óculos e pegar seus livros da mochila. Então ele sorriu. "Ei," ele disse. "M-C."

Harry retirou os olhos de sua mochila, franzindo um pouco em confusão. Então ele roncou e rolou os olhos "Eu não vou responder essa," ele disse.

Draco riu. "Rápido com essa tarefa. Nós temos um jogo para jogar."

Harry sorriu. "Então pare de me distrair." Aí ele pausou para dar mais efeito. "M-F."

Eles se olharam por um segundo e então ambos se descontrolaram, dissolvendo em risadas. Finalmente, eles retornaram aos seus livros, mas os próximos minutos foram interrompidos quando um deles involuntariamente soltava um riso.

Em pouco tempo, no entanto, eles se acalmaram em estudo, com Harry olhando para Draco de vez em quando. Ele gostava de ficar aqui, nesse quarto, com o fogo queimando confortavelmente na lareira ao seu lado. E a presença de Draco era confortável e calmante também; Harry gostava de ouvir os sons leves de Draco virando páginas ou o raspar de sua pena no pergaminho enquanto escrevia. Percebeu que conseguia se concentrar no que lia nessas circunstâncias.

Ele tinha terminado tudo menos sua tarefa de Poções, e estava preso tentando entender uma lista complexa de instruções de ingredientes de poções que não fazia sentido para ele, quando Draco empurrou a cadeira para trás e começou a coletar seus livros e pergaminhos. Então Draco foi até seu lado e olhou para baixo, analisando o tabuleiro. Harry levantou o olhar para observá-lo.

Draco virou a cabeça e levantou as sobrancelhas. "Já está acabando?" ele perguntou.

"Quase," Harry disse com irritação. "Só falta Poções – mas eu não entendo nada. É como se fosse um quebra-cabeças –"

Draco sorriu e veio se sentar no braço da cadeira de Harry. Inclinou-se para observar o livro junto com ele. "Não é tão difícil," ele disse. "É só que as poções mais avançadas trazem precauções para ter certeza de que você saiba o que está fazendo antes de começar. Algumas das poções mais perigosas usam quebra-cabeças ou charadas, mas com essa aqui você só tem que conhecer os ingredientes muito bem."

Harry balançou a cabeça. "Bem, esse é problema. Eu nunca sequer ouvi falar desses ingredientes." Ele encarou Draco. "Imagino que você não teve problemas com ela."

Draco riu. "Bem, não," ele admitiu. "Essa foi consideravelmente simples."

"É claro," Harry murmurou. "Então poderia explicar para mim?"

"Talvez," Draco disse com um sorriso. "O que eu ganho com isso?"

"O prazer de me ver provocar o Snape novamente por saber todas as respostas durante a aula," Harry disse, retornando o sorriso. Então ele disse mais seriamente. "E a satisfação de saber que você me ajudou a passar Poções esse ano. Eu realmente preciso da sua ajuda."

Draco fingiu um suspiro dramático. "Bem . . . eu não sei," ele disse com um ar de indiferença. "Isso não é bem o que eu tinha em mente."

Harry o lançou um olhar um pouco desesperado. "Então me ajude a terminar essa tarefa para que você possa usar sua vez no jogo de xadrez. Então você pode fazer o que tiver em mente."

Draco fixou Harry com um olhar intenso e sorriu. "Achei que ia fazer isso de qualquer jeito," ele disse, brincando.

Harry olhou para baixo, corando.

Draco riu dele. "Tá bom," ele disse em rendição. "Vou ajudar." Ele se inclinou para olhar o livro novamente. "Para começar," ele disse, "isso é uma Poção de Refletir Maldições. Está relacionada ao Repelente de Maldições que acabamos de estudar, mas essa poção tem a designação de mandar qualquer maldição direcionada ao usuário de volta ao mandatário." Draco olhou novamente para Harry. "Infelizmente, na prática não é bem assim que acontece. Ela tem o apelido de Escudo-Elástico, porque é muito imprevisível – não tem como controlar como o feitiço irá ser refletido, e alguns duelistas que a tentaram já experimentaram ricochetes horríveis." Ele riu levemente. "Na verdade, houve um caso em que ambos os duelistas a tentaram ao mesmo tempo, e a maldição acabou apagando os dois bruxos, os substitutos e metade das testemunhas. Ela também é um pouco difícil de fazer, e geralmente exige duas pessoas. A poção em si pode ser perigosa, possivelmente até explosiva, se os ingredientes não são preparados e adicionados na ordem correta. É por isso que precauções são utilizadas com os nomes dos ingredientes, para ter certeza que um bruxo tenha certo nível de treinamento antes de executá-la."

"Deus, Draco, como você sabe tudo isso?" Harry perguntou, muito impressionado. "Nada disso está no nosso livro."

"Eu leio outros livros, Harry."

Harry suspirou. "Sim, é claro que lê," ele disse. "Eu deveria ter desconfiado. Tá bom. Conte-me sobre os ingredientes."

Draco sorriu e puxou o livro para mais perto. "O que você tem aqui é uma lista de descrições de ingredientes, ao invés de uma lista de nomes de ingredientes, como é o normal. Você tem que saber os ingredientes bem o suficiente para reconhecê-los pelas descrições ou propriedades principais antes de iniciar a poção." Ele apontou para uma linha na página. "Por exemplo, quando diz Ramos do Acalma-Coração, quer dizer dedaleira, porque essa planta cresce em ramos altos e é muito usada como ingrediente em remédios para o coração."

"Hmm," Harry disse. "Eu sabia disso – da minha aula de Medicina."

Draco balançou a cabeça. "Harry, eu não sei como você pode gostar de Medicina Mágica e não gostar de Poções. É quase a mesma coisa. Médibruxos têm que ser bons mestres de Poções, ou têm que trabalhar junto a um."

"Não é a parte de Poções que eu gosto," Harry disse. "E a maioria do que estou estudando é, bem . . . diferente." Ele abaixou a cabeça para ler o próximo ingrediente da lista. "Ah, ei, acho que sei esse agora. Está dizendo Bola Óptica de Anfíbio. Ah – esse seria o olho de salamandra!" Ele olhou para Draco com um sorriso satisfeito.

"Disse que era simples," Draco disse, sorrindo em resposta. Ele virou e deslizou do braço da cadeira até o colo de Harry, desarrumando os pergaminhos e fazendo o livro cair no chão.

"Draco! O que – eu ainda não acabei!"

"Desculpe. Seu tempo acabou."

"Que tempo acabou?" Harry perguntou, sorrindo e se inclinando contra a cadeira, encarando olhos cinza divertidos.

"O tempo que eu consigo ficar longe sem te incomodar." Os braços de Draco foram ao redor do pescoço de Harry. "Eu nunca consegui te deixar em paz por muito tempo, Harry."

Harry riu. "Eu percebi," ele disse, colocando seus braços ao redor da cintura do loiro.

Por um momento, Draco não respondeu. Então ele disse, "Não, você não percebeu."

"Do que está falando? Eu sempre percebi quando você estava me provocando – você o fazia constantemente."

"Quero dizer, nos últimos três meses, você não percebeu quando eu parei. Eu o deixei sozinho porque Dumbledore me fez prometer. Era um inferno para mim, Harry. Eu sentia tanto a sua falta que não conseguia dormir. Mas quando eu te perguntei sobre isso, no corredor na outra noite, você teve que pensar. Você não percebeu."

Harry observou Draco seriamente, tentando entender a repentina mudança de humor. Harry não viu raiva nos olhos do outro garoto, apenas algo distante, algo um pouco triste. "Eu sentiria sua falta agora," Harry disse suavemente.

"Por quê?" Draco perguntou. Então rapidamente adicionou, "Não, não responda isso." Ele se afastou um pouco e se levantou do colo de Harry. Ele se abaixou, pegou a tarefa de Poções de Harry e a entregou a ele. Então ele parou sob o tabuleiro e fez um movimento. "Peão para A4. Termine sua tarefa, Harry. Quando terminar, quero conversar sobre algo."

Harry observou Draco se afastar, andando até sua janela e a abrindo. Então em uma ação rápida e graciosa, Draco colocou as mãos na beira e pulou para sentar ali. Virou-se de lado, abraçou as pernas e olhou para fora. Ele deve fazer isso sempre, Harry pensou, notando a familiaridade do movimento. Olhou para seu livro de Poções e recolheu os pergaminhos do chão. Olhou novamente para Draco. Havia algo de inexplicavelmente solitário na maneira em que estava sentado ali.

Por algum motivo, Harry nunca tinha imaginado Draco como sendo solitário. Ele não tinha sempre pessoas o seguindo por aí, especialmente Crabbe e Goyle? Não era ele sempre o centro das atenções em todos os lugares que ia, mesmo se a atenção fosse negativa? Pelo menos Harry sempre achou que os Sonserinos o idolatravam. Mas agora, ele se perguntou se algum deles realmente já teve a atenção de Draco, se já haviam o tocado. Talvez Draco sempre fora sozinho por dentro, apesar de estar rodeado de colegas adoradores. Sozinho e desejando estar comigo, Harry pensou. "Eu sentia tanto a sua falta que não conseguia dormir. Mas você não percebeu." Como ele iria terminar a tarefa agora?

Retornou a atenção para seu livro de qualquer jeito, e tentou se concentrar. Quanto antes terminasse, mais cedo ele poderia descobrir do que tudo isso se tratava. Conseguiu descobrir mais quatro ingredientes antes de chegar a um do qual não tinha idéia. "Draco?" ele disse cautelosamente. O loiro virou um pouco em sua direção. "O que é Líquido de Cavaleiro Noturno?" Harry perguntou.

"Saliva de tatu-bola," Draco disse, virando novamente para olhar pela janela.

"Er," Harry disse. "Eu . . . não entendi. Bem, entendo que o líquido é a saliva, mas não a outra parte."

Draco encostou a cabeça na parede. "Tatus são animais noturnos," ele disse em um tom de voz baixo e difícil de ouvir. "Eles têm uma armadura protegendo seus corpos, como um cavaleiro."

"Ah," Harry disse. "Entendi . . . eu acho . . . obrigado . . ."

Draco moveu um ombro e virou para a janela.

Harry conseguiu terminar o resto o melhor que pôde, sua concentração estraçalhada pelo comportamento distante de Draco. Finalmente, ele enrolou seu pergaminho e colocou o material em sua mochila. Então se levantou e cruzou o quarto até a janela. "Terminei," ele disse quietamente. Encostou-se na parede e colocou um braço na beira da janela. Draco puxou suas pernas mais para perto, abrindo espaço. Deus, até os pés dele são bonitos, Harry pensou, e ele queria tocar Draco, retomar a proximidade deles, mesmo que de uma maneira pequena. Ele alcançou tentativamente e colocou uma mão levemente no pé descalço de Draco, surpreso ao sentir como estava quente, apesar do ar da janela estar gelado. Sentiu Draco se assustar com seu toque, mas sem se afastar. Após um segundo, uma das mãos pálidas e delicadas de Draco vieram a descansar em cima da mão de Harry. E, Harry pensou, ele tem mãos bonitas. Ele é elegante até os ossos. Harry levantou o olhar, encontrando os olhos de Draco. "Você disse que queria conversar . . ." ele começou gentilmente.

Draco retirou sua mão da de Harry, e ele puxou seu pé do toque do moreno também. Saltou da beira, virando-se para encará-lo. "Estou cansado," ele disse suavemente. "Eu não durmo a várias noites, e . . . eu . . . eu não estou acostumado a falar desse jeito com ninguém. É difícil e . . . machuca. Estou exausto." Ele pausou por um momento, então continuou hesitantemente. "Eu estava pensando que talvez . . . se não se importar . . ."

Harry fechou os olhos, sentindo-se horrível, achando quem Draco iria pedir que fosse embora.

". . . eu poderia me deitar enquanto conversamos. Você não precisa . . . você pode sentar na ponta da cama se preferir."

Harry abriu os olhos e retornou o olhar curioso de Draco. Draco não estava pedindo que se retirasse? "Não, eu . . . eu não me importo," Harry disse calmamente.

Draco virou novamente e fechou a janela. Então ele desviou Harry e caminhou até sua cama. Deitou-se no meio e esticou suas costas, com as pernas cruzadas nos tornozelos, um braço caindo levemente em seu estômago, o outro cobrindo seus olhos.

Harry o observou por um momento, e então andou até a cama, sentando-se na ponta. Não sabia o que mais poderia fazer. Retirou seus sapatos, puxou seus pés para sentar de pernas cruzadas, e esperou.

"Harry. . . eu . . ." Draco começou com uma voz baixa. "Eu pensei muito. . . noite passada, depois que foi embora. O que aconteceu naquela noite passou longe das minhas expectativas. Eu nunca esperava que você me perguntasse sobre aquele beijo, ou quisesse ficar comigo daquele jeito. . . não depois de tudo que já fiz, apesar de eu ter mudado. Eu esperava que você me fizesse perguntas sobre meu pai, sobre Comensais da Morte e magia negra." Ele pausou para respirar fundo. "Eu realmente não sei de muita coisa. Meu pai nunca confiou inteiramente na minha. . . lealdade aos seus interesses, porque eu ficava evitando as coisas que me mandava fazer. . . mas o que você quiser saber. . . eu falo."

Ah, merda, Harry pensou. Ele estava tão cansado desse assunto, das perguntas incessantes que tinha que agüentar de todo mundo, da guerra que nunca aconteceu, mas aguardava em cima deles como uma nuvem negra, e de como ela escurecia seu futuro. Estava tão cansado de tudo. Ele fechou os olhos e tentou controlar a frustração profunda que o apossava, sentindo que esse era um assunto que tinha que passar entre eles, não podia ser ignorado por mais que ele quisesse que fosse. Finalmente disse, "Eu não quero saber de nada, Draco." Sua voz saiu baixa, cansada e um pouco brava. "Eu não sou um informante para o Ministério da Magia. Se você tem informações de importância para eles, terá de lhes dizer sozinho. Eu só quero ficar fora disso – então não se preocupe – esse é um assunto em que não quero entrar."

Draco se sentou vagarosamente, seu cabelo caindo em seus olhos. Ele franziu as sobrancelhas. "Mas eu preciso falar sobre isso, Harry. Não tem mais ninguém com que possa conversar – e eu não consigo. . ." Ele pausou e olhou para suas mãos. Então disse quietamente. "Você não quer –"

"O que?" Harry interrompeu, liberando sua frustração. "Ser um herói? Ser morto duelando Voldemort? Não, não quero. Estou farto de tudo isso. Não quero fazer parte de nada disso se puder."

Draco encarou Harry com susto, então resolutamente continuou sua frase, " – saber se eu fui forçado a me tornar um deles? Um Comensal da Morte? Com a Marca Negra?"

Harry olhou para Draco, sua raiva sumindo completamente para dar lugar à ânsia em seu estômago. Ele olhou para os braços de Draco, os quais estavam, como sempre, cobertos. Harry não conseguia se lembrar de ter visto Draco em nada além de camisas de mangas cumpridas ou suéteres. Ah Deus, não. Ele encarou os olhos assombrados de Draco. "Você foi?" ele sussurrou. Por favor, não diga sim.

"Sim."

Não não não. Harry sentiu várias coisas surgirem nele. Mais do que nada, sentia raiva e repulsão em pensar que o corpo perfeito de Draco fora desfigurado com aquela marca maldita. Se eles fizeram isso, ele iria lutar. Harry observou com um sentimento crescente de horror e apreensão enquanto, como em câmera lenta, Draco pegou a ponta de seu suéter e o retirou. Os braços de Draco saíram vagarosamente das mangas, um de cada vez, ambos pálidos, macios e intactos. Harry encarou Draco com alívio e então confusão. Ele estava brincando? Mas não, os olhos do Sonserino continuavam completamente sérios.

"Ela está ali," ele disse suavemente. "Você só não consegue ver." Ele cruzou os braços na frente de seu peito nu, suas mãos abraçando os próprios ombros, e arrepiou-se. "Está dentro de mim," ele disse, sua voz quase inaudível, "e. . ."

Harry encarou Draco, lutando com emoções conflitantes, esperando que continuasse.

Draco repentinamente deixou seus braços caírem em seu colo. "E nós não podemos continuar, Harry. . . eu não posso continuar. . . o que está acontecendo entre nós, a não ser que eu tenha certeza de que você saiba o que eu sou. E que depois você ainda me queira." Ele abaixou a cabeça. "Se você ainda me quiser. . ." Ele respirou fundo e levantou a cabeça para observar Harry. "Nesse exato momento, eu não entendo porque você quer ficar comigo."

Harry desviou o olhar. Eu também não entendo. Ele esticou suas pernas e se levantou. Estava ciente do olhar curioso de Draco o seguindo, observando-o através de cílios longos. Ficou levantado com as costas viradas para a cama por um momento, e então virou para olhar para Draco. Sentado parcialmente na sombra das cortinas da cama e parcialmente no brilho da luz acesa, Draco parecia uma escultura, perfeito, e infinitamente desejável, seu corpo esguio parecendo ser feito de mármore e ouro, luz e sombras. A lista das coisas que Harry tinha dito a Rony antes veio à sua mente. Engraçado. . . inteligente. . . bonito. . . Deus, no momento impossivelmente bonito seria uma expressão mais correta. Mas essas eram coisas fúteis que não tinham nada a ver com a realidade profunda que Harry estava sentindo, um sentimento de que não tinha certeza que conseguia explicar. Sentiu-se surpreso pelo que Draco estava lhe oferecendo. E por que Draco queria ficar com ele? Ele não era tão inteligente e também não era, definitivamente não era, tão bonito. "Eu poderia fazer a mesma pergunta," ele disse finalmente, com um tom gentil, não acusatório. "Eu também não entendo por que você quer ficar comigo."

Draco soltou um som de frustração e voltou a se deitar, olhos fechados, seus braços cruzados levemente, com a face virada na direção oposta de Harry. Parecia um gesto de cheio de exaustão, fuga, e pura espera, a tensão de sentimentos não verbalizados suspensa entre eles como um vão pedindo para ser preenchido.

Harry observou Draco do outro lado da cama. Outra pessoa, de outros tempos penetrou sua visão brevemente, o passado se misturando com o presente. Por um momento ele congelou, temeroso de que fosse se perder naquela dor novamente, mas havia muito pouco poder naquela imagem agora, e ele percebeu que ela não era difícil de dissolver. Não podia deixar o medo de se machucar ficar entre ele e o que deveria fazer agora. O que ele sabia era que iria se arrepender para sempre se não o fizesse. Colocou um joelho e ambas as mãos na cama e se inclinou para que enxergasse Draco. "Draco," ele sussurrou.

Draco virou a cabeça vagarosamente e abriu os olhos.

Harry quase desviou o olhar da solidão que estava óbvia naqueles olhos cinza. "Eu não consigo explicar," ele disse. "Não consigo encontrar razões. Mas eu posso te dizer com certeza absoluta que quero estar aqui. Que quero fazer isso." Ele calmamente se deitou na cama ao lado de Draco, deixando seu braço escorregar para baixo da cabeça de Draco para abraçar seus ombros, puxando o outro garoto gentilmente para mais perto. "E eu quero escutar o que for que queira me dizer."

Draco se virou de lado e se entregou ao abraço de Harry. Encaixou-se no lado de Harry, deitando sua cabeça no ombro do moreno.

Harry colocou seus braços ao redor de Draco, e perdeu o fôlego quando suas mãos deslizaram até a pele nas costas do loiro, pele que era quente e aveludada sob seu toque. Ele alcançou e acariciou o cabelo na nuca de Draco, e sentiu Draco suspirar e relaxar junto a ele. Sentiu a mão de Draco se mover para desabotoar sua camisa, começando no pescoço e descendo, pressionando cada botão contra ele por um segundo, segurando-o até conseguir retirá-lo usando apenas uma mão. Então aquela mão quente estava deslizando dentro de sua camisa, descansando em seu peito, dedos gentis acariciando a curva de seu ombro e seu pescoço.

"Harry?" Draco sussurrou. "Tem algo que preciso saber."

Harry virou para que seus lábios encostassem o cabelo de Draco. "O que é?" ele sussurrou em resposta,

"Na noite passada, você agiu como se nada estivesse errado entre nós. Mas ambos sabemos que eu fiz e disse várias coisas dolorosas. Como você pode apenas ignorar isso – como pode agir como se elas nunca tivessem acontecido?"

Harry ficou em silêncio por um momento, pensando. Draco estava certo, ele tinha ignorado completamente o passado entre eles. "Eu não sei," ele disse calmamente, "mas, de alguma maneira, e eu imagino que foi enquanto eu pensava em você na aula de Binns na manhã passada, quando eu finalmente percebi que aquele beijo era real, que você estava sendo sincero quanto a tudo que me disse naquela noite no corredor, foi como se nada que aconteceu no passado importasse."

Draco se mexeu um pouco, pressionando sua face no pescoço de Harry. "Eu estou com medo," ele disse muito suavemente, "de que em algum momento, talvez amanhã, talvez semana que vem ou daqui a um ano, você se lembre de algo que eu fiz, e mude de idéia novamente."

Harry o abraçou e sorriu. "Não, eu duvido que isso vá acontecer. Se eu fizesse isso, eu teria que mudar de idéia em relação a ficar assim com você, e. . . eu gosto muito disso." Harry inclinou sua cabeça e deitou sua bochecha no topo da cabeça de Draco. "Na verdade, é engraçado, mas isso é a única coisa que me perturbou. Eu fiquei completamente neurótico no começo, quando percebi que me sentia atraído a você. Mas talvez nós sempre nos sentimos assim, e éramos muito novos para entender o que significava – então nós reagimos através de socos e chutes. Sei lá – eu sempre me senti tão frustrado com você, porque você não era o que eu queria que fosse, porque eu não podia gostar de você."

"E eu me magoava porque você não gostava de mim."

"Então faz sentido, eu acho, que toda aquela frustração e dor se transformaram em raiva entre nós. Eu cheguei até a realmente te odiar por um tempo – depois do que disse sobre Cedrico no trem depois que ele morreu."

"Deus, Harry, foi um milagre você não ter morrido com ele. Quando Dumbledore deu a notícia, quando eu percebi quão perto você esteve da morte, eu fiquei tão chocado que não conseguia me mover. Eu me lembro estar vagamente alerta de que as pessoas na minha mesa copiaram meu exemplo e também ficaram sentadas, e eu fiquei grato porque me deixou disfarçar minha reação."

Draco se apoiou em um cotovelo e encarou Harry. "É por isso que eu disse aquilo no trem," ele explicou quietamente. "Temi por você, Harry. Eu não queria que você morresse. Mas eu também não queria que ninguém soubesse disso. Então eu achei que podia ir até sua cabine e xingá-lo como sempre, agir como se não me importasse. . . mas eu não consegui manter o ato. Estava furioso com você por escolher o lado errado, por se colocar em tamanho perigo, por se unir às pessoas que seriam os primeiros alvos. Eu ficava pensando que se você tivesse sido meu amigo, estaria a salvo."

Ele suspirou e deitou novamente, aconchegando-se ao lado de Harry e escorregando um pouco para deitar sua cabeça no peito do moreno. "Foi depois disso, durante aquele verão e depois," ele disse após um minuto, "que eu comecei a entender que talvez eu sentisse mais por você do que pensava. Foi também nessa época que comecei a ver meu pai sob uma nova luz. Ele mudou também, depois que Voldemort voltou. E eu comecei a ver que talvez eu fosse quem escolheu o lado errado." A mão de Draco entrou mais para dentro da camisa de Harry. "Eu tinha que ser cuidadoso, no entanto, para não deixar que ele percebesse." Ele ficou quieto por um longo momento. "É sua vez, Harry," ele disse suavemente.

Harry apertou seus braços ao redor de Draco e pensou por um momento. "Bispo para D6," ele disse finalmente. "Conte-me o que quis dizer sobre a Marca Negra, por que disse que ela estava dentro de você?"

"Porque ela é o motivo de eu ter nascido," Draco disse em um tom revoltado. "É o futuro que foi escolhido para mim. Eu deveria ser a pequena duplicata perfeita de Lúcio Malfoy, para continuar sua vida, seus planos. O objetivo maior de meu pai nessa vida foi me ter para que eu virasse um Comensal da Morte. Desde que consigo me lembrar, meu pai mencionava isso, descrevia a cerimônia, me dizia inúmeras vezes como eu deveria agir, como eu não podia mostrar medo, ou reagir à dor. Desde que Voldemort voltou, ele me testa constantemente, tentando me acostumar à dor, para que eu não o envergonhe na frente do Lorde das Trevas."

"O que está dizendo, Draco? Ele bate em você?"

"Ah não," Draco disse com uma risada fria. "Ele nunca faria algo tão sujo como me tocar. Já teve a Maldição Cruciatus usada em você, Harry?"

"Sim," Harry disse, amortecido. Oh Deus. "Voldemort usou, duas vezes. Draco, seu próprio pai fez isso a você?"

"Mais do que duas vezes. Meu pai sempre foi um homem ocupado demais para se incomodar comigo. Ele me deixava ser mimado, ria quando eu aterrorizava os elfos-domésticos. Ele fazia questão que eu soubesse o que era esperado de mim como um Malfoy, demandava as melhores notas, mas não tomava muito interesse ativo em fazer coisas comigo. Mas ele também podia ser intolerante e imprevisível, e lançar uma maldição proibida em mim às vezes era sua idéia de piada, ou ele ficaria enraivecido com algo trivial e lançá-la em mim como castigo. Depois que Voldemort voltou, no entanto, ele começou o treinamento com Magia Negra. E não importa, Harry, quantas vezes você ficou sob aquela maldição. Você nunca, nunca, se acostuma."

"Mas e sua mãe, Draco. Com certeza ela – "

"Não sabia, não se importava – não faço idéia. Para ser justo, ela provavelmente se importava quando eu era pequeno. Eu tenho algumas memórias que são boas. Mas nos últimos anos minha mãe tem sido. . . bem, indiferente a tudo. Eu sei que soa horrível, e eu não digo isso nesse sentido, Harry, mas às vezes, nos últimos dois anos, eu tenho desejado ser você – que meus pais estivessem mortos ao invés dos seus."

Harry não conseguiu pensar em nada para dizer. Isso era além de horrível. Ele ficou parado, segurando Draco o mais apertado possível, deixando o silêncio e a distância do que havia sido dito descansar entre eles. Finalmente, ele sussurrou. "Sinto muito." Ele sentiu o braço de Draco apertá-lo, um abraço silencioso em resposta, e fez o mesmo.

"Cavalo para D6," Draco disse após um momento. Ele retirou sua mão da camisa de Harry e puxou o colarinho. "Tire isso," ele sussurrou.

Harry não se mexeu por um momento, então ele vagarosamente sentou-se, retirando um braço de sua posição em torno de Draco. Draco se sentou também. Harry se bagunçou tentando desfazer os botões do final em que Draco ainda não tinha chego, os tremores em suas mãos tornando o trabalho difícil. Finalmente, ele retirou a camisa e a jogou no chão do lado da cama.

"Esses também," Draco disse, sua voz ainda um sussurro, enquanto ele levemente tocava os óculos de Harry.

Harry os retirou, dobrando-os, e se inclinou ao lado da cama para colocá-los cuidadosamente em cima de sua camisa. Sentou-se e encarou Draco, seus olhos se encontrando, verde e cinza-prateado derretendo juntos em um silêncio trêmulo de antecipação.

Draco alcançou a mão de Harry, entrelaçando seus dedos. "Eu nunca fiz nada assim com alguém," ele disse com uma voz suave e surpresa. Ele abaixou os olhos, e então colocou sua outra mão no ombro de Harry, deslizando seus dedos muito vagarosamente, levemente, pelo topo do ombro nu de Harry até sua nuca, acariciando o cabelo que encontrou ali.

Harry fechou os olhos e se deixou ser levado pela gentileza tentadora daquele toque. Ele apertou a mão que segurava como se ela fosse a única âncora em um mar de ondas tumultuosas de sentimentos. Sentiu o colchão embaixo de si se mexer um pouco, sentiu o calor do corpo de Draco tão próximo a si, então Draco estava se inclinando sobre ele, e Harry segurou a respiração quando um tremor excitado passou por si.

Draco pressionou um beijo leve na frente da orelha de Harry, então descansou sua testa no lado da cabeça do grifinório. "É tão bom te tocar, Harry," ele sussurrou na orelha do moreno. "Eu nunca senti nada assim."

"Eu também não," Harry sussurrou em resposta. Ele virou a cabeça e encontrou a boca de Draco com a sua em um momento tenro e quente. A mão que Harry segurava foi retirada da sua e deslizou ao redor de sua cintura, enquanto a outra mão em sua nuca subiu para tocar seu rosto, dedos deslizando atrás de sua orelha, por sua mandíbula, a palma quente vindo descansar em sua bochecha, o chamando gentilmente para aprofundar o beijo.

Harry colocou sua mão nas costas de Draco e o puxou para perto de si. Draco estava tão quente e perfeito em seus braços quando seus corpos se juntaram. E Harry experimentou novamente aquela sensação tão simples, e mesmo assim profunda, de que alguma parte dele que estava perdida estava agora aqui, encaixada perfeitamente em seu lugar. Aquela sensação de estar completo o invadiu de todos os lugares. Do jeito que a boca de Draco estava se movendo gentilmente com a sua, do corpo de Draco pressionado tão solidamente contra o seu, preenchendo seus braços tão perfeitamente. Tudo estava preenchendo espaços vazios dentro dele, melhorando suas dores, a aura boa dessa sensação penetrando nele até os ossos.

Harry se rendeu completamente a essa sensação, e a esse beijo. Apertou seus braços ao redor de Draco, sentindo como se esses lábios fossem tão necessários junto aos seus como o ar que respirava. Então a língua de Draco estava provocando seu lábio inferior, e Harry abriu sua boca àquela doce invasão.

Draco finalmente afastou-se, seu nariz tocando o de Harry em uma carícia amorosa. Ele beijou Harry novamente e abriu os olhos. "Deus, Harry," ele sussurrou em um suspiro trêmulo.

Harry abriu os olhos e os olhares deles se encontraram profundamente por um longo momento. Os olhos de Draco eram pura prata líquida na luz. Harry sentiu sua face corar com a afeição que viu naqueles olhos, e ele não conseguia desviar o olhar, preso na sensação de conexão que fez seu pulso acelerar. Ele se deitou vagarosamente, puxando Draco com ele.

Draco se acomodou na mesma posição de antes, deitando ao lado de Harry, com a cabeça no ombro do outro garoto. "Sua vez, Harry," ele disse com uma voz doce e sem fôlego. "Eu peguei seu Bispo. Você está em cheque."

O coração de Harry estava batendo forte. Cheque? Ele mal conseguia pensar. O toque de Draco, mesmo o mais leve, era como fogo em sua pele nua. Ele estava ciente de todos os lugares que estavam se tocando. O braço de Draco estava sobre seu peito e a mão dele se curvava em sua cintura, os braços de Harry estavam massageando as costas de Draco. Sentiu a mão em sua cintura se mover, dedos trilhando vagarosamente para baixo, deixando chamas em seu caminho enquanto levemente tocavam costelas, deslizando gentilmente pelo seu peito até seu pescoço, para finalmente alcançarem seu cabelo.

Harry fechou os olhos e apreciou todos os milhares de sentimentos que tinha por Draco estar deitado ao seu lado. A textura impossivelmente macia de pele em pele, o calor pressionado em seu corpo, confortando-o e eletrificando-o, a respiração em seu pescoço, o batimento de um coração em seu lado, a pressão de uma mão, de um joelho subindo e descendo pela sua coxa, um pé se curvando embaixo de sua perna. Não tinha idéia de onde suas peças estavam, ou que movimento fazer a seguir, e ele não ligava. "Não quero me mexer," ele sussurrou.

Harry levantou sua mão para acariciar o cabelo de Draco, e então começou a passar os dedos entre os fios sedosos, colocando mechas atrás da orelha de Draco e atrás de seu pescoço. "Deus, Draco," ele murmurou após alguns minutos, "eu amo seu cabelo. Ele tem que ser a coisa mais macia que eu já toquei." Ele suspirou e se mexeu para descansar sua bochecha no topo da cabeça de Draco. "Eu odeio meu cabelo – é tão horrível." Ele sentiu os dedos em seu cabelo se moverem e um sussurro em seu pescoço.

"Não é não. Eu gosto dele. Seu cabelo é macio também, e o jeito bagunçado dele é fofo."

Harry sentiu sua face corar com o inesperado elogio. Deixou seus dedos trilharem as costas de Draco do topo de seu jeans até sua nuca.

Draco pressionou seu nariz no pescoço de Harry. "Ainda é sua vez, Harry."

Harry suspirou. "Eu não consigo jogar xadrez assim," ele disse quietamente. "Eu não sei o que mover." Correu seus dedos pelo cabelo de Draco novamente. "Se você quer que eu jogue, terei que levantar e olhar o tabuleiro."

Draco apertou seus braços ao redor de Harry. "Não, não levanta," ele disse com um pequeno arrepio, enquanto os dedos de Harry iam de cima a baixo em suas costas. "Apenas pegue meu Cavalo."

"Com o que?" Harry sussurrou.

"Peão para D6," Draco sussurrou em resposta. "Aí você não estará em cheque."

Harry ficou parado, exceto pelos movimentos leves de sua mão que acariciava o cabelo e as costas de Draco. Draco colocou sua mão em cima de seu coração, dedos curvados em sua garganta. Deitar desse jeito trazia a sensação mais gentil e maravilhosa que já sentira. Harry percebeu repentinamente que não queria procurar explicações complicadas para o motivo de eles estarem juntos. Apenas essa sensação era explicação o suficiente.

"Peão para D6," Harry finalmente disse. Ele respirou fundo. "Você me perguntou por que eu queria ficar com você, e eu disse que não conseguia explicar. Mas talvez eu consiga agora – pelo menos um pouco." Ele pausou novamente, pois era importante colocar isso da maneira correta. Então continuou falando vagarosamente, como se estivesse pensando enquanto falava. "Ficar com você. . . assim. . . faz eu me sentir como sempre quis. Eu apenas não sabia o que era até agora. Eu não gosto de ficar sozinho, mas não acho que eu já tenha realmente pertencido a alguém antes. Meus tios sempre me odiaram porque eu sou um bruxo, então toda a minha vida eu recebi gritos, vivia quieto em um armário, ou semi-faminto. Eu não acho que tenha sido abraçado antes de vir aqui. E," ele adicionou suavemente, "eu nunca senti nada como isso."

Ele continuou acariciando as costas de Draco. "Eu gosto muito disso, Draco. É uma pena que nós brigamos todos esses anos. Sinto muito por ter demorado tanto para entender o que você – ou talvez o que nós dois estávamos sentindo." Harry suspirou quando Draco abraçou seu pescoço. "Mas eu me sinto mais próximo de você do que com qualquer outra pessoa na minha vida, porque eu acho que você entende como é ser sozinho." Ele pausou por um momento. "Ficar com você faz eu me sentir muito bem. Parece que nós. . . pertencemos um ao outro e. . . eu não quero mais ficar sozinho. Eu quero –"

Harry parou de falar quando sentiu tensão em Draco, e os braços em seu pescoço apertaram consideravelmente. Então ele sentiu um arrepio correr pelo outro garoto, e Draco enfiou seu rosto no pescoço de Harry. Então Harry percebeu com um susto, que a face de Draco estava molhando sua pele, e que mais lágrimas quentes estavam caindo, criando caminhos úmidos em seu pescoço. Harry percebeu isso apenas um segundo antes de um soluço escapar da garganta de Draco. "Draco?" Harry sussurrou. Ah Deus. "O que foi? Eu disse alguma coisa errada?"

Foram vários minutos depois que Harry ouviu a resposta à sua pergunta. "Nada. . . errada," veio a resposta quebrada, "tão. . . certa."

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Draco estava deitado nos braços de Harry. Podia sentir o batimento forte do coração de Harry em seu peito e pescoço. O grifinório estava acariciando seu cabelo em sua nuca e correndo sua mão pelas suas costas. Era o paraíso ser tocado desse jeito, e o que era ainda mais incrível era que era Harry, a única pessoa que ele tanto queria, mas acreditava que nunca teria, que o estava tocando desse jeito, acariciando-o, amando-o. Ninguém em sua vida havia realmente o tocado, muito menos desse jeito. Draco estava hipnotizado, desfeito, e despreparado para a profundeza de sua reação a esse toque, esse abraço.

E Harry estava dizendo coisas que o tocavam de uma maneira completamente diferente, palavras que estavam encontrando um jeito de derrubar todas as suas barreiras, palavras que o alcançavam e caíam como água fresca nos lugares nus, secos e intocados de sua alma, enchendo-o até o ponto de inundação. Com cada toque, cada palavra, suas paredes iam caindo, ele se sentia comovido além de palavras, e viu para sua completa humilhação que sua garganta tinha se fechado com dor, e ele estava quase chorando. Segurou as lágrimas pelo máximo que pôde, mas as palavras de Harry, "parece que nós pertencemos um ao outro . . . eu não quero mais ficar sozinho," arrancaram a última pedra de sua muralha.

Draco escondeu seu rosto no pescoço de Harry e deixou as lágrimas virem. Não tinha nada que podia fazer para pará-las. Ele mal conseguiu responder a pergunta de Harry, e então deitou em seus braços e chorou. Não conseguia se lembrar de uma única vez que tenha chorado, mas estava agora. Tremendo com dor e vergonha dos soluços que desesperadamente tentou segurar, abraçou Harry e as lágrimas se despejaram. Todos os pontos duros de seu coração que tinha construído para lidar com a vida em sua casa haviam dissolvido sob as carícias gentis de Harry, suas palavras doces e toque tenro. Draco não tinha mais nenhuma defesa para segurar a avalanche de dor que se acumulava nele e inundava, procurando saída.

Como não tinha percebido que queria isso, o quanto queria isso, até necessitava? Ele havia escondido até de si mesmo. Sabia que amava Harry, mas até esse momento, não tinha entendido realmente o porquê. Será que era isso o tempo todo? Será que viu em Harry uma pessoa que poderia lhe providenciar a combinação perfeita de compreensão, força, e carinho? Apenas Harry conseguia enfrentá-lo, no mesmo nível que o dele, nunca desistindo, encarando-o sem medo, e ainda podendo dizer "Eu consigo enfrentar muito mais que isso de você, Malfoy." Apenas Harry iria ficar e bater na porta que fora fechada em sua cara. Draco não conseguia resistir à gentileza de coração que isso implicava. Pura gentileza era algo que Draco nunca tinha conhecido. Em Harry, encontrou um poço profundo de gentileza, e queria se afogar nele, afundar até o fundo e nunca voltar.

E Harry ainda estava falando, dizendo palavras que Draco não conseguiu captar, palavras que eram relaxantes e confortantes, acalmando-o apesar de não entendê-las. Começou a relaxar, e as lágrimas, e até mesmo a dor em sua garganta, finalmente desapareceram, e o sono que ele havia segurado há tanto tempo imperceptivelmente o alcançou. Seu último pensamento consciente foi de ser abraçado, tão perfeitamente, no lugar em que mais pertencia. Havia uma paz quieta em seu coração que nunca imaginou que iria sentir, e então estava dormindo profundamente.

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Harry foi pego completamente despreparado quando as lágrimas começaram a cair. De início, elas o assustaram bastante, mas ele continuou a segurar Draco, murmurando qualquer coisa calmante em que conseguiu pensar. Então Harry conseguiu sentir a exaustão no outro garoto, lembrando-se o que Draco havia dito anteriormente quanto à sua falta de sono. E Harry percebeu que sabia exatamente o que fazer a respeito disso. Ele estava trabalhando com a Madame Pomfrey desde o ano anterior em mágica de cura sem varinha, e foi nesse aspecto de Medicina Mágica em que ele descobriu seu maior talento, e a possibilidade de trabalhar com algo que amava.

Ele ficou deitado por um momento, concentrando-se, expandindo sua percepção consciente para incluir a força da energia mágica que fluía dentro de si, envolvendo-o em uma aura de poder. Essa aura colorida circulava todos os bruxos, apesar da maioria não conseguir percebê-la, e pouquíssimos conseguiam vê-la. Harry havia descoberto, para sua alegria, que, se conseguisse se concentrar na luz correta, ele era um desses pouquíssimos. E através de longas horas de treinamento com a Madame Pomfrey, ele aprendeu a direcionar e utilizar conscientemente essa energia para a cura.

Concentrou-se agora, tocando o centro profundo da magia dentro de si e transferiu essa energia para suas mãos enquanto gentilmente massageava as costas de Draco. Ele murmurou as palavras de um feitiço calmante e então outro para induzir o sono, mantendo sua voz calma. Quase imediatamente ele sentiu Draco começar a relaxar, e logo as lágrimas pararam, e Harry sentiu aquele relaxamento gradualmente se aprofundar em sono.

Continuou a segurar Draco por um tempo, mesmo após estar certo de que o outro garoto estava dormindo, só para poder ficar um pouco mais com ele, saboreando o sentimento de puro contentamento que sentia. Ele parecia se esticar entre eles, unindo-os, até que Harry sentiu não existir barreiras entre eles, que ele e esse garoto nos seus braços eram uma só pessoa.

Foi enquanto estava deitado desse jeito que percebeu as faíscas. Na luz fraca em que as cortinas da cama criavam uma sombra sobre eles, e onde as mãos de Harry se moviam enquanto tocava Draco, ele deixava uma trilha de pequenas faíscas douradas, como faíscas de eletricidade estática, mas essas eram definitivamente de origem mágica. Elas seguiam seus movimentos como minúsculos cometas, criando pequenos círculos de luz dourada dançante sobre a pele pálida de Draco, e então sumindo. Ele imaginou que elas deviam ser um efeito da mágica que acabara de fazer, apesar de nunca ter ouvido falar de nada similar em seu estudo de energia de auras mágicas. Mas como não tinha aprendido tudo ainda – definitivamente teria que perguntar à Madame Pomfrey.

Pensando nisso o lembrou que tinha aulas amanhã e que deveria ser muito tarde. Ele realmente tinha que ir para seu quarto e dormir um pouco. Era tão difícil ir embora, mas Draco precisava descansar, e Harry não queria ficar sem convite. Finalmente, ele se retirou de Draco, tomando cuidado para não acordá-lo, e levantou-se. Pegou sua camisa e seus óculos, colocando-os de volta. Observou Draco enquanto terminava de abotoar sua camisa.

Deitado ali, adormecido, Draco parecia incrivelmente frágil, e tão adorável de quebrar o coração. Parecia impossível ter passado seis anos brigando com essa pessoa. Um profundo sentimento de afeição se apoderou de Harry, e ele desejou que pudesse ficar. Por um breve momento, considerou retirar os jeans de Draco, para deixá-lo mais confortável, mas imediatamente abandonou a idéia, muito envergonhado para colocá-la em prática. Ele gentilmente puxou as cobertas de baixo de Draco para cobri-lo. Draco se mexeu um pouco, mas Harry colocou uma mão em seu ombro, e ele suspirou profundamente e se acalmou.

Harry se inclinou e gentilmente retirou uma mecha de cabelo da testa de Draco, suspirando. Então ele se levantou, incerto se Draco iria querer as cortinas fechadas, mas decidindo fechá-las. Por fim, apanhou seus sapatos e cruzou o quarto para ficar na frente do tabuleiro. Ele estudou o tabuleiro por vários minutos, e então, ainda pensando, sentou-se na cadeira e colocou seus sapatos. Quando estava certo da seqüência que jogaram, cuidadosamente fez os quatro movimentos da noite, removendo seu Bispo e o Cavalo de Draco do jogo. Finalmente, pegou sua mochila, retirou sua varinha do bolso lateral e disse o feitiço para apagar as luzes. Então retirou sua Capa da Invisibilidade e, vestindo-a, saiu do quarto.

Ele não correu dessa vez, andando quietamente e deliberadamente de volta ao seu dormitório. Tinha muito em que pensar. Estava descobrindo que ele e Draco eram parecidos em muitas maneiras, que eles tinham muito em comum. Mas também estava vendo que eram vastamente diferentes em suas naturezas emocionais, e estava começando a perceber que apesar do comportamento hostil de Draco ter mudado, um relacionamento com ele sempre seria cheio de altos e baixos emocionais. Draco era mercúrio, o raio branco e quente em um céu trovejante que repentinamente virava uma chuva quente e gentil, e então tempestade novamente.

Mas Harry sentia certa excitação com isso. Sua própria natureza era mais constante, precisando de uma faísca de fora para incentivá-lo. E sempre foi Draco, mais do que qualquer outro, que havia arrancado tantos sentimentos dele. Draco era faísca e chamas; Harry era a rocha que é esquentada pelo fogo e o controla, sem se queimar. Para Draco, Harry era a terra sólida, forte, firme, e relaxante, absorvendo o raio, tomando a chuva e em troca, crescendo.

Suas diferenças se balanceavam. Campos verdes brilhantes encontrando céus cinza aveludados. Harry nunca sentiu um sentimento maior de querer pertencer a alguém, como estava sentindo hoje. Então era o início, esse balanço, essa compreensão crescendo entre eles, de algo que Harry queria muito.

Muito havia sido dito hoje, e ainda restava muito a se dizer; coisas para que palavras precisavam ser encontradas, e coisas que precisavam ser ditas sem palavras. Hoje, ele e Draco haviam se compartilhado muito intimamente, e Harry sabia que a proximidade que eles experimentaram hoje iria se expressar muito cedo em outra forma de intimidade. Ele estava agora completamente certo de duas coisas. Estava se apaixonando, e teria que contar algo sobre o qual havia mentido, algo muito importante, algo que antes ele pensou que não importava.

Fim do Capítulo 8