A/N: olá gente!!! Nossa, capítulo com 31 páginas no Words... trabalhoso!! =) Obrigada pelas reviews! Desculpem mesmo pela demora!! Não deu mesmo tempo de atualizar na Europa... Na verdade, não é que não deu tempo, mas é que eu não tinha computador em casa, e só podia utilizar o da faculdade. Aí ficou difícil traduzir um capítulo tão grande! A viagem foi demais, para quem quer saber =p Adorei demais, e agora estou de volta, para continuar as atualizações normalmente! Aproveitem o capítulo!! Beijos
CHECKMATE
PARTE II – O JOGO
Capítulo 9
I
love him too much
What if he saw my whole existence
Turning
around a word, a smile, a touch?
Eu o amo demais
O que aconteceria se ele visse toda a minha existência
Virando ao redor de uma palavra, um sorriso, um toque?
Letras de "Heaven Help My Heart" de Chess por Benny Anderson, Tim Rice e Björn Ulvaeus
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Quando Draco não apareceu para o café da manhã, Harry começou a se preocupar. Mal prestou atenção às tentativas de Seamus de lhe provocar acerca do horário tardio em que chegou ao quarto na última noite. Tudo que conseguia fazer era se preocupar com a hipótese de ter feito o feitiço de maneira errada, ou colocado Draco em um sono tão profundo que o outro ainda não teria conseguido acordar. Será que devia subir no quarto de Draco para checar? Finalmente, quando Harry, Rony e Hermione estavam se levantando para ir à aula de Poções, e Harry estava desesperadamente pensando em alguma desculpa para se afastar de seus amigos e correr até o quarto de Draco, ele viu o Sonserino entrar pela porta. Draco agarrou dois muffins da mesa da Sonserina e imediatamente voltou a se retirar. Ele nem olhou na direção de Harry. Harry se sentiu um pouco menos preocupado, já que pelo menos a mágica que havia realizado no dia anterior não tinha dado errado, mas mesmo assim. . . Por que ele não olhou para mim?
As coisas não melhoraram durante a aula. Quando Harry entrou na sala, Draco já estava sentado em sua carteira, com a cabeça abaixada sobre seu livro de Poções. Draco não levantou o olhar, não he lançou um sorriso discreto ou de maneira alguma reconheceu que Harry havia entrado na sala, apesar de Harry perceber que o outro garoto estava ciente do fato. Para qualquer outro, Draco devia parecer tão calmo e contido como de costume, mas Harry conseguia captar o esforço que ele estava fazendo para manter aquela máscara. A tensão que sentia vindo do outro garoto era palpável. Algo definitivamente estava errado. Harry sentiu seu coração contrair. O que haveria acontecido? Tudo estivera tão bom na noite anterior. Mas tudo que fez foi se sentar, tentar não se preocupar, esperar a classe terminar e então encontrar uma maneira de alcançar Draco e conversar com ele.
Snape entrou na sala, levantando-se, alto e intimidante, na frente da classe, seus braços cruzados e analisando os alunos com deliberado desgosto. Lançou sobre Harry um olhar particularmente intenso e odioso. Então se virou para olhar diretamente para Draco, o qual continuava olhando resolutamente para seu livro. "Alguém poderia me explicar a significância da poção que foi designada para estudo ontem?" Snape disse em seu usual tom arrogante. Ninguém se moveu. Todos sabiam que Snape estava perguntando a Draco. Mas Draco não respondeu. Na verdade, ele parecia nem ter escutado a pergunta, e o silêncio se esticou por um longo, longo momento, até que sussurros começaram a aparecer nos cantos da sala.
O que há de errado com ele, Harry pensou. Ele sabe a resposta. Finalmente, Harry não conseguiu agüentar mais a tensão. Ele levantou a mão, algo que nunca, nunca, tinha feito anteriormente naquela aula.
Snape estava franzindo as sobrancelhas na direção de Draco, mas se virou quando o movimento da mão de Harry apanhou sua atenção. Então ele pareceu incrédulo. "Potter?"
Harry sabia que Snape não estava dando permissão para que respondesse, mas tinha apenas dito seu nome devido ao pleno choque de ver sua mão levantada. Mas Harry respondeu a pergunta de qualquer jeito. Pelo menos poderia retirar a atenção de Snape de cima de Draco, e deixar o outro garoto saber que tinha aprendido algo vindo da conversa deles na noite passada. Ele cuidadosamente repetiu a explicação completa que Draco o tinha dado. Enquanto falava, Harry conseguia ver apenas um lado da face de Draco, e apenas de um ângulo de trás, então poderia estar enganado, mas achou ter visto um pouco de rosa sobressair nas pálidas bochechas do loiro. Harry também pôde ver, do canto de seu olho, que Hermione e Rony estavam o encarando com expressões idênticas de completo choque.
Quando Harry terminou de falar, Snape o encarou com um olhar suspeito. Seu lábio superior curvado como se tivesse mordido algo estragado. Então com um tom que parecia como se ácido estivesse pingando de sua boca, Snape disse, "Muito impressionante, Sr. Potter. Dez pontos para a Grifinória." O lado Grifinório da sala irrompeu em gritos e aplausos, os quais foram eliminados quase que instantaneamente pelo olhar gélido do professor.
O resto da aula se arrastou como uma eternidade para Harry. Até mesmo após sua resposta, Draco nunca olhou para ele. Pelo período inteiro, Draco se confinou estritamente a olhar para Snape e tomar notas, e os nervos de Harry estavam começando a se exaltar quando Snape finalmente os liberou. Guardou suas coisas o mais rápido que pôde. Agora apenas teria que sair rápido o suficiente para alcançar Draco antes de sua próxima aula. . . Mas os corredores estavam bloqueados por seus colegas. Sem conseguir fazer nada, observou por cima das cabeças de seus amigos enquanto uma cabeça loira familiar escapava pela porta. Draco, ele pensou, por que está fazendo isso? O que poderia possivelmente ter acontecido entre a noite passada e essa manhã?
"Potter!" A voz grave de Snape cortou seus pensamentos. "Você irá ficar mais um pouco na sala." Harry gesticulou para que Rony e Hermione seguissem sem ele, esperou até a sala esvaziar e então caminhou até a frente da mesa de Snape, sentindo-se muitíssimo agravado.
Snape olhou para ele, seus olhos negros brilhando. "Então me conte Potter," ele disse, com seu tom baixo e irritado, "precisou de que milagre para ocasionar essa mudança dramática na aula?"
Harry estava repentinamente furioso. Ele precisava encontrar Draco, não ficar ali e ser submetido a essa ridícula provocação. Com convicção e olhando Snape diretamente nos olhos, ele disse, "foi ter um professor melhor."
Snape inalou rapidamente pelos dentes como uma cobra.
Mas Harry não tinha terminado, e cortou Snape antes que o professor pudesse dizer algo. "Você me tormenta desde o primeiro dia que pisei nessa classe," ele disse. "Você nunca se preocupou se eu aprendi alguma coisa. Eu acho que Draco me ensinou mais em um dia do que você no total, e o triste é que eu poderia até ter gostado dessa matéria, se alguém tivesse me ajudado a entendê-la." Ele pausou por um segundo, seus olhos um esmeralda gélido. "Mas você," ele continuou com um tom amargo, "tudo que você fez foi perder meu tempo."
Snape se sentou e não disse nada. Harry se levantou por um momento, apanhando as alças de sua mochila e se dirigindo para a porta.
"Potter!"
Harry congelou a caminho da porta, mas não se virou, apenas esperou com as costas viradas para Snape. Deus, ele com certeza ia receber detenção após isso.
"Você realmente se importa com ele?"
Isso era longe do que Harry esperava, e ele se virou para encarar o professor.
Snape o fixou com um olhar negro. "Porque se você não se importa – se machucá-lo – eu juro que irei transformar sua vida em um inferno. Nada que eu já tenha feito poderá se comparar com o que farei se você machucar Draco Malfoy. Aquele garoto já sofreu o suficiente. Por que você acha que eu sempre o defendi de você e o resto de seus amigos Grifinórios, que se consideram perfeitos e não pensam antes de agir? Você tem alguma idéia de tudo que aconteceu com ele?"
A raiva de Harry dissipou-se. Fechou os olhos por um momento. O fato de Draco o estar evitando a manhã inteira estava criando uma dor profunda em seu coração. Ele queria desesperadamente encontrá-lo, e as palavras de Snape tinham o motivado ainda mais, mas Harry sabia que nunca conseguiria alcançá-lo agora. Ele abriu os olhos e retornou o olhar de Snape no mesmo nível. "Sim," ele disse o mais calmamente que conseguiu, "eu sei o que aconteceu com ele." Harry abaixou seus livros em uma das mesas e andou até ficar na frente da mesa de Snape. "E eu preferiria cortar meu próprio braço antes de machucá-lo. Eu. . ." Ah, merda. Ele estava prestes a dizer. Estou me apaixonando por ele. Sem chance que ele confessaria isso para Snape. "Eu estou. . . muito sério em relação a isso," disse com firmeza. "Eu não tenho intenção alguma de parar de vê-lo – não importa o que você diga."
Snape encarou Harry em silêncio por alguns momentos até que finalmente falou novamente. "Eu não aprovo," ele disse friamente, "porque acho que vocês dois estão sendo incrivelmente estúpidos. Tudo estava melhor quando se odiavam. Essa união idiota é um risco enorme para ambos." O professor se levantou e cruzou os braços. "Eu tentei colocar bom-senso na cabeça de Draco na noite passada – tentei convencê-lo a desistir dessa insana fixação que ele tem com você. Mas ele disse a mesma coisa, e se recusa a ouvir à razão. Então apenas fique avisado. Eu estarei observando."
Harry olhou para o chão, mais animado por Draco não querer desistir dele do que preocupado com as ameaças de Snape.
"Se você realmente gosta dele," Snape continuou em um tom baixo e ameaçador, "então o mantenha longe de Lucius. Você tem alguma idéia do que o pai de Draco fará com ele se ficar sabendo desse. . . desse caso absurdo?"
Harry levantou o olhar, surpreso, e encontrou os olhos atentos de Snape. Lembrou-se do aviso de Dumbledore. Mas Draco está a salvo em Hogwarts, não está? E ele não vai voltar para casa. "O que você quer dizer, 'fará com ele?" Harry perguntou, muito preocupado.
Snape o observou com incredulidade e raiva, como se a incapacidade de Harry de captar a seriedade da situação fosse inacreditável. "Quero dizer," ele disse, "que Lucius Malfoy destrói tudo que toca. Ele com certeza iria utilizar Draco para chegar até você, e não pensaria duas vezes em destruir o próprio filho se Draco não vivesse às suas expectativas. Você realmente é tão estúpido a ponto de não perceber que está colocando as vidas de vocês dois em perigo? Se você realmente se importa com ele, ficaria bem longe de Draco, Potter!"
A face de Harry ficou vermelha devido ao insulto, raiva e vergonha. Ele não havia pensado nisso de maneira alguma. Isso era algo que teria que conversar com Draco. Mas não havia chance de que ficaria longe do outro garoto. Ele ardia para ficar com ele até agora. E apesar do seu jeito ácido, ficou claro para Harry que Snape estava dizendo tudo isso porque realmente se importava com o bem-estar de Draco, e, com isso, eles tinham inesperadamente algo em comum. Harry engoliu qualquer resposta. "Posso me retirar agora, senhor?" Ele disse com uma voz firme e controlada.
Snape se inclinou com as mãos em sua mesa. "Lembre-se do que eu disse".
Harry apanhou seus livros e saiu da sala de Poções sem dizer mais uma palavra. Ele andou tristemente até a sala do professor Binns. Sua preocupação acerca do comportamento de Draco nessa manhã havia retirado todo o resto de sua mente, e ele se sentia ansioso e frustrado. Agora teria que esperar até depois do almoço para alcançar Draco. Mas ele não ia deixar o Sonserino escapar novamente. Na verdade, não queria deixá-lo sair de sua vista, nunca mais. Não entendia o que estava acontecendo. Estava certo que Draco não estava bravo, mas. . . lembrou-se das palavras de Snape, "tentei convencê-lo a desistir dessa insana fixação que ele tem com você." Isso foi na noite passada. E na noite passada Draco não tinha dado ouvidos a Snape. Mas, será que Draco havia reconsiderado nessa manhã? Ou será que foi algo que Harry disse ontem? Ah Deus. E se. . . arrgh. Que inútil, ele se lembrou. Não há nada que eu possa fazer agora. Seja lá o que for, ele apenas teria que esperar, e tentar não enlouquecer com preocupação até conseguir conversar com Draco.
Finalmente, após agüentar o que parecia serem horas de agonizante tortura disfarçada no nome de mistérios mágicos do século dezessete, Harry se dirigiu ao Salão Principal para almoçar. Seus olhos foram diretamente na direção da mesa Sonserina, e para seu alívio, Draco estava lá. Seu alívio foi curto, no entanto, porque Draco novamente manteve os olhos baixos, sua expressão uma cuidadosa e deliberada pintura de indiferença. Ele estava segurando o Profeta Diário em uma mão, lendo enquanto comia. Ao observá-lo, no entanto, ficou óbvio para Harry que Draco apenas estava fingindo ler o jornal, e estava apenas brincando com a comida. Isso era enlouquecedor.
Harry retirou os olhos de Draco pelo tempo suficiente para pegar sua comida, e então procedeu a comer o mais rápido que conseguiu. Quando Draco se levantar, estará preparado. Rony o lançou um olhar confuso pela maneira como estava comendo, então voltou à sua conversa com Hermione. Harry engoliu o último pedaço de sua refeição, e voltou a olhar para Draco.
Como se estivesse esperando por isso, Draco vagarosamente abaixou seu garfo, e então o jornal. Levantou-se, e, pela primeira vez naquela manhã, olhou na direção de Harry. Então ele se virou e caminhou para sair do Salão Principal. Havia sido um olhar rápido, nada mais, seus olhos mal chegando à face de Harry.
Mas Harry captou a mensagem. Levantou-se imediatamente com uma desculpa, "vou dar uma caminhada," direcionada a Rony e Hermione, e se foi o mais rápido possível. Uma das portas do salão estava fechando quando Harry chegou ao corredor. Ao se apressar para sair, pôde ver a figura loira de Draco fazendo o caminho que contornava o lago. Harry correu atrás dele.
Draco finalmente parou em frente aos troncos das bétulas que cresciam aonde o caminho virava para contornar o lago. Ele ficou de pé, com uma das mãos descansando em um tronco esguio de madeira branca, suas costas viradas para o caminho, aparentemente observando a água fria e cinzenta. Harry, um pouco sem ar devido ao seu andar rápido, alcançou-o ali.
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Hermione sorriu quando Harry murmurou que iria dar uma volta, e virou-se novamente para seu almoço. Então ela sentiu Rony endurecer ao lado dela, e ouviu-o respirar abruptamente.
"Maldição! Eu sabia!" Rony exclamou. "Ele foi atrás de Malfoy novamente – assim como ele fez quando eles brigaram no corredor!" Rony se levantou e olhou para Hermione. "Dessa vez eu estarei lá, para descobrir o que está acontecendo."
Hermione agarrou seu braço. "Rony, espera." Ela o puxou para baixo. "Sente-se. Do que está falando?"
Rony se sentou relutantemente, virando o pescoço para observar Harry saindo do Salão Principal apenas alguns momentos após Draco. "É o Harry," ele disse impacientemente. "Alguma coisa está acontecendo entre ele e Malfoy. Eu acabei de vê-lo seguir aquele idiota pomposo e quero descobrir por quê."
Hermione franziu as sobrancelhas. "Rony, eu me lembro claramente de Harry dizendo que eles não estavam brigando, e se ele quer conversar com Draco, eu acho que ele consegue sem a sua ajuda."
"Deus, Hermione, não o chame assim. E sobre o que Harry poderia possivelmente querer conversar com ele?"
"Eu imagino que muito, na verdade."
"O QUE?"
"Você não percebeu o jeito que os dois estavam se olhando fora da sala de Poções na manhã passada. Eles estavam sorrindo um para o outro – como se existisse algum tipo de piada entre eles – algo que eles sabiam, mas nós não. Eu acho que eles estão em paz." Ela balançou a cabeça ao ver a expressão incrédula de Rony. "Quero dizer, Draco realmente mudou, e se ele quer compensar Harry por todas as confusões que causou, eu acho que eles têm muito que dizer um para o outro. E se é isso que está acontecendo, você precisa ficar de fora e não interferir."
"Você está insana?" Rony suspirou. "Isso é bem louco, Hermione." Ele se arrepiou quando os olhos dela o fizeram perceber o que tinha acabado de dizer. "Ah, querida, desculpe," ele disse rapidamente. "Mas aquele babaca nunca irá mudar. A família inteira dele é podre. Tenho certeza que ele tem algum motivo – algum plano para criar problemas para o Harry."
"Olha, Rony," Hermione disse, a Voz de Monitora Chefe crescendo em seu tom, "ele realmente mudou, quer você goste ou não. Eu sei porque tenho conversado com ele também. Ele tem sido muito . . . prestativo." Ela esteve preste a dizer algo como amigável ou legal, mas essas palavras não eram precisas. Elas eram muito calorosas para Draco Malfoy. Ele tem sido. . . bem, talvez civilizado seja a palavra certa, sempre frio e distante, mas agora também perfeitamente educado. Ele estava tão diferente, mas de certo jeito ainda igual. Mas definitivamente tinha sido prestativo. Na verdade, Hermione admitiu para si mesma, ela tinha começado a desejar que Draco tivesse sido nomeado Monitor Chefe ao invés daquele garoto Corvinal idiota, que agia como se estivesse extremamente honrado com o título, mas não estava nem aí para as responsabilidades. Hermione era uma das poucas que sabiam que Draco deveria ter recebido a honra para começar, que sabia que ele merecia.
Draco tinha uma mente muito lógica e criativa, e Hermione estava começando a se apoiar bastante nos conselhos dados por ele. Por exemplo, no fim da tarde de ontem, ela foi até ele com um problema, e ele esteve disposto a conversar com ela por um tempo razoável, ajudando-a a passar por várias soluções possíveis. Ele tinha um quarto muito legal, por sinal. Era silencioso, diferente da maioria dos dormitórios de Hogwarts – era um lugar em que uma pessoa poderia se sentar e pensar. E ele tinha o set de xadrez mais bonito que ela já tinha visto deitado em uma mesa na frente da lareira – Hmm xadrez. . . Alguém tinha recentemente mencionado xadrez para ela. Ah sim, tinha sido Rony falando de Harry – Repentinamente Hermione arfou. A mão dela voou para cobrir sua boca por um segundo. Ai meu Deus!
A expressão de Rony passou de bravo para surpreso em um segundo. "O que! O que foi?"
"Eu. . . hmm. . . não é nada," Hermione disse, pensando furiosamente. "Eu só estava pensando. . . Harry já disse com quem ele está se encontrando?"
"Não, ele não disse," Rony disse com indignação. "E eu também não entendo isso."
Hermione levantou seu garfo e começou a cutucar a comida. Será possível que Harry e Draco. . . Draco!. . . tinham mais do que uma trégua entre eles? "Diga-me novamente, Rony," ela disse hesitantemente, "o que Harry disse que estava fazendo. . . naquela primeira noite que chegou tarde?"
Rony rolou os olhos. "Jogando xadrez com alguém de outra casa. Então Seamus comentou que ele obviamente esteve beijando alguém, e ele finalmente admitiu que sim."
"Você tem certeza. . . que eles estavam. . . err. . . Ai Deus. . . se beijando?"
"Ah sim," Rony disse sorrindo. "Certeza absoluta," ele riu. "Ah, você deveria ter visto – camisa toda desabotoada, corando. Então eu perguntei como foi a noite. 'Espetacular' foi como Harry descreveu. Por que? O que está pensando, Hermione?"
"Bem," Hermione respondeu vagarosamente. "Eu verifiquei ontem, discretamente é claro, mas nenhum dos monitores da Lufa-Lufa ou da Corvinal viram o Harry nos seus quartos comunais, ou com alguém de suas casas naquela noite."
"Meu Deus, Hermione! Está me dizendo que ele está saindo com alguém da Sonserina?"
"Não estou dizendo nada, a não ser que, se estou correta, Harry tem um ótimo motivo para manter esse relacionamento em segredo, e você não precisa ficar enchendo o saco dele por causa disso. Deixe-o contar quando estiver pronto."
Rony olhou para Hermione com suspeita. "Você sabe, não é? Sabe quem é!"
"Sim, acho que sei."
"Ah, vai lá, Hermione. Me conta. Por que eu não posso saber também? Eu só não quero que o Harry se decepcione novamente."
Hermione suspirou e deitou a cabeça no braço de Rony. "Rony, eu sei que o seu coração está no lugar certo, mas só porque eu talvez tenha descoberto, não significa que eu deva te contar algo que Harry quer manter segredo. Desculpe, mas você terá que escutar dele." Hermione levantou o olhar pensativamente, lembrando-se de tudo que Harry tinha citado na aula de Poções naquela manhã, e então sorriu para Rony. "Sabe, ficou muito óbvio, agora que eu sei quem é."
Rony franziu as sobrancelhas. "Bem, você não precisa ficar tão metida quanto a isso. Tá bom, eu vou esperar e deixar ele me contar, mas esse negócio com Malfoy é outra história. Já foi longe demais." Rony se levantou. "Eu vou lá fora."
"Rony, não. Espera." Hermione tentou apanhar o braço dele novamente, mas Rony foi mais rápido que ela dessa vez. Ela balançou a cabeça ao observá-lo sair do Salão Principal. Eu só espero que você não veja algo que não queira. Então começou a rir para si mesma, pensando na cena que ocorreu ontem no corredor. Agora entendo porque estavam se olhando daquele jeito, ela pensou – "minhas intenções não estão nem perto de brigar" – isso é muito engraçado. Então ela ficou séria e balançou a cabeça. Deus, Harry, espero que saiba o que está fazendo.
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Harry parou quando alcançou os troncos pálidos das bétulas, hipnotizado por um momento pela beleza monocrática da cena diante de seus olhos. Draco estava com as costas viradas, seu cabelo pálido e capa preta combinando perfeitamente com os troncos claros e os galhos pretos e delicados que se erguiam um pouco atrás, entrelaçando-se em contraste com o céu cinza. Por mais alguns segundos, Harry hesitou, resolução conflitando com medo, mas para ele não existia realmente outra opção. Ele tinha que saber. Então concentrando sua determinação e coragem, ele deu um passo à frente e ficou logo à esquerda e atrás do Sonserino. Conseguia ver Draco agora, e apesar do loiro parecer estar observando o lago com sua postura, ele na verdade estava com os olhos fechados. O coração de Harry afundou quando Draco não virou para reconhecer sua presença. Ele queria tocar o outro garoto, mas não se atreveu. "Draco?" chamou quietamente.
Draco engoliu seco, e virou a cabeça um pouco para o outro lado. "Harry." A resposta foi tensa, pouco mais do que um sussurro.
Harry podia sentir a tensão vinda de Draco, como se uma palavra errada fosse quebrá-lo como vidro. O vento frio vindo do lago correu por seu cabelo, mas esse era o único movimento ao redor dele. Draco mal parecia estar respirando, esperando por aquela palavra que o destruiria, aterrorizado e ao mesmo tempo paralisado em espera por ela, incapaz de se mover. "Eu senti sua falta no café da manhã," Harry finalmente disse, suavemente. "Senti sua falta a manhã inteira. Estava preocupado."
"Deveria estar feliz," Draco disse quietamente. "Snape deu pontos para a Grifinória. Isso não acontece todos os dias."
"Eu não ligo para isso," Harry disse, dando um passo à frente. "Aqueles pontos deveriam ter sido seus." Ele pausou para respirar, e então fez as próximas perguntas por necessidade. "Draco, o que houve? Você está se arrependendo do que aconteceu na noite passada?"
A cabeça loira caiu um pouco, então Draco balançou a cabeça levemente em resposta negativa. A mão que estava descansando no tronco da árvore caiu ao seu lado, e ele cruzou os braços em uma postura protetora. "Apenas de ter me ridicularizado," ele murmurou.
"É isso que você acha?"
"E você não concorda?"
"Não," Harry disse gentilmente, mas com firmeza. "Isso não é o que eu acho. E se você tivesse olhado na minha direção uma vez sequer hoje, saberia disso."
"Mas você foi embora ontem à noite, sem dizer nada, nem adeus. . . nada."
Harry suspirou internamente em alívio. Deus, eu deveria ter percebido que ele ficaria envergonhado com o que aconteceu noite passada, ele pensou. Sua imaginação criou cenários bem mais sérios para explicar o comportamento de Draco. "Eu não queria te acordar," ele explicou. "Você precisava dormir." Harry colocou as mãos muito levemente nos ombros de Draco. "E eu não fui embora sem mais nem menos." Seus dedos começaram a massagear os músculos tensos das costas do outro. "Eu fiquei por muito tempo. Eu nem queria ir embora."
Draco se inclinou na carícia daquelas mãos. "Eu acordei nessa manhã e me senti tão. . . estranho e confuso, e. . . horrivelmente envergonhado. Eu não choro, Harry. Não me lembro de jamais ter chorado. E eu não caio no sono daquele jeito também."
Harry conseguiu sentir o corpo de Draco começar a relaxar, drenando a tensão. Inclinou a cabeça e beijou a nuca de Draco. "Então aquilo foi a liberação de dezessete anos reprimidos," ele disse, movendo-se para beijar a curva daquela orelha, enquanto gentilmente puxava o Sonserino para seu corpo. "Por isso que chorou tanto." Harry colocou seus braços ao redor de Draco e o abraçou. Sentiu as mãos de Draco segurarem seus pulsos levemente, e ele beijou aquele doce ponto logo atrás da orelha do loiro. "E eu fiz você dormir," ele disse muito suavemente, fechando os olhos, deixando o vento acariciar seu rosto junto com o cabelo sedoso de Draco. "Você tem idéia de como é adorável quando dorme?"
Draco se inclinou no abraço do moreno, então virou a face para o lado e descansou sua cabeça na de Harry. Ele estava corando levemente. "Não," disse envergonhado. "Como eu saberia algo do gênero?" Um momento depois, ele perguntou, "o que quis dizer com 'fiz você dormir'?"
Harry abriu os olhos e olhou para o lago. A água estava cinza devido ao frio, o vento levando uma leve névoa gélida. O reflexo do castelo estava tremendo, fragmentando-se em pedaços, e então formando uma imagem completa novamente. Harry abraçou Draco com mais força. "Eu sou um médibruxo de classe sete," ele disse, tentando parecer casual, mas sabendo até mesmo antes de falar que sua voz iria tremer com a seriedade daquela frase. "Ninguém além de Dumbledore e da Madame Pomfrey sabem," ele continuou suavemente. "Ainda estou aprendendo – "
Draco saiu abruptamente dos braços de Harry e se virou para encará-lo. Seus olhos estavam escuros com emoção, um cinza de tempestade, a cor do céu acima do lago. "Você usou magia em mim sem pedir?" ele perguntou. Um raio iluminando aqueles olhos cinza.
Harry encontrou o olhar intenso de Draco sem hesitar, convicto. "Desculpe," ele disse. "Você disse que estava cansado. Que não tinha dormido. Eu só queria que se sentisse melhor."
Draco fechou os olhos e ficou em silêncio por um longo momento, seu período de raiva cedendo à memória das palavras murmuradas de Harry e como tinha se sentido profundamente tocado por elas. Lembrou-se da gentileza trêmula e emocionante e do conforto que as mãos de Harry trouxeram ao acariciar suavemente sua pele, e o incrível poder relaxante vindo daquelas carícias, que encontraram suas dores mais profundas e as aniquilaram, que o haviam acalmado e o enchido de paz. "Você me fez sentir melhor," ele disse finalmente, abrindo os olhos para encontrar o olhar esmeralda de Harry novamente, seus olhos cinza agora cheios de admiração. "Foi. . . incrível." Ele levantou a mão, e quando Harry a pegou com a sua, virou a palma de Harry para cima. "É disso que não queria conversar? Que você consegue curar com um toque, sem uma varinha?" Ele colocou sua outra mão em cima da palma de Harry, acariciando vagarosamente do pulso até as pontas dos dedos. "Deus, Harry. Você sabe como isso é raro?"
Harry sentiu suas orelhas corarem. "Sim," ele disse quietamente. "Já me disseram." Ele retirou sua mão das de Draco e deu um passo à frente, fechando o espaço que o loiro havia colocado entre eles. "Draco," ele disse, seus braços indo em volta da cintura do outro garoto, seus olhos nunca abandonando os de Draco, "alguns dias atrás, eu não poderia imaginar nós dois juntos desse jeito, mas nessa manhã, quando você não olhou para mim. . . machucou muito." Ele deixou suas mãos subirem até as costas de Draco, gentilmente apertando seu abraço ao redor do Sonserino. "Eu não posso brigar com você agora," ele disse. "Não posso deixar as coisas voltarem a ser como antes entre nós."
"Harry," Draco disse seriamente, colocando seus braços ao redor do pescoço dele, "eu já passei do ponto de retorno faz tempo." Ele balançou levemente a cabeça quando o vento fez uma mecha de cabelo ir em seus olhos. "Já imaginei nós assim milhares de vezes. Eu apenas nunca acreditei que poderia realmente acontecer." Ele descansou sua cabeça no próprio braço, face virada na direção do pescoço de Harry, e ficou em silêncio por um momento. Então falou muito suavemente. "E estou com medo," ele murmurou, "de acordar. . . como nessa manhã. . . e você não estar lá, e tudo isso não passar a ser nada mais do que um sonho patético." Ele respirou fundo, exalando com um longo suspiro. "Essa manhã, senti-me. . . tão sozinho. Pensei que você tinha mudado de idéia."
"Draco, não," Harry disse, atingido por sua crueldade não intencionada.
"Acho que eu nunca fiquei com tanto medo de algo como fiquei disso, e eu nem sei o que teria feito se você não tivesse vindo atrás de mim. Eu sei que não mereço você, Harry. Eu não sei como você pode confiar em mim depois de tudo que já fiz. Não mereço seu perdão. Não tão facilmente." Draco levantou a cabeça e se afastou, com uma expressão solene em seus olhos. "Mas, o que você disse na noite passada, sobre nós. . . que pertencemos juntos. . . isso significou. . . tudo para mim. Eu apenas nunca me deixei acreditar, antes, que você poderia se sentir assim."
O olhar de Harry procurou profundamente os olhos de Draco. "Eu pensei muito se deveria confiar em você ou não," ele disse sinceramente, "e eu confio agora. Quanto a não merecer meu perdão. . . eu nunca quis brigar com você, ou te odiar. Eu apenas não entendia, e agora que entendo, aquelas coisas não importam mais. Não é tanto perdão, mas sim não permitir que o passado arruíne o que estamos começando agora." Harry alcançou com uma mão e afastou o cabelo de Draco de seus olhos. "O que eu quero é que fiquemos juntos, mais do que tudo. Você confiaria em mim o suficiente para acreditar nisso?"
Draco fechou os olhos ao sentir o toque leve de Harry em sua face, então concordou com um gesto da cabeça. "Eu quero, Harry," ele disse quietamente. "Eu só não estou acostumado a. . . ser perdoado." Ele levantou a face e encontrou os olhos esmeraldas, seus olhos a cor da chuva matutina.
"Tudo que eu disse ontem foi do coração," Harry disse, com uma voz ao mesmo tempo leve e séria. "Nada mudou nessa manhã." Ele pausou, então adicionou gentilmente. "Você realmente acha que eu sou o tipo de pessoa que poderia ter ficado com você daquele jeito de noite, e não ter significado nada de manhã?"
"Não," Draco respondeu, um sorriso meio envergonhado e meio arrependido nos cantos de sua boca.
Então Harry percebeu um olhar tímido nos olhos de Draco. Era um olhar que ele achava completamente adorável.
"Não é você," Draco disse suavemente. "É que eu estou tendo dificuldade em acreditar que eu sou uma pessoa que pode ser tão sortuda – por ter ficado com você na noite passada, e ainda tê-lo nessa manhã."
"Ah," Harry murmurou, inclinando-se para colocar um beijo ao lado daquela curva adorável na boca de Draco. "Você com certeza me tem nessa manhã," ele disse, respirando as palavras contra a bochecha de Draco.
Draco sorriu então, e Harry o beijou na boca, com sorriso e tudo.
Harry não apressou o beijo, deixando a certeza do que estava ocorrendo ser expressa, explorando o sentimento de 'certo' que sentia com essa pessoa em tantos sentidos, em corpo, mente e coração, querendo, precisando pertencer a essa pessoa. Sentiu Draco sucumbir a ele, tremendo, finalmente relaxando, derretendo-se contra ele, a respiração acelerada de Draco se misturando com a sua, dedos se afundando gentilmente em seu cabelo, respondendo com a mesma certeza de sentimento, com a mesma necessidade de pertencer, de ser seu. Havia uma nova profundidade ao beijo, de pontes cruzadas e bases solidificadas sobre os pés, um relacionamento criado. Eles estavam juntos, pertenciam um ao outro, agora. E ele se sentia muito bem. Harry quebrou o beijo porque não conseguia parar de sorrir.
Draco se afastou um pouco para poder olhar nos olhos de Harry, e desatou a dar risadas. Os óculos de Harry estavam embaçados.
Harry riu também e os retirou.
Os olhos de Draco estavam brilhando, o sol aparecendo por detrás de chuva. "Mas me prometa algo, Harry," ele disse, sorrindo novamente.
"O que?" Harry perguntou, seu coração se revirando com aquele sorriso.
"Se você resolver fazer aquele feitiço para me fazer dormir novamente, deixe-me escovar os dentes antes. Minha boca parecia o chão do corujal quando acordei."
Harry sorriu para ele, então se inclinou para dar outro beijo. "Agora não parece," ele murmurou.
"Tem certeza?" Draco perguntou, sorrindo também e retribuindo o beijo.
"Absoluta," Harry disse, rindo.
"Ótimo," Draco disse, puxando Harry para um beijo profundo.
Draco segurou-se em Harry firmemente, como se nunca quisesse soltar, e Harry sentiu a necessidade física que estava crescendo entre eles com um tremor excitante, uma necessidade de ficar mais perto do que só um beijo. Os primeiros beijos deles, até mesmo simples toques, tinham sido tão intensos, tão novos, que eles apenas já tinha sido suficiente. Mas agora. . . A intensidade desse beijo cresceu com uma urgência que ambos sentiram. Harry segurou Draco como se pudessem se dissolver um no outro, esquecendo de onde estava. Seu mundo caiu naquele momento, com esse beijo, esse desejo que estava erradicando qualquer pensamento racional de sua mente.
E então a memória depositou um balde de água gelada sobre sua cabeça. Ai Deus. A mentira que Harry contou repentinamente pairou para assombrá-lo. Sentiu um nó gelado em seu estômago. Draco tinha sido tão brutamente honesto com ele, e ele queria que nada ficasse entre eles, nenhum fantasma gélido e acusador para se levantar do passado. E talvez agora, também, pela primeira vez, ele estivesse pronto para conversar com alguém sobre o que tinha acontecido. Tinha que contar a verdade para Draco. Harry quebrou o beijo o mais gentilmente que pôde. "Draco," ele sussurrou. "Tem algo que quero te contar – "
"Agora?" veio a resposta sussurrada contra a boca de Harry, os lábios de Draco se recusando a deixar os seus.
"Sim. Mmmm." Harry se rendeu a outro beijo, então tentou novamente. "Draco, isso é importante."
Draco se afastou o suficiente para encarar Harry, preocupação em seus olhos. "Algo errado?"
"Não, não," Harry disse. "Nada disso – é só que tem algo que eu deveria ter te contado antes, mas eu não queria, e agora –"
Draco assentiu com a cabeça, estudando Harry seriamente. "Continue então. . ."
"Bem, é sobre o que eu te disse na outra manhã no corredor, quando você me perguntou se eu era – "
"HAR-RY!" Veio a chamada gritada a uma pequena distância.
Harry e Draco viraram, assustados. Harry se atrapalhou por um momento para recolocar seus óculos. Rony estava vindo na direção deles rapidamente, e agora estava quase completamente na volta do lago, mas não perto o suficiente para vê-los em meio às árvores. Eles relutantemente se separaram.
"Droga," Harry xingou baixinho.
"Hmm," Draco disse, observando a figura de Rony rapidamente se aproximando. "Parece que sua sombra devota finalmente o encontrou."
Harry olhou para Draco. "Desculpe," ele disse.
"Iria acontecer uma hora ou outra," Draco respondeu enquanto endireitava suas roupas e seu cabelo. Suas feições se transformaram em uma expressão de indiferença fria, com os braços cruzados, o velho e conhecido, irritantemente frio, a máscara de Draco-Malfoy-é-um-babaca-irritante sendo utilizada perfeitamente mais uma vez.
Harry assistiu à transformação com desgosto, e repentinamente experimentou um pânico momento de dúvida. Enganou-se ao pensar que Draco havia mudado? Será que Draco apenas perdera sua lealdade a seu pai, e agora estaria fazendo calculadas mudanças de comportamento com o objetivo de alcançar novos interesses e prioridades? Teria permitido que Harry e Dumbledore vissem algo de diferente, porque ele queria ou precisava deles? Mas talvez ele não tivesse realmente mudado?
Draco parou de observar Rony por um momento e voltou o olhar para Harry, e os olhos deles se encontraram.
E o ar fugiu dos pulmões de Harry então, devido ao que viu nos olhos de Draco. Ah, as expressões faciais e a pose e as maneiras podem ser do velho Draco, mas os olhos não eram. Harry sentiu seu coração pular de alegria – porque aqueles olhos costumavam sempre encontrar os seus com quietude, raiva ou dor. Agora eles estavam calorosos, confiantes e longe de indiferentes. Caiu a ficha. Essa era a única e real mudança – a dor e a raiva haviam sumido. O velho Draco ainda estava ali, assim como o garoto que Harry estava começando a amar sempre esteve ali também, escondido atrás da indiferença fria, um lado de Draco que raramente era vista, uma parte que ele considerava profundamente privada. Draco tinha se arriscado e permitiu que Harry o visse mais profundamente, até as partes dele que eram vulneráveis e inseguras. Mas para todas as outras pessoas, esse lado privado provavelmente continuaria parcialmente oculto. Harry duvidava que Draco fosse deixar Rony ver. Draco Malfoy, Mestre da Ilusão, ele pensou. Espero saber qual é o verdadeiro você.
"Tem algo que preciso contar para você, Harry," Draco estava dizendo. "Agora, antes que ele chegue aqui. Você se lembra daquelas garotas que queriam ir ao Baile Anual com a gente?" Ele pausou, percebendo a expressão abstrata na face de Harry. "Harry, está escutando?"
"Sim," Harry disse, sorrindo, achando graça na expectativa de ver como Draco iria agir com Rony.
"Durante o almoço hoje," Draco continuou, "eu escutei uma delas, a loira, dizer que estava planejando falar com você após seu treino de Quadribol hoje de tarde. Acho que elas cansaram de tentar falar comigo. Bom, só queria avisar para ficar longe dela –"
"Harry!" Rony parou entre as árvores e confrontou Harry e Draco. "Achei você." Ele franziu as sobrancelhas ao ver Draco. "Malfoy," ele disse. "O que está acontecendo? O que está fazendo?"
Draco levantou uma sobrancelha com a insinuação implícita, então lançou um olhar pontiagudo a Harry. "Apenas admirando a vista, Weasley," ele disse, não conseguindo segurar o sorriso quando Harry corou levemente. "O que você está fazendo aqui?"
"Procurando Harry. E não tente dar uma de inocente comigo," Rony retribuiu. "Eu ouvi o que estava dizendo. É para Harry ficar longe de quem?"
Draco jogou seu cabelo para trás com um pequeno e elegante movimento da sua cabeça. "Apenas uma menina que quer sair com ele."
"E o que te interessa se Harry sair com ela?" Rony disse com uma careta.
"Bem," Draco disse, utilizando um tom irritante, "digamos apenas que eu não iria gostar muito. Na verdade, eu não gostaria nem um pouco. Na verdade, eu ficaria horrivelmente chateado e bravo. E então as coisas poderiam ficar feias – particularmente embaixo da Torre de Astronomia."
Harry não conseguiu se segurar. Começou a rir.
Rony estava muito bravo para perceber. "Que pena, Malfoy! Não vejo como você tem o direito de dizer alguma coisa sobre isso. Harry pode sair com quem ele quiser!"
"Ah?" Draco disse. "É mesmo?" Ele estava tentando não rir também. "Vou me lembrar disso, Weasley, já que sei quem ele está vendo, e sei que você não vai gostar."
Rony se virou irritadamente para Harry. "Harry? Como que ele sabe com quem está saindo, se você nem conta para seus amigos?"
Harry estava se esforçando para parar de rir; ele realmente não queria provocar o Rony. Bem, talvez só um pouquinho. . . "Porque ele estava lá?" ele disse.
Rony olhou para Harry e então para Draco com uma careta. "Ah, entendi," ele disse. "Entendi o que está acontecendo."
Draco e Harry trocaram olhares surpresos, e esperaram em um silêncio engraçado e suspense para que Rony continuasse.
"Vocês dois estão brigando pela mesma garota!" Rony declarou finalmente, sua face ficando vermelha. "Harry, eu não acredito que você se envolveria com uma garota do harém desse imbecil."
"Meu o que?" Draco encarou Rony, incrédulo por um segundo, então virou para Harry. "Meu Deus! A escola inteira acha que eu amasso qualquer coisa com uma saia?"
Harry teve que rir agora – Draco era a figura de revolta e nojo. "Bem," Harry disse com um sorriso, "na verdade, é que todos sabem que qualquer coisa com uma saia quer amassar você. E ninguém imagina que você está recusando as ofertas."
Draco pareceu pensar nisso por um segundo, então deu um olhar insinuante para Harry. "Deus, elas que se preparem para uma surpresa," ele disse em um tom baixo que apenas Harry conseguiu ouvir.
"Harry, você sabe a reputação que ele tem," Rony continuou firmemente, ignorando Draco, mas irritado por não escutar o que ele disse a Harry. "Você ficou completamente louco, brigando com ele por uma garota com quem ele provavelmente já dormiu?"
Harry e Draco ambos lançaram um olhar feio para Rony, e então Harry balançou a cabeça, forçando-se a ficar sério pelo seu amigo. "Rony, honestamente. Nós não estamos brigando por nada. Nós estávamos apenas. . . conversando. E eu não quero que você entenda isso do jeito errado. . . quero dizer, eu realmente aprecio você vir até aqui checar se estou bem, mas posso lidar com Draco bem melhor quando você não está por perto."
Draco não conseguiu segurar um riso.
Rony se virou para Draco, um desafio raivoso em seus olhos. "Você está achando engraçado, é? Bem, Harry pode acabar com você qualquer dia. . . com uma mão amarrada nas costas!"
"Ah certo, Weasley," Draco respondeu sem perder tempo. "E qual seria a graça disso?" Virou-se para Harry com um sorriso travesso. "Eu iria gostar mais se ele usasse as duas mãos."
Harry engasgou e ficou vermelho. "Tá bom, chega!" ele disse. "Parem, vocês dois." Harry olhou para Draco e suspirou. "Eu acho. . . que preciso contar para ele."
Draco levantou uma sobrancelha, estudando Harry por um momento em silêncio. Então assentiu com a cabeça. "Quer que eu fique?" ele perguntou quietamente.
Harry balançou a cabeça levemente, seus olhos mandando um 'obrigado'.
"Contar-me o que?" Rony exigiu.
Draco o ignorou e deu um passo para ficar bem perto de Harry. "Continuaremos aquela conversa depois," ele disse suavemente.
"Eu sei," Harry disse.
Olhos cinza encontraram verde em um acordo silencioso de quando e onde. "Boa sorte," Draco disse em um tom baixo, inclinando a cabeça na direção de Rony.
Harry fez um gesto de concordância. Ele queria beijar Draco, e se não isso, pelo menos tocá-lo em despedida, e por um momento a necessidade de contato quase tomou conta dele. Estava fora de questão, no entanto, com Rony ali parado e observando. Mas Draco parecia sentir também, porque conseguiu escorregar seus dedos nos de Harry por um segundo, escondido pelas suas capas. Harry apertou aqueles dedos rapidamente e eles se retiraram.
Draco se virou para Rony com metade de um sorriso e metade de uma careta. "Espero que não tenha casos de ataque cardíaco na sua família, Weasley," ele disse calculadamente. Então deu um passo na direção de Rony e encontrou seus olhos. "E," ele disse com uma voz rígida, um pingo de ameaça em seu tom, "agora vamos descobrir se você quis dizer mesmo o que disse antes – que Harry podia sair com quem ele quisesse." Virou-se e lançou um último olhar encorajador para Harry e foi embora.
Rony o encarou por alguns minutos, então virou para Harry. "Deus, Harry, aquele cara me dá os arrepios. Você viu o jeito que ele estava olhando para você? Eu não acho bom você ficar sozinho com ele. É óbvio que ele está planejando alguma coisa." Ele parou, finalmente percebendo a expressão agravada de Harry. "O que?"
Harry não tinha idéia de como começaria a explicar isso. Mas tinha que tentar. "Eu gostaria muito que você não falasse dele assim, Rony. As coisas são. . . diferentes agora." Harry pensou nas últimas palavras que os três trocaram. Draco tinha apenas provocado Rony, talvez um pouco muito severamente, mas tinha sido apenas provocação, sem nenhum insulto raivoso sendo lançado apesar de Rony tê-lo insultado. "Ele é diferente agora," Harry disse firmemente.
"Ah, Harry," Rony gemeu. "Você também não. Hermione disse a mesma coisa. Mas eu não estou convencido. Não vejo diferença nenhuma, e eu não confio nem um pouco nele."
Harry suspirou. "Rony, pare e pense por um minuto. Você consegue me dizer alguma coisa que ele tenha feito para nos atrapalhar esse ano?"
Rony balançou a cabeça. "Não interessa. Pelo que sabemos, ele pode estar guardando para algo grande. Eu não posso confiar nele. E você não devia também."
"Mas eu confio," Harry disse. "Desde aquele dia que tive que ir ao escritório de Dumbledore com ele, nós estivemos conversando – na verdade, estivemos passando muito tempo juntos." Harry pausou, respirando fundo. "Eu realmente gosto dele agora. Gosto muito dele."
Isso era demais para Rony. "Gahh, Harry, como pode dizer isso? Estamos falando de Malfoy! Está se esquecendo que ele é babaca, malvado, irritante, odeia trouxas e metido? Se esqueceu de tudo que ele já fez com a gente?"
"Sim!" Harry disse, perdendo a paciência. "Estou tentando esquecer tudo isso – porque eu o entendo muito melhor agora, de um jeito que não entendia antes, e eu não posso culpá-lo tanto pelas coisas que ele fez. Ele está me pedindo por uma segunda chance, e eu tenho toda a intenção de dá-la."
"Bem, eu não!"
"Você nem falou com ele!"
"E nem vou!" Eles ficaram lançando olhares feios um para o outro, ambos irritados agora, então Rony continuou. "Harry, eu não entendo nada disso. Principalmente, não entendo por que você não me diz com quem está saindo, mas aquele idiota sabe!"
"Eu estou te dizendo, Rony!" Harry disse, completamente abismado com seu teimoso melhor amigo. "Você não está me ouvindo! E eu não disse isso antes, porque Draco está certo. Você não vai gostar!"
"Draco! Deus, Harry, não o chame assim. E quanto a não gostar de quem você está vendo, isso é loucura. Se você está tão sério em relação a alguém, eu terei que gostar dela."
"Rony, isso é. . . baboseira! Você está escutando a si mesmo? Eu acabei de dizer que gosto muito de Draco, e você certamente não decidiu gostar dele – você acabou de chamá-lo de idiota!"
"Isso é diferente – é Malfoy – "
"Não, não é diferente! Não entende? É exatamente a mesma coisa. E se você não consegue aceitar que eu quero ser amigo do Draco, então não tem sentido nenhum te dizer com quem estou saindo!"
Harry e Rony se encararam por vários segundos. Eles praticamente estiveram gritando um com o outro. Isso não estava indo bem. Harry sentiu que seria melhor esquecer o assunto por enquanto. Além do mais, estava bem frio agora que não estava abraçado com Draco, o vento frio vindo do lago o estava dando arrepios. "Vamos," ele disse com um tom resignado. "Eu não quero brigar com você sobre isso. É melhor voltarmos mesmo. Tá quase na hora da aula."
Eles ficaram em silêncio durante a caminhada em volta do lago, ambos presos em seus próprios pensamentos, e ambos arrependidos por terem brigado com o outro. Finalmente, quando estavam chegando aos degraus da porta de entrada, Rony falou quietamente. "Harry, espera. Apenas me diga uma coisa. Hermione acha que você está vendo alguém da Sonserina."
Harry suspirou. "Quando Hermione está errada?"
"É verdade, então."
"Sim."
"Deus, Harry."
Harry parou ainda do lado de fora e virou para encarar seu amigo. "Estou me apaixonando, Rony," ele disse suavemente, "e estou muito feliz. Gostaria que tentasse ficar feliz por mim."
Rony pareceu magoado, e baixou a cabeça. "Desculpe, Harry. Eu só não consigo imaginar você com um deles." Levantou o olhar e encontrou os olhos de Harry com desculpa e resolução em seus olhos azuis. "Mas vou tentar." Ele pausou, e adicionou, "vai me contar quem é agora?"
"Tem apenas uma pessoa com quem eu estivesse passando meu tempo, Rony," Harry disse. "Eu já te disse quem é."
"Mas," Rony disse, obviamente confuso, "quando?"
Harry apenas balançou a cabeça. "Esquece isso agora," ele disse, puxando a porta e entrando no castelo. "Nós temos que ir para a aula. Tenho certeza que você vai se tocar uma hora ou outra." Como uma bola na cabeça, ele pensou, sentindo-se irritado por isso ter que ser tão complicado. Por que eu não podia ter me envolvido com uma boa e quieta menina Lufa-Lufa? Ai Deus. Eu não pensei isso. Arrrgh.
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Mais tarde, Draco estava sentado à sua janela, assistindo ao time da Grifinória treinar. Não era a primeira vez que estava levantando a sobrancelha em surpresa. Harry estava fazendo seu time praticar manobras muito criativas. Aqueles movimentos com certeza iriam confundir o time adversário. Sorriu para si mesmo. Que pena que ele não planejava jogar mais pela Sonserina. Pena que ninguém avisaria eles.
Repentinamente uma sombra escureceu a janela. Draco pulou fora do caminho quando uma das várias corujas da casa Malfoy voou pela janela carregando um pequeno pacote. Ah, ele pensou, ou isso é muito insignificante para perturbar Lúcifer. . . ou muito importante para chamar a atenção utilizando a coruja pessoal de meu pai. Apanhou o pacote, espantou a coruja para fora, e fechou a janela. Era um pacote irregular. Draco o virou em suas mãos e o carregou até sua mesa. Então, seu coração acelerou. Talvez, finalmente. . .
Cuidadosamente, ele abriu um lado do embrulho de papel e inclinou o pacote sobre sua mão. Um pequeno objeto prateado caiu brilhante em sua palma. Olhos esmeraldas brilharam para ele, parecendo verde-dourados na luz. Draco olhou dentro do pacote e não viu mais nada. Estava surpreso por não ter nenhuma mensagem incorporada na entrega. Abriu o pacote inteiro e puxou dois pedaços de papel que estavam dentro para observá-los. Nada. Draco deu de ombros e jogou os papéis no canto de sua escrivaninha, então pegou o anel, porque isso que o objeto era, e foi sentar na cadeira em frente ao fogo.
Draco revirou o anel vagarosamente em suas mãos, um sorriso cativado, e ao mesmo tempo calculado em seus lábios, enquanto observava a luz da lareira refletir luzes laranjas e vermelhas no metal polido. Sempre fora fascinado pela arte elegante no design desse anel. Ele era delicado, tão finamente detalhado, um dragão prateado perfeitamente esculpido que fazia um círculo, segurando a ponta de sua cauda entre os dentes. Asas deitavam em suas costas, cada escama e garra no corpo perfeitamente definidos, e os olhos eram feitos de esmeraldas. Esse anel era uma de suas possessões mais preciosas. Logo pertenceria a Harry.
Um arrepio excitante passou por ele com esse pensamento. Levantou o olhar e olhou dentro do fogo, lembrando-se dos eventos dessa manhã. Estivera tão certo, nessa manhã, que tinha arruinado tudo, que quase não conseguiu se forçar a descer para o café da manhã ou atender à aula. Quase tinha se desfeito quando ouviu Harry na aula de Poções, tentando ouvir o tom sarcástico que tinha certeza que estaria ali, e quando não esteve, e Harry falou ao invés com quieto orgulho no que Draco o havia ensinado, que Draco se sentiu horrivelmente próximo de lágrimas novamente. Mas isso o havia dado um pouco de esperança e coragem, e quando chegou a hora do almoço, ele finalmente conseguiu confrontar Harry.
Draco fechou os olhos e se inclinou em sua cadeira, sorrindo. Deus. Harry. Draco se sentiu prestes a desabar enquanto esperava no lago para que Harry o alcançasse, esperando como se sua vida se revolvesse às palavras que Harry iria dizer. Mas ao invés do tratamento ruim que esperava, Harry expulsou seus medos, tocou-lhe, abraçou-lhe e beijou-lhe, enchendo seu coração ansioso com confiança e segurança, e curou a ferida que sentia tão completamente dentro de si, com tanta habilidade e calma, que era ao mesmo tempo maravilhoso e assustador. Harry tinha dito, "Você com certeza me tem nessa manhã," e Draco soube, com uma certeza que raramente experimentava quanto a confiar e acreditar nas palavras de outra pessoa, que era verdade. Então Harry o beijou, disse com seus olhos e lábios e braços e respiração, sou seu, e daquele momento em diante Draco soube que pertencia a Harry totalmente, e Harry a ele, sem hesitação, sem passado, sem mais dúvidas. E então, oh Deus, aquele segundo beijo. . . Draco abraçou seus braços. Ele queria Harry inteiro, e queria se dar por inteiro também. Essa noite, ele pensou com outro arrepio, essa noite farei exatamente isso.
Lembrou-se que Harry queria lhe contar algo – iria descobrir o que essa noite também – e ele reservou um pensamento rápido a Rony Weasley, imaginando como a conversa de Harry com o onipotente ruivo tinha ido. Ele quase desejou que Harry tivesse pedido pela sua presença. O olhar na cara de Weasley quando descobriu deve ter sido algo memorável. Mas ele não ligava para o que Weasley pensava, contanto que pudesse ser confiado para manter o segredo deles e ser discreto. O que importava era Harry. E os planos que Draco fizera.
Sim, ele planejava se dar por completo para Harry. Pensou novamente no anel que carregava. Tudo que ele tinha, sua vida, e todas as coisas que importavam mais nesse mundo, ele iria dar, inclusive esse anel. Mas não, ele sorriu, do jeito que o anel estava agora. Os olhos esmeraldas, é claro, lembravam-lhe dos olhos de Harry, mas de certa forma eles não seriam certos se esse anel fosse pertencer a Harry. Eles iriam parecer no máximo uma imitação barata, e diminuiriam a beleza do anel em comparação. E o verde e prateado eram cores Sonserinas, completamente inaceitável para Harry. Então, ele teria que mudar os olhos. Olhou para cima, pensando, e avistou o pequeno dragão do jogo de xadrez. Ele levantou uma pálida sobrancelha. Olhos rubis? Sim. Perfeito. Vermelho para Grifinória. Tudo que ele precisava então era um feitiço de transfiguração – Esmeralda para rubi. Guardou o anel no bolso ao se levantar, dirigindo-se para a biblioteca. Um feitiço assim não podia ser muito difícil de encontrar.
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O treino de Quadribol correu muito bem naquela tarde. Harry estava muito orgulhoso do time da Grifinória desse ano. Eles tentaram várias novas manobras secretas as quais tinha certeza que iriam ajudar a vencer a Taça do campeonato esse ano. Estava andando de volta ao vestiário conversando animadamente com Seamus a respeito das chances deles quando uma garota pequena, com cabelo longo e loiro escuro começou a andar ao seu lado. Ela estava vestindo o uniforme escolar com o broche da Sonserina. Ah droga. Ele se esqueceu completamente do aviso de Draco.
"Olá, Harry," a garota disse, sorrindo para ele. "Posso falar com você um minuto? Em particular?"
Harry parou abruptamente no meio do caminho. "Hum," ele disse, corando furiosamente. Ele virou para olhar Seamus, para impedir que o outro garoto fosse embora, mas Seamus já estava se afastando com um sorriso enorme em seu rosto.
"Não se preocupe, Harry," ele disse, provocante. "Eu sei quando não me querem." Então ele se virou e correu o caminho de volta ao campo de Quadribol.
Harry se virou para a Sonserina, pronto para dar alguma desculpa e então tentar fugir na direção oposta, mas ela colocou uma mão no seu braço, e estava sendo educada demais para que ele cumprisse o plano. Respirou fundo. "Tá bom," ele disse. "Estou escutando."
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Rony estava descendo da arquibancada quando Seamus voltou correndo para o campo de Quadribol acenando loucamente. Rony não acompanhou Harry porque estava bravo – Hermione estava brava com ele. Ele relatou a conversa que teve com Harry no lago naquela tarde e ela o chamou de – bem. . . Rony encolheu. . . era melhor não repetir a palavra. Ele não estava entendendo nada. E não sabia se queria falar com Seamus no momento também. Mas Seamus estava gesticulando para que ele se apressasse e a curiosidade finalmente o fez acelerar o passo.
"Rony" Seamus disse sem fôlego, quando eles estavam mais próximos. "Venha logo! Você tem que ver isso! É Harry – ele está falando com uma garota. Acho que pode ser a garota."
Rony o olhou desconfiado. "Ela é uma Sonserina?"
Os olhos de Seamus arregalaram. "Sim! Como você sabia?" agarrou o braço de Rony e o puxou na direção do vestiário. "Vamos! Você devia ter visto a cara dele quando ela chegou. Ele ficou super vermelho."
Rony sorriu, sua irritação anterior esquecida. Ah! Ele pensou, correndo atrás de Seamus. Nós o pegamos agora, Harry!
Os dois garotos correram o caminho, então pararam em um ponto que podiam ver Harry falando com a menina, sem estar próximos demais para chamar a atenção deles. Rony viu que Harry estava conversando com uma menina Sonserina muito bonita. Ah! Harry disse que ela era bonita.
Ela estava com uma mão no braço dele e estava se inclinando para ouvir o que ela estava dizendo, pois ela estava falando muito suavemente. Rony não conseguia ouvir nem a voz dela, mas Harry estava sorrindo, afirmando com um gesto da cabeça, e então rindo. E ele disse que ela era engraçada. Harry respondeu algo com uma voz bem baixa e ela sorriu.
Seamus e Rony trocaram olhares conspirativos. Continuaram a assistir enquanto mais algumas palavras foram trocadas, então os dois se separaram, a garota fazendo o caminho de volta ao castelo, e Harry indo no sentido do vestiário. Eles escutaram Harry rindo novamente enquanto andava.
"É melhor eu ir me trocar também," Seamus sussurrou, "Mas não vou falar nada por enquanto. Vamos apanhá-lo no jantar."
"Certo," Rony sussurrou em resposta. Ele bateu amigavelmente nas costas de Seamus. "Bom trabalho. Ele não vai poder inventar desculpas para se escapar dessa vez!"
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Draco se apressou de volta para seu quarto com um livro empoeirado da biblioteca embaixo do braço. Tinha demorado mais do que esperava para encontrar algo a respeito de transfiguração de pedras preciosas. E o feitiço em si era mais complicado do que o esperado. Ele não tinha tempo para fazer nada agora além de esconder o livro e o anel na gaveta de sua escrivaninha. Teria que criar tempo amanhã para ficar sozinho, para trabalhar no feitiço. Ficou parado por um momento olhando ao redor do quarto. Tudo estava em ordem. Olhou para o tabuleiro de xadrez e sorriu. Ah, ele tinha grandes planos para essa noite! Uma envolvendo uma certa caixa no seu guarda-roupa. . . e a outra. . . bem, Harry tinha dito essa manhã que ele não queria ter ido embora ontem à noite, e Draco estava desejando ardentemente que ele fosse ficar a noite inteira hoje. Seu segundo plano dependia disso.
Ele foi até a porta e estava prestes a sair, quando teve um repentino e frio pensamento. Ele correu até o banheiro, abriu seu armário de remédios e retirou uma jarra contendo uma poção azul. Se Harry fosse passar a noite, ele poderia abrir o armário, e Draco não podia deixar Harry ver isso. Ele pegou a jarra com a poção e a escondeu no fundo da prateleira mais alta de seu guarda-roupa, então respirando fundo e com um último olhar ao redor do quarto, ele desceu para jantar.
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Harry tomou uma ducha e se vestiu no vestiário para que pudesse ir direto para o quarto de Draco após o jantar. Ele até trouxe seus itens pessoais, convenientemente encolhidos e escondidos, no caso de ele não voltar para seu quarto essa noite. Finalmente era sexta à noite, então eles não teriam que fazer tarefas, e poderiam passar a noite inteira juntos – ou talvez, ele esperava, até a manhã inteira. Voltou para o castelo com Seamus de bom humor, ignorando deliberadamente os olhares que o outro menino estava lhe mandando. Harry estava certo do que Seamus achava que sabia, e estava enormemente entretido, mas não tinha intenção nenhuma de revelar isso para Seamus.
Quando eles entraram no Salão Principal, Harry viu, para sua surpresa, que eles estavam atrasados e que a janta já estava no fim. Evidentemente, demorou mais tomando banho e se arrumando do que pensara. A maioria dos estudantes já tinha se retirado, ou estavam se levantando nesse momento. Ele e Seamus se sentaram do outro lado de Rony e Hermione na mesa da Grifinória quase deserta. Rony tinha um braço ao redor de Hermione e estava sussurrando algo para ela quando eles se sentaram.
Hermione lançou um olhar exasperado para Rony, então balançou a cabeça. "Você não está nem morno," ela disse. Então ela se virou e sorriu para Harry, que estava sentado diretamente na frente dela. "Harry," ela disse, gesticulando na direção de Rony e Seamus, "Esses dois intrometidos acham que descobriram seu segredo, apesar de um deles me prometer especificamente que não iria te pentelhar com isso."
"Mas eu não posso evitar se vimos ele, Hermione," Rony protestou.
"Me viu o que?" Harry perguntou, sem preocupação, enquanto devorava seu jantar. Ele se permitiu um olhar rápido à mesa da Sonserina. Estava feliz por ver que Draco ainda estava lá, e por ver que o outro garoto estava comendo dessa vez.
"Nós vimos você conversando com aquela garota Sonserina," Seamus disse. "Fora do vestiário. Vai lá, Harry, desista. Não é ela que você está vendo?"
Harry riu. "Ah, você está falando da Natalia? Não, ela é só meu par para o Baile Anual. Não estou interessado nela."
"Falei," Hermione disse para Rony com orgulho.
Rony e Seamus trocaram idênticas expressões bobas e assustadas. "Seu. . . par?" Seamus quase gritou. "Mas, se ela não é com quem você está saindo. . . Harry, está louco?"
Harry apenas deu de ombros.
"Isso é loucura!" Rony disse, forçando-se do seu choque momentâneo. "Depois do que me disse essa tarde – você está levando outra pessoa para o Baile?"
"Bem," Harry disse, com um ar falso de inocência, "na verdade, espero poder ir com as duas pessoas."
Rony e Seamus o encararam em choque.
"Harry," Rony finalmente disse, como se estivesse explicando a coisa mais óbvia para uma pequena criança, "você não pode levar sua namorada para o Baile Anual junto com outra garota."
Harry deu uma mordida em sua galinha. "Eu não tenho uma 'namorada,'" ele disse.
"Do que está falando?" Rony gaguejou. "Você me disse que era sério – se apaixonando!"
"Eu estou. Apenas estou negando o termo 'namorada'. Você está se apressando à conclusões que não são. . . er. . . precisas."
Seamus rolou os olhos. "Tá bom, então você não conhece ela a tempo suficiente para chamá-la de namorada – você ainda não pode levar duas garotas para o Baile Anual! Você não acha que ela vai ficar brava quando descobrir que você andou beijando ela e então convidando outra pessoa pro Baile? Você vai estragar tudo antes mesmo de poder dizer namorada."
Na verdade, Harry pensou, Draco provavelmente ia ficar bravo. Mas Harry estava esperando poder convencê-lo. Afinal de contas, Draco nem escutou o plano das meninas, e até Harry teve que admitir que era perfeito. Só Sonserinos mesmo para bolar um plano desses – certamente Draco iria apreciar assim que soubesse. "Bem, para começar," Harry disse para Seamus, sorrindo. "Natalia me convidou para o Baile. E quanto à outra coisa, acho que vou arriscar."
Harry apanhou seu copo de suco de abóbora e estava dando um gole quando seus olhos se encontraram com os de Hermione por baixo de seus óculos. Ela tinha aquele olhar de Eu-sei-a-resposta. Harry quase cuspiu suco por toda a mesa.
Seamus, nesse momento, e ignorante dessa troca, repentinamente sorriu e disse, "Ou talvez, é a palavra namorada que está te incomodando, Harry. Talvez seja um namorado que você tem."
Harry, ainda tentando lidar com o suco em sua boca, engoliu pelo lado errado e começou um ataque de tosse.
Rony olhou feio para Seamus. "Ah, pelo amor de Deus, Seamus, que coisa horrível de se dizer. Olhe o que você fez com ele."
Seamus bateu nas costas de Harry algumas vezes. "Está bem, Harry?"
Harry concordou quando o ataque de tosse parou. Voltou a olhar para Hermione. Como que ela descobriu? Ela tinha uma mão na frente da boca e o estava observando com um olhar misturado de preocupação e hilaridade. Ele tinha certeza que ela só estava se contendo para não rir dele porque estava com medo que ele engasgasse. Ele olhou para a mesa Sonserina e viu para seu horror que Draco estava prestes a se levantar de sua mesa e vir até ele. Ele rapidamente balançou a cabeça, e viu para seu alívio que Draco relaxou.
Enquanto isso, Rony e Seamus tinham começado um argumento a respeito do comentário do último. "Eu só estava provocando ele porque ele provocou a gente!" Seamus estava dizendo ardentemente. "E eu não vejo qual é o grande problema. Não há nada de errado em garotos gostando de garotos."
"Bem, Harry não é desse jeito," Rony protestou.
"E por que não o Harry?" Seamus retornou. "Eu só estava brincando antes, mas agora que penso bem, ele nunca se referiu à pessoa como 'ela'. E outra coisa – se é uma garota, ela deve ser a menina mais agressiva que eu já vi. Quero dizer, Harry voltou com a camisa toda desabotoada – na primeira noite que estiveram juntos! Se me perguntar, isso parece muito os atos de um menino!"
Harry colocou a cabeça nas mãos, principalmente para não dar risada da percepção exata de Seamus, mas também porque estava se sentindo culpado. Provocá-los tinha sido divertido, mas ele certamente não queria iniciar uma briga. E, ele reconheceu, realmente não gostava de manter segredos de seus amigos. Escutou mais uma rodada de "Ele não é!" – "E por que não?" e pensou, vou ter que contar agora. Respirou fundo. Certo, vou contar de uma vez.
"Tá bom, chega!" A voz de Hermione quebrou o argumento. "Meninos, deixem-no em paz, por favor? Se ele quer manter um pouco de privacidade para variar, por que é tão difícil para vocês dois entenderem?"
Harry levantou a cabeça com o silêncio resultante e lançou um olhar grato à Hermione.
"Desculpa, Harry," Rony e Seamus murmuraram. Eles ainda estavam franzindo um para o outro.
Uma trégua silenciosa relutantemente pairou sobre o grupo enquanto eles continuavam com sua refeição. Harry viu Draco se levantar e deixar o Salão Principal, mas forçou seus olhos a não o acompanhar. Terminou seu jantar o mais rápido que conseguiu sem parecer estar com pressa. Seria mais seguro, ele pensou, esperar um pouco antes de sair também. O Salão Principal estava quase vazio, e isso significava que eram menores as chances de encontrar um estudante nos corredores enquanto fazia o caminho até o quarto de Draco.
Olhou para Rony e Seamus, então sorriu levemente. Eles ainda estavam se olhando como se o argumento fosse começar novamente – apenas a presença de Hermione servindo como impedimento. Harry olhou para Hermione. Ela olhou para ele, aquele olhar sabido ainda em seus olhos. Ele estava morrendo para perguntar se ela sabia sobre Draco. Mas é claro que ele não podia agora.
Nesse momento, Dean e Neville entraram e se sentaram. Dean cruzou os braços e lançou um olhar pontiagudo para Seamus. "E onde você estava, se me permite perguntar?" ele disse, aborrecido. "Nós quase perdemos o jantar, esperando por você."
Neville se inclinou para frente por cima da mesa para adicionar, "nós estivemos trabalhando naquele projeto de Herbologia a tarde inteira. Você disse que viria ajudar depois do treino de Quadribol."
Seamus bateu as mãos nos lados de sua cabeça, sua boca aberta. "Ah, que inferno, galera," ele exclamou. "Eu esqueci completamente! Olha, eu prometo que vou compensar vocês. Vou trabalhar nele o dia inteiro amanhã." Então seus olhos escorregaram para Harry e ele sorriu travessamente. "Mas," ele disse em um tom baixo e conspirativo, inclinando-se mais perto de Dean e Neville, "esperem até eu contar porque eu esqueci!"
Harry achou que essa era a hora certa de escapar. Nesse momento. Ele se levantou da mesa e andou até a porta. "Tenho que ir agora," ele anunciou, cortando Seamus sem olhar para ninguém. "Não esperem por mim!" ele adicionou com um sorriso, então se dirigiu à saída.
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Harry tinha andado apenas uma pequena parcela do corredor, e estava se parabenizando pela escapada, quando ouviu seu nome.
"Harry?" a voz suave o chamou. Hermione. Harry parou e se virou, permitindo que ela o alcançasse.
"Acho que posso deduzir da sua reação lá, que eu estava certa acerca de quem você está vendo," ela disse, vindo a ficar face a face com ele.
"Você estava certa," Harry disse. "Mas como? Como você descobriu?"
"É elementar, meu caro," ela disse, com um sorriso satisfatório. "Eu vi o tabuleiro de xadrez no quarto de Draco quando eu fui lá ontem à tarde. Você disse a Rony que estava jogando xadrez com alguém de outra casa, mas ninguém na Lufa-Lufa ou na Corvinal tinham visto você. E eu também percebi que você e Draco estavam agindo diferente um com o outro ontem de manhã fora da sala de Poções." Ela pausou, então repentinamente séria, adicionou, "Eu pensei na época, que vocês finalmente tinham dado uma trégua, mas. . . você realmente quis dizer aquilo – o que Rony comentou nessa tarde – sobre se apaixonar?"
"Sim," Harry disse, ficando tenso com a perspectiva de outra cena como a com Rony mais cedo. "Eu falei sério."
"Mas, Harry. Com Draco? Como?" Ela olhou para ele, preocupação e incredulidade em seus olhos castanhos. "Vocês dois se odeiam desde o primeiro ano, e até ontem, eu pensei que você mantinha esses sentimentos. Como isso pôde mudar tão rápido?"
"A gente não se odiava, Hermione," Harry disse com animação. "Não de verdade."
Ela parecia continuar em dúvida. "Era o que parecia, Harry."
"Eu sei," ele disse, dando de ombros. "Até eu acreditava que sim. Mas. . . noite passada nós conversamos durante horas, sobre tudo, e. . . Deus, Hermione, vai parecer idiota, mas. . . parece que ele estava sempre bravo comigo porque ele estava terrivelmente machucado porque eu não gostava dele, porque ele gostava de mim, e eu estava sempre bravo com ele porque ele continuava a agir como um babaca e eu não podia gostar dele, mas eu queria. E esse tempo todo teve essa atração intensa entre nós que eu não entendia e que ficava colocando lenha no fogo." Harry pausou, então continuou mais hesitantemente. "Ele mudou, Hermione. Noite passada, ele me explicou muitas coisas, e eu não posso. . . continuar a culpá-lo. . . por tudo que ele fez no passado. . . isso não importa mais para mim."
Hermione concordou pensativamente, então sorriu para Harry. "Acho que isso faz sentido, de um jeito estranho. Explica porque vocês estavam sempre tão bravos um com o outro, mas não conseguiam deixar o outro em paz. Mas o que aconteceu, Harry?" ela perguntou. "O que trouxe vocês juntos para começar?"
"Ele me beijou," Harry disse suavemente, com um sorriso envergonhado. "E depois eu percebi que ele estava sério, e não planejando uma brincadeira para me humilhar, eu. . . bem, eu não consegui parar de querer beijá-lo também. . . então eu beijei."
"Uau," Hermione disse. "Ele simplesmente veio até você e o beijou! Isso é. . . uau. . . tão incrível."
Harry balançou a cabeça, surpreso. "É isso que você tem a dizer?" ele perguntou. "Eu esperava que você fosse ficar chocada – e brava. Quero dizer, foi um choque para mim!"
Hermione riu. "Bem," ela disse, "não sei ainda se acredito em tudo isso. Ainda não tive a chance de ver vocês dois. . . juntos. E eu não estou brava porque andei falando bastante com Draco desde que o ano começou. Eu vi a mudança nele. Não disse nada para você e Rony porque achei que vocês iam ficar chateados. Na verdade, quando eu ouvi que ele tinha sido eleito Monitor, estava temendo ter que ir falar com ele, mas então ficou claro muito cedo que tinha algo de diferente nele. Você sabe que ele devia ter sido Monitor Chefe esse ano, não sabe?"
"Sim, eu sei," Harry disse, infeliz, pensando que parte da culpa por isso não ter acontecido era dele.
"Eu queria que ele tivesse sido. Ele é tão esperto, Harry. Ele me ajudou a resolver vários problemas dificílimos, e com muita educação, ainda. Mas mesmo ele tendo mudado, Harry, eu. . . eu espero que não se importe se eu disser isso. . . eu apenas pondero se isso é bom para você. Quero dizer, acho que você precisa de alguém mais. . . amável. Ele sempre parece tão distante e. . . bem. . . frio. Ultimamente, tem vezes que ele apenas parece triste. Eu acho que nunca o vi sorrir. Na verdade, ontem de manhã, fora da sala de Poções quando vocês dois estavam dando sorrisinhos um para o outro foi o mais perto que eu já vi." Ela pausou, então pareceu pensativa, e colocou a mão no braço de Harry. "Pensando bem, isso é o mais perto que eu vi você sorrir em muito tempo," ela disse, uma luz gentil em seus olhos. "Rony está certo. Você realmente parece estar mais feliz nesses últimos dias."
"Eu estou," Harry disse, sorrindo para ela. "E você está certa a respeito de Draco. Ele andou triste. . . e isso pode ter sido parcialmente minha culpa. Mas ah, Hermione, ele pode sorrir. Quase faz meu coração parar quando ele sorri. Eu não rio tanto, ou fico tão sério, ou me sinto tão. . ." Ele corou um pouco, continuando com uma voz mais suave, ". . . tão profundamente afetado. . . por ninguém. . . como nesses dois últimos dias com ele. Eu realmente quero que isso dê certo."
"Mas Harry, você tem certeza que podemos confiar nele, agora? E o pai dele?"
"Eu não sei o que vai acontecer com o pai dele," Harry disse, quietamente. "Mas sim, eu confio no Draco agora."
"Então tá," Hermione disse, como se tomando uma decisão naquele instante. "Nunca pensei que iria dizer isso a respeito de Draco Malfoy, mas, Harry, se você tem certeza, então tem todo meu apoio."
Harry deu um passo à frente e agarrou sua amiga em um abraço de urso. "Deus, Hermione," ele disse. "Você não tem idéia de como estou feliz em te ouvir dizer isso."
"Hmm," Hermione disse, dando tapinhas em suas costas. "Infelizmente Rony não vai ser tão fácil."
Harry a libertou do abraço e suspirou. "Eu não sei o que fazer a respeito disso. Eu realmente tentei contar essa tarde. Na verdade, eu contei para ele – pelo menos eu disse que realmente gostava de Draco. Mas ele simplesmente não escutava."
"Você vai ter que contar de forma direta, Harry," ela disse firmemente, "Ele não vai descobrir sozinho por causa de algumas dicas – não importa quão óbvias. Ele não é assim."
Harry correu uma mão por seu cabelo desarrumado. "Eu só esperava conseguir conquistá-lo aos poucos – fazê-lo aceitar Draco como meu amigo primeiro, mas ele se recusou a levar a sério. Ele ficava dizendo coisas como, 'Isso é loucura, Harry.'"
Hermione franziu as sobrancelhas. "Sim, e se ele disser isso para mim mais uma vez, vou enfeitiçar a boca dele para ficar calada o resto do dia."
Harry riu.
Hermione olhou para ele e sorriu. "É tão bom ouvir você rindo de novo," ela disse. "E não se preocupe. Ele vai estourar, gritar, e agir como um retardado por alguns dias, mas ele vai aceitar eventualmente. Ele não terá escolha. Ele te ama, Harry, mas ele nunca vai dizer desse jeito. Se você está feliz, ele não conseguirá ser contra por muito tempo."
Harry a deu outro abraço. "Obrigado," ele disse sinceramente. "Sinto-me muito melhor sabendo que você não está brava. Vou tentar contar de novo amanhã." Ele a segurou por um longo momento, seus olhos fechados, percebendo como era diferente da sensação de segurar Draco. Ela era quase uma cabeça menor que ele, e sentia pouco substancial em seus braços. Draco e eles eram mais ou menos da mesma altura e estrutura. Harry percebeu como gostava de olhar diretamente nos olhos de Draco, e Draco nos seus braços era, oh Deus, com certeza muito substancial. Ele amava o jeito como os corpos deles se alinhavam perfeitamente juntos, como era tão perfeito –
Alguém limpou a garganta quase no ouvido de Harry. "Eu me pergunto," disse uma voz baixa, enquanto Harry e Hermione se separavam, "se o Weasley sabe disso, Granger?"
Harry olhou diretamente em olhos cinza irritados. "Deus, Draco," ele suspirou. "Você precisa assustar as pessoas?"
"Não sou eu assustando por aqui." Draco olhou para Hermione com ressentimento.
Hermione franziu as sobrancelhas. "Nós estávamos conversando sobre você," ela disse.
Harry riu. "E eu estava pensando em você o tempo todo."
Draco voltou a olhar para Harry e seus olhos suavizaram bastante.
"Ela sabe," Harry disse. "Sobre nós."
"Isso não é uma surpresa, já que você contou ao Weasley nessa tarde."
"Bem," Harry disse com uma careta. "Na verdade, não contei. Hermione descobriu sozinha."
"Hmm," Draco disse, virando seu olhar para Hermione. "Isso não é uma surpresa também. O que é surpreendente é que ninguém está gritando."
"E é por isso que eu estava abraçando-a," Harry disse. "Ela acabou de dizer que temos o apoio dela."
Draco cruzou os braços e levantou uma sobrancelha. "Eu não tenho que abraçá-la também, não é?" ele perguntou, como se a idéia fosse abominável, mas o calor em seus olhos e o canto de sua boca que estava virando em um pequeno e fofo sorriso apontaram a mentira em seu tom.
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Hermione olhou para Draco e ficou surpresa com a afeição que viu flutuando em seus olhos. Sua atitude ainda era uma mistura de compostura inabalável e afastamento frio, mas o pequeno sorriso e o olhar que portava agora era algo que nunca tinha visto ali antes. Ela sentiu uma repentina, quase irresistível vontade de sorrir ridiculamente para o garoto. Ela se sentiu um pouco decepcionada quando ele virou para olhar para Harry. Deus, Draco Malfoy tinha presença. Ela tinha que confessar isso. Harry tinha também. Eles eram parecidos nesse sentido, ambos conseguindo atrair atenção apenas com um olhar ou uma palavra.
Ela os observou agora, enquanto eles se encaravam, na posição que os já vira tantas vezes prontos para brigar, com raiva e ódio brilhando em seus olhos, ela teve que recuperar o fôlego com o que viu agora. Ah, as faíscas estavam voando. O contato visual entre eles era elétrico. Draco não estava mais parecendo frio e afastado, e Harry estava corado, sua atenção completamente no Sonserino. Eles se aproximaram, as mãos se entrelaçando.
Hermione percebeu que para os dois garotos que estavam a um mero passo de distância dela, ela tinha simplesmente deixado de existir. E ela sabia de mais uma coisa também. Quase todas as meninas em Hogwarts ficariam arrasadas. Os dois garotos mais desejados da escola se apaixonaram um pelo outro. Seria um desapontamento chocante e amargo.
"Eu vim procurar você," Draco disse suavemente, levantando sua mão livre para arrumar gentilmente os óculos de Harry, "para dizer que você não pode vir até meu quarto agora. A não ser que você esteja com aquela Capa da Invisibilidade."
"Eu a tenho," Harry disse, procurando com uma mão em seus bolsos. "Em algum lugar. Eu a encolhi." Finalmente, ele retirou uma capa, atualmente do tamanho de um pequeno lenço, e então retirou a mão da de Draco para puxar sua varinha. "Engorgio," ele disse, e a capa retornou ao seu tamanho original. "Então, por que preciso disso?" ele perguntou.
Draco fez uma cara agravada. "Porque o Vicente trancou o Greg para fora do quarto deles, por algum motivo. Mas agora Greg está sentado nas escadas, e Pansy está sentada lá com ele agindo como a melhor amiga há muito tempo perdida."
Harry riu. "Ele sempre pode se aproveitar da Torre de Astronomia depois."
"Ele é muito estúpido para saber disso," Draco disse, soltando um sorriso. "Eu acho que ele realmente gosta de Pansy."
Harry rolou os olhos. "Ah, Deus," ele disse, então jogou a capa por cima da cabeça.
Draco virou para encarar Hermione quando Harry desapareceu embaixo da Capa. "Obrigado," ele disse simplesmente. "Eu não esperava isso."
Hermione estava prestes a responder, quando repentinamente Harry reapareceu por um segundo logo atrás de Draco. Ela apanhou rapidamente a expressão surpresa de Draco, e então os dois garotos desapareceram quando Harry arrastou Draco para baixo da capa também. Ela ouviu um farfalhar e então um sussurro amável. Alguma coisa como, "Te peguei agora M-F." Isso foi Harry? E uma risada baixa e sensual. Draco? Houve um longo momento de silêncio, então algo que parecia uma mistura de um suspiro contente e um murmúrio leve de prazer. Hermione não conseguiu distinguir que voz fez cada som, e então teve outro som baixo. A cara de Hermione ficou vermelha. Não havia erro no barulho de um beijo finalizado.
"Você está bem agora?" Draco perguntou com uma voz amável e provocante. "Não tossiu nenhum órgão vital, cérebro, ou qualquer outra parte corporal insubstituível, não é, M-C?"
A mandíbula de Hermione caiu em surpresa. Era óbvio que estivera errada a respeito de Draco. Ele não estava agindo frio e sem sentimentos, ou pelo menos não com Harry. Ela ouviu a risada quieta de Harry.
"Não, estou bem," ele disse. "Apenas engoli suco pelo lado errado."
O som de outro beijo fez suas bochechas queimarem. Houve um segundo de silêncio e então ela ouviu os dois garotos rirem.
"Ah, você devia ver sua cara agora, Hermione," Harry disse, rindo.
"Sim, você devia fechar a boca, Granger," Draco adicionou, "antes que morcegos decidam viver aí dentro."
"Ai! Harry, cuidado com meu pé!" Draco exclamou.
"Ah, era seu pé?" Harry perguntou, rindo novamente.
Ela ouviu Draco rir em resposta. "Você sabe muito bem que sim," ele disse, seu tom bem mais entretido do que irritado. Teve mais sons de movimento e risada, então um urgente "shhh," seguido de um silêncio abrupto.
No silêncio, Hermione ouviu passos. Ela se virou bem quando Rony a alcançou. "Hermione?" ele perguntou hesitantemente. "Por que está parada aqui sozinha?"
Hermione ia dizer que não estava sozinha quando percebeu que, é claro, certamente parecia que ela estava. E ela não podia dizer isso a ele sem causar vários problemas. "Eu só estava. . . conversando com Harry," ela disse, franzindo as sobrancelhas. "Tentando dar apoio sem o pentelhar como você e Seamus andam fazendo."
"Ah," Rony disse, uma expressão de muito remorso em seu rosto. "Por favor, não fique brava comigo, Hermione. Eu sei que devia ter deixado o Harry em paz, mas. . . não consigo evitar. Tem alguma coisa estranha acontecendo com ele e essa garota que ele está vendo – eu acho que Malfoy também está envolvido com ela de alguma forma, e estou preocupado. Eu só não quero que ele se machuque. . . e. . . amor, por favor não fique brava comigo. Não consigo suportar."
Hermione olhou nos olhos azuis implorando a ela e cedeu. Ela não poderia possivelmente ficar brava com ele por muito tempo. A lealdade infalível dele com as pessoas de quem gostava, mesmo quando tomava um caminho errado não intencionalmente, era uma das coisas que ela mais amava nele. "Não estou brava," ela disse suavemente. "E ninguém quer que Harry se machuque, mas nós não podemos interferir nas escolhas dele." Ela ignorou o que Rony disse sobre a garota – ela não ia ser a primeira a contar que não havia uma garota. "Tente se lembrar que você pode machucá-lo," ela continuou, "se você se recusar a apoiá-lo nisso. E convenhamos, não há nada que possa ser feito a respeito agora, a não ser aceitar. Harry já está profundamente envolvido. . . na verdade, parece que os dois estão."
Rony suspirou. "Então, você viu os dois juntos? Estava certa a respeito de quem era?"
"Sim," ela disse. "E sim, estava certa."
"Não é ruim, é? Harry disse que eu não iria gostar."
Hermione cruzou os braços e tentou parecer severa, mas não conseguiu muito. A incrível, e de alguma maneira intensamente encantadora imagem de Harry e Draco segurando mãos, olhando nos olhos um do outro como se ninguém mais existisse no mundo, ficava correndo por sua mente. "Não é ruim," ela disse com convicção. "Na verdade, eu acho que isso pode ser muito bom – para os dois." Assim que todos se recuperarem do choque, claro, ela adicionou silenciosamente. "Mas é tão. . . chocante. . . quero dizer. . . é incrível. . ." Deus, eles tinham sido tão. . .tão. . .carinhosos um com o outro! Sim, ela pensou, não tem outra palavra para descrever. Ainda havia aquela grande intensidade entre eles – que não mudou. Isso sempre esteve ali, ela percebeu então, sempre. Mas eles estavam a expressando e respondendo a ela agora de uma maneira que ela nunca teria imaginado. Era de se tirar o fôlego. "Ah, Rony," ela disse, quebrando em um sorriso, finalmente sucumbindo diante dos fatos, "você devia ter visto. . . é incrível e chocante tudo ao mesmo tempo. Porque essa é a última pessoa que imaginaríamos Harry namorando."
Houve uma quieta, mas distinta tosse insultada no ar diretamente atrás de Hermione.
Ai meu Deus! As bochechas de Hermione ficaram rosa. Ela tinha esquecido por um segundo que Harry e Draco ainda estavam atrás dela.
Rony levantou a cabeça, mas então pareceu ignorar o som sem explicação. "Bem, seja lá quem for, Harry está mais feliz," ele disse. "Isso com certeza é bom." Então ele deu um passo à frente e colocou os braços ao redor de Hermione. "E eu estou muito feliz com você," ele disse, sorrindo por um momento antes de descer para beijá-la.
"Rony," ela sussurrou urgentemente, segurando-o. "Aqui não!"
Ele apenas sorriu. "Por que não? Ninguém vai nos ver. Não tem ninguém sequer perto daqui agora."
E Hermione foi apanhada por um doce beijo que após alguns segundos se transformou em algo bem mais intenso.
Repentinamente, Hermione e Rony se viram rodeados por um horrível som de gemidos. E embaixo daquele som terrível tinha. . . risinhos?
Os dois se separaram.
"Que merda foi essa?" Rony disse, surpreso, quando o barulho parou repentinamente.
"Er. . . fantasmas!" Hermione disse rapidamente. "Vamos!" Ela agarrou o braço de Rony. "Vamos sair daqui. Nós podemos ir para o meu quarto."
Rony permitiu que ela o puxasse, apesar de continuar olhando para trás por um momento na direção no corredor vazio e agora silencioso.
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Quando estavam completamente fora de vista, Draco saiu debaixo da Capa da Invisibilidade. "Ai. Meu. Deus," ele murmurou. "Eu não precisava ver aquilo!" Ele ouviu Harry rir do seu lado e sorriu. Estendeu sua mão a qual foi invisivelmente agarrada. "Pronto para encarar as escadas?" ele perguntou para o ar ao seu lado.
"Quando você estiver," foi a resposta sussurrada, e o aperto na sua mão ficou mais forte.
"Certo então," Draco disse. "Fique próximo." Ele caminhou até a Torre da Sonserina com Harry o seguindo na Capa da Invisibilidade. Eles subiram dois andares das escapas estreitas sem nenhum incidente, então no terceiro andar, Draco parou e com um último aperto, soltou a mão de Harry. Gregório Goyle estava sentado no último degrau, a cabeça em suas mãos, com Pansy praticamente deitada em cima dele. Juntos, eles bloqueavam a escada completamente. Draco sentiu Harry se encostar-se a ele, uma pressão quente em suas costas, e sentiu a respiração em sua orelha quando Harry olhou por cima de seu ombro. Então sentiu Harry se afastar, fora do caminho, uma mão coberta passando suavemente pelo braço de Draco enquanto ia. Draco suprimiu um arrepio com o toque invisível, então virou sua atenção para as duas obstruções Sonserinas no seu caminho. Fixou Greg com um olhar frio. "Por que Vin te trancou para fora?" ele perguntou com um pouco de impaciência se mostrando em sua voz.
Quando Greg não respondeu, Pansy deu de ombros e respondeu no lugar dele. "Estive perguntando a mesma coisa há meia hora, mas ele não quer falar."
Draco cruzou os braços e lançou aos dois um olhar sinistro. "Então se mexam," ele comandou quietamente. "Quero ir para o meu quarto."
Greg apenas gemeu tristemente e tentou se apertar na parede, o que não fez diferença nenhuma em relação ao espaço na escada.
Draco rolou os olhos quando Pansy deu uma palmada nas costas de Greg. Ele tinha que dar crédito a Greg. O garoto estava tirando o máximo de proveito da situação. "Pansy," ele disse severamente. "Levante-se. Eu só quero passar, e então vocês podem voltar a se pegar."
Pansy lançou a Draco um olhar raivoso. "Estou sendo uma amiga, o que é mais que você está fazendo. Você é nosso Monitor. Por que você não faz algo? Poderia pelo menos conversar com Vin."
Draco jogou o cabelo para trás. "E por que eu faria isso? Eles são grandinhos. Eu não preciso me envolver toda vez que eles têm uma briga estúpida." Deu um passo à frente e estendeu uma mão para ela. "Pansy, vamos. Eu vivi com eles por seis anos. Acredite, isso provavelmente é algo bem idiota."
"Não é idiota," Goyle disse, falando pela primeira vez.
"Ah! Viu," Pansy disse. Ela cruzou os braços e lançou um olhar desafiador para Draco.
"Como se ele fosse saber que não é idiota," Draco murmurou baixinho, completamente perdendo o pouco de paciência que tinha. "Tá bom!" ele disse alto. Andou até a porta e bateu com força nela. "Vin!" ele gritou. "Abra essa porta agora!"
Uma voz veio do outro lado e disse, "quem está aí?"
"É o Draco, seu imbecil! Abra a porta!" A porta se abriu uma fresta. Draco escancarou a porta, agarrou um Vicente muito surpreso pela camisa e o arrastou até o lado de fora. "Você," Draco disse com uma voz baixa e com um tom de não-vou-mais-aguentar-baboseiras, "vai me dizer que maldição está acontecendo, para que eu possa voltar para o meu quarto."
Crabbe se virou e apontou para Goyle com uma expressão acusatória e raivosa. "Ele escondeu Snooky e não quer me dizer onde ele está. Então eu o tranquei para fora e disse que ele não pode voltar até que me devolvesse."
Os olhos de Draco foram para o teto, então ele virou para Goyle, incrédulo. "Você pegou Snooky!" ele disse. "Está louco?" Olhou feio para Greg por mais um momento, então se virou para Crabbe e colocou um braço ao redor do grande menino. "Pronto, pronto, não se preocupe," ele disse em uma voz baixa e confiante, enquanto acompanhava Crabbe até a porta. "Vá lá para dentro e relaxe. Eu farei Greg devolver seu Snooky."
Depois que Crabbe desapareceu dentro do quarto, Draco se virou para Goyle e lhe lançou um olhar de desgosto. "Isso foi baixo," ele disse, "até para um Sonserino. O que te interessa se ele tem aquele estúpido ursinho?"
"Ah, Draco," Goyle gemeu. "Estava ficando nojento. Está sujo e ele. . . ugh. . . beija aquilo todas as noites. Me dá calafrios."
Draco continuou olhando feio. "Tá bom," ele disse, com a voz mais baixa. "Eu não queria fazer isso, mas acho que terei que contar a verdade sobre aquele brinquedo dele. Mas primeiro você terá que jurar que nunca vai contar a ele que sabe." Ele lançou um olhar severo a Greg e Pansy e eles concordaram. "Eu só sei disso porque escutei a mãe dele conversando com a minha mãe quando éramos pequenos. Aquele ursinho. . . ou seja lá o que for. . . tem um feitiço anti-transfiguração nele. Se ele não dorme com ele todas as noites, pode voltar a ter ataques de Animago. A mãe dele disse que ele começou a ter esses ataques quando ele era um bebê, que estava se transformando em algum tipo de monstro horrível enquanto dormia. Aquele ursinho pode ser nojento, mas eu diria que é melhor do que acordar com um tentáculo em volta da sua garganta." Draco se inclinou mais perto de Greg e sussurrou, "Eu ouvi elas dizerem que ele acidentalmente matou um dos elfos-domésticos assim – e ele tinha cinco anos de idade."
Greg engoliu seco e ficou um pouco verde. Levantou-se e contornou Draco. "Eu. . . er. . . acho que vou devolvê-lo agora mesmo," ele disse, e correu para seu quarto, batendo a porta atrás de si.
Draco rolou os olhos. "Finalmente," ele disse. Então ele se virou para Pansy e levantou uma sobrancelha. "Pronto, fiz alguma coisa. Posso subir agora?"
Pansy pulou até Draco, parecendo apreensiva. "Greg vai ficar bem – quero dizer, sozinho lá com Vin a noite inteira?" Então ela franziu as sobrancelhas de maneira suspeita quando Draco começou a rir. "Aquela história não era verdadeira, não é, Draco?"
"Não," Draco disse, olhando para ela com divertimento frio, "é claro que não. Ela foi, no entanto, brilhantemente eficiente. Fez com que Greg voltasse ao quarto, você sair das escadas, e Vin consegue pegar Snooky de volta." Ele deu de ombros. "Eu disse que seria alguma coisa idiota."
Ela sorriu para ele sedutoramente. "Ah, eu sabia o tempo todo. E você estava certo. Como é comum."
"Como sempre," ele disse, andando para contorná-la. Ele não sabia onde Harry estava, mas com certeza ele deveria estar pronto para seguir agora que Pansy não estava mais nas escadas.
Mas Pansy deu um passo para o lado rapidamente e bloqueou seu caminho novamente. Ela riu, flertando. "Não vou deixar você ir por enquanto," ela disse naquele tom pingando de açúcar. "Não até que você concorde em ir ao Baile Anual comigo."
Draco congelou onde estava, enojado com aquele risinho revoltante. Oh Deus, ele pensou, não isso de novo. Por que não podemos apenas ir até o quarto em paz? Deu um passo para longe dela, e cruzou os braços. "Não," ele disse firmemente. "Já te disse que não." Ele deu mais um passo quando ela veio em sua direção. "Pansy, estou falando sério. Não vou com você." Deu outro passo. "Não começa," ele disse, um tom de verdadeiro pânico em sua voz quando ela se aproximou ainda mais. "Você sabe que eu odeio isso."
"Eu sei que você não está falando sério," ela disse, então ela se jogou em Draco e colocou os braços ao redor do pescoço dele.
"Ei!" Draco gritou. Ele pegou os braços dela e tentou retirá-la, mas ela estava agarrada nele como uma macaca.
Um segundo depois, no entanto, sem aviso, Pansy soltou um grito estridente e colou ainda mais em Draco. "Draco!" ela disse, agarrando-se nele com toda sua força. "O que é aquilo?"
"Pare de me agarrar!" Draco disse. "Você vai arruinar minha camisa! Eu não faço idéia do que está falando."
"Lá! Olha! No chão!" A voz dela estava ficando irritantemente aguda. "Não está vendo?"
"Como posso ver algo com você em cima de mim?" ele demandou, ficando cada vez mais irritado e envergonhado. Ah que droga, ele pensou. O que Harry vai pensar disso? Mas então Draco olhou para o chão, e teve que segurar a vontade de cair rindo no chão. Bem no meio da escada, de pé nos dedos, estava. . . uma mão! Ele abaixou a cabeça para esconder seu sorriso, mas o olhar de Pansy estava grudado naquela mão e com certeza não viu sua reação. Levou um segundo para que controlasse sua expressão, então ele voltou a olhar para cima com um olhar aperfeiçoado de total desinteresse, balançou a cabeça tentando retirar o cabelo dos olhos. "Não," ele disse, com uma voz contida, tentando parecer entediado. "Não vejo nada. O que essa coisa parece?"
"É uma mão!" ela gritou. "Uma mão sem corpo! Parada bem ali!"
"Ah, qual é Pansy," ele disse, ficando realmente irritado com os gritos nos seus ouvidos. "Controle-se, vai. Não tem nada ali!"
Repentinamente a mão se moveu. Ela rastejou até Pansy, correndo no chão com seus dedos aracnídeos.
Pansy gritou e tentou escalar Draco. "Ah Deus, Draco, faça alguma coisa!" ela chorou. "Pisa nela! Mate-a! Não deixe que me toque!"
"Gaaaah!" Draco pensou por um momento que ela fosse o enforcar. "Sai de mim!" ele gritou, tentando retirar os braços dela, ou pelo menos soltar um pouco para que conseguisse respirar. "Você ficou louca?"
A mão parou a mais ou menos meio metro do sapato de Pansy. Ela ficou ali, balançando, como se preparada para atacar.
Draco agarrou com força os ombros trêmulos de Pansy e finalmente conseguiu retirá-la dele. Então ele a chacoalhou levemente. Ela parecia ter congelado de medo. "Pansy!" ele disse com voz alta. "Escute! Não é real! Seja lá o que está vendo – não tem nada ali."
Ela olhou rapidamente para ele, então voltou a olhar instantaneamente para o chão. "Mas eu estou vendo," ela gemeu. "Bem ali."
"E eu estou dizendo que não tem nada ali," Draco disse.
"Tem certeza?" ela perguntou incerta, sua voz falhando.
"É claro," ele respondeu serenamente. "Não estou sempre certo? Aposto que se você tentar tocar nela, seu pé vai atravessá-la."
Pansy parecia extremamente cética. "Ah, não. Você toca primeiro."
Draco suspirou dramaticamente. "Eu nem consigo vê-la. Como vou tocá-la?"
Pansy olhou para baixo. O canto de seu sapato se moveu vagarosamente na direção da mão.
A mão pulou nela! Pansy gritou quando dedos frios agarraram seu tornozelo. Eles eram frios, muito sólidos e indubitavelmente reais. Ela desesperadamente tentou se soltar de Draco, mas por alguns segundos ele a segurou firmemente. "Solte-me!" ela gritou. Ele soltou, e a mão fez o mesmo. Pansy quase caiu para trás, braços rodopiando freneticamente, então ela se virou e correu escadas acima. Eles ouviram um bater de porta um momento depois.
"Vamos," Draco disse, segurando a mão que agora estava flutuando no ar. Os meninos correram, como se todas as criaturas do inferno estivessem atrás deles, as escadas acima para o quarto de Draco e trancaram a porta atrás deles. Draco se jogou contra a porta fechada e sentiu uma presença invisível ao seu lado fazer o mesmo. Então Harry retirou a Capa da Invisibilidade, e Draco se virou para ele, caindo em seus braços. "Deus, Harry," ele disse com um calafrio, "isso foi horrível. Sinto-me abusado."
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"Você está bem," Harry disse, massageando as costas de Draco. "Está comigo agora." Após um momento, ele alcançou e passou a mão pelo cabelo na nuca de Draco. Ele sentiu o loiro se arrepiar.
Draco se afastou um pouco e começou a rir. "Suas mãos estão super geladas," ele disse. "Entendo porque Pansy gritou."
Os olhos deles se encontraram e ambos desataram às gargalhadas. Draco deixou sua testa cair no ombro de Harry, e eles ficaram parados assim, segurando-se, rindo sem parar por vários minutos.
"Aquilo foi brilhante!" Draco finalmente disse, quando conseguiu falar novamente. "Muito engraçado." Ele levantou sua cabeça, balançou-a para retirar o cabelo dos olhos, e sorriu para Harry. "A Mão Sem Corpo!" ele riu. "E, oh, Deus, a cara dela! Foi quase melhor que a cara de Snape." Ainda rindo, ele massageou a ponta da Capa da Invisibilidade que estava jogado sobre o ombro de Harry. "Nós podíamos nos encrencar bastante com isso, sabe," ele disse com um sorriso e um brilho travesso em seus olhos.
"Sim, definitivamente podíamos," Harry disse, sorrindo também.
Draco riu novamente, então empurrou Harry contra a porta e o beijou profundamente. "Você vive me surpreendendo Harry," ele disse entre beijos. "Quando me imaginei com você – " Beijo. "Eu nunca pensei – " Beijo. "Que seria – " Longo beijo. "Tão – " Beijo. "Divertido."
"Você não sabia – " Harry murmurou, sentindo-se um pouco tonto, enquanto os beijou eram trilhados pelo seu pescoço. " – que as minhas iniciais significam Harry Peralta?" Ele inclinou a cabeça na porta atrás dele, olhos fechados, então sorriu ao ouvir a risada baixa de Draco.
"E eu, todos esses anos," Draco disse docemente, levantando a cabeça para olhar para Harry, "achando que significava Homem Potente."
Harry quase sufocou quando ouviu essas palavras, e também quando sentiu Draco se pressionar nele, e seus olhos arregalaram.
Draco estava lhe encarando com a expressão mais inocente, angelical e, quem-eu-disse-isso? "Pirralho," Draco disse, sorrindo suavemente para ele. "Quis dizer pirralho."
Os olhos deles se encontraram e Harry sentiu sua face corar ao ver aquele sorriso e a profunda afeição iluminando aqueles olhos cinza tão adoráveis. Sorriu também. "Tenho certeza que disse exatamente o que quis, querido," ele brincou, enquanto gentilmente puxava Draco para mais perto dele, e foi gratificado um segundo depois quando Draco corou também. Uau. Que lindo. Um pequeno tremor de desejo surgiu nele. "Você também me surpreende," Harry disse, inclinando-se para outro beijo suave. "E é incrível – que podemos nos divertir juntos."
Draco riu. "Apenas espere," ele disse sorrindo. "Tenho algo ainda mais divertido planejado." Ele saiu do abraço de Harry e andou até o tabuleiro de xadrez. "Peão para D4," ele disse, enquanto movia uma das fadas brancas. Então ele olhou para Harry com um sorriso genuíno.
Harry olhou para ele e se deliciou. Esse era um Draco muito diferente daquele que dessa manhã, que tinha ficado de pé ao lado do lago, tenso e retraído. Esse Draco parecia feliz e confiante, na verdade, estava praticamente brilhando com antecipação. Alguma coisa mais divertida? Ah Deus. Harry sentiu seus joelhos enfraquecerem.
"Venha sentar aqui," Draco disse, "no chão ao lado do fogo. Eu só preciso pegar algumas coisas – já volto, e então vou te contar exatamente o que vamos fazer."
Fim do Capítulo 9
