A/N: Está pronto o capítulo 12! Este é só um tiquinho cumprido (31000 palavras), então façam pausa para o banheiro, peguem um lanchinho, uma água, e boa leitura ;D

CHECKMATE

PARTE II – O JOGO

Capítulo 12

If it were love I would give that love every second I had

And I do

Se fosse amor eu daria a esse amor todos os segundos que possuo

E eu dou

Letras de "Heaven Help My Heart" de Chess por Benny Anderson, Tim Rice e Björn Ulvaeus

Subindo as escadas da torre da Sonserina logo atrás de Draco, Harry se sentia um pouco nervoso em ser avistado, já que Draco tinha se apressado escadas acima sem que desse tempo de Harry vestir a Capa da Invisibilidade. "É muito improvável que encontremos alguém agora – estão todos jantando," Draco o assegurou quando Harry vocalizou suas apreensões enquanto subiam quietamente as escadas em espiral. "Mas caso sejamos pegos. . . eu sempre posso usar outro feitiço de memória." Ele sorriu perversamente para Harry. "Agora mesmo, eu adoraria ter uma desculpa para socar a Pansy no nariz e depois fazê-la esquecer como aconteceu." Para a sorte de Pansy, eles não encontraram ninguém nas escadas.

Harry ainda estava vestindo seu casaco de inverno e cachecol de lã que usou na caminhada até Hogsmeade, mas tinha algo no ambiente fechado e frio dessa torre que o arrepiava de uma maneira que ficar lá fora no ar gélido não fazia. A torre da Grifinória nunca era tão impiedosamente fria – era como se a escuridão das masmorras seguissem a Casa da Sonserina, até mesmo em sua torre. Harry sentiu um arrepio leve enquanto esperava Draco destrancar a porta, e ficou muito grato em entrar com segurança no quarto dele. O fogo já estava aceso na lareira e para Harry, enquanto entrava, o quarto parecia um contraste surpreendente e um alívio após a viagem tensa e frígida pela torre gelada; era acolhedor e familiar, cheio de calor e memórias doces, um local em que pertencia. Ele relaxou, a tensão da escalada já esquecida, e sorriu enquanto largava sua mochila no chão ao lado da porta e começou a desfazer os fechos de sua capa.

Draco se inclinou nele por um momento, pressionando um breve beijo no canto de sua boca, então pegou o cachecol e a capa de Harry e os pendurou ao lado da porta. "Feche os olhos," ele disse, segurando a mão de Harry.

Harry fez como mandou e permitiu ser rebocado cegamente para longe da porta. "O que está planejando agora?" ele perguntou, sorrindo, ao mesmo tempo entretido e levemente suspeito.

Eles apenas deram alguns passos e Draco parou. "Tá bom," ele disse após um momento. "Pode abrir."

Harry abriu os olhos e se encontrou parado ao lado da mesa em frente à lareira, mas ao invés do tabuleiro que deveria estar ali, a mesa estava coberta com um pano branco, servida com a louça de ouro do Salão Principal. Havia duas velas em cada lado.

Draco retirou sua varinha. "Incendio," ele disse suavemente, e as velas acenderam com um brilho dourado.

A face de Harry se iluminou com surpresa e prazer. Ele colocou um braço ao redor da cintura de Draco e o puxou para perto, seu olhar ainda preso à vista inesperada da mesa pronta para um jantar romântico. "Nós podemos mesmo comer aqui?" ele perguntou, virando com um sorriso encantado. "No seu quarto?"

Draco sorriu, extremamente contente com a reação de Harry. "Podemos," ele disse. "Nada de Salão Principal barulhento e bagunçado, sem amigos intrometidos. . . só nós."

"Isso é ótimo!" Harry disse, movendo para se sentar. "Como você arranjou tudo?"

"Eu não queria comer no Salão Principal hoje," Draco explicou com um orgulho óbvio do que havia feito, "então eu fui até a cozinha perguntar aos elfos-domésticos por alguns sanduíches para trazer aqui, e acabei com isso." Draco balançou a mão em cima da mesa e sorriu. "É uma história engraçada, na verdade," ele adicionou enquanto se sentava.

Sorrindo em resposta, Harry disse, "mas Draco, tem uma coisa faltando. Você sabe – a comida? Cheguei a mencionar que estou faminto?"

Com uma risada pequena e um olhar sarcástico, Draco levantou sua varinha e disse claramente. "Que o banquete comece." Instantaneamente, tigelas de comida, assim como no Salão Principal, apareceram na mesa.

Harry começou imediatamente a encher o seu prato. "Então, por que foi uma história engraçada?" ele perguntou, pegando um grande pedaço de frango assado.

Draco apanhou um biscoito particularmente gordo antes que Harry pudesse pegá-lo, e alcançou a manteiga. "Eu estava tentando decidir que tipo de sanduíches iria pedir, e devo ter dito algo como 'não sei se Harry vai gostar desse', mas quanto mencionei seu nome, um elfo começou a se intrometer." Franzindo as sobrancelhas, Draco espalhou manteiga no biscoito com sua faca, tentando se recordar dos detalhes. "Ele era esquisito – estava usando meias que não combinavam. Ele queria saber 'que Harry?' e 'o que o Mestre Malfoy estaria fazendo com Harry Potter?'" Draco pausou para morder seu pão quente. "Eu disse que queria pegar seu jantar, mas ele não estava aceitando isso. Eu finalmente o convenci que éramos amigos quando disse que Dumbledore sabia que você estava comigo, e depois disso ele quase se matou para me ajudar." Draco pegou o resto do frango. "Doggy – acho que era assim que os outros elfos o chamaram."

"Dobby," Harry corrigiu, rolando os olhos.

"Que seja," Draco disse com um sorriso. "Mas então, ele veio aqui comigo essa tarde enquanto você estava em Hogsmeade e enfeitiçou essa mesa como eles fazem no Salão Principal. Nós podemos comer nossas refeições aqui amanhã também. Ele até limpou um pouco de tinta que eu. . . derramei." Ele lançou a Harry um olhar pontudo. "Ele foi muitíssimo prestativo, Harry – e não por mim. Mas sim porque era para você. O que você fez para deixá-lo tão ansioso em fazer te servir?"

"É uma longa história," Harry disse, observando Draco especulativamente. Seria possível que Draco não reconhecesse Dobby, ou soubesse o que aconteceu com o elfo de seu pai no segundo ano? Ou até mais plausível, teria seu pai ficado tão envergonhado com o incidente que o manteve em segredo? Tinha acontecido há cinco anos, e teria sido típico do Draco de doze anos de idade, Harry pensou, não ter prestado muita atenção em considerar elfos-domésticos como indivíduos. "Foi algo que aconteceu no segundo-ano," Harry disse, pensando como contar, então percebendo que não queria conversar sobre isso, pelo menos não agora, não enquanto estavam jantando e Draco estava tão bom humorado. Mencionar Lúcio Malfoy iria arruinar o apetite de ambos. "Mas não é uma boa conversa para se ter durante a janta," ele adicionou, torcendo para Draco perder o interesse.

Draco deu de ombros, então levantou o rosto com um brilho endiabrado em seus olhos. "Então me conte sobre a joalheria que você visitou nessa manhã," ele provocou. "Estou bem curioso sobre isso."

"Mmm," Harry murmurou, corando levemente. Ele atrasou sua eventual resposta com uma garfada de seu frango. "É pequena, mas muito agradável," ele disse finalmente. "Eu nunca a tinha percebido antes." Ele sorriu então, percebendo quão facilmente poderia virar a mesa para provocar Draco. "Eles tinham várias coisas bonitas."

"Como. . .?" Draco solicitou após um momento, quando Harry não elaborou.

"Hum," Harry disse despreocupadamente, "pedras preciosas. . . anéis. . . colares, as coisas de sempre." Ele fingiu não perceber o sorriso surpreso que Draco estava tentando esconder com a menção de jóias. "Ah. . . eles também tinham bolas de cristais muito bonitas," ele adicionou, como se fossem as coisas mais interessantes que já tinha visto.

Draco empurrou algumas ervilhas em seu prato com o garfo. "Então. . . você comprou alguma coisa lá?" ele perguntou.

"Sim," Harry disse. Ele queria rir. Draco estava obviamente morrendo de vontade de saber o que Harry tinha comprado para ele e não estava sendo muito sutil a respeito. "Eu comprei uma coisa."

"Ah," Draco disse. "E essa uma coisa. . .?" ele esmagou as ervilhas em um quadrado verde, então olhou para Harry. "É para mim?"

Agora Harry riu. "Bem, ainda não está comigo."

Draco sorriu. "Então é para mim. Você disse que o meu seria entregue pelo correio."

"Eu também te disse que não era roupa de baixo, e é só isso que você vai arrancar de mim."

Draco pareceu pensativo e deu algumas mordidas de seu jantar antes de falar novamente. "Eu não acho que você tenha me comprado uma bola de cristal, então isso deixa as pedras preciosas, anéis e colares. Só uma dica, Harry? É algo que posso usar?"

Muitíssimo entretido, Harry balançou a cabeça em frente à persistência de Draco, então se rendeu. "É algo que você pode usar," ele disse, corando um pouco com o que isso revelava. "Espero que você goste."

"Eu vou," Draco disse suavemente.

Harry corou mais e segurou o seu copo de suco de abóbora, mas não o levantou. Tinha borboletas em seu estômago. Draco estava olhando para ele daquela forma que o transformava em gelatina, seus olhos brilhando na luz de velas, cinza com uma profundidade quente que fazia Harry se arrepiar um pouco. Ele olhou para seu prato para cobrir a reação atônita, mas Draco alcançou por cima da mesa e tocou seu pulso. Ele levantou o olhar.

"É minha vez no jogo," Draco disse, seu jeito agora sério. "Tem algo que quero dizer." Ele retirou sua mão, seus dedos saindo com uma pequena carícia. "Algo importante."

"Tá bom," Harry disse, sua voz quase um sussurro, imaginando o que poderia ser.

Eles comeram o resto do jantar em um silêncio confortável. Draco terminou primeiro e deitou seu guardanapo na mesa. Ele observou enquanto Harry terminava suas últimas garfadas de purê de batata. Era uma situação surpreendente e nova, ele pensou, sentar na mesma mesa e comer com Harry – isso era tão melhor do que jantar em mesas separadas no Salão Principal. Draco se parabenizou novamente pela inspirada ideia.

Harry levantou o olhar e abaixou seu garfo. Ele sorriu, entretido com a expressão satisfeita de Draco. "Isso foi uma ótima ideia," ele disse enquanto se levantavam. "Foi perfeito."

"Sim, foi mesmo," Draco concordou com facilidade. Cada um soprou para apagar uma vela, e Draco recitou o feitiço para fazer a louça desaparecer. Depois que a mesa ficou limpa, Draco andou até sua escrivaninha e voltou com o tabuleiro de xadrez. Ele o colocou sobre a mesa, então aplicou os movimentos que ambos já tinham feito naquela tarde no Três Vassouras – colocando sua torre branca no D1 e a torre preta de Harry no E4. "É isso?" ele perguntou, olhando para Harry.

Harry balançou a cabeça. "Sim." Ele notou com um pouco de surpresa que Draco parecia estar um pouco nervoso agora. Fez com que imaginasse ainda mais o que seria a coisa importante que iria falar.

Draco respirou fundo e então moveu seu Bispo três espaços na diagonal. "Bispo para D3," ele disse quietamente. "Venha sentar comigo na janela, Harry. Podemos conversar lá." Ele liderou o caminho até a janela e a abriu completamente; Harry o seguiu, curioso. Ar frio entrou no quarto, bem como o cheiro vivo e limpo de neve. Então Draco virou suas costas para a janela, mãos levantadas na beira, e deu um pulo para sentar-se ali. Ele se virou para encarar a janela e deixou seus pés pendurados para fora, abrindo lugar para Harry.

Harry imitou Draco, e se levantou na beira. Ele se virou, também deixando seus pés pendurarem para fora, e sorriu com a vista inesperadamente encantadora. Demorou um momento para que reconhecesse algo, já que tinha neve caindo, cobrindo todo o castelo com uma camada de branco, mas então percebeu o que estava vendo e respirou bruscamente. Ele se virou para Draco, chocado. "Aquele é o campo de Quadribol!" ele quase gritou. "Dá para ver tudo daqui!"

Draco sorriu para ele com um sorriso um pouco malvado. "Eu posso," ele concordou. "Não é uma vista espetacular?"

"Draco!" Harry estava completamente exasperado. "Não é justo, isso sim! Você pode assistir aos treinos dos outros times!" Ele estudou Draco com as sobrancelhas franzidas. "Você fez isso? Assistiu nossos treinos?"

"Eu assisti você," ele disse. "Não me importo com os outros."

Harry se sentiu tocado por essa afirmação, mas ainda chateado com o fato de que todas suas estratégias cuidadosamente planejadas tinham sido expostas. "Você estava assistindo ontem?" ele perguntou finalmente.

Draco sorriu. "Sim. E fiquei impressionado. Aqueles movimentos que você estava praticando vão pegar os outros times de surpresa."

Harry soltou um ronco. "Com a exceção da Sonserina, você quer dizer."

"Não," Draco disse quietamente. "Quero dizer todos. Os sonserinos não vão ficar sabendo de nada por mim."

"Isso é loucura," Harry disse, tentando entender essa afirmação confusa. "Por que você não contaria? E mesmo que você não conte, durante o jogo você vai saber, e isso faz toda a diferença."

"Mas eu não vou estar no jogo."

Houve um segundo de silêncio antes que Harry conseguisse responder. "O que?"

"Eu não vou jogar. Saí do time. Então realmente não importa o que eu vi."

"Sair? Mas. . . por quê?" Harry perguntou, perplexo e desorientado. "Por que agora?"

"A verdade é," Draco disse com calma, "que eu não quero continuar nessa rivalidade estúpida com você. Eu não posso fazer isso agora. Eu quero voar com você, não contra você em uma competição planejada."

"Então você apenas desistiu? Por minha causa – nós?" Harry o encarou, sentindo-se repentinamente desolado. "E se eu não quiser que você desista?" Ele pausou, incerto de como explicar o sentimento de perda que sentia. Ele não tinha sempre odiado jogar contra Draco? "Era divertido, jogar contra você," ele disse finalmente. "Você tornava o jogo excitante."

Draco soltou uma risada curta. "Ah, claro," ele disse, "era divertido para você. Porque você sempre ganhava."

"E todo mundo vai achar que essa é a razão que você saiu do time!" Harry protestou. "Além do mais, como você pode desapontar sua casa desse jeito?"

"O que todo mundo pensa não tem importância," Draco disse sem emoção. "E quanto à minha casa, estou cansado do que a Sonserina representa hoje em dia. Salazar Slytherin era orgulhoso, ambicioso e inteligente. Se estivesse vivo, ele renegaria esse bando de ovelhas obedientes em um segundo."

"Ah," Harry disse, essa conversa perplexa o apanhando completamente despreparado. Ele não sabia o que dizer. Olhou para o campo de Quadribol, as arquibancadas agora cobertas de neve. "Se você odeia tanto ser da Sonserina," ele disse finalmente, "acho que poderia pedir ao Dumbledore para ser re-sorteado."

Draco soltou um ronco. "Colocar aquele chapéu outra vez?" Ele soltou uma risada curta. "Ninguém jamais fez isso."

"Hum," Harry disse, repentinamente percebendo ter aberto um tópico de conversa sem querer, e corou.

"O que?" Draco disse, instantaneamente alerte. "Você?"

Harry suspirou. "Sim," ele admitiu. "Uma vez no meu segundo ano quando estava sozinho no escritório de Dumbledore."

Draco o encarou, sua atenção totalmente presa por essa confissão surpreendente. "E por que você faria isso?" ele perguntou com incredulidade.

"Eu. . . err. . " Harry passou uma mão por seu cabelo. "Eu queria fazer uma pergunta."

"E. . .?" Draco perguntou.

Harry respirou fundo. Deus, Draco era bom em retirar tópicos privados de dentro dele. "Eu queria perguntar sobre. . . bem, na cerimônia de sorteamento, ele queria me colocar na Sonserina. Foi só porque eu ficava dizendo 'Sonserina não' repetidamente na minha cabeça que ele me colocou na Grifinória. Eu queria perguntar se isso foi um erro."

Por um momento, Draco apenas encarou Harry, completamente sem fala. "Você está inventando isso," ele concluiu finalmente.

"Não estou!"

"Você. Na Sonserina." Ele observou Harry com interesse ávido. "E o que ele disse na segunda vez? Que foi um erro?"

Harry suspirou. "Não, ele disse a mesma coisa. Que eu teria me dado bem na Sonserina."

Draco ficou quieto por alguns momentos, pensando, seu olhar intrigado ainda fixado em Harry. "Isso teria mudado tudo, sabe."

"Eu sei," Harry disse, vendo tudo sob uma nova perspectiva. "Mas eu não queria ser sorteado na Sonserina, e Dumbledore disse que a minha escolha era o que mais importava – que eu tinha feito a escolha certa para mim." Ele tocou a mão de Draco gentilmente. "É por isso que eu acho que você poderia mudar se quiser."

"Não," Draco disse firmemente. "Eu posso não respeitar muito meus colegas de Casa, mas o chapéu não errou ao me colocar na Sonserina. Não tenho dúvidas quanto a isso."

O ar repentinamente foi preenchido com o bater silencioso de pequenas asas. Instintivamente, Harry estendeu seu braço e sentiu o peso familiar ali. Ele abaixou seu braço e olhou para Edwiges, e ela o encarou em resposta, com censura em seus olhos em razão de uma semana inteira de negligência. Harry gentilmente acariciou as penas embaixo do queixo dela como forma de desculpa. "Edwiges," ele disse, "esse é o Draco." A coruja virou a cabeça na direção de Draco e o estudou cautelosamente.

Draco assentiu com a cabeça, então sorriu do comportamento agitado da coruja. "Ah, ótimo," ele disse, entretido. "Acho que ela está com ciúmes." Ele estendeu o braço, e após um momento, Edwiges deu um passo para sair do braço de Harry em direção ao de Draco. Draco a acariciou com a parte de trás de um dedo encurvado. "Ela é linda, Harry. Como a neve." Ele pausou, então continuou com um tom mais triste e um pouco ressentido. "Meu pai nunca me deixou ter uma coruja própria. Ele tem tantas. . . as corujas da família, sabe. . . elas são todas idênticas, então ele disse que seria ridículo que eu tivesse mais uma só para mim."

Harry ficou totalmente surpreso com isso, tendo acreditado que a impressionante coruja-águia que tinha visto entregar cartas para Draco em vários cafés-da-manhã era só de Draco, e não mais uma dentre várias corujas idênticas da família Malfoy. Nunca tinha lhe ocorrido que Draco, ridiculamente rico e aparentemente mimado, não teria uma coruja própria. Antes que pudesse dizer qualquer coisa a respeito, no entanto, Edwiges subiu novamente em seu braço e estendeu uma perna. Um pequeno bilhete estava preso ali que Harry não tinha percebido antes. Pegou-o, desenrolou o papel e leu o seguinte:

Harry,

Que merda, onde você está? Você não voltou para a janta e estou preocupado. Por favor responda para que eu saiba que está bem.

Rony

Harry balançou a cabeça, meio irritado e meio entretido, fez uma bola da pequena nota e a deixou cair da janela de Draco até a neve abaixo.

"Você não tem que ir embora, né?" Draco perguntou, um olhar de forte desapontamento começando a aparecer em sua face.

"Não," Harry disse de forma tranqüilizadora. "Não era nada importante." Ele levantou o braço para que Edwiges pudesse voar de volta ao Corujal. "Eu prometi que ficaria, lembra? Hoje e amanhã."

Draco suspirou e se inclinou em Harry, ambos os braços indo ao redor dele. "É claro que me lembro," ele disse.

Eles caíram em silêncio por um momento, absorvidos em apenas estarem juntos e observar a neve cair. Estava nevando mais firmemente agora. Flocos de neve grandes e pesados caíam preguiçosamente do céu escuro, as vistas familiares do castelo indistinguíveis embaixo da manta pura de branco. A luz vinda das janelas do castelo caía pelo chão coberto de neve em manchas e listras largas de dourado pálido, invadindo as sombras azul-violetas brilhantes. Tudo estava imóvel com a exceção do tamborilar fraco e abafado dos flocos de neve tocando o chão. Harry estava confortável e aquecido devido aos braços de Draco ao seu redor.

Draco virou seu rosto para Harry. "Tem algo que quero dizer," ele disse suavemente. "É algo que sei faz um tempo. . . talvez desde do que aconteceu com você no Torneio Tribruxo. . . definitivamente antes desse verão. Mas depois do que o Weasley disse hoje. . ." Ele pausou, observando a expressão atenta de Harry. "Quando eu for embora, não quero que você tenha quaisquer dúvidas porque eu não disse isso. . ." Ele hesitou novamente, esperando para se certificar que Harry estava escutando.

Harry se virou na direção de Draco, sua atenção desviada do charme pacífico dos flocos de neve gentilmente caindo, consciente com um súbito pulo de seu coração de que isso seria importante. Seus olhos encontraram os olhos cinza cheios de fogo prateado e luz dourada e neve derretida. "Não disse o quê?" Harry perguntou, sem fôlego.

Draco encarou Harry nos olhos por um longo momento, então liberou uma mão e acariciou uma mecha de cabelo atrás da orelha de Harry. "Que eu te amo," ele disse.

O calor na voz de Draco foi como um toque físico, uma carícia que passava pela pele de Harry e corria por sua espinha; as palavras suavemente proferidas eram tão gigantes que ecoavam do céu cheio de neve e ressonavam nas profundezas do coração acelerado de Harry.

Ah.

Harry se esqueceu de respirar por um segundo. Era como se ele tivesse esperado a vida toda por essa pessoa dizer essas palavras."Draco," ele sussurrou, "eu – "

"Não diga," Draco disse, gentilmente pressionando dois dedos nos lábios de Harry. "Não agora, não tão rápido. Eu não quero ouvir essas palavras assim de você, só porque eu disse primeiro."

Harry pegou a mão de Draco nas suas e beijou os dedos que anteriormente o silenciaram, então os afastou do caminho e se inclinou, sua boca a meros centímetros da de Draco. "Ouça isso, então," ele disse, e beijou o sonserino com toda a afeição trêmula que sentia. As palavras que Draco disse ainda ecoavam sem parar na mente de Harry, e um arrepio passou por seu corpo em razão da revelação que aquelas palavras traziam. Ele sabe disso há algum tempo. . . Harry pressionou Draco contra a janela, o beijo se aprofundando, mas ao mesmo tempo se transformando gentilmente em alguma coisa derretida e vertiginosa e nova. Era como uma queda, caindo de cabeça pelo espaço e se sentindo seguro ao mesmo tempo. Ele me ama desde esse verão! E eu nem sabia.

Harry sentiu os cantos de seus olhos lacrimejarem com emoção, sentiu a mão de Draco escorregar de seu ombro para apoiar na beira da janela, então sua memória foi ativada por uma palavra e seu coração parou. A lembrança da outra noite retornou vividamente à sua mente, de Draco sentado à sua frente no corredor, dizendo tristemente, "Muitas coisas aconteceram comigo durante o verão. . ."

O que aconteceu?

Ele se afastou do beijo, encarando Draco com preocupação ao mesmo tempo em que um vento gelado atacou os rostos deles e esvoaçou o cabelo de Draco. Harry levantou uma mão e afastou as mechas loiras, procurando os olhos cinza, encontrando afeição neles, intocada pelo ar congelante.

"Eu achei que a gente ia cair," Draco disse, sua voz baixa e um pouco sem fôlego enquanto ele finalmente largava a beira da janela para se segurar em Harry.

"Nós estamos," Harry disse suavemente. Ele se inclinou para frente e beijou Draco levemente. "Vamos entrar," ele disse, encontrando o olhar de Draco novamente, imaginando que dor estava escondida ali. "É a minha vez no jogo. Tem algo que quero saber."

Virando-se, Harry pulou da janela, e teve que fechar os olhos por um segundo em face da repentina clareza do quarto, tão claro após a escuridão da noite lá fora. Draco pulou também um momento depois, então seguiu Harry até a mesa na frente da lareira. Eles colocaram os braços ao redor da cintura um do outro enquanto Harry considerava seu próximo movimento. Ele estudou as peças no tabuleiro cuidadosamente, checando se não tinha despercebido alguma coisa, e revendo a posição das peças de Draco antes de se virar para o loiro, seu sorriso metido e satisfeito.

Uma das sobrancelhas pálidas de Draco se levantou. "Vá em frente, então," ele disse com um tom de divertimento indulgente.

"Rainha para A5." Harry moveu sua Rainha na diagonal até o canto do tabuleiro. "Cheque," ele disse com triunfo.

Mas Draco, com seu sorriso espontâneo e um pouco travesso, não estava nada impressionado. "Já estava na hora de você ver isso," ele brincou.

"Eu vi," Harry disse com uma risada curta, "há muito tempo." ele se retirou do abraço deles, apanhou um pulso delicado e então se afastou e se sentou na cadeira de Draco, puxando-o no seu colo. "Eu só tinha outros movimentos para fazer antes," ele adicionou, seus braços escorregando ao redor da cintura de Draco para puxá-lo para perto. "Sabe – estratégia."

"Ah, estratégia," Draco disse, colocando um braço ao redor do pescoço de Harry. Ele jogou suas pernas por cima de um braço da cadeira na direção da fogueira e retirou seus sapatos. "É isso o que você chama o que vêm fazendo?" ele perguntou, ainda brincando, mas com um tom mais suave agora, enquanto ele gentilmente retirava os óculos de Harry e os colocava na mesa. Ele olhou nos olhos de Harry por um longo momento de silêncio, então abaixou o rosto, e começou a desabotoar a camisa de Harry, da gola até o fim.

Harry não respondeu de imediato, sua atenção capturada por um segundo ou dois pela luz do fogo refletindo na face de Draco, pelo jeito como uma sobrancelha pálida franzia quando Draco se concentrava em um botão particularmente teimoso. "Deve ter sido uma ótima estratégia. . ." ele finalmente respondeu, sua voz um pouco rouca em face da corrente de emoções que corriam por ele com a proximidade do outro garoto, seu toque, ". . . já que eu te tenho em cheque."

"Verdade," Draco admitiu, finalmente desfazendo todos os botões. "Ou talvez. . ." ele disse quietamente, levantando o olhar, seus olhos trancados nos de Harry, ". . . talvez eu tenha você exatamente onde eu quero."

Harry sentiu a mão de Draco dentro de sua camisa para deitar como um carinho sussurrado em sua clavícula. O quarto estava repetidamente muito quente, e Harry sentiu a cor subir ao seu rosto. "E o que você fará comigo," ele perguntou, uma pergunta audaciosa e com expectativa brilhando em seus olhos, "agora que você me tem aqui?"

Draco sorriu. "Você terá que esperar para descobrir. Ainda não é minha vez." Draco pausou então, uma pergunta em seus olhos. "Você ainda não terminou seu movimento. Você disse que tinha algo que queria saber."

As palavras foram ditas com leveza suficiente, mas Harry ouviu o tremor escondido naquela voz. Ele observou Draco, e soube que sempre se recordaria desse momento, dessa sensação de conforto e pertencimento que sentia, do brilho da lareira em uma bochecha pálida, da pressão de uma mão deitada em seu coração, da expressão solene, complexa e expectante nos olhos cinza que o encaravam, esperando. Harry apertou seus braços na cintura de Draco como se estivesse inconscientemente sentindo a beleza efêmera desse momento e querendo segurá-lo, e ao mesmo tempo, enquanto observava atentamente, ele passava. "Draco," ele disse suavemente, a conversa brincalhona de momentos atrás esquecida. "O que aconteceu com você – enquanto estava na sua casa nesse verão? Você já mencionou duas vezes agora."

A expressão de Draco se modificou em um instante, como se uma porta tivesse sido fechada dentro de si. Seus olhos fecharam e ele deitou a cabeça na cadeira. A mão dentro da camisa de Harry se retirou, caindo sem vida em seu colo. Ele ficou em silêncio por um longo momento.

Harry sentiu um arrependimento momentâneo por ter perguntado – não era sua intenção chatear Draco com a pergunta. Mas ele queria muito saber o que tinha acontecido, então se abrir. Colocou uma mão em cima da de Draco e após alguns segundos, Draco virou sua própria mão para segurar a dele.

Draco finalmente falou, sua voz muito baixa, um sussurro cheio de raiva, e seus dedos se apertaram ao redor dos de Harry. "Meu pai me deu um ultimato," ele disse. "Algo horrível. Algo que tenho que fazer para provar minha lealdade a ele antes do término do ano escolar. . . ou. . ." Draco levantou sua cabeça e abriu os olhos para encontrar o olhar preocupado de Harry. "Ou ele me entregará, como um traidor, ao Lorde das Trevas."

E apesar de seu conhecimento da vilania de Lúcio Malfoy, Harry estava chocado. "Como ele poderia fazer isso. . . com você? Draco, você é o único filho dele!"

"Eu sou uma ferramenta, como todos os outros," Draco disse com ressentimento, "para ser usado nos planos dele por poder. Nesse verão, eu percebi que se eu não entrar em linha com o que ele quer, não sou nada para ele. Toda minha vida, todas as coisas que ele me disse, ele estava só tentando me moldar em algo que ele pudesse usar."

As palavras de Snape repentinamente subiram à memória de Harry. Lúcio Malfoy destrói tudo que toca. Ele não pensaria duas vezes em destruir seu próprio filho se Draco não viver às suas expectativas. Palavras que tinha escutado, mas mal acreditado. . . até agora. "Draco, você não pode voltar para sua casa," ele disse desesperadamente. "Tem que ter algo que possamos fazer para manter você aqui."

Draco suspirou, seus olhos novamente fechados. "Nós já conversamos sobre isso. Eu tenho que ir." Ele se inclinou para frente para descansar seu rosto na lateral da cabeça de Harry, sua boca ao lado da orelha do moreno. "Por favor, não torne as coisas mais difíceis do que já são," ele disse com a voz baixa, cansada.

"Não consigo evitar," Harry protestou. "Lá não é seguro para você." Ele acariciou o cabelo loiro caindo no pescoço de Draco com uma mão. "Eu não quero que vá," ele sussurrou. "Quero que fique aqui comigo."

Draco gemeu suavemente. "Eu também não quero te deixar."

"Então vamos falar com Dumbledore – "

"Não," Draco disse, cortando Harry. "Só hoje e amanhã," ele disse, afastando-se para olhar nos olhos de Harry. "Eu quero esquecer meu pai e o que pode acontecer. Eu só quero ficar com você como se nada mais existisse." Ele inclinou a cabeça e beijou Harry suavemente. "Apenas nós dois por um dia, nada mais." Ele pausou. "Por favor?" ele sussurrou.

Harry encarou aqueles olhos perturbados e não conseguiu negá-los. Mesmo sabendo ser uma decisão insensata, ele cedeu, inclinando a cabeça para beijar Draco em resposta. Era tão próximo ao seu próprio desejo, tão fácil se perder na sensação dos beijos de Draco que expulsavam pensamentos coerentes de sua mente. Certamente depois do dia seguinte ainda teria tempo de pensar em algo. Não mereciam eles ter um dia sem preocupações? Harry apertou seus braços ao redor de Draco, deixando as sensações engolirem sua dissidência, e tudo em volta de si se dissolveu em percepção de apenas as mãos de Draco, sua boca, e que o mundo poderia ser, finalmente, mesmo que só por um momento, cheio de coisas boas, esse toque extraordinário e emocionante, e paz.

Infelizmente, essa paz apenas durou por alguns minutos. Harry, entregando-se aos beijos que o deixavam tonto e sem ar, ainda assim conseguiu retirar a camisa de Draco de dentro de sua calça e estava começando a explorar a pele quente embaixo daquela camisa, quando eles foram interrompidos por uma batida gentil na porta.

Draco se afastou vagarosamente de um longo beijo e soltou um xingamento com a voz baixa. Provavelmente era Pansy, ele pensou. Talvez se eles ignorassem. . . Mas então a batida voltou mais insistente. "Quem está aí?" Draco chamou, irritado.

"Draco?" disse uma voz feminina. "É a Hermione. O Harry está aí?" Ela pausou por um segundo e então disse, ,"por favor, me deixe entrar. Preciso falar com ele."

Draco levantou uma sobrancelha na direção de Harry. "Entre, então."

Hermione entrou no quarto, fechou a porta e então levantou o olhar, encontrando Draco sentado no colo de Harry, ambos despenteados. Ela corou, percebendo imediatamente o que tinha interrompido. Harry, particularmente, estava diferente, e ela percebeu que ele não estava usando seus óculos. "Deus," ela brincou, seu tom demonstrando vasta superioridade feminina nesses assuntos, "vocês meninos só pensam nisso?"

"Só todos os minutos," Draco disse, lançando a Harry um sorriso safado que era, em sua maioria, mas não inteiramente, falso. Harry riu com isso, e também porque sabia que Hermione estava provavelmente incluindo Rony em sua pergunta. Então o sorriso de Draco virou aquele magnífico sorriso verdadeiro, e Harry foi pego nele, sabendo que estava sorrindo como um idiota em resposta, mas sem conseguir parar.

A maneira como eles estavam se encarando fez Hermione pausar, sem palavras por um momento. Era incrível – tão intenso, e ao mesmo tempo passando um sentimento compartilhado de tranqüilidade e felicidade um com o outro. Ela imaginou se algum dia iria se recuperar da surpresa que sentia ao ver esses meninos, ambos os quais ela sempre conheceu como tensos e infelizes, olhando um para o outro desse jeito. "Desculpe perturbar vocês dois," ela finalmente disse, "mas o Rony não iria me deixar em paz até que eu viesse aqui. Ele está tendo um ataque de nervos porque o Harry perdeu o jantar e não respondeu a coruja dele."

"Eu comi aqui," Harry disse, ainda sorrindo para Draco. "O Draco planejou tudo como uma surpresa. Ele enfeitiçou a mesa como no Salão Principal. Foi bem legal," ele adicionou suavemente, "com velas e tudo mais." Ele finalmente afastou seus olhos de Draco e olhou para ela. "Eu não quis responder àquela coruja," ele disse firmemente, mas sem raiva, "porque o Rony não precisa saber onde estou todos os minutos." Ele olhou novamente para Draco. "Como podemos ter nossas refeições aqui, acho que não vou voltar amanhã. E eu não quero ser pentelhado com mais corujas."

Olhando para a mesa com curiosidade, Hermione percebeu o tabuleiro de xadrez com o jogo em progresso. "Vocês ainda não terminaram esse jogo?" ela perguntou.

Harry lançou a Draco um olhar cheio de significância e disse, "espero terminar hoje. Estamos jogando agora. Ele está em cheque."

"Ah," Hermione disse. "Certo, posso ver isso – " ela se virou para o Draco. "Só não se esqueça que tem suas rondas de Monitor amanhã."

Draco fez uma careta. "Droga," ele disse. "Eu tinha esquecido."

Harry encarou Hermione por um momento. "Diga ao Rony que ele pode parar de se preocupar comigo," ele disse seriamente. "Estou ótimo." Ele voltou o olhar ao Draco e sentiu seu rosto corar. "Bem mais que ótimo, na verdade," ele adicionou, e então sorriu conspiratoriamente. "Diga que eu disse que os beijos continuam espetaculares."

Hermione soltou um sorriso pequeno e travesso. "Ah, não se preocupe, ele vai ficar sabendo disso." Ela se virou para sair, e então voltou. "Vou relatar exatamente o que eu vi. . . em detalhes –"

"Espera – " Draco disse, seu olhar em Harry."Eu também tenho uma mensagem para ele," ele disse. Seu rosto continha uma expressão cativada e calma que Hermione nunca vinha visto antes. "Diga isso por mim." Ele virou a cabeça ligeiramente e se inclinou para beijar Harry, seus olhos fechando com uma tensão intensa e firme entre as sobrancelhas. Uma mão subiu para descansar na face de Harry.

Por alguns segundos, Hermione ficou presa ao chão. Enquanto ela observava, enfeitiçada, as mãos de Draco foram até a nuca de Harry e o puxaram para perto, virando mais o rosto para aprofundar o beijo. A boca de Harry se abriu embaixo da de Draco e suas mãos brincaram por um momento com a bainha da camisa de Draco antes de escorregarem embaixo dela, proporcionando aos olhos de Hermione uma faixa de pele pálida na cintura de Draco quando a camisa subiu junto aos pulsos de Harry, e Hermione quase pôde sentir a delicadeza quente daquele toque. Ela se virou com um pequeno arrepio, sentindo seu sangue subir até as orelhas quando alcançou a porta. "Vou dizer," ela sussurrou.

Passaram-se mais vários minutos até que Draco quebrasse o beijo. Ele olhou para a porta, percebendo com satisfação que ele e Harry estavam novamente a sós. "Minha opinião daquela garota cresce cada vez mais," ele disse, virando-se na direção de Harry. Ele soltou uma risada pequena, travessa e feliz. "Eu gosto bastante da ideia de Weasley se casando com alguém que irá atormentá-lo sem dó."

Harry riu quietamente. Suas mãos estavam embaixo da camisa de Draco e ele estava gostando bastante, a pele macia e quente em suas mãos era algo que queria mais. "E eu estou começando a achar que você gosta de me beijar na frente de outras pessoas," ele continuou.

Draco soltou um ronco, entretido. "Eu achei que se você iria soltar afirmações de beijos espetaculares, ela poderia querer provas. Mas na verdade," ele adicionou suavemente, "outras pessoas não tem nada a ver com o motivo." Ele lançou a Harry um daqueles raros, sempre inesperados, olhares tímidos que Harry achava tão adoráveis. "Eu só gosto de te beijar."

Harry puxou Draco para perto de si. "Mmm," ele disse, seu coração batendo rápido. "Eu não me recordo dizer que você podia parar."

Hermione saiu do quarto, então se inclinou contra a porta fechada para se recompor. Passou-se mais ou menos um minuto até ela sentir que sua face corada tinha voltado ao normal. Mas assim que ela se virou para descer as escadas com um sorriso entretido em seu rosto, ela ouviu passos subindo. Ela pausou e esperou, suas costas contra a porta de Draco, para ver quem seria.

Após alguns segundos, Pansy virou o canto da escada espiral. Ela parou subitamente quando viu Hermione e então franziu as sobrancelhas. "O que você está fazendo aqui?" ela demandou.

"Assuntos de Monitoria," Hermione disse calmamente, pensando com rapidez. "As rondas são de Draco amanhã – eu vim relembrá-lo,"

Pansy parou no topo das escadas e fez um careta. "Bem, tenho certeza que ele não precisava ser relembrado, então, se já terminou, eu tenho algo pessoal para discutir com ele."

Hermione continuou onde estava, bloqueando a porta de Draco. "Eu acho que ele não vai querer ser perturbado agora," ela disse friamente. "Ele está. . . ocupado no momento."

"Que pena. Se você entrou lá, eu certamente posso. Isso é importante," Pansy insistiu com uma voz metida. "Ele me acompanhou ao Baile Anual todos os anos, e eu preciso saber como faremos esse ano."

"Ah," Hermione disse, escondendo um sorriso. "Ele ainda não te convidou, então?"

Pansy estreitou os olhos e cruzou os braços em uma pose teimosa. "Ele teria, mas nós fomos. . . interrompidos na noite passada quando eu tentei falar com ele a respeito." Ela lançou um olhar rápido e furtivo por cima de seu ombro na direção da escadaria, como se temendo que algo fosse atacá-la pelas costas. Então com um pequeno arrepio, ela voltou sua atenção à Hermione, e levantou o queixo em teimosia. "Então você pode falar o que quiser dos seus assuntos de Monitoria. O meu assunto com Draco não te interessa."

"É verdade," Hermione consentiu calmamente. "Mas," ela continuou, lembrando-se do que Harry tinha dito duas noites atrás, de que levaria sua desconhecida "namorada" e a Sonserina do sexto ano, Natalia, para o baile. "Eu vou chutar aqui e adivinhar que ele tem outros planos esse ano."

Pansy fez uma careta. "O que você saberia sobre os planos dele?"

"Só que eu estava ali dentro agora pouco," Hermione respondeu. "Ele tem companhia. E eles não estavam estudando, se é que você me entende."

"O que está dizendo?" Pansy começou, olhando feio, e então seus olhos ficaram grandes em choque e entendimento quando as últimas palavras de Hermione fizeram sentido. Ela apenas encarou Hermione por um momento, sem fala. O lábio inferior dela tremeu levemente. "Draco nunca. . ." ela sussurrou finalmente. "Ele não pode. . ."

"Sinto muito," Hermione disse suavemente, sentindo repentina pena pela outra garota. "Eu só estou te contando o que eu vi. Eu não acho que você quer entrar ali agora."

"Ah," Pansy disse como se toda a força tivesse sido socada dela. Sua mão se levantou para cobrir sua boca. "Ah." Então ela se virou e correu escadas abaixo.

Hermione observou com um sentimento estranho. Essa era uma complicação que nenhum dos meninos tinham antecipado, ela tinha certeza. Ela retirou sua varinha e encarou a porta de Draco, quietamente recitando as palavras do feitiço de não-perturbe e tocou sua varinha na parede. Pelo menos eles terão uma noite de paz, ela pensou enquanto descia as escadas para encontrar Rony.

Harry encostou sua cabeça contra a cadeira em que estava sentado, respirando profundamente, pensando distraidamente que nunca tinha sido beijado tão intensamente em toda sua vida. Ele não fazia ideia de qual eram as horas – minutos ou horas poderiam ter passado. Mas estava mais ou menos certo de que cada centímetro de sua face e garganta tinha sido atendido pela boca macia de Draco. Apesar de que, tinha que admitir, ele também fez um bom trabalho ao retornar o favor. A respiração acelerada de Draco estava alta em sua orelha quando os lábios de Draco suavemente beijaram um espaço negligenciado ali.

"M-F," Harry sussurrou quando outro beijou acariciou o lóbulo de sua orelha.

"Hmm?"

As mãos de Harry estavam dentro da camisa de Draco e ele as moveu para as costas do loiro, seus dedos exploradores traçando as curvas sedutoras da espinha e da omoplata. Uma onda de desejo trêmulo correu por ele enquanto Draco voltou a beijá-lo. "Draco," ele sussurrou. "É sua vez, sabe."

"Eu sei," disse um murmúrio baixo.

Harry se deslocou ligeiramente e deixou uma mão escorregar para fora, passando pela omoplata de Draco e então descendo ainda mais, sentindo costelas com seus dedos curiosos. "Você está em cheque. . ." ele disse, insistindo gentilmente, "e se nós terminarmos o jogo, podemos. . ."

"Shhh," disse uma respiração suave em seu ouvido, seguida de outro beijo.

Harry riu quietamente, então correu dedos provocadores pelas costelas nuas de Draco. "Eu quero que você jogue. . ." ele disse. "Agora."

Draco segurou a respiração quando Harry começou a fazer-lhe cócegas. Ele tentou se desvencilhar, mas as cócegas apenas ficaram mais insistentes. "Tá bom, tá bom! Eu vou jogar," ele disse, sentando-se vagarosamente, com uma aparência bastante bagunçada e carrancuda e afetada. "Não faça isso. Já está difícil de me concentrar."

"Eu não quero que você se concentre," Harry disse, encarando os olhos cinza. Ele retirou sua mão debaixo da camisa de Draco e afastou uma mecha de cabelo para trás da orelha do sonserino. "Eu quero que você se distraia e jogue mal, para que eu ganhe de uma vez e o jogo acabe."

"Ah," Draco disse com um sorriso. "Outra estratégia?"

Harry riu. "Vai lá," ele insistiu, voltando a colocar sua mão embaixo da camisa de Draco, dedos abertos, apalpando a curva da cintura e das costelas, uma sutil e implícita ameaça de mais cócegas.

Draco desistiu com um olhar que insinuava que Harry estava utilizando métodos altamente injustos, então se virou para observar o tabuleiro. Sentou-se mais reto, estudando os possíveis movimentos futuros de Harry. Harry era um bom jogador, mas, Draco sorriu maliciosamente para si mesmo, não tão bom quanto ele. Draco estava sim em cheque, exatamente como planejara, e como tinha brincado anteriormente, ele tinha habilidosamente manipulado as jogadas de Harry para que chegasse exatamente na posição em que queria. Ele alcançou seu Rei, mas sua mão pausou por um segundo antes de mover a peça. "Rei para E2," ele disse, virando-se novamente na direção de Harry. "Você se lembra do que disse que faria, se eu falasse com o Weasley?"

Harry sorriu. "Você disse alguma coisa como ser acariciado e mimado. Eu achei que era isso que estava fazendo."

"Bem, sim. Mas agora tem algo específico que quero que faça."

"Ah?"

"Venha para a cama e eu te conto."

O coração de Harry deu um pulo e ele olhou para Draco com esperança. "Você. . . mudou de idéia então – sobre esperar o jogo terminar?"

"Não."

Draco começou a se levantar, mas Harry o puxou para baixo. "Por que não? Eu. . ." Harry repentinamente permitiu que sua necessidade de saber atropelasse sua complacência em dar espaço sobre o assunto. Ele alcançou o tabuleiro e moveu seu último Bispo preto. "Bispo para A6," ele disse com determinação. "Draco. . . eu quero que você fale comigo. . . não estou pedindo que mude sua decisão, eu só quero saber por que você mudou de idéia na noite passada."

"Você não pode fazer isso," Draco protestou, abanando sua mão na direção do tabuleiro. "Ainda não é a sua vez."

"Eu não me importo – nós vamos voltar à sua vez," Harry disse firmemente. "Eu quero saber isso primeiro."

Draco ficou em silêncio por vários minutos, pensando. "Eu não quero sentir como se estivesse te pressionando. . ." ele disse finalmente. "E se você estiver comigo por causa do sofrimento com a Cho – como o Weasley disse? Você tem que admitir que tudo aconteceu muito rápido."

"Eu não estou mais sofrendo – não do jeito que o Rony quis dizer." Harry respirou profundamente, então continuou com a voz mais suave. "e eu não quero fazer amor com você como parte desse jogo - não como um desafio, ou porque um de nós ganhou."

Houve outro momento estendido de silêncio enquanto Draco analisava Harry solenemente. "Eu não quero que faça parte do jogo," ele disse. "Eu não quero que seja desse jeito também." Ele abaixou o olhar. "Eu só queria nos dar mais tempo, só isso. Quero que você tenha certeza."

"O jogo de xadrez está quase acabando, Draco. Eu não sei como poderia ter mais certeza em um ou dois dias do que agora – e eu achei que você sentia o mesmo." Harry pausou. "Olha, eu não me importo em esperar, eu só preciso entender. O que foi que eu disse que te fez mudar de ideia em ficar comigo?"

"Deus, Harry," Draco disse, levantando o olhar com ligeiro choque. "Eu não mudei de ideia. Mas as coisas que você disse sobre aquela menina me fizeram perceber que eu não quero apressar isso. Você disse que queria se casar, ter filhos – e tudo isso? Você pensou seriamente sobre as coisas que estaria abrindo mão. . . para ficar comigo?"

Harry ficou quieto por um momento. Ele não tinha realmente pensado em casamento e filhos. Ele tinha certeza que queria isso com a Cho – mas agora? "E você?" ele perguntou após um momento. "Você quer filhos, Draco? Para continuar o nome Malfoy."

A expressão de Draco solidificou. "Absolutamente não," ele disse. "Eu não serei responsável por trazer mais Malfoys ao mundo. Esse já foi um grande nome, mas não mais."

"Você podia mudá-lo – torná-lo honrado mais uma vez," Harry ofereceu gentilmente.

"Não," Draco disse com a voz quieta, triste. "É muito tarde para isso." Ele se virou para encarar Harry. "Mas você devia, sabe. Depois da guerra, todo mundo vai esperar que você se case e tenha vários mini-Potters."

"Eu estou me lixando para o que todo mundo espera," Harry disse sem emoção. "E isso é assumindo que eu sobreviverei."

"Eu acho que você vai," Draco disse suavemente. Ele abaixou o olhar, levantando uma mão distraidamente para ajeitar a gola de Harry. "Seus pais teriam desejado por isso também, sabe. Eles não iriam querer você envolvido com um Malfoy, sem netos. . ."

Essa doeu. "Draco. . . o que está dizendo?"

"Que você tem que pensar." Draco deixou sua mão descansar no peito de Harry, sentindo-se tranqüilizado pela solidez embaixo de seus dedos, como encontrando uma rocha para se segurar na água funda. "Você sabe como me sinto a seu respeito," ele continuou após um momento. "Mas pela primeira vez na minha vida, estou tentando não ser egoísta. Eu sei que talvez não possa ficar sempre com você. É por isso que eu te quero todo para mim agora, enquanto posso – tenho medo de que isso possa ser tudo que terei."

Harry prendeu a respiração, medo o rendendo mudo. "Por favor, não pense essas coisas."

Draco pausou, suspirando. "Venha para a cama, Harry. Não vamos pensar em nada. Eu só estou pedindo por um dia."

Rony estava praticamente saltitando de um pé para o outro quando Hermione o encontrou esperando por ela nas escadas principais. Ela rolou os olhos na direção dele, incerta se estava mais emocionada pela expressão frenética ou irritada pela teimosia dele.

"Você encontrou o Harry? Ele está bem?"

"Ele estava perfeitamente bem," ela anunciou firmemente. "Ele pediu que eu dissesse para você parar de se preocupar com ele. E sem mais corujas."

"Hermione," Rony exclamou muito defensivamente. "O Malfoy disse que ele tinha uma surpresa secreta planejada e então eles não desceram para a janta, mesmo Harry tendo dito como estava com fome. Eu acho que tinha razão em ficar suspeito."

Hermione colocou as mãos no quadril e encarou Rony, exasperação claramente escrita em seu rosto. "Esse segredo e plano diabólico que o Draco fez," ela disse firmemente, "era arrumar um jantar romântico para o Harry no quarto dele. Você podia pegar umas dicas com ele, Rony. Sério."

"Era isso!" Rony engasgou. "Eles comeram no quarto do Malfoy?"

"Sim, com velas e tudo mais. E você devia tê-los visto quando eu cheguei lá. O Harry com a camisa desabotoada, Draco com a camisa caindo dos ombros e sentado no colo de Harry, ambos todos desarrumados porque eu os interrompi se amassando na cadeira em frente à lareira."

O Rony fez uma careta e ficou um pouco verde.

Hermione, adorando a reação imensamente, continuou com um brilho arteiro em seus olhos. "Harry mandou uma mensagem para você," ela disse, tentando manter seu tom sério apesar da expressão engraçada de Rony. "Ele mandou dizer que os beijos continuam espetaculares."

"Tá bom, chega," Rony gemeu. "Eu não quero ouvir mais nada."

"Ah não, não é o suficiente," ela insistiu, determinada em forçar Rony a encarar a realidade. "O Draco tinha uma mensagem para você também."

"Eu acho que não quero saber. . ."

"Ele disse, 'Diga isso ao Weasley para mim,' e então ali mesmo na minha frente, ele beijou o Harry."

Rony soltou um grunhido. "Eu sabia que não queria saber."

"E ele não parou. Na verdade, eles ainda estavam mandando ver quando eu sai. Eu nunca vi ninguém beijar daquele jeito. Foi tão -"

"Pare. Por favor," ele disse, estremecendo. "Eu não agüento mais."

" - doce e intenso e -"

"Argh!"

" - apaixonado."

"Você é malvada, às vezes, Hermione. Sabia disso? Malvada." Ele franziu as sobrancelhas, relutante em admitir que ele também tinha visto a intensidade entre os dois. Ao invés disso, ele queria encontrar alguma explicação para dar à ela – outra que não a mais óbvia, a verdade. "Talvez o Malfoy tenha colocado algum tipo de feitiço nele," ele murmurou. "Já pensou nisso? Algum tipo de feitiço do amor de magia negra para que Harry não suspeitasse de nada. Ou, pode ser uma poção. Você sabe que ele é o peixinho do Snape; ele é bom demais naquela classe - "

Hermione suspirou. "Rony," ela disse, tentando novamente ser paciente. "Draco realmente está apaixonado pelo Harry. Eu pude ver. Você não pode honestamente acreditar que ele estaria planejando alguma contra ele agora."

"Eu não sei no que acreditar," Rony disse teimosamente, "e eu não vou começar a confiar nele até que eu saiba. Isso é sério, Hermione. Não vou deixar uns beijos me cegarem de algo que pode ser muito perigoso. Mesmo que Malfoy seja honesto, ainda tem o pai dele. Eu não gosto de pensar em como ela irá reagir quando descobrir que seu filho está envolvido com o Harry."

"Eu sei," Hermione disse. "E eu concordo completamente com você nesse ponto. Lúcio Malfoy pode ser muito perigoso, mesmo que as intenções de Draco sejam boas, e isso também me preocupa."

"Ah, graças a Deus," Rony suspirou em alívio. "Eu estava começando a achar que era o único que via isso."

"É claro que não," Hermione respondeu como se ligeiramente insultada. "Mas não é apenas com o Harry que me preocupo; Draco também está em perigo. E se algo acontecer com o Draco agora, você precisa se lembrar como isso iria devastar o Harry."

Rony fez uma careta e passou uma mão pelo cabelo, então relutantemente concordou. "Tá bom," ele disse com um tom resignado. "Já entendi."

"O quê?"

"Que mesmo que eu não ligue para o que acontecer com o Malfoy, eu deveria ligar para o bem do Harry."

"Correto," ela disse, balançando a cabeça em um gesto de firme aprovação. "E?"

"Hum, esses jantares românticos com velas e tudo mais são algo em que eu deveria ter pensado?"

"Correto de novo." Ela sorriu. "Muito bom."

Ele sorriu em resposta, então apanhou a manga dela e a puxou para perto para abraçá-la. "E se eu fizer isso," ele perguntou, seus olhos azuis brilhando com novas possibilidades, "quer dizer que eu também vou poder te amassar na frente do fogo com a sua camisa desabotoada?"

Só estou pedindo por um dia.

As palavras ditas por Draco lembraram Harry de sua decisão anterior de ceder nessa questão, e ele relaxou. "Tá bom," ele disse suavemente, "mas depois de amanhã. . . precisamos conversar." Draco se moveu para levantar e dessa vez Harry não o impediu.

Draco não fez qualquer comentário em retorno. Ele se levantou e espreguiçou-se, então se virou para Harry e estendeu uma mão.

Harry pegou a mão de Draco e permitiu ser puxado de pé e para longe da cadeira. Ele encarou Draco por um breve momento, procurando nos olhos cinza sérios por uma resposta que não encontrou, até que Draco apertou brevemente sua mão e soltou-a, virando-se na direção oposta. Ele observou Draco andando pelo quarto, então desviou a atenção para o tabuleiro de xadrez. O movimento de Draco o havia surpreendido um pouco.

"Harry?" Draco chamou da porta do banheiro.

"Já vou," Harry disse. Draco concordou com um gesto da cabeça e desapareceu para dentro do banheiro. Harry continuou estudando a posição das peças. Ele sorriu levemente. Apesar de ter brincado quando disse que queria distrair o outro garoto com cócegas, ele não tinha realmente esperado que Draco fizesse uma jogada tão ruim. Draco estava caindo na armadilha que estava preparando. Em mais três ou quatro jogadas, o jogo acabaria. Se ele conseguisse convencer Draco a continuar jogando no dia seguinte. . . então, amanhã talvez eles pudessem. . .

Ele sorriu com a ideia, e foi colecionar seus pertences de sua mochila no chão, então seguiu Draco até o banheiro. Quando chegou lá, o chuveiro estava correndo e uma toalha estava jogada por cima da cortina. As roupas de Draco estavam dobradas perfeitamente em uma pilha no chão. Harry ficou parado ali por um segundo, congelado com indecisão. Por um momento, sentiu-se tentado em entrar no chuveiro com Draco, mas algo o impediu. Ele nunca tinha pensado duas vezes em dividir um chuveiro com os outros garotos do seu dormitório ou do time de Quadribol; com tantos em um lugar, às vezes simplesmente não tinha tempo o suficiente para esperar até que um chuveiro ficasse vago. Mas isso era diferente. Harry caminhou vagarosamente até a pia e deitou sua mochila no chão. Distraidamente, ele desabotoou sua camisa e a retirou, deixando-a cair no chão ao lado de sua mochila. Virou-se novamente na direção do chuveiro, cuja cortina tremia e balançava ligeiramente com os movimentos por trás dela, ouvindo o barulho da água mudando de acordo, também. Ele fechou os olhos, sentindo-se corar, suas orelhas queimando. Isso era muito diferente. Se entrasse ali com Draco. . . Ah, Deus. . .o que ele iria desejar fazer. . . Instantaneamente sua imaginação conjurou a imagem, Draco molhado, água caindo por seu corpo, ele mesmo pressionando Draco na parede, beijando-o com a água caindo em cima deles, seus corpos se movendo juntos. . . Exatamente o que Draco estava pedindo que não fizesse.

A água abruptamente foi desligada, trazendo Harry de volta à realidade. A toalha desapareceu. Harry se virou novamente para a pia, seu rosto queimando, então pegou sua escova de dente e pente da mochila e a pasta de dente do gabinete. Ouviu a cortina ser aberta. No momento seguinte, Draco estava parado atrás dele, com apenas a toalha em volta da cintura, uma mão vindo cair no ombro de Harry. Harry largou as coisas que estava segurando e se virou para Draco, colocando uma mão ao redor de sua cintura, puxando-o para perto. A pele de Draco estava fria e úmida onde eles se tocavam. Os olhos deles de encontraram e tudo desapareceu. Draco estava o encarando com uma expressão de desejo tão intensa que Harry pensou repentinamente que o outro garoto provavelmente compartilhou de seus pensamentos acerca de ficarem juntos em um chuveiro, e sentiu sua face corar mais uma vez.

Ele se inclinou e beijou Draco suavemente, sua mão livre descansando na mandíbula de Draco, seu dedo acariciando a bochecha, vagamente ciente de que Draco estava tremendo e segurando com força a beira da pia. Harry se afastou do beijo e analisou o rosto de Draco, a poucos centímetros do seu. Os olhos de Draco estavam abaixados, seu cabelo molhado caindo em sua testa, a face rosada – do beijo ou do chuveiro. Harry não sabia. Harry abaixou sua mão, seus dedos traçando uma linha para baixo pelo pescoço de Draco, então levemente seguindo a linha da omoplata de Draco até seu ombro. "Draco," ele sussurrou, "eu vou esperar o quanto você quiser, mas quero que saiba. . . que eu não quero esperar nada."

Draco se inclinou para frente até que as testas deles estavam se tocando por um momento, a pressão de sua mão no ombro de Harry ficando um pouco mais forte. Então ele se afastou, seus lábios tocando a bochecha de Harry, e ele foi embora sem mais uma palavra, fora dos braços de Harry, fora do banheiro, e fechou a porta atrás de si.

Harry ficou sozinho no banheiro, transfixado por um momento com desejo, uma dor fraca começando em sua garganta. Havia tantas perguntas que Draco não estava respondendo. Se ele quer isso tanto quanto eu quero, Harry pensou, então por que ele está fazendo isso? Harry alcançou distraidamente a pasta de dente e a escova. Eu já disse que tenho certeza. Deve haver algo que ele não está me contando. . . Ele terminou de escovar os dentes, então observou o chuveiro e decidiu seguir o exemplo de Draco. Ele encontrou outra toalha na prateleira e a jogou por cima da cortina, então ligou a água. A água ainda estava quente já que Draco tinha acabado de usá-la.

Despindo-se apressadamente, ele entrou e deixou a água quente bater em seus ombros e costas. Pensou na possibilidade de Draco ali com ele e sorriu secamente. Algum dia próximo tinha certeza que isso aconteceria. Ele apenas tinha que ser paciente com seja lá o que Draco acreditava que eles precisavam fazer por mais um tempo. Ele apenas queria entender o que isso era.

Harry tomou a ducha rapidamente, secando seu cabelo e corpo, então amarrando a toalha em volta de sua cintura, afastando a cortina do box. Draco estava parado na frente da pia mais uma vez, dessa vez vestindo as calças cinza da noite anterior. Ele estava terminando de escovar os dentes. Harry se aproximou da pia e pegou seu pente.

Draco guardou sua escova de dente e então apanhou o pente de Harry de suas mãos. "Aqui," ele disse quietamente, "deixe-me fazer isso."

Harry abaixou a cabeça e se submeteu aos movimentos de Draco felizmente, fechando os olhos enquanto o toque seguro e leve das mãos de Draco relaxava a confusão que sentia, movendo seu coração com conforto.

"Pronto," Draco disse após um minuto. "Não está tão ruim."

Harry sorriu e abriu os olhos. Draco estava sorrindo também, com um olhar entretido de isso-não-tem-salvação em seus olhos. "Obrigado," Harry disse. "Seja lá o que você fez, com certeza é melhor do que eu teria feito."

"Sem dúvidas quanto a isso," Draco concordou, devolvendo o pente e indo até a porta. "Agora se apresse. Apesar do seu domínio ilegal do jogo de xadrez, ainda é a minha vez."

Harry olhou para o espelho depois que Draco saiu e sorriu ao ver seu reflexo. Draco parecia ter o toque mágico para arrumar seu cabelo. Ele retirou uma cueca limpa de sua mochila e a colocou, então respirou fundo para amenizar a antecipação agitando seu estômago antes de sair para encarar seja lá o que Draco tinha em mente.

Draco tinha quase terminado de desligar as lâmpadas quando Harry saiu do banheiro. Harry colocou sua mochila ao lado do baú de Draco, então subiu na cama e se sentou encostando-se à cabeceira, observando o quarto escurecer com cada lâmpada que apagava, até que a única fonte de luz era o oscilante e quente fogo da lareira, criando sombras da mesa e das cadeiras pelo chão na frente da lareira. Draco apareceu no outro lado, e eles se encararam na cama, um sentimento quieto de antecipação rodeando-os. Então Draco retirou as cobertas e escorregou embaixo delas, deitando-se de lado na direção de Harry, um braço descansando embaixo de sua cabeça.

Harry se deitou também e houve apenas um segundo de hesitação antes que Draco se movesse para se encurvar ao seu lado, sua cabeça no ombro de Harry, uma mão descansando em cima do coração do moreno. Harry colocou os braços ao redor dele, enterrando sua face por um momento no cabelo fino, macio e ainda um pouco úmido de Draco, suspirando em satisfação em face desse simples conforto. Deitado na cama, segurando Draco em seus braços desse jeito, ser segurado em retorno, estava se tornando um refúgio seguro para Harry, uma fonte profunda de segurança que nunca havia experimentado antes. E sim, o toque dele também, ele pensou enquanto Draco movia sua mão e Harry sentiu aquela carícia leve e requintada em seu peito e braços. Era difícil explicar até mesmo para si mesmo, mas o toque de Draco era tão único – um toque que nunca poderia ser substituído, algo que mais ninguém poderia proporcionar-lhe. Esse toque acabou virando algo que ele necessitava, algo que o colocava em paz e o movia ao mesmo tempo; um toque que segurava seu coração em cativeiro.

Virando a cabeça para que sua bochecha encostasse-se ao cabelo de Draco, Harry fechou os olhos e respirou profundamente, afogando na facilidade e genuinidade que sentia nesse momento, entregando seu coração e sua pessoa às mãos elegantes de Draco com total confiança. Draco, também, parecia estar perdido nesse conforto compartilhado, seus dedos movendo-se vagarosamente, desenhando círculos e linhas de fogo tenro no braço de Harry e ombro e garganta, evidentemente sem pressa para fazer sua jogada.

Seria tão fácil adormecer desse jeito, Harry pensou, mas a memória de querer terminar o jogo de xadrez voltou aos seus pensamentos e ele se moveu finalmente, seu braço apertando ao redor de Draco. "É sua vez de jogar," ele disse suavemente. "O que quer que eu faça?"

A mão de Draco parou, então subiu até o pescoço de Harry para acariciar uma mecha de cabelo atrás da orelha. "O que você fez aquela outra noite," ele disse, sua voz quase um sussurro. "O jeito que você me tocou. . . com a magia. Eu quero me sentir daquele jeito de novo, mas não adormecer."

Toque-me com a magia. . . Não era o que Harry tinha previsto. Lembrava-se daquela noite tão vividamente – Draco deitado em seus baços, as palavras que havia dito naquela hora, tentando explicar a felicidade que sentia, o sentimento de pertencer a alguém que havia começado a aliviar as cicatrizes emocionais da solidão dentro de si, e as lágrimas inesperadas de Draco que haviam seguido. Ele tinha tocado Draco, massageando suas costas para acalmá-lo, e tinha usado a magia de cura sem varinha, um feitiço calmante e depois um feitiço para adormecer.

Draco levantou a cabeça em seu cotovelo para olhar Harry, seus olhos cinza cheios de esperança misturada com incerteza. "Eu me lembro. . . que o sentimento foi incrível. . ." Draco disse quietamente. "Tão pacífico. . . como se eu estivesse flutuando, com nada no mundo para me preocupar, mas então eu adormeci. Você consegue fazer isso – a parte tranqüila, mas sem me colocar para dormir?"

"Sim," Harry disse, encontrando o olhar cinza questionador abertamente. "Eu utilizei dois feitiços naquela noite – um para acalmar e outro para adormecer. Eu não vou fazer esse último hoje."

"O que devo fazer?"

"Deite-se," Harry disse, gentilmente puxando o Draco em seus braços. "Fique confortável. Vai demorar alguns minutos para eu me preparar."

Draco deitou-se, sua cabeça descansando no ombro de Harry, com os olhos fechados. Lembrou-se daqueles breves momentos quando Harry tinha lançado o feitiço nele naquela noite – era como se fosse um fragmento de um sonho, algo belo e elusivo, algo observado e apreciado, mas perdido antes que pudesse ser abraçado. Um sentimento de paz como nunca imaginara que pudesse existir o havia adentrado, até o seu coração, e ele queria muito senti-lo novamente. Ele queria viver nele, mesmo que por um curto período, e se ver livre das preocupações que assombravam todos seus momentos de lucidez. Se Harry lhe desse isso. . . não existiam palavras para expressar o quão grato ficaria em face de tal presente, ou quanto mais profundamente ele amaria Harry por presenteá-lo. Ou. . . o que ele felizmente daria a Harry em retorno. Ele suspirou silenciosamente e esperou, a tensão misturada com esperança e antecipação acelerando seu pulso.

Harry relaxou e fechou os olhos, segurando Draco apertadamente. O ritual principal levaria alguns minutos, mas Harry o havia praticado tantas vezes que havia se tornado quase natural para ele. O ritual tinha uma qualidade quase dupla – era ao mesmo tempo direcionada ao seu interior, para que conscientemente se conectasse com a fonte de magia dentro de si, e ao mesmo tempo liberar e comandar que aquela magia se expandisse para fora, deixando-a flutuar para fora de si, dando-a um caminho para seguir por suas mãos e lhe dar sentido com a encantação de um feitiço. O feitiço que Draco estava solicitando era simples – ele já havia recitado feitiços muito mais complexos com a Madame Pomfrey.

Deitado e imóvel, Harry primeiramente ficou consciente dos sons quietos do quarto, o murmúrio fraco do fogo, o vento suspirando na janela, a respiração suave de Draco. Quando interiorizou sua atenção, ficou afinado com as batidas de seu coração, o ritmo contínuo de sua própria respiração, trazendo sua concentração ainda mais para o centro da magia que pulsava logo abaixo de seu coração. Podia senti-la vibrar, um poço de poder mágico gentilmente arranhando seu interior, acordando em resposta ao toque mental de sua atenção.

Enquanto ia se aprofundando no estado interior, sua sensitividade às energias sutis ao seu redor aumentou. Ele podia sentir a tensão frágil em Draco por suas mãos, sentir o sutil mover das sombras e luz do outro lado do quarto, e as auras separadas de magia que rodeavam ele e Draco. Harry moveu suas mãos até as costas de Draco, então para baixo, a pele macia como veludo embaixo de seus dedos mais sensíveis, e sentiu Draco responder ao seu toque como o toque de uma corda de harpa. Ele sussurrou as palavras do feitiço calmante, deixando o poder do feitiço fluir de suas mãos. Quase imediatamente ele sentiu Draco relaxar, sentiu a tensão esvaziando com cada carícia de seus dedos.

Sentiu Draco respirar profundamente e se mover em seus braços para ser abraçado mais perto, derretendo nele de um jeito que era muito mais do que parecia. Sentiu novamente aquela vibração profunda, quase musical, rodeando-os, como um som muito baixo para ser ouvido, o mesmo que tinha sentido da última vez em que segurara Draco dessa maneira. Era como se a magia estivesse cantando com um murmúrio mudo no ar ao redor deles. Ele se perdeu no som por um momento, atraído pela calmaria de seu tom delicado, uma nova consciência de sua natureza gradualmente se formando em sua mente. O som parecia tremer nas bordas de suas auras individuais, mexendo e dissolvendo as diferenças, tornando-os um. Então com repentina genialidade, Harry percebeu que a vibração murmurante não estava causando a junção, mas era simplesmente o som criado por sua aura mágica se juntando com a de Draco. Agora, ele podia ver claramente os contornos das magias deles correndo juntas, separações desaparecendo como duas gotas de água que se juntaram e fundiram e não deixaram rastros de sua original dualidade. As fronteiras de um e outro se borraram até que Harry não conseguia mais diferenciar ele de Draco. Sentiu uma batida de coração que ecoava a sua proximamente; respiração que sincronizava e se misturava, compartilhada. A mão de Draco passou suavemente em seu peito e ele sentiu a calma da magia que estava projetando lhe invadindo, como se o toque de Draco também a transmitisse, e sentiu um imenso sentimento de admiração que isso podia acontecer.

A magia interior que estava drenando era forte hoje, mais forte do que jamais a havia sentido, e o feitiço lhe invadiu, submergindo-o em ondas de paz, ressonando entre ele e Draco, respondendo às energias conectadas de ambos. Por um longo, longo momento, ele descansou nessa quietude com Draco, enquanto uma calma tão profunda quanto o oceano preenchia seus sentidos. Harry sentia dentro de si, e também sentia dentro de Draco como um eco, um sentimento duplo de si mesmo e. . . não outro ser, mas outro ele. E brotando dentro dessa calma, como uma maré respondendo ao toque e movimento da mão de Draco, encontrava-se. . . amor. Draco estava transbordando com amor, como se ele também tivesse feito o feitiço, e Harry tomou tudo, deixou quebrar seu coração com desejo e consertá-lo com felicidade, deixou-o transbordar e colocar novamente dentro de Draco, até não haver mais qualquer sentimento de separação – apenas a junção, a unicidade de dissolverem juntos, um no outro.

Era uma sensação que não conhecia obstáculos de tempo, e Harry a deixou cair sobre ele e dentro dele, por Draco e de volta a ele em um círculo aparentemente infinito, como a água reflete o céu. O sentimento gradualmente se abateu com o fim do feitiço que tinha lançado. Profundamente movido, Harry abriu os olhos e viu uma serenidade pura e perfeita refletida na face de Draco. Seu coração derreteu e ele estendeu uma mão para tocar o outro garoto, seus dedos descansando levemente no ombro de Draco, então ele gentilmente deixou seus dedos descerem pelo braço de Draco e ele perdeu o fôlego. Na luz repleta de sombras, o movimento trêmulo de sua mão criou faíscas douradas de luz pela pele de Draco. E quando os dedos de Draco moveram em resposta, tocando-o, também havia faíscas, claras como cristais, brilhantes como diamantes. Isso não era um produto de sua imaginação ou um sonho – ele estava presenciando agora – sentidos completamente alertas dessa vez. Fascinado, ele se inclinou perto para conseguir ver melhor. Seus dedos deixaram pequenas faíscas douradas em seu lugar enquanto ele se movia pela pele de Draco. "Draco," ele sussurrou, mal fazendo um som, mas Draco o ouviu e abriu os olhos.

Por um momento, o contato com os olhos era quase íntimo demais para se aturar, e ao mesmo tempo, muito intenso para se quebrar. Os olhos cinza que encontraram os seus eram como uma janela abrindo para mostrar céus acinzentados e infinitos cheios de emoção. Harry se moveu um pouco para baixo, virando de lado para que estivesse diretamente encarando Draco. "Faça isso," ele disse suavemente, levantando sua mão, deixando-a estendida entre eles, palma virada na direção de Draco. A mão de Draco se levantou para imitá-la, e Harry viu o brilho no espaço entre as duas, o brilho das faíscas, douradas e brancas. "Você consegue ver isso?" ele respirou, completamente maravilhado. "Entre nossas mãos?"

"Não," Draco sussurrou. "O que você vê?"

"Pequenas faíscas brilhantes de luz. . . brancas e douradas."

"É algum tipo de aura? Como você disse que conseguia ver?"

"Provavelmente," Harry disse, "mas não é nada que eu tenha estudado antes."

A face de Draco ficou desejosa, encarando com força entre as mãos deles como se sua vontade sozinha pudesse fazê-las aparecer diante de si.

"Espera, deixe-me tentar uma coisa. . ." Harry fechou os olhos e mentalmente mergulhou mais uma vez dentro do centro da magia dentro de si, visualizando-a expandindo-se, crescendo em intensidade e força, imaginando-a deslizando adentro da energia que estava conectada e brilhando entre as mãos deles. Então ele ouviu Draco respirar com susto e abriu os olhos. As faíscas estavam muito, muito mais claras. "Você as vê agora?" Harry sussurrou, cuidadoso para não perder a concentração.

"Sim," Draco sussurrou em resposta, em reverência. "Como pequenas estrelas."

Harry virou vagarosamente de costas e Draco o copiou, cuidadosos em manter suas mãos alinhadas. Eles deitaram lado a lado, suas mãos levantadas, a distância entre eles agora diminuindo até seus peitos. As faíscas se espalharam, correndo por seus corpos, uma galáxia em miniatura debruçada sobre os dedos deles. O efeito durou apenas alguns momentos, então desapareceu. Harry soltou a energia mágica que estivera expandindo e deixou sua mão cair em seu estômago.

Draco virou de lado e levantou um cotovelo para olhar o rosto de Harry. "O que você acha que elas significam?" ele perguntou com a voz baixa, colocando sua mão em cima da de Harry.

Harry levantou o olhar para ele. "Eu achei que você pudesse saber. . . ou ter ouvido algo parecido."

"Não," Draco disse, e ele pausou por um momento com um olhar distante em seus olhos, então voltou a se deitar, ficando perto de Harry, sua cabeça no travesseiro do moreno. Harry colocou um braço ao redor dele. "Mas me lembrou de algo. . ." Seus dedos correram pelos de Harry e então pararam.

Harry imaginou o tremor de faíscas brancas que devem ter seguido aquele toque por sua pele e esperou que Draco continuasse.

"Uma vez. . ." Draco disse, muito suavemente, "no verão passado, quando eu acordei durante a noite. . . depois que meu pai tinha. . . lançado o Cruciatus em mim, eu escalei pela minha janela e fiquei na beira. Eu pensei que tudo terminaria se eu apenas me deixasse cair." Seus dedos apertaram nos de Harry. "Mas eu não consegui. . .e eu também não conseguia voltar para dentro. Depois de um tempo, eu escalei até o telhado e fiquei deitado lá, olhando as estrelas."

"Que bom que você não conseguiu," Harry sussurrou, horrorizado.

Draco ficou em silêncio por um longo momento, seus dedos se movendo novamente para traçar os ossos do pulso de Harry. "Eu imaginei que você estava lá comigo."

"Desse jeito?" Harry apertou o abraço.

"Não, não desse jeito. Não naquela época. Eu apenas imaginei você. . ." Draco fechou os olhos, imaginando o céu escuro iluminado pelo brilho frio, indiferente e claro de inúmeras estrelas, e o garoto de cabelos escuros que desejou sentado lá com ele, com um silêncio tão vasto quanto o céu acima se unindo a eles em um mudo entendimento. ". . . você estava sentado perto, observando o céu comigo," ele disse, lembrando-se de como o brilho das estrelas parecia ter mudado e esquentado em um abraço carinhoso em face do poder daqueles olhares compartilhados. "Eu me senti melhor depois disso."

Eles ficaram quietos por um longo tempo, apesar de Harry ter levantado sua mão para suavemente acariciar o cabelo de Draco. Finalmente, Draco falou mais uma vez, sua voz muito suave com emoção. "O que aconteceu," ele perguntou, "quando você lançou o feitiço? Eu consegui te sentir. . . como se estivesse dentro da minha pele."

"Eu não sei," Harry disse vagarosamente. "Eu também senti," ele disse. "Era a magia. . .de algum jeito. . . ela estava dentro de nós dois." A memória clara daquela intimidade pairou entre eles. "Eu pude sentir o que você estava sentindo." Harry se virou de lado para que estivessem mais uma vez se encarando. Os olhos deles se encontraram por um segundo, então ele se moveu e beijou Draco, arrastando um tremor de afeto de ambos.

"Isso aconteceria se fizéssemos amor?" Draco sussurrou após um longo momento, suas palavras caindo como um eco dos pensamentos dos dois.

Harry abriu os olhos. Draco estava o observando com aquele desejo intenso novamente. Uma onda de calor passou por Harry. "Talvez. . ." ele sussurrou, uma gota de esperança aparecendo no silêncio que seguiram suas palavras. Ele beijou Draco mais uma vez, seus dedos trazendo um brilho de faíscas douradas pelo ombro de Draco.

Draco se afastou gentilmente do beijo e suspirou, um som de anseio por algo desesperadamente desejado, mas abandonado. "Coloca-me para dormir, Harry. Como você fez antes," ele disse, fechando seus olhos contra aquele desejo.

Harry hesitou, então voltou a se deitar, puxando Draco em seus braços, um caroço crescendo em sua garganta com a contínua evasão de Draco ao que ambos tão claramente queriam. Então ele alcançou seu centro e recitou as palavras do feitiço, seus dedos passando pelos cabelos caindo no pescoço de Draco, e sentiu o indiscutível ricochete pelo outro garoto para dentro de si. Draco ficou pesado em seus braços, caindo no sono.

Segurando Draco com força, Harry deitou imóvel, pensando. O que tinha acontecido quando ele fez aquele primeiro feitiço? Era como se a magia que ele lançou em Draco tivesse o afetado também. Até mesmo agora, estava se sentindo tonto como efeito do feitiço para adormecer. Ele estava completamente ciente de que as auras mágicas dos dois tinham se unido, e isso não era para acontecer.

Outra coisa tinha acontecido também. Agora ele sabia de algo sem a menor sombra de dúvidas, e a memória disso alegrou seu coração de suas preocupações. Apesar de ter acreditado nas palavras quando Draco as dissera, ele agora sentiu com certeza absoluta quando as magias de ambos se juntaram, que Draco o amava. A força desse sentimento, ele lembrou, chocou-o. Tinha perfurado os feitiços de Harry com um poder equivalente à sua própria magia. Harry virou a cabeça para que seu rosto encostasse-se ao cabelo de Draco.

"Eu também te amo," ele sussurrou, mesmo sabendo que Draco já estava dormindo e não iria escutar.

Mas saber o quanto que Draco o amava tornou parte do comportamento de Draco ainda mais confuso. Por exemplo, tinha a pergunta sobre casamento e filhos que Draco tinha feito anteriormente. Estaria Draco realmente preocupado com isso, ou seria apenas parte da verdade? Ele não queria duvidar, mas estava definitivamente começando a acreditar que Draco não estava lhe contando alguma coisa. Harry suspirou e se moveu um pouco para baixo, ficando mais confortável ao lado de Draco, admitindo relutantemente para si mesmo que não tinha respondido a pergunta do sonserino.

Ele sabia que queria passar o resto da sua vida com alguém que ame, casado ou não. Parecia muito claro que Draco era essa pessoa, e se eles não podiam se casar, bem, isso não iria impedi-lo de querer ficar ao lado dele. E ele nem se importava em como os outros iriam reagir a isso. Mas a ideia de crianças, ele tinha que admitir honestamente que era difícil de soltar. Ele havia deixado sua imaginação ir longe enquanto estava com Cho, tinha se visionado sendo o pai que nunca teve, criando o lar amoroso que nunca se lembrava. Isso era difícil de deixar de desejar, e ele sabia que nem mesmo Draco conseguiria preencher esse pequeno espaço vazio em seu coração. Mas se ele tivesse que escolher. . . Ele olhou para Draco, dormindo em seus braços, e sorriu, então fechou os próprios olhos e permitiu que o feitiço o levasse ao sono. Ele tinha feito sua escolha.

Harry acordou na manhã sozinho. Desde que esse foi o caso durante toda sua vida, levou um momento ou dois até que percebesse que algo estava errado com isso. Nessa manhã, disse sua memória sonolenta, deveria ter alguém na cama com ele. Ele se sentou, ainda meio adormecido, e esfregou uma mão por seu cabelo, olhando de soslaio para o eixo de luz clara na cama vinda das cortinas parcialmente abertas à sua esquerda. Houve um murmúrio suave de palavras e um farfalhar vindos do canto do quarto à sua direita, onde o guarda-roupa estava. "Draco?" ele chamou quietamente.

Houve uma pausa no farfalhar, então passos, e as cortinas ao fim da cama foram abertas. "Já estava na hora de você acordar," Draco disse, mal-humorado, de pé na frente da cama, vestido apenas nas calças cinza em que dormiu. "Eu esperei você acordar para a gente tomar café da manhã, e estou faminto."

Para a vista meio borrada de Harry, parecia que Draco estava sorrindo, apesar do tom de sua voz, e Harry suspeitou que o outro garoto não estivesse acordado há tanto tempo assim. Harry se arrastou ao outro lado da cama, pensando onde tinha deixado seus óculos na noite anterior. Ele se lembrava vagamente de Draco os retirando. . . então se lembrou o motivo, e soube o local. "Que horas são?" ele perguntou.

"Tarde," Draco disse, dando a volta na cama enquanto Harry se levantava.

Agora que estava mais próximo, Harry pôde ver que Draco estava sorrindo e sorriu em resposta.

Draco afastou uma mecha do cabelo negro e bagunçado de Harry. Houve um momento de acanhamento quando o toque trouxe à tona uma enchente de memórias da noite anterior.

"Como se sente?" Harry perguntou suavemente, preocupado que o feitiço que lançou não tivesse funcionado perfeitamente. "Você dormiu bem?"

"Melhor do que jamais dormi," Draco disse. Ele se inclinou e beijou Harry – um daqueles beijos prolongados e leves que sempre faziam o coração de Harry virar. "Obrigado,"

"Quando quiser," Harry disse sinceramente.

"Venha," Draco disse, repentinamente impaciente, apanhando a mão de Harry e o puxando na direção da mesa. "Vamos comer. Eu tenho vários planos para nós hoje."

"Espera," Harry disse, parando, percebendo que Draco parecia despreocupado em ficar sem camisa ou sapatos no quarto frio. "Está frio aqui – pelo menos deixe-me colocar uma camisa."

"Eu já acendi o fogo," Draco insistiu, impedindo Harry de ir, puxando-o para frente. "Está quente aqui. E além do mais," ele adicionou, seu sorriso virando malicioso, "você terá que retirá-la novamente depois do café da manhã."

As sobrancelhas de Harry se levantaram.

"Você tem que provar roupas formais, lembra."

Harry fez uma careta e deixou Draco o levar para o outro lado do quarto, percebendo que o farfalhar que escutou ao acordar tinha sido Draco mexendo em seu guarda-roupa. Mas ele tinha concordado, lembrou-se, em deixar Draco lhe emprestar roupas para o Baile Anual, então ele tinha que manter sua promessa se queria que eles fossem juntos. Ele encontrou seus óculos na mesa e os colocou enquanto Draco carregava o tabuleiro até sua escrivaninha para abrir lugar na mesa para o café da manhã. Ele ainda achava que o quarto estava um pouco frio para ficar só de cueca, mas o fogo estava queimando agora e estava mais quente desse lado do quarto, e ele certamente não se importava que Draco ficasse semi-nu.

Draco voltou com sua varinha, e em um segundo a mesa estava cheia de comida – panquecas, sonhos, bacon, ovos, torradas, frutas, um bule de chá e chocolate quente. Harry se sentou e colocou um pé na cadeira, longe do chão de laje gelado, então pegou o chocolate quente e colocou um pouco em sua xícara. O primeiro gole queimou um pouco sua língua, mas o esquentou deliciosamente ao descer. Ele alcançou um sonho e relaxou, observando Draco curiosamente. "Quais são todos esses planos que você tem para hoje?" ele perguntou. "Além de encontrar algo para eu vestir para o Baile Anual."

Draco lançou a Harry um olhar arteiro. Ele colocou o último pedaço de bacon em sua boca e lambou os dedos. "Não vou te contar ainda," ele sorriu. "Não até que eu faça meu movimento no jogo."

Harry sorriu em resposta. Tinha algo maravilhosamente íntimo em tomar café da manhã com alguém nas suas roupas de baixo, e fez Harry se lembrar da pergunta sobre casamento que Draco tinha feito na noite anterior. Se eles morassem juntos, Harry imaginou, poderiam fazer isso todas as manhãs? Bem, talvez num local um pouco mais quente fosse legal. . . Draco parecia estar de bom-humor e talvez ficar provando roupas não fosse ser tão ruim – talvez Draco já tivesse até escolhido algo para ele.

Draco terminou seu café da manhã rapidamente, então se levantou e foi até a janela. Ele a abriu e observou os sincelos afiados que penduravam das beiras do castelo acima dele, então a paisagem e o céu nublado. A neve tinha finalmente parado nas primeiras horas da manhã, e apesar da paisagem abaixo estar lindamente coberta com um manto branco, Draco analisou o céu pálido e cinza com uma careta. Não seria tão bom quanto em um dia claro, mas Draco tinha apenas esse dia e nem mesmo um céu cheio de neve o iria impedir de fazer o que tinha planejado para hoje.

Harry se juntou a ele na janela e estremeceu quando um vendo de ar congelante o alcançou. "Maldição, Draco," ele disse, seu tom brincalhão e não bravo. "Já não está frio o suficiente aqui?"

Draco se virou para ele e balançou a cabeça para tirar o cabelo dos olhos quando mais uma rajada de vento passou bem nesse momento. Ele sorriu. "Eu sei o que está de errado com você," ele disse. Fechando a janela, ele passou por Harry e foi até sua escrivaninha para pegar sua varinha. Quando voltou, ele parou e ficou a alguns passos de Harry, então apontou sua varinha na direção do moreno. "Isso é tão elemental, eu não acredito que você não sabe."

"Sei o quê?" Harry perguntou, assustado com a varinha que estava apontada para seu peito.

"Fique parado," Draco disse.

"Espera!" Harry levantou as mãos. "O que está fazendo? Tem certeza que é seguro?"

Draco levantou uma sobrancelha e deu meio-sorriso. "Esse é o primeiro feitiço que alunos do primeiro ano aprendem na Sonserina. É completamente inofensivo, mas totalmente essencial. Ninguém suportaria viver nas masmorras sem ele." Ele abaixou a varinha um pouco, e inclinou a cabeça um pouco para o lado, afeição entretida em seus olhos. "Você confia em mim?" ele perguntou suavemente.

Harry respirou fundo e relaxou. "Sim," ele disse, então fechou os olhos com força, esperando por seja lá o que o atingiria, tentando ignorar a vergonha boba por estar ali só de cueca.

"Corpofoveo," Draco disse.

Uma sensação de leve formigamento correu pela pele de Harry, do topo de sua cabeça até as pontas de seus dedos. Ele abriu os olhos. Draco o estava observando curiosamente. Algo estava diferente. . . então os olhos de Harry se abriram amplamente. Ah! O frio tinha sumido! Sentiu como uma camada leve se calor confortável o estivesse rodeando. Ele estendeu os braços aos seus lados e sentiu o calor se mover com ele. "Ah," ele disse, sorrindo para Draco, muito impressionado. "É por isso que você está sempre tão quente."

Draco riu. "Eu queria ter pensado nisso na noite passada," ele disse, fingindo irritação. "Você colocou esses pés gelados em mim de novo nessa manhã. Me acordaram."

"Desculpa," Harry disse, ainda sorrindo. Ele mexeu seus dedos dos pés agora aquecidos alegremente.

"E você vai precisar desse feitiço para o que eu tenho planejado para depois," Draco insinuou. "Mas primeiro", ele adicionou com um brilho predatório em seus olhos, "está na hora de provar roupas."

Harry suspirou, seu sorrindo caindo até virar pesaroso. "Tá bom," ele disse. "Mas eu não vou usar nada que me faça parecer um vigário."

Draco fez uma cara feia. "Ah, e devo acreditar que você achou melhor parecer um feijão verde gigante."

"Não!" Harry riu, muito entretido com a imagem mental para se sentir insultado. "Mas eu não escolhi aquela roupa – a Sra. Weasley que escolheu para mim." Harry riu de novo. "Pelo menos o que eu tinha era melhor do que a que Rony teve que usar."

"Ah sim," Draco disse, enrugando o nariz em nojo. "Aquela monstruosidade castanho-avermelhada. Que cor medonha aquela era – especialmente com o cabelo do Weasley."

"Bem, eu acho que ele está usando as roupas azul-marinhas do Percy agora," Harry disse, não querendo que essa conversa continuasse com insultos ao Rony.

"Melhor," Draco admitiu. "Mas você," ele adicionou, levantando uma sobrancelha e analisando Harry da cabeça aos pés com apreciação, "nesse ano, no entanto, você vai estar deslumbrante."

Harry corou levemente. Ele andou até o guarda-roupa aberto e ficou ao lado de Draco, observando. O interior do guarda-roupa parecia ir muito mais ao fundo do que era fisicamente possível, revelando uma extensiva gama de gravatas, camisas, suéteres, capas, e calças. "Meu Deus, Draco," Harry exclamou, chocado, "quantas roupas você tem aqui?"

"Muitas," Draco disse quietamente. Ele empurrou uma pilha de camisas para o lado, então apanhou o máximo de peças que conseguia carregar, levando-as até a cama.

Harry ainda estava encarando o guarda-roupa. "Eu nunca vi tantas roupas," ele disse para si mesmo, já que Draco estava ocupado mexendo na pilha de roupas deitadas na cama. Ele se virou após um momento para ver o que Draco estava fazendo, então sorriu. Draco estava segurando duas vestes lado a lado, sua cabeça virada um pouco para o lado, sua expressão pensativa, avaliadora. "Eu achei que meu primo tinha muitas roupas," Harry brincou, "mas isso. . ."

Com um olhar a Harry, Draco disse suavemente. "Minha mãe gosta de me comprar roupas. Ela sabe que eu gosto de usar coisas boas." Ele deitou uma das vestes, e se levantou por um momento, acariciando o detalhe de veludo na que ainda segurava. "Mas eu nunca usei metade do que tenho." Ele pausou, então adicionou. "É só o que ela pode fazer por mim agora. . .e eu não tenho coragem de mandá-la parar."

Havia uma corrente escondida de tristeza na voz de Draco que levou Harry até ele. Seus braços foram ao redor dos ombros de Draco e ele inclinou a cabeça para beijar o canto da orelha do outro garoto. "Sinto muito," ele disse.

Draco deu ombros. "Não importa. Você estava certo," ele disse com um sorriso pequeno e seco. Ele virou a cabeça e beijou Harry. "A coleção Malfoy de vestes formais vai além da compreensão de meros mortais." Ele levantou as vestes que estava segurando para que Harry conseguisse vê-las. "Eu acho que isso ficaria bom em nós."

"Nós?" Harry perguntou, olhando por cima do ombro de Draco as vestes pretas de veludo. Era feita de um tecido preto que parecia brilhar com um toque de prateado quando era movida. "Você tem duas?"

"Não," Draco respondeu com satisfação, virando-se para encarar Harry, "mas eu conheço um feitiço de duplicação."

Harry sorriu. "Todo mundo vai ficar ainda mais horrivelmente chocado, sabe. Se nós formos vestidos iguais."

"Eu sei," Draco disse, sorrindo conspiratoriamente. "Será brilhante."

Harry riu. Draco parecia ter se esquecido completamente da preocupação original de que fossem vistos juntos. "Você ainda quer que eu prove?"

Draco passou as vestes a Harry. "É claro que sim – eu quero ver como vai ficar em você, antes de decidir."

"Certo," Harry disse, tendo achado por um momento que Draco já tinha decidido e ele não teria que provar nada. Pelo menos parecia que ele só teria que provar essa única peça. Ele segurou as vestes e viu que era mais complicada do que originalmente percebeu. Era feita de um tecido preto fino, ajustando-se ao corpo com pequenos botões que faziam uma curva da lateral da cintura até o centro da gola alta, e as mangas cumpridas tinham botões acima do punho de veludo. As costas tinham o design de uma capa, as pontas também com detalhes em veludo preto, que era recolhida acima de um ombro por um broche prateado na forma de um nó Celta, então jogado por cima do outro ombro, caindo ao chão. Era o forro da capa que Harry tinha visto brilhar com prateado. Uma longa faixa preta de veludo era amarrada em volta da cintura e presa ao lado com outra presilha prateada. Harry nunca tinha usado algo tão elegante. "Como que abre?" ele perguntou, analisando os botões com suspeição. "Eu tenho que abrir todos esses?"

Draco o olhou com divertimento. "A não ser que você saiba como Aparatar dentro dela, você tem."

Harry segurou um suspiro e passou por Draco até sentar na cama, utilizando as duas mãos para desabotoar tudo. Levou vários minutos, e Draco teve que ajudar, mas finalmente Harry conseguiu colocar as vestes e se levantou antes que Draco pudesse dar um veredito. Vários minutos passaram, ou assim pareceu a Harry, até que Draco balançasse a cabeça em aprovação.

"Deslumbrante," Draco disse suavemente, vindo ficar mais próximo, encarando Harry com os braços ao redor de seu pescoço.

O calor subiu ao rosto de Harry mais uma vez quando Draco o beijou. Suas mãos foram segurar Draco levemente, escorregando em volta da cintura nua para descansar nas costas do sonserino. "Tem mais uma coisa, no entanto," ele disse quando se separaram. Ele deu um passo para longe de Draco e indicou a frente das vestes. "Vai ficar um pouco frio."

Draco roncou e observou Harry com uma luz entretida em seus olhos. As vestes tinham uma abertura acima da perna esquerda da cintura até o chão, a qual, como no momento Harry estava apenas usando cuecas, mostravam uma perna nua da coxa até o pé. "Eu gosto desse jeito," Draco disse. Ele pausou pelo efeito dramático e então adicionou, "Mas tem um par de calças que vão aí embaixo."

Demorou alguns minutos para que Draco encontrasse as calças que iam com as vestes, e Harry as provou também, então ele procurou um par de botas. Harry estava colocando seu pé em um par promissor quando uma faixa de luz solar entrou pela janela e clareou o quarto. Draco levantou a cabeça, seu interesse apanhado pela possível significância do repentino clarão, e foi até a janela olhar para fora.

"Essas cabem," Harry chamou, sentado no outro lado da cama. Ele se levantou e andou até o guarda-roupa para se observar no espelho que tinha na parte de trás de uma das portas. Teve que admitir que estava muito bom. Deslumbrante não era um termo que ele usaria para se descrever, mas, ele sorriu, estava feliz que Draco pensava assim. "Terminamos?" ele perguntou esperançosamente.

A luz solar ficou mais fraca, o quarto ficando escuro novamente, mas Draco, olhando pela janela, estava sorrindo. O céu estava clareando, e pelo jeito seus planos para essa tarde ocorreriam exatamente como ele queria, afinal de contas. Ele deu as costas à janela e veio até o canto da cama, encontrando Harry levantado na frente do guarda-roupa, então parou, coração na boca com o que viu. As roupas fizeram uma considerável diferença, mas era o próprio Harry, de pé ali com seus braços um pouco afastados do corpo, convidando a inspeção de Draco, com o queixo levantado, cabelo bagunçado em razão da troca de roupas, e os olhos verde suaves, afetuosos, esperando para descobrir a opinião de Draco, que Draco achou indescritivelmente deslumbrante.

Uma onda de amor arrepiou Draco e ele ficou parado, levantando uma mão para se segurar na coluna de sua cama, equilibrando-se. Havia um brilho no rosto de Harry, um convite em seus olhos, que falavam diretamente com o coração de Draco. O jeito com que Harry o observava agora era tão profundamente diferente de apenas uma semana atrás, que era chocante. Era o que Draco tinha desesperadamente desejado, e mal podia acreditar. . . e, disse uma pequena voz engasgada dentro de si, perderia tudo para sempre tão logo. . . tão logo.

Mas não hoje! Draco pensou, batendo a porta em sua mente contra tais pensamentos. Ele tinha jurado que hoje, somente hoje, ele não iria pensar no futuro.

"Então, ficou bom?" Harry perguntou, quebrando a concentração de Draco.

Draco virou sua atenção a Harry, e, soltando a coluna, veio ficar próximo à frente dele. Ele arrumou um pouco o colarinho de Harry, então ajustou as dobras da capa no peito. "Você está perfeito," ele disse, cheio de afeto.

Harry corou levemente, "As roupas que são chiques," ele disse.

"Não são as roupas," Draco disse, colocando os braços ao redor de Harry e o puxando para perto. "É só você. Você aqui comigo. Você querendo estar aqui. Às vezes mal consigo acreditar."

"Eu quero ficar com você," Harry respondeu quietamente, "muito." Olhos verdes encontraram cinzas e havia apenas honestidade neles, pura e simples. "Por favor, acredite em mim," ele adicionou com um sussurro enquanto a boca de Draco encontrava a dele.

Draco beijou Harry com uma intensidade trêmula que não era desejo, mas sim a liberação de todas as emoções poderosas e mistas que sentia – o desejo, o medo de perda, o amor, a profunda gratidão por poder não apenas beijar essa pessoa, mas ter essa pessoa o segurando e o beijando em resposta – tudo isso o inundou, transformando-se em uma repentina chama de paixão carinhosa que deixou ambos tremendo e se apoiando um no outro, sem ar.

"Draco?" Harry sussurrou, abaixando a cabeça para beijar o pescoço de Draco, e o topo de um ombro nu. Mas Draco estava se afastando, saindo de seus braços, escapando a pergunta implícita na voz de Harry. Ele encontrou os olhos de Harry por um segundo, a cor forte em seu rosto, desculpas claras em seus olhos – e então ele estava a um braço de distância, fora de alcance.

"Eu preciso guardar tudo isso," Draco disse com a voz fraca, virando-se para a pilha de roupas na cama.

Harry ficou de pé em silêncio e observou enquanto Draco coletava as roupas. Ele deu um passo para trás quando Draco veio colocá-las no guarda-roupa. Ele retirou as botas e as calças, passando-as ao Draco sem uma palavra. Então com dedos trêmulos, ele começou a desabotoar as vestes que estava usando. Finalmente conseguiu retirá-las e passá-las a Draco.

Draco guardou tudo e retirou algumas peças de roupa. "Você pode se vestir agora," ele disse suavemente a Harry. Ele andou até o banheiro, então se virou antes de entrar, um pequeno sorriso começando a aparecer nos cantos de seus lábios. "Fique aquecido," ele disse antes de fechar a porta, "porque depois do almoço, vamos lá fora."

Por um longo momento, Harry apenas encarou a porta fechada do banheiro, mordendo seu lábio inferior, seus braços cruzados com força por cima de seu peito, completamente confuso mais uma vez, e frustrado, pelo comportamento contraditório de Draco. Mas, pelo menos por enquanto, ele estava disposto a esperar – não iria demorar muito mais para o jogo acabar. Ele andou vagarosamente até o fim da cama até encontrar sua mochila e retirou a camisa vermelha xadrez que tinha trazido.

Fique quente. . .lá fora. . .

Neve! Harry sorriu sozinho. Aí estava algo que conseguia entender.

Quando Draco saiu do banheiro, encontrou Harry vestido e sentado em sua escrivaninha, cotovelos apoiados na beira, queixo nas mãos, contemplando o tabuleiro. A luz vinda da janela estava inundando o quarto de maneira mais insistente do que antes. Já era quase meio-dia. Draco foi olhar para fora da janela novamente e viu que as nuvens pesadas tinham sumido, o céu estava claro com luz solar. Ele sorriu em satisfação e foi se juntar a Harry. "Minha vez," ele disse. Harry se sentou, dando-o espaço, esperando, seus olhos verde cheios de curiosidade e expectativa. Com apenas alguns segundos de hesitação, Draco moveu sua Torre um espaço para o lado. "Torre para G1" Ele inclinou a cabeça e observou Harry com excitação. "Eu quero que você vá voar comigo," ele disse. "Sem jogar Quadribol, sem competir. . . só nós voando, por diversão."

Harry se levantou com os olhos claros, sorrindo alegremente. "Isso é exatamente o que eu queria que você dissesse," ele disse. "Mas eu tenho que ir até meu dormitório pegar minha vassoura."

Draco levantou uma sobrancelha e sorriu. "Podemos almoçar antes," ele disse enquanto caminhava até a mesa na frente do fogo, "então vamos pegar sua vassoura. Eu tenho uma ideia."

Não demorou muito para que eles comessem os sanduíches que apareceram na mesa. Draco emprestou um suéter de lã a Harry para usar por cima de sua camisa e luvas de couro de dragão que Harry suspeitava serem muito caras para serem usadas voando em vassouras na neve. Mas Draco tinha insistido e Harry cedeu.

Quando estavam vestidos em suas capas e protetores de orelhas de inverno, Draco apanhou sua própria vassoura debaixo da cama e chamou Harry até sua janela. "Vamos lá," ele apressou quando Harry o lançou um olhar duvidoso. "Não vamos andar pelo castelo inteiro." Ele abriu a janela, então montou a vassoura. Harry subiu atrás dele, colocando os braços ao redor da cintura de Draco a tempo de se segurar quando Draco lançou vôo direto pela janela. "Você consegue encontrar sua janela na Torre da Grifinória?" Draco perguntou enquanto voava em volta dos tetos e paredes de pedra.

"Acho que sim," Harry disse, segurando com força. "Ali," ele disse, apontando para frente enquanto Draco rodeava o castelo. "Ali mesmo – meu quarto é no topo."

"Essa?" Draco perguntou, planando sobre uma janela curvada perto do topo da torre de pedra.

Harry forçou os olhos, mas a luz da neve tornava difícil ver dentro da janela. "Venha um pouco mais perto," ele disse, "para que eu consiga bater." Ele se segurou em Draco com uma mão e alcançou com a outra quando Draco trouxe a vassoura até a janela, e deu várias batidas no vidro. A princípio nada aconteceu, mas então uma figura apareceu e um momento depois, Seamus, com um sorriso enorme no rosto, estava abrindo a janela.

"Ei, pessoal!" ele chamou por cima do ombro. "É o Harry!" Ele se inclinou para fora da janela, rindo. "E ahhhh," ele conseguiu dizer, "ele está montando a vassoura do Draco!"

"Você pode me passar minha vassoura, Seamus?" Harry disse com uma voz mortificada, suas orelhas queimando, e não por causa do ar frio. "Está embaixo da minha cama."

"Não sei, Harry," Seamus riu. "Parece bem confortável aí onde está," ele adicionou, fazendo uma referência óbvia ao modo como Harry estava sentado pressionado nas costas de Draco, seus braços ao redor do sonserino.

Draco olhou para trás e sorriu, parecendo não estar nada envergonhado com as insinuações de Seamus.

"Minha vassoura, por favor?" Harry grunhiu.

"Tá comigo," Neville disse prestativamente, aparecendo atrás de Seamus, corando, mas sorrindo, segurando a Firebolt de Harry e a passando para a mão esticada do moreno.

"Alguma chance de você me levar no lugar dele?" Seamus provocou, lançando um olhar paquerador a Draco.

"Finnigan," Draco disse, jogando o cabelo para trás e sorrindo diabolicamente, "você e sua vassoura têm a mesma chance de vir comigo quanto um basilisco entrar em um galinheiro."

Seamus se se encostou à beira da janela, repentinamente mole de tanto rir.

"Obrigado, Neville," Harry chamou enquanto Draco direcionava a vassoura com rispidez para o outro lado e acelerou pelo terreno a caminho de Hogsmeade. Eles voaram por cima da Floresta Proibida em uma linha reta, mantendo-se em altitude baixa, perto das árvores, então aterrissaram nos arredores da cidade.

"Já voou por aqui?" Draco perguntou. "Passando o extremo da cidade?"

"Não," Harry disse, sua mente não estava completamente concentrada na pergunta. Os olhos de Draco estavam claros, sua face corada devido ao frio, e Harry queria muito beijá-lo. "Você já?"

"Talvez," Draco respondeu misteriosamente. "A floresta é mais calma por aqui, é separada por campos e algumas fazendas. É mais seguro do que passar bem pelo meio da Floresta Proibida."

Harry teve uma repentina visão do Draco de onze anos gritando e saindo correndo ao avistar Voldemort bebendo sangue de um unicórnio na Floresta Proibida naquela noite em que serviram detenção com Hagrid. Na época, ele estivera assustado demais e com muita dor na sua cicatriz para achar qualquer coisa engraçada com a situação. Mas agora. . . tentou esconder um sorriso mas não teve sucesso.

Draco levantou uma sobrancelha. "O quê?"

"Nada," Harry disse, sorrindo. "Só estou feliz por não estarmos voando por cima da Floresta Proibida. Muitas memórias ruins." Ele pulou em sua Firebolt. "Vamos!" ele chamou enquanto circulava pelo ar.

Com um sorriso em resposta, Draco estava logo atrás dele, então o ultrapassou, levando Harry em uma perseguição rápida e desenfreada por Hogsmeade e além, pelos terrenos e árvores cobertos de neve.

O mundo parecia cheio de luz, pulando em faíscas brilhantes da neve. O coração de Harry se sentia preenchido com isso. Ele tinha voado com a Cho, mas nunca desse jeito. Isso era selvagem e abandonado e de tirar o fôlego, com um levando o outro à beira da imprudência. Era muito divertido. Eles voaram como se estivessem perfeitamente sintonizados, uma única força em duplicidade, rasgando o céu claro. Eles tinham feito isso muitas vezes antes, Harry então percebeu – acelerando pelos céus dentro do campo de Quadribol, desviando, mergulhando como um só ser, com a intenção presa à satisfação de um pequeno e igual objetivo. Mas dessa vez não era a competição que os animava, mas sim apenas estarem juntos em puro vôo, algo que ambos entendiam e não precisavam explicar. Harry mal conseguia respirar por causa do ar gelado e da enorme alegria que sentia.

Draco repentinamente desacelerou enquanto passavam por um campo largo e vazio, dando a volta.

Harry seguiu-o, alcançando o outro um momento depois.

Pairando sob o centro do prado, Draco retirou sua varinha, olhando para a expansão perfeita e limpa de neve abaixo. Ele levantou o olhar quando Harry se aproximou, sorrindo. "Eu sempre quis fazer isso!" ele gritou através do espaço do céu que os separava.

Esperando até manusear sua vassoura perto o suficiente para não precisar gritar, Harry perguntou, "fazer o quê?"

Com um gesto dramático de sua mão, Draco indiciou o terreno abaixo deles. "É como um pedaço de pergaminho gigante e em branco," ele explicou, animação evidente em seus olhos. "Está implorando para ser escrito!"

"Tá bom," Harry riu. O entusiasmo de Draco era contagioso."O que você vai escrever?"

Draco levantou uma sobrancelha. "Meu nome, é claro," ele disse com uma arrogância brincalhona, como se fosse óbvia a resposta. "Bem grande."

Harry riu novamente. "Vá em frente, então. Vou só olhar."

Oferecendo um sorriso a Harry, Draco apontou sua vassoura para baixo e um raio de fogo azul explodiu da ponta da varinha, criando um sulco profundo na neve. Voando vagarosamente e segurando a varinha com firmeza, Draco voou para que o sulco se transformasse na linha esquerda da letra D maiúscula. Ele deu um giro, criando um arco elegante que voltava ao ponto de origem, e terminou com outro giro.

Do ponto de vista de Harry bem acima, uma letra D perfeitamente escrita estava agora clara na neve. O fogo azul que Draco estava utilizando o lembrava do fogo que Hermione tinha usado contra o Visgo do Diabo no primeiro ano – um feitiço que ele ainda não sabia fazer. Observou por mais um minuto antes de decidir fazer alguma coisa enquanto Draco estava ocupado. Ele aterrissou no canto oposto do campo de onde Draco estava trabalhando, e apanhou um bocado de neve. Começando a rolar, ele logo tinha uma bola de neve larga o suficiente para servir como base de um grande boneco de neve. Ele rolou outra bola para o torso e usou Vingardium Leviosa para levitá-la ao topo da bola de baixo, repetindo o processo com a cabeça. Então, caminhando até o início dos bosques ali próximos, ele colecionou um par de galhos mortos, um punhado de grama longa, seca e fibrosa, e uma pinha. Ele teve que procurar mais alguns minutos, chutando neve e folhas para o lado, até encontrar duas pedras largas, escuras e redondas com as quais estava satisfeito.

Assim que ele deu um passo para trás de forma a admirar seu trabalho finalizado, sentiu a primeira bola de neve passar voando por sua orelha. Harry se virou e teve que imediatamente desviar uma segunda bola de neve mirada bem na sua cabeça. "Ei!" ele gritou e pegou um punhado de munição.

Draco estava parado perto de onde Harry tinha deixado sua vassoura, apanhando uma terceira bola de neve em suas mãos, com um sorriso gigante e metido em seu rosto.

"Sentiu minha falta?" Harry gritou, deixando sua bola de neve voar.

"Ah!" Draco gritou, pulando para o lado e evadindo o míssil de Harry com facilidade, jogando o seu.

Harry se abaixou para fazer outra bola, mas quando se levantou para jogá-la, a bola de neve que Draco tinha jogado estava em curso de colisão com sua face. Reflexos assumiram o controle e ele levantou sua mão vazia para se defender. Um pensamento instantâneo, mas não completamente consciente, passou por sua mente – um pensamento poderoso reforçado pela adrenalina automática advinda do impacto inevitável. Harry desejou que a bola de neve fosse algo macio, algo inofensivo, que não o atingisse, e no próximo momento, a bola de neve explodiu no meio do ar, todas as pequenas partes dela se transfigurando em pequenas borboletas brancas.

Quase no mesmo instante, Draco caiu de joelhos na neve. Por um segundo, ele estava muito chocado e tonto para perceber o que tinha acontecido, mas então seu equilíbrio retornou e ele se sentou em seus calcanhares, completamente em choque. Ele analisou Harry em um silêncio atônito enquanto a pequena nuvem de borboletas, parecendo uma bola de neve super expandida e flutuante, levantou ao céu e voou para longe.

"Você sabe o que acabou de fazer?" Draco gritou. Ele balançou a cabeça ao ver a expressão muito surpresa e de perplexidade de Harry. "Você acabou de realizar mágica sem varinha. . . e não foi um feitiço de cura! Não foi nem um feitiço!" Então seu choque se transformou em divertimento e ele começou a rir. "Mas borboletas?" ele provocou. "Borboletas!" Ele estava gargalhando a esse ponto. "Deus, Potter! Essa tem que ser a coisa mais gay que eu já vi na vida!"

Harry correu até lá e pulou nele, tentando enfiar o punhado de neve que ainda segurava dentro do suéter de Draco.

Draco caiu com as costas na neve, ainda rindo, mas valentemente tentando proteger seu precioso suéter de casimira preto que estava usando. "Nãooooo!" ele protestou, agarrando os pulsos de Harry, mas rindo demais para conseguir segurar. "Não o suéter!"

Harry desistiu de arruinar o suéter de Draco e o segurou embaixo de si ao invés disso, sentando em seu estômago. Ambos estavam rindo, a respiração saindo com fumaça no ar gelado. O cabelo pálido de Draco estava camuflado na neve, e sua face estava sorrindo e rosa em razão do frio, seus olhos brilhando das risadas. Harry perdeu o fôlego – não era como se nunca tivesse visto Draco tão bonito antes, mas essa era uma nova revelação daquela beleza, e tomou Harry, como tomou todas as vezes anteriores, de surpresa. Uma onda de carinho e de desejo começou a borbulhar dentro dele – ele nunca teve Draco nessa posição, ou à sua mercê, e ele observou o outro garoto, seu coração acelerando, sem saber qual seria a melhor maneira de tomar vantagem da situação.

Draco, no entanto, imediatamente resolveu o dilema momentâneo de Harry ao desistir todas as pretensas de tentar jogar Harry para longe, e mudando de tática, puxou-o para baixo em um beijo. Foi um beijo curto, sua brevidade não demonstrando de maneira alguma a emoção por trás do ato, mas um breve momento depois que o beijo começou, Draco estava empurrando Harry. "Deixe-me levantar," ele disse com um tom de urgência, encarando os olhos verdes brilhantes e questionadores. "Meu cabelo está ficando molhado."

Com uma risada, Harry se levantou e estendeu uma mão para puxar Draco de pé. Ele virou o loiro para retirar a neve das suas costas e arrumar o cabelo fino que mal estava úmido. "Seu cabelo está bem," ele assegurou Draco, mas não conseguiu apagar a risada de sua voz.

Draco se virou para encarar Harry, uma sobrancelha levantada, levantando o olhar com consideração obviamente cética ao cabelo selvagem e bagunçado de Harry. Ele abaixou o olhar para encarar Harry e sua expressão brincalhona suavizou. "O seu também," ele disse com um sorriso torto. Por um momento, os olhos deles ficaram presos, verde encontrando cinza em um mundo de branco, então Draco colocou as duas mãos no pescoço de Harry. "Foi incrível o que você fez," ele disse, sua voz carinhosa e maravilhada, a apenas um centímetro da boca de Harry, e então puxou Harry novamente ao beijo que tinha interrompido.

Não havia nada breve no beijo dessa vez. As mãos de Harry encontraram um refúgio dentro da capa de Draco, no calor ali concentrado; ele se aproximou para que a lã grossa caísse por cima de ambos. A boca de Draco estava quente também, e Harry deixou todo esse calor o englobar. Ele havia pensado, por um segundo, que Draco tinha se afastado do outro beijo por outro motivo, assim como tinha fugido de Harry na noite passada e nessa manhã, evitando o desejo de Harry, suas perguntas. Mas agora, Draco parecia estar imerso na necessidade de beijá-lo incessantemente, e Harry se rendeu com boa vontade, dando-se por inteiro ao beijo, respondendo com prazer e não fazendo qualquer demanda que pudesse fazer Draco se afastar novamente.

As palavras que Draco tinha falado passaram pela mente de Harry, e ele ficou repentinamente chocado, preso com as implicações. Draco o abraçou com mais força, aprofundando o beijo, e Harry sentiu-se arrepiar com o outro garoto, tremores de desejo crescendo dentro de si pelo toque de Draco, pela revelação em suas palavras. Draco não estivera tão maravilhado com a mágica sem varinha de Harry de forma a impedi-lo de brincar sobre seu cabelo bagunçado, mas até mesmo a provocação mostrava que Draco não ligava para o cabelo bagunçado, mas na verdade o achava adorável. Draco o amava, por inteiro – tanto Harry-do-poder-mágico-super-raro quanto Harry-do-cabelo-bagunçado – todas as falhas e talentos aceitados como parte de um todo, sem um valer mais que o outro. Não tinha nada da adoração que Harry tanto odiava na aceitação de Draco de seu talento, e abraçando Draco agora em seus braços, beijando-o, trouxe à tona uma onda de memórias da noite anterior também. Harry sabia que nunca tinha estado mais apaixonado do que nesse momento.

Draco se afastou gentilmente, quebrando o beijo, então beijou Harry suavemente mais uma vez. Ele soltou a capa do grifinório e colocou aquele braço ao redor do pescoço de Harry, abraçando-o, seu rosto virado na direção do perfil do moreno.

O cabelo de Draco estava frio e macio em sua bochecha, uma carícia delicada que tocava seu coração em sua simplicidade, e fez com que Harry segurasse Draco com mais força. Harry o segurou dessa maneira por vários minutos; Draco parecia não querer que esse momento acabasse e Harry estava mais que disposto a oferecê-lo todo tempo que quisesse. Sentiu Draco finalmente suspirar e virar a cabeça para o outro lado, então o sentiu respirar subitamente em surpresa, e o loiro repentinamente começou a rir.

"Ah Deus," Draco riu, olhando por cima do ombro de Harry. "É exatamente como a primeira vez." E Harry se virou para ver sua versão do Professor Snape, com seu cabelo escorrido feito de grama e um nariz largo de pinha, encarando-os. Um galho quebrado em vários pontos formava uma linha torta em ziguezague como boca, dando-o uma expressão insultada; seus olhos de pedra eram grandes e redondos, os braços de gravetos levantados ao céu em horror, como se estivesse reagindo ao beijo deles. "Uma imagem perfeita," Draco declarou, virando-se para Harry com os olhos brilhando. "Ele parece totalmente escandalizado."

Harry sentiu a face corar, parcialmente do beijo e parcialmente do elogio de Draco. Aprovação vinda do outro garoto ainda era inesperada, ainda o apanhava de surpresa. Ele sorriu. "Pelo menos esse não pode retirar pontos," ele disse. "Ou nos dar detenção." Eles ficaram de pé juntos por alguns minutos, admirando o boneco de neve, os braços de Harry em volta das costas de Draco. Após um momento, no entanto, Harry estava observando o rosto de Draco ao invés do boneco, e alguns segundos depois, Draco se virou para encontrar seu olhar.

A afeição nos olhos de Draco trouxe de volta todos os pensamentos que teve enquanto se beijavam e ele se lembrou do movimento de xadrez que tinha planejado para essa manhã. Havia algo que precisava dizer. Longas sombras azuis das árvores estavam se esticando pelo campo na direção deles, os primeiros pontos dourados do pôr-do-sol pintando o céu, e Harry soube repentinamente o tempo e o local em que queria falar. "Acho melhor irmos," ele disse. "É a minha vez no jogo. . . tem algo que quero fazer."

"Eu quero que você veja meu nome antes de irmos," Draco insistiu enquanto eles caminhavam na direção das vassouras.

Eles subiram nas vassouras e pairaram sobre o campo, e Harry teve que soltar outra risada. Escrito elegantemente pelo terreno inteiro, como se tivesse sido escrito em um pedaço de papel, estava a assinatura gigante de Draco Malfoy.

"Muito impressionante!" Harry gritou com um sorriso.

Draco sorriu com satisfação, então olhou para baixo, repentinamente invadido por uma pontada de tristeza. Em mais ou menos uma semana, quando a neve derretesse, quando aquelas duas palavras que seguravam sua identidade sumissem dentro da terra fria. . . o que sobraria dele então? Resolutamente, ele virou para Harry, afastando esse pensamento de sua mente. "Estou pronto," ele gritou. "Aonde você quer ir?"

"Peão para B4," Harry gritou. "Siga-me!" Ele liderou Draco dessa vez, voando rapidamente em círculos largos, subindo constantemente. Eles voaram cada vez mais rápido, fazendo espirais em torno um do outro, o arco dos círculos diminuindo enquanto eles voavam mais alto ao céu, sua ascensão tendo como fundo os longos tufos de nuvens radiantes, pintadas com serpentinas de damasco, rosa e ametista. A Floresta Proibida era um borrão debaixo deles, o mundo abaixo como uma tapeçaria de retalhos dourados enquanto o sol derramava rios de ouro derretido pelos campos cheios de neve e pelas florestas. Harry finalmente parou e foi ao lado de Draco. Ambos estavam sem fôlego e corados devido ao vento que fazia as capas atrás deles baterem como bandeiras ondulantes.

Segurando um ao outro, eles observaram o sol caindo atrás do horizonte. Então Harry puxou Draco para perto e o beijou ali, acima do mundo em um céu cheio de cores. "Draco," ele disse, o crepúsculo azul escuro caindo ao redor deles, sua voz carinhosa, ligeiramente trêmula. "Eu não sei quando você achou que seria um bom momento para eu te dizer isso. . .eu queria dizer na noite passada." Ele se afastou o suficiente para olhar Draco nos olhos, olhos que refletiam o crepúsculo vívido. "Eu também te amo."

Draco colocou os braços ao redor de Harry então, completamente indiferente quanto ao perigo de cair. "Foi a hora perfeita," ele respirou, beijando Harry. E já estava bem escuro, as estrelas cheias e brilhantes acima, quando eles decidiram descer.

Os garotos voaram cuidadosamente para dentro da janela de Draco, tomando cuidado com suas vassouras em um espaço tão pequeno, e ambos aterrissaram sem qualquer imprevisto no quarto escuro. Era bem mais tarde do que tinham imaginado; eles tinham perdido o jantar e Draco estava atrasado para sua ronda de Monitor. Felizmente, a mesa enfeitiçada ainda funcionava, e eles jantaram apressadamente.

"Deixa eu ir com você," Harry sugeriu, rapidamente engolindo um pedaço de torta. "Eu tenho a Capa da Invisibilidade. Ninguém vai saber."

"Na verdade, é bem chato," Draco avisou, terminando a última mordida de seu jantar.

"Vai ser chato sem você aqui," Harry respondeu esperançosamente.

"Você podia dar uma olhada nos meus livros," Draco ofereceu, colocando seu uniforme escolar.

Harry analisou as prateleiras de manuais de Poções e rolou os olhos. "Acho que não," ele disse com um sorriso. "Eu prefiro bem mais caminhar para cima e para baixo pelos corredores com você, procurando espiões não-existentes e mal-escondidos adolescentes se amassando."

Draco riu. É claro que não se importava com a companhia de Harry. As rondas de Monitores não estavam entre suas atividades preferidas, e ter companhia iria melhorar o dever tedioso da noite imensamente.

Draco tinha terminado sua ronda e estava retornando à torre da Sonserina; Harry estava embaixo da Capa da Invisibilidade, andando ao seu lado, segurando sua mão. A caminhada deles havia sido rotineira – nenhum espião, ou sequer casais se amassando, havia sido avistado. Tinha sido muito bom desfrutar da companhia de Harry, mesmo sem poder vê-lo. Eles estavam prestes a virar um canto que daria no corredor, ao lado da sala de Transfigurações, quando um grito grosso atrás deles os fez congelar onde estavam, aquela voz áspera era inconfundível.

Filch!

"Você!" comandou o guarda velho e grisalho, enquanto marchava pelo corredor até eles. "Pare bem onde está!"

Draco soltou um som irritado e se virou para encarar o velho homem. Harry se mexeu atrás de Draco, suas mãos segurando os dois lados da cintura do outro garoto. Um segundo antes de Filch os alcançar, Harry se inclinou nele.

"Aqui, gatinha, gatinha," Harry cantarolou na orelha de Draco.

Os olhos de Draco se arregalaram e ele teve que engolir a risada que quase soltou, porque Filch estava bem na sua frente.

Filch fez uma careta satisfeita e alegre como um ogro que acabara de apanhar sua presa.

Draco tocou seu distintivo. "Ronda de Monitor, senhor," ele disse, tentando manter a cara séria.

"Você está atrasado, Malfoy," Filch rosnou, estreitando os olhos ameaçadoramente, obviamente desapontado por Draco ter uma desculpa legítima para estar ali. "Já passou do horário de fazer isso."

"Eu sei, senhor," Draco disse. "Eu esqueci que era minha vez -"

"Esqueceu!" Filch sorriu maliciosamente. "De todas as desculpas patéticas. . ."

"Mas eu já terminei, senhor," Draco adicionou apressadamente. "Eu estava voltando ao meu quarto."

"Fofuxinha," sussurrou aquela voz cantarolando ao lado da orelha de Draco. Draco mordeu o lábio e deu um passo para trás, pisando em dedos invisíveis. Ele ouviu uma inalação abrupta de ar atrás de si e teve que segurar a vontade de rir em voz alta.

"Hã?" Filch se inclinou na direção de Draco, seu rosto torcido em suspeição. "O que foi isso? O que disse?"

"Nada, senhor," Draco engasgou. Ele tossiu levemente, então com mais força para cobrir o sussurro de "Bolinho de coco" soltado por Harry. Ele limpou a garganta, o olhar feio de Filch servindo como único impedimento para que soltasse uma risada. "É só uma pequena tosse que tenho. Desculpe, senhor."

Filch o observou com desagrado. "Bem, talvez você deva ir até a ala hospitalar e deixar as enfermeiras checarem," ele disse com uma careta sarcástica. "Talvez ela te dê algo para arrumar sua memória também!"

"Sim senhor," Draco disse com a voz horrivelmente controlada.

"Humpf," Filch murmurou, virando para o outro lado. "Pode ir então. Se eu te encontrar aqui novamente após o horário, não serei tão bonzinho." Ele marchou novamente na direção de onde tinha vindo.

Draco deu a volta, agarrou Harry e o arrastou na direção contrária, para onde estavam indo antes de Filch interrompê-los, até o final do corredor e depois virando uma esquina. Eles entraram na sala de Transfigurações. Draco conseguiu puxar Harry para dentro da sala antes de caírem um contra o outro, em gargalhadas. "Deus, Harry," Draco arfou. "Você quase fez com que eu pegasse uma detenção!"

Harry retirou a Capa da Invisibilidade e sorriu. "E você quase esmagou meu dedo!" Ele riu novamente, inclinando-se no quadro-negro atrás de si. "Aquilo foi brilhante – 'é uma pequena tosse que tenho!'"

Draco riu e se aproximou de Harry, suas mãos fazendo pressão nos ombros do outro, prendendo-o na lousa atrás dele. "Eu exijo retribuição pelos problemas que você quase me causou," ele disse com uma voz baixa e provocadora.

"Ah, é mesmo?" Harry disse, provocando em resposta, seus braços indo ao redor da cintura de Draco para aproximá-los. "E o que eu ganho pelo meu dedo dolorido?"

Draco se inclinou para beijar Harry. "Isso," ele disse suavemente, "é para mim. E," ele adicionou, falando com seus lábios tocando os de Harry, "esse é pelo seu dedo." Então ele beijou Harry profundamente. "Melhor?" ele perguntou, um pouco sem ar, quando eles finalmente se separaram.

"Bem melhor," Harry disse com um suspiro. Uma mão subiu pelas costas de Draco para acariciar o cabelo na nuca dele e o puxar para mais um beijo. "Eu acho que talvez consiga andar novamente, agora."

Draco rolou os olhos, mas mal conseguiu esconder um sorriso. "Então nós devemos voltar," ele disse, levantando uma sobrancelha. "Antes que Filch nos pegue de novo."

Harry concordou. Quando ele soltou Draco, uma mão se encostou no quadro atrás de si, e ele se virou ligeiramente, percebendo pela primeira vez em que estava se encostando. Tinha um pedaço de giz a apenas alguns centímetros de seus dedos. "Espera!" ele disse, com uma repentina ideia. Ele pegou o giz e se virou na direção de Draco com um sorriso malicioso. "Eu acho que devemos deixar uma mensagem para o Filch."

"Ah," Draco riu. "Contanto que eu não leve a culpa."

Rindo quietamente, Harry desenhou um grande coração no quadro. Draco ficou só observando, então nenhum dos dois percebeu o gato que entrou na sala. O animal parou em seu caminho quando viu os dois garotos, ficando bem imóvel. Harry terminou seu desenho, então com um olhar safado na direção de Draco, escreveu as palavras dentro do coração. Filch + Fofuxinha. Segurando uma risada, Draco jogou um braço levemente pelos ombros de Harry. O gato se sentou repentinamente, seus olhos arregalados, orelhas abaixadas, o bater nervoso de seu rabo mostrando sua agitação.

Draco apanhou o giz de Harry com um grande sorriso. Embaixo das palavras ele desenhou uma cara de gato boba com olhos vesgos. Então, fora do coração, ele escreveu Amor do lado esquerdo, e Verdadeiro do direito.

"Ah meu Deus," Harry disse, sorrindo, abraçando Draco por trás. "Está perfeito. Eu queria poder ver a cara dele quando ele ver isso." Ele se inclinou para frente e beijou Draco.

O gato se levantou como se tivesse sido eletrocutado. Suas costas arcaram, o pêlo em seu rabo ficou arrepiado. Com um silvo assustado, ele se virou e saiu da sala. E, infelizmente, Draco, que ainda estava beijando Harry, não viu. A reação havia sido tudo que ele poderia desejar.

"Venha," Draco disse, quando Harry o soltou. "Eu realmente não acho que queremos estar aqui quando Filch vir isso."

"Não," Harry disse com uma risada. "Mas é melhor você vir comigo embaixo da Capa da Invisibilidade dessa vez. Filch deve estimar que você tenha chego ao seu quarto há um tempão, então seria péssimo encontrá-lo novamente no corredor no caminho de volta."

Algum tempo depois, Harry e Draco, braços ao redor um do outro por baixo da Capa da Invisibilidade, estavam descendo as escadarias do Salão Principal, na direção da entrada da Torre da Sonserina. Foi Harry quem viu o gato primeiro e parou no meio das escadas, puxando Draco com firmeza para fazê-lo parar também. "Não se mova," ele sussurrou urgentemente. Indicou na direção da entrada do salão. "Srta. Norris!"

Draco olhou para baixo e sim, lá estava o gato, sentado com arrogância no meio do corredor, sua cabeça virada para o lado como se estivesse escutando atentamente. Ele xingou baixinho, então se virou para Harry. "E agora?" ele sussurrou.

"Vá devagar," Harry disse. "Ela não consegue nos ver, então mesmo que sinta nosso cheiro, se não fizermos barulho, ela não saberá onde estamos. Eu já passei por ela desse jeito antes."

Balançando a cabeça, Draco apertou seu braço ao redor da Harry, e com um olhar de concordância entre eles, eles começaram a andar, passo a passo, sem fazer barulho, escadas abaixo.

Parecia não terminar nunca. Com cada passo, Harry observava a gata, mas fora de um tique na ponta de seu rabo ou um tremer de sua orelha, ela nunca se moveu. Eles estavam no fim dos degraus quando Harry, levantando o olhar mais uma vez, finalmente percebeu as marcas escuras e retangulares ao redor dos olhos do gato. "Ah meu Deus," ele respirou repentinamente, agarrando Draco com o coração na garganta.

Draco encontrou seus olhos, assustado. "O quê?" ele perguntou, quase sem fazer um som.

Mas Harry não teve que explicar. O gato se levantou, e repentinamente começou a crescer, mudando de forma até se tornar humano. Em segundos, a Professora McGonagall estava no lugar do gato. Ela deu alguns passos na direção deles e cruzou os braços, seu rosto rígido. "Sr. Potter. Sr. Malfoy," ela disse com severidade. "Eu sei que estão aí, então, por favor, vamos dispensar todo o fingimento."

Harry grunhiu e vagarosamente retirou a Capa da Invisibilidade. Ele olhou para Draco, percebendo com desânimo que Draco estava tenso e franzindo as sobrancelhas, seus olhos apreensivos. Alcançando por trás da capa dobrada, Harry pegou a mão dele. Draco olhou para Harry, sua expressão ligeiramente mais relaxada.

A McGonagall fixou sua atenção em Harry. "Sr. Potter," ela disse com um tom muito controlado, forçando a atenção de Harry. "O que significa isso?"

Harry respirou fundo, sabendo ser melhor dizer a verdade. "Draco tinha rondas de Monitor para fazer," ele disse. "Eu vim junto."

Por um momento, McGonagall virou seu olhar perfurante para Draco. "Isso explica a presença do Sr. Malfoy nos corredores após o horário permitido, apesar de que ele já deveria ter terminado." Ela voltou sua atenção a Harry. "Mas isso não explica por que você está aqui com ele." Então a voz dela pareceu elevar de tom, "nem explica o que estava acontecendo na minha sala de aula!"

Harry e Draco trocaram olhares assustados. Essa situação estava ficando cada vez pior. Quão mais ela tinha visto?

Como se em resposta à pergunta silenciosa, McGonagall continuou. "Eu vi tudo," ela afirmou firmemente. "Eu deveria dar detenção aos dois!"

Draco ficou visivelmente pálido e Harry apertou a mão dele, impossibilitado de fazer mais.

Ela fixou ambos com seu olhar mais fulminante. "Eu deveria," ela repetiu, ainda censurando, mas obviamente compadecendo um pouco, "mas eu vou esperar até o amanhecer para decidir. . . depois que eu tiver tempo de pensar nessa. . . situação. . . com mais calma." Ela olhou para Draco novamente. "Sr. Malfoy, você pode retornar ao seu quarto. Eu vou acompanhar o Sr. Potter ao dormitório dele."

O coração de Harry afundou, e ele se virou para Draco com angústia e desculpas em seus olhos verdes.

Draco encontrou os olhos de Harry, atordoado, olhos cheios de desapontamento. Então com esforço, ele se compôs e encarou a professora McGonagall. "Posso dar boa noite ao Harry?" ele perguntou com quieta determinação em sua voz. Após um segundo de silêncio, ele adicionou, "em privado."

A boca de McGonagall se pressionou em uma linha fina, mas ela concordou. "Sejam rápidos," ela disse azedamente. "Potter, estarei esperando por você." Ela passou pelos dois garotos e começou a subir as escadas.

Harry derrubou a Capa da Invisibilidade, dando um passo na direção de Draco, com Draco inclinando nele. Seus braços foram ao redor do loiro e eles ficaram assim por alguns momentos. "Desculpa," Harry sussurrou. "Isso foi minha culpa. Se eu não tivesse vindo com você –"

"Shh," Draco disse. "Não importa." Após um momento, ele se afastou e encontrou os olhos de Harry. "Foi um dia perfeito."

"Foi mesmo," Harry concordou. "Eu vou. . . sentir sua falta essa noite."

Os olhos de Draco se fecharam. "Eu também," ele disse muito suavemente. Então inclinou sua cabeça e beijou Harry, todas as memórias do dia presentes no beijo. Quando terminaram, Draco encostou sua cabeça na de Harry e eles se abraçaram, sangue correndo rápido em suas veias, uma camada despercebida de faíscas douradas e cristalinas brilhando entre eles. "Boa noite," Draco sussurrou, finalmente soltando Harry.

"Boa noite," Harry sussurrou em resposta. Ele saiu do abraço de Draco e se abaixou para apanhar a Capa da Invisibilidade. Retirando sua varinha, ele a encolheu para que coubesse em seu bolso, e olhou para Draco uma última vez. As mãos deles alcançaram e se apertaram por um segundo, então com uma última carícia, Harry relutantemente se virou. Cada passo que dava parecia chumbo e seu coração já estava pesado com desejo quando chegou ao topo.

Draco ficou parado no fim da escadaria e observou enquanto Harry subia as escadas atrás da professora McGonagall. Harry pausou no meio do caminho, virando-se para olhá-lo por um momento, antes de continuar até o topo. Com um suspiro profundo, Draco começou a jornada ao seu quarto. Seu único dia com Harry tinha acabado.

Harry encontrou a professora McGonagall esperando por ele no topo das escadas. Ela o lançou um olhar analítico que o fez imaginar quanto ela tinha observado enquanto ele e Draco se despediam. "Professora?" ele disse, hesitantemente, incerto de quão brava ela estava. "Eu. . . foi minha ideia vir com Draco, e minha ideia desenhar no quadro." McGonagall o fixou com um olhar severo, e ele hesitou, então respirou profundamente e continuou, determinado. "Eu preferiria. . . se possível. . . que você não desse detenção ao Draco. Só a mim."

"Pelo que vi, o Sr. Malfoy pareceu ser um participante perfeitamente disposto," ela afirmou categoricamente. Ela o observou criticamente mais uma vez, então se virou para continuar. "Vamos, agora," ela disse com um tom controlado. "Eu não tenho a intenção de ficar aqui discutindo isso."

Harry estava silencioso, o coração pesado, enquanto seguia a professora pelas várias escadarias até a entrada do quarto comunal da Grifinória. No caminho, lembrou-se que sua vassoura, sua capa e sua mochila com seus pertences estavam ainda no quarto de Draco, mas ele não se atreveria a dizer isso à McGonagall e expor o fato de que estivera passando as noites na torre da Sonserina. No meio da terceira escadaria, ela parou e se virou, e Harry, perdido em pensamento, quase bateu nela.

"Há quanto tempo. . ." ela pausou, parecendo momentaneamente sem palavras, ". . . o que eu vi naquela sala. . . vem acontecendo entre você e Malfoy?"

"Quase uma semana," Harry confessou, pensando em como parecia pouco tempo em contraste com tudo que tinha acontecido.

"E onde vocês dois estavam indo quando eu intervim?"

Harry engoliu seco. "Eu estava acompanhando ele até a torre da Sonserina," ele disse, sabendo com uma pontada de culpa que essa não era toda a verdade.

"Potter," ela disse, sua voz ao mesmo tempo exasperada e simpática, "todos os professores perceberam que o Malfoy está se comportando diferente nesse ano, mas você acha sábio se. . . envolver. . . com a mesma pessoa que. . . cujo pai. . . ."

"Eu não sei se é sábio," Harry disse, firmando os ombros e encontrando o olhar honestamente preocupado dela sem hesitar. "Eu sei que não vou parar."

A McGonagall parecia muito perturbada. "Muito bem," ela disse hesitantemente. "Mas você sabe que terei que informar isso ao diretor."

Um pequeno sorriso se iniciou no canto da boca de Harry. "Tenho quase certeza que ele já sabe." As sobrancelhas da professora subiram com isso, mas ela firmou os lábios e eles continuaram caminhando até o dormitório grifinório em silêncio. Harry se virou na direção dela quando eles chegaram ao retrato da Mulher Gorda, com um olhar confuso. "Professora," ele começou, "como você sabia que estávamos lá? Eu já passei pela Srta. Norris despercebido várias vezes."

A professora abaixou o nariz e observou Harry por cima de seus óculos retangulares com um ar ligeiramente insultado. "Eu apenas posso assumir a forma de um gato, Sr. Potter. Eu certamente não viro um. Eu, ao contrário da Srta. Norris, sei sobre Capas da Invisibilidade, e eu consigo entender que você está ali sem ter que vê-lo."

"Folhado de Nata," Harry disse, e tentou parecer arrependido quando a Mulher Gorda lhe ofereceu uma careta irritada e sonolenta enquanto ela abria o retrato. Para sua surpresa, a Gina estava deitada no sofá da sala comunal com um livro. Ela levantou o olhar, assustada com alguém entrando tão tarde, e quando ela viu que era Harry, rapidamente desviou o olhar, fechando o livro em suas mãos. Harry estava muito cansado, e mais do que um pouco perturbado com o episódio com a McGonagall, mas após hesitar por alguns momentos, ele soube que não teria uma oportunidade melhor para conversar com a Gina sozinho, indo se sentar ao lado dela.

"Sinto muito," ele disse com pressa, quando ela se virou na direção dele com os olhos cheios de dor e perguntas. "Eu sei que foi repentino, e que você ficou chocada." Ele encontrou os olhos dela com honestidade, respirando fundo. "Mas eu o amo, Gina – só estou pedindo que você e o Rony o dêem uma chance de mostrar como ele mudou."

Gina olhou para o livro em seu colo, suas mãos cerradas em cima da capa. "Harry, o pai dele tentou me matar," ela disse com a voz baixa e instável. "Mas mesmo antes disso, meu pai nos ensinou a desconfiar em qualquer coisa associada ao nome Malfoy." Os dedos dela se curvaram ao redor do livro, segurando-o com força, e olhou para Harry novamente. "Você sabe como meus pais se sentem a seu respeito," ela disse, suplicando com ele. "Eles ficarão horrivelmente aborrecidos com isso – e não porque você está com outro garoto." Ela pausou, adicionando. "Tenho quase certeza que pelo menos um dos meus irmãos é gay, e eles não têm problemas com isso. Mas você com o Malfoy. . ." Ela balançou a cabeça, sua expressão triste e rígida."Não, isso não é algo que podemos simplesmente aceitar. Draco Malfoy terá que provar que merece seu amor. Mesmo que ele tenha mudado, ele ainda não provou isso."

Harry suspirou. "Tudo que estou pedindo é que vocês dêem essa chance a ele." Ele hesitou, procurando as palavras certas para explicar como se sentia. "Gina, por favor, tente entender. Por grande parte da minha vida eu fui infeliz – e meu futuro é. . . incerto, na melhor das probabilidades. Eu não posso explicar como me sinto a respeito de Draco a não ser afirmar que estou feliz e apaixonado e não quero jamais me separar dele – mas eu sei, ele e eu sabemos – que muitas coisas podem acontecer para terminar tudo. Por favor deixe-me ter isso agora. . . sem perder sua amizade."

Gina abaixou o olhar, e ela parecia um pouco envergonhada. "Harry," ela disse suavemente, "você salvou minha vida. Eu sempre vou ser sua amiga. . . e eu te amo – não importa o que aconteça." Ela levantou o olhar, seus olhos muito brilhantes, lacrimejantes. "Mas é por isso que eu me preocupo também," ela sussurrou. "Eu não gosto nem de imaginar você sofrendo."

Harry se mexeu colocando um braço ao redor dela. Ela se inclinou nele, sua cabeça contra o peito dele e uma mão vindo descansar em seu ombro. Ele colocou o queixo na cabeça dela por um momento e apertou o abraço. "Eu ficarei bem," ele disse e torceu ardentemente para que essa fosse a verdade.

Ela concordou. "Tá bom," ela disse. Ela se afastou e o olhou nos olhos. Limpando as bochechas com a parte de trás de sua mão, sorriu tortamente para Harry. "Só para você saber," ela disse com um pouco de provocação em sua voz, mas com uma seriedade implícita, "se o Malfoy sequer olhar para você de um jeito errado, todo Weasley no planeta vai cair nele e extrair uma vingança rápida e muito horrível de se descrever."

"Eu sei," Harry disse, sorrindo para ela, mas também sério. "Estou contando com isso. Agora vamos – está tarde. Eu vou te acompanhar até as escadas."

Harry entrou em seu dormitório o mais quietamente possível. As luzes estavam apagadas, o que com sorte significaria que seus amigos estavam adormecidos. Ele andou nas pontas dos dedos até sua cama, despiu-se e escorregou embaixo das cobertas, fechando as cortinas atrás de si. Deitado de costas, encarou a escuridão, pensando. Ele tinha dormido nessa cama por quase sete anos, mas hoje ela parecia estranha e errada, como se ele pertencesse a outro lugar. E ele estava sozinho, o que era estranho também. Seus braços se sentiam vazios; ele sentia falta da presença de Draco, sua voz, seu toque. Com um suspiro, ele se virou de lado, tentando encontrar um conforto que não estava ali, torcendo para que conseguisse adormecer.

"Harry?" Um sussurrou suave. Houve um pequeno farfalhar então, na escuridão, e uma cabeça apareceu entre suas cortinas fechadas. "Harry?"

"Seamus?" Harry se sentou, tentando ver claramente. "É você?"

"Sim," Seamus sussurrou, então ele estava entrando na cama de Harry, arrastando seu cobertor, para se sentar no canto da cama. "O que está fazendo aqui?" ele perguntou com a voz preocupada. "Você e o Malfoy não brigaram, não é?"

"Não," Harry disse, sorrindo com a preocupação de seu amigo. "Nada do gênero."

"Ei, o que está acontecendo?" A voz veio da cama de Rony, e um segundo depois, a cabeça de Rony apareceu pelas cortinas. "Harry? Você voltou? Com quem está falando?"

"Ele está falando comigo, Rony," Seamus disse. "E eu estou tentando descobrir por que ele voltou."

"Ah," Rony disse, virando-se para Harry. "Posso esperar que você tenha terminado com o Malfoy?"

Harry suspirou. "Não, eu não terminei com o Draco, e nós não brigamos," ele respondeu. "Nós estamos perfeitamente bem."

Seamus estava sorrindo. "Deus, você é tão sortudo!" ele suspirou. "O Malfoy é a pessoa mais sexy da escola inteira. Ele é maravilhoso." Ele se inclinou para frente. "Como que ele é, Harry. . . sabe, na cama?"

"Ah, cala a boca, Seamus," Rony sibilou. "Poderiam achar que você gosta dele também."

"E seu eu gosto?" Seamus respondeu. "Não estou planejando criar problemas para o Harry. Eu acho que eles são ótimos juntos. Nada além do melhor para o nosso Harry. Certo, Rony?"

Rony grunhiu. "Malfoy definitivamente não se encaixa na minha definição de melhor," ele reclamou. Ele entrou pelas cortinas e, após um segundo de hesitação, entrou embaixo das cobertas com o Harry.

"Err, Rony?" Harry disse, surpreso. Seamus segurou um risinho.

"O quê?" Rony disse. "Está frio lá fora. Olha, eu acho que se você gostasse de mim, já teria feito algo há muito tempo. Além do mais, já sou de alguém."

"Ah!" Seamus roncou. "Se alguém já tomou posse de você. . ." ele deu um balanço sugestivo das sobrancelhas. ". . . então eu sou a Rainha da Inglaterra."

Rony fez uma careta. "Bem, você é algum tipo de rainha, com certeza," ele murmurou.

"Mas sou todo irlandês, amigo," Seamus respondeu com um sorriso endiabrado, "e, por favor, não se esqueça."

Rony rolou os olhos e se virou para Harry. "Então por que você voltou?" ele perguntou.

"Isso," Seamus disse, "é exatamente o que eu estava tentando descobrir."

Harry sabia que não conseguiria escapar sem explicar o que tinha acontecido. "Eu fui às rondas de monitor junto com o Draco essa noite," ele disse com outro suspiro. "E quando nós fomos surpreendidos pela McGonagall no caminho de volta, ela me mandou para cá."

"A McGonagall pegou vocês!" Seamus exclamou com um sussurro alto, uma mão pressionada em sua garganta dramaticamente. "Deus nos proteja!"

"Nossa, Harry," Rony disse. "Você recebeu detenção?"

"Eu não sei," Harry admitiu, infeliz. "Ela disse que decidiria na manhã. Mas tem mais." Ele passou uma mão por seu cabelo. "Ela nos viu desenhando uma figura do Filch no quadro da sala dela. Agora o Filch vai descobrir quem fez, e ele ficará furioso."

Seamus assoviou suavemente. "Que bom que não sou você, amigo," ele disse. "Bem, não agora pelo menos." Ele sorriu novamente. "Agora se estamos falando em ser todo safado com o Malfoy, aí é outra história."

"Ah! Volta para a cama, Seamus," Rony gemeu. "Por favor!"

"Eu cheguei aqui antes!" Seamus protestou.

"Rony, Seamus," Harry disse quietamente, com tensão em sua voz, uma indicação sutil de que não estava se sentindo muito paciente. Com certeza não agüentaria se outro argumento se iniciasse entre os dois. "Eu gostaria de dormir um pouco essa noite, se eu conseguir. Então, por favor, ambos, poderiam voltar às suas camas?"

"É claro, Harry," Seamus disse, com compreensão exagerada, mexendo as sobrancelhas novamente. "Aposto que você não dormiu muito na noite passada. . ." Ele pulou repentinamente para fora da cama, evitando o pé de Rony que vinha em sua direção de debaixo das cobertas, então riu. "Você está com inveja, amigo," ele sussurrou para Rony. "Agora que Harry está tendo mais ação que você." Com um boa-noite quieto, porém divertido, na direção de Harry, ele desapareceu dentro das cortinas de sua cama.

Rony não se moveu, entretanto, a não ser para inclinar sua cabeça na cabeceira e fechar os olhos. Harry esperou, e estava prestes a dizer algo quando Rony finalmente falou. "Eu estava preocupado," ele disse com a voz bem baixa. "Você estava fora desde a noite passada, antes do jantar."

Harry levantou os joelhos e inclinou os braços ali, sua cabeça baixa. "Eu estava bem," ele disse com um tom de agravamento em sua voz.

"Eu sei," Rony disse. "A Hermione me disse." Ele suspirou, sua boca virada um pouco em um relutante sorriso. "E como ela me disse," ele adicionou. Harry sorriu e levantou o olhar, lembrando-se das mensagens que tinha passado à Hermione, e os olhos deles se encontraram. Houve uma longa pausa. "Olha," Rony disse. "Sinto muito por ter ficado tão chateado no outro dia. Mas é que. . . bem. . .Malfoy, sabe. É difícil de se acostumar."

"Tudo bem," Harry disse suavemente, feliz e um pouco surpreso com essa admissão de Rony. "Eu não esqueci que existem coisas com o que se preocupar, mesmo eu confiando nele."

Rony concordou, forçando-se a ficar moderadamente contente com isso. Silêncio se estendeu entre eles por um minuto ou dois, então Neville roncou, virando-se. "Então," Rony sussurrou, depois que o silêncio se restabeleceu, "você fez? Com ele. . . na noite passada?"

Harry gemeu em sua cabeça. "Você é pior que o Seamus," ele sussurrou em resposta.

"Não, não sou," Rony protestou com afronta visível em sua voz baixa. "Estou perguntando porque você disse que queria, não porque vou ficar excitado em ouvir a respeito."

Harry teve que rir com isso. "Foi mal," ele disse. Então ficou mais sóbrio. "Não, ainda não fizemos," ele respondeu. Ele pausou, incerto se queria entrar mais no assunto, já que ele não tinha ainda uma resposta que explicasse o comportamento confuso de Draco. "Ele. . . quer esperar." Ele adicionou finalmente.

Rony o olhou com suspeição. "Esperar? Pelo que?" Ele roncou. "E você disse que meninos eram mais dispostos do que meninas."

Harry deu de ombros. "Ele diz que é porque ele não quer me pressionar em nada tão rápido." Harry não queria verbalizar suas suspeições de haver mais motivos além dos que Draco estava expondo.

Rony pensou nisso por um momento. "Eu sei que isso não é algo que queira ouvir, Harry," ele disse, finalmente. "Mas talvez ele esteja enrolando porque não quer – "

"Eu sei que ele quer," Harry protestou. "Tanto quanto eu."

"E ele só está te enrolando com esse relacionamento – enquanto na verdade está planejando outra coisa - "

"Pára!" Harry sussurrou, irritado. "Se tem alguma coisa de que tenho certeza," ele afirmou quietamente e firmemente, seus pensamentos vagando pela noite anterior, na honestidade linda e absoluta com que as emoções dos dois se uniram, "é que ele me ama." Ele olhou para Rony, querendo contar ao seu amigo sobre a noite anterior, sobre a magia de união e as faíscas, sobre como ele se sentiu e soube o que Draco sentia. Mas ele não podia. Rony não sabia que ele estudava magia de cura, e era um tópico muito pessoal e, bem, . . .apenas não existiam palavras.

Com um suspiro doloroso, Rony retirou seus pés debaixo das cobertas e se sentou na ponta da cama. "Eu não tenho tanta certeza, Harry," ele disse enquanto se levantava. Ele se virou para encarar seu amigo na escuridão. "Mas não vou mais brigar com você – ou com ele – sobre esse assunto. Eu só quero que você. . . vocês. . . tenham cuidado."

Harry respirou profundamente, alívio e gratidão tomando conta de si. "Obrigado," ele disse suavemente. "Nós vamos tomar."

Eu vou tomar, Harry pensou, enquanto Rony desapareceu em sua própria cama. Deus, eu espero que Draco também tome.

Draco deitou em sua própria cama, seus pensamentos não muito diferentes dos de Harry. Como seria possível que em apenas duas noites, ele tinha se acostumado tanto à presença de Harry em sua cama que o espaço agora era simplesmente muito grande, muito vazio, e muito frio? Ele teve um momento de fraqueza quando entrou no quarto e viu que as coisas de Harry estavam ali, um momento em que quase cedeu e levou a capa de Harry pendurada ao lado da porta para a cama com ele. Era uma coisa patética e sentimental de se fazer, e ele não permitiu – ele nunca conseguiria sobreviver os próximos dias se não agüentasse agora. Mesmo assim. . . ele se virou para o outro lado de forma a não conseguir ver a capa em questão, então se moveu novamente, seus dedos correndo pelo travesseiro que Harry tinha usado, então puxando-o contra si. Era um meio-termo, mas ele não agüentou.

Seus pensamentos voltaram aos eventos na noite anterior e o dia de hoje. O tempo deles juntos tinha passado tão rapidamente, o tempo remanescente que tinham era muito curto agora. O Baile Anual era amanhã, então o dia seguinte era o último até ter que apanhar o trem e ir para casa. E amanhã – o que McGonagall iria dizer, ou o Filch? Se ele pegasse detenção, o que Dumbledore faria? Ele desistiu da noção de sono – muitas preocupações e memórias passando por sua mente, muitas emoções conflitantes em seu coração.

Lampejos de vívida memória corriam por seus pensamentos. Primeiro, havia a pergunta surpreendente que Harry havia feito sobre o verão – uma pergunta que pegou Draco de surpresa, uma que respondeu com dificuldade sem revelar os planos de Lúcio. Felizmente, Harry estivera distraído com a ideia de Draco voltando para casa e não pressionou o assunto. A pergunta insistente de Harry sobre o motivo de Draco querer adiar o sexo até o fim do jogo de xadrez também fez Draco brigar por uma resposta. Ele não queria mentir ao Harry – e ele sabia com um sentimento afiado de arrependimento que estava quase sendo desonesto com Harry mesmo agora, ao proporcionar essas explicações parciais, mas não podia dizer a verdade. A verdade revelaria demais.

Ele escondeu o rosto no travesseiro que segurava, lembrando-se quão desesperadamente ele queria se entregar a Harry na noite passada, como ele quase cedeu, seu desejo se tornando tão esmagador que teve que pedir a Harry que o colocasse para dormir – quão difícil, mas quão necessário era não ceder a isso, não piorar as coisas. Para o bem de Harry, ele tinha que ser forte. E agora, apesar do quanto odiava estar sozinho, e apesar de sua raiva de McGonagall por ter interferido e separado os dois, ele não sabia se teria conseguido passar outra noite com Harry sem quebrar.

Eu não posso permitir que isso aconteça.

Mas outra coisa estava acontecendo também, tinha acontecido na noite passada quando Harry fez a magia. Draco havia se sentido dentro de Harry, como se Harry fosse parte de si. E nessa tarde, quando Harry tinha acidentalmente, ou instintivamente, feito a magia sem varinha que transfigurou a bola de neve, Draco tinha sentido aquilo também. Deixou-o tonto por um momento. Isso era algo que tinha que investigar definitivamente e logo. . .

Mas será que haverá tempo, Draco pensou tristemente.

A beleza misteriosa das faíscas brilhantes que as mãos dos dois juntos fizeram era, em si só, suficiente para deixar Draco desesperadamente angustiado por saber com certeza que as coisas terminariam entre eles. Harry tinha dado a Draco tão mais do que jamais tinha esperado, e ao mesmo tempo, não tudo que queria. Harry tinha dito 'Eu te amo' – tinha o proporcionado isso, o desejo que mantivera em segredo por tanto tempo finalmente realizado, essa coisa única e incrível que valorizaria até o momento que tudo acabasse.

Pensando nisso, Draco sentiu a falta de Harry intensamente – a ausência dos braços que o mantiveram seguro, mesmo que tal segurança estivesse fadada a ser momentânea, o toque que trouxe tanto conforto, agora ausente, preencheram-lhe com desejo. Harry o amava – e agora que seu desejo se tornara realidade, Draco se viu com outro desejo – que Harry pudesse compreender, pudesse perdoá-lo pela coisa que tinha que fazer. Ele abraçou o travesseiro de Harry com mais força, sua respiração irregular. Mas o sono que ansiava como refúgio de seus medos lhe escapava, rasgada aos restos esfarrapados de sonolência pelos seus pensamentos inquietos ou se tornando sonhos escuros e confusos.

Draco abriu os olhos e tudo que ele viu foi verde. A princípio, ele pensou que era o verde vívido das cortinas de sua cama o rodeando, como faziam em algumas manhãs ensolaradas quando a luz da janela iluminava as cortinas verdes como vitrais, mas quando sua visão clareou, os tons de verde finalmente se focaram em folhas que arqueavam por cima de si, rodeando-o por todos os lados.

Floresta.

E estava chovendo. Gotas mornas de água rolavam das folhas e caíam ao chão da floresta, pingando de seu cabelo e de seus ombros. Ele tentou levantar uma mão para limpar a água de sua face e viu que não conseguia se mover. Olhando para baixo, seu coração acelerado em pânico, ele viu que estava de joelhos no chão da floresta, semi-nu, despido de sua camisa, capa e varinha. Seus braços estavam esticados em um ângulo estranho aos seus lados, vinhas firmemente enroladas em suas mãos e pulsos, segurando-os onde estavam; seus pés e pernas estavam também presos com vinhas, prendendo-o ao chão, um sacrifício indefeso. Com os músculos tensos, ele puxou futilmente contra o verde vivo que o mantinha prisioneiro, mas finalmente desistiu, abaixando a cabeça, olhos fechados, respirando rápido com o esforço e com medo.

Um repentino farfalhar das folhas, um passo pelas árvores, fizeram-no segurar a respiração; ele levantou a cabeça, gotas d'água correndo por seu rosto como lágrimas. Um unicórnio branco passou pela cortina de verde para ficar na frente de Draco. Seu pêlo branco caía como uma manta ondulada.

"Ajude-me," Draco sussurrou, sua garganta seca e dolorida. Ele lambou os lábios e a chuva tinha um gosto amargo de sal. O unicórnio abaixou a cabeça com as palavras, olhando nos olhos cinza e cheios de chuva de Draco. Draco viu que os olhos do unicórnio eram verdes, e que o olhar esmeralda líquido o apanhou, segurou-o com tanta firmeza quanto a floresta.

Dando um passo à frente, o unicórnio abaixou a cabeça mais uma vez, a ponta afiada de seu longo chifre de marfim pausando a meros centímetros do coração de Draco.

Por que você deveria viver?

As palavras foram ditas suavemente em sua mente, mas pareciam reverberar pela floresta, ressonando por volta e por dentro de Draco. As gotas de chuva ficaram frias, como se a floresta ecoasse com um sussurrado. . . por quê?

Draco lutou novamente contra as vinhas que seguravam seus braços, medo fechando sua garganta até não conseguir falar.

O unicórnio empurrou sua cabeça para frente e seu chifre perfurou o peito de Draco. Pense o porquê!

Draco arqueou suas costas em agonia. A dor era um fogo gélido, queimando de frio. Lágrimas corriam por sua face.

Por que você deveria viver?

"Eu não sei," ele raspou em desespero, enquanto o eco da floresta sussurrava. . . viva!

Ele lutou, frenético em escapar. Por um momento, os lençóis da cama estavam enrolados firmemente em sua volta, prendendo-o, então ele se sentou na cama, suor frio correndo por sua pele, sua respiração saindo em arfadas chorosas. Ele puxou os joelhos ao seu peito, colocando um braço ao redor deles e a cabeça para baixo, permanecendo imóvel por um longo momento.

Na manhã seguinte, Hermione emprestou a Harry uma de suas mochilas extras quando ficou sabendo que ele deixou a dele no quarto de Draco. Ela também o deu uma escova de dente. "Meus pais me mandam novas escovas o tempo todo," ela disse, rolando os olhos. "Dentistas recomendam que você substitua sua escova de dente a cada três meses," ela citou de cor. "Mas meus pais parecem não se lembrar que eu posso usar uma versão do feitiço Reparo para tornar a minha velha nova, então. . ." ela suspirou, "tenho várias de sobra."

E Seamus ficou feliz em emprestar um pente. "Não posso deixar o Malfoy te ver com o cabelo todo desarrumado de dormir," ele riu. "Ah, espera – ele já viu!" Harry bateu na nuca dele e aceitou o pente com gratidão.

Durante o café da manhã, Harry passou o olhar pelas longas mesas, tentando ver Draco claramente, desejando que Draco olhasse para ele. A não ser que estivesse enganado, Draco não estava comendo muito e parecia pálido e cansado e irritado, como se não tivesse dormido. Harry sentiu outra pontada de arrependimento por ter insistido em ir com Draco na sua ronda de monitor, um ato impulsivo que resultou nos dois passando a noite separados. Se ele tivesse estado com Draco na noite passada –

Repentinamente, Filch estourou pelas portas do Salão Principal. Cabeças pelo salão se levantaram para ver o que estava acontecendo. Ah, Deus! Harry tinha se esquecido do desenho que tinham feito no quadro da sala de McGonagall! O rosto de Filch estava roxo de raiva, seus olhos saltando, enquanto marchava até o fim do salão, murmurando ameaças. Ele foi até a Mesa Principal, direto ao Dumbledore. Harry olhou para Draco, seu coração na garganta. Se possível, Draco parecia ainda mais pálido, e estava observando o progresso de Filch pelo cômodo com uma expressão de pavor. Harry queria afundar no chão. McGonagall tinha visto eles, e se Draco tivesse problemas com Dumbledore por causa disso, seria tudo culpa de Harry.

Quando Filch alcançou a mesa, Harry pôde ouvir sua voz furiosa aumentando em volume. Palavras como "vergonhoso" e "vil" e "castigo" passaram por seus ouvidos, e ele olhou para Draco no outro lado do salão, sentindo-se nauseado. Draco parecia positivamente doente e estava analisando Filch como um observaria a lâmina de uma guilhotina descendo em seu pescoço. Então a professora McGonagall, que estava sentada ao lado do diretor, falou. Harry percebeu que ela estava falando com a voz baixa e severa, e apesar de se concentrar em ouvir as palavras, não conseguiu.

"Não parece bom, não é?" Rony sussurrou à sua esquerda.

"Não," Harry disse, preparando-se para o inevitável. Draco também, ele viu, tinha parado de observar a mesa e estava encarando seu prato desoladamente. Harry queria desesperadamente ir sentar com ele.

Nesse instante, Filch rosnou altamente e se virou na direção contrária da mesa. Ele pausou por um momento para lançar um olhar azedo ao salão cheio de estudantes antes de voltar de onde tinha vindo. Harry viu Dumbledore e McGonagall conversando quietamente, e então percebeu que suas expressões não pareciam certas. McGonagall parecia perplexa, e Dumbledore. . . ele estava. . . sorrindo?

Harry observou-os, mas ainda não conseguia ouvir nada que lhe desse uma dica do que estava acontecendo. Então Dumbledore se levantou e saiu, e após um momento ou dois, a professora McGonagall se levantou também. Ela olhou diretamente para Harry e sinalizou para que ele a acompanhasse. Harry trocou um olhar rápido e desolado com Rony, e então foi encontrá-la.

Minerva McGonagall estava prestes a conversar com o diretor, tendo decidido que ela deveria deixar que ele terminasse seu chá antes de revelar os eventos escandalosos que havia presenciado na noite anterior, quando Argo Filch entrou no Salão Principal. O guarda grisalho pisoteou até a mesa dos funcionários, murmurando para si mesmo, seus olhos saltando em fúria.

"Um ultraje, é o que é!" Ele sibilou, papadas tremendo, mal conseguindo manter sua voz irada baixa o suficiente para que os estudantes atrás dele não conseguissem escutar. "Tem um desenho de mim e da Srta. Norris. . ." ele rosnou, apontando um dedo para a professora McGonagall, ". . . No quadro-negro da sala de aula dela. É um absurdo!" A face dele já estava quase roxa.

McGonagall repentinamente percebeu que ela tinha estado tão completamente chocada ao ver como Potter e Malfoy estavam se comportando um com o outro que mal prestou atenção ao que desenharam na lousa. Ela refez seus passos, tentando se recordar, e então teve que manter a cara séria quando lembrou brevemente de um coração e uma ridícula face de gato.

"Calma, calma, Argo," Dumbledore estava dizendo. "Certamente ninguém viu ainda." Seu bigode tremeu um pouco. "Você apagou, não é?"

claro que eu apaguei," Filch sibilou.

"Pronto," Dumbledore disse, calmamente. "Veja, nenhum mal foi feito."

"Essa não é a questão!" Filch argumentou. "Eles são um bando vil e metido – todos eles! Nos meus tempos, eu poderia ensiná-los uma lição. Dar uma punição apropriada." Ele se inclinou em cima da mesa, um canto de sua boca levantada em um rosnado, exibindo seus dentes nojentos. "Eu ainda tenho aquelas correntes no meu escritório. . ."

McGonagall limpou a garganta. "Eu acho que devo interromper agora," ela disse. "Eu peguei os meninos que fizeram isso na noite passada."

Filch virou para ela e sorriu maldosamente. "Quem foi, então?"

"Você ficará feliz em saber que os culpados. . ." Ela pausou e olhou pelo Salão Principal, vendo que Potter e Malfoy estavam ambos observando, suas faces preocupadas e miseráveis. Ela se recordou do olhar arrasado que eles tinham trocado quando ela fez com que se separassem. ". . . já foram castigados," ela terminou.

Filch fez uma careta e começou a protestar, mas Dumbledore levantou uma mão, sua voz ficando mais firme. "Nós vamos deixar o assunto para lá, Argo. Foi na sala da professora McGonagall e ela já lidou com o problema."

Com um rosnado e um lábio contorcido em deferência rancorosa, Filch concordou com o diretor, murmurou algo mais sobre os antigos castigos e marchou para fora do Salão Principal.

Dumbledore se virou para McGonagall. "E quem foram esses artistas noturnos, Minerva?" ele disse, mantendo a voz baixa.

"Foram Harry Potter e Draco Malfoy. . . juntos," ela disse, sua surpresa com esse fato surpreendente clara, apesar de seu tom de voz baixo. "Mas Alvo," ela continuou, "eu não sei se já fiquei mais chocada. Eles não só estavam juntos, quando eu os apanhei na minha sala na noite passada, mas ocorreram beijos!"

"Beijos," Dumbledore repetiu, olhando por cima de seus óculos com diversão brilhando em seus olhos. "Eu assumo que pelo seu tom surpreso, você quer dizer. . . beijando um ao outro?"

"Sim!" McGonagall sussurrou alto. "E o Potter disse que você provavelmente sabia a respeito." Ela o lançou um olhar de censura.

"Beijando. Ah, minhas estrelas. Agora, isso é muito surpreendente," ele disse, ao mesmo tempo conseguindo não parecer nem um pouco surpreso. "Eu não fazia a mínima ideia." Então suas sobrancelhas se elevaram e ele levantou um dedo no ar, hesitando por um segundo antes de falar. "Apesar de que. . . talvez Severo tenha mencionado algo do gênero alguns dias atrás – eu tinha esquecido. Mas por outro lado, Fawkes sempre suspeitou de algo. . . aves incríveis, as fênix." Ele parou em contemplação, massageando a barba.

"Eu não entendo," McGonagall persistiu. "Eles estavam brigando no corredor ainda semana passada. E agora. . . está me dizendo que o Severo pegou eles se beijando dias atrás. . . e Fawkes sabia?"

"Brigando? Ah, quer dizer o jogo que parecia uma briga," Dumbledore disse, pegando sua xícara e infelizmente a encontrando vazia, colocando-a na mesa novamente. "Não me recordo dos detalhes, mas lembro que foi incrivelmente engraçado na época." Ele empurrou a cadeira e se levantou, pronto para ir embora. Mas então ele sorriu para McGonagall, diversão nadando em seus olhos. "Fawkes suspeita de muito mais do que beijos, Minerva," ele disse enquanto se afastava da mesa. "Mas veremos. . ."

"O quê?" a Professora McGonagall arfou após um momento de choque mudo, mas já era tarde demais. Dumbledore já estava longe demais para ouvir. Ela observou o diretor caminhar para fora do Salão Principal, então se virou para analisar a mesa da Grifinória. Potter, ela viu, estava observando-a atentamente, um olhar de apreensão em seus olhos. Ela suspirou e se levantou da mesa. Ela arrumou seu chapéu pontudo e arrumou sua postura em uma mais digna da que sentia, então mencionou para que ele viesse falar com ela.

Ela se afastou das outras mesas para que ninguém conseguisse ouvir a conversa e esperou que Potter chegasse. O rosto preocupado dele fazia com que se lembrasse da conversa que tiveram na noite anterior, e em razão disso, ela soube que ele não estava preocupado pelo próprio bem. Na verdade, ela ficou relutantemente impressionada com a oferta de Potter em aceitar toda a culpa e absolver Malfoy de qualquer punição. Ela também se viu inexplicavelmente tocada pela despedida deles, mesmo sabendo que não deveria assistir. Essas coisas tinham amaciado sua desaprovação, e apesar de os garotos terem sido desrespeitosos, Alvo tinha razão. Nenhum dano real tinha sido feito, e ela decidiu ser leniente.

"Sr. Potter," ela disse com a voz baixa e firme quando ele chegou. "Eu decidi em não dar a você e ao Sr. Malfoy detenção – dessa vez." A expressão ansiosa de Harry virou um sorriso de alívio e ela o viu olhar para o outro lado do salão na direção da mesa da Sonserina. "Entretanto," ela avisou seriamente, "eu quero uma promessa solene de você que não haverá uma repetição dos acontecimentos, ou terei que reconsiderar."

"Não acontecerá novamente," Harry disse. "Eu prometo. Obrigado, professora."

McGonagall analisou a face jovem e séria e não conseguiu deixar de vocalizar suas preocupações. "Potter," ela disse, seu tom mais suave, porém ainda agitado. "Você deve saber que eu não aprovo desse. . . relacionamento que você formou com Draco Malfoy. Você está se colocando em uma situação que pode se tornar muito perigosa. Eu aconselho que prossiga com muita precaução."

"Sim senhora," Harry disse seriamente. "Mas eu estou bem mais preocupado com o Draco. Eu não acho que vocês devem deixá-lo ir para casa no Natal."

"Mesmo concordando com você, nós não podemos manter estudantes aqui durante os feriados contra suas vontades. Você terá que convencê-lo a ficar voluntariamente."

"Estou tentando," Harry disse com um suspiro. "Ele insiste que tem que ir."

McGonagall colocou uma mão no ombro de Harry. "Considerando as presentes circunstâncias, isso pode realmente ser uma atitude tola." Ela pausou. "Mas vamos torcer pelo melhor," ela disse. "E não vá você fazer alguma tolice, também," ela adicionou com um olhar sério, porém afetuoso, antes de ir a caminho das portas do Salão Principal.

Voltando ao seu lugar vagarosamente, Harry avistou o olhar questionador e intenso de Draco e o lançou um pequeno sorriso, balançando a cabeça ligeiramente para dizer que eles não tinham recebido detenção. As sobrancelhas de Draco se levantaram, mas sua expressão apertada e ansiosa relaxou, e um pouco de cor voltou à sua face. Harry teve tempo suficiente para sentar no banco e sussurrar ao Rony que não estava encrencado, quando uma grande coruja desceu vôo e soltou um pequeno pacote em seu colo. Virando-o em suas mãos, Harry encontrou as palavras – A Pedra Reluzente, Hogsmeade – carimbadas no topo. Ele olhou para Draco, segurou o pacote para que o outro conseguisse ver, e sorriu. E pela primeira vez naquela manhã, Draco sorriu em resposta.

Harry correu até seu dormitório depois do café da manhã para guardar o presente de Draco com segurança em seu quarto antes das aulas começarem. Quando chegou às masmorras para a aula de Poções, estava quase atrasado, mas Draco estava esperando por ele no corredor, encostado na parede. De perto, apesar de perceber que Draco estava com a aparência melhor do que de manhã, Harry ainda achava que ele parecia cansado. Sofreu outra pontada de arrependimento por não ter passado a noite passada com ele. "Está ok?" ele perguntou quietamente. "Como foi sua noite?"

"Não dormi," Draco disse, mas afastou a preocupação de Harry com um gesto da mão, deixando-a cair no braço de Harry. "O que a McGonagall disse?" ele perguntou suavemente, com urgência. "Nós realmente não recebemos detenção?"

"Não," Harry disse. "Ela não disse muito, mas nós não recebemos detenção, e tenho quase certeza que ela não contou ao Filch que fomos nós que desenhamos no quadro."

Draco suspirou em alívio. Inclinou-se na parede e então jogou a cabeça um pouco para o lado, observando Harry cuidadosamente. "Talvez você pudesse ser um bom sonserino," ele disse com um pequeno sorriso. "Eu não conheço mais ninguém que conseguiria se meter em mais encrenca e sair delas melhor do que você."

Harry soltou um sorriso endiabrado, então virou a cabeça em tempo de ver o professor Snape caminhando pelo corredor. "Falando em encrenca," ele disse.

Beijos estavam fora de questão, mas Draco apertou o braço de Harry. "A sua Firebolt ainda está no meu quarto, mas eu trouxe suas outras coisas comigo," ele disse enquanto eles se apressavam para dentro da sala. Dessa vez Snape não estava tão perto deles, e Harry teve tempo suficiente de chegar ao seu assento. Havia um ar de excitação nas conversas que escutou enquanto passava pela sala. Todo mundo estava falando sobre o Baile Anual, e ele se viu repentinamente excitado também. Ele e Draco iriam fazer uma comoção essa noite.

Quando se sentou, encontrou sua mochila ali, a ponta de um bilhete aparecendo no bolso lateral.

Venha cedo hoje à noite, estava escrito na caligrafia elegante e corrida de Draco. Eu quero te entregar seu presente de Natal antes de irmos ao Baile Anual.

O coração de Harry se acelerou. O anel! ele pensou, imaginando se seria isso mesmo que receberia, imaginando que sim, e imaginando também como seria usá-lo, o que significaria. Ele se sentou rapidamente, escondendo um sorriso que não conseguiu conter ao retirar os ingredientes de Poções da mochila da Hermione. Isso também o impediu de ver quando Snape entrou na sala, apesar de o repentino silêncio anunciar a chegada do professor tão certamente quanto o trovão antes de uma tempestade.

Ele levantou o olhar e, ao ver Snape fazendo uma cara azeda para ele, seu sorriso desapareceu em um instante.

"Foi decidido," Snape disse com seu tom quieto e ácido, "que todas as suas aulas da tarde serão encurtadas para que possam se arrumar para o Baile Anual." Ele olhou feio para todos no cômodo, seus olhos negros brilhando com desaprovação. "Para compensar essa tolice," ele disse com uma careta, "haverá um exame prático essa manhã." Gemidos baixos preencheram a sala. "Retirem seus livros e abram na página duzentos e cinqüenta e seis."

Harry gemeu junto com todo mundo, apesar de estar internamente entretido – Draco estivera certo a respeito do teste. Ele abriu seu livro, torcendo para que Draco também estivesse certo sobre qual poção teriam que fazer. Quando encontrou a página 256, ele respirou em alívio. Era, realmente, a Poção de Refletir Maldições, uma poção difícil de se fazer, mas pelo menos ele tinha praticado. Draco o lançou um olhar, uma sobrancelha levantada como se dizendo "Eu falei."

Harry foi juntado com o Dean, que sentava atrás de Neville, então Harry se moveu uma fileira para frente e, portanto, estava apenas a uma carteira de distância de Draco. Draco parecia irritado e enojado, tendo sido juntado com a Pansy. Hermione foi juntada com a Parvati, porque Snape, acreditando que ela iria querer ser juntada com Rony, fez questão de separá-los. Entretanto, Hermione há muito tempo tinha declarado que nunca trabalharia com o Rony em poções, inobstante de quanto o amava, e tais arranjos caíam perfeitamente com ela. Com isso, Rony sobrava para ser juntado com Seamus, e Neville com a Lilá.

Dean era um bom parceiro, e ele e Harry, junto com todo o resto, começaram a trabalhar em cortar todos os ingredientes, já que todos tinham que estar prontos antes de iniciarem. Draco, Harry viu, estava irritadamente cortando as flores, da mesma forma como Harry tinha cortado quando eles treinaram a poção juntos no quarto do sonserino. Dean trabalhava cuidadosamente, sem conversar muito, então Harry conseguiu ouvir claramente o sussurro furioso de Pansy alguns minutos depois.

"Quem é ela, Draco?"

Harry pausou, chocado por um segundo, sua faca pairando sobre o ingrediente, mas teve que engolir uma risada quando viu a sobrancelha de Draco se levantar como se perguntando se Pansy seria uma paciente fugitiva de um hospício.

"Não me olha desse jeito," ela sibilou. "Eu sei que você teve uma garota no seu quarto na noite retrasada. Eu vi a Granger descendo as escadas e ela me contou que você não iria querer ser perturbado – que você tinha companhia. E que vocês não estavam estudando."

"E daí?" Draco respondeu com um ar de desinteresse que Harry percebeu estar servindo como um fino véu sobre sua crescente irritação.

"Daí," Pansy disse, como se jogando uma carta vencedora em Snap Explosivo, "depois que ela foi embora, eu coloquei um alarme nas escadas fora do seu quarto, e ninguém saiu de lá a noite inteira, ou sequer o dia inteiro, só no fim da tarde. E então tinham dois de vocês, e só você voltou! Então eu quero saber," a voz dela apesar de um sussurro estava estridente, "quem é ela?"

Harry arriscou um olhar para Draco e o viu lançar um olhar negro e insultado à Pansy. O véu estava definitivamente escorregando.

"Isso é tão típico de você," Draco sussurrou em resposta, "fazer algo tão baixo e subserviente." Então ele soltou um ronco e deu de ombros como se não ligasse. "Quem eu recebo no meu quarto, ou por quanto tempo, não é da sua conta," ele disse friamente, voltando sua atenção aos ingredientes.

"E você me disse que não iria ao Baile Anual." A voz de Pansy tremeu ligeiramente no fim de sua sentença, como se estivesse tentando não soar acusadora. "Você vai?"

Draco franziu as sobrancelhas. "Eu nunca disse que não iria," ela declarou com um tom baixo e certo. "Eu disse que não iria com você."

"Bem," ela disse com afronta, mas Harry ainda ouviu o tremor na voz dela, "que bom que você não achou que ia comigo. Eu vou com o Blaise."

Harry mordeu seu lábio inferior para não sorrir, apesar de sentir pena de Pansy. Mas a expressão de Draco, uma combinação de alívio, exasperação, e um rolar de olhos que gritava 'ah-deus-por-favor-me-poupe', tinha sido inestimável.

"Estou feliz por você, Pansy," Draco disse, seu tom recheado de sarcasmo. "Agora, se você não se importa, está cortando tudo errado."

Pansy apunhalou a mesa de madeira com força, fazendo com que a faca ficasse de pé ali. "Faça você, então," ela respondeu, cruzando os braços.

Snape, que estava caminhando pelas fileiras de estudantes, chegou ao lado de Pansy e Draco bem nesse instante. "Srta. Parkinson," ele falou desdenhosamente, "deixe-me lembrá-la que eu sei muito bem que o Sr. Malfoy consegue fazer essa poção sem a sua ajuda. Você, no entanto, precisa de toda ajuda que conseguir. Eu sugiro que você volte ao trabalho antes que se encontre esfregando caldeirões sujos ao invés de ir ao Baile Anual."

Olhos arregalados em horror com o prospecto, Pansy arrancou a faca da mesa e, sem mais uma palavra, continuou cortando, sua frustração aparente nos olhares chateados que Draco estava ignorando.

Harry, por meio segundo, ficou surpreso por Snape ter sido tão rígido com um sonserino, mas então Snape estava bem atrás dele inspecionando as pilhas cuidadosas de ingredientes que ele e Dean colocaram na mesa, e teve mais com que se preocupar. "Esses cogumelos estão muito finos, Potter," Snape criticou, desdenhosamente cutucando-os com a ponta de sua varinha. "Refaça-os." Não haveria misericórdia, Harry percebeu, para nenhum deles hoje. E ele não ouviu outro piu, a não ser os comentários necessários à poção, vindo de Draco e Pansy.

A classe continuou trabalhando, os comentários ácidos de Snape penetrando as conversas silenciosas com críticas e sutis ameaças. No fundo da sala, entretanto, outra conversa estava começando – uma que traria resultados desastrosos.

Rony e Seamus não tinham conversado muito – Rony estava um pouco irritado porque Seamus parecia mais interessado em observar Harry e Draco do que em trabalhar na poção, apesar de ele estar fazendo um trabalho passável, seus cortes tão bons quanto os de Rony. Era o sorriso que estava testando a paciência de Rony. Sentados como estavam, conseguindo ouvir várias garotas, as conversas pareciam centradas no Baile Anual – cores de vestidos, feitiços para arrumar o cabelo, e risinhos em relação aos pares.

"Você vai?" Rony finalmente perguntou Seamus. Eles tinham quase chegado ao estágio da poção em que os três ingredientes líquidos tinham que ser adicionados ao mesmo tempo.

"É claro," Seamus respondeu com outro sorriso irritante. "Você não sabia? A Gina me convidou semana passada quando estávamos estudando Herbologia juntos."

"Ela o quê?" Rony engasgou. "Minha irmã? Ela vai com você?" Ele encarou Seamus. "Mas você é. . . eu achei que . . ."

"Que por eu ter uma queda pelo Malfoy, eu não gosto de garotas?" Seamus ajudou , levantando a sobrancelha. "E por que eu limitaria minhas opções desse jeito, amigo?"

Rony sentiu seu rosto ficar vermelho. "Minha irmã não é uma. . . uma. . . maldita opção!"

Seamus deu de ombros. "Não torça sua calcinha, Ronizinho." Ele sorriu novamente. "A Gina te chama assim, sabia?"

"Eu sei!" Rony desistiu de fingir estar se concentrando na poção. "Eu nunca disse que você podia me chamar assim!"

"Sr. Weasley!" A voz repentina e cortante de Snape penetrou a raiva de Rony como uma faca por manteiga. "Algum problema? Sr. Finnigan?"

"Não senhor," ambos o asseguraram, e rapidamente voltaram a cortar os últimos ingredientes em que estavam trabalhando. Eles ficaram em relativo silêncio por um momento, Seamus sorrindo e Rony de mau humor.

"Será que o Harry realmente vai ao Baile Anual com aquela menina sonserina," Seamus disse distraidamente, "ou será que é tudo mentira?"

Rony se virou na direção de Seamus, por um momento esquecendo completamente a situação com a Gina. "Ele disse que ela convidou ele. Nós os vimos conversando. Eu não acho que Harry inventou aquilo."

"Hmm," Seamus murmurou, evidentemente não convencido. Eles apanharam os três ingredientes que tinham medido. Seamus segurou dois, e Rony o terceiro e a colher, suas mãos pairando sobre o caldeirão. "Ele disse durante o jantar, no entanto, que ele planejava levar os dois – a menina sonserina e a pessoa que achávamos ser a menina que ele estava vendo. Mas a pessoa que ele estava vendo acabou sendo o Malfoy." Seamus levantou o olhar repentinamente, um sorriso gigante e inspirado em seu rosto. "Ah! Aposto que ele vai aparecer hoje à noite com o Malfoy e a garota!"

"Ele não iria!" Rony protestou, chocado.

"Aposto que irá!" Seamus riu. "Vira." Seamus virou os dois vidros que segurava, derrubando dois dos ingredientes no caldeirão. "Rony! Vira!" Seamus repetiu urgentemente.

"Ele não pode!" Rony ainda estava segurando o último ingrediente, chocado. Um segundo depois ele percebeu o que Seamus disse e entrou em pânico, jogando o ingrediente no caldeirão, mas esquecendo de mexer.

Seamus deu uma olhada na poção e se virou para Rony, horrorizado. "Mãe de Deus, Rony! Abaixe-se!" Ele empurrou Rony, jogando-se ao chão para se esconder embaixo da mesa. Mas Rony foi muito devagar. Com um som nojento, a poção explodiu, jogando pedaços de muco verde por cima do ruivo.

"Arrgh!" Rony gritou, pulando de pé.

Snape estava lá quase imediatamente, apesar de não ter se preocupado em correr. Com um gesto de sua varinha ele limpou a bagunça que estava soltando fumaça, fixando Rony com um olhar gélido e de completo menosprezo. "Cinco pontos da Grifinória, Sr. Weasley. . . por ser burro demais para esquivar." Ele observou a poção com desgosto. "E zero nessa prova," ele adicionou amargamente.

Risadas quebraram do lado sonserino da sala, mas antes que Rony pudesse sequer abaixar a cabeça em vergonha, houve outra explosão. Snape, soltando um suspiro sofrido de quem é obrigado a suportar uma aflição amarga e injusta, lançou o feitiço para limpar Crabbe e Goyle.

O resto da classe conseguiu completar a poção com variados níveis de sucesso. Pelo menos nenhuma outra explodiu. Assim que a classe foi dispensada, Harry e Hermione correram para ver Rony, que insistia estar bem, apesar de sofrer algumas marcas de queimadura em seu rosto e mãos, e ele estava olhando feio para Seamus. Harry foi até sua própria cadeira para apanhar suas coisas – ele tinha agora duas mochilas para carregar – e se virou, procurando Draco.

O sonserino estava parado ao lado da porta, esperando. Quando viu Harry, ele levantou uma sobrancelha em inquirição. Harry levantou o bilhete e acenou com a cabeça. Draco repetiu o gesto e saiu da sala.

O resto do dia passou como um borrão. As aulas de tarde, como Snape disse, haviam sido encurtadas para que todos se arrumassem para o Baile Anual. Hermione insistiu que Rony fosse se tratar das queimaduras, e apesar de ele protestar, ela ganhou o argumento finalmente e os dois saíram na direção da ala hospitalar. Uma festa de fim de ano estava acontecendo no Salão Comunal da Grifinória, mas Harry apenas ficou alguns minutos, então subiu as escadas para ter alguns momentos sozinho antes que seus colegas invadissem o quarto. Ele queria tomar uma ducha e arrumar suas coisas, querendo poder passar a noite com Draco novamente, mas sem querer ficar na posição desconfortável de ontem ao tomar banho no banheiro de Draco. E, mais importante ainda, ele queria embrulhar o presente que lhe daria nessa noite.

Ele não teve tempo naquela manhã para retirar o presente da sacola, mas ele o fez agora, sentando no canto de sua cama, arrancando o papel de embrulho bege e abrindo a caixa dentro. Dentro da caixa, descansando entre papéis picados, estava uma pequena caixa de veludo azul-marinho, que Harry pegou cuidadosamente e abriu. O pingente descansava em cetim branco, e Harry apenas o encarou por alguns momentos, surpreso pela beleza da prata curvada que segurava as pedras azuis acinzentadas e o pequeno raio de cristal idêntico à sua cicatriz. Era simplesmente elegante, um trabalho de excelente perícia. Harry ficou muito satisfeito e excitado, antecipação crescendo em seu peito enquanto imaginava Draco vendo a jóia pela primeira vez. Ele fechou a caixa e, acariciando o veludo suave, decidiu não embrulhá-la. Era linda do jeito como estava.

Neville e Dean subiram as escadas. Seamus seguindo logo após. Mas Harry estava quase pronto a esse ponto. Seamus não provocou Harry – o que Harry mais queria evitar – mas ao invés disso apenas sorriu, piscando, e disse. "Vejo você depois, Harry! Você e as garotas." Mas havia um olhar conhecedor em seus olhos que fizeram Harry suspeitar que o outro garoto já sabia exatamente quem Harry levaria ao baile essa noite. Ele não viu o Rony antes de sair, decidindo partir quando os últimos festeiros subiram as escadas.

Saindo pelo retrato, ele se viu sozinho no corredor e por um momento ficou parado, sentindo-se na beira de algo que não conseguia definir. Havia tantas possibilidades emocionantes nessa noite – que Draco pudesse lhe dar um anel, que eles pudessem terminar o jogo de xadrez e, portanto, terminar a espera e finalmente fazer amor. No mínimo iriam ao baile juntos, mesmo parecendo que eles tinham encontros com as meninas, iriam anunciar à escola inteira que a inimizade e rivalidade havia acabado entre eles. Era uma noite de mudanças importantes. Harry colocou a Capa da Invisibilidade e foi a caminho da torre da Sonserina e ao Draco com um sorriso, cheio de antecipação, pronto e excitado para encarar tudo.

Fim do Capítulo 12