Todos os personagens de ,Naruto" que constam nesta história pertencem ao seu criador, Kishimoto Masashi.
--
Capítulo Três
- Primeiro Contato -
De repente, tudo começou a ficar confuso e embaralhado, o ser, as árvores, o sangue, a voz da Konan, minhas mãos num rosto, o beijo, algo macio e quente entre meus lábios...
Abri os olhos e...
- Ahhh!
Eu estava sentando em meu leito na enfermaria com o rosto de um desconhecido em minhas mãos e, pelo visto... Enfim...
- Ahh! – gritei novamente, desta vez cuspindo e limpando a boca com as costas da mão – Que merda é essa, un?!
Eu estava irritado
- A merda é que você acabou de agarrar a visita, seu mongol! – a Konan gritava.
- Ahnn... Tudo bem. – disse o garoto timidamente.
- O que ele ta fazendo aqui? – apontei – E onde estou? – Digo - o que houve?! – disse olhando, atordoado, ao meu redor.
Deveria estar sonhando, mas foi o tempo todo?
E o ser?
E a voz?
E o dono da galeria?
Tudo pareceu tão real...
- Você desmaiou enquanto falava comigo, não lembra?
- Não sei ao certo. Minha cabeça está doendo muito, un. E o resto do corpo também, diga-se de passagem, un.
- Mas ainda me resta sanidade suficiente para não esquecer que te fiz uma pergunta, moleque, un. – dirigi-me ao garoto apontando pra ele com a mão direita enquanto massageava a testa com a esquerda. – O que você faz aqui, un?
- Pedir desculpas.
Olhei-o intrigado. Por que ele era assim tão lacônico?
Que garoto mais estranho!
- Como, un?
- Poxa, Deidara, como você consegue ser delicado! – disse Konan irônica.
- Mas eu não entendi, un! Por que ele ta me pedindo desculpas?
- Ai, Kami-sama... – suspirou a Konan revirando os olhos – Eu explico.
- Lembra aquele uru... Cara! – ela se corrigiu a tempo – Lembra aquele cara que bateu em você?
- Claro! Como poderia esquecer-me daquele filho da p...
- BEM! – ela me interrompeu – Quando aquele cara falou mal de sua arte, você ficou muito, muito irritado e começou a... ,chorar"? – ela fez essa afirmação em tom de pergunta, como se estivesse realmente surpresa.
- Então, –ela fez uma pausa – você estava lívido feito um papel e tremia como se estivesse tendo convulsões. No minuto seguinte, você, que outrora esteve ao meu lado, começou a rir e, calmamente, andou até o cara e disse ,Lixo, un?". E o cara respondeu, ,sim, lixo" – era divertido vê-la alterando a voz, encenando sua narrativa – e umas coisas a mais sobre vômito de curumim que eu não consigo lembrar.
- Bom, aí você continuou a rir mais alto e a tremer e a chorar mais ainda, como se estivesse sendo possuído!
Eu adorava os relatos gigantes e dramatizados da Konan, un!
- Você estava assustador! Até o cara percebeu e disse ,olha só para você, chorando?! É um coitado mesmo!".
- Aí seu olhar se alterou! – na minha visão, ELA quem estava alterada! – Você disse ,Vou te mostrar o lixo, un!", e deu um soco na barriga do cara, porque você é bem mais baixinho do que ele..
- Ei! – protestei e ela riu.
- Quando ele se inclinou para frente, você agarrou a cabeça dele com as mãos e deu uma joelhada no nariz do cara que NOSSA! Quebrou TU-DO!
Eu AMAVA quando a Konan se empolgava!
- Ele cambaleou para trás segurando o estômago com uma mão e levou a outra ao nariz; tava sangrando feito uma torneira e a mão dele tava encharcada! Mas VOCÊ não teve comiseração, começou a rir e avançou novamente para ele. Parecia o Pivete e o Gigante! Você o empurrou, ele perdeu o equilíbrio e caiu; em seguida, você se sentou na barriga do rapaz, uma perna de cada lado, como se montasse um javali, e começou a esmurrá-lo rindo loucamente.
- Todos estavam gritando para que você parasse, mas você não ouvia, era como se não estivesse lá. Continuava rindo e rindo até que, quando gritei pela ,enésima" vez, você virou-se para mim com o rosto cheio do sangue do outro, foi muito tétrico, Deidara!
Konan, adoro você. – pensei olhando para ela, acompanhando seus movimentos e as alterações de voz que fazia para dar mais dramaticidade e vitalidade à narração.
- Mas eis que Golias revive dos mortos! – ela disse trágica – Aproveitou que você tinha parado para olhar bem rapidinho e, como um raio, deu-lhe um soco tão forte, mas tão forte que, se você fosse filhote de pássaro, teria aprendido a voar naquele momento!
Não gostei da piada, un. – pensei.
- Você caiu, não, você ATERRISOU – eu não gostei dessa analogia dela, un. – uns dois metros de onde estava o cara. Ele se levantou e foi em sua direção, estava colérico! Levantou-te pela blusa e te deu um cruzado de direita que não sei como não arrancou sua cabeça!
- MENOS, Konan un!- reclamei.
- É sério, Deidara! – ela me olhava com olhos arregalados, num misto de horror e comicidade – Ele bateu muito em você, e aquele cruzado foi só o primeiro!
- Ta, ta, mas eu não quero saber, pode ser, un? – disse amuado.
- Deidara, o problema é que...
- Não quero saber! – gritei.
- O PROBLEMA É QUE VOCÊ ESTAVA RINDO, IMBECIL! – ela vociferou e eu calei.
- Você estava rindo enquanto apanhava – ela continuou numa voz mais calma – e eu não pude fazer nada para te ajudar. Eu... Achei que você fosse morrer... – ela olhou para os pés, sua voz estava embargada.
Ficamos em silêncio por um tempo que pareceu uma eternidade, até que uma voz grave, porém melodiosa e estranhamente familiar, quebrou o silêncio.
- Deidara-sempai, então, sente-se melhor. – Era uma afirmação.
Virei-me em direção à voz e pude visualizar a pequena – e ruiva- criatura no fundo do quarto. Lembrei-me que toda aquela conversa com a Konan tinha-se originado por causa daquele garoto, pelo motivo o qual o levou até a enfermaria e mais, o motivo por ele estar lá.
Mas eis que...
Opa!
Aquilo me veio como um choque: era o garoto que eu tinha beijado loucamente agora a pouco! O garoto maluco que tinha falado ,entropia" quando viu minha arte, o garoto que me fitou com seus olhos azuis sem pupilas enquanto... Enquanto eu batia no AMIGO dele! O mesmo garoto que vi antes de perder a consciência...
Essas lembranças vinham à minha mente de uma maneira desordenada que fez meu corpo todo doer, como se eu estivesse sendo esmagado entre duas paredes. Senti que estava tremendo involuntariamente.
- Deidara, Deidara! – era a voz da Konan preocupada – O que foi?
Ela me abraçou terna, porém firmemente contra seu peito de modo que meu nariz – também quebrado – ficou esmagado contra uma clavícula sua.
- Ai, Konan-chan! – gemi.
- Desculpa! – ela me soltou.
Ficamos os três calados por um tempo, até que quebrei o silêncio dirigindo-me ao garoto:
- Quem é você? – era mais uma pergunta a mim mesmo do que necessariamente para ele.
- Desculpa não ter me apresentado antes, meu nome é...
Não consegui ouvir mais nada. Senti uma dormência por todo o corpo, meus olhos começaram a se fechar e pude sentir a cabeça levar o resto do corpo, numa queda-livre, de volta ao leito. Uma voz no fundo de minha mente sussurrava ,Talvez". Mas o que isso significava?
Não sei.
O mundo passou do branco intenso ao preto profundo e não reagia a mais nada. A única coisa de que me lembrei depois foi de um par de olhos azuis que me fitavam.
