Todos os personagens de ,,Naruto" pertencem ao seu criador, Kishimoto Masashi. Apenas a história –tosca- é de minha autoria.
Quero agradecer à minha primeira reviewer, srtª T. Lecter. Obrigada pelos reviews. Esta história só está com essa assiduidade por sua causa! xD
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Capítulo Quatro
- Na enfermaria -
Despertei de um sono sem sonho, o que era bom, pois estava realmente atordoado. A Konan não estava no quarto, mas uma estagiária do curso de medicina. Ela estava debruçada sobre mim mudando minhas ataduras delicadamente.
- Quando poderei sair daqui, un? – perguntei-lhe abruptamente.
Acredito que ela não percebeu quando acordei, pois levou um susto que a fez pular para trás, olhos arregalados. Recompondo-se rapidamente, respondeu-me de forma gentil:
- Bom, acredito que você sairá hoje mesmo. - ela pegou uma prancheta – Pelo que consta aqui na sua ficha, o Drº Orochimaru não colocou nenhum observação de transferi-lo ao hospital, mas tudo vai depender de como você se sente. – ela me sorriu amistosa.
- Hmm.
Remexi-me na cama impaciente. Nesta hora, entrou um homem muito pálido, de estatura mediana para alta, cabelos negros e longos. Ele usava uma bata branca e, pendurado em seu pescoço, um estetoscópio - deveria ser o tal Dr. Orochimaru.
- Boa tarde, como vai nosso paciente impaciente? – ele tentou ser simpático.
- To ótimo. Quando saio daqui, un? – fui brusco, mas não rude como seria de costume.
- Há há há! Que bom que você está bem, Deidara-san. Não se preocupe, não será necessário solicitar sua transferência para o Hospital de Konoha. Só preciso trocar seus curativos, está bem?
- Hmm...
- Sakura, por favor, pode ajudar-me a trocar as ataduras?
- Claro, Dr. Orochimaru!
Eles removeram as bandagens que me envolviam o tórax e fizeram a assepsia dos pontos que levei no lábio e na sobrancelha.
- Você deverá retornar aqui daqui a uma semana, Deidara, para que possamos remover os pontos. Fico impressionado com sua rápida recuperação! – disse o doutor gentilmente. – Parece que suas células têm uma recuperação à jato!
- Já posso ir-me, doutor?
- Pode sim, a Sakura irá encaminhá-lo até a secretaria para que você preencha um pequeno formulário de praxe da enfermaria, está bem?
- Ah, sim. Claro, un.
Não demorei muito lá, na verdade, saí na mesma hora que o Dr. Orochimaru e sua estagiária. Pelo visto, passei um dia inteiro na enfermaria, ou seja, tinham-me levado para lá na manhã de segunda-feira e eu estava saindo na manhã de terça. Ainda me assombra a elasticidade do tempo! Parecia que eu estava lá há semanas, un!
A estagiária encaminhou-me até o saguão da enfermaria, na verdade, essa enfermaria era um anexo do Hospital Universitário de Konoha e que o tal ,,doutor" era um aluno do 9º período de Medicina, mas tudo bem, ele era assaz competente, devo admitir, un.
Quando passei para a secretaria da enfermaria, a única pessoa que me esperava na sala de espera era um representante da faculdade, ele me informou que a reitora queria falar comigo. Que legal, un! ADORO quando a vida me sorri irônica, un... Assinei um termo de comprometimento no qual eu retificava minha presença perante a reitora Tsunade-sama para dali a oito dias.
A situação fez-me pensar em como as pessoas devem se sentir quando um oficial de justiça bate à sua porta com um mandado judicial, e isso era PÉSSIMO, un.
Assinei o protocolo de praxe da enfermaria:
Iwagakure no Deidara.
Minha assinatura.
Eu sabia que assinar termos de compromisso não era meu forte. Todo documento que assinava representava qualquer coisa ruim, como, por exemplo, quando averbava meu nome nas atas de detenção escolar, quando assinei para dar entrada no reformatório, a firma falsa, a entrada no Departamento de Polícia da 3º Região lá de minha vila, Iwagakure no Sato, pelo crime de rixa, entre outra série de delitos que manchavam minha ,,ficha"; mas... às vezes penso o que eu faria se pudesse voltar no tempo, e chego à conclusão de que não mudaria nada. Tenho certeza de que faria tudo igual, é o meu jeito de ser, algo inerente, inato e imanente, un. Que posso fazer se sou assim, impaciente un?!
A recepcionista recebeu de volta o protocolo devidamente preenchido e assinado e me sorriu gentil. Havia ,,algo" na forma que ela sorriu que me fez ficar um pouco intrigado.
- Estimo sua melhora. – disse-me sincera.
- Hmm? – olhei-a incrédulo.
Fiquei realmente intrigado com aquela sua atitude. Geralmente, as recepcionistas limitam-se a entregar e recolher protocolos, atender telefonemas, distribuir fichas, efetuar cadastros e todas essas atividades secretariais tanto burocráticas quanto pouco artísticas.
- Ahn... – ela ficou um pouco desconcertada – Estou desejando que o senhor se recupere logo. – ela estava vermelha feito um tomate maduro.
- Er... Obrigada, un.
Que mulher psycho! Ela estava me paquerando, un?! – pensei um pouco surpreso.
Saí. O Sol brilhava dolorosamente nas minhas retinas e seu calor calcinava minha pele. Como disse antes, adorava quando a vida era irônica comigo...
Caminhei meio à esmo, não sabia para onde ir, o que fazer ou apenas não estava querendo pensar em nada. Meu corpo, uma casca vazia. Foi quando, meio ao longe, avistei aquele garoto do olhar perdido; caminhei até ele – ELE que estava no meio do meu caminho, un! – e falei-lhe:
- O que você faz por aqui, un? – percebi que eu SEMPRE perguntava isso a ele...
- Você está melhor, Deidara-sempai? – fitou-me sem necessariamente olhar para mim.
- Estou sim, mas isso não vem ao caso, por que você está por aq...
- Que bom. – ele virou-se e me deixou praticamente falando sozinho.
- Ei! Volte aqui un! – agarrei-o pela blusa na altura do meio das costas, pois ele era mais alto que eu, por isso não alcancei a gola da camisa. Virei-o em minha direção num assomo – Ainda não... Você ainda não...
Porra! Por que eu estava tropeçando nas palavras, un?
- Responda minha pergunta, un! Por que você está aqui?
Larguei-o e o encarei bem dentro de seus olhos, esperando alguma reação ou uma resposta plausível; Eu estava um pouco irritado, seria o calor, ou seria porque aquele garoto me intrigava muito? Era um misto de curiosidade e vergonha por me sentir tão desconfortável na frente dele.
- Eu estava esperando você.
Simples, direto e aterrador. Fiquei boquiaberto.
- Como, un? – realmente não esperava aquele tipo de resposta.
- Estava esperando você sair, sempai. Falei com o Orochimaru e ele me afirmou que o liberaria hoje.
Espera, un! O garoto conhecia o quase-doutor?!
- Agora que você saiu e me disse que está bem, devo ir-me embora. – ele me disse isso como se fosse a coisa mais óbvia do mundo; o que, de fato, era. Não tiro sua razão, mas é que me deixou meio desconcertado aquela sua resposta.
Ficamos em silêncio por um tempo relativamente longo, até que ele tocou com a mão esquerda seu relógio, que ficava no pulso direito – acho que ele era canhoto, un – e, sem olhá-lo, disse:
- Opa! Estou atrasado. Preciso ir. Tchau, sempai, até mais.
- Hmm...
Eu estava um pouco distraído, mas quando ele falou isso, foi como se uma corrente de 220 V tivesse passado por mim.
- EI! Espera aí, garoto!
Ele se deteve e voltou-se em minha direção.
- Qual é o seu nome?
Ele sorriu discretamente e disse:
- Gaara. Sabaku no Gaara.
- Ah... Está bem.
- Bom... Tchau, sempai. Até mais.
- Tchau, un.
Ele foi andando em frente, sem se virar em minha direção, segui-o com os olhos até q ele se perdeu em direção ao prédio do CCJ. Saiu com bastante segurança e altivez, parecia flutuar. Eu não sabia ao certo, mas havia algo no Gaara que não saberia definir o que era.
Deixei os pensamentos de lado e dirigi-me ao CAO, desejando que, magicamente, um raio atingisse-me a cabeça e eu morresse fulminado, un.
O celular tocou. Tinha esquecido que a recepcionista havia colocado-o no bolso traseiro de minha calça - Ah... agora percebi porque era enrubesceu quando falou comigo, un – era a Konan dizendo que tinha ido encontrar-se comigo na enfermaria mas eu já tinha saído.
- Não tem problema, Konan-chan. Ta tudo bem comigo, un.
- Não fica se sentindo mal, não tinha como você saber que eu iria sair cedo, un!
- Não, não, ta tudo certinho. Meeeeeeeeeeeeeeeesmo.
- Ahã... Ahã. Está bem um. Vamos nos encontrar no Jardim Secreto.
- To indo.
- Tchau.
- BEEEEEEEEEEEEEEEEEIJO.
Click!
O Jardim Secreto era o lugar favorite meu e da Konan. Na verdade, eram apenas uns banquinhos perto do lago da faculdade. Eles ficavam em baixo de um caramanchão e já estavam bem deteriorados pelo tempo, por isso, ninguém ia lá e por isso era nosso lugar favorito.
