AN: Aiaiai, está chegando ao final! Hehe, finalmente um capítulo curtinho, só para provocar ;D Tentarei postar o capítulo 17 o mais rápido possível, para que vocês não fiquem no suspense por muito tempo!

CHECKMATE

PARTE III – FIM DO JOGO

Capítulo 16

Nothing is so good it lasts eternally
Perfect situations must go wrong
But this has never yet prevented me
Wanting far too much for far too long

Nada é tão bom que dura eternamente

Situações perfeitas devem dar errado

Mas isso por enquanto nunca me impediu

De desejar demais e por tempo demais

Looking back I could have played it differently
Won a few more moments who can tell
But it took time to understand the man
Now at least I know I know him well

Olhando para trás, vejo que poderia ter jogado diferentemente

Ganhado mais alguns momentos, quem sabe

Mas demorou para que entendesse o homem

Agora eu pelo menos sei que o conheço bem

Wasn't it good?
Wasn't he fine?
Isn't it madness
He can't be mine?

Não foi bom?

Ele não era ótimo?

Não é loucura

Ele não poder ser meu?

No one in your life is with you constantly
No one is completely on your side
And though I move my world to be with him
Still the gap between us is too wide

Ninguém na sua vida está constantemente com você

Ninguém está completamente do seu lado

E apesar de eu mover meu mundo para ficar com ele

O buraco entre nós ainda é muito largo

Didn't I know
How it would go?
If I knew from the start
Why am I falling apart?

Eu não sabia

Como tudo terminaria?

Se eu sabia desde o início

Por que estou desmoronando?

Letras de "I Know Him So Well" de Chess por Benny Anderson, Tim Rice e Björn Ulvaeus

Passando de raspão pelo topo das árvores cobertas de neve, voando rapidamente e em paralelo com a estrada para Hogsmeade, Harry estava agachado em sua Firebolt, sorrindo em antecipação para ver o Draco novamente. As rajadas de ar frio no seu rosto, carregando o cheiro gélido da neve, eram exaltantes, e o sol da tarde criava pequenos prismas brilhantes de luz nas superfícies brancas borradas embaixo dele enquanto procurava o ponto da Chave de Portal. Do ar, ele imaginou que conseguiria avistar o ponto facilmente na forma de uma grande clareira na floresta, sem ter que procurar pelo poste velho que o Draco tinha descoberto.

Eu devo estar perto. . .

Quase imediatamente após de ter esse pensamento, ele passou por um espaço aberto e redondo nas árvores abaixo e suspirou rápida e excitadamente. Ele aumentou o sorriso, pois tinha visto uma figura loira e magra em uma capa preta saindo das árvores em um dos cantos, caminhando para o centro do círculo.

Draco!

Harry rapidamente manobrou sua Firebolt em um círculo fechado, desacelerando e descendo para pousar em um canto da clareira. Em sua pressa, ele pulou de sua vassoura antes de sequer chegar ao chão.

Com um olhar rápido por cima do seu ombro enquanto ele rapidamente encostava as duas vassouras em uma árvore, ele viu o Draco caminhando na sua direção pela neve limpa, e quando se virou um momento depois, Draco estava bem ali. Sem dizer uma palavra, Harry foi envolto em um abraço firme. Ele derreteu no abraço com um suspiro. Meu Deus, era tão bom segurar o Draco novamente – a dor da separação que tinha carregado dentro de si pelos últimos dois dias longos e estressantes evaporou instantaneamente com o corpo do Draco pressionado contra o seu.

"Eu estava tão preocupado," Harry sussurrou, fechando os olhos e virando o rosto para acariciar a orelha do Draco com seu nariz. "Estou tão feliz por você estar de volta. Tudo ficará bem agora."

"Shhh," Draco sussurrou, e moveu sua cabeça para beijar o Harry.

Com um arrepio de exaltação, Harry sentiu a magia da Ti'kira unindo um fogo entre eles enquanto a boca do Draco se fechava contra a sua. Uma explosão vívida de calor correu pelo seu corpo, um calor que radiava do seu coração, consolando-o e animando-o, aglomerando-se naquele sentimento profundo e confortante de pertencer que sempre sentia com o Draco. Ele estava ciente, também, enquanto segurava o Draco em seus braços, de outra união entre eles; a ressonância e o eco poderosos tremendo no centro de sua magia confirmavam que as auras deles estavam unidas. Mas ele não queria pensar nisso, perdido como estava em beijar o Draco e simplesmente se sentir novamente maravilhado pela intensidade dessas conexões com o outro garoto. Ele ainda se surpreendia com o quão perfeitamente eles pareciam se encaixar, e como a própria presença do Draco, seu toque, preenchia-o com uma força e calma e uma sensação de completude.

Outro arrepio, puramente físico, correu pelo Harry quando Draco aprofundou o beijo. Meu Deus, como senti sua falta, Harry pensou, apertando seus braços ao redor do outro garoto. Sua intenção original de convidar o Draco para ir voar com ele estava rapidamente se transformando em um desejo ardente de arrastar o Draco para Hogwarts o mais cedo possível e para a cama. Capa e suéter e luvas, barreiras voluntariamente colocadas em face do frio, agora se transformavam em obstruções desajeitadas e desnecessárias entre as mãos do Harry e seu desejo de tocar a pele nua do Draco.

Harry vagarosamente, gentilmente, terminou o beijo. Ele queria olhar o rosto do Draco, ver o sorriso que tanto amava e o calor acendendo nos olhos cinza claros.

Draco liberou Harry do beijo com relutância e inclinou sua testa contra a dele, abraçando-o com força. Ele parecia desesperadamente relutante em soltá-lo.

"Vamos," Harry disse, sorrindo, afastando-se um pouco mais. "Eu trouxe sua vassoura – " ele começou a dizer, com a intenção de pedir que Draco fosse voar com ele, apesar de agora o plano de vôo consistir apenas na viagem até a janela do quarto do Draco. Então Harry viu o rosto do Draco claramente pela primeira vez e o resto de suas palavras morreram antes de serem ditas.

Draco não estava sorrindo. Sua boca estava fechada com força e seus olhos permaneciam fechados, como se não conseguisse encontrar os olhos do Harry, quase como se estivesse segurando lágrimas. Ele parecia estar lutando consigo mesmo para dizer algo difícil.

"Draco? O que. . .?"

Após mais alguns segundos daquele tenso silêncio, Draco respirou profundamente e levantou o olhar, e o coração do Harry pulou uma batida. Os olhos cinza estavam úmidos e repletos de tristeza e arrependimento.

"Eu sinto muito, amor," Draco disse, sua voz baixa, quase quebrando. "Eu nunca quis te machucar."

"Sente muito?" Harry repetiu, completamente perplexo pelas palavras do Draco e pelo seu comportamento, tão completamente opostos ao que havia esperado.

Draco o soltou sem responder, dando um pequeno passo para trás para retirar um objeto do bolso de sua capa. "Mantenha isso a salvo," ele disse solenemente, entregando ao Harry um pedaço dobrado de pergaminho.

"O que é?" Harry perguntou, ao mesmo tempo confuso e preocupado com a atitude estranha do Draco.

"Apenas fique com ele por enquanto," Draco repetiu. "Poderá ler depois."

Harry hesitou por um segundo, desorientado, antes de guardar o papel no bolso de sua calça jeans.

Draco sorriu então, um sorriso pequeno e triste, parecido com o que havia dado ao Harry em seu quarto, logo antes de partir para casa para passar o Natal. Mas antes que Harry pudesse elaborar mais perguntas, as mãos do Draco abraçaram a sua cintura por baixo da capa. Ele puxou o Harry para dentro de seus braços e o beijou mais uma vez, como se nunca quisesse parar.

Rendendo-se ao beijo, Harry quase esqueceu suas perguntas e sua confusão, até que o farfalhar de uma capa, seguido por uma risada cursa e zombadora, fez com que se afastasse abruptamente. Draco se afastou de seus braços e deu um passo para trás.

Por cima do ombro do Draco, Harry percebeu, com grande choque, que Lucius Malfoy estava ali no centro da clareira, sua varinha apontada diretamente para eles. Ah meu Deus, ele pensou em alarme, Snape estava certo – eu nunca deveria ter deixado o Draco ir para casa! Ele tentou apanhar o Draco, com a intenção de empurrá-lo para longe da linha de fogo, mas o outro menino o evitou. Então Harry viu, com um choque ainda maior, que Draco estava segurando a varinha do Harry, tinha a roubado do seu bolso traseiro enquanto se abraçavam. Um arrepio gelado que não tinha nada a ver com o vento frio que estava bagunçando seu cabelo se estabeleceu entre os ombros do Harry. Traição, raiva e descrença inundaram seu rosto, e ele olhou para o Draco à procura de uma explicação. Mas Draco estava se virando na direção do seu pai. Harry avistou muito rapidamente a face dele – uma face que estava inegavelmente calma e nada surpresa enquanto reconhecia a presença do seu pai com um aceno silencioso. Surpreendido, e tomado por um sentimento de irrealidade, de impossibilidade diante do que estava vendo, Harry se sentiu enjoado com horror.

"Oras, oras, Potter," Lucius disse. Sua voz estava calma e impiedosa, e ele sorriu com óbvia satisfação diante da expressão chocada do Harry. "Parece que você se envolveu em um. . . casinho um pouco. . . traiçoeiro." Ele soltou outra risada curta e desdenhosa, e então sua voz ficou séria. "Saia do caminho, Draco," ele disse. "Nós precisamos fazer isso rapidamente e sairmos daqui."

"Não," Draco disse, ainda se mantendo resolutamente entre seu pai e Harry. "Tem algo que preciso terminar com ele antes. Apenas demorará um momento." Ele não se moveu, intransigente, encontrando deliberadamente o olhar bravo de seu pai, bloqueando o Harry até que Lucius, com a boca cerrada, concordou.

"Rei para E1," Draco disse, virando para encarar o Harry.

Harry encarou o Draco, incrédulo, sua mente correndo para fazer sentido do que estava ocorrendo. Restava óbvio que o Draco soube que seu pai estava vindo. Ele não tinha reagido com qualquer nível de surpresa. E ele tinha mantido Harry ali mesmo assim. Eles haviam tido tempo mais que suficiente para pular em suas vassouras e voar em segurança para longe, e mesmo assim Draco tinha deliberadamente atrasado a saída deles com seus beijos – e tinha apanhado a varinha do Harry. Harry simplesmente não conseguia acreditar no que isso implicava. Ele tinha que acreditar que o Draco estava sendo forçado – de alguma forma, Lucius tinha descoberto o plano deles de se encontrar e havia coagido o Draco a emboscá-lo enquanto estavam em casa. Isso ele conseguiria entender, mas agora. . .

Agora, Draco estava de pé ali, no meio dessa situação ameaçadora, encarando-o seriamente e. . . fazendo um movimento de xadrez? Que merda ele estava pensando? E esse movimento! Draco não estava quase fazendo um movimento ruim por negligência – isso era intencional. Draco estava conscientemente colocando-se na situação pela qual perderia o jogo, a mesma posição fatal que já haviam discutido na noite do Baile Anual.

Então as palavras do Draco daquela noite voltaram ao Harry com uma velocidade de parar o coração – "Seria praticamente. . . suicídio," – e repentinamente Harry esqueceu que Lucius sequer estava ali quando a percepção bateu. Draco se certificou de que ele visse esse movimento naquela noite. E ele não tinha sido um erro à época também. Seria outra dica – como as que Draco tinha dado quando fingiu terminar o namoro? Mas, Deus, o que ele queria dizer?

Praticamente suicídio. . .!

Pânico cresceu dentro do Harry em uma onda crescente de emoção e ele soube, enquanto o chão parecia ter tremido e sumido debaixo de seus pés, o que Draco queria que ele soubesse. "Você não pode ir para lá," Harry sussurrou, sua voz falhando com o medo que se apoderava dele. "Você disse que tinha uma estratégia para ganhar. E aí?" ele perguntou desesperadamente. "Você disse que estava funcionando perfeitamente. . ."

Draco alcançou uma mão e tocou a face do Harry com as pontas dos dedos, ternura indisfarçável em seu toque. "E funcionou," ele disse suavemente enquanto deixava sua mão cair e dava um passo para trás. "Essa era minha estratégia, Harry. Era você quem eu queria que ganhasse." Ele virou a cabeça e olhou para seu pai, calculando a impaciência crescente do outro homem, e então se virou para o Harry. "Sua vez," ele disse.

"Eu não quero ganhar," Harry disse, lutando para pensar em alguma forma de prolongar a situação, de impedir o que estava prestes a acontecer. "Não desse jeito. . ."

"Terminou," Draco disse com finalidade firme, fazendo um gesto pequeno com sua mão para indicar a varinha do seu pai apontada para eles.

As palavras e o gesto cortaram Harry rapidamente. Terminou? E tudo que eles tinham compartilhado? Todas as esperanças para o futuro? Terminou? Insignificantes?

Com aquela sensação nauseante de horror crescendo, escura e pesada, no fundo do seu estômago, Harry levantou sua mão contra o Draco. Mesmo sem sua varinha, ele não se deixaria ser apanhado como um Peão, sem resistência e indefeso, como parte de um jogo de xadrez. Ele apenas já tinha feito mágica sem varinha acidentalmente, mas sabia agora que era possível, e ele certamente tentaria lutar dessa forma antes de deixar Lucius Malfoy capturá-lo.

Mas com um leve balançar da cabeça, na forma de um aviso sutil, Draco falou novamente, sua voz gentil, quase imploradora. "Eu só quero ouvir você dizer, Harry. Por favor," ele pausou, seus olhos segurando os do Harry intensamente. "É sua vez."

Procurando os olhos cinza que guardavam um oceano de dor e sentimentos, Harry procurou uma explicação, qualquer dica que o dissesse o que Draco estava fazendo. O contato visual parecia durar uma eternidade, e Harry sentiu como se pudesse afundar na tristeza que estava vendo naqueles olhos. E mais uma vez, apesar de as ações e palavras do Draco parecerem incriminadoras e erradas, Harry ainda via naqueles olhos o menino que amava, o menino em que confiava. Draco estava implorando ao Harry para que confiasse nele. Harry conseguia sentir isso, tão certamente quanto a batida do seu próprio coração. Ele ainda conseguia sentir, até mesmo agora, nesse momento frágil e precário, a união íntima da magia Ti'kira entre eles, bem como a união misteriosa e poderosa de suas auras mágicas. Ele se lembrou da paixão que haviam compartilhado, lembrou-se de como havia acreditado, enquanto dormia abraçado ao Draco naquela última noite juntos, que poderia confiar no Draco com sua vida.

E Harry soube então que era isso o que Draco estava pedindo que fizesse. Era o que ele tinha que fazer. Porque o que é a confiança, ele repentinamente entendeu, se um a descarta diante do primeiro teste. . . não obstante quão grande seja o desafio? Harry escolheu acreditar. Com um bloqueio subindo em sua garganta e o sentimento de que seus joelhos lhe falhariam a qualquer momento, ele abaixou a mão.

"Cavalo para C2," Harry disse muito quietamente, fazendo o movimento que iria apanhar o Peão do Draco e revelar sua Rainha para que ganhasse o jogo. Ele engoliu contra a constrição dolorosa em sua garganta. Seus olhos nunca deixaram os de Draco. "Xeque-mate," ele finalmente disse, praticamente um sussurro.

Draco acenou a cabeça. "Bom jogo, Harry," ele disse sem oscilar, sua voz não traindo qualquer das emoções em seus olhos. Ele virou as costas para o Harry e caminhou até onde seu pai estava esperando, e parou, encarando o Lucius. "Eu fiz o que você me forçou a fazer, pai," ele declarou de forma que suas palavras fossem carregadas claramente pelo círculo coberto de neve, "e trouxe o Potter aqui. Se você o quer, pegue-o. . . mas eu não vou ajudá-lo."

"Apenas saia do meu caminho," Lucius disse, sibilando com irritação, "e apronte aquela Chave de Portal."

Enquanto o Draco caminhava para ficar vários passos atrás de seu pai, Harry se viu de frente com Lucius. A varinha do Lucius estava posicionada diretamente para o seu peito.

"Imperio," Lucius disse, sem perder um segundo.

Harry não teve tempo sequer de piscar antes de sentir o começo das sensações trazidas pela maldição proibida, aquele sentimento muito familiar de flutuar, feliz, vazio e tranqüilo, tocar sua mente. Ele conhecia esse feitiço com intimidade, havia aprendido a cancelá-lo completamente no seu quarto ano de Defesa Contra as Artes das Trevas, e preparou-se para fazer o mesmo agora. . . mas a maldição parecia ter simplesmente encostado nele e flutuado para longe. Ele ouviu o comando mental do Lucius: Venha aqui. . . venha comigo. . . como um sussurro ineficaz em sua mente, e então o feitiço se dissipou completamente.

Harry encarou Lucius por um segundo, momentaneamente chocado com a falha inesperada da maldição, então cruzou os braços sobre o peito e encontrou o olhar furioso do Lucius com desafio brilhando em seus olhos verdes. "Não funcionou," ele disse descaradamente.

Lucius o encarou, franzindo as sobrancelhas. "Imperio!" ele repetiu com força, e sua varinha tremendo com o esforço.

Venha comigo AGORA!

Harry novamente ouviu as palavras, mas como se de uma grande distância, e sentiu apenas o leve toque do feitiço em sua mente antes dele sumir.

"Desculpe, mas não," Harry disse, sua confiança crescendo. "Eu não vou a lugar nenhum com você."

"Por que não está funcionando?" Lucius rosnou para o Draco sem se virar, sem retirar sua varinha do Harry. "É impossível. Ele deveria estar sem qualquer resistência. Eu mesmo enfeiticei o anel, antes de você entregá-lo a ele."

Meu anel? Enfeitiçado! Harry olhou para o Draco, alarme e dúvida brotando com essa nova chocante revelação. Isso não era algo que tinha acontecido quando Draco foi para casa! Draco havia lhe dado o anel antes de ir embora! E ele se lembrava das palavras urgentes muito claramente – "Prometa-me que você nunca irá retirar esse anel. Por qualquer motivo. . . não importa o que aconteça." Draco esteve planejando isso com seu pai desde o início!

Mas o Lucius estava se virando contra o Draco agora, também, os primeiros indícios de suspeita sendo mostrados em seu rosto. "O que você fez?" ele sussurrou.

Harry viu o triunfo brilhando nos olhos do Draco, e com um repentino arrepio prazeroso, percebeu que o olhar não estava direcionado para a sua pessoa, mas sim para o Lucius.

"Eu fiz com que o Dumbledore retirasse o feitiço," Draco disse com orgulho em sua voz, "e eu adicionei um avançado feitiço Afasta-Maldições. Eu nunca tive qualquer intenção de deixar você levá-lo."

Lucius encarou o Draco, sem fala por um segundo, sua face ficando lívida com raiva. "Seu pequeno tolo," ele disse com a voz baixa, controlada e furiosa.

O queixo do Draco se elevou, rebeldia dançando em seus olhos. "Melhor ser um tolo por amor do que a marionete sem coração de um maníaco, como você," ele retrucou corajosamente, ressentimento colorindo o seu tom de voz com distinção.

"Amor!" Lucius quase cuspiu a palavra. Ele analisou o Draco com ódio, um canto de sua boca se curvando em nojo. "Que patético."

Harry ponderou se deveria correr enquanto o Lucius estava distraído, mas ele não conseguiria deixar o Draco. Lucius estava virando a varinha na direção do Draco agora, e Harry estava congelado onde estava, sem conseguir afastar os olhos do drama desenrolando à sua frente.

"Eu tinha expectativas tão altas de você, Draco," Lucius disse friamente. "Nós deveríamos ter ficado lado a lado, subido ao poder juntos com o Lorde das Trevas." Ele pausou, estudando o Draco com um olhar frio. "Não é tarde demais, filho," ele disse, sua voz agora parecia mais calorosa, conciliatória, e ainda assim Harry conseguia ouvir a manipulação insensível em seu tom de voz. "Ninguém precisa ficar sabendo desse pequeno. . . lapso de julgamento, além de nós. Coloque essa ideia infantil de lado e faça o que lhe é exigido."

"Eu tenho minhas próprias ideias acerca do que me é exigido," Draco disse imediatamente.

Lucius lançou um olhar raivoso, descartando qualquer fingimento de paciência. "Você fez o juramento!" ele quase gritou, e sua voz tremeu com raiva. "O Lorde das Trevas nunca irá deixar você ir agora." Ele levantou a varinha mais alto, apontando-a diretamente para o peito do Draco. "Você não entende que, na condição de servo do Lorde das Trevas, eu não posso deixá-lo ir! Não destrua seu futuro, garoto!"

"Eu nunca tive um futuro," Draco retrucou, sua voz rouca com emoção. "Não um próprio. Você tinha toda a intenção de me controlar de todas as maneiras, torturar-me com a Maldição Cruciatus para assegurar minha obediência, forçando-me a me tornar um Comensal da Morte, ordenando-me agora, sob a ameaça à minha vida, a trair a única pessoa a quem jamais amei. Você destruiu o meu futuro!"

"Então você decidiu me desafiar?" Lucius rosnou, uma nota de descrença em sua voz. "Você! Você é apenas uma criança! Pensou realmente que você seria capaz de me impedir de tomar o Potter?"

"Não," Draco disse friamente, quietamente, e trinfo novamente brilhava em seus olhos. "Eu nunca pretendi te impedir, de forma alguma."

Com isso, seis homens que estavam escondidos em um círculo nas bordas da clareira retiraram suas capas da invisibilidade e deram um passo à frente, suas varinhas empunhadas e apontadas para Lucius Malfoy. Algemas que o impediam de desaparatar pareceram no mesmo instante ao redor dos pulsos do Lucius.

Harry quase arfou em voz alta com surpresa e alívio. Ele reconheceu o Arthur Weasley e o Olho-Tonto Moody do outro lado da clareira, e presumiu que os outros homens eram Aurores. Um deles veio à frente para ficar ao lado do Harry, como se para guardá-lo.

Draco silenciosamente levantou o único modo remanescente de escape, a pequena chave preta que Lucius havia transformado em uma Chave de Portal de retorno para a Mansão Malfoy, aquela que Draco tinha criativamente removido da possessão do seu pai.

"Lucius Malfoy," Moody disse com um tom alto, severo e formal. "Você está preso. Você confessou ser um Comensal da Morte e lançou uma Maldição Imperdoável perante todas essas testemunhas. Nós já vimos mais que o suficiente para mandá-lo para Azkaban para o resto da sua vida."

Lucius o ignorou completamente. "Você me traiu?" ele sibilou para o Draco. "Esse era o seu plano?"

"Você exigiu um plano," Draco disse com uma ponta de insolência em sua voz anteriormente calma, "que provasse a você onde minhas lealdades se encontram. Eu fiz exatamente o que você pediu."

"Seu pirralho traidor! Sua lealdade deveria ser minha!"

"Chega, Lucius," Dumbledore disse com a voz séria por trás do Harry, apoiando suas mãos firmes nos ombros do Grifinório. "Abaixe sua varinha e renda-se."

Ao escutar a voz de Dumbledore, Draco virou a cabeça e olhou para o Harry, encontrando os olhos dele com os seus.

Harry mal escutou a voz do Dumbledore. Toda sua atenção estava fixada no Draco. De pé do outro lado da clareira, banhado pela luz do fim da tarde, rosa e dourada, Draco parecia brilhar. O coração do Harry se preencheu com repentina emoção e ele sorriu. Ele sentiu as ligações mágicas profundas entre eles, firmes e sólidas e seguras, e quando Draco retornou o sorriso, ambos partilharam um sentimento de exultação.

Lucius nem olhou na direção do Dumbledore, mas deixou seu braço cair ao lado do seu corpo enquanto continuava a encarar odiosamente seu filho.

Dumbledore gesticulou para que um dos Aurores retirasse a varinha do Lucius.

Para o Harry, desse ponto em diante, tudo pareceu acontecer em câmera lenta. Assim que o Auror deu o primeiro passo à frente, Lucius puxou seu braço para trás, sua varinha diretamente apontada para o coração do Draco. Harry viu o queixo do Draco elevar-se, como se ele estivesse esperando isso e já tivesse aceitado, rendendo-se à essa inevitabilidade sem sequer tentar se defender.

Os olhos do Draco nunca se afastaram do Harry. Os olhos cinza estavam preenchidos com determinação e amor. . . e, enquanto a varinha do seu pai era levantada, um pedido profundo de perdão.

Repentinamente, Harry soube. Tudo fez sentido, todas as peças confusas rapidamente se uniram para criar um reconhecimento horrível e insano, e Harry gritou.

"Draco! NÃO!"

"Avada Kedavra!" Lucius exclamou.

"Estupefaça!" gritaram os Aurores de todos os lados.

Um raio de luz verde brilhante voou da varinha do Lucius um segundo antes de uma onda de luzes vermelhas dos feitiços dos Aurores o atingirem.

Uma luz verde brilhou violentamente do anel na mão do Harry e ele caiu de joelhos, apoiado apenas nas mãos do Dumbledore em seus ombros. Em seu ouvido, apenas escutava um barulho de estática. Seu coração e sua respiração lhe falharam. Então o mundo escureceu. . .

Houve um segundo, então, de silêncio profundo, apenas perturbado pelo som terrível de dois corpos caindo na neve.

Imerso em escuridão, em um momento em que o tempo parecia parar junto com seu coração, Harry sentiu as ligações que o conectavam ao Draco se partirem. Laços tão fortes e vitais apenas alguns segundos atrás agora cortados, e Harry sentiu uma parte delicada do seu ser, mas não exatamente o seu ser, desaparecer. Algo muito íntimo e precioso, tão precioso para si quanto sua própria vida, estava escorregando de seus dedos para sempre, como um respiro exalado, como um último suspiro desejoso, perdido para sempre.

"Não," Harry sussurrou, sua respiração rouca retornando, coração batendo violentamente. Não! Com todas suas forças, no tempo da pulsação da primeira batida do coração que agora revivia, ele puxou toda a magia de cura que conseguiu acumular das partes mais profundas do seu ser para segurar aquela última ligação entre eles, rapidamente se desfazendo.

Harry estava apenas vagamente consciente do caos que repentinamente o rodeou, enquanto os Aurores se apressavam para segurar o Lucius, que estava desmaiado no meio do círculo, de mãos tentando levantá-lo, de uma voz dizendo seu nome. Tropeçando para ficar de pé, ele se arrancou daquelas mãos que agora tentavam segurá-lo e correu, tropeçando em desespero, cruzando a clareira até o Draco.

Harry o encontrou deitado sozinho, bastante distante do tumulto dos Aurores circulando o Lucius, como se a força da Maldição da Morte o tivesse jogado para longe. Harry ficou ali por um momento, incrédulo, anestesiado com descrença, e encarou o corpo imóvel aos seus pés.

Draco estava de costas na neve, seu cabelo espalhado como raios pálidos de luz do luar em contraste ao branco gélido da neve, seu rosto em paz. Era quase como se tivesse adormecido com sua cabeça no seu travesseiro branco, a salvo na sua cama em Hogwarts. Um braço estava estendido, a mão sem vida aberta, vazia. A varinha do Harry estava caída há apenas alguns centímetros de distância.

Harry se engasgou no choro de sofrimento que subia em sua garganta. Ninguém tinha corrido para o lado do Draco, ninguém tinha ficado do lado dele para protegê-lo. Não estava certo. O Draco não deveria ter ficado sozinho. . .

Lágrimas preencheram seus olhos e caíram, correndo pela sua face, enquanto o Harry se ajoelhava e gentilmente, cuidadosamente, puxava a forma imóvel para os seus braços. As lágrimas fragmentavam sua visão, quebrando o mundo além da compreensão, em milhares de cacos afiados, cada um segurando uma imagem quebrada diferente de seus sonhos e esperanças – um futuro quebrado como vidro. Ele fechou os olhos e segurou o Draco em seu peito, escondendo o rosto naquele cabelo macio, tão macio, que agora estava frio e úmido da neve.

Escondendo-se dentro de si mesmo, Harry se concentrou, procurando refúgio no centro da sua própria magia, procurando, também, pela ligação fraca que havia sentido e havia tentado salvar tão desesperadamente naquele momento de escuridão. Teria ele deixado-a escorregar durante seu pânico, para perder-se para sempre? Desesperadamente ele a procurou. . . e finalmente, profundamente, no meio do silêncio entre as batidas do seu coração, ele encontrou-a. Frágil e fraca, não era nada mais do que uma suave presença, mas estava ali – a batida do coração que era tão próximo ao seu ao ponto de se tornar quase indistinguível, mas que não era o seu próprio.

Passos vagarosos, hesitantes e arrependidos, vieram parar ao seu lado. Alguém se agachou e apanhou a varinha do Harry da neve.

"Harry," Dumbledore disse quietamente, uma imensidão de tristeza em sua voz. Ele colocou sua mão levemente no ombro do Harry. "Harry, vamos. Não há nada que você possa fazer."

"Não," Harry sussurrou, falando com esforço, não querendo retirar nem um pouco da sua concentração daquela batida fraca. Ele puxou o Draco para mais perto como se estivesse com medo de prejudicar a conexão frágil que ainda existia entre eles. Ele olhou para o Dumbledore, seus olhos lacrimejados cheios de choque e angústia, mas também determinados. "Ele não está morto," ele sussurrou.

Fim do Capítulo 16.