Capitulo XIII – Desculpas

As pálpebras pestanejaram enquanto a luz forte insidia sobre elas. Naruto se mexeu inquieto virando se para outro lado cobrindo a cabeça com o travesseiro. Os pássaros cantavam alegres comemorando o calor dos raios do sol. Aos poucos a temperatura foi se elevando e aquela pequena cabana no meio do campo tornou-se insuportável de habitar. Ainda sonolento o Uzumaki levantou a cabeça para avaliar o ambiente, só depois de alguns minutos olhando os raios do sol que iluminava a pequena mesa da caba posta perto da janela, foi que se recordou do acontecido da noite anterior. Um sorriso bobo se formou nos lábios do loiro e um nome foi pronunciado sem som algum; Hinata. Seu anjo. Não esperava que um dia pudesse amar novamente, mas como não amar aquela mulher.

Quando se sentou na cama coçando os cabelos loiros bagunçados foi que percebeu que faltava algo, ou melhor, alguém. Hinata. Com a imagem da mulher amada em sua mente o loiro se levantou em um salto. Nu procurou a Hyuuga por toda a cabana, mas ela parecia não se encontrar lá como suas roupas também não se encontravam em canto algum.

— Para onde você foi Hinata? – murmurou o loiro se vestindo com presa sentindo uma onde de pânico – por favor, não faça nenhuma besteira.

Saiu da cabana como um relâmpago dourado. Suas preocupações não eram infundadas, Hinata lhe mostrara noite passada que não estava emocionalmente equilibrada, e temia depois de todas as aquelas revelações que pudesse fazer algo principalmente contra sua vida.

— Por Kami! - Exclamou Naruto apavorado, não podia perdê-la, não agora que havia encontrado.

Por que não havia lhe dito que a amava.

….

Era mais difícil do que imaginou, pensou Hinata quando se aproximava da grande mansão da família Hyuuga. Apertou as mãos com força lutando contra a imensa vontade de voltar para trás, para os braços de Naruto, ao lado dele tinha a sensação de segurança e proteção. Agora ali diante daquela casa com tantas lembranças sentia-se tão frágil e insignificante, tão fraca. Respirou fundo e fechou os olhos por um instante. " E não é. Ficando ai chorando pelos cantos. Ninguém me ama. Ninguém gosta de mim…. Cresça Hinata. A vida é assim, ela é dura. Há tanto sofrimento quanto felicidade por ai. Mas isso não é motivo para se entregar tão facilmente… sim, não passei, mas tive momentos tão ruins ou até mesmo piores que os seus e estou aqui vivo.", as palavras de Naruto a reconfortaram, podia ouvir sua voz grossa e firme até mesmo furiosa quando a respondeu na noite anterior. Ele tinha razão, até aquele momento sempre chorou pelos seus fracassos, sempre culpou seu pai por sua desilusão e naquele momento também a sua irmã. Não era culpa de ninguém se ela se desiludiu. Ela era a única culpada, apenas ela. Não iria mais chorar, não mais. Seria forte como Naruto a ensinara.

Quando atravessou a porta logo sentiu os olhares dos empregados sobre ela. Mordeu o lábio inferior se negando a aceitar os sentimentos de pena e inferioridade que começava a sentir. Seria forte.

— Hinata! Graças a Kami você voltou, estávamos tão preocupados – Tenten prendeu a Hyuuga em um abraço apertado – você desapareceu naquela tempestade então o Naruto-kun foi atrás de você. Você o encontrou? Neji também quis ir atrás de ti, mas Hiashi não permitiu. Estava tão preocupada. Você está bem né?

Olhou Hinata de cima em baixo procurando algum sinal de ferimento ou aparente dor. A Hyuuga limitou-se a sorrir, Tenten parecia uma velha matraca, ao mesmo tempo corou se recordando do que acontecera entre ela e Naruto.

— Papai não permitiu que fossem atrás de mim? Por quê? – indagou surpresa.

— Ele disse que Naruto cuidaria de você. Que a ele você ouviria já que era seu namorado. Neji ficou furioso, mas Hiashi-sama não deixou ninguém sair de casa. Hanabi chorou a noite inteira.

— Onde está minha irmã?

— Hinata… por favor, não faça nada precipitado.

— Ela está no seu quarto? – a Hyuuga não esporou que a morena respondesse e muito menos deixou esta lhe impedir a passagem. Quando Tenten segurou seu braço ela o puxou com força e subiu as escadas, decidida, deixando as palavras da amiga para trás.

O quarto da Hyuuga mais nova ficava no final do corredor, próximo ao quarto de Hiashi. Assim foi escolhido quando a mãe de Hinata morrera no parto da filha mais nova, a morena na época tinha apenas cinco anos de idade. Antes do nascimento de Hanabi aquele era seu quarto, mas como ela era um bebê e não tinha a mãe para cuidar dela acharam apropriado que ficasse lá. Hinata era apenas uma criança, mas nunca se esqueceria do velório de sua mãe, a partir daquele dia não era mais a filha única e também nunca mais veria a querida mãe. "pobre Hiashi, ficar sozinho com duas meninas, Hanabi é apenas um bebê.", "Será difícil criar essas crianças sozinho, pobre Hiashi perder a esposa desse jeito." Hinata ouvia os comentários dos parentes em silêncio encolhida atrás de um grande arranjo floral abraçando a pequena boneca de pano que sua mãe lhe fizera. Não entendia o que estava acontecendo. Porque a sua mãe estava deitada naquela caixa feia.

Quanto mais próximo ao quarto, mais vivas as lembranças ficavam. Quando fechou o caixão de sua mãe seus olhos se regalaram e Hinata saiu do esconderijo gritando para que não fechasse a caixa onde a mamãe dormia. "aonde tão levando a mamãe… deixa a mamãe aqui, é minha mãe" gritava com enormes olhos acinzentados marejados de lagrimas. Ela com as pequenas mãos agarraram a calça de um homem alto tentando pará-lo, mas este não se mexeu, ninguém se mexeu apenas olharam para ela com desdém. Implorava, pedia e chorava mais ninguém se importava com seu desespero até seu pai aparecer. "cale-se Hinata, não envergonhe mais a família", foram suas palavras e com medo engoliu suas lagrimas e deixou que levassem sua mãe. Só mais tarde foi entender que nunca mais veria ela e que agora tinha a responsabilidade de cuidar da irmã mais nova.

Mas as coisas sempre foram ao contrário, pois Hanabi era mais forte e mais determinada que ela, nunca precisara de sua ajuda.

Recolheu toda a sua coragem e bateu na porta e uma voz conhecida respondeu dizendo para que entrasse. Quando Hinata entrou encontrou a irmã de costas para ela ajeitando o vestido de noiva.

— Tenten, por favor, me ajuda aqui. Não consigo fechar esses grampos, acho que comi de mais nesse final de semana. – Hinata se aproximou em silêncio e começou a encaixar os pequenos feixes do vestido branco – você falou com a Hinata, eu vi ela entrando agora pouco. Ela está bem?

— Sim, está ótima. – respondeu Hinata fechando o ultimo feixe.

Hanabi virou-se imediatamente, o rosto pequeno, porém mais moreno da jovem expressava espanto, os olhos muito abertos e lábios entreabertos. Tentou dizer alguma coisa, no entanto, a voz simplesmente não saiu.

— Hanabi por que você fez aquilo?

A pergunta soou tão natural e fria que a própria Hinata se surpreendeu.

— Hinata-nee-chan, me desculpe, eu .. eu..

Começou Hanabi um tanto quanto desnorteada e pela primeira vez Hinata realmente viu sua irmã e por Kami ela não era aquilo que sempre idealizara. Hanabi era apenas uma garota, com tantos defeitos quanto qualidades. Sua irmã mais nova aos seus olhos sempre lhe pareceu mais forte, mais determinada e principalmente melhor que ela, sempre a vira como mais bonita e inteligente, com uma aura brilhante, no entanto, Hanabi era uma mulher comum, e naquele vestido branco encarando-a com a pele mais pálida do que o normal e uma expressão que denunciava sua fraqueza, notou que em toda sua vida sempre se enganara.

— Só me responda Hanabi – insistiu - eu juro que procurei uma explicação para o que você fez. Se foi algo que eu fiz que a magoasse, mas eu não consigo descobrir o motivo. O que eu fiz a você para que quisesse se vingar de mim? Você sempre foi melhor do que eu. Papai sempre preferiu você do que a mim. Ele confiava as atividades da família a você, sempre te elogiava, tinha orgulho da filha mais nova, o prodígio, agora eu…

— Ele te protegia. – interrompeu Hanabi em um misto de culpa e raiva.

Hinata a encarou surpresa. O rosto pequeno que antes aparentava confusão agora mostrava um misto de remorso, raiva e abandono que simplesmente desconsertou a Hyuuga mais velha.

— Como?

Hanabi suspirou pesarosa e sentou-se na beirada da cama de colcha branca. O quarto era grande onde reinava a cor branca e moveis requintados. A jovem apertou as mãos sobre o colo olhando-as enquanto o fazia. Um sorriso triste se formou nos lábios. Ficou ali em silêncio por uns instantes organizando seus tumultuados sentimentos e depois voltou a olhar a irmã mais velha ainda com o sorriso abatido nos lábios e um olhar amargurado.

— Papai sempre te protegeu. O que você diz não é verdade, eu nunca fui a preferida do papai, mas sim você. – confessou ressentida.

— Eu?

— É. Nee-chan, você era a irmã mais fraca, a que ficava doente com freqüência, a que tinha o rosto da mamãe. – mordicou o lábio inferior tentando conter as lagrimas que começavam a se formar – você lembra a mamãe. A filha doce, tímida e encantadora. Não chamava a atenção, mas papai sempre se preocupava. Você era a filha perfeita dele, agora eu não. eu…

— Hanabi. Papai apenas me recriminava. Expressava o quanto estava decepcionado comigo ao contrario de você que sempre fazia tudo certo.

E eu tinha outra escolha? – gritou em plenas lagrimas – eu era aquela que matou a mamãe.

Hinata entreabriu a boca para falar algo mais nada saiu de sua boca. Em momento algum havia se perguntado se Hanabi sofria pela perda da mãe. Sempre invejara o lado forte dela, o fato de nunca expressar a falta que sentia da mãe ao contrário dela que as vezes a noite sozinha em seu quarto chorava desejando que ela estive ao seu lado.

— O que mais eu poderia fazer para que papai não me odiasse, do que ser a filha que não lhe dava trabalho. – continuou Hanabi ressentida – eu fazia tudo o que ele pedia, me esforçava para ser sempre perfeita, só para ouvir ele dizer que sentia orgulho de mim para que ele me amasse e se preocupasse comigo como se preocupava com você. Ele te ama tanto.

— Mas ele a ama também. – sussurrou Hinata sentindo-se a pior mulher do mundo. Como não havia percebido a dor da irmã?

— Mas você é a filha que lembra a mamãe e eu a que a matou. Eu tinha muito medo de que nunca chegasse a gostar de mim, que me odiasse. Papai sempre se preocupava com você. Ele ficava louco de preocupação quando você ficava doente ou quando se machucava. Por que você acha que ele pagou a Hideki para fazer aquilo? Por que ele queria protegê-la, fazer você feliz. Quando foi embora daquele jeito ele mandou que a vigiasse. Ele sempre soube o que acontecia com você. Ele foi à sua formatura sem você saber.

Hinata passando as mãos nos cabelos negros sentou-se na cadeira próxima ao aparador atordoada com toda a confissão ressentida da irmã. Era difícil acreditar naquelas palavras, pois em suas memórias a imagem que evocava do seu pai era sempre autoritária e decepcionada. Hanabi só podia estar equivocada em seu julgamento, jamais seu pai a culparia pela morte de sua mãe, aquele havia sido uma fatalidade, a culpa não era dela e de ninguém. Hanabi era o orgulho da família e seu também. Ela sempre a admirou e a invejou. Papai nunca demonstrara estar preocupado, pelo contrário, sempre demonstrou sua clara decepção por não ser forte e determinada como Hanabi.

— Eu sempre tive inveja de você Hinata – confessou a moça em prantos tirando a irmã de seus pensamentos.

— Inveja de mim? Por quê? Você sempre foi melhor do que eu. Eu gostaria de ser a metade da mulher que você é.

A jovem começou a rir enquanto as lagrimas rolavam pela face pequena.

— Por que ser como eu? Eu não valho nada Hinata. Passei a minha vida tentando impressionar meu pai e você nunca fez isso, mesmo sendo na maioria das vezes covarde não escondia seus medos e quando tentava fazer algo dava o seu máximo. Mas não era para impressionar ninguém, mas sim a si mesma e depois de mais uma recriminação do papai você sorria para mim e diz que da próxima vez faria melhor. Não tinha ódio de papai, do Neji ou de mim. Nunca nos maltratou por papai brigar com você. Mas eu tinha raiva de você. Por isso eu fiz aquilo, mas… mas me arrependo tanto.

Mais lagrimas rolaram pelo roto da jovem, porém Hinata não a interrompeu queria ouvi-la, ouvir cada palavra de rancor, medo e sofrimento que a irmã havia escondido todos aqueles anos por de trás de uma fachada de força e indiferença.

— Naquela época papai havia outra vez dado aquele olhar dele de que tudo estava do jeito que ele previa e deu as costas. Eu era pequena e não entendia que esse era o jeito dele de demonstrar seu afeto. Estava com tanta raiva que não podia ficar em casa, queria fazer algo errado para que ele brigasse comigo como sempre fazia com você. Então sai de casa escondida durante a noite com uma colega. – ela deu um sorriso e limpou o rosto machado pela maquiagem – tinha apenas onze anos naquela época e minha colega me levou a casa de um amigo do Hideki ali havia um festa..

— Hana-chan, você não fez nada de errado? – assustou-se Hinata.

— Oh, não o que você está pensando, mas fiz algo terrível naquela noite. No meio da festa uns garotos começaram a me incomoda querendo fazer certas coisas. Queria ser rebelde, mas nem tanto. Foi quando Hideki apareceu e me salvou dos garotos que me molestavam. Desde então nos tornamos amigos.

— Ele que sugeriu aquele plano? – indagou Hinata sentindo a garganta seca e um terrível calafrio percorrer seu corpo.

— Não. Fui eu – confessou a Hyuuga mais nova encarando os olhos perolados da irmã. – sabia que gostava dele e ele precisava de dinheiro então contei tudo sobre você, na verdade, exagerei um pouco. Entenda eu estava com muita raiva de papai queria me vingar de algum jeito e de certa forma de você também, então disse para ele coisas terríveis, que era uma garota estranha sem personalidade e fácil de manipular entre outras coisas que não me lembro e que seria uma boa oportunidade de ganhar dinheiro se ele se aproximasse de você.

"então contei ao papai que você estava apaixonada e fiz com que a idéia parecesse perfeita sem que ele percebesse a minha intenção. E tudo fluiu naturalmente, mas eu não esperava que você iria ficar tão feliz e cada dia que passava eu me sentia mal pelo que havia feito. Eu estava lhe enganando e usando-a para me vingar. Quando concebi aquela idéia não pensei que você pode sair magoada no final, quando comecei me dar conta já era tarde. E ultimo golpe foi quando você me visitou nesse quarto aquele dia… – mordeu os lábios com a voz embargada enquanto Hinata mirava a janela, tensa - .. me confidenciando que sempre sentira inveja de mim por que eu sempre fui mais forte do que você e assim me abraçou pedindo desculpas dizendo que me amava muito e que apesar disso sempre fui um orgulho e exemplo para você. Meu mundo desmoronou. Eu era um monstro, brincando com minha própria irmã. Minha irmã que me amava.

Ela fez uma pausa esperando que Hinata se manifestasse, gritasse, batesse nela, mas nada. A Hyuuga apenas continuou a olhar a janela sem demonstrar nenhum sinal, nem de raiva ou de perdão.

— Eu fui atrás do Hideki e pedi para que ele se afastasse de você, mas ele se recusou. Gostou da idéia de ficar rico e ter uma mulher fácil de manipular. Insisti varias vezes, mas ele estava determinado. Então você descobriu tudo. Hinata eu quis tanto lhe dizer que a culpa era minha, que eu tinha planejado tudo aquilo, mas fiquei com tanto medo que você me odiasse, que não me perdoasse. Que todos me odiassem no final das contas. Eu me arrependo tanto. Tanto.

Hanabi se levantou e foi em direção a irmã que permanecia imóvel na cadeira, como uma bela estátua grega. O silêncio de Hinata a desesperava.

— Hinata! Hinata!

Um sonoro tapa pôde ser ouvido no quarto e Hanabi pôs as mãos do lado da face onde Hinata a esbofeteara. Hinata a encarava com os olhos marejados de lagrimas os lábios tremiam em um misto de raiva e decepção. Nunca Hanabi havia visto sua irmã tão furiosa.

Hinata pensou enquanto ouvia a confissão da irmã que nunca a perdoaria pelo que fizera a ela. Aquilo era mais que uma traição. Hanabi a enganara, a iludira, por quê? Por vingança, raiva, inveja! O pior de tudo foi à desilusão que provocara a ela, pois já havia se conformado em ficar de lado, mas Hideki a encheu de falsas esperanças e sonhos deixando-a criar ilusões para depois destruí-las como um castelo de cartas. Naquele momento sentiu-se a mais miserável das mulheres e também tão envergonhada, agira como uma completa idiota. Mas quando apertou a maçaneta da porta na intenção de fugir mais uma vez uma voz lhe sussurrou "vai fugir? Sabe que não vai resolver nada" – Naruto, pensou Hinata atordoada "vai fugir?" a voz repetiu e então Hinata deixou a mão cair. Não havia o motivo para fugir e muito menos de se envergonhar. E assim começou a refletir sobre tudo o que ocorrera em sua vida, o que significava todas aquelas coisas para ela, seus sentimentos.

E por incrível que parecesse chegou a conclusão de que toda aquela situação desagradável fora algo bom no final das contas. A dor e a desilusão tinham ajudado-a a crescer, naquela época achara que não conseguir sobreviver devido à dor que sentia, mas não era verdade ela não estava ali, não fizera tantas coisas. Se formara na universidade, tinha um emprego, uma casa, aprendera a resolver seus problemas e até mesmo havia se apaixonado novamente. Não fora o fim para ela no final das contas. E por que agora depois de tanto tempo deviria acabar com um laço de família só por causa de erros do passado, também cometera muitos erros. Afinal eram seres humanos.

— Só gostaria de saber mais uma coisa. Por que não me disse que estava grávida? – indagou voltando-se para a irmã.

Hanabi franziu as sobrancelhas surpresa. Quando a irmã se levantou esperava que partisse pela porta e nunca mais Hinata voltasse a falar com ela, mas Hinata a encarava de forma tão tranqüila e gentil.

— Eu.. eu achei que você ficaria triste. Sei o quanto gostaria de ser mãe. – respondeu meio sem jeito.

— Então significa que nem iria me convidar para ser madrinha do meu sobrinho ou sobrinha? Imouto eu estava preste a te perdoar, mas acho que não vou mais. É imperdoável esconder da irmã que vai ser tia. – reclamou em um falso tom de raiva.

Hanabi entreabriu a boca surpresa, sentindo as lagrimas se formarem novamente nas orbes acinzentadas.

— Hina-Hinata, você não me odeia? – indagou receosa olhando a irmã que lhe retribuía com um olhar gentil.

— Não Hanabi, eu não te odeio e nunca poderia te odiar. Senti raiva, mas só foi naquele momento. Eu seria egoísta demais se saísse por essa porta sem te perdoar. O que você fez foi realmente horrível e me fez sofrer muito e não apenas a mim, mas toda a nossa família. – Hinata respirou fundo sentindo-se mais leve e por que não livre – mas quando penso sobre isso chego a conclusão que nós buscamos esse caminho. Sim Hanabi, nosso orgulho buscou o caminho da dor. O que custava dizer o que sentimos um para o outro, confessar nossos medos, alegrias e dores. Não custava nada. O silêncio de nossa vaidade é o culpado. Mas realmente agradeço por não ter me confessado sua culpa naquela época.

Também tinha que agradecer a Naruto que a ensinara ser mais sincera com ela mesma e mais forte. Devia muito a ele.

— Por quê? Não entendo Hinata. Eu fui um monstro com você. - as lagrimas rolaram pela face novamente.

— Por que, Hanabi, a dor nos faz crescer. Os erros muitas vezes nos ensinam o caminho correto. Eu precisava disso, é claro que não queria, nunca queremos sofrer, mas precisava aprender certas coisas se não com os erros dos outros então com os meus próprios. Naquele momento eu não entenderia isso, ai sim te odiaria, mas agora para mim não importa mais. As feridas já se cicatrizaram e vejo que você, papai e todos sofreram tanto quanto eu. Não quero ser mais egoísta e olhar apenas para o meu sofrimento. Até me pergunto se a dor que senti foi da desilusão do meu amor ou de meu orgulho ferido? – contraiu os lábios, pensativa – mas o que importa agora é que sei que se arrependeu. Eu vim só com a intenção de saber o motivo Hanabi e peço desculpas por tê-la feito interpretar algo de forma equivocada que a fez sentir-se feriada ou magoada comigo. Não quero mais sustentar esses mal entendidos e brigas insignificantes entre nós, afinal você é minha família e não vale apena perdê-los novamente por alguém insignificante. Não suportaria mais vivem longe de todos. Eu me senti tão solitária sem vocês. – confessou em um sussurro tentando conter as lagrimas.

A Hyuuga mais nova abraçou com força a irmã não contendo o pranto. Permaneceram por muito tempo abraçadas. Aquele simples gesto dizia mais do que mil palavras o que as duas Hyuugas sentiam naquele momento. Era um abraço que ansiavam por muito tempo, um que expressasse todo o amor e medo, tristeza e desejo de apoio que as duas sentiram falta durante todos aqueles anos.

— Também sentimos muito a sua falta – confessou a Hanabi entre os soluços limpando com as costas da mão o rosto borrado. – eu senti muito sua falta. Me desculpe. Eu realmente sinto muito.

— Tudo bem – respondeu a outra Hyuuga também em prantos – agora está tudo bem, só não perdoou o fato de não ter me dito que eu seria tia.

O bico amuado de Hinata arrancou uma deliciosa risada da jovem Hanabi.

— O que eu faço pra você me perdoar, então?

Hinata fez um bico e começou a coçar o queixo, pensativa e depois disse:

— Só se você me convidar para ser madrinha do meu sobrinho e deixar que ele passe as férias de verão comigo para eu encher ele de doces e mimá-lo muito, ou seja, estragá-lo e mandar de volta pra você. Ele ou ela. Então te perdoou. – sorriu.

— Sim, mas só com outra condição.

Hinata arqueou a sobrancelha

— Que condição?

— Quando o MEU sobrinho nascer eu também seja a madrinha dele e possa estragá-lo nas ferias escolares dele. – enfatizou o "meu" e sorriu malignamente para a irmã.

Hinata corou intensamente ao comentário da irmã. Ela ter um filho? Era muito improvável. Apesar de que…

— De onde você tirou isso. – comentou constrangida – eu ter um filho?

— Ah, nee-chan, não duvido que logo você também seja mãe. – sorriu com mais malícia. – não precisa ficar constrangida, logo faremos seu casamento. Está na cara que está apaixonada. Fico tão feliz por ti. E também papai nunca aceitaria que você tivesse um filho sem casar, olha o meu caso.

— Eu.. eu apaixonada? – repetiu mais envergonhada. Por Kami! Era tão transparente assim? Pensou Hinata, constrangida. – não, eu não..

— Nee-chan. Não precisa ter vergonha, vocês dois formam um casal tão lindo, e da para perceber que Naruto-kun te ama.

— Ele não me ama. – sussurrou ressentida, Naruto era apenas um bom ator que às vezes até lhe enganava, nunca um homem como aquele poderia amá-la, não quando já havia encontrado sua alma gêmea – você se enganou.

— Não tenho duvidas. Ele saiu desesperado atrás de você, mas antes deu uma surra em Hideki.

— Ele bateu no Hideki? – indagou Hinata surpresa.

— Sim, disse a Hideki que se ele tivesse feito algo a você o mataria. Ele estava realmente furioso. Achei tão romântico.

Hinata levou a mão contra o peito como se isso fosse capaz de parar as batidas descontroladas de seu coração. Uma felicidade sem tamanho começou a invadir seu corpo e principalmente seu coração. Naruto a defendera contra Hideki, batera nele e até o ameaçara por ela e depois enfrentou uma tempestade para encontrá-la. Não tinha nenhuma cláusula no contrato que determinasse que Naruto devesse defendê-la de ex-namorados, maridos ou amigos que ameaçassem ou deixassem a vida Hyuuga em perigo. O Uzumaki não tinha obrigação alguma de se interar dos problemas pessoais dela, no entanto, ele a protegera por vontade própria. E só a idéia de que o real motivo para sua atitude fosse por que nutria algo em especial por ela, já a fazia perder o ar.

Mordeu o lábio inferior, negando-se a deixar que aquele fio de esperança crescesse, já havia sofrido muito e aprendera a lição. Não adiantava alimentar falsas ilusões, ao final só ela sairia machucada. Naruto não era obrigado a amá-la ou sentir qualquer sentimento por ela.

— Hanabi, eu acho que seus hormônios deixaram-na muito romântica. Naruto só é um cavalheiro e também muito gentil. Não espero nada mais que isso. E papai não aprovaria um casamento com ele. Sei que ele não vai com a cara do Naruto-kun.

— Aff! Hinata – Hanabi revirou os olhos – vejo que só você não vê que aquele homem é louco por você. Até papai percebeu, ele nem se opôs a vocês dois. E sabe que passar na aprovação dele significa que ele sabe de tudo. Ele fez isso com Konohamaru. Pobrezinho dele quase teve um enfarte quando pediu minha mão ao papai.

Uma gargalhada escapou da garganta de Hanabi, no entanto, a irmã não riu, muito pelo contrário uma sombra negra surgiu na face pálida da morena.

— O que você quer dizer com "o papai sabe de tudo"? – indagou Hinata com a sensação de que um abismo de medo surgia em seu estômago.

— Oras. Você acha que ele deixaria o Naruto-kun entrar em nossa casa sem saber tudo sobre ele, principalmente depois do que aconteceu com Hideki. Tenten me disse que viu o dossiê que ele pediu a um investigador sobre a vida do Naruto na mesa de seu escritório, mas..

O resto do discurso de Hanabi foi interrompido pela entrada de Neji e Tenten, no entanto, Hinata não prestava atenção em mais nada. Não ouviu as suplicas de Tenten e muito menos as perguntas do primo que preocupado interrompera a conversa na intenção de parar a briga e amenizá-la, mas não havia nada para apartar, tudo estava bem. Hanabi sorriu para os amigos e explicou que ela e Hinata haviam feito as pazes.

— Neji você é pior que a mulheres, não precisava fazer de tanto escândalo. Quase arrombou a porta do meu quarto – resmungou Hanabi com as mãos na cintura.

— Eu disse para ele. – resmungou Tenten

O moreno passou as mãos nos cabelos, envergonhado, e voltou sua atenção para a Hinata.

— Hinata há algo de errado?

Hinata sorriu a menção de seu nome, porém a mente encontrava-se em outro lugar muito distante dali. O seu pai sabia de tudo desde o principio. Ele sabia que Naruto não era seu namorado, pior ainda que ela havia contratado os seus serviços para ser um acompanhante de luxo e principalmente que havia mentido para toda a sua família. Seu rosto tomou uma coloração avermelhada e sentiu fortes náuseas. Estava tão envergonhada.

— Hinata, você está bem? – indagou Neji que falava com ela, no entanto, a morena não prestava atenção em palavra alguma que este havia dito – Hinata?

— Sim, eu estou bem. – mentiu a Hyuuga escondendo o rosto corado. – só estou um pouco cansada.

— Tem certeza disso Hina-chan?

— Claro – sorriu para a irmã – acho que um pouco de descanso para nos duas depois dessa conversa irá cair bem. E você tá horrorosa com esse rosto borrado. Te vejo no casamento.

Não esperou o comentário de Neji e de ninguém. Sentia-se miserável, humilhada e envergonhada. Por Kami! Seu pai sabia de tudo enquanto ela se exibia como uma vagabunda com Naruto na frente dele. Mordeu o lábio inferior tentando conter as lagrimas. O que seu pai pensava dela agora? Será que ele havia dito isso para alguém? Definitivamente ele havia se decepcionado mais uma vez com ela. Com as penas tremulas foi direto para seu quarto, fechou a porta e encaminhou-se até a janela do outro lado do recinto, a cortina lilás dançava ao ritmo da brisa fresca da amanha. Queria enterrar-se a sete palmos da terra tamanha era sua vergonha. Olhou por um bom tempo a grama notando com falsa concentração aos vários tons de verde que os raios de sol produziam. Alguns empregados caminhavam, de um lado para o outro, atarefados com os preparativos do casamento. Não podia mais ficar ali.

Iria ir embora, decidiu. Havia mudado, mas não tinha coragem de enfrentar seu pai depois da verdade, não agora. Virou para pegar a mala.

— HINATA! – gritou Naruto entrando como um furacão no quarto da Hyuuga.

Seus olhos azuis encontram os da morena e estes refletiam uma sincera preocupação. Em dois passos ele atravessou o quarto e apertou a morena em um forte abraço. Não raciocinava direito seguiu a apenas seus instintos e eles lhe diziam para segurar aquela mulher e nunca mais soltá-la. Naruto precisava dela, protegê-la. E seu coração estava tão aliviado por ela estar bem. Hinata mal tivera tempo para reagir em questão de segundos apos ver os rosto do amado se viu envolvida por seus fortes braços e depois sentiu os lábios dele contra os seus. Piscou os olhos algumas vezes assustada antes de se entregar de vez à aquele beijo quente e reconfortante.

O que começou em um leve toque de lábios se tornou um beijo intenso num dançar de línguas em ritmo rápido. Naruto explorava a boca de Hinata ávido, urgente e esta o correspondia como se aquele fosse o ultimo beijo. Naruto era a tabua de salvação de Hinata, ao seu lado esquecia-se de tudo e uma paz a invadia elevando seu espírito, acalmando seu coração, seu amor. Hinata era tudo o que Naruto procurava em toda sua vida, sentia por ela o que seu pai dizia que sentia por sua mãe, ela era mulher certa. Era quem só tinha olhos, a quem se sentia realizado quando a via feliz, a que mexia com todos os seus sentidos e que desejava ao porte de doer. Amava Hinata, mais do que um dia chegou imaginar amar alguém.

— Você está bem? – sussurrou com a voz rouca e de olhos fechados encostando a teta na da Hyuuga.

Hinata produziu um gruído incapaz de falar e balançou a cabeça afirmativa. Os olhos também estavam fechados, ainda sentindo as ondas de desejo percorrer o pequeno corpo.

— Que bom, eu fiquei preocupado com você, achei que tivesse feito alguma loucura.

— Por quê? – indagou Hyuuga abrindo os olhos. Seu rosto estava a centímetros do de Naruto, tão perto que podia se ver refletida nas suas íris azuis.

Naruto entreabriu a boca, mas não conseguiu falar nada. Pela primeira vez na vida não sabia o que dizer. Pela primeira vez não tinha coragem de dizer o que estava escondido nas profundezas do seu coração, dizer por que ficou tão desesperado quando pensou que havia perdido-a, por que perdeu a cabeça e esmurrou Hideki quando descobriu que ele a fez sofrer, por que seu corpo tremia por causa de um beijo e sentia-o doer quando se recordava de cada momento junto ao lado dela. Por que a amava. Amava tanto. E olhando aquelas lindas luas o encarar com inocência ficou com medo. E se ela o rejeitasse? E se ainda amasse Hideki? Não era um homem inseguro, mas naquele momento estava com medo.

Hinata esperou que ele respondesse desejando que o motivo fosse por que a amava, esperou, mas a resposta não veio. Abaixou a cabeça escondendo sua decepção, não o culparia por não retribuir seus sentimentos.

— Muito obrigado Naruto. Muito obrigado por tudo. Não sei o que aconteceria se você não estivesse aqui. Fez mais do que o combinado – agradeceu se afastando dos braços do homem que amava.

Naruto observou desesperado ela se afastar dele. Ela estava escapando dele.

— Não há do que agradecer. Eu…

— Eu sei que você só fez o seu trabalho – interrompeu a Hyuuga sepultando as palavras que o Uzumaki iria dizer - mas não precisamos mais continuar.

A mulher sorriu gentilmente para Naruto e este percebeu que Hinata se tornara muito forte naqueles dias e não precisava mais dele. Ela poderia se defender muito bem dos lobos da vida, já não precisava de um príncipe para salva-la, muito menos um namorado de mentira. E um vazio formou-se em seu coração. Não havia mais um papel para ele em sua vida.

— Entendo. – respondeu calmo coçando os cabelos loiros. – hoje é o casamento não é. Ai o contrato acaba.

Hinata entreabriu a boca na intenção de dizer que a farsa já havia acabado por que seu pai descobrira tudo por isso não havia motivo para continuarem, mas som algum saiu dos seus lábios. A figura masculina parada próxima a janela, apoiando a mão sobre o batente da janela com as faces ocultas pela fina cortina de tom lilás que dançava ao vento, lhe provocou um profundo vazio. O coração contraiu-se no peito, aquela era a ultima vez que o veria. Não iria contar nada, decidiu. Mesmo que se seu pai desaprovasse aquela atitude continuaria o contrato. Queria passar as ultimas horas que restava do dia com Naruto. Quando ligou para o numero do anuncio e falou com a voz desconhecida não imaginou que estivesse ligando para o homem da sua vida, estivesse falando com aquele por quem se apaixonaria. Só por àquelas horas faria aquilo. Por ela, apenas por ela. Depois morreria na dor.

— Vai me acompanhar no casamento? – sorriu

— Mas é claro. – respondeu Naruto ocultando toda a dor que sentia, logo deveria se separar dela. Hinata não precisava mais dele.

…...

Olá meus queridos leitores ^^

Depois de praticamente mais de um ano em Hiatus eis eu aqui de volta do mundo das sombras XDDD. Eu sei que mereço muitos palavrões e reclamações e podem fazer isso. Sei muito bem que não mereço o carinho de vocês, o que fiz é imperdoável, mas eu tenho os meus motivos que todos sabem né XD

Deixando isso de lado, não pretendo abandonar minhas fic's, mas vou demorar mesmo, tenho muita coisa pra fazer e toma mesmo o meu tempo. Esse era para ser o ultimo capitulo, mas eu estava na 15º pagina e não tinha terminado de escrever tudo o que queria. Então decidi dividir o capitulo em dois. Eu estou quase terminando ultimo capitulo (aeeeeeeee) sem contar que teremos um epilogo \o\ ai a fic acaba TT-TT, eu sei que é muito triste

PS: desculpas pelos erros de português, o capitulo não ficou muito bem escrito, ando muito preguiçosa TT-TT gomen ! ( fazer o que não tenho muito talento) espero sinceramente que tenham gostado do capitulo.

Hinata finalmente irá enfrentar seu inimigo ? Hinata ficará com Naruto?

Só saberemos nos próximo capitulo ( são tantas emoções XD)

Agradeço de coração todos os comentários e a todos os leitores que ainda esperam pela fic