Capitulo XIV – I Love You

Encostou a cabeça na parede e fechou os olhos. Estava envergonhado de si mesmo. Nunca foi um covarde, sempre enfrentava as dificuldades da vida com determinação, mas por que com ela não conseguia? Estava desesperado por que iria perde-la, no entanto, não conseguia confessar o que seu coração gritava. Queria vê-la feliz e isso talvez não significasse que fosse com ele, também não tinha provas de que Hinata sentisse o mesmo por ele. Ela havia se entregado a ele, mas foi embora na manha seguinte e não comentara nada sobre o ocorrido. Agira assim por achar que ele fosse um…Sorriu amargurado. Não havia chance de ela amá-lo.

Quando abriu seus olhos viu a coisa mais linda do mundo. Hinata estava parada ao pé da escada, a mão direita segurava o corrimão enquanto que a esquerda a barra do vestido azul marinho de corte moderno, a frente tinha um discreto decote que insinuava os redondos e fatos seios da morena, o comprimento ia até os joelhos deixando amostra as penas bem feitas e os pequenos pés em uma sandália de salto alto azul. Os cabelos negros ficaram presos em um coque ornado com pequenas flores brancas. Naruto ficou sem ar.

— Você está linda – sorriu se afastando da parede e se aproximando da Hyuuga

— Imagina – comentou a Hyuuga envergonhada desviando o olhar do rosto maravilhado de Naruto.

— Verdade. Minto.

A Hyuuga levantou o olhar para ele, confusa. Naruto sorriu.

— Você está deslumbrante. Temo senhorita Hyuuga que você seja a mulher mais bonita da igreja. Ainda bem que é irmã da noiva se não teríamos uma boa confusão. – comentou com um tom risonho na voz.

— Naruto! – Hinata bateu no ombro do homem, envergonhada, porém muito feliz. Tomando o mesmo tom de brincadeira disse – o senhor Uzumaki também está muito elegante. Provavelmente mais bonito que o noivo.

Naruto vestia um elegante terno negro que caia muito bem no corpo malhado, deixando-o mais elegante, mas os cabelos revoltados continuavam do mesmo jeito lhe atribuindo ao mesmo tempo o inconfundível ar jovial e despojado.

— Muito obrigado senhorita Hyuuga. Agora me daria à honra de me acompanhar? – fez uma mesura exagerada e lhe ofereceu o braço a moça. A Hyuuga riu e aceitou o convite – caso achem que nós sejamos o casal mais bonito que os noivos, poderíamos nos casar no lugar deles. – sugeriu Naruto num tom de brincadeira que escondia a proposta séria daquelas palavras.

Hinata limitou-se a sorrir, contendo o frio em seu estomago. Como desejou que aquele fosse um real pedido de casamento.

O casamento religioso seria realizado em uma pequena capela no mesmo bairro londrino onde se localizava a casa da família Hyuuga. Quando Hinata chegou com Naruto o local já se encontrava cheio de pessoas, parentes, amigos e conhecidos em elegantes trajes. Cumprimentou um e outro conhecido e os amigos e se dirigiu com Naruto até os fundos da capela. A construção era bem pequena e quente, no entanto muito bonita e os arranjos florais e as fitas azuis e rosas o havia deixado mais romântico. Hinata sorriu para as amigas e se colocou no seu lugar no altar como madrinha da noiva junto com Naruto que acabou sendo convidado por Hanabi.

O tempo que esperou a cerimônia começar Hinata pode perceber que se sentia livre, não estava com inveja ou ciúmes de Hanabi pelo contrário estava ansiosa e ao mesmo tempo feliz por ela. Tudo estava indo muito bem aquele dia, Konohamaru parecia que ia ter um enfarte de tão nervoso só se acalmou quando viu sua noiva entra na igreja com o sogro. Os amigos estavam todos reunidos, Sakura, Sasuke, Neji, Tenten e Ino e Sai estavam no altar como padrinhos como ela e Naruto, seu pai também parecia nervoso e Hanabi estava linda em seu vestido de noiva. A cerimônia seguiu tranqüila e emocionante. Ino e Karin se desmancharam em lagrimas e seu pai parecia emocionado. A única coisa que lhe incomodou foi o fato de metade a igreja dedicar algum tempo a olhar ela e Naruto. O Uzumaki sussurrou em seu ouvido dizendo que não se enganara quando previra que ela estaria mais linda que a noiva e os olhares curiosos dos presentes confirmavam isso. Hinata corou e no fundo sabia que não estavam olhando para ela, mas sim para ele.

— Preparada para festa? – sussurrou Naruto na orelha de Hinata estremecendo-a.

— Hai. – respondeu ainda constrangida.

Para seu alivio durante toda a cerimônia não tinha visto Hideki em parte alguma. Será que ele havia desistido e partido se perguntou quando subia as escadas da mansão.

— Festa! – gritou Kiba quando entrou no salão indo em direção a mesa das bebidas.

Não demorou muito para o ambiente ficar abarrotado de gente e quando os noivos chegaram a musica começou a tocar. Primeiro foi a valsa dos noivos e depois Hanabi dançou com seu pai e o sogro. O ambiente estava todo decorado com flores e fitas, as mesas dispostas no canto do salão deixando uma pista de dança ao meio, a música era ao vivo tocado pela banda da paquera de Karin, Zetsu e seus colegas. Apesar de que esta protestasse dizendo que não tinha nenhuma relação com aquele "cara esquisito" como o chamava, porém ninguém acreditava. E a um canto um delicioso e grande buffet estava disposto aos convidados, e em uma mesa de destaque o recém casados se encontravam.

— Vamos dançar. – convidou o loiro fazendo uma mesura exagerada para Hinata, esta sorriu divertida e aceitou o convite

— Aceito, mas devo-lhe advertir que não sei dançar.

— Oh, mas isso não é problema Senhorita Hyuuga. – presenteou a mulher com um sorriso sedutor – eu sou um pé de valsa e eu já mostrei a senhorita que sou um excelente professor, afinal quem ensinou a senhorita a jogar baseball?

Hinata arqueou uma sobrancelha indignada.

— Que eu me lembre senhor Uzumaki eu não fui um sucesso nessa empreitada – corrigiu a Hyuuga acompanhado o homem até a pista de dança. – sinto que há muitas qualidades no senhor, começo a me perguntar se é um humano ou uma maquina? – perguntou com um brilho brincalhão nos olhos acinzentados.

Naruto jogou a cabeça para trás e soltou uma gargalhada, depois votou-se para a sua companheira de dança com um ar inocente.

— As vezes também me pergunto. – arqueou as sobrancelhas exageradamente dando ênfase em seu falso espanto – como pode eu ser tão perfeito assim?

Agora foi a vez de Hinata cair na gargalhada. Estava mais solta e leve do que nunca, como também bonita. Naquele dia em especial ela brilhava e não era por causa da luz que Naruto irradiava naturalmente, mas sim, pela sua própria. Estava linda, pensou o homem.

— Sim – concordou se recuperando do riso – além de ser um homem perfeito é também um homem extremamente convencido. – gritou enquanto balançava os cabelos.

Naruto sorriu puxando a morena para mais perto. Quando a música agitada acabou e em seguida começou uma mais lenta. Envolveu sua cintura aproximando-a mais de seu corpo, a Hyuuga não ofereceu resistência enlaçou o pescoço do loiro afundando os dedos finos nos cabelos revoltados. Naruto inclinou-se um pouquinho encostando o rosto nos cabelos negros preso em um coque.

Então tudo desapareceu, na verdade, já havia desaparecido. Quando estava ao lado daquele homem Hinata não prestava atenção em mais nada. Só conseguia sentir o ritmo da musica e as batidas de seu coração, a respiração de Naruto contra sua pele, as mãos grandes em sua cintura em uma lenta sedução. Mandou para o inferno todos os outros e o fato de seu pai saber, só queria aproveitar os últimos minutos que lhe restavam com ele, Naruto a quem roubara sem querer seu coração. Enquanto pensava assim não imaginava que seu companheiro de dança tivesse os mesmos pensamentos e que também sem intenção arrebatara o coração dele para sempre.

A música parou, contrariando Hinata que teve de despertar daquele belo momento, e a noiva subiu no palco com um exultante sorriso nos lábios e um lindo boque de rosas vermelhas nas mãos.

— Solteiras, encalhadas e enroladas, por favor, se aproximem. Pois vou jogar o buque.

— Que isso de encalhada? – gritou Karin um pouco alterada.

— Se a carapuça serviu ruivinha a culpa não é de ninguém. – comentou Ino indo em direção ao palco.

— Pelo menos não tenho um noivo que me enrole e nem preciso fazer macumba e feitiços para amarrar ele. – retrucou Karin mostrando a língua ao final.

A loira em um vestido dourado corou de raiva e quando fez menção em avançar na ruiva foi segurada por Matsuri.

— Sua vaca encalhada.

— Loira oxigenada e enrolada.

— Parem vocês duas, não quero barraco na minha festa de casamento.

As jovem se calaram, no entanto continuaram a trocarem olhares mortais enquanto toda a festa ria e Sai balançava a cabeça inconformado.

— Todas estão aqui? – perguntou Hanabi perscrutando o aglomerado de mulheres jovem e algumas velhas em vestido de festas elegantes – cadê a Hina-nee-chan? Nee-chan vem cá?

Todos os olhares voltaram-se para a discreta Hyuuga mais velha. Hinata sentiu as bochechas arderam e certamente estava ficando vermelha. Balançou, discretamente, a cabeça desesperada para a irmã negando-se a participar, mas esta não lhe deu ouvidos.

— Vamos nee-chan.

— Vai Hinata.

— Não Naruto-kun – respondeu com um sorriso nervoso nos lábios – eu não vou me casar e não gosto dessas coisas.

— O que custa fazer sua irmã feliz? – indagou o loiro em seu ouvido ignorando a pontada no coração, adoraria casa-se com ela.

Hinata contrariada seguiu em direção ao palco ficando discretamente atrás das alvoroçadas mulheres cobiçosas pelo premio: o buque. Constrangida abaixou a cabeça ignorando o empurra, empurra das mulheres. Hanabi se virou de costas e contou até três. A expectativa era grande nos olhos das solteiras menos no de Hinata, o que adiantaria pegar o buque? Se pegasse iria acreditar que logo Naruto a pediria em casamento. Como desejava que isso pudesse acontecer, se fosse verdade ela aceitaria emocionada um pedido dele. Descobriu-se que seu maior desejo era passar o resto da vida com o loiro encantador, ser a senhora Uzumaki, no entanto, nem sabia se aquele era seu sobrenome, provavelmente não, ele era um…

— Já!

Hinata olhou as belas rosas vermelhas dispostas em um delicado arranjo, perplexa. Por puro reflexo estendeu um pouco as mãos em sua frente quando Hanabi gritou "já" e como se fosse destino o arranjo caiu em seus braços sem o esforço da jovem em pega-lo. As outras mulheres a olharam decepcionadas. Hinata olhou a sua volta e seus olhos perolas pousaram nos azuis vivos de Naruto e este sorriu para ela.

As maças do rosto coraram.

— A próxima a casar será a Hina-chan – comentou uma mulher loira de seios fartos, passou o braço pelos pequenos ombros da morena e olhou na direção onde a Hyuuga olhava – eu sempre disse que iria casar logo e pelo que vejo vai ser com aquele bonitão ali.

Hinata corou ainda mais e sentiu involuntariamente que as lagrimas começavam a se formar em seus olhos nublando-os. Não iria se casa, tudo aquilo acabaria. Desesperada tentando conter as lagrimas foi abrindo caminho entre as pessoas indo em direção a uma porta lateral que dava para o jardim. Mais a frente tinha um rincão criado a pedido de sua mãe lá era um lugar mais tranqüilo e discreto onde poderia descarregar toda dor e sofrimento que sentia. Mesmo tendo consciência desde o inicio que aquela relação era uma farsa não pode preparar o coração para tudo o que havia vivenciado aqueles últimos dias ao lado do Uzumaki. Amizade, companheirismo, gentileza, paixão e amor. Vivera tudo e tão intensamente. Naruto lhe abrira o mundo lhe dando mais cor e em troca ela havia lhe dado seu coração, mas tudo estava preste a acabar. Quando desceu o ultimo degrau se permitindo liberar as lagrimas se deteve.

— Você?

O dia havia sido muito aborrecido para ele, sem contar o tremendo hematoma que ganhara de presente do bruto do Uzumaki, por isso preferiu ficar nos fundos da igreja. As pessoas olhavam para ele e cochichavam apontando para o machucado de seu rosto. Tinha que admitir que não era muito agradável estava roxo meio preto com marcas vermelhas ao redor. Ainda lhe doía muito. E por causa daquele maldito homem passara por muita vergonha. Não conseguia agüentar ver ele sorrindo como um idiota para todos os lados se agarrando a Hinata como se ela fosse sua posse. Odiava aquele homem. Não suportava vê-lo perto da Hyuuga, se surpreendeu sentindo ciúmes, admitia que Hinata estava muito bonita e desejável e arrependera-se, e como se arrependia por não tê-la mantido por perto. Mas ainda havia alguma chance e no fundo precisava da fortuna dela e com urgência.

— Devo dizer que você está linda hoje. – sorriu sedutoramente.

Hinata franziu o cenho, surpresa, entreabrindo a boca. Hideki estava parado bem diante dela, em um fraque negro com as mãos os bolsos da calça. Os cabelos negros estavam impecavelmente penteados para trás, entretanto, os rosto belo tinha uma marca roxa escura bem no olho esquerdo era de certa forma repugnante e o lábio inferior tinha um corte profundo. Naruto havia feito aquilo nele? Por ela?

— Pensei que tivesse ido embora. – comentou fria quando se recuperou da surpresa inicial.

— Por que iria, fui convidado para a festa.

— Naruto fez isso com você? – não conteve a pergunta.

Hideki estalou a língua, irritado.

— Esta falando daquele idiota. – tocou o olho machucado – não precisava contratar um marginal para fazer ciúmes para mim, Hina-chan.

Hinata entreabriu a boca sentindo que uma enorme pedra havia caído em seu estomago.

— Do-do qu-que você esta fa-falando? – voltou a gaguejar.

Primeiro um sorriso discreto se formou e depois uma gargalhada fria saiu por sua garganta. Hinata podia jurar que o chão havia desaparecido sobre seus pés, o corpo ficou rígido e as mãos começaram a suar frias. Hideki sacudia os ombros rindo cada vez mais alto. E Hinata queria se enterrar a sete palmos do chão. Quando conseguiu conter a risada o homem falou.

— Eu não acredito que você fez isso por conta própria? Na verdade isso demonstra a total falta de criatividade. Oh, por favor, não me olhe com essa cara, achou mesmo que ninguém iria perceber?

Sua expressão tornou-se séria. Hinata o encarava sem expressão alguma.

— Realmente acreditou que ninguém descobriria?

— Eu…

Tentou falar, se defender, mas palavra alguma saia de sua garganta. Estava paralisada de vergonha. Não era só o seu pai que sabia disso, todos sabiam.

— Qu-quem sabe?

— Humm, deixa eu ver? – o homem pôs as mãos no queixo fingindo pensar, os únicos que sabiam era ele, Hiashi e Neji mais ninguém, no entanto seria mais vantajoso apavorá-la. Havia notado que não estava tão vulnerável quanto antes e isso era perigoso.

— Todos. – falou pausadamente. – todos sabiam.

As forças aos poucos foram se esvaindo do pequeno corpo, as orbes acinzentados ficaram opacas, sem vida.

— Realmente pensou que as pessoas não iriam estranhar que você de repente do nada aparecesse com um namorado. E daquele tipo. É claro que não iria dar certo. Olhe para você Hinata, não almeje o que não pode alcançar. Agindo desse modo só se torna digna de pena. Pena de todos enquanto ficar criando mentiras e ilusões. Mas sabe posso até parecer uma pessoa cruel lhe dizendo todas essas coisas na sua frente. No entanto, não sou tão baixo quando aqueles que escondem a verdade de você deixando se passar como uma idiota. Francamente se esfregando com aquele homem como se fosse uma vagabunda. Realmente fiquei com pena. Mas a sua família é a pior, como puderam não dizer nada?

Hinata parecia mais pálida do que nunca, o sangue havia sumido do seu corpo dando lhe um aspecto fantasmagórico. Hideki sorriu, ela estava caindo e logo estaria a seus pés.

— Por favor, Hinata eu te entendo. Tendo uma família que a subestima e não confia em você. Esta bem que não é tão bela quanto a sua irmã, mas tem coração. Eu realmente me arrependo do que fiz a seis anos. Sabe era jovem e imaturo. E sei que apesar de você ser assim a estimo muito. Espero que um dia me perdoe por tudo o que fiz, por isso estou aqui lhe dizendo essas duras verdades.

A Hyuuga manteve a cabeça abaixada por um longo tempo olhando as pontas dos pés. Um turbilhão de emoções estava em ebulição no seu interior. E Hideki pode ver essa energia quando a Hyuuga o encarou.

— Me estima muito, é? – indagou com um tom frio e distante.

Hideki retrocedeu um passo.

— Agradeço a sua preocupação, mas acho que é da minha conta o que acontece na minha vida e na minha família e não da sua – respondeu assustando Hideki.

Era estranho, mas não sentia-se amedrontada e muito menos abalada. Algo lhe dava força, algo que não sabia o que era.

— Como assim?

— É o que você ouviu. Fico grata por sua preocupação, mas não é da sua conta esse assunto.

Um alarme soou na mente de Hideki precisava partir para o plano B.

— Hinata eu realmente me preocupo com você. Todos esses anos eu não pude descansar, pois minha consciência não me perdoava pelo o que fiz. Você poder dizer que não é da minha conta, mas é sim. Se não fosse tão imaturo nunca teria aceitado a proposta de seu pai, mas fiquei tão deslumbrado com o dinheiro. Por favor, Hinata – se aproximou da Hyuuga segurando suas mãos – eu realmente estou arrependido só depois foi que percebi o quão importante você é para mim. Hinata, eu te amo.

A Hyuuga ouviu aquele discurso apaixonado como se fosse apenas uma telespectadora de novela. Não sentia nenhuma emoção diante daquelas palavras. Era tão diferente do que imaginou, após o incidente sonhou por dias e esperou que Hideki a procurasse arrependido desmentindo toda aquela historia declarando-se apaixonado por ela que sem ela não conseguiria viver, até pouco tempo desejou isso, mas agora tudo era diferente. Não sentia nada por ele além de nojo, repulsa. E se perguntou como algum dia pode amar um homem como aquele? No tempo de seus sonhos infantis ele fora seu príncipe, no entanto, agora Hinata percebeu que aquele garoto de sorriso branco e cabelo negro e liso não passava de um sapo.

Tentou soltar suas mãos da dele, mas Hideki não permitiu continuando a falar.

— Eu te amo Hinata, mais do que um dia eu pude imaginar e morro de ciúmes em vê-la ao lado daquele bastado.

Hinata puxou bruscamente as mãos separando as de Hideki e deu um passo para trás completamente transtornada. Hideki começou a se desesperar.

— Não chame Naruto de bastardo – repreendeu áspera.

— Como pode me tratar assim Hinata eu estou me ajoelhando diante de você pedindo perdão, confessando meu amor.

— E não acha que está um tanto quanto atrasado? – indagou irônica arqueando uma sobrancelha. – posso dizer que são seis anos Hideki.

— Você não acredita em mim?

— Fica difícil de acreditar depois de tanto tempo. Eu realmente esperei por essa declaração Hideki, Kami sabe como eu esperei. – Hinata respirou profundamente controlando seus sentimentos conturbados – fiquei dias esperando que você me procurasse. Eu liguei para você varias vezes, mas nunca me retornou.

— Eu já disse Hinata que demorei a perceber a burrada que tinha feito. Estava tão envaidecido de mim mesmo que não percebi o quão importante você tinha se tornado para mim.

— E subitamente quando me viu depois de seis anos descobriu que sempre me amou. Hyuuga Hinata a mulher digna de pena. – interrompeu a Hinata com desdém.

Hideki engoliu em seco sentiu o ar sumir dos pulmões.

— Isso não é verdade, por favor, Hinata eu só disse aquilo por que estou com ciúmes, mais do que imaginei. Não consigo vê-la com ele, no inicio pensei que você só estava fazendo isso para me fazer ciúmes até achei graça, mas depois realmente fiquei com raiva dele. Eu estava te perdendo. Hinata eu te amo. Eu deveria ter te procurado, deveria mais não fui. Fui um idiota.

Hinata respirou fundo mordendo a lábio inferior. Cada minuto, cada pedido de perdão e juras de amor aumentava ainda mais seu ódio por aquele homem. Como ousava dizer tantas mentiras.

— E você achou que eu sairia correndo para os seus braços depois de tudo o que me fez. Fiquei seis aos de minha vida longe da minha família, por seis longos anos eu chorei por sua causa e você nem se quer me procurou. Você destruiu todos os meus sonhos, me desiludiu por dinheiro. Eu realmente te amei Hideki e se você me dissesse tudo o que me disse agora anos atrás eu o teria perdoado, pularia em seus braços com uma tola e seria para sempre um pato em suas mãos. Mas você não o fez, como mesmo disse estava envaidecido de mais por enganar a família Hyuuga. – Hideki balançou a cabeça desconcertado, mas Hinata o ignorou, queria dizer tudo que estava entalado em sua garganta, queria se livrar de tudo de uma vez - enganando a primogênita estranha dos Hyuugas. Mas vejo que se arrependeu não é? Por que não se arrependeria minha família é mais rica que antes. Por que não seduzir novamente a garota estranha.

— Hinata, não consigo te reconhecer – balbuciou Hideki sinceramente surpreso e assustado.

Hinata estalou os dentes escondendo também sua surpresa com sua própria atitude.

— E você algum dia me conheceu? – retrucou fria.

— Hinata, você ama aquele homem? Você o ama mesmo sabendo que tipo ele é? Mesmo sabendo que eu te amo.

Hinata encarou o homem que assombrou seus sonhos por muito tempo e naquele momento estava mais do que claro o que sentia e era primeira vez que confessava em voz alta.

— Eu o amo. Amo-o mais que a minha própria vida, mas do que um dia eu pude imaginar amar alguém, não me importo o que faz ou o que já fez, não deixarei de amá-lo por isso. Não tenho vergonha do que sinto.– Hinata suspirou aliviada não havia percebido o quanto precisava confessar em voz alta seus sentimentos até aquele momento – Eu amo Naruto e não adianta dizer mais nada Hideki, não me importo com mais nada, nem o que estão pensando de mim nem o que você diz, não acredito no seu suposto amor. Não acredito em você.

— Onde você pensa que vai sua vadia – rosnou Hideki desfazendo toda a sua mascara.

Hinata voltou-se para encarar o homem com um incrível sorriso no rosto.

— Assim é melhor, melhor que suas mentiras todo aquele cena melosa estava me dando nojo.

— Esta se dando muita importância Hinata.

A Hyuuga arqueou uma sobrancelha com uma expressão debochada respondeu:

— Isso é verdade, mas tenha que concordar comigo se eu não me der importância quem irá dar? Adeus Hideki – presenteou o homem com um ultimo sorriso e deus as costas a ele com a sensação de liberdade e euforia por sua conquista. Era forte e não temia mais ninguém.

Em um piscar de olhos ela desaparecera bem diante de seus olhos. Buscou por toda parte na mesa dos noivos, no grupo das amigas até no toalete, no entanto ela não estava. Passou a mão nos cabelos revoltosos era ridículo, mas sentia-se perdido quando Hinata não estava por perto. Se adiantou para sacada talvez Hinata tivesse ido pegar um pouco de ar fresco depois da excessiva exposição que tivera na entrega do buquê de Hanabi. Quando se aproximou da porta lateral uma mão o deteve. Virou-se para despejar uma obscenidade para quem o estava impedindo a passagem, no entanto se calou ao ver de quem se trava.

— Posso falar com você um minuto?

— Sim – sussurrou Naruto.

O loiro acompanhou em silêncio o homem até uma sala longe do barulho e de pessoas que pudessem ouvi-los. Por um momento os dois homens altos e jovens permaneceram calados olhando um ao outro. Não sabia bem o porquê mais uma estranha sensação se apoderou do corpo do loiro e de súbito soube que aquele homem sabia de tudo.

— O que quer falar comigo? – indagou não agüentando mais o silêncio, precisava saber se suas suspeitas eram infundadas.

O homem apertou o maxilar e fechou as mãos com muita força, entretanto Naruto não deixou se abalar e ergueu a cabeça ainda mais demonstrando em silêncio que não temia a fúria do outro.

— Confesso que não sei como começar...

— Que tal pelo começo – interrompeu Naruto impertinente arrancando um chiado de Neji que estreitou os olhos, nitidamente irritado.

Entre os dentes indagou:

— O que pretende fazer com tudo isso?

Naruto entreabriu a boca surpreso, não era imaginação ele sabia do acordo. Por um momento fitou Neji desconcertado e envergonhado. Aquele trato existia pelo simples objetivo de não envergonhar Hinata diante da família, mas fizera algo errado, pois os haviam descoberto.

— Como você convenceu Hinata-sama a participar dessa trama? Uma fortuna de 12 bilhões de dólares é bem tentadora, não é, principalmente pra um engenheiro naval com dividas com agiotas. – um sorriso sarcástico surgiu nos lábios do moreno enquanto que seus olhos acinzentados sem vida brilhavam de ódio.

Naruto piscou os olhou atordoado por um tempo, depois começou a rir.

— 12 bilhões? É muito dinheiro – comentou entre o riso enfurecendo Neji.

— Seu maldito, não vou deixá-lo nenhum minuto a mais perto da Hinata – advertiu irritado agarrando a gola do terno de linho de Naruto. Apesar da fúria de Neji o loiro não se mexeu e também não demonstrou nenhum sinal de medo ou arrependimento e calmamente respondeu:

— Eu realmente entendo sua preocupação Neji-sama, se eu estivesse no seu lugar eu também faria a mesma coisa. Mas já se perguntou o que isso reflete em Hinata?

Neji franziu a testa surpreso e desconcertado com as palavras de Naruto que aproveitando o momento de hesitação do Hyuuga tirou as mãos do mesmo de suas roupas e se afastou.

— Do que você está falando?

— Já se perguntou por que Hinata ligou para minha casa? Se bem que a culpa é do maldito Ero-sennin eu disse para ele não usar o numero da minha casa para isso. – murmurou pensativo.

— Não compreendo. Não tente inventar desculpas, você não passa de mais um interesseiro não vou deixar que Hinata se machuque novamente. Eu..

— É isso. É por isso que Hinata ligou pra mim, por isso ele inventou essa mentira. Por causa de vocês, por sempre quererem protegê-la.

— Como? Está dizendo que a culpa é nossa?

— Não, a culpa não é de ninguém. Mas acho que você deveria deixar Hinata cometer seus erros, e corrigi-los sozinha. Hinata é mais forte do que você imagina. As vezes proteger demais só prejudica.

Neji encarou abalado as verdade que o Uzumaki lhe dizia.

— Você sabe muito bem que Hinata é capaz de muita coisa, ela só precisa que confiem nela.

— Eu sei, mas..

— Não se preocupe Neji eu nunca machucaria Hinata e se algum dia chegasse a fazer algo ela com certeza me daria uma surra. – sorriu estonteantemente para o homem e este percebeu que não precisaria se preocupar, que mesmo que seu bom senso lhe disse que não seria possível, mas aquele namorado de aluguel contratado por sua prima em um impulso desesperado fosse a pessoa perfeita para ela, aquele que a amaria de verdade.

— Só tenho uma coisa a lhe dizer – o loiro o encarou. – se a machucar não será ela que te dará uma surra, mas sim eu.

Sentou-se na cadeira e deixou o Uzumaki partir desejando que aquele maldito loiro entrasse de vez para sua família.

Um pouco desconcertado e envergonhado Naruto foi em direção ao jardim. Acabava de confessar que estava apaixonado pela mulher que lhe havia contratado como um acompanhante e isso era meio desconcertante. Mas o importante era que precisava encontrar Hinata que seu pai havia descoberto sobre o acordo, ela não ficaria muito contente, mas era preciso. Atravessou o salão e foi ao jardim, buscou-a por todo canto até ir a um caramanchão, pensou que talvez Hinata estivesse lá já que era um lugar mais isolado.

Quando se aproximava do local ouviu a voz de Hinata e seu coração se alegrou, mais relaxado iria chamá-la quando ouviu uma voz masculina parou no mesmo instante enquanto seu sangue gelava. Conhecia a voz, era a de Hideki.

... eu te amo.

Naruto ouviu Hideiki declarar seu amor por Hinata e o ódio invadiu todo o seu ser. Fechou os punhos enquanto os olhos nitidamente ficavam avermelhados. Aos poucos ele se tornava um demônio e esse monstro iria colocar de uma vez aquele maldito homem no seu devido lugar. Deu um passo a frente, descontrolado em sua fúria, mas se deteve quando ouviu a voz de Hinata.

Eu o amo. Amo-o mais que a minha própria vida, mas do que um dia eu pude imaginar amar alguém, não me importo o que faz ou o que já fez, não deixarei de amá-lo por isso. Não tenho vergonha do que sinto.

Hinata ficou em silencio e as vistas de Naruto se tornaram escuras. As íris se tornaram opacas e a cor sumiu de suas faces, como se a alma tivesse sido tirada de seu corpo. Hinata amava Hideki. Foi se afastando lentamente do local, mesmo morrendo de ciúmes não tinha o direito de interromper, mesmo querendo segurar o braço da Hyuuga e chacoalhá-la até que esta tomasse consciência do que estava fazendo. Até colocar em sua cabeça que aquele homem era um miserável que não merecia o ar que ela respirava, que existia em algum lugar alguém muito melhor que aquele maldito, que havia ele. Que ele a amava.

Encostou a mão na parede. Mas ela não o amava. Discursara sobre ela ser forte, e era, Hinata sabia o que queria e ninguém tinha o direito de se intrometer muito menos ele que não era nada, apenas um estranho. Olhou as pessoas saírem do salão, a festa estava no final e os sol começava a se por. Não havia mais nada para ele naquela casa. O acordo havia acabado e o melhor a se fazer era partir.

Olhou para o caramanchão e sussurrou:

— Desejo que seja feliz Hina-chan. Adeus. – e deu as costas.

….

Sentia-se livre. Havia livrado um enorme peso de suas costas. Caminhou em direção a mansão sem olhar para trás nem ouvir os ruivos de Hideki. Não tinha mais medo daquele homem, ele não significava mais nada em sua vida. Quando entrou no salão notou que não havia mais ninguém a festa havia acabado e provavelmente os pombinhos haviam partido para a lua-de-mel. Não se deteve muito nesse pensamento imediatamente foi à procura de Naruto, não sabia muito bem o que iria fazer, mas precisava vê-lo.

— Hinata

A voz do senhor Hyuuga deteve a apressada morena que se voltou para a direção de seu pai. Parado na porta do escritório o homem de meia idade e de longos cabelos castanhos escuros que começava a se tornar grisalhos a observava. Hinata engoliu em seco sentindo as maça do rosto corar. Seu pai sabia da verdadeira relação entre ela e Naruto. Desviou o olhar, envergonhada.

— Pa-pai.

— Esta muito ocupada? – indagou o homem fingindo não notar o constrangimento da filha. A Hyuuga balançou a cabeça negativamente. — posso ter uma palavrinha com você?

— Hai, papai.

Hinata se precipitou em direção ao o escritório, no entanto, Hiashi indicou com a cabeça o caminho que dava para a sacada que tinha uma bela vista do jardim. A jovem acompanhou a pai em silêncio e contendo a respiração observou os movimentos lentos mais precisos do pai. Encontrava-se muito nervosa e constrangida.

— Sente-se. – indicou uma cadeira

— Hai.

Por alguns minutos pai e filha permaneceram em silencio, Hinata envergonhada de mais para entabular uma conversa e Hiashi a procura das palavras apropriadas para iniciar o assunto que tanto o atormentava. Por fim Hinata interrompeu o silêncio.

— Hanabi já foi? – indagou insegura.

— Já. Resolveram ir mais cedo assim chegariam de manha no caribe.

— humm. O Caribe deve ser um lugar lindo – suspirou Hinata evitando olhar nos olhos do pai. O rosto do patriarca da família denunciava que estava a par dos fatos.

— Hinata.

— Sim.

— Eu sei de tudo.

A Hyuuga olhou o seu pai, assuntada, diante da frase curta e direta. Os belos olhos acinzentados brilharam de surpresa e vergonha. Entreabriu a boca tremula enquanto as mãos começaram a suar frias. Não sabia o que fazer.

— Do-Do q-que es-esta falando papai? – gaguejou nervosa.

O homem suspirou e tocou a testa com a mão, parecia cansado.

— Eu sei que você contratou aquele rapaz para lhe fazer companhia e fingir ser seu namorado durante o casamento de sua irmã.

— Pa… dês…

— Por favor, Hinata. Não diga nada – interrompeu o senhor. – eu não estou bravo com você. Não acredito que tenha o direito de julgá-la pelo que fez o que faz.

— Não está bravo comigo? – repetiu Hinata confusa com a face em brasa.

— De modo algum Hinata. Durante esses últimos dias eu aprendi mais sobre você do que durante esses últimos vinte e quatro anos.

— Como assim papai? – indagou a Hyuuga profundamente confusa com a atitude do pai. Pelo que fizera era certo que ele a deserdaria sem deixar expresso que estava profundamente decepcionado com ela, pelo menos era o mínimo que esperava de seu pai.

O homem sorriu.

— Sempre exigi muito de você por achar que era frágil e temer que alguém ou algo a machucasse, mas nunca percebi que era eu que te feria. Você é tão parecida com sua mãe e ela era tão frágil e tive medo de perder você como perdi a ela.

— Papai, você nunca me perderia.

— Eu sei, mais tive medo. Hinata eu sempre me preocupei com você, mas como tenho dificuldade com esse negócio de emoções não soube transmitir o que sinto para você e sua irmã. Sua mãe sempre me disse pra conversa mais, na verdade tinha medo de segura-la e machucá-la quando era um bebe. Entenda que pra mim é muito difícil me expressar.

Hinata sorriu diante a revelação sem jeito do pai, nunca vira aquele lado paterno e carinhoso dele.

— Mas nesses dias eu percebi que você é capaz e é forte ao seu modo. Foi uma atitude muito corajosa de sua parte fazer isso, contratar um rapaz para ser seu acompanhante.

Era estranho ouvir elogios de seu pai, notou Hinata, mas estava gostando mesmo se sentido constrangida sobre o assunto do namorado de aluguel.

— Por que não disse nada antes.

— Bom, achei que você ficaria com mais ódio de mim se eu me intrometesse e..

— Eu nuca te odiei papai.

O homem sorriu.

— Fico muito feliz minha pequena. Espero que um dia você me perdoe por tudo que eu fiz a você.

As lagrimas nublaram os olhos da jovem e um impulso descontrolado se apoderou de seu corpo, se levantou em um estante e no outro abraçou com força o homem que retribuiu emocionado a demonstração de carinho da filha.

— É claro que te perdoou papai – sussurrou a Hyuuga entre os soluços. – tudo ficou no passado, no passado.

— Sim filha. Toda dor ficou no passado. – sorriu o homem segurando o rosto miúdo da filha.

— Então o que vai fazer agora?

— O que?

— Não vai atrás do Uzumaki. Não gosto daquele garoto propaganda de creme dental, mas se você gosta dele..

— Não sei do que esta falando papai. Eu não gosto dele e você sabe quem ele é. – desviou o olhar, corada.

—Não gosta dele? – riu sarcástico diante da afirmação da filha – Eu sei sim quem ele é. Acha que se não soubesse eu deixaria ele entrar na minha casa e ficar perto da minha filha?

— Como assim papai? Você não se importa dele ser um gigolô? – indagou num sussurro envergonhado.

O homem arqueou uma sobrancelha surpreso.

— Claro que me importaria se ele fosse um, não deixaria ficar nem meio metro perto de você. Mas já que ele é um pobre garoto que trabalha na marinha não me importo, mesmo não vindo de uma família nobre e nem tendo dinheiro.

— Do que você esta falando papai?

Agora Hinata olhava confusa para o seu pai e este ria de sua expressão de confusão e constrangimento.

— Por sua expressão posso deduzir que você contratou o Uzumaki sem saber quem ele é realmente. Devo agradecer por ele ser um bom rapaz, um verdadeiro cavaleiro.

— Não pode ser que…

— Uzumaki Naruto é um engenheiro naval, natural de Konoha, os pais Uzumaki Kushina e Namikaze Minato morreram quando ele tinha cinco anos e depois disso foi morar com o padrinho Jyraya, um advogado aposentados que esporadicamente faz um trabalho de host e escreve livros de literatura picante para passar o tempo. Jyraya-sama sugeriu que eu procurasse uma namorada, o que acha?

Hinata ouviu o que pai dizia em um estupor de constrangimento. Se lembrou do dia do jantar, Naruto havia dito a verdade, ele não era um profissional e sim um engenheiro. Um calor começou a tomar conta de seu corpo e um profundo mal estar. Havia ligado para uma pessoa que não tinha nada haver com aquele mundo, feito uma proposta indecorosa e notou que naquele momento não havia dado muito tempo para que ele desfizesse o mal entendido.

— Mas papai, ele pegou o dinheiro. Eu ofereci 6 mil para ele me acompanhar.

— Não. Ele deixou aqui. – o Hyuuga mostrou o envelope gordo a jovem.

De um vermelho intenso ela passou para uma palidez profunda. Por Kami, ele fora ao encontro para desfazer aquela proposta absurda mais Naruto não teve coragem de deixá-la sozinha, estava tão mal e frágil, como seu pai havia dito ele era uma cavaleiro e muito gentil para deixá-la sozinha.

— Ele deve me achar uma idiota. – murmurou

— Idiota? – comentou o Hiashi pensativo – acho que ele pensa muitas coisas sobre você, mas idiota não é uma delas.

— O que você quer dizer papai? Estou profundamente envergonhada eu o tratei como se ele fosse… fui egoísta eu.. – cobriu o rosto corado, profundamente constrangida.

— Eu só deixei ele ficar nessa casa por que vi que ele é a melhor coisa para você. Ele te faz feliz.

— Papai.

— O que vai fazer?

— Mas se ele não gostar de mim.

— Você só vai saber se perguntar a lá, eu acredito em você.

Com urgência seu coração gritou, ela não podia perdê-lo, não sem nem ao menos tentar.

— Sabe onde ele está?

— Deve estar no aeroporto.

O percurso de sua casa até o aeroporto de carro era de trinta minutos, mas para Hinata durou uma eternidade. Seu coração batia descompassado no peito e as mãos suadas seguravam com muita força a alça da bolsa de coro branco. Varias vezes pediu para o taxista aumentar a velocidade. Naruto não poderia ir sem ela dizer que o amava, não sabia se ele retribuía os seus sentimentos, mas não poderia deixá-lo ir embora assim, se culparia para o resto de sua vida e uma coisa que aprendera com ele nesses parcos dias era ser mais forte e confiante. Se não amasse ela ficaria arrasada, mas se sentiria livre e se culpas, pois havia tentado.

Mal o motorista estacionou e a Hyuuga pulou do carro jogando de qualquer jeito o dinheiro da corrida. O aeroporto estava abarrotado de pessoas era final de semana e estas estavam voltando para suas casas. Cada minuto de procura deixava Hinata mais aflita. Quando chegou ao salão de espera do portão H12 ela o encontrou sentado em uma cadeira os cabelos loiro alaranjados devido aos raios do sol que começavam a se por. Ele lia algo tão concentrado e bonito, o coração bateu ainda mais rápido no peito da Hyuuga e antes que o medo se apoderasse dela ela se adiantou em sua direção.

— Na-Naruto.

O loiro ergue a cabeça e seu rosto firme com finos riscos se contraiu de surpresa. Os olhos azuis miraram a figura pequena e delicada de Hinata.

— Hinata. O que faz aqui?

— Por que foi embora sem se despedir? E por que deixou o dinheiro. – Hinata mordeu a língua, não deveria fazer perguntas, por que simplesmente não dizia que o amava.

Naruto passou a mão nos cabelos bagunçados desviando o olhar da pequena Hyuuga, já era difícil desistir dela, mas era pior ter que encará-la sabendo que ela ainda amava aquele crápula do Hideki.

— Por que nosso contrato acabou. – respondeu frio. Sua reposta foi como uma faca no coração da Hyuuga.

— E o dinheiro?

— Desculpa Hinata, mas não posso ficar com o dinheiro. Eu não sou que você pensa, não faço essas coisas e não me sinto bem fazendo isso. – confessou o Uzumaki ainda desviando o olhar de Hinata.

Era desesperador, Naruto não gostava dela constatou a morena, mas mesmo assim ainda deveria confessar, estava ali para isso. Ainda que desejando profundamente que Naruto retribuísse a seus sentimentos ela tinha plena consciência de que a realidade não era essa. Mas devia a sua consciência dizer o que sentia.

— Desculpe, eu nunca tive a intenção de te ofender. Poderia ter dito a verdade desde o inicio. – murmurou chorosa abaixando a cabeça para desespero do Uzumaki.

— Não chore Hinata. Eu realmente me diverti nesse final de semana e em momento algum você me ofendeu.

Hinata ergueu a cabeça e encarou o loiro que insistia em não olhá-la

— Então por que não disse nada.

O loiro mordeu o lábio inferior impaciente. Olhá-la o machucava mais do que podia imaginar, vê-la diante de si sem poder tocá-la, abraçá-la dizer que a amava era torturante. Mas não podia deixá-la chorosa se sentindo uma miserável, a culpa não era dela por ele ter se apaixonado no final das contas.

— Quando a vi não tive coragem de desmentir, você parecia tão frágil, senti que precisava da minha ajuda. – pondo as duas mãos nos ombros da jovem ele a encarou nos olhos e com sinceridade disse: - eu realmente gosto de você Hinata, você é uma mulher maravilhosa e eu quero que você seja feliz.

" mais minha felicidade é com você" pensou a Hyuuga desesperada sentindo o coração apertar em seu peito.

Embarque na plataforma H12, vôo 785,Para Tóquio as 6:00h.

— É o meu vôo. Adeus Hinata. – sorriu se afastando da morena.

Por um instante um abismo se formou nos pés da morena, sua chance esvai de suas mãos, estava perdendo-o. E nem ao menos havia dito que viera para dizer.

— Narutoooo.

O loiro virou-se para trás surpreso.

— Eu-eu que-quero fazer outra proposta.

— Do que você esta falando Hinata? – perguntou Naruto confuso.

— A sua vida…

— Como?

— Você passaria o resto da sua vida comigo e em troca eu daria a minha vida e todo o meu amor a você. – encarou a expressão supressa do Uzumaki vermelha como um pimentão mal sentindo suas pernas.

— Do que.. – murmurou Naruto não querendo acreditar no significado daquelas palavras.

Fichando os olhos Hinata confessou.

— Eu te amo. Eu amo você Naruto. Fique comigo.

Deixando a mochila cair no chão Naruto encarou Hinata.

— Mas e o Hideki, eu ouvi você dizer a ele….

— Que eu amo você. – interrompeu Hinata mais aliviada por ter confessado o que sentia. – mas, se você não gosta de mim tudo bem. É que quando vi eu estava apaixonada e e… e.. desculpa.. eu.

As palavras da morena foram sufocadas pelo abraço apertado de Naruto. Hinata fechou os olhos inalando o perfume masculino do loiro sentindo sua força e carinho. Naruto mal podia acreditar naquelas palavras, em verdade Hinata estava uma gracinha confessando, melhor dizendo despejando o que sentia, tão envergonhada, tão adorável. Não era a toa que amava aquela mulher.

— Naru..

Suas palavras foram novamente sufocadas, mas dessa vez por um beijo exigente, desesperado e apaixonado. Naruto apertou a cintura da morena movendo os lábios intensamente sobre os de Hinata que sentia aquela sensação tempestuosa que a fez parar de respirar e agarrar-se a ele; nem a compulsão que a obrigou a abrir a boca para a língua ardente; nem o disparar louco de seu coração no momento em que a mão dele se introduziu sob seus cabelos e segurando-lhe a nuca, enquanto o corpo másculo parecia querer fundir-se no dela. E Hinata soube que ele a mamava.

Naruto sentiu que Hinata se apoiava nele completamente sem forças, vítima da intensidade do beijo. Quando finalmente conseguiu separar seus lábios dos dela, afastou um pouco a cabeça, viu o rostinho corado e sorriu satisfeito.

— Essa proposta, inclui comida, roupa lavada e passada, filhos e uma cama? – perguntou no ouvido de Hinata que sentiu um arrepio de prazer na espinha. Impossibilitada de falar apenas balançou a cabeça afirmativamente. – que bom, é tão tentador que vou aceitar.

Hinata suspirou apaixonada.

— Hinata preciso dizer algo muito importante. – sussurrou rouco ignorando as pessoas que apreciavam a cena, curiosos.

— Sim.

— Eu estou completamente apaixonado por você. Eu te amo Hinata.

Hinata sorriu envergonhada enquanto afundava o rosto no peito largo de Naruto.

— Eu também te amo.

De desse momento em diante Hyuuga Hinata teve certeza de que estava muito bem acompanhada para resto de sua vida.

…..

olá poeple... acharam que iriam se livrar de mim XD
voltei... gomen pela demora, bom sempre demoro mesmo ... espero que tenham gostado do capitulo.. a historia acabou... bom, mais ou menos temos um epilogo ainda o muito obrigado a todos que seguiram minha fic apesar da lentidão, que fizeram comentários e os que não fizeram também ( não respondi mais li todos os comentários com muito carinho), ... muito obrigado mesmo TT-TT