Droga. Amassei mais uma folha de papel jogando ao meu lado na cama. Por algum motivo as palavras não fluíam. Compor nunca parecera tão difícil, nunca fora um problema. Minha falta de concentração não é de muita ajuda, deitada numa cama enquanto Finn ri do banheiro é para acabar as chances de sucesso.

- Você nasceu para cantar Rachel. Desista disso. – ele está de pé em frente a pia me olhando através do reflexo do espelho, um sorriso irritante no rosto. Hudson assim você não me ajuda.

- Não. Não sei nem o que isso significa. Se trouxas pseudo intelectuais conseguem fazer isso diariamente não deve ser tão difícil. – o lápis logo retoma o caminho no branco para se encontrar perdido em meio a rimas sem nexos. Eu continuo rabiscando por alguns minutos até Finn sair do banheiro com uma toalha branca enrolada na cintura. – Ok, talvez por hoje, mas apenas por hoje meu intelecto esteja rejeitando as palavras. Meu cérebro trabalha muito rápido e não está registrando-as. É um bloqueio superior temporário.

Ele apenas me responde com um sorriso consolador e vai até o guarda-roupa. Acompanho tentando manter minha mente em foco de algo que não seja as bolinhas de papéis fracassadas.

- Eu estava esperando para fazer uma surpresa, mas pelo visto você precisa de algo que te anime agora. – ele começa animadamente. É doce da parte dele tentar, talvez funcione. Como algumas poucas vezes funcionaram.

- E o que é?

- Consegui falar com Quinn alguns dias atrás para avisar sobre o jantar de amanhã, para ela arranjar um tempo e vim. – não, ele não fez isso. Uma pequena ruga já me marca a testa e eu não gosto da sensação que ela provoca. – Há dois dias ela respondeu dizendo que não podia.

Meu coração deu uma desacelerada brusca em alívio. Ter ela lá amanhã é definitivamente o que não preciso. Tudo já é um circo por si só, mas com ela as coisas virariam no mínimo constrangedoras.

- Que pena. Seria fantástico se ela pudesse vir. – minha face de decepção é desoladora. Estou percebendo como venho melhorando nessa categoria. Ela ficaria orgulhosa.

- Não se desanime tão depressa. Quinn vai estar lá amanhã. – ele anuncia como uma criança. Ela é como sua irmã e sua felicidade é compreensível. Porém meu pavor é insustentável, tanto que as palavras escapam dos meus lábios.

- O que? – gritei mais alto que o normal. Ele acha que é de excitação, que terrível engano. E por que diabos ela tem que aceitar o convite? Ela podia muito bem ficar onde quer que ela esteja ao menos no dia do meu anúncio e não vim aqui apenas para ter o prazer de me intimidar.

- Você ouviu certo. Ela me fez uma surpresa no centro de treinamento hoje, já está aqui em New York. – não sei em que momento Finn se vestiu, o fato é que ele está com uma calça de tecido grosso e vem em minha direção. Jogando os papéis usados no chão ele se deita ao meu lado, exageradamente feliz. – Estava com saudades dela. Vai ser ótimo que esteja lá.

- Com certeza vai ser. – minha voz é apenas um murmuro e não sei como ele não percebe a tensão carregada nela. Finn passa seus braços em volta da minha cintura, depositando leves beijos em minha nuca. – Fiiinn. Não hoje.

- Ah, por que? – ele está decepcionado. Mas eu não me importo.

- Amanhã nós vamos dizer a toda minha família que vamos nos casar. Estou ansiosa demais para sexo. – ele ri ingenuamente e concorda. Me trazendo para mais perto dele, ele adormece com um sorriso bobo no rosto.

Nossos corpos não encaixam perfeitamente, ele é exacerbadamente alto e agora depois de muito treino, forte. Eu sou baixa, mais do que o aceitável, e tenho curvas graças ao trabalho. Apenas não bate, é desproporcional e feio. Mas parece que estamos destinados a ficar juntos. Eu me conformei, mesmo sem querer.

Estou pronta para anunciar ao mundo minha união. Porém não estou pronta para encarar e dizer a ela que vou me casar. Minha cabeça dói ao pensar em vê-la amanhã, sem que seja em um quarto de hotel, sem que seja apenas nós duas. Ela está fora de todas minhas definições e rotinas. Foge de tudo que eu e Finn seremos um dia. E eu adoro isso. O som da sua voz pintando minhas memórias.

Mas quando me casar estarei me tornando mais uma para ela. E ela estará se tornando única para mim.

O dia de sábado passou sem contratempos, mas minha cabeça mal pode parar de trabalhar. Qualquer atividade não foi o suficiente para afastar a excitação e o pavor que estou prestes a enfrentar neste jantar. Várias maneiras de impedir que a situação acontecesse foi imaginada e a conclusão é a mesma. Se a dez anos atrás eu não estivesse entrado naquele maldito banheiro, nada disto estaria acontecendo hoje. Mas eu tinha aquela necessidade ridícula de me envolver e ajudar.

Merda, se ela não fosse tão persuasiva.

Quinze minutos após o combinado Harry chegou para me levar até ao hotel, de carro. Um carro exageradamente extravagante, como tudo desde que ele começou a ganhar dinheiro.

- Sr. Berry. – ele cumprimentou quase simpaticamente demais. Finn tem medo de meu pai, sempre agindo nervosamente em torno dele. Em compensação nem pai ou papai gostam dele. O acham inapropriado para mim, mas aprenderam – em custo de muito trabalho e gritos - a aceitar minha escolha.

- Pai. – ele usa o terno que lhe comprei, mesmo depois de tanta discussão. Por trás dos óculos ele mantém a postura séria como sempre quando Finn está ao redor.

- Estão todos no restaurante. – ele diz. Eu honestamente não entendo porque está no lobby sendo o guia para os convidados da festa. Achei que os empregados estavam aqui para isso.

Não ajudei em nada com a preparação do jantar. Em meio a temporada de espetáculos, fico surpresa quando sou capaz de comer. Papai fez um bom trabalho. Dois homens uniformizados abrem as portas para gente e Finn sorri debilmente, parece que está se concretizando. Meus olhos percorrem avidamente o salão, passando por cada convidado até meu coração se acalmar. Ela ainda não chegou.

- Quinn ainda não chegou. – ele repete.

- Verdade. – nós dois estamos exageradamente ansiosos com a presença dela. Ou futura presença. Acho que estou segurando alguma comida, porque todos nos rodearam tão rapidamente que me sinto claustrofóbica. Isto é ótimo.

Meu jantar de noivado é oficialmente uma merda. Talvez pelo meu desconforto. O lugar está rodeado de atores, jogadores, produtores. É uma questão política, necessária para nosso trabalho. Por isso optamos por fazer uma comemoração separada para nossos amigos. Uma real. E assim não há um minuto que fique sozinha desde que eu cheguei, o tempo se arrasta. É irritante.

Estou ocupada planejando mentalmente como encurtar minha estadia aqui, para dar atenção a conversa que tenho com Terry, co-strar do meu espetáculo. Ela é boa, na medida do possível. Cantando. O público gosta dela, não mais do que a mim obvio, mas tem seus fãs. Ela também é gay. Ela não sabe que eu sei, entretanto ela não disfarça muito bem. Não que me importe, afinal de contas, não sou lésbica.

- Rachel querida. –meu noivo me chama e eu volto minha atenção para ele automaticamente.

- Sim?

- Quinn acabou de me ligar. – respira, deixe ele dá a notícia. – Ela não vai poder vim.

- O que? Por quê? – e minha decepção não é falsa. Apesar de não dever, existe uma pequena parcela minha que realmente queria que ela estivesse aqui.

- Disse que tinha coisas urgentes para resolver e tinha que ser hoje. Você sabe, para poder está no almoço de amanhã. – o corpo dele está levemente curvado, e uma ruga corta entre suas sobrancelhas. Ainda sim sua alegria é evidente, ele não quer mostrar nenhum outro sentimento no dia de seu noivado.

- Eu sei que você não gostou Finn. Mas ela vai estar lá amanhã, só a família. – sorrio complacente. Meu braço entrelaça no dele e nós caminhamos contra Terry. Supondo que ela ainda esteja no mesmo lugar.

O resto da noite foi extremamente entediante. Não houve nem uma sensação de pavor, ou surpresa. Minha família continuava em êxtase, meus pais simulavam um sorriso e os políticos se auto-promoviam.

-x-

- Nós estamos noivos, como já sabem. E eu apenas quero dizer a todos vocês, que considero minha família, que vou cuidar muito bem dela. Eu a amo a tanto tempo que não me vejo casando com outra pessoa, prometo fazê-la feliz agora e para sempre. – nunca ouvira ele soar tão feliz ao dar uma notícia. O sorriso se espalhou por todos na mesa, nos encarando com uma surpresa desnecessária. Meu pai já estava de pé parabenizando Harry e papai me abraçando entre suas lágrimas que molhavam minha roupa. Puck foi o próximo, seguido de vários outros. Os remanescentes do meu antigo Glee Club rodeiam a mesa sorrindo com a nossa previsibilidade. Tina, Mike, Kurt, mal podiam impedir-se de revirar os olhos.

- Finn, este é meu bem mais precioso. Espero não me arrepender em confiá-la a você. Desejo toda a felicidade ao mundo aos dois. – ouvi meu pai continuar a benção, que meu noivo fazia tanta questão, com a voz embargada. Todos falavam e faziam planos, mais do que eu poderia fazer.

Estou tão perdida em meio a agitação, meus olhos focados em um ponto nulo. Até que eu encontrei os dela. E eu nunca gostei de quando isso acontecia, pois há muito tempo eles deixaram de ser agradáveis. Os castanhos me encaram com tamanha avidez que posso senti-la dentro de minha mente. Transbordando um brilho malicioso, me atraindo para longe de todos. Me fazendo afundar exclusivamente neles.

Então ela finalmente sorri e se levanta. Deixando o copo de vinho na mesa vem em direção a nós. Com um sorriso tão falsamente verdadeiro, inocente. E isto era tudo o que ela não era... Finn a envolveu em um abraço caloroso, sussurrando palavras em seu ouvido.

- Eu não poderia estar mais feliz Quinn. Obrigado por ter vindo. – isto me deixa enjoada. Ela veio apenas para me apavorar. Sabendo que eu ando sobre uma corda, dependendo do que ela possa vim a contar.

- Não perderia por nada. – se separaram com uma troca de cumplicidade. Por que ela fazia isso? E por que Finn e todos se deixavam levar? Eu nunca poderia ter a resposta. Pois eu mesma perdia as defesas e era, por isso, a mais estúpida. Visto que conhecia seu interior e ainda sim sou mais uma que cai em suas mãos.

Ela virou-se para mim e segurou meu braço arrastando-me para alguns metros de distância das pessoas. Ela está rindo e sou incapaz de não gostar de como soa. Encarando-me sem desviar o olhar, ela me prende. Não pela força, apenas pelo brilhantismo de suas íris.

- Eu odeio você. – consigo murmurar. Minhas unhas crispam na pele delas, quando ela segura minhas mãos. Sem reação, como sempre.

- Eu sei. – ela escorrega seus dedos por meu braço e me envolve em um cumprimento íntimo. Trazendo uma queimação as minhas entranhas, coisa que Finn nem ninguém jamais conseguiu provocar, nem com um contato mais profundo. Ela se diverte com isso, pois conhece cada reação de meu corpo. Se sentindo tão poderosa quanto realmente é. E o tremor que me percorre não sei dizer se é de medo ou prazer. – E eu te amo por isso.

Ela continua me levando as bordas. O dia do anúncio do meu noivado é o que torna tudo mais atraente para ela. Eu realmente a odeio, creio que até poderia machucá-la. Eu quero machucá-la.

- Acho que eu nunca te desejei tanto quanto agora. – mesmo seu tom é sujo. Lhe falta pureza, inocência, lhe falta sanidade. Lhe sobra falsidade. Mas nestes exatos momentos eu sei, de alguma maneira, que ela está sendo honesta. Sempre me disse que nunca mentiu ou mentiria para mim. E me revolta saber que ela cumpre sua promessa, me mostrando seu lado que eu não queria, nem deveria conhecer.

Nos separamos do abraço, mas ela fez questão de entrelaçar nossos braços. Me puxando de volta para minha família e noivo. Ela parece tão mais radiante que eu. Indiferente de que vá me casar, feliz por eu me casar. E uma parte de mim a odeia mais por isso, querendo desesperadamente que ela acabe com toda festa e me leve para longe.

- Apenas me deixa em paz. – novamente eu sussurro, implorando.

- Você sabe que nunca conseguiria querida. – ela responde e deposita um beijo casto em meu rosto. Porém os pensamentos que passam em minha cabeça quando seus lábios me tocam são tudo exceto puros. Ela me encara como se fosse a única coisa existente no mundo, e é mágico. Ela tem esse poder, de criar uma ilusão tão real que você pode tocá-la. Eu já tentei.

Finn se aproxima ainda brilhando em alegria. Agora são os braços deles que me envolvem, e nele o gesto é normal. Não há maldade, nem obsessão. E eu sinto falta disso.

- O que estavam conversando querida? – na boca dele o querida não tem impacto, não sinto um calafrio e nem me excita. Tão diferente de quando ela diz. E é por isso que ela faz questão de perverter todos os apelidos, todas as palavras. Para que jamais alguém seja capaz de falar comigo e fazer o que ela faz. E nenhuma pessoa foi.

- Quinn estava me parabenizando e mandando que cuide bem de você. – ele sorri como um irmão agradecido. Típico dele, distante dela.

- Você já contou para ela? – ele me pergunta ansiosamente. É triste a maneira que ele a ama, sua melhor amiga. Ela finge maravilhosamente bem que também o ama, eu quase chego acreditar. Peço que não seja verdade. Não quero que ela o ame ou a ninguém, nunca quis. Apesar dela nunca falar sobre isso comigo. Ela sabe, eu sei.

- Não. Achei que iria querer contar. – ela nos encara confusa. Fingindo. Ela sabe do que se trata, ela sempre sabe.

- Quinn. Você é minha melhor amiga. Por isso queremos lhe fazer um pedido. – começa nervosamente, como se ela pudesse negar. E está é minha última prece para que ela diga não. Implorei e briguei tanto com Finn sobre isso. – Eu e Rach adoraríamos se você fosse nossa madrinha.

Sua expressão vai de confusa a chocada, voltando para surpresa e dando espaço para a alegria. Vagabunda, ela sabia que era isso. Ela quer isso. E meu doce noivo está entregando a ela. Nunca se deve atender um pedido dela, nunca. Eu disse sim uma vez, e agora aqui estou. Aterrorizada, revoltada e infelizmente, também, excitada e apaixonada.

- Finn, Rachel. Eu não sei o que dizer. – Deus, ela está de brincadeira comigo. Isso é tão ridículo e está acabando comigo. Meu coração em disparada, batendo contra meu peito tão fortemente que posso senti-lo doer. Eu não a quero lá. Não gosto da idéia dela assistindo, quanto mais ao meu lado no altar.

- Apenas diga sim. – Não. Diga não.

- Claro, claro que sim. – e lá se vai minhas esperanças por terra. Como Finn espera que eu diga sim, com ela ao meu lado?

Agora toda minha família está reunida na sala de estar, conversando, planejando. Sentada na poltrona com os braços de Finn envoltos ao meu corpo, estou em piloto automático. Sorrido exageradamente, fingindo uma animação em minha voz. Acho que já se passaram uma hora que estou nesta mesma posição, as pessoas estão começando a se espalhar pela casa. Felizmente, a euforia inicial parece está se dissipando.

Procuro quem realmente me interessa e através da janela posso ver que ela está parada no jardim. Passo por todos, o mais sorrateira possível e com sucesso saiu de casa. Aproximar-me dela sempre foi estranho, ela sempre percebe minha presença. Ela está acostumada com a surdina, eu não queria que ela estivesse.

- Não consegue se manter longe, não é? – ela está certa. Existe um imã invisível que me puxa além de minha sanidade para junto dela. Maldito imã.

- Me senti claustrofóbica. – sua resposta a minha afirmação não passa de um murmuro descrente. Encostada na parede ao lado dela, olhando para frente. Nunca tivemos necessidade de manter um contado direto. Eu sei que ela está lá.

Vamos andando até o celeiro, mesmo que não seja nossa intenção. Sem conversar ou se olhar. As pedrinhas de areia sobem ao ar e a marca de nossos passos vão sendo apagadas com o cálido vento que circula pelo jardim. Acomodo-me em pé junto a uma mesa de madeira velha, ela se encosta na mesma a um metro de mim.

Tiro um cigarro do bolso do casaco. Estou preste a acendê-lo quando sinto sua mão sobre a minha tomando-o. Ela o joga no chão e o esmaga com o sapato. Ela sempre faz isso e eu sempre a encaro de volta com raiva. Não é diferente agora.

- Já disse que não quero você fumando. – responde indiferente a minha indignação. Ela não quer, faz-me ri. Ela é a causa dele. Quem me deixa nervosa, impaciente, ansiosa. Só preciso repor meu controle. – É um vício nojento. Vai acabar te matando. Ou pior, vai destruir sua voz.

- Desde quando faço o que você manda? – minto tão descaradamente e me surpreendo que minhas palavras não saíram falhas. Talvez esteja me deixando levar por você demais. Eu achei que ela iria ri debochada, como sempre faz. Mas ela está apenas me encarando, vasculhando minha alma. Estou me sentindo exposta, desprovida de qualquer camada ou máscara de proteção, que ela consegue desfazer tão bem.

- Eu quero foder você. – as palavras saíram cruas que sinto minha pele queimar. Não estou preparada, nunca estou. Quando ela mostra seu desejo por mim é sempre devastador. Minha pulsação acelera, o sangue corre rápido em minhas veias. A frase soa como uma ordem, e eu não ligo. Pois há algo de excitante em ser subjugada por ela. – Você me deixa?

Ela não está pedindo permissão. Está avisando que se não se importa com os outros. E que me quer, e quer agora. Suas íris cintilam e eu me vejo sem nenhuma força ou vontade de negar. Ela quebrou o espaço entre nós tão rapidamente que não vi ela se aproximar. Ela não quer preliminares, ela apenas me quer.

Ela me segura pela cintura, me forçando a sentar na mesa. Suas mãos vasculham o interior da minha perna, fazendo questão de deixar marcas com a unha. Arrastando-as dolorosamente contra minha pele, pressionando sensivelmente. Um gemido abafado escapa de meus lábios instantaneamente. E eu não quero usar nada para abafar meus gemidos, perder o contato parece incabível. Até a sensação de ser pega me impulsiona.

Eu apenas enrolo minhas pernas ao redor dela e meus dedos em seu cabelo. Não existe espaço para que eu a toque, esse não é o ponto. Ela beija meu pescoço descendo lentamente ao meu colo e eu quero que ela chegue aos seios, mas ela não o faz. O ar se torna tão denso quando sinto ela me tocar por cima do lingerie, minha garganta arranha em excitação e sufoca em um grito não dado. A barra de meu vestido se torna um empecilho, ela o levanta querendo mais acesso. Sua mão esquerda encontra o caminho de meu estômago por debaixo do pano, meus músculos se contraem em resposta e ela gosta disso, ousando e subindo ao diafragma até chega ao ponto sensível. Ao mesmo tempo em que seus dedos pressionam meu seio esquerdo, sua outra mão torna a brincar. Contornando meu clitóris, sem ousar tocá-lo com mais profundidade. Minha respiração se torna pesada, rápida. Sinto um líquido úmido descer minhas pernas, ela também sente e o sorriso escondido em meu colo mostra o quanto ela gosta. Eu não quero que ela brinque, por Jesus. Neste momento preciso disso tanto quanto oxigênio.

- P-por favor. – eu imploro. Ela pressiona, fazendo-me contorcer, ministrando círculos preguiçosos apenas para me trazer mais ao extremo. Agora seu rosto está levantado. Seus olhos estão presos em meu rosto, mesmo que mantenha os meus fechados, eu posso sentir tamanha a intensidade.

- Olhe para mim. – ela diz, mas eu não quero. Tudo que preciso é ela dentro de mim, e é tudo em que me concentro agora. – Olhe para mim. – ela repete e dessa vez eu obedeço. Ainda atordoada encontro os castanhos vivos e eu adoro a maneira que eles me exploram. Ela sempre faz isso. Me encara, mostrando que está lá. Eu gosto. – O que você quer?

Ela não pode fazer isso comigo, tirar mais oxigênio do que já me tirou. Sua mão em meio seio torna-se igualmente insuportável, massageando de uma maneira que me traz tão perto do clímax quanto possível. Seu dedo que percorre meu clitóris encontrou o ritmo e a pressão, sabendo que o próximo passo é o que mais almejo.

- P-por favor. Quiinn. – minha voz já não é a mesma, é apenas um sussurro embargado. – E-u preciso.

- Do que você precisa? Diga. – seu olhar é resistente. Impiedoso. E tão logo eu me entrego a qualquer desejo dela.

- Eu preci-ciso que você me foda. – jamais falei algo assim para alguém. Mas existe algo de excitante em ouvir ou falar vulgaridades para ela. Não parecem baixas, apenas combinam. A frase é um passe para meu anseio ser atendido. Ela penetra dois dedos firmemente, em uma velocidade que eu posso suportar. Trazendo sua mão para minhas costas, cravando as unhas sem hesitação. Invadindo a carne enquanto acrescenta um terceiro dedo. Tão logo quanto ela aumenta a velocidade meus gemidos tornam-se mais constantes de tal ponto que tento me controlar para não gritar.

- Não, não pare. Apenas... não pare. – falando para sufocar o grito, mesmo que as palavras rasguem minha garganta. Ainda nos encarando, os olhos dela me trazem a tona. Firmes e escuros, imagino que os meus estejam ainda mais excitados. Meus músculos tencionam quando ela aumenta a pressão. Enrolo minhas mãos no fios de seu cabelo, tentando trazer algum controle para mim. Mas minha mente não funciona, minhas forças se esvaziam. Perdida em êxtase mordo meu próprio lábio sentindo um líquido derramar por minhas pernas, enquanto uma explosão de adrenalina deixa meu corpo, liberando a queimação em meu estômago. Ela sempre soube me trazer ao orgasmo em pouco tempo e agora tudo que me resta é seu corpo enrolado ao meu. Me sentindo fraca e levemente tremula assisto ela se afastar e o peso cair sobre mim.

Ela está de costas para mim, já deveria ter me acostumado. Arrumando sua aparência com as mãos e como se ela não estivesse dentro de mim alguns segundos atrás. Me ponho ereta tentando colocar alguma dignidade na minha aparência, tentando ser tão indiferente quanto ela. Mas meus olhos sempre falham.

A entrada de terceiros no galpão me traz a realidade. Meu noivo e claro logo atrás o seu quase escudeiro.

- O que vocês duas estão fazendo aqui? –Finn nunca imaginaria ou suspeitaria da verdade, então não sei o que ele espera descobrir de ruim.

- Eu estou tão feliz pelo convite que já vim dar idéias sobre o casamento para Rachel. – ela sempre tem uma resposta pronta. Sendo absurda ou não, acreditam. O segredo deve estar na maneira que ela conta, a convicção que assusta. – Se nós limparmos o galpão, aqui é ótimo para uma festa.

- Nunca tinha pensado. Mas é verdade. – ele está sorrindo, e eu reflito sua expressão. Apesar de ser uma resposta automática, de fato é uma boa idéia.

A conversa segue em torno da festa sem que eu realmente preste atenção. Preciso parar com isso, tudo em minha volta passa e minha cabeça continua nela. Ando dispersa, movendo minha boca no piloto automático. Infeliz em encarar a realidade. Ela percebe meu estado e ri. Como é irritante.

Ouço um toque agudo e ela rapidamente coloca a mão no bolso e trás o celular a tona. Pedindo licença ela se afasta e eu me vejo observando-a. Não sei o que falavam ou porque ao desligar ela foi direto falar com Finn. Eles não trocam mais que três palavras e vejo-a partindo. Ela pega o grosso casaco de veludo negro, perto da porta, tenho a impressão de que ela olha para mim, mas nada se confirma porque um segundo depois, ela se foi.

-x-

Então, postei o primeiro capítulo para alguém me ajudar. To meio perdido na história, meio que um bloqueio. Queria saber a opinião e algumas idéias do que fazer a partir daí.

Espero que gostem, não esqueçam de postar as opiniões e idéias. :)