"Perversidade é um mito inventado por gente boa para explicar o que os outros têm de curiosamente atrativo." Oscar Wilde

Acordar sempre foi a melhor hora do dia. Aquele momento antes de está totalmente despertado onde a realidade ainda não me atingiu e nada mais importa do que levantar as pálpebras e se espreguiçar. Mas eventualmente a sensação acaba e o familiar vazio retorna sem piedade.

Porque quem está deitado do meu lado tem um corpo grande, quase ocupando todo o espaço, fazendo meu corpo pesar e minha cabeça latejar. Eu não deveria me sentir assim principalmente depois de concordar em acordar o resto da minha vida ao lado de Finn. Mas isso não impede meu ressentimento ou a falta de sentimento quando encaro-o ao meu lado. E é a partir de passos cansados até o banheiro que meu dia começa.

Arrasto-me . Abrindo a torneira lavo meu rosto com a água cristalina. Meu reflexo me encara desafiadoramente, esperando qualquer reação. Até que a realização que em poucas horas vou estar vendo-a me bate e meu rosto finalmente forma expressões vivas. Minha pupila dilata, as bochechas tornam-se avermelhadas, já posso sentir as batidas aceleradas no meu peito enquanto um calafrio corta minha espinha vigorosamente. E por este momento, por ela, eu me sinto por instantes viva.

-x-

Era exatamente dez da manhã quando estávamos todos no ateliê da minha estilista. É um espaço elegante, exibindo uma riqueza que ela realmente têm e deixando claro sua exclusividade que poucos podem pagar. Mas para mim o ambiente nada mais era do que aconchegante e que me proporcionava a tão almejada discrição.

Encontrar-me com todas minhas madrinhas – e isso inclui Kurt - é uma experiência no mínimo interessante. Principalmente quando esse encontro envolve Quinn Fabray. Eu não queria que a presença dela fosse necessária ou sua existência. Mas Finn me obrigou a confraternizar com ela enquanto provo nosso vestido de casamento. E a confusão desagradável que se instala em meu interior faz dessa experiência tão inesquecível quanto deveria ser, porém não é pelo que representa e sim pelo inebriante cheiro que ela exala ou seus toques inocente que passam despercebidos. E sem que imagine ele transformou o que deveria ser nosso momento em um meu e dela.

Provar uma roupar nunca me parecerá tão intenso..

Posso sentir o peso da roupa sobre mim. Empurrando-me contra o chão, tentando fazer-me desaparecer. Condenando-me. O branco do vestido quase me cega enquanto o encaro incapaz de reagir. O bordado minimalista típico de alta-costura é admirado por aqueles ao meu redor. Ainda sim meu reflexo me prende, porque através do espelho eu encontro os olhos dela. Ela me encara de volta com tamanha intensidade que faz o ar tornar-se denso cortando meus pulmões. Sua íris não brilha enquanto ela atravessa furiosamente meus olhos, invadindo minha mente. Não há sorriso ou expressões em sua face. E eu posso sentir ela vasculhando meus pensamentos, desvendando meus medos, porém sou incapaz de ouvir os dela.

Posso ouvir as conversas ao meu redor, distantes, e eu sou incapaz de processá-las. Porém o sorriso está em meu rosto, porque é o que eles esperam e é o que eu sempre dou. Ela não fingi, apenas continua me olhando sem piscar e com sua respiração imperceptível. Eu queria tocá-la agora, fazê-la tirar meu vestido de noiva, que ela pudesse fazer tudo ao meu redor desaparecer. Mas os segundos passam e nada acontece. Nada mudou.

Meu estado catatônico é interpretado como emoção. Quando encaro-me no espelho vejo meus olhos lacrimejantes, uma leve trilha úmida por minha face. Não havia percebido as lágrimas e nem como minha pulsação está acelerada. Deslizo minhas pálpebras, fechando-as. E por este momento tento me convencer, deixando Finn tomar minha mente. Mas assim que abro meus olhos são os castanhos do dela que estão me encarando, fazendo-me prender meu fôlego. Desvio o olhar quando a tensão torna-se insuportável e é aos quase esquecidos remanescentes do quarto que eu me volta atrás de alguma segurança.

"É esse. É esse o vestido." repito para eles.

"Finn vai esquecer os próprios votos quando te ver assim." Kurt transborda emoção em sua voz. Não sei se é pela roupa ou pelo casamento em si. Seus olhos brilhantes refletindo o branco me fazem crer que é pela primeira opção.

"Eu não estou casando com você e já estou sem fala. Onde você escondeu esse corpo garota?" a voz estridente de Olívia me faz sorrir. Ela segura minha mão direita e faz-me dar uma volta enquanto ela checa cada curva.

"Nunca escondi nada você que não estava prestando atenção."

"Isso é verdade. As saias de Rachel no colegial não deixavam muito para imaginação."

"Por favor Tina não mencione aquelas atrocidades que ela chamava de roupa. Ainda me dá pesadelos." Kurt coloca as costas da mão na testa dramaticamente, fazendo-me revirar os olhos. Honestamente não vejo o horror, ela eram bonitinhas. "E você Quinn, o que achou do vestido de noiva da nossa diva?"

Eu volto minha atenção para ela, esperando. Quase ansiosa. Porque a opinião dele é única que parece provocar-me alguma reação. Sem pressa ela me olha dos pés a cabeça e dessa vez não posso ajudar a não ser sentir as maçãs de meu rosto queimando com a luxúria, perceptível só a mim, refletida em seus olhos.

"Tanto quanto você parece deslumbrante o vestido não vai ser tão apreciado quanto despi-lo." ela tem um sorriso malicioso exposto. Mas são seus olhos que me fazem ter calafrios e sonhos molhados. Há algo nele que faz meu âmago revirar com a percepção que estão direcionado a mim. Aquele brilho desafiador e demasiado tentador para mim.

"Oh yeah! Finn vai definitivamente enlouquecer. Só espero que ele tenha superado o problema do 'carteiro'."

"Tina!" repreendo quase divertida mesmo com a impropriedade da questão. "Só para você saber Finn tem sim superado isso a tempos. Foi um problema temporário típico de garotos adolescente que têm que lidar com os hormônios a flor da pele."

"Tanto faz. Mas era você que ficava reclamando na época."

"Ah como eu me lembro disso." Quinn murmura em meio a um riso. Eu não gosto de como isso lhe faz feliz, fazendo-a sentir sua influência sobre mim é maior do que qualquer um. Mesmo que seja. Ela sabe. Eu sei. Para que reforçar e inflar seu ego já demasiado grande?

Nunca pensei que uma prova de roupa fosse tirar tanto de mim mas tirou. Caminhamos até o estacionamento e eu observo os quatro conversando animadamente sobre o meu casamento. Os quatro sim porque Quinn faz o que sabe fazer de melhor, ludibriar e encantar as pessoas. Parecendo tão normal quanto ela não é. Escondendo desejos e intenções atrás de um sorriso calmo e alegre.

"Eu e Tina estamos indo porque não é só você que precisa da roupa perfeita para o seu dia." Kurt sorrir beijando meu rosto e repetindo o gesto tanto nela quanto em Olívia. E por mais estúpido que pareça eu não gosto quando os lábios dele tocam a pálida pele dela.

"Que arrogância minha pensar que era o meu dia." Brinco escondendo meu desgosto ainda sim ela percebe e é irritante como ela arqueia a sobrancelha e me encara divertida.

"Isso mesmo. Nós dois vamos ter nosso momento de fantasia agora." Eles sorriem enquanto caminham para a ala leste deixando nós três para trás.

Olívia segura meu braço chamando minha atenção.

"Vamos. Eu vou te deixar em casa." eu me viro para acompanhá-la, mas sinto uma mão em meu ombro direito. E automaticamente sei de quem é. O toque macio, mas firme. O frio na boca de meu estômago. É inconfundível. E quando cada uma das duas mantém uma mão no meu ombro posso sentir a diferença. A queimação que não acontece no esquerdo, o peso não é o mesmo.

"Não se preocupe Olívia, eu posso fazer isso. Faz tempo que Rachel e eu não conversamos." mal posso conter minha excitação. Porém meu rosto continua impassível enquanto encaro-a esperando a resposta.

"Ah claro. Bom porque eu tenho umas coisas para fazer ainda hoje." ela sorri docemente e solta meu braço. – Então eu já vou indo. Vejo você amanhã.

Ela se despede e da a volta indo em direção a seu carro estacionado a uma quadra. Viro-me e vejo que Quinn já está a alguns metros na minha frente, ela torna seu rosto para mim e sorrir arrogantemente. Quase posso sentir a malícia. Eu sigo seu rastro impuro que tanto me excita, observando seu andar elegante, desejando seu ritmo provocante.

Ela para em frente a seu SVU preto de janelas completamente escuras. É um carro grande e não sei o que devo concluir sobre ela com isso. Essa é a especialidade dela. Não minha. Ela diz que sou ingênua e pura demais para analisar, que sempre quero enxergar o bem. E é como se ela conhecesse o mal e o imundo. Eu não queria que ela o fizesse.

Abro a porta do passageiro sentando no banco de couro enquanto ela faz o mesmo do outro lado. Fecho a porta quando ela da a partida e o único barulho que ouvimos é o de minha respiração pesada e do leve rosnar do pneu no asfalto. Sinto uma pressão sobre mim insaciável. A falta de palavras parece que está prestes a me sufocar.

Uma necessidade de tudo e nada. Esse descontrole que ela me faz sentir apenas por sua presença ao meu lado. Apenas por seu fato de existir. Mas a indiferença me destrói, mesmo que seja por uma viagem de carro silenciosa. Mantenho-me forte e não encaro-a e o esforço parece que suga o ar de meus pulmões. Ela sabe de minha batalha interna, da mesma maneira que ela sabe de tudo que me envolve. Com as pálpebras pesadas fecho os olhos e encosto minha cabeça no banco, suspirando alto. Isso parece surtir efeito pois percebo sua sutil mudança de posição.

"Você estava linda naquele vestido de noiva." suas palavras nada mais são que um sussurro. Eu não quero que ela diga isso. Por que você diz isso? Aquele sentimento borbulhante que me apodera nestes segundos.

"Por que você se importa?" minha voz soa cansada. Esgotada.

"Porque você o faz." Ela sabe como as palavras dela mexem comigo. E Deus, como ela sabe jogar com elas. Eu sou reduzida a essa garota insegura e cheia de hormônios.

Não houve mais palavras ditas. Até meu apartamento foi minha respiração errática e o barulho de borracha raspando no concreto que harmonizo nossa pequena viagem. Ela parou na frente de meu prédio e antes que percebesse ela estava descendo do carro comigo e entregando a chave para o manobrista.

Quando ela entrou no elevador não fui contra ou resistir. Não tenho forças. Não quero ter força. Ela encosta em uma parede do elevador e eu na oposta. E por estes segundos permanecemos nos encarando. Ela, com sua íris castanha que agora brilha refletindo na minha, me envolve nessa terceira dimensão onde só nós existimos. Com uma magia poderosa me deixo levar. O pequeno sino avisa que chegamos ao meu andar. Eu saio primeiro, empurrada por algo invisível e ela vem logo atrás de mim. Minha mão tornou-se firme e sem dificuldade abro a porta. A ansiedade sumiu e uma quase familiar tranqüilidade me rodeia. Espero ela entrar e quando ela o faz, sem olhar para mim, fecho a porta em chave. Talvez para nos proteger, talvez para me permitir que seja eu mesma.

Ela se volta para mim e aquela fagulha acende em milésimos. E tão rapidamente o quanto nossas bocas se encontram em um beijo aguardado. Ela é mais forte e sou empurrada contra a parede em um baque surdo. Levo minha mão aos seus cabelos loiros enrolando-as nele firmemente. Você me segura pelo quadril me fazendo enlaçar minhas pernas em sua cintura. Você empurra firmemente contra meu centro quando nossas línguas se tocam e um gemido doloroso rasga minha garganta. Nossos beijos sempre são energéticos, um prelúdio para algo mais. Suas mãos são habilidosas, subindo por minhas costas por debaixo de minha blusa, sabendo exatamente onde tocar para me dar o máximo de prazer. Você parece que me estudou, como se tivesse meu manual de instruções.

Descendo sua boca por minha mandíbula, sugando-o meu pescoço, você faz que minha respiração pesada transforme-se em gemidos erráticos. Mas o tempo me deu experiência e eu também sei do que você gosta e é por isso que não hesito em cravar minhas unhas em sua pele pálida arrastando-as por suas costas impiedosamente. E o barulho que escapa por sua boca me faz sorrir.

Eu sabia para onde isso estava se encaminhando. Eu iria transar com você na cama que divido com Finn ou por toda superfície plana de nosso apartamento. E minha excitação na expectativa não era escondida. Até que o toque familiar invadiu nossos ouvidos. A fagulha deveria ter desaparecido quando ouvirmos a vibração vindo de meu bolso, ao invés disso você só puxou meu celular e me entregou. Ainda segurando-me quando atendi.

"Alô?" meu tom estava rouco e ela gostou disso, voltando sua atenção para meu pescoço ela arrastou beijos molhados sem se importar.

"Ei Rach!" e a voz do meu noivo ecoou, mas eu não a registrei porque estava levantando os braços para ela tirar minha blusa, jogando-a no chão em seguida. "Rach? Você ta me ouvindo?"

"S-sim." Ela também podia ouvir sua voz e parece que ter Finn ao telefone a incentivou e logo era meu sutiã que estava esquecido no canto.

"Queria saber como foi lá provando os vestidos." Ela diminuiu o ritmo de suas carícias, explorando-me lentamente.

"Foi tudo... OH... C-CEERTO-O!" um gemido insuportável escapou antes de me conter. Ela sugou meu mamilo fortemente, mordendo-o quase delicada. Era obvio que ela fez de propósito mas eu não me importo porque é nela tudo que posso me concentrar agora.

"O que foi? Você está bem?" Ah eu estou muito bem.

"Estou meio cansada e com essa dor de cabeça." Por um milagre minha voz saiu firme e eu acho que ela não gostou disso pois posso sentir suas unhas cravarem fortemente em minha pele exposta e seus dentes arrastarem por minha mama.

"Ah, acho melhor você descansar querida. Durma um pouco. Vou chegar em casa um pouco atrasado." Ela levanta os braços e apressadamente eu puxo seu vestido ainda com o celular em minha mão. Acho que Finn ainda fala alguma coisa, mas não tenho certeza.

"Você está certo. Acho que vou para cama." Passando seus braços por minha cintura nua ela começa a caminhar em direção ao quarto, porém nossos olhos nunca desgrudam uma da outra. A luxúria transparente em ambos, mas há algo mais nos meus. Algo que nenhuma de nós ousa dar nome e por isso que mantenho o celular ainda no ouvido.

"Vou deixar você descansar. Eu te amo Rach. Tchau." E sem hesitar eu desligo deixando-o escorregar por minha mão. Neste momento é apenas nós duas novamente. E quando isso acontece, já não sou mais a mesma. Já não preciso ser a mesma. Pois estou perdida nela e por hora é o bastante.

"Se tivesse acreditado na minha brincadeira de dizer verdades teria ouvido verdades que teimo em dizer brincando, falei muitas vezes como um palhaço mas jamais duvidei da sinceridade da platéia que sorria." Charles Chaplin

Então saiu o segundo capítulo com dificuldade mas saiu.

Os flashbacks já havia pensado sobre isso preciso apenas de um história que faça realmente algum sentido, RS. O que penso agora é se Quinn é realmente uma má pessoa ou só está danificada, eu prefiro a segundo opção. Se fosse esse o caso preciso de uma profissão que a deixe assim, e enquanto assistia Criminal Minds me ocorreu que ela poderia ser da BAU. Vai saber...

Não terminei a cena de sexo porque sei que algumas pessoas não gostam, mas vou avisando que vai ter muito NC já que é obvio que isso é importante na dinâmica do relacionamento delas.

As atualizações não são tão freqüentes quanto gostaria pelo fato que minha vida anda bem corrida e pela falta de idéias para esta história. É meu primeiro romance e não sei deixar as coisas perfeitinhas. Por sinal estou escrevendo uma fanfic de máfia que já está adiantada e penso em postar como Faberry.

Ainda aceito idéias, você pode ser bem específico pois to aproveitando tudo. Comentários são apreciados.