Desculpe-me a demora mas faço o melhor com o espaço de tempo que eu não tenho. Como escrever no trabalho. Felizmente acho que meu pai não me demitiria, RS.
Então, vocês acham que o ritmo da história está muito lento? Porque estou tentando construir uma situação e desenvolver ela mentalmente, sem apressar os fatos até o casamento. Você sabe, explorar a situação das duas até tornar-se insustentável.
Quinn é no momento meu grande problema. Para ela ser tão 'ferrada' é necessário alguma coisa como sua profissão e estou em dúvida de qual seria. Estou entre duas: 1. ela ser uma 'profiler' (Isso, Criminal Minds), já que muito serial killer e cenas de crime iriam confundir uma pessoa ou 2. Ser fotografa (um clichê) mas seria de guerra. Ela ter vivido no meio da guerra civil na África, campos de refugiados, ido no Iraque e tal. Cabe a vocês escolherem entre os dois, para que eu possa explorar mais Quinn.
De qualquer maneira aproveitem e, sem querer ser repetitivo, comentários são apreciados.
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"Entre a idéia e a realidade, entre o movimento e a ação, tomba a sombra." (T.S. Eliot)
Quinn
Ela dorme ao meu lado, seu corpo nu coberto por um lençol branco amassado, deixando livre metade de suas costas. Sua face virada para mim, com cabelos desgrenhados soltos. Passo-os por trás de sua orelha e quase posso ouvir seu ronronar. Eu não posso impedir-me de tocar seu rosto com as pontas dos dedos. É irreal e insultante o quão perfeita é sua pele, e é eletrizante o sentimento que me percorre ao explorá-la. Ela se mexe no sono, suspirando. E eu tenho que me reprimir para não beijá-la. É quase como a profanação de algo divino. Eu, tão impura e suja como eu, não deveria ser permitida tocar em alguém como você. Segurando meu toque e minhas palavras, eu a encaro. Porque eu não quero sujá-la, mas acho que ninguém nunca poderia.
Ela revira mais uma vez, movendo levemente as pálpebras. E agora abre-as preguiçosamente. E eu acho que fui levada a uma terceira dimensão, incapaz de conter o sorriso que se espalha por meu rosto. Porque nunca vi e nem há nada tão belo.
"Bom dia." eu sussurro. O castanho de sua íris brilha em uma intensidade inquietante. E tão logo ela rola pela cama apoiando sua cabeça em meu ombro direito, envolvo meu braço em torno dela, alisando seus cabelos. Ela enlaça minha cintura e com um sorriso me encara.
"Bom dia." ela diz e torna a enroscar-se em meu pescoço. Por alguns minutos nada é dito e poderia pensar que ela acabou por adormecer se não fosse por sua respiração pesada contra minha pele. "Há quanto tempo você está acordada?"
"Há algum." digo simplesmente. "Eu gosto de te assistir dormir."
As palavras saem antes que possa contê-las. Sinto-a enrijecer os braços no meu tronco, apertando-me. Ela sabe que nada digo e que nada deve ser dito. Em um contrato não verbal, em que às vezes tenho que morder minha língua para cumprir. E é por isso que solta uma risada abafada e quase pesarosa.
"Isso é um pouco assustador." tenta. Eu nada respondo. Pois logo que recobro o controle de meus pensamentos, meu primeiro trabalho é bloqueá-la. É patético a maneira que matemos nossos olhares, com um medo antecipado. Talvez não precisássemos ser assim. Talvez em um mundo alternativo fossemos parceiras perfeitas, mas não hoje. Pois somos versões imperfeitas de nós mesmas. Covardes. Sorrateiras. Insensíveis, ou sensíveis demais. Eu, com tantas mentiras prontas e armadas, infectei sua pureza. O resultado foi sua perfeição elaborada, no auge da sujeira em que a coloquei.
"Está na hora de eu ir." ela me olha machucada. Eu finjo que não vejo. A magia de fingir é que eu mesma quase posso acreditar. Não faz parar de doer, mas diminui a dor.
"Verdade." ela se afasta e a perda é imediata. Sentando-se na beirada da cama, ela encara o chão. Segurando o lençol, cobre a parte da frente de seu corpo, deixando seu tronco livre para minha visão. E aquela pele morena e macia é demais para eu me controlar. Chamando-me para o toque que tanto desejo. Arrasto-me, sentando atrás dela. Deixando o pano branco cair, revelando minha palidez e meus seios.
Passo meus dedos ao longo de sua coluna, podendo ver os conhecidos efeitos que causo nela. Fico de joelhos a abraçando por trás, afasto cabelo de seu pescoço e depósitos demorados beijos no local, tendo a certeza de deixar marcas. Os gemidos dela tornaram-se audíveis junto com sua respiração desregular. Minhas mãos passam a explorar seu corpo, derrubando o empecilho que era o lençol. Nada passa despercebido por elas em uma exploração completa. Finalmente parando em seus seios, eu os massageio sensualmente apertando o mamilo quando ela aumenta seus gemidos contundentes.
Escorrego uma mão ao longo de sua coxa e ela as abre mais automaticamente, me dando pleno acesso. Implorando silenciosamente. Apenas para provocá-la arrasto minhas unhas perto de seu núcleo, mas não atendo seu desejo. Ela resmunga, empurrando seu quadril em busca de algum atrito. E por mais que a provocação me excite isso não é o que o momento pede. Passo o dedo por seus lábios sentindo seu prazer e sem me prolongar penetro-a com dois dedos.
"Oh Deus." Sua voz causa-me arrepios extasiantes. Poderia atingir o orgasmo apenas pelo som de seus gemidos. "Quinn..."
Mantenho o ritmo lento quase torturante. Eu quero que ela sinta cada movimento meu, até que a sensação seja insuportável. Ela vira seu rosto para o lado levemente e eu capturo sua boca imediatamente. Nossas bocas já tão familiarizadas com a outra me fazem querer perder-se nela. E logo me vejo desejando que ela atinja o clímax apenas para assistir o prazer refletido em seus olhos castanhos, mas que neste momento não passam de uma nuvem negra. Tiro meus dedos e sei que ela vai protestar.
"N-não."não lhe dou a oportunidade de continuar logo penetro-a com três dedos dessa vez. "OH meu Deus!"
O gemido que escapa por sua garganta é sofrido e ela se vê incapaz de manter os olhos abertos. Ela joga a cabeça para trás encostando-a no meu ombro. E a visão de Rachel Berry nua perdida em êxtase que eu que estou lhe proporcionando é talvez a minha descrição de beleza.
"Isso é... isso é." As palavras escapam de seu cérebro enquanto seus músculos se contraem em tensão. Minha posição é desconfortável com ela se jogando em cima de mim, mas consigo manusear e passo a massagear seu clitóris com a palma de minha mão.
"Isso é o que? Diga-me, querida." Há algo de eletrizante em conversar com ela enquanto lhe falta coerência. Provavelmente o único momento onde as palavras se dissipam.
"Perfeito..." sua voz é apenas um sussurro e assim que passa por sua garganta suavemente, o orgasmo lhe atingi com uma força sem precedentes. Ela se convulsiona e palavrões junto com felicitações a divindades são atirados ao ar. Eu retardo meus movimentos mas não paro até que a sinto relaxar em meus braços. Ela ainda mantém as pálpebras abaixadas e sua respiração irregular.
"Abra a boca." Ordeno e ela finalmente abre os olhos. Levo minha mão a seus lábios e sem hesitar ela os suga. O jeito que ela o faz transborda sensualidade. Ela sabe o que fazer para despertar sensações inquietantes em mim. E eu sei como disfarçá-las.
Nós duas estamos nuas. Eu a abraço por trás e a sensação de como nossos corpos se completam em um desenho natural é prazerosa demais para me permitir sentir. Por um segundo me entrego a escuridão deixando-a tomar todos meus sentidos. Mas o segundo passa e estou recomposta, fazendo o que sei de melhor. Fingir que não sinto.
"Está na hora. É melhor você colocar uma roupa." Seu corpo tornar-se rígido e posso ver o esforço que ela faz para levantar-se puxando o lençol branco para cobrir-se. É quase como ela está envergonhada, e eu poderia sentir-me mal por colocar o olhar desolado - escondido em um disfarce mal feito de indiferença – em sua face. Porém eu não o faço.
Com meu corpo a amostra passo a recolher minhas roupas espalhadas pelo chão coberto de um tapete caro. Ela mantém seus olhos fixos em meus movimentos e seus pensamentos quase podem ser escutados, mas com um suspiro cansado ela recobra a consciência e passa a procurar as próprias vestes. Vestimos-nos uma em frente a outra, encarando-nos. Cada pedaço de pele sendo memorizado, pois o próximo encontro não é nada mais que incerto.
"Você vai para despedida de solteira?" ela pergunta enquanto termina de abotoar sua calça jeans. E minha resposta nunca poderia ser outra.
"Você quer que eu esteja lá?"
"Sim." Acho que ela não queria que escutasse. Que preferia não se sentir assim. Estou feliz que ela o faz.
"Então vou estar." Sou eu que desvio o olhar dessa vez. Voltando-me para porta do quarto, passo por ela sem aviso prévio. Ir embora parece particularmente difícil dessa vez. Talvez pela incerteza de vê-la novamente, apenas nós duas. Talvez por ela estar tirando o melhor de mim. E quando deixo o apartamento há um vazio deveras familiar para que me surpreenda. Está semana vem provando-se sufocante e pela primeira vez em tempos não sei o que fazer em seguida. Deixá-la ir nunca parecera tão desgastante.
-X-
Rachel
Continuo a encarar a porta do quarto. Onde apenas a sensação dela foi deixada. Ainda posso sentir seu cheiro, seu corpo em meio aos lençóis. É inebriante, é desolador. Puxo o macio tecido branco levando ao nariz, sobrecarregando meus sentindo. Corroendo o pouco de controle que me resta. A dor física por todo meu corpo misturada a uma queimação dilacerante. É tudo demais. A emoção, a necessidade, o desespero sufocante. Porém as lágrimas não caem. As palavras não são ditas. Os sentimentos não são mostrados. E o peso sobre meus ombros que hora é insuportável outrora é a única coisa que me faz continuar respirando. Estou tomada, doente. Não quero me curar.
Ouço o barulho da porta abrindo-se e fechando e este é o sinal que ela se foi. E mal meu cérebro registra sua saída, a falta já estava lá. Espreitando. No entanto meus movimentos não param e logo a cama está arrumada. Sem lençóis trocados, sem tecidos limpos. É meu segredo sujo por hoje, é o que vai embalar meus sonhos ao me deitar. Fazendo-a estar presente entre mim e Finn, além de em minha mente, mas também em seus rastros. Agora me permito sorrir. A excitação é muito grande para ser escondida.
Minhas pernas pesam e meus músculos doem. Mas me esforço para sair do mais recente local onde ela esteve. Os passos até a sala são incertos, refletindo meu medo de encontrar a sala vazia. As vezes pareço uma criança insegura, outras uma adolescente imatura, mas o tempo circunda e me encontro sendo uma mentirosa traidora. E de todas minhas facetas está é a que mais me dar prazer. É a que me deixa mais próxima dela. É a que de tempos em tempos me faz sorrir sem restrições.
Jogo-me no sofá de couro preto em um suspiro aliviado. Cubro o rosto com meu braço dobrado, deixando a escuridão me consumir e a tensão deixar meu corpo fluidamente como se areia corresse por meus dedos. Minha respiração tornar-se lenta e enfraquecida numa demonstração de tranqüilidade quase nunca experimentada. E parece que esta não quer conhecer-me pois se apresenta e logo despede-se junto com o barulho da porta abrindo. Com a atenção em alerta, sento-me esperando pela intromissão. Meu olhar tornar-se confuso quando vejo Quinn e Finn entrar no meu campo de visão. Ambos riem sobre algo desconhecido e nada poderia ser mais perturbador.
"Ei querida!" meu noivo se aproxima cumprimentando-me com um leve beijo nos lábios. Ela vem logo atrás, causando-me efeitos que Finn não consegue com seu toque. "Olha quem encontrei no lobby."
"Eu vejo..." ela parece divertir-se com a ingenuidade dele. Porque a inocência dele contradiz tudo que ela conhece e tudo do qual sou construída. Porém foi essa inocência que um dia conquistou e que hoje me faz apavorada de deixá-lo.
"Vim convidar vocês dois para jantar."
"E não poderia ligar?" porque no mundo estou tentando encurralá-la eu não sei. Mas a vadia em mim gosta de sair para jogar às vezes. E pelo vislumbre de sua boca posso dizer que ela gosta quando o faço.
"Suponho que sim, mas estava na vizinhança e resolvi vim pessoalmente." Finn senta-se ao meu lado no sofá passando o braço a redor da minha cintura. Ela acomoda-se na poltrona e nossa posição não parece surtir efeito nela. Só queria ver o ciúme queimando em seus olhos. Apenas por uma vez.
"Eu não sabia que você conhecia ninguém por aqui." Ele diz enrugando a testa. Porém ela não vacila ou tropeça nas palavras. Ela improvisa tão bem quanto o ator de teatro e mente com tanta maestria como um sociopata.
"O que você acha? Que só tenho vocês de amigo?" uma risada entrecortada na frase. Ela arqueia a sobrancelha bem esculpida num gesto do qual ela sabe o quanto me excita. Não é diferente agora. "É uma antiga amiga e ocasionalmente nós nos encontramos."
"Por nós nos encontramos você quer dizer nos encontramos na casa dela?" a sensação cortante em minha espinha me faz revirar no assento desconfortável. Ela gosta para onde está conduzindo a conversa. Esperando me ver revirar enquanto ela brinca com meu noivo. O sangue correndo apressadamente, eu posso ouvir a pulsação inquietante. A palma de minha mão tornar-se fria e úmida. Mas sempre são meus olhos que denunciam.
Todos dizem que eles são demasiado expressivos. Ela diz que são minha fraqueza. Nestes momentos só confirma que ela não poderia estar mais certa.
"Sim Finn."
"Você está oficialmente no topo de minha lista!" sinto que deveria dizer algo sobre isso afinal sou sua noiva. Mas falta-me a vontade mesmo de fingir um ciúme que não sinto. No entanto este é um papel que escolhi fazer e com algum esforço protesto.
"Você está passando tempo demais com Noah. Eu não estou gostando disso." Ele sorri e seus olhos brilham e quase fazem sentir-me mal pelo que faço com ele. Então eu olho para ela. Sua pele pálida que tanto faz perder-me, a malícia e as intenções escondidas em um rosto perfeitamente esculpido. Cada detalhe decorado e ainda tantos a serem descobertos. E me lembro porque faço isso. Não há nenhum outro lugar que queria estar.
"Ela está certa. Isso é meio assustador Finn."
"Ei, ei, ei. Nós vamos para esse jantar ou não?"
"Não tente mudar de assunto, mas sim nós vamos. Falta apenas que nossa diva vista-se decentemente ou de preferência tome um banho. Você cheira mal."
"Ah claro, agora é minha culpa. E eu não estou fedendo!" fraquejando rapidamente levo meu nariz a minha pele tentando identificar algum cheiro desagradável. "Ou eu estou?"
Finn se inclina inspirando em meu pescoço em um gesto íntimo. Sinto meu espaço pessoa sendo invadido e meu desconforto se manifesta pelo meu corpo retraído. Ele acha que é de excitação, prolongando-se mais do que julgo necessário, mal sabe ele. Tão bem sabe ela.
"Você não está fedendo. Ela está querendo lhe irritar. Mas com certeza está usando um perfume novo." Quase posso ouvir minha pulsação acelerada. A adrenalina correndo em minha veia e apesar de encarar Finn consigo saber com precisão a expressão no rosto dela, perfurando minhas costas, revirando meu âmago. "Não se preocupe, eu gostei."
A uma para abrupta na circulação de adrenalina. Aos poucos meu rosto começa a tomar cores e minha mão voltar a ficar sob meu comando.
"Eu não diria isso Finn. Ela já deixou seu aroma por toda minha pele." Sim, foi muito cedo para pararem o trabalho. Deus, como ela gosta me fazer passar por isso. Como ela pode saber manipular as palavras tão bem?
Levanto-me e os dois voltam sua atenção para mim.
"Muito engraçado!" resmungo. Mas minha face suaviza e a encaro incisivamente. "Quinn poderia me ajudar a escolher uma roupa? Você sabe, já que vocês estão tão apressados para ir jantar."
"Claro." Responde simplesmente. Ela levanta, me seguindo em passos precisos.
"Mulheres. Sempre precisam fazer tudo juntas." Ainda posso ouvir Finn murmurar antes de usar o controle para ligar a televisão. Ah se ele soubesse o quanto precisamos estar juntas.
Abro a porta dando passagem para ela na frente. Assim que entro, giro a chave, trancando-nos. Sem hesitar viro-me encarando duas orbes de um castanho quase verde que tanto viaja em meus sonhos.
"Você perdeu a porra de sua mente?" meu sussurro é gritante. Mostrando uma irritação que não sei se tenho.
"Do que você está falando?"
"Você sabe muito bem o que estou falando! Ela já deixou seu aroma por toda minha pele?" minha imitação da voz dela há faz ri. Ela parece impenetrável por minha raiva, no mínimo se divertindo.
"Por favor, não haja como se não tivesse lhe excitado ouvir tanto quanto me excitou de falar." Com alguns passos ela cola nossos corpos, segurando-me pela cintura firmemente. E sem surpresa os argumentos caem por terra.
"E-este não é o ponto." Gaguejo, porém ela não ri. Apenas me encara. Estuda-me. E me prende.
"Então qual é?"
"Eu o perdi." Sem vacilar sou eu que uno nossas bocas em um encaixe perfeitamente moldado para nós. Minhas mãos enrolam-se no emaranhado de cabelo loiro, puxando-a para mais perto. As suas parecem incansável explorando minhas costas com as unhas até que se cansam e encontram o caminho da pele por debaixo da blusa.
E este beijo me lembra no primeiro compartilhado entre nós. 9 anos atrás. Quando ainda éramos garotas. Onde ainda nos descobríamos.
"Você está fugindo." uma voz surgiu por trás dela fazendo-a virar abruptamente, fechando os olhos para controlar as rápidas batidas em seu peito.
Elas estavam perturbadoramente próxima, tanto que podia disputar o oxigênio no mesmo espaço.
"Quinn. Você me assustou." Seu tom não passava de um sussurro rouco.
"Você está fugindo." Reafirmou. A garota mais baixa desviou os olhos, tentando fugir dos acusadores da outra.
"Eu sei que pode parecer, mas isso não é inteiramente verdade. De fato estive muito ocupada essa semana."
"Não faça isso." A mais alta aproximou-se quase hesitante. As bocas estavam apenas um centímetro de separação. Os narizes já eram capazes de se tocarem. "Apenas não faça isso Rachel."
"É você tem razão, é melhor não." deu um passo para trás, buscando uma saída. Alguma coisa. Qualquer coisa. Precisando do ar que começava a faltar-lhe, tentou dar as costas.
A morena teve seu braço segurado firmemente, impedindo que se distanciasse, virou-se apenas a tempo de se vê sendo jogada contra os armários. Suas costas se chocaram contra o metal e um barulho estrondoso se foi ouvido. Quinn agora tinha as duas mãos apoiadas no armário mantendo o corpo de Rachel entre as mesmas. Desta vez a proximidade era mantida pela líder de torcida e ela não estava nem de longe afim de recuar.
Os dois orbes castanhos transbordavam surpresa, mas era a excitação que se sobressaia, tamanha sua intensidade podia sentir suas pálpebras fecharem e a garganta secar. No entanto os olhos da loira transmitiam um fulgor, que parecia uma heresia não encará-los. Não se soube quem iniciou, mas o fato é que quando os lábios de ambas se encontraram uma carga de eletricidade pulverizou os dois corpos, até então frígidos para não dizer mortos. A pulsação acelerou, as batidas do coração tornaram-se forte que poderiam ser ouvidas por terceiros.
As mãos de Rachel estavam na cintura da outra, puxando-a contra si. Mesmo que a proximidade fosse insuperável. Uma briga silenciosa pelo controle do beijo era travada e suas línguas experimentavam um gosto jamais provado. Parar não parecia cabível. Suas mãos encontraram caminho para a pele por debaixo da blusa limitando-se nas costas, porém com um desejo imenso de explorar muito mais.
Os dedos de Quinn enrolavam-se ao emaranhado de cabelos negros descendo até a nuca provocando um gemido abafado na outra. Não hesitante em usar as unhas que cravam levemente, arranhavam e traziam sensações inquietantes. Algo era despertado a cada segundo e mesmo que o oxigênio fosse se esgotando ela não se achava capaz de parar.
Mas o ar faltou e o beijo tornou-se impossível. Os lábios foram separados e logo a falta um do outro foi sentida. A respiração pesada era prova que havia sido real. Não mudaram de posição, pareciam petrificadas em seus lugares, incapazes de perder o contato. Rachel tinha a cabeça inclinada para baixo enquanto Quinn matinha sua boca na testa da outra.
"Você tem alguma coisa para falar?" a voz da líder de torcida soou enguiçada e fora de controle. Podia sentir as mãos da diva repousada em sua cintura e isso era suficiente para mantê-la estagnada.
"Não, não mais. Você?" e apesar de ter imaginado a cena repetidas vezes em sua mente, não estava preparada. Tanto que era incapaz de formular frases longas. Uma pequena gota de suor caiu por seu rosto e podia senti-la arranhar. Seu sentido tornara-se aguçado e tudo a sua volta estava sendo levado aos extremos.
"Nunca tive."
Foi neste momento que perdemos nossa inocência. Onde tudo que importava éramos nós. Ainda posso sentir a sensação do nosso primeiro beijo. De fato não mudou nada do que sinto agora, e se, foi para algo muito mais forte.
Separamos-nos relutantes. A aproximação ainda é mantida por necessidade. Ela leva sua mão direita ao meu rosto, tocando-me levemente com a ponta dos dedos. E por onde ele se arrasta, queima prazerosamente. Fecho meus olhos suspirando pesadamente. Mas o contado para e o corpo dela já não está pressionado contra o meu, obrigando-me a abri-los. Ela está segurando a maçaneta da porta de costa para mim.
"Vou esperar na sala junto com Finn." E em um segundo estou sozinha com os ecos de sua voz nas paredes e os resquícios de sua boca sobre a minha. Não posso me ajudar a não ser passar a língua por meus lábios.
O gosto dela ainda está lá.
"Entre o desejo e o espasmo, entre a potência e a existência, entre a essência e a descendência, tomba a sombra." (T.S. Eliot)
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Vou ser honesto e dizer que não planejava um capítulo tão pequeno, isso seria só a metade dele. Porém já passei mais de uma semana sem atualizar então resolvi postar o que tinha para não deixá-los esperar mais ainda. A vantagem é que já sei o que ocorre no outro capítulo só falta escrever.
