Para esclarecimento, BAU = Behavioral Analysis Units ou UAC = Unidade de Análise Comportamental. E sim eu sei que não existe realmente 'profiler' no FBI, mas aqui existe.
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"Há aqueles que só empregam palavras com o objetivo de disfarçar seus pensamentos." - (Voltaire)
Rachel
As luzes de Nova Iorque refletem no vidro do carro. As cores se cruzam em flashes para se perderem em meio às esquinas, longe de meus olhos. É hipnotizante. As formas como elas se misturam, transformando postes de luzes opacas em um só quando encontram os grandes letreiros coloridos. A caminho do restaurante, o espetáculo visual nas ruas parece-me bem mais atraente do que realmente ouvir o que Finn tem a dizer sobre futebol. Ele dirige enquanto narra seu treino de hoje. E mesmo que seja sua voz que ecoa pelas paredes de meu cérebro, é a certeza de logo estar junta a ela que prende minha atenção.
Finn estaciona o carro logo a frente do restaurante. Um homem de uniforme vinho e rugas que contam uma idade que ele não tem abre a porta para mim. Saiu lhe oferecendo um sorriso agradecido e ele me devolve olhar cansado. Meu noivo enlaça minha cintura em um gesto íntimo me levando em direção a entrada. Seus passos são longos e tenho que apressar os meus. Uma luz amarelada nos acolhe quando adentramos no local, a decoração é minimalista. Mas meus olhos passam ligeiramente sobre os detalhes para focar-se nela. E o porquê dela não estar só.
"Esta é Olivia Smith. Olívia estes são Finn Hudson e Rachel Berry, ou melhor, futuro Senhor e Senhora Hudson." Sua voz é tão polida quando nos aproximamos que me faz doente. A mulher do seu lado tem um sorriso encantador pintando em sua face. Sua beleza não ajuda no meu desagrado ao ver a intimidade gritante entre as duas.
Seus cabelos castanhos claros correm até os seus ombros perfeitamente moldado. Um pequeno fio excluso cobre seus olhos delicadamente, atraindo atenção paras as órbitas acinzentadas e brilhantes. Sua pele não é tão branca como a de Quinn, nem parece macia tanto quanto, mas contrasta perfeitamente com os detalhes de seu corpo. Ela é linda, não há como não admiti-lo. E isso só a me faz odiar mais. Antes de ouvir sua voz, antes de saber sua existência.
"É um prazer conhecê-los." Jesus, porque ela soa tão irritante?
"Igualmente." Por algum milagre encontro a estabilidade de fazer as palavras atravessarem minha garganta. Mesmo que a dilacere ao fazer. Nós quatro tomamos nossos assentos e apesar de saber que Quinn está de frente para mim, ainda não encontrei a coragem para encará-la.
"Então era na sua casa que Quinn estava hoje a tarde." A ousadia de Finn faz meus olhos ampliarem consideravelmente. E pela primeira vez eu encontro olhando na direção dela. Sem surpresa, não a reação. Ela nada diz e é como esperasse por minha reação. Desafiando-me. E eu perco sendo a primeira a recuar.
"Por que não pedimos logo? Não sei vocês, mas estou faminta." Sim, eu estava me escondendo outra vez. E quando todos concordam, deixo o ar escapar de meus pulmões em suspiro de alívio inaudível.
O tempo deve ter passado, pois o garçom trás nossos pedidos. Ainda sim não sinto tal. Tudo passa despercebido ao meu redor e eu não ligo. É uma tentativa de fugir da realidade, proteger-me. Porque cada vez que a realização me bate, meus sentidos sobrecarregam-se. Aprendi a proteger-me da realidade, mas agora nada parece suficiente para sufocar a dor que emerge gradualmente. Corroendo. Dilacerando.
A sensação inquietante no meu estômago faz-me enjoar. A comida permanece intocada em meu prato, esquecida. Eu sei a causa, não queria, mas é estupidez negar. Vê-la ao lado de alguém tão intimamente me faz mal fisicamente. Quase sou incapaz de conter a raiva que acende e espalha-se queimando por todo meu corpo. Queria poder fechar os olhos e fazer tudo desaparecer, mas não havia nada de reconfortante no escuro.
Estou perdendo. Olhar para Finn nada provoca além de ressentimento. Foi minha escolha. Eu me coloquei aqui. E nada assombra-me mais do que a realização de não poder tê-la.
"Então vocês trabalham juntas?"
"Não exatamente. Nós duas somos do FBI mas meu trabalho é dentro de quatro paredes." Ela diz ganhando minha atenção. Esforço-me para entender a conversa e poder suportá-la.
"Mas você carrega uma arma e um distintivo?" ele pergunta como uma criança que tantas vezes se parece. Finn recebe um sorriso divertido por sua excitação. Parece que sua ocorrente infantilidade não é um segredo.
"Sim, só não as uso. Esse tipo de ação é com Quinn aqui." Quando ela toca o braço de Quinn, me vejo novamente desviando olhar. Por que precisa tocar para falar? É tão simples manter as mãos para si mesma.
"Por favor não há nada menos glamoroso do que ser profiler." E a voz que tanto me assombra prende-me ao chegar aos meus ouvidos. Pois tudo que ela diz nunca passa despercebido por mim. Atraindo-me por seu tom provocador, a malícia escondida. E até no simples ato de falar ela transborda sensualidade. "Olívia está dando uma de modesta. Ela na verdade é meio que minha chefe."
"Bem isso não é nada profissional." Digo com um leve desgosto. Quinn arqueia sua sobrancelha, deixando um quase imperceptível sorriso tomar seus lábios. Dizendo-me o quanto ela gosta. E por um simples gesto posso sentir minha excitação molhada. Querendo nada mais que ser tomada e transar com ela em cima dessa mesa agora, até que grite seu nome desesperadamente.
"Ela disse 'meio que'. Estou acima dela na hierarquia, porém trabalhamos em departamentos diferentes. E isso é só porque ela continua recusando qualquer promoção." Eu não estou ouvindo, concentrada apenas no latejar no meio de minhas pernas.
"O que posso fazer se estou bem na BAU?" sua última frase é dita enquanto não desvia o olhar de mim. Sua pupila levemente dilata faz-me suspeitar que ela está pensando o mesmo que eu. Deus me ajude mas não iria negar se ela tentasse me fuder agora...
"Se me dão licença, vou ao toalete." Digo levantando-me abruptamente quando o queimar do meu corpo tornar-se demais para suportar. E meu estado me da uma ousadia desconhecida. "Quinn, você vem comigo?"
"Claro." Ela segue-me logo atrás deixando Finn comentando algo sobre mulheres sempre irem ao banheiro em grupo.
Passo pela porta primeiro, constatando que não tem ninguém. Quando ela entra, giro a chave sem hesitar. E como se lesse meus pensamentos ela segura meus dois braços firmemente e me beija. Suas mãos correm para debaixo de minha coxa, levantando-me. Enlaço minhas pernas na sua cintura e ela me empurra contra a parede. Ela encontra o caminho para debaixo do meu vestido, arrastando as unhas na minha pele nua.
"É isso que você quer não é Rachel?" seus dedos afastam o pano de minha calcinha do caminho e sem hesitar ela penetra-me com dois deles. Agarro os fios de seu cabelo rudemente. Encosto minha cabeça na parede, fechando os olhos em êxtase. "Ser fudida. É disso que você gosta."
"Oh Deus, s-sim." Ela puxa seus dedos e quando estou prestes a protestar volta com três deles. "I-isso mesmo. Me fode Quinn!"
Seus movimentos são incansáveis e fortes. Mantenho meu quadril movendo contra seu punho A familiar queimação no estômago espalha-se que nem chamas. Minha boca abre em um grito não dado pois ela me beija tentando sufocar minha voz. Em um último golpe ela pressiona meu clitóris e eu me desfaço em seus braços. Retardando os movimentos enquanto me convulsiono, junto com nossas respirações pesadas que aos poucos tomam controle. Ela leva seus dedos até minha boca e em um gesto conhecido eu os sugo. Ela substitui eles com sua boca, onde sua língua encontra a minha junto com meu próprio gosto.
Quando minha perna torna-se funcional ela me coloca no chão e volta-se para o espelho em cima da pia de mármore. Lavando a mão, ela não me encara enquanto tento ajeitar minha aparência. Sem trabalho ela retoma a compostura. Ela está prestes a sair, mas para minha surpresa ela se vira para mim. Aproxima-se até nossos corpos ficarem centímetros de distância. Ela leva sua mão ao meu rosto, passando um pequeno fio de cabelo por trás de minha orelha. Nossos olhos nunca deixam uns aos outros e o sentimento que me percorre é revigorante.
"Eu não sei se já lhe disse mas você está deslumbrante." Sua voz é um sobro em meu rosto antes dela beijar-me delicadamente nos lábios. Deslizo as pálpebras, deixando uma tranqüilidade sufocante tomar-me. Posso ouvir os passos avisando que ela foi embora, mas por estes segundos encontro-me incapaz de mover.
Em quinze minutos ela foi capaz de me levar ao orgasmo para depois deixar-me sem falar. Tudo que ela faz é brilhante. Quando volto para mesa ela já envolveu Finn em uma conversa animada, salvando-me de qualquer inquisição. Mas o olhar que Olívia manda em minha direção, deixa claro que a inocência que me permiti enganar meu noivo ela não têm. Parece que tanto quanto não gosto dela, agora o sentimento é mútuo.
O jantar passa. E o que parecia interminável, termina. As duas sorriem na despedida, mas estou focada nos olhos dela. Eles parecem querer dizer o que não deve ser dito. Ou devem enganar-me sobre o que ela pensa. Porém quando ela deposita um beijo em meu rosto eu juro que posso ouvir as fortes batidas de seu coração no mesmo ritmo do meu. Eles parecem tocar juntos, descontroladamente. Desesperadamente. Ainda sim ela vira as costas, deixando-me para trás como sempre. Presa nas raízes que saem do concreto e prendem meus pés firmemente contra o chão, apenas assisto sua silhueta perder-se na minha linha de visão.
Minhas mãos tremem compulsivamente e sinto meus olhos queimarem. Seguro as lágrimas junto com o pouco de dignidade que me resta. Foco no chão de concreto da calçada, incapaz de vê-la indo embora com Olívia. De todas as coisas que esperei que fosse, covarde não é uma delas. E agora parece a palavra mais apropriada para descrever-me. O cálido vento acaricia minha pele exposta em um frio consolo. A eletricidade atravessando meu corpo, pulverizando-me, numa tentativa falha de fazê-lo ganhar vida. Não funciona. Pois é Finn que segura minha mão firmemente e é repugnante ver como ambas não se encaixam, como pareço sumir sob ele. É esta mão que me impede de correr, ela e os assombros de minha consciência.
Estou a seis dias de ver tudo acabar. Da parte mais importante de minha vida desvanecer entre meus dedos, enquanto assisto-a cair por terra e ser apagada pelos meus próprios passos. Fecho minha mão, pressionando as unhas contra minha pele. Insistindo. Machucando. A consumação de que a quero aqui, que preciso dela aqui mais que o ar rarefeito que penetra meus pulmões dolorosamente. Eu não estou pronta para deixá-la ir, não estou pronta para vê-la deixar-me ir. E só a duas coisas que me impedem de não aceitar esse destino.
É essa mão que me segura. E minha covardia.
Sou eu mesma.
Porque não mentiras para negar o inegável. Não há ilusão para ludibriar a veracidade... Eu a amo e sou eu que a estou deixando ir.
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Quinn
"Então você está transando com a noiva do seu amigo." As palavras não eram acusatórias, soavam mais como uma triste piada. Sua boca entorna numa espécie de sorriso que não chega aos seus olhos. Ela cruza os braços em frente ao seu corpo, protegendo-se. Eu não queria a fazer sentir-se assim, mas também não há nada que possa fazer se ela não me provoca o mesmo. "E você transou com ela no banheiro do restaurante enquanto seu estúpido noivo esperava."
"Quando você coloca assim eu quase me sinto mal." Trair Finn não me pesa a consciência. Não há arrependimentos ou hesitações. Não quando é por ela.
"Você não vale nada." Ela diz e eu me aproximo segurando seu rosto com as duas mãos. Meus lábios encontram o dela. Ela agarra o tecido da minha roupa entre seus dedos, puxando-me. Como se não pudesse me deixar ir e eu não quero que ela o faça. Nossas línguas se encontram em um beijo languido e logo ela aceita minha dominância. Tão diferente da impertinência de Rachel. Eu gosto de seu beijo, mas não o sinto. Sinto o seu cheiro, mas não o desejo. Desejo o seu corpo, mas não o preciso.
Ela não quem eu quero estar beijando. E ela sabe disso.
Olívia empurra-me com força, fazendo-me cambalear dois passos para trás. Eu não respondo. Ela precisa disso. Tanto quanto eu.
"Eu não posso acreditar nisso. Você está apaixonada por ela, não é?" Sim. Poderia dizer, mas não o faço. Machucá-la não é minha intenção. Porém ela não é capaz de me dar o que preciso. "Não vou transar com ninguém que está apaixonado por outra pessoa."
"Quem disse algo sobre esta apaixonada?" é uma tentativa patética e nós duas sabemos.
"Quinn se você não estivesse já teria me fudido enquanto falo." Ela provavelmente está certa. Mas isso foi tempos atrás. Porque por alguma razão eu me deixei mudar. Sentindo algum resquício de vida circulando novamente por entre minhas veias. E não há nada de consolador nisso. Pois já havia esquecido o quão doloroso é sentir. "Está tudo bem. Não é a primeira vez que alguém que amo não corresponde... Quer dizer, é a primeira vez sim."
"Desculpe-me." É um sussurro tão fraco quanto à desculpa em si.
"Hey o que não me mata me fortalece, certo?" a sua tentativa de humor é falha e nada faço além de concordar com a cabeça em um gesto melancólico. Ela merece mais do que isso. Muito mais do que seus belos olhos acinzentados lacrimejantes. "Vem vamos beber."
"Acho-" tento protestar, porém ela me corta rapidamente.
"Você não tem direito de voto. Acabou de partir meu coração, o mínimo que pode fazer é ficar bêbada comigo."
As horas passam sem pressa enquanto o álcool age depressa. A garrafa de whisky jaz sobre o vidro da pequena mesa de madeira no centro da sala. O cheiro forte mistura-se o ar penetrando furiosamente nos nossos pulmões. Olívia está meio sentada, meio deitada no sofá. Ela mal segura as pálpebras abertas, que pendem a todo instante. No seu rosto a um delicado rastro de lágrimas, que outrora foram derramadas por minha causa. Ela não fez barulho e nada disse. Foi silencioso e eu apenas a assistir afogar sua mágoas na bebida até que ela estivesse misturada por todo o seu sangue.
Ponho-me de pé sem dificuldade já que o pouco álcool que consumir não fez-me efeito. Me aproximo dela passando o braço por seu tronco numa tentativa de levantá-la. Peso morto é mais pesado, mas consigo sustentá-la com algum jeito.
"Vêm está na hora de ir para cama."
"Você é tão ríspida." Sua língua já enrola, mas sei que ela não está não bêbada quando aparentar. Ela parece esgotada mais do que tudo. Nossos passos até seu quarto são trêmulos e desajeitados. Deito seu corpo na cama o mais leve que consigo e tão logo ela encontra o colchão ela permite-se relaxar. Por alguns segundos nada faço além de observá-la, porém Olívia nunca vai ser Rachel e o tédio tornar-se evidente. Estou prestes a deixá-la sozinha quando uma sua voz, pequena e frágil é jogada ao ar em um murmuro fracassado. "Quinn, fica comigo?"
Ela me encara, mostrando uma sobriedade recém adquirida. É como se a devesse tudo que posso dar.
"Claro."
Deito ao seu lado na cama, amassando os lençóis já amassados. De frente uma para outra, o ar torna-se denso, mas parece incabível que alguém desvie. Os segundos tornam-se minutos e os minutos perdem-se na realidade do tempo e espaço. Por agora ele não é necessário. Toco levemente o rosto dela com a ponta de meus dedos, fazendo-a sorrir. Contornando cada traço delicado, tentando memorizá-los.
"Poderia tão facilmente me apaixonar por você." Meu tom não passa de um sussurro através do fôlego que esvazio de meus pulmões. "É só você me deixar."
Ela segura minha face com sua mão direita e seu toque é reconfortante no frio de minha pele exacerbadamente pálida. Seus refletem um brilho quase melancólico e não posso impedir meu âmago de revirar sabendo que fui eu que o coloquei ali. Ela não merece. Eu não a mereço.
"Mas é ela que você escolheu." Ela ensaia um sorriso mas ele é frágil desmoronando com um sopro de sua respiração tranqüila. Deveria falar alguma coisa, sinto que deveria. Porém ela arrasta o polegar por meus lábios, calando-me. "Está tudo bem. Eu já aceitei. Por que você não?"
"Ela não é para mim tanto quanto você. Nunca foi."
"Não diga isso. Por favor pare de dizer isso." Sua voz é exigente. Forte. Questionadora. Mas não posso satisfazê-la. Há coisas escuras e enterradas sobre tantas camadas que eu mesma sou incapaz de achar a resposta. Ela segura minha mão a levando em direção ao seu tronco. Ela segura-a firmemente logo em cima de seu peito, onde por debaixo da roupa, da pele, está seu coração. Ele bate contra palma de minha mão. Rápido e incansável. "Pode sentir como está acelerado? É por você. Se ele diz que você merece porque alguém diria ao contrário?"
"Olívia..." as palavras me faltam. Pois o sentimento de um músculo batendo penetrou-me como não deveria. Bum. Bum bum. Uma, duas, três vezes. E é tudo que eu escuto. "É muito tarde. Ela vai se casar em seis dias."
"A hora já passou há muito tempo, mas não é tarde demais. E isso não é algo que você vai querer se arrepender mais tarde."
Eu sei que ela está certa. Ainda sim permanecer no escuro é de certa forma reconfortante, porque a alternativa é deveras pesada para agüentar. Se escutá-la existirá algo pelo que correr atrás e nada nunca pareceu-me tão assustador do que a idéia de perder esta batalha. Então seria minha culpa. E isto é algo que não posso carregar.
"Ela não vale a pena. Você sabe que eu penso isso. Porém eu te conheço e deixá-la no escuro após todos esses anos não é justo com nenhuma das duas."
"Eu não a deixei no escuro." Protesto e apesar de minha voz ser convincente, como sempre quando mentiras escapam por minha garganta tão facilmente, ela me encara de volta soltando uma risada mal ensaiada.
"Por favor Quinn, você é a mestre do disfarce. Especialista em não deixar ninguém entrar."
"Deus, eu odeio quão bem você me conhece sabia disso?"
"Nós duas odiamos."
Ambas perdemos o sorriso ao longo dos segundos. Eu posso me ver refletida na íris acinzentada dela em uma imagem borrada. Tentando me encontrar dentro dela. Mas nada satisfaz o desejo dentro de mim. Ela não é o suficiente. Ela e tantas outras que estão esquecidas entre os meus passos. Porque não importa quantas vezes procure as respostas no corpo de estranhos é apenas ao longo das belas curvas da pele dourada que sou capaz de encontrar-me. Com Rachel ao meu lado a vozes se calam, as imagens se desvanecem pelos corredores de meu cérebro. E tudo permanece quieto. Silencioso.
Solto o ar dos meus pulmões em um suspiro resignado, fazendo-o percorrer um caminho longo e traiçoeiro pelo meu corpo. Minha cabeça lateja e a dor aguda ecoa. Meus músculos estremecem. Ela não está aqui e o incômodo abraça-me intensamente.
"E se eu não quiser?" meu último argumento é jogado aos pés dela sob disfarce. Olívia parece me analisar, ainda afundando sobre o travesseiro, tentando enxergar alguma coisa. Porém meus olhos são inexpressíveis e meu corpo, imóvel. Garantindo que ela nada encontre além de minhas palavras.
"Então está na hora de a deixar ir." E está é a única coisa que não sou capaz de fazer.
"O que está por trás de nós e o que está diante de nós são questões minúsculas se comparadas ao que está dentro de nós." - Ralph Waldo Emerson
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Ok. Esse não é nem de longe um dos meus melhores capítulos. Desculpe-me por isso... O próximo pode ou não ser o flashback, depende sobre o que estiver com humor para escrever. A cena NC desse capítulo deve ter sido a maior rapidinha da história e talvez tenha ficado um pouco mal escrita. Foi a última cena que escrevi, pois decidi adicioná-la no último momento. Espero que não ofenda ninguém.
