Não é uma miragem. É capítulo mesmo.

Antes que falem da demora tenho uma desculpa muito boa. O pen driver onde guardo tudo que escrevo quebrou. Isso mesmo. Cinco anos perdidos. Inclusive outra fanfic Faberry que estava escrevendo. O capítulo tava lá, só faltando corrigir. Depois dessa tragédia, fiquei com muita raiva para escrever. Foi tanta que por este tempo havia decidido parar de escrever. Mas depois de meses finalmente me acalmei.

Enfim, tá ai. Espero que aproveitem.

WARNING: Lots and lots of sex. Mas obvio que não é só isso. Se não gosta das cenas NC-17 por favor pule e não me mande mensagem privada dizendo que eu poderia cortar essas partes. Porque, querida, eu não vou.

As músicas que usei enquanto escrevia esse capítulo, seria legal vocês ouvirem para saber mais ou menos o que eu pretendi:

The Leavers Dance – The Veils. (Começo)
Cosmic Love – Florence and the Machine.
(Cena de sexo)
Creep – Readiohead.
(Random)
Im Not a Hero – Hans Zimmer & James Newton.
(Última cena.)
Sonata K 304 – Mozart. (Random)
Hello – Evanescence (Foi para um cena de briga deletada)

-X-

"Quem fala com seus instintos, fala com o que há de mais profundo na humanidade e encontra a resposta mais breve." (Amos Bronson Alcott)

É escuro e eles são banhados pelo mórbido silêncio de uma noite sem estrelas. Eu não me faço vista, escondida por uma imensidão além de seus olhos. Mas tal beleza é mal notada quando a cidade se faz ouvir. Gritante. Exibicionista. Cruel. E é a mesma que testemunha o apaixonado casal de amantes, entrelaçados nos braços um do outro, resistindo a eminente separação. Mas se você olhar mais de perto, só um pouco mais, vai perceber a leve tensão dos músculos estriados sob a pele morena da mulher.

É divertido como os olhos dela não contam a mesma história que seus gestos insistem em dizer. Eles transmutam uma malícia quase imperceptível em suas íris escuras. Os fortes traços de seu rosto refletem uma longa estrada que nada fazem além de resplandecer sua beleza.

Ela espera. Fingi. É quando se vê livre dos braços de seu suposto carcereiro que ela gradualmente toma forma. Uma grossa máscara escorregando por sua pele, para revelar sua verdadeira face.

Os humanos são como pequenas obras de artes que gosto de observar em seus momentos mais íntimos. Debaixo da asquerosa escama que usam durante o dia. É quando apareço que eles libertam-se. E é um momento glorioso de assistir. Suas tripas para fora, restando o puro instinto e vontade.

Mas quem sou eu para julgar pobres mortais? Eu não julgo, não sinto. Apenas existo. Faço meu trabalho. E de tempos em tempos permito-me observar as pequenas obras de artes que tanto me interessam. Muitas vezes eles me encaram de volta, através das minúsculas órbitas de seus olhos. Admirados com minha imponência diante da escuridão. Eu sorrio para eles através de meu brilho majestoso.

Gosto dos humanos, a como gosto. Tão primatas hoje, como foram inicialmente.

Rachel

Os braços de Finn envolviam-me possessivamente. O peso dele sobre mim, tocando todo meu corpo, as palavras sendo sussurradas mas elas não chegam ao meu ouvido. O vento frio da noite acaricia minha pele com toques que me despertam calafrios na espinha.

Há duas limusines pretas estacionadas a nossa espera. Cada uma destinada para a respectiva festa. É a noite de nossa despedida de solteiro. Ela anuncia a eminência de nosso casamento. Alguns dias a mais.

"Eu não gosto da idéia de homens fortes dançando para você." Mal sabe ele, que há tempos estes não me atraem mais. Que ele não me atraí.

"Eu posso dizer o mesmo você sabe. Não com homens, é claro. Mulheres praticamente nuas." Ele ri satisfeito com meu ciúme. "Por favor, não dê ouvidos a nada que Noah fale."

"Pode deixar." É preciso um beijo em meus lábios para que ele me solte. E tão logo me liberta caminho apressadamente até o carro a minha espera.

Apenas espero que esta noite traga-me algo bom.

-x-

As luzes piscam descontroladamente. As cores explorando o escuro, brincando com os corpos daqueles que dançam sob seu comando. A música provinda das caixas de som espalhadas pelo lugar, ecoam pela parede da boate e de nossos cérebros. Mas estes nada fazem com minha presença estóica. Sentada no sofá coberto por couro sintético preto, observo os corpos dos homens que dançam em minha direção pertencentes a rostos desconhecidos.

É irritante seu movimento tanto quanto são incansáveis os mesmos. Incentivados pelos gritos estridentes que atravessam as gargantas daqueles que me rodeiam, penetrando meus ouvidos impiedosamente. Parada, me vejo apenas querendo livrar-me da ânsia que o ambiente me provoca. E é na figura de sua silhueta, sentada sozinha no bar a alguns metros que encontro refúgio.

Escapando, entre os dançarinos que ameaçaram me seguir e imperceptível a visão daqueles que encontram-se desgastados pelo álcool no sangue. Mesmo com meus passos tornando-se trêmulos, devido a bebida ingerida ao longo da noite, manejo chegar até ela. Postando em suas costas, sem ousar tocar o que parece intocável. Confiando em sua capacidade de perceber minha presença. Ela não desaponta.

Vejo-a arrastar uma dose de vodka para direita, em um convite silencioso para que me juntasse a ela. Como se soubesse que eu acabaria por procurá-la. O quão patética eu sou? Não é como se eu realmente me importasse com isso, orgulho é algo que abri mão a muito tempo apenas pelo prazer de estar com ela.

Acomodo-me no banco vazio a sua direita, aceitando seu convite. Encaro o pequeno copo de vidro a minha frente,preenchido por um liquido transparente o cheiro do mesmo penetra minhas narinas fortemente.

"Se divertindo?"

"Imensamente."

"O que? Homens fortes, quase nus, dançando, não te excita?" não preciso olhá-la para saber que um sorriso brinca em seus lábios. Está gravado minuciosamente em minhas memórias, como tudo que paira ao seu redor. É quase um hobby. É quase saudável. "É, eu acho que não. Talvez se fossem mulheres."

"Apenas cala a boca e bebe." Murmurei levando meu próprio copo a boca. Posso sentir o líquido queimar enquanto traja seu caminho. Restando apenas se gosto amargo em minha língua, um rastro bem vindo de quem assumira a culpa.

-x-

Quinn

Um copo tornou-se outro, e outro. E logo o álcool falava por ela, circulando a parede de seu cérebro sem permissão. Perdendo o controle de seu corpo que agora era controlado por mim, como tantas outras vezes, onde a guiava através das luzes inquietantes e passos incertos até a saída mais próxima. Foi com certa dificuldade que atingirmos a porta, o vislumbre da gélida noite pareceu libertá-la do torpor anterior.

"Vem. Você está indo para casa." Levei minha mão ao seu braço, segurando-a firmemente. Ela tentou libertar-se, mas meus dedos marcavam sua pele que tornara-se quente ao meu toque.

"Me solte!" Sua voz elevara-se alguns decibéis, ecoando além da escuridão da estreita rua. Mas não vacilei, continuando a manter seu corpo junto ao meu enquanto a guiava através de seus passos erráticos. "Quinn Fabray se você não me soltar neste exato momento eu juro vou gritar sob o argumento de estar sendo seqüestrada."

"Você ficaria surpresa com o que um distintivo do FBI faz." Revirei os olhos, mas um sorriso discreto formou-se no canto de meus lábios. As lembranças transbordando em minha mente e até posso vê-la usando suas roupas do tempo de adolescente. "Dá para você parar de lutar contra mim?"

"Não vou deixar ser raptada sem ao menos lutar por minha liberdade."

"É claro, porque sua casa agora é um cativeiro." Parei abruptamente, segurando ambos os seus braços e empurrando seu corpo fortemente contra a parede. Suas costas colidiram contra os tijolos, prendi suas mãos com as minhas mantendo-as firmes estirada em cima de sua cabeça. E com meus olhos procurei a escuridão refletida nos dela. "Estou a levando para casa porque quero te foder na cama, ou você prefere que seja aqui mesmo? É só me dizer, que eu a faço gozar em meio a rua."

É excitante assistir como sua íris tornara-se turva coberta por uma imensidão negra que prendia-me por seu magnetismo. Sua boca entreaberta, respirando com dificuldade e pesadamente.

"Eu acho... Eu acho que é de nosso melhor interesse se fomos para casa." A rouquidão tornara-se presente em sua voz, que parecia se esforçar para atravessar seu caminho.

"É. Eu achei que você iria ver as coisas do meu jeito." Eu a liberto, girando os calcanhares para retomar meus passos em direção ao carro. Por alguns metros somos acompanhadas apenas pelo sussurro da cidade. Posso sentir sua presença me seguindo até que ela se posta ao meu lado e mesmo que não nos olhemos é reconfortante o barulho de nossos saltos contra o concreto.

Mas ela quebra o silêncio, e os músculos de meu rosto já tencionam.

"Apenas mantenha em mente que não sou completamente contra a idéia de sexo em público." Sua voz soa baixa, mas ela não é suave. Penetrando em meus ouvidos e causando um arrepio cortar minha espinha. Posso ver o movimento gracioso de seu quadril enquanto ela se distancia.

Oh Deus, essa mulher vai ser minha perdição.

-x-

Rachel

Chegamos ao meu apartamento em longos e silenciosos minutos e parece que junto com ele veio minha lucidez. E a cada passo incerto que me conduzia ao quarto, uma dor sufocante penetrava meu peito. Porque está tão perto, e quase posso sentir você se desvanecer em meus braços. Tornando-se uma lembrança dolorosa do que poderia ter sido.

Eu não estou pronta para te deixar ir. E acho que nunca estarei.

"Fique." Minha voz não passa de um sussurro embargado que resiste em chegar aos seus ouvidos. Procuro seus olhos, e o encontro com ele faz-me prender o fôlego. As fagulhas da luz refletindo em sua íris, transmutando seu brilho esverdeado. Há uma necessidade obvia, sobre posta em um resquício do que não ouso dar nome. Mas eu me rendo a ele, e através de poucas palavras que atravessam minha garganta como uma súplica, estou entregue a ela. "Faça amor comigo."

Ela não responde. Não é preciso.

Sinto seu toque suave e quase hesitante em meu rosto. A ponta de seus dedos traçando minha pele. E como ensaiado, nossos lábios se encontram. É calmo. Preciso. E faz-me sentir perfeita. Sua língua contra minha, em um movimento demasiado familiar. Mãos explorando o já conhecido corpo, mas nunca tendo o suficiente do contato.

Nossas bocas se separam com relutância, e nossos olhos se encontram. Uma faísca invisível trocada. Há algo de eletrizante no ar. É melancólico. É assustador. Ela passa seu braço por minha cintura, repousando em minhas costas. Sem quebrar o contato visual, dou dois passos para trás, sob seu comando sento na cama. Arrastando-me de costas pelo lençol branco que enruga ao nosso redor. E tão logo me deito, sinto seu corpo pressionado contra o meu. Com rapidez ela faz novamente o caminho de meus lábios.

As mãos tornam-se ousadas. Explorando a pele exposta de suas costas, as repouso logo abaixo de sua coluna sentindo o fino pano de seu lingerie. Quinn encontra o caminho do fecho de meu sutiã, abrindo-o sem dificuldade. O tecido desliza por minha pele, sendo jogado para o lado e caindo no chão. A recente exposição faz com que ela pare. Suas pernas dobradas em cada lado do meu corpo, ele levanta o tronco. Encarando minha pele, até de volta para meus olhos.

"Perfeita." É apenas um murmuro e talvez se não focasse em seus lábios tivesse perdido a palavras. Ela arrasta suas mãos por meu abdômen, minha pele queima sob seu toque. Uma flama penetra pelas veias, mandando vibrações por meu corpo. E quando ela toca em meus seios, apertando-os firmemente não posso impedir o gemido estrangulado que escapa por minha garganta. "Você é perfeita."

Seus lábios tocam a pele de meu abdômen suavemente, arrastando-se numa lentidão quase cruel. Meu corpo responde contraindo-se contra seu toque, arrepiando-se e queimando a cada movimento. Quando estes encontram meus seios, sua língua torna-se presente que percorre o volume até a ponta de meu mamilo. Sinto-me em chamas, sons abafados atravessam minha boca. Querendo mais. Implorando por mais.

Enquanto os movimentos de sua língua me torturam, suas mãos passam a explorar minhas pernas. Ela crava as unhas em minhas coxas e eu em seu pescoço e na pálida pele de suas costas. O primeiro toque é quase um leve sopro, ainda sim suficiente para que sinta o frio vibrar sob minha pele. E por tão pouco sinto-me perto do auge, ou na borda do precipício querendo nada mais que o chão desapareça de baixo de meus pés trêmulos.

Queria fazer que esse momento perdurasse a eternidade, e você entende meu desejo. Mas a sensação é pesada demais para que carregue, e logo minha boca contradiz minha vontade implorando por um desfecho. E é em meio ao meu pedido, ou suplico, que sinto você penetrar-me lentamente como se o seu medo do tempo fosse tanto quanto o meu. Nossas bocas se encontram novamente. Sensual. Necessitado. E trás a tona os mais viscerais sentimentos, enterrados em mim a tantos anos.

Antes que possa fazer algo, elas já caem. Seguidamente. Continuamente.

Eu estou chorando.

Meu orgasmo se aproxima junto com minha angústia. A pressão é mais do que posso suportar quando a mistura de ambos transcende meu corpo, que agora não passa de músculos trêmulos. Minhas lágrimas não secaram, traçando um caminho úmido por minha pele. Contando o que falta-me coragem para dizer.

Ainda respiro pesadamente com o corpo errante quando ela me acolhe em seus braços. Deitada, entrelaçada a ela permito-me finalmente ser levada pelos braços de Morfeu. Para um lugar onde talvez minhas lágrimas ainda não caíram.

-x-

Quinn

Um filete de luz atravessa a fresta da cortina escura que cai sobre a janela. Iluminando os pequenos cristais de poeiras que flutuam pelo quarto e penetram nossas narinas a cada inspiração. O dia chega sem pedir permissão, trazendo com ele os temores submersos em meu peito e cravados em meus ossos. Nada me acolhe, não há conforto. Apenas a sombra do que um dia fora promissor.

Meu tempo com ela está acabando, é como se mover do relógio me arrastassem entre as pedras por um caminho que tento fugir. Eu posso ver minha cova ao fim da estrada. Esperando. Paciente.

Podia sentir minhas entranhas contorcerem e meu âmago revirar. Sua respiração leve acariciava-me a pele suavemente. Com sua cabeça repousada sobre meu tórax, eu assistia ela dormir. O contorno delicado de sua face, era memorizado a cada mínimo detalhe como um hobby do qual prendia minha total atenção. Ela é a personificação de beleza e a realização de que ela descansa em meus braços, que enlaçam seu corpo perfeitamente, é quase demasiado para que seja capaz de suportar.

Eu a quero. Tanto que o ar que atravessa meus pulmões, dilaceram-me em seu trajeto. A dor é lenta. Agonizante. Prazerosa. A necessidade que grita incessante nas paredes de meu cérebro, ecoando por seus labirintos traiçoeiros.

Fique.

Seja minha.

Eu preciso de você.

As palavras que deveriam ser ditas, mas que parecem incapazes de encontrar seu caminho até minha boca. Não há uma fibra do meu ser que não tenha certeza que a amo, e tal sentimento ainda parece infame em comparado a necessidade e a dependência do simples ato de encarar seus olhos, se perdendo na imensidão negra que são eles. Ainda sim, não parece o suficiente. Pois nunca seria o que ela precisa. Nunca serei o que ela fazer jus a.

Sinta meu corpo queimar sob seu toque. Uma corrente pulverizando as artérias e queimando os músculos. Mas você não me pertence. Eu que estou condenada a você. Que logo estará casada com outro, e por agora, tudo parece derreter.

"Não esqueça que não posso ver a mim mesmo, que meu papel é limitado a ser aquele que olha o espelho." (Poeta francês Jacques Rigaut)

-x-

Espero que tenha dado para entender quem ou o que está narrando no começo... Enfim, cheguei no ponto que tudo que quero é escrever as cenas Faberry. Mas não dá. Estou procurando ainda para onde levo a fanfic a partir de agora. Sem idéias. Quanto ao flashback, eu sei que querem mas minha idéia para o passado delas têm que ser bem trabalhada então estou hesitante em enfiar o que daria uma história no meio da fanfic. Até porque não era meu plano original colocar a história delas adolescentes, apenas fazer o leitor entender como elas chegaram a esse ponto.

Então, o final da cena de sexo foi escrito 5 minutos antes de postar. Então está uma meeeerda. Perdoe-me qualquer coisa.

Obrigada aos leitores, que espero que ainda tenha, prometo solenemente não demorar mais tanto tempo para atualizar.

Comentários fazem-me escrever mais rápido :) Até próximo capítulo.