Capítulo II
Terça-feira, 09 de setembro
Na casa da árvore. 22hs.
Professora, sei que a senhora deve estar se perguntando o que estou fazendo numa casa em cima de uma árvore, mas posso explicar.
A casa da árvore é meu esconderijo, o lugar onde fico durante horas e ninguém me descobre (exceto meu pai).
Como já falei antes, sou a única mulher de sete filhos e também a caçula, então quando eu era criança meus irmãos viviam me enchendo. Com pena de mim, meu papai teve a brilhante idéia de fazer um lugar só meu, por isso construiu essa casa na maior árvore do quintal e a mais escondida. Além disso, o grande segredo desse local é que só eu sei como entrar nela.
Então, a senhora deve estar se perguntando o porquê de eu estar me escondendo.
Vou explicar.
Tudo começou hoje de manhã.
Ontem dormi decidida a esquecer aquela história de estar gostando do Draco, porque isso é totalmente insano.
Quer dizer, eu gosto dele, mas somente como amigo.
Acordei bem cedo, me arrumei e desci para tomar meu café. Encontrei Draco sentado à mesa junto com meus pais, Rony, Harry, Fred e Jorge.
É normal Draco comer aqui, afinal vive praticamente sozinho naquela Mansão. Lúcio e Narcisa (os pais dele) vivem viajando.
Sentei ao lado dele e, sem me dirigir a ninguém especificamente, disse:
"Bom dia."
"Bom dia!" – ele respondeu beijando minha bochecha.
Comemos e, depois, seguimos para a Escola.
Durante o caminho, Draco falava despreocupadamente sobre as aulas e os treinos de futebol, vez ou outra me perguntava alguma coisa e eu me limitava a dizer "sim" ou "não."
Sabe, não estava com vontade de conversar com ele, ainda estava chateada porque pra ele não sou tão importante ao ponto de me contar que ele estava namorando.
Até onde eu sei, e começo a pensar que não sei muito, o Draco está namorando sério pela primeira vez e isso deve ser (nunca namorei, por isso não sou profunda conhecedora do assunto) maravilhoso.
E então, por que ele não me contou?
Nós tínhamos um acordo!
Quando chegamos na Escola falei um breve "tchau" e segui para a sala.
Na hora do almoço peguei meus "pratos" preferidos: um hambúrguer, batatas fritas, uma coca cola e, para sobremesa, um pedaço de torta de morango e um tablete de chocolate.
E isso porque estou de regime para a apresentação das líderes de torcida.
Harry, Ron, Mione, Luna, Colin, Neville, Dino, Simas, Lilá e Parvati já estavam sentados na nossa mesa. Sentei também e olhei para todos, sentindo a falta de alguém. Olhei para a cadeira do meu lado e eu sabia quem estava faltando, era o Draco.
Virei a cabeça e mirei a mesa das líderes de torcida, lá estava ele, abraçado com a Laurie, enquanto ela lhe dava salada na boca.
Eca.
Naquela hora senti meu coração dando um nó.
"Ginny?" – Mione perguntou quando as lágrimas saíram dos meus olhos.
Malditos ciscos alienígenas que caem toda hora nos meus olhos.
"O quê?" – perguntei limpando as lágrimas.
"O que houve? Por que está assim?" – ela perguntou.
Olhei para todos que estavam na mesa, eles pareciam bastante preocupados, porque não era comum me ver chorando.
"Um cisco no meu olho."
"Ginny..." – ela começou.
"Deixa para lá, Mione. Bem, já vou para a sala." – falei me levantando.
"Mas Gi, você nem comeu!" – Colin falou, chocado pelo fato de euzinha estar dispensando aquele tipo de comida.
Olhei para os meus amigos mais uma vez e saí correndo igual uma mula desembestada. Fui até a sala de Ciências e a encontrei vazia, é claro que todos os alunos ainda estavam no refeitório almoçando.
Sentei na última cadeira da última fileira e deixei que as lágrimas saíssem livremente. Não queria pensar em razões, só queria chorar até cansar.
Eu já estava lá a algum tempo quando alguém ficou na minha frente e disse:
"Você está no meu lugar."
Olhei para a pessoa e vi Pansy Parkinson me olhando.
Pansy, professora, é aquela garota que veio transferida da Alemanha.
"Desculpe." – falei me levantando e sentando na cadeira ao lado.
"O que houve?" – ela perguntou depois de alguns minutos.
"Nada." – respondi limpando as lágrimas.
"E por que você está chorando?"
"Não sei." – falei olhando para ela e, para minha surpresa, Pansy parecia, realmente, preocupada comigo.
"Tudo bem, você não quer contar."
"Não é isso, realmente não sei."
"Foi o Potter?"
"O Harry? Por quê?"
"Vocês são namorados, não?" – Pansy falou confusa.
"O Harry?" – falei sem entender – "E eu? Ah não, nós somos só amigos. Por que você acha que namoramos?"
"Ouvi um boato de que uma líder de torcida e um jogador do time de futebol estavam namorando e como vocês são os mais populares..."
"Certo, quem está namorando é o Draco e a Laurie. E eu nem sou popular..."
"Claro que é! Você é cheia de amigos e fala com todos... até comigo que sou invisível para os outros desse colégio horroroso." – disse, cheia de mágoas.
Eu, popular?
Não, era definitivamente o oposto...
"Não, eu só falo com as pessoas...não quer dizer que elas gostem de mim e tudo mais."
"Weasley, acredite em mim. Você é popular. Eu tenho muito tempo para observar as pessoas, já que não tenho ninguém para conversar."
Sério.
Por que ninguém fala com a Pansy?
Só porque ela veste essas roupas pretas e tem um visual meio gótico... isso é muito preconceito, gente.
Inclusive meu, né, que só percebi agora o quanto ela é legal.
"E você é muito legal, sabia, Pansy?"
Ela me olhou assustada e depois sorriu, tipo, um sorriso verdadeiro e disse:
"Então, vai assistir a essa aula chata de química?"
"Vou. O Snape me mataria se soubesse que matei aula dele."
"Eu sei um jeito de fazer isso sem que ele perceba. E você, definitivamente, precisa de ar. Vamos?" – ela disse se levantando da cadeira.
"Claro!" – respondi sem pensar duas vezes e matamos as últimas aulas que eram de química.
Professora, eu sei que matar aula é errado, mas estava precisando. E a senhora não pode usar esse diário contra mim ou contra a Pansy, não é?
Então, depois que o sinal tocou, nos despedimos. Pansy foi para casa com o pai que vinha buscá-la de carro e eu decidi ir para casa caminhando, afinal caminhar nunca faz mal, não é mesmo?
Mas antes que pudesse pensar em andar, ouvi uma buzina atrás de mim. Era o Draco. E ele estava tão bonito atrás do volante com aqueles óculos escuros, apesar de nem estar fazendo sol, porque o tempo estava muito nublado e eu não resisti quando ele disse:
"Sobe, Weasley."
Meu Deus, como eu não percebi antes como era sexy o jeito dele de falar essa frase tão simples?
Obedeci à ordem e subi no carro, fiquei lá, calada, só ouvindo as coisas que ele falava sem parar.
Já estávamos bem próximos da minha casa, quando paramos num sinal, acho que faltavam apenas três ruas para chegarmos. O sinal estava vermelho, então ele se virou para mim e disse:
"O que aconteceu, Ginny?"
"Nada, Draco."
"Por que você está sendo tão fria comigo?"
"Não estou."
"Claro que está. O que eu fiz?"
"O que você fez, Malfoy?" – perguntei olhando para ele.
Ele pensou um pouco e respondeu:
"Ah, não almocei com vocês porque a Laurie..."
"A Laurie isso..." – interrompi – "A Laurie aquilo... estou de saco cheio da Laurie, sabia?"
"Ginny, o que – "
"E quer saber? Tchau!" – falei saindo do carro, peguei meu mp3 coloquei os fones nos ouvidos, fechei meu casaco (porque estava começando a chover) e saí correndo, sem me preocupar com os gritos dele e as buzinas dos carros.
Quando cheguei em casa, corri para a casa da árvore porque sei que Mione, Harry e Ron estariam me esperando para saber o motivo do meu histerismo na hora do almoço.
E eu não estou afim de dar explicações para ninguém, me sinto estranha, sinto que algo está muito errado e não sei o que é. Quero gritar, quero chorar, mas não consigo.
Talvez esteja ficando maluca de vez.
A sorte é que ninguém sabe onde estou, assim tenho paz.
Espera, estou ouvindo passos.
Caramba, não pode ser, pode?
Claro que pode, ele sabe entrar aqui, tinha me esquecido disso!
Ai não! Lá vem ele.
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É Amor ou Amizade?
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Quarta-feira, 10 de setembro
No quarto, às 21hs.
Era ele mesmo.
A última pessoa que eu queria ver e a primeira a me encontrar.
Claro que ele ia saber onde eu estava, quando éramos crianças sempre ficávamos aqui, às vezes nos escondendo, às vezes observando o céu, os pássaros e era por isso que ele sabe entrar, tipo, ele sabe MESMO tudo sobre mim.
O negócio é que ele se sentou ao meu lado e permanecemos calados.
Depois de alguns minutos ele disse:
"E aí?" – falou me dando um leve empurrão com o ombro.
"Draco, quero ficar sozinha."
"O que eu te fiz, branquinha?"
Branquinha é o apelido que me deu quando éramos crianças.
Ele dizia que minha pele era alva como a neve.
Ok, como se ele fosse um morenão, né?
"Nada." – respondi, ignorando o aperto no meu peito quando ele disse esse apelido, sentia falta daquela época em que éramos crianças inocentes.
"Ginny, você é muito importante para mim, por isso, me diz, o que eu te fiz?"
"Devo ser mesmo muito importante, tanto que você esqueceu de me dizer que estava namorando."
"Isso? Mas..."
"Nós tínhamos um pacto! O primeiro a namorar ia contar ao outro, lembra?"
"Ginny, nós éramos crianças!"
"Mas quando eu prometi, levei a sério, se fosse comigo, você seria o primeiro a saber."
"Eu não falei porque nem sei como Laurie e eu estamos, antes éramos ficantes e agora ela disse que somos namorados, mas para mim continua a ser uma relação superficial, sem muitos vínculos."
"E depois, você agora só fica com ela e só fala nela... você não se importa mais comigo." – falei, tendo a plena certeza de que estava soando infantil.
"Claro que me importo! E prometo que falarei menos dela e ficarei mais com você."
Permaneci calada, até que ele disse:
"Me perdoa." – ele falou colcando a cabeça no meu ombro (apesar da nossa diferença, um pouco grande, de altura).
Apoiei minha cabeça na dele e disse:
"Tudo bem, me desculpa também." – depois nos levantamos e nos abraçamos e depois disso me senti mais patética, porque eu comecei a chorar e não sabia se era porque sentia que meu melhor amigo, o maior amigo de todos os tempos, estava se afastando de mim para ficar com aquela piranha, ou pelo simples fato de querer que ele me abraçasse durante o resto da minha vida, pois era como se os braços dele me dessem proteção.
Depois de ter me acalmado, nos despedimos (afinal já passava da meia-noite) e eu fui para o meu quarto e dormi imediatamente.
Dormi com a esperança de que hoje tudo seria melhor.
Mas não. Eu estava tão enganada!
Hoje, na hora do almoço, Draco estava, novamente, sentado na mesa das líderes de torcida, das poderosas, ou simplesmente, das crias do capeta.
Prometi para mim mesma que não ia mais chorar, por isso vi aquele problema sob outra perspectiva. Agora nossa mesa tinha uma cadeira vaga e na mesa a nossa frente tinha uma garota sentada sozinha, comendo sem ter a companhia de ninguém.
Levantei da mesa e logo ouvi Dino falando:
"Ah não, dessa vez ela deixou o sundae de morango inteiro!" – comentou preocupado.
"Eu não vou embora, Dino, só vou buscar alguém, espera." - falei indo em direção à mesa de Pansy.
Quando fiquei na frente dela, Pansy realmente ficou assustada, como se eu fosse algum tipo de doida saída do hospício.
"Olá, Pansy." – falei enquanto pegava a bandeja dela.
"Oi, Weasley, e o que você está fazendo?"
"Levando você para a minha mesa."
"Mas...mos seus amigos..." – falou preocupada.
"Eles vão gostar de você assim como eu e você também gostará deles, vamos." – falei.
Coloquei a bandeja na mesa, em frente à cadeira próxima a minha, e todos (na minha mesa e no refeitório) pareciam abismados, como se aquilo fosse algo de outro mundo.
Qual é, que povo besta!
"E então, Pansy, você vai ter aula de física, hoje?" – puxei assunto.
"Ahm... vou..." – ela respondeu, sem jeito.
"Gente" – falei quando percebi que meus amigos estavam congelados na mesma posição – "Esta é minha amiga Pansy." – olhei para ela e disse – "Pansy, esses são meus amigos. O Colin e a Luna você conhece, estudam conosco. O Dino, o Simas, a Parvati, a Lilá, a Mione, o Harry e meu irmão, Rony."
Ela deu um sorriso meio tímido ao que os outros responderam com acenos ou meio sorrisos.
Depois do susto inicial, todos voltaram a comer e conversar, inclusive com Pansy, como se ela sempre tivesse feito parte da nossa turma.
Fiquei contente por isso, embora meu coração ainda apertasse quando eu olhava, de esguelha, para a mesa das capetetes.
Depois, fomos para a aula de física com a professora Sinistra. E, tipo, eu odeio física, professora McGonagall, mas não foi isso que me fez ir até o banheiro no meio da aula, talvez tenha sido por causa dos dois sundaes e da coca cola de meio litro que tomei no almoço.
Quando já estava saindo do reservado do banheiro ouvi a voz.
A voz de chinchila gaga.
A voz de Laurie.
"Meninas, temos que fazer algo. Aquela Weasley tem que sair do grupo."
Epa, eu? O que foi que eu fiz?
Então ouvi a voz de papagaio fanho.
Era a Debbie.
"Mas o que ela fez?"
"O Draco só fala nela! Ele acha que ela pode ser a nova líder do grupo, mas isso não vai acontecer, não mesmo! Eu, Laurie McLoren não vou deixar!"
Então, uma terceira voz, de gato no cio (era a Ellie), disse:
"Mas o que você vai fazer?"
"Tenho que pensar em algo e vocês vão me ajudar. Quando acabarmos, Ginny Weasley não será nada além de uma nerd desengoçada." – falou completando com uma risada maléfica.
Ouvi os passos delas se distanciando e saí do reservado.
Lavei as mãos e olhei para o meu rosto no espelho. Então aquela cria do capeta, aquela filhote de cruz credo estava querendo me ferrar, não é?
Ah, mas ela não vai conseguir.
"Ou eu não me chamo Ginevra Molly Weasley." – falei olhando para o espelho e completei com a minha risada maléfica mais maléfica de todas.
E, tipo, eu já tenho um plano.
Mas vou ter que contar com a ajuda das minhas amigas.
Tudo está planejado, amanhã falarei com a professora Hooch e tudo estará certo.
Com certeza ela quer me ferrar na apresentação das líderes que vai acontecer na sexta-feira da próxima semana, mas até lá tudo estará muito arranjado.
E eu vou conseguir.
Quando eu acabar, Laurie McLoren não será nada além de uma EX – líder de torcida e o Draco não vai mais querer namorá-la.
Ou seja, resolverei tudo de uma só vez.
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Nota da Beta Reader: Amiguenha linda!! Eu ri muito com esse capítulo!! Tudo de ótimo!! Esse merece 11!! hehehehehehehehe!! A Laurie é filha do capeta com a mãe do sarampo, cruzes!! Ô menininha nojenta!! Tomara que ela frature um braço no teste!! hahahahahahahaha!!
Gentem, vamos comentar, hein?? Espero por muitas, muitas, muitas reviews!! A Manu merece pelo esforço e pelo capítulo maravilhoso!!
E não se esqueçam: Tia ChunLi ama todos vocês!! Bjs!!
ChunLi Weasley Malfoy
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Nota da Autora: Gente, será que vocês gostaram?
(nervosa) (roendo as unhas)
Ain Ain, espero que gostem, vamos aos agradecimentos:
Alana Akasha
Angel
Vanii
Thaty
Mandy
Dani Weasley Malfoy
ChunLi Weasley Malfoy
Mrs. Mandy Black
Teresa McCartney
Povo, espero que não tenha demorado muito. 1 mês, né? Hahahahahaha, mas é porque estava ocupada com a "A missão quase impossível", agora que quase terminei deu para escrever o capítulo novo dessa.
Muito Muito Muito Muito Muitíssimo Muitíssissississimo obrigada pelas reviews! Eu fico tão alegre quando recebo, sem ser falsa nem nada, eu adooooooro saber que tem alguém que pára e lê as coisas insanas que escrevo.
ChunLi, miga, obrigada por betar! Te adooooorooooo
Beijos.
Manu Black
