Capítulo XI

Segunda-feira, 03 de novembro.

No quarto, às 20hs.

Acordei com um sorriso bobo no rosto e sei que isso parece bem clichê, mas a felicidade que sinto é tão grande, não consigo disfarçar. Levitei da cama e, flutuando, cheguei no banheiro, onde tomei banho, depois vesti o uniforme e, em seguida, desci para o café-da-manhã, onde encontrei mamãe, Fred e Jorge.

"Bom dia." – falei numa voz cantarolada.

Eu estava me sentindo em um musical romântico...

"Bom dia, querida." – mamãe respondeu sem me olhar.

"Bom dia." – Fred rosnou do outro lado da mesa.

"Bom dia, Ginny." – Jorge disse me observando atentamente – "Tudo bem com você?"

"Tudo ótimo, por que?" – respondi sorridente.

"Não sei, você parece alegre demais. O que aconteceu ontem?"

"Nada." – falei rapidamente – "Você também parece alegre demais, Fred." – juro, na hora pensei que fosse o outro, sempre me confundo com eles – "Quem era aquela garota de ontem?"

O verdadeiro Fred bufou alto e disse:

"Não era eu."

"E é por isso que você está assim? Com ciúme?" – Jorge disse sorrindo maliciosamente.

"Eu não estou com ciúme!" – Fred gritou, indignado.

"O que está havendo?" – perguntei, confusa.

O problema é que não é muito normal ver Fred gritando ou de mau humor, para falar a verdade, era a primeira vez que o via assim.

"Aquela garota" – Jorge disse – "É a baterista da nossa banda, o nome dela é Emmanuella Andrews, ou Manu. E o Fred brigou com ela ontem, mais uma vez. Eu estava tentando convencê-la a permanecer na banda."

"Ela pode sair da banda, não fará falta." – Fred disse.

"Você sabe que faria sim, nós já estamos sem cantor, e se faltar o baterista, a banda acaba."

"Mas, o que ela é do Fred? Namorada?" – perguntei, totalmente confusa.

"Não, mas se dependesse do Fred..."

"EU JÁ FALEI QUE NÃO GOSTO DAQUELA... DAQUELA... DAQUELA GORDA!" – esbravejou Fred saindo da sala.

"Gorda?" – falei confusa, porque a garota que eu tinha visto na sala não era gorda.

"Ele fala isso só para chateá-la. Faz muito tempo que conhecemos a Manu, nós estudamos juntos em Hogwarts até o primeiro ano, quando os pais dela tiveram que viajar para a Itália e ela saiu da Escola, naquela época ela era uma garota gordinha, por isso o Fred ainda implica." – Jorge riu com vontade e continuou – "Mas ainda lembro como se tivesse sido hoje o dia em que reencontramos a Manu, foi no primeiro ano da Faculdade. Fred, Lino e eu estávamos olhando o pessoal entrar quando ela chegou, muito mais bonita e mais magra, e o Fred foi logo atacá-la com uma cantada, mas o que ele recebeu foi um fora enorme, na frente de todos. Foi muito engraçado."

"Ela sabia quem era o Fred?"

"Claro que sabia, por isso o passa-fora foi tão grande." – Jorge disse entre risos.

"E se os dois brigam tanto, por que ela está na banda de vocês?"

"Ela só briga com o Fred, comigo e com o Lino não tem confusão. E a Manu é a melhor baterista que já conseguimos, não vamos perdê-la por causa dos amores reprimidos do meu querido irmão gêmeo."

"Eu não amo aquela garota!" – Fred gritou da porta.

Jorge riu mais um pouco e levantou-se da cadeira.

"Já vou, Ginny, mas depois quero saber o motivo da sua alegria. Até mais, maninha." – e saiu rindo do outro que estava com a cara amarrada.

Continuei tomando meu café até ouvir a buzina do carro de Blaise, subi rápido para escovar os dentes, peguei meu material e entrei correndo no carro.

"Eita, que pressa." – Blaise disse enquanto tirava o carro.

"Acabei me atrasando conversando com meu irmão." – falei, esbaforida – "E aí, tudo bem?"

"Tudo e você?"

"Estou ótima." – falei com meu, agora habitual, sorriso bobo.

"Anda, conta logo o que aconteceu ontem." – Blaise disse sem rodeios.

"Como assim? Nem aconteceu nada." – falei desviando o olhar.

"Ginny, fala... Tentei falar com Draco ontem, mas ele não me disse nada, só desconversou. Tenho direito de saber o que aconteceu!"

"O que te faz imaginar que aconteceu algo?"

"Primeiro, vocês dois estão com uns sorrisinhos bestas... você está andando de um jeito estranho, parece que está flutuando... vai, o que foi? Não me diga que vocês... que vocês fabricaram um draquinho e uma gininha!" – Blaise disse, assustado.

"Blaise, cala a boca." – falei sentindo minhas bochechas arderem – "Não aconteceu nada disso. Nós só... só nos beijamos."

Blaise freiou tão rápido que quase bateu no carro estacionado à frente.

"Não acredito! Enfim!" – falou enquanto me abraçava.

"Ai, Blaise, pára." – falei tentando me soltar do abraço dele.

"Não acredito!" – exclamou enquanto descíamos do carro – "Conta como foi! O que você sentiu? Onde foi? O que vocês estavam fazendo?"

"Blaise, acalme-se!" – disse enquanto o sacudia com força – "Você está parecendo aqueles amigos gays que querem saber tudo e ainda querem roubar o namorado da amiga."

"Ah queridinhaaaaaaaaaaaaaaa" – Blaise disse numa voz de falsete – "Você descobriu o meu planoooooo!"

"Eu sempre soube, Zabini, que você era estranho." – uma voz atrás de nós disse e no mesmo instante meu coração iniciou uma canção romântica.

Virei tão rápido que quase quebrei o pescoço, mas teria valido a pena do mesmo jeito, porque eu o vi, tão lindo, com o uniforme e aqueles óculos escuros e os cabelos bagunçados pelo vento.

"Oi." – falei num fio de voz, porque era muito difícil falar.

"Oi." – ele respondeu me olhando, por trás daqueles óculos ray-ban.

"Ai, sobrei." – Blaise disse e deixou-nos sozinhos.

Ele deu um passo para a frente e eu também.

"Então? Tudo bem?" – perguntei, tentando me acalmar.

"Sim." – mais um passo – "E você?" – outro passo.

"Também." – o último passo, já que estávamos bem próximos.

Senti as mãos dele envolvendo minha cintura e, instintivamente, coloquei os braços em volta do pescoço de Draco, segundos depois nossos lábios se juntaram em um beijo suave, mas que me dava aquela estranha sensação de que estava levando um choque.

Quando o beijo acabou continuamos próximos demais e eu, resgatando um pouco da minha consciência, disse:

"Acho melhor não ficarmos assim no meio do estacionamento. Alguém pode ver."

"E qual o problema?" – Draco perguntou sem se importar.

"Alguém pode ver." – falei já me afastando.

Draco me olhou sério e perguntou:

"Qual o problema? Nós dois somos livres, não? Ou você está comprometida e não me disse nada?" – completou a frase com um sorriso de escárnio.

"Você sabe que não é isso." – suspirei e completei – "Tem o meu irmão, o Rony é um pouco ciumento, sabe. E, bem, tem a Laurie..."

"O seu irmão eu enfrento e mesmo que ele me bata e que acabe morrendo por causa dos ferimentos, morrerei feliz." – pausa – "E quanto a Laurie, ela não tem que falar nada, não sei porquê você se preocupa tanto."

Sei muito bem que não deveria me preocupar, mas aqui estamos falando da Laurie, a capeta em forma de gente, por isso, nunca é bom confiar nela, mas naquela hora estava tão envolvida pelos beijos de Draco que não falei nada, apenas deixei que ele apertasse minha mão (com delicadeza) e que me levasse para dentro da Escola.

Por onde nós passávamos, olhares curiosos e fofoqueiros voltavam-se para nós, vi várias garotas rangerem os dentes de tanta inveja, por eu estar com o rapaz mais cobiçado da Escola. Dei um sorriso de desdém para elas e andei altivamente como se fosse a Rainha do Mundo.

Mas meu reinado durou pouco, porque o sinal para a primeira aula tocou e eu tive que ir para a agradabilíssima aula de Química, onde, mais uma vez, o querido e fofo Prof.Snape chamou minha atenção umas mil vezes, porque eu estava totalmente desligada, conectada em uma dimensão muito distante. O meu pequeno "desligamento" me rendeu um exercício extra sobre o funcionamento de uma pilha, ou algo parecido com isso.

A aula de Inglês foi melhor, porque a profª. McGonagall pediu que nos juntássemos em grupos de quatro pessoas e claro que fiquei com Colin, Luna e Pansy. Todos me olhavam significativamente e eu disse:

"Ah vocês já sabem!" – e, mais uma vez, deixei escapar o mesmo sorrisinho bobo.

"Sim, sua ingrata." – Colin disse ofendido – "Nós soubemos pelos fofos de plantão."

"Fofos?" – falei, confusa.

"Fofoqueiros, querida." – Colin disse como se fosse muito óbvio

"Ah, mas eu ia contar, aconteceu ontem..." – completei a frase com um tom sonhador e então falei tudo o que tinha acontecido, nos mínimos detalhes.

"Ai que lindo!" – Luna disse entre suspiros.

"E vocês estão namorando?" – Pansy perguntou em voz baixa, porque na hora a Prof.ª McGonagall estava na mesa ao lado, falando com outro grupo.

"Acho que sim, ele não pediu oficialmente, mas..."

"Que bom, Ginny, fico tão feliz por vocês... Aliás, estava tão na cara que vocês se ama-" – mas ele, de repente, interrompeu o que estava falando e continuou - "Caham, pois é, garotas, acho que a nossa descrição..." – Colin desviou do assunto quando a professora parou na nossa mesa.

"Creevey, espero que vocês estejam fazendo a descrição que mandei, quero ver no final da aula." – ela disse com o tom severo habitual.

Depois disso resolvemos fazer o tal do trabalho, com muita sorte terminamos a tempo e evitamos receber tarefa extra e detenção. Em seguida veio a aula de História e eu quase dormi, como sempre.

Quando o sinal para o almoço tocou estava tão entorpecida pelas palavras cansativas e estafantes do prof.Binns que continuei lá, sentada, olhando para o quadro, até perceber que o professor não estava mais lá, sem falar que todos tinham ido embora, sem nem se importarem em me acordar.

Levantei da cadeira e, lentamente, guardei meu material, depois saí da sala e fui para o Salão Principal, ou simplesmente, o Refeitório, e vi que já estava cheio de alunos, e posso dizer que odeio quando chego e já está cheio? Por isso sempre quando é a hora do almoço saio correndo, não é porquê seja esfomeada, veja bem, mas porque gosto de pegar o refeitório quase deserto.

Devagar, peguei uma bandeja e vi os pratos do dia: lasanha a bolonhesa, empadão de frango e bolo de carne. Calóricos? Nem um pouquinho! Depois de fazer um "uni-duni-tê", optei pelo empadão e esperei que chegasse minha vez de ser atendida. Já estava muito tempo na fila até que olhei para frente e vi o motivo de tanta demora: Draco e Dobby estavam conversando aos cochichos, e quando Dobby me viu, falou algo para o outro que saiu quase correndo, depois disso logo fui atendida. Dobby sorriu para mim e disse:

"O que deseja menina Wheezy?"

"Dobby, o que você estava conversando com o Draco?" – perguntei desconfiada.

"Ahm? Eu? Nada... Então... o que deseja, menina?" – o garoto respondeu nervoso.

"Sei." – falei sem estar convencida, com a sobrancelha erguida, completei – "Quero o empadão."

Ele me deu o pedaço maior, acompanhado de uma coca-cola e uma barrona de chocolate, depois segui para a mesa de sempre onde todos os meus amigos já estavam: Harry e Pansy, Ron e Mione, Lilá e Dino, Parvati e Simas, Blaise e Luna, Colin, Neville e Draco.

Empurrei Colin para o lado e disse:

"Oi."

O negócio é que ainda estava pensando no quê Draco tinha para conversar com Dobby.

"O que houve, Ginny?" – Blaise perguntou quando viu minha cara pensativa.

"Ahm?" – disse, confusa – "Nada."

"Draco, pensei que a encontraria mais feliz depois de ter deixado vocês dois sozinhos de manhã." – na mesma hora acordei e dei um chute em Blaise, ele gritou um palavrão que prefiro censurar e completou – "Ai, Ginny... não adianta esconder, todo mundo já sabe."

"Claro, com um amigo que parece uma revista de fofocas..." – falei, malvada.

Ele me olhou ofendido e disse:

"Você está querendo dizer que a culpa é minha?"

"Sim... estou afirmando que a culpa é sua... Blaise Zabini que tem um cachorro chamado Cinde..." – mas antes que pudesse completar, Draco sentou-se ao meu lado e disse:

"Não importa, Ginny." – ele colocou o braço em volta do meu ombro e, instintivamente, descansei a cabeça no ombro dele.

Ouvi um suspiro geral na minha mesa e isso me fez acordar mais uma vez.

"Então é verdade que vocês estão ficando?" – Rony perguntou.

Senti meu coração acelerar porque Ron sempre foi muito ciumento comigo, ele tem ciúme dos outros irmãos, imagine de outra pessoa estranha.

"É sim, Ron." – Draco disse simplesmente – "Você se incomoda?"

Olhei para Rony e ele estava pronto para dizer um sonoro "sim", mas Hermione deu uma cotovelada nele, nada discreta, e ele acabou dizendo:

"Não, mas eu juro, Malfoy, que se você machucar minha irmã de alguma maneira, você vai se arrepender."

A cena seria fofa, se eu não estivesse morrendo de vergonha.

"Nunca seria capaz de machucá-la." – Draco respondeu e, bem, isso não é verdade, se levarmos em consideração os últimos meses... mas prefiro não lembrar disso.

Olhei para ele e sorri, Draco devolveu o sorriso, e logo meu coração bobo começou uma série de batucadas no peito, segundos depois acabei desviando o olhar, uma vez que senti o peso de centenas de olhos em cima de mim, todo o Salão estava nos observando.

Fala sério, que povo desocupado!

Quando o sinal para a primeira aula da tarde tocou, esperei que todos saíssem e assim que me vi sozinha com Draco, perguntei:

"O que você estava falando com o Dobby?"

"O quê? Eu? Nada." – disse enquanto saíamos do Salão.

"Então, por que tenho a estranha sensação de que você está mentindo para mim?" – falei, desconfiada.

"Não estou, Ginny." – Draco disse sem se alterar – "Agora tenho que ir, depois conversamos." – me deu um selinho e foi embora.

Ainda fiquei alguns minutos no corredor, pensando na cena que vi no Refeitório, mas decidi não me preocupar mais com isso, optei por acreditar na palavra de Draco.

Afinal eles nem tinham o quê conversar, certo?

As aulas da tarde passaram rapidamente, só lembro que sentei e minutos depois já estava levantando para ir embora, mais uma vez tinha passado a aula inteira viajando, mas não posso fazer nada, é mais forte que eu.

Quando o sinal tocou, corri para o estacionamento, onde encontrei Blaise conversando animadamente com Luna. Decidi não me aproximar logo dos dois, fiquei observando-os por alguns minutos e cheguei à estranha conclusão de que eles formavam um casal muito lindo. Enquanto Blaise é um negro alto e forte, Luna tem a pele alva, os cabelos muito loiros, é baixinha e magra.

E observando bem a cena, percebi que Blaise estava muito interessado nela. Ele tinha aquele sorriso "creme dental", o que deixava Luna extremamente envergonhada. Além disso, ele conversava tão próximo dela que os dois poderiam cochichar e seriam ouvidos da mesma forma.

Quando o carro amarelo berrante do Sr.Lovegood parou na frente da Escola, Luna se despediu com um aceno envergonhado, enquanto Blaise, na maior cara-de-pau deu um beijo rápido na bochecha dela e depois sorriu. Depois que Luna já tinha ido embora, me aproximei lentamente de Blaise e, aproveitando o entorpecimento dele, gritei:

"BU!"

Ele deu um pulo para trás, enquanto mantinha a mão no peito.

"Arre, Ginny, você me assustou!" – ele disse.

"Era a intenção." – falei, rindo – "Hm... você e a Luna..." – falei significativamente.

"Ah... você viu..." – ele disse, parecendo envergonhado.

"Vi. Vocês formam um belo casal." – disse, sincera.

"Também acho, quer dizer, eu sou lindo e a Luna é maravilhosa... nós seremos o casal sensação de Hogwarts." – falou, convencido.

"Você nem se acha, não é, Zabini?"

"Eu não acho, eu sou." – e sorriu abertamente.

"Blaise, você gosta da Luna desde aquele dia da transformação, não é?" – perguntei, de repente, porque lembrei do dia em que ele ficou simplesmente bobo quando a viu diferente.

Ele ficou sério e disse:

"Ahm..."

"Vai... é verdade, não é?"

"É sim." – pausa – "Muito antes disso... na verdade me aproximei de vocês, para conhecê-la melhor... mas quando soube da sua história com Draco, tive que intervir."

"Como assim?" – perguntei, confusa.

"Sempre observei a Luna de longe, tentei me aproximar várias vezes, mas nunca sabia como. Até aquele dia no parque, quando encontrei você... pensei que se falasse com você, seria bem mais fácil falar com ela. Mas logo quando você falou sobre sua relação com Draco, percebi que tudo o que os dois precisavam era de uma forcinha."

"Ainda não entendi."

"Draco precisava perceber que estava te perdendo, por isso quis que nós dois namorássemos, e acho que meu plano deu certo, afinal, logo depois vocês se entenderam." – Blaise disse, sorridente, mas quando ele me viu séria, o sorriso se desfez – "Você não está com raiva, certo?"

Olhei para ele mais uma vez e então sorri e o abracei.

"Você é maluco, mas eu te adoro." – e dei um beijo na bochecha dele.

"Eu sei que você me ama, Weasley, por isso, não se acanhe, pode me apertar o quanto quiser."

Depois disso dei um tapa nele, ou seja, já tínhamos voltado ao normal.

Quando estávamos entrando no carro, Draco chegou e disse:

"Não precisa mais levá-la, Zabini. A partir de hoje eu cuidarei disso..."

Na mesma hora desci do carro e fui ao encontro de Draco.

"Nossa... que consideração." – disse em um tom falsamente ofendido – "É só ele chegar e você me deixa, sua ingrata?" – Blaise disse, magoado.

Draco e eu rimos, enquanto Blaise entrou no carro e foi embora, depois entramos no carro dele e, enquanto Draco saía do estacionamento, eu disse:

"Uma hora dessas toda minha família ja sabe."

A verdade é que estava muito nervosa com isso, porque já podia imaginar a cena: nós dois chegando, meus irmãos matando Draco, enquanto minha mãe me obrigava a vestir o vestido de noiva que ela usou para casar com papai.

"Qual o problema? O Ron disse que não tem problema."

"Ele disse... mas e os outros? E o Fred e o Jorge? Nem estou contando o Carlinhos, o Gui... e o Percy, tanto faz..."

"Eles não vão me matar, vão?" – Draco disse com um sorriso sarcástico, mas eu não ri. – "Eles vão me matar?" – perguntou, sério.

"Bem... eles são muito ciumentos comigo... e, sim, acho que eles vão te matar."

E sabe qual foi a reação dele?

Ele riu...

Era bom rir antes de morrer...

"Ria, querido... ria muito... porque em breve seu tempo acabará." – filosofei.

"Ginny, não é para tanto. E por mim tudo bem, eu consigo enfrentá-los."

Já estava pronta para dizer que ele não conseguiria enfrentar meus irmãos sozinho quando o carro parou em frente a minha casa e Draco, sem nenhum pingo de bom senso, desceu do veículo e abriu a porta para mim.

"Vamos."

"Ai meu Deus. Vamos para onde?" – falei, desesperada.

"Entrar." – ele respondeu, simplesmente.

"Draco..." – disse quando ele segurou minha mão – "Acho melhor não..." – mas antes que conseguisse falar algo mais a porta foi aberta num estrondo e minha mãe gritou.

Juro por Deus que levei um susto tão grande que quase morri, mas minha querida mãe nem se importou com isso, pelo contrário, ela me empurrou para o lado e abraçou Draco, e não era um daqueles abraços delicados que mães normais dão nos namorados das filhas, era um abraço de urso, daqueles que quebram os ossos da pessoa.

Não satisfeita, mamãe me abraçou também, enquanto falava sem parar.

"Mamãe." – falei, desesperada – "Mãe!" – gritei quando percebi que ela não ia parar mesmo.

"Filha, estou tão feliz! Enfim, vocês dois se entenderam! E estão namorando! Ai que felicidade! Narcisa ficou tão feliz quando contei..."

"A senhora já contou?" – falei, pensando que minha mãe era fofo.

Fofoqueira.

"Já, querida! Ela ficou muito feliz! Vocês são lindos juntos... os filhos dos dois..."

"Manhê!" – disse, querendo morrer – "Não se empolga."

Olhei para Draco e ele estava morrendo de rir.

"Pára de rir." – falei depois de dar um tapa no braço dele.

Ele tentou ficar sério, mas minutos depois estava rindo novamente, enquanto minha mãe falava sobre o vestido que eu poderia usar no casamento. Bem que avisei, quando ela soubesse minha vida ia se tornar um inferno.

"Certo, Draco, tchau." – falei, empurrando-o para o carro.

"Por que, querida? Draco ainda nem falou com Fred e Jorge... aliás, eles não demoram a chegar, foram ensaiar na casa de uma coleguinha..."

"Mamãe, Draco tem muita coisa para fazer." – falei enquanto segurava o braço dele com firmeza.

"Tenho?" – ele perguntou com ar de zombaria.

"Tem sim, querido." – falei sorrindo falsamente – "Lembra?"

"Não." – ele disse, descaradamente.

Dei um pisão no pé dele e completei:

"E agora, lembrou?"

"Ai... sim..." – ele disse com dor – "Tenho que ir... mas foi muito bom vê-la, sogrinha." – disse a última palavra com um sorriso malicioso.

Mamãe abraçou Draco novamente e, enfim, consegui empurrá-lo para fora da casa, mas antes que entrasse no carro, ele disse:

"Por que você não quis que eu ficasse?"

"Temo por sua vida. Acredite, Fred não anda de bom humor, uma dessas e ele terá muito prazer em te matar."

"Tudo bem... então, já vou." – ele disse se aproximando e me dando um beijo, depois nos beijamos mais algumas vezes até que eu conseguisse despachá-lo.

Quando estava voltando para o interior da casa um carro preto, estilo new beetle parou, do veículo desceram Fred e Jorge, enquanto o primeiro entrou na casa sem nem olhar para mim, o outro continuou conversando com o motorista do carro, até que se despediu com um beijo (então devia ser uma garota) e o carro saiu.

"O que houve?" – perguntei para Jorge, que caminhava em minha direção, sorridente.

"O de sempre. Brigas entre bateria e guitarra..." – deu um suspiro.

"Então quem vinha naquele carro era ela?"

"Era sim..." – disse sorridente.

"Jorge..." – comecei, incerta – "Fala a verdade, é você quem está gostando dessa garota, não é?"

"O quê?" – perguntou rindo muito – "Você está doida, Ginny..."

"Então, por que você só fala dela com um sorriso nos lábios? E eu vi você beijando..."

"Sim, um beijo no rosto, irmãzinha... Você não entende. Um dia, quando você conhecê-la, vai entender." – e subiu para o quarto, cheio de mistério.

Decidi nem pensar nisso, afinal estava tão cheia de tarefas para fazer...

Aliás ainda estou cheia de tarefas, porque não consegui me concentrar em nenhuma, uma vez que fico todo o tempo lembrando dos momentos que passei com Draco e minha mente fica viajando para outras dimensões.

Mas isso tem que parar! O amor é lindo e tudo mais, mas se eu não fizer as tarefas e levar zero em todas as matérias não vai ser nada, nadinha, lindo.

Por isso... tchauzinho!!

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É Amor ou Amizade?

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Terça-feira, 04 de novembro.

Em casa, às 18hs.

Nem acredito no que aconteceu hoje, o pior é que já tinha previsto isso...

Tudo estava bem, o céu estava nublado, mas isso é normal nessa época do ano, os passarinhos cantavam e pulavam de galho em galho, a terra estava girando, enfim, TUDO ESTAVA BEM!

Até o momento em que cheguei na Escola. Draco e eu descemos do carro e, como toda pessoa normal faria, entramos, o sinal para a primeira aula tocou, nós nos despedimos e eu estava andando, alegre, calma e ululantemente até a sala quando uma mão me puxou com grosseria, fui empurrada até uma sala vazia e não demorou nem dois segundos para descobrir quem era meu agressor.

"Laurie." – falei assim que reconheci os cabelos loiros artificiais.

"Ginevra." – ela já começou querendo me irritar.

"O que você quer? Aliás, quem você pensa que é para fazer isso comigo?"

"Weasley, não perdeu tempo e já foi logo atacando o MEU namorado."

"Laurie." – falei, calma – "Eu sabia que toda essa tinta loira tinha atingido seu cérebro, só não imaginava que o dano fosse tão sério. Que parte da palavra ROMPIMENTO você não entendeu? Draco ROMPEU o namoro com você, sua idiota."

"Você se acha muito valente, não é, Weasleyzinha?" – ela disse se aproximando perigosamente – "Mas não pense que me derrotou, o Draco é meu e nem você e nem ninguém vai tirá-lo de mim."

"Ah é? Onde tem a etiqueta com seu nome? Eu não vi." – falei, sarcástica.

"Aproveite enquanto pode, Weasley. Em breve, ele será meu e de ninguém mais." – e saiu da sala sem que eu conseguisse falar nada.

Saí da sala ainda pensando nas ameaças dela e, para falar a verdade, ainda estou pensando nisso, afinal sei muito bem que Laurie é capaz de fazer coisas sujas, ela é trapaceira e todo mundo sabe disso.

Sinto que o quê vem por aí não é nada bom...

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É Amor ou Amizade?

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Sexta-feira, 07 de novembro.

Na aula de Física, às 14hs.

Fiquei dois dias sumida, diário! Mas o problema é que ando cheia de tarefas, além disso estou preocupada com as ameaças de Laurie, a cada dia renovadas pelo olhar de ódio que ela me dirige todas as manhãs, sem falar no fato de agora estar namorando e dedicar metade do meu tempo para o meu príncipe e na outra metade me dedico a pensar nele... então, você entende, certo?

E hoje, durante a aula de Educação Física, a professora Hooch me informou que só faltam dois jogos para o fim da temporada de futebol, o próximo jogo acontecerá no sábado da semana que vem e o último será no começo de dezembro. Mas esse não é o problema, o negócio é que sempre quando acaba o campeonato tem uma festa em comemoração e a tal festa é organizada pela líder das animadoras, em outras palavras, eu!

Agora tenho que me preocupar em organizar uma festa para centenas de pessoas e nem sei por onde começar.

O que me acalma é pensar que em poucas horas terei um encontro com Draco e quando estou com ele nada mais importa... Nós vamos ao cinema e depois vamos sair para jantar...

Agora preciso parar de escrever, lá vem a prof.ª Trelawney.

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É amor ou amizade?

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Sábado, 08 de novembro.

No quarto, às 10hs.

Só vim aqui, bem rapidinho, para contar como foi meu encontro ontem. Primeiro tenho que falar: foi tãããão lindo!

Às sete horas, Draco veio me buscar e depois de minha mãe bater várias fotos de nós dois e de meus irmãos soltarem olhares ameaçadores para ele, nós conseguimos sair da minha casa e ir para o cinema.

E acho que Draco andou falando com Harry, porque ele insistiu para que assistíssemos um filme de terror, mas eu não quis, depois de choramingar muito, acabei convencendo-o a assistir uma comédia romântica. Quando o filme terminou decidimos jantar, e claro que escolhi o McDonald's, até parece que ia escolher um restaurante fino...

Depois disso, já passava das dez horas e eu tive que voltar para casa, mas claro que antes de irmos, namoramos um pouquinho, né?

E eu nem me agüento de tanta felicidade. Acho que vou explodir de tão feliz que estou, porque cada vez mais tenho certeza que nosso sentimento é tão forte que nada, nem ninguém, poderá nos separar.

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É Amor ou Amizade?

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Terça-feira, 10 de novembro.

Na casinha da Árvore, às 17hs.

Cresci ouvindo essa frase, mas nunca pensei que poderia ser verdadeira.

"Alegria de pobre dura pouco", minha sábia vozinha já dizia, mas sempre pensei que fosse o tipo daquelas frases que as pessoas só dizem por costume.

Eu sou pobre, quer dizer, nem tanto, mas deveria saber que quando as coisas estão boas demais, é porque algo de ruim vai acontecer.

Minhas mãos ainda estão tremendo e dos meus olhos não param de sair lágrimas, mas preciso falar para alguém, por isso estou escrevendo, preciso desabafar.

Mais uma vez o dia começou igual a todos os outros, cheguei na Escola com Draco, depois assisti às aulas e tudo, outra vez, estava bem. Quando o sinal que anunciava o final da última aula tocou, peguei minha mochila e saí correndo para o estacionamento, louca para ver Draco, afinal a última vez que o tinha visto foi na hora do almoço e, mesmo que isso possa parecer curto espaço de tempo para as pessoas normais, para os apaixonados é uma eternidade.

Parei de correr alguns metros antes do estacionamento, afinal não poderia encontrar meu namorado toda descabelada. Sorridente, andei em direção ao carro dele e parei instantaneamente com a cena que vi ali. Draco estava encostado no carro, suas mãos agarravam firmemente a cintura de Laurie, enquanto os dois se beijavam de maneira feroz.

Meu sangue parou de correr nas minhas veias, tenho certeza, porque fiquei paralisada, olhando a cena. Era perceptível que os dois estavam gostando, era evidente que NENHUM dos dois tinha sido agarrado. Ainda bem que meu corpo recuperou os movimentos antes de o beijo acabar, porque, sem fazer escândalo, virei e fui embora.

Agora estou aqui me perguntando: desde quando?

Desde quando ele vem me enganando?

Desde quando eu sou a outra?

E, o pior, desde quando ele se tornou um cara tão desprezível?

Estou ouvindo alguém se aproximar... acho que é ele.

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É Amor ou Amizade?

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Terça-feira, 10 de novembro.

No quarto, às 23hs.

Era ele mesmo e acho que a conversa só piorou tudo.

Draco entrou e disse, sem rodeios:

"Precisamos conversar."

"Precisamos mesmo, Malfoy." – falei, secando as lágrimas.

"Você estava chorando?" – disse parecendo preocupado.

"Não interessa." – disse, ríspida – "Você começa ou eu começo?"

Ele pareceu confuso, mas disse:

"Você."

"Certo. Então, vamos começar... pelo beijo entre você e a Laurie no estacionamento."

Ele empalideceu no mesmo segundo que ouviu minhas palavras, era óbvio que ele não vinha falar sobre isso.

"Você viu?"

Dei uma risada fria e disse:

"Não era para ver? Então escolhesse um lugarzinho mais escondido, Draco. Então, eu sou a outra? Esse tempo todo você estava com ela e comigo?"

"Não, sempre estive só com você! Mas não posso dizer o mesmo a seu respeito, Ginevra."

"O quê?!" – exclamei, confusa.

"Explique isto." – ele me entregou uma foto em que Blaise e eu estávamos abraçados, no mesmo estacionamento.

E lembrei como sendo no dia em que tinha visto Luna e Blaise conversando e estava agradecendo a ele por ter me ajudado, mesmo que secretamente.

"Um abraço entre amigos. O que tem de mais nisso?" – falei, fria.

"Era só isso?" – ele disse olhando para a foto.

"Claro que era!" – falei com raiva – "Mas você achou que tinha algo a mais, certo?"

"A Laurie me disse..." – começou, mas o interrompi.

"A Laurie disse e, como sempre, a Laurie diz a verdade, não é, Draco?" – falei com mais raiva, afinal ele tinha confiado mais nela do que em mim.

"Ginny, eu fiquei louco de ciúmes, por favor, tenta me entender." – ele disse tentando segurar minha mão, mas saí antes que ele conseguisse.

"Entendo sim. Você viu a foto, entendeu mais do que deveria e decidiu que seria bom agarrar a Laurie no meio do estacionamento, para todo mundo, inclusive eu, ver."

"Ginny, por favor..." – ele recomeçou – "Eu estava furioso, louco de ciúme..."

"Não, Draco. Cansei disso tudo. Se você preferiu acreditar na sua querida Laurie, pois fique com ela e seja feliz, você está livre." – falei sentindo meu coração se despedaçando.

"Você está terminando..."

"Estou... não existe mais nada entre nós. Nem amizade. Se fosse com outra, talvez perdoasse, mas com a Laurie, nunca, nunca mesmo irei te perdoar."

"Ginny, por favor..."

"Saia, Malfoy." – falei dando as costas para ele.

Ele saiu e, no segundo seguinte, eu estava chorando novamente. Por que dói tanto amar? Se soubesse disso nunca teria amado...

Só queria sumir do planeta, não estou com vontade de encarar meus colegas amanhã, vou ser motivo de olhares piedosos e maldosos... Além disso, vou ter que me explicar para minha família e amigos...

E nem estou mencionando que meu coração está quebrado em um bilhão de pedacinhos...

Acho melhor ir dormir... talvez isso tudo não passe de um pesadelo...

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É Amor ou Amizade?

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Quarta-feira, 11 de novembro.

Escondida no closet. Às 16hs.

Se eu tinha achado ontem um péssimo dia, é porque ainda não tinha vivido o dia de hoje, pois, acredite, foi o pior dia da minha vida.

Já começou ruim. Quando acordei senti meus olhos arderem de tanto que tinha chorado durante a noite, além disso no meu peito havia uma estranha sensação de vazio, como se parte do meu coração tivesse sido retirada. E só para completar, eu estava atrasada, quer dizer, muito atrasada, tinha dormido muito tarde e não consegui acordar cedo para pegar o ônibus.

Levantei da cama lentamente, na mesma velocidade tomei banho e me vesti, quando terminei olhei minha imagem refletida no espelho e eu estava horrível, com uma aparência de doente, mas mesmo assim, desci para tomar café-da-manhã.

Na cozinha encontrei meus pais, Fred, Jorge, Rony e Harry e, tentando disfarçar o desânimo, disse com um sorriso forçado:

"Bom dia."

"O que houve, Ginny?" – Jorge perguntou, preocupado.

"Ahm... nada... por que?"

"Você parece abatida..."

"Impressão sua." – sorri e sentei, já ia começar a comer, quando mamãe fez a pergunta que eu não queria ouvir.

"Querida, Draco não vem buscá-la?"

"Ahm... não." – falei, encarando o prato.

"Por que?" – ela quis saber.

"Ahm... porque nós não estamos mais juntos." – falei logo de uma vez, rápido e quase indolor.

"O QUÊ?!" – minha mãe gritou.

Olhei para todos que estavam na mesa e disse, com um suspiro:

"Acabou."

"O que houve, Ginny?" – Jorge perguntou.

"Ah... umas coisas... só acabou e, por favor, não me perguntem mais nada." – falei sentindo que ia voltar a chorar a qualquer momento.

Ninguém falou mais comigo e agradeci por isso, não estava com vontade de falar, mas quando levantei da cadeira, minha mãe perguntou:

"E como você vai para a Escola, querida?"

"De ônibus."

"Mas não dá mais tempo, filha." – ela disse, preocupada olhando o relógio – "Arthur, você pode levá-la?" – perguntou para meu pai.

"Não precisa, pai... eu vou sozinha..." – falei, desanimada.

"Você pode vir conosco, Ginny." – Harry disse.

E me sentia tão cansada de falar e de discutir que aceitei a oferta, minutos depois estava sentada no banco de trás do carro dele, enquanto Rony, sentado na minha frente, me dirigia olhares questionadores.

"O que foi, Rony?" – perguntei, cansada.

"O que ele te fez?" – meu irmão disse, sem rodeios.

"Nada." – falei enquanto olhava a paisagem pela janela e sentia meus olhos arderem por causa das lágrimas que teimavam em cair.

"Eu avisei." – Rony disse, com raiva – "Agora ele vai ver... vou matar aquele desgraçado."

"Rony, você não vai fazer nada, ok?" – disse enquanto limpava as lágrimas – "O problema é a Laurie, ela mostrou a ele uma foto em que Blaise e eu estávamos abraçados, Draco entendeu errado e acabou."

"Então... ele te dispensou?" – Rony pareceu mais revoltado – "Ninguém dispensa a minha irmã!"

"Rony, não... eu o dispensei... depois de flagrá-lo com a Laurie." – falei chorando novamente.

"Ah não, agora sim ele vai morrer." – ele disse mais revoltado do que antes.

"Rony, por favor..." – comecei – "Harry, me ajuda..." – pedi.

"Não posso, Ginny." – ele também parecia revoltado – "Porque eu também vou matar o Malfoy."

"Ah meu Deus... Parem com isso, ok?" – falei chorando mais – "Vocês não percebem que só pioram as coisas fazendo isso?"

Eles não responderam, porque falei isso no exato momento em que o carro parou na frente da casa de Hermione e quando ela entrou, toda sorridente, disse:

"Bom-" – mas ela parou no minuto em que percebeu minha presença – "Ginny? Você aqui? O que aconteceu?"

Antes que conseguisse responder, Rony falou, alterado, o que me fez chorar mais ainda. Ele é tão insensível que não percebe o quanto estou mal... Hermione tentou acalmá-lo, mas não conseguiu, quando chegamos na escola, meu querido irmão e meu querido amigo, ainda estavam com o mesmo desejo assassino de antes.

Evitando os olhares de curiosos, me despedi dos três e fui para o banheiro, o único lugar que julguei seguro para ficar, mas depois de cinco minutos trancada no reservado, ouvi várias garotas comentando sobre o que tinha acontecido comigo e isso só piorou tudo.

Ainda fico impressionada em como as notícias correm nessa Escola.

Quando todas saíram do banheiro, saí do reservado e olhei para o meu rosto no espelho, incrível como tinha conseguido piorar minha aparência que já não estava nada boa. Meus olhos estavam vermelhos, inchados e roxos, além disso meu nariz estava vermelho e meu cabelo estava todo desarrumado.

Naquela hora decidi ser forte, mesmo que, por dentro, estivesse destruída não ia dar motivo para as pessoas terem pena de mim e muito menos ia dar o gostinho da vitória para Laurie. Abri minha mochila e de lá tirei um estojinho de maquiagem, em poucos minutos consegui melhorar a situação, o único ponto crítico eram os olhos, que continuavam muito vermelhos e inchados, sem outra alternativa, peguei meus óculos escuros e coloquei no rosto. Pronto, estava linda... ou quase isso...

Respirei fundo e olhando mais uma vez para mim, disse:

"Força na peruca." – e saí do banheiro.

Por onde passava via garotas me olhando, algumas rindo, outras com olhares de pena. Ignorei todas elas e segui meu caminho, para encontrar Harry, Rony, Colin, Hermione, Pansy na mesa que ocupamos no refeitório.

"Oi." – falei para eles.

Pansy me abraçou e logo senti vontade de chorar novamente e chorei mesmo, afinal estava sob a proteção dos meus óculos escuros. Quando parei de chorar olhei para eles e disse, baixinho:

"Desculpem."

"Ginny, não se desculpe." – Hermione disse me abraçando também.

"É... não se desculpe, quem vai ter que se desculpar é o Malfoy." – Colin disse com raiva.

"Ah não, Colin, você também?"

"Ginny, esse cara vai aprender uma lição." – Colin disse, feroz.

"Parem com isso, vocês três!" – falei, exaltada – "Eu não quero que vocês façam nada."

Eles fingiram não me ouvir e não pude falar mais nada, porque minutos depois Blaise e Luna chegaram juntos e de mãos dadas, com sorrisos enormes.

"Adivinhem!" – Luna disse, feliz.

"Nós estamos namorando!" – Blaise gritou, alegre, mas ninguém pulou de alegria e tive pena dos dois, por isso fui a única a me levantar e abraçar o novo casal.

Se eu não tive meu final feliz, os outros não estão impedidos de ter, certo?

"O que houve?" – Blaise perguntou olhando para todos, parando em mim.

"Malfoy." – Harry disse.

"O que aquele loiro aguado fez?" – Blaise perguntou novamente.

Os garotos contaram o que tinha acontecido e, em parte, agradeci por isso, era muito difícil ficar repetindo a história o tempo inteiro.

"Não acredito." – Zabini disse com muita raiva – "Aquele idiota pensou que eu tinha ficado com a namorada dele?" – gritou.

"Blaise, fala baixo." – pedi.

"Ah, mas ele vai ver." – Blaise disse no mesmo tom que os outros.

"Garotas, por favor, me ajudem..." – pedi, cansada.

"Harry, amor, por mim você pode bater nele, até sangrar. Aliás, vocês querem uma ajudinha?" – Pansy perguntou.

"Eu sou contra a violência, mas o Malfoy está merecendo, por isso, apóio a surra." – Luna disse sem remorso.

"Bem, gente, sou monitora e sou contra essas coisas, mas se vocês fizerem isso num corredor deserto, longe de mim, tudo bem." – Hermione concluiu.

Olhei para eles e não acreditei no que estava ouvindo.

"Se vocês fizerem isso" – falei enquanto levantava – "Nunca mais falarei com nenhum de vocês. Entenderam?" – e saí.

Fui para a sala e fiquei esperando a chegada de Snape, não demorou muito para ele entrar, esvoaçante com aquela capa de morcego, e fico indignada como os olhos dele sempre caem em cima de mim.

"Srta.Weasley." – falou.

"Oi." – disse, sem me importar com a educação.

"Oi não... Diga, 'pois não, Prof.Snape?'."

"Pois não, Prof.Snape?" – repeti, cansada.

"Se a Srta. não percebeu hoje não está fazendo sol, nem fora e muito menos dentro da minha sala de aula, por isso, tire esses óculos."

"Não, Prof.Snape, não vou tirar." – falei, jogando a educação e a cautela para o alto.

Ele me olhou com um ar de zombaria e disse:

"Se não tirar, estará suspensa."

A sala estava em profundo silêncio, conseguia ouvir a respiração de Pansy ao meu lado, enquanto Luna, do outro lado, puxava a manga da minha camisa.

"Então, suspenda-me." – falei enquanto pegava minha mochila e ia até a mesa dele.

Ele me observou atentamente e eu sustentei o olhar, ele quebrou o contato visual quando foi até a mesa, escreveu em um papel e me entregou:

"Leve até a Prof.ª McGonagall."

Acenei positivamente e saí da sala enquanto sentia meu coração batendo forte e meu cérebro gritava histericamente: "SUSPENSA! S-U-S-P-E-N-S-A!" Quando cheguei na sala da professora, respirei fundo e dei umas batidinhas na porta, ela disse "entre" e eu obedeci.

"O Prof.Snape mandou isto." – disse entregando o papel.

Ela leu o que estava escrito e quando terminou, disse:

"Sente-se."

Obedeci e esperei o sermão.

"O que houve, Ginny?" – perguntou com a voz calma.

Naquela hora tive certeza que minha aparência era péssima, se a Prof.ª McGonagall estava me chamando pelo apelido, é porque a coisa, realmente, estava complicada.

"Professora." – falei tentando me acalmar – "Eu estou doente, sabe? É uma doença no olho... é uma... uma..." – pensei em uma mentira boa, mas tudo que consegui dizer foi – "uma infecção ocular..."

Ela me olhou com um ar de riso, mas logo se recompôs.

"Eu sei o que aconteceu e entendo que queira esconder, mas você não deveria ter desobedecido o Prof.Snape."

"Professora, ele queria que eu tirasse o óculos e eu não posso, sabe, essa infecção ocular é grave, pode ser contagiosa e além disso é repugnante, meu olho está todo cheio de meleca e vermelho e inchado..."

Ela balançou a cabeça negativamente e disse:

"Infelizmente não posso retirar a suspensão, mas vou reduzir o tempo de duração. Não durará o resto da semana, apenas hoje, ok?" – ela disse agora, definitivamente, com um sorriso – "Você irá para casa, pensará no que aconteceu e amanhã estará aqui para assistir as aulas."

Concordei com um aceno e saí da sala dela, enquanto minha mente continuava gritando histérica e eu sentia vontade de bater a cabeça na parede. Pensei em ligar para a minha mãe, mas só ia piorar as coisas, por isso decidi ir sozinha para casa e já estava quase chegando no corredor que dava acesso ao Saguão de Entrada quando vi uma cena horrível.

Meus amigos, meus QUERIDOS amigos, estavam, simplesmente, espancando Draco, mas na hora pensei que eles estavam matando o outro, porque ele parecia inconsciente, não esboçava nenhuma reação em resposta aos ataques. Corri até eles e gritei, chorando:

"PAREM!"

Harry, Colin, Blaise e Rony pararam na mesma hora, enquanto Draco caía no chão, o rosto todo ensangüentado.

"Não acredito, não acredito." – falei, enquanto me abaixava para verificar a respiração dele.

Draco respirava com bastante dificuldade, mas percebi que estava acordado.

"Você pode me ouvir?" – perguntei.

"Sim." – disse com dificuldade.

"Você tem que ir para a Ala Hospitalar." – falei para ele e olhando para os outros, disse – "Vamos, ajudem!"

Eles obedeceram a contragosto, quando conseguimos levantar Draco, olhei para os quatro e disse:

"E vão para a aula antes que conte tudo para a McGonagall."

"Você não seria capaz." – Rony desafiou.

"Veremos, Ronald." – falei enquanto puxava Draco até a Ala Hospitalar.

Com muita dificuldade andamos até a Ala Hospitalar, porque ele mal conseguia andar e era difícil puxá-lo uma vez que ele estava quase deitado em cima de mim. Quando Madame Pomfrey o viu arregalou os olhos de susto, mas logo se recompôs, me ajudou a colocá-lo na cama e disse:

"Vou examiná-lo, por isso vou colocar o biombo." – ela falou para mim, mas eu nem estava entendendo até ver o que era o tal do biombo.

Fiquei aguardando do outro lado enquanto ouvia gemidos de Draco e os protestos da enfermeira, que dizia ao paciente que não ia doer nada. Depois de muito tempo ela retirou o biombo e eu pude ver a aparência dele.

O rosto estava cheio de curativos: um no supercílio esquerdo, outro no nariz e, para finalizar, mais um no queixo. Além disso, a mão direita dele estava toda enfaixada, provavelmente tinham quebrado e o olho esquerdo estava muito inchado.

"Agora, Sr. Malfoy" – Madame Pomfrey disse pegando uma prancheta – "Quero saber o quê aconteceu."

"Nada." – ele respondeu simplesmente.

"Nada?" – a enfermeira perguntou – "Como 'nada' pode fazer isso?"

"Ahm..." – Draco pensou por alguns segundos e completou – "Eu estava indo para a aula de Física, a Sra. sabe que a sala da prof.ª Trelawney é lá no sétimo andar, né? Então, estava muito atrasado e subi a escada correndo, até que escorreguei num degrau e caí."

Ela olhou para ele, desconfiada, durante alguns instantes, até concluir:

"Essas escadas... vão acabar matando um aluno." – pegou a prancheta e completou – "Vou avisar a sua mãe e a Prof.ª McGonagall o que aconteceu." – e saiu da enfermaria, nos deixando sozinhos.

Ele olhou para mim e eu, mesmo protegida pelas lentes dos óculos escuros, senti um incômodo muito grande quando aquelas íris cinzentas me fitaram, desviei o olhar e disse, observando atentamente o travesseiro da cama ao lado.

"Você está bem?"

"Estou. Obrigado por salvar minha vida novamente."

"Não salvei." – falei enquanto encarava meus sapatos – "Eu tive culpa, os garotos fizeram isso por minha causa. Espero que algum dia você consiga perdoá-los, eles não sabiam o que estavam fazendo."

Eu sei, estava parecendo frase da Bíblia.

"A culpa não é sua, Ginny. É minha, mereço o que eles fizeram, por isso não reagi."

Lembrei do que tinha acontecido e meu coração sofrido se encolheu dentro do peito.

"Não diga besteiras, Malfoy."

"Estou sendo sincero, eu mereço isso e muito mais por ter feito aquelas idiotices... se pelo menos você pudesse me..." – antes que ele terminasse, falei:

"Certo, então, já que você está bem e tal, vou embora. Daqui a pouco a McGonagall chega e eu estou suspensa, ela não pode me ver aqui. Tchau." – e saí correndo da enfermaria.

Só parei de correr quando cheguei na parada de ônibus e também só nesse instante percebi que estava chorando novamente. Naquela hora tive raiva de mim por ser tão fraca, não podia passar o resto da minha vida chorando por ele, Draco não merecia, por mais que parecesse fofo apanhar por mim, ele não merecia e continua não merecendo, por isso enxuguei as lágrimas e decidi não chorar, pelo menos até chegar em casa.

Depois de quatro luas cheias eu consegui chegar em casa, ou pelo menos pareceu que durou esse tempo todo. Assim que entrei em casa encontrei minha mãe, séria, me esperando, mas logo quando ela me viu teve pena da minha aparência miserável e só disse:

"Vá para o quarto."

Ainda bem, porque nem queria ir para outro lugar mesmo.

E estou aqui desde então, quer dizer, desci para almoçar, mas como nem consegui comer, não fiquei nem cinco minutos fora daqui, por isso nem conto com isso.

Você, diário, deve estar se perguntando porquê estou escondida no closet, certo? A resposta é muito simples, de cinco em cinco segundos minha mãe bate na porta para me perguntar se estou bem, talvez ela pense que eu estou com tendências suicidas ou algo parecido.

Fala sério, até parece que vou me matar por causa de um cara, tenho coisas mais importantes a fazer!

Espera...

Acabo de ouvir um estrondo... arrombaram a porta do meu quarto...

Definitivamente, hoje não é meu dia.

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É Amor ou Amizade?

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Quarta-feira, 11 de novembro.

Deitada. Às 00hs.

Arrombaram mesmo a minha porta e sabe o que tenho a dizer sobre isso?

É muito ridículo.

Saí de dentro do closet muito furiosa e fiquei mais furiosa quando vi QUEM, ou um grupo de OITO QUENS tinha feito o trabalhinho na MINHA porta.

"Primeiro, vocês espancam. Depois, arrombam. O que será depois? Homicídio?" – perguntei com a voz fria, olhando para Harry, Rony, Blaise, Colin, Pansy, Luna, Hermione e Neville.

"Ginny, por favor..."

"Eu só quero saber quem vai pagar a minha porta!" – falei, histérica. – "O que vocês estavam pensando, hein? Seus idiotas." – a última parte foi direcionada para Harry, Rony, Colin e Blaise.

"Eu pago a porta, um corredor de portas se você quiser, mas acalme-se." – Blaise disse tentando tocar meu ombro.

"Não me toque, Zabini." – falei saindo de perto dele – "O que vocês estavam pensando quando fizeram isso?"

"Desculpa, Ginny, nós podemos colocar uma porta nova." – Harry disse olhando para a porta.

"EU NÃO ESTOU FALANDO DA PORTA!" – gritei – "O QUÊ VOCÊS ESTAVAM PENSANDO QUANDO BATERAM NO DRACO?"

"Ele mereceu, Ginny." – Rony disse – "E merecia mais, infelizmente você apareceu."

"Rony." – falei, tentando ficar calma – "Eu pedi a vocês que não batessem nele. O problema é comigo, vocês não tinham que se intrometer."

"Ginny, nós sabemos muito bem que não é a primeira vez que Malfoy age mal, nós sabemos que não é a primeira vez que você sai machucada." – Colin disse calmamente.

"Eu não estou machucada... afinal esse namoro só durou uma semana, nem deu para me apegar..." – falei coçando o nariz, um sinal claro da minha mentira.

Hermione balançou a cabeça negativamente e disse:

"Não precisa mentir, nós sabemos que não é de hoje que você gosta dele."

"E também sabemos que ele nunca notou." – Harry disse, revoltado.

"Cego." – Neville falou num resmungo.

"Míope." – Luna disse.

"Imbecil." – Rony resmungou.

"Idiota." – Pansy disse.

"Filho de uma..." – Blaise começou, mas antes que completasse o terrível palavrão, intervi:

"Chega! Vocês não tinham razão. E tiveram muita sorte de Draco não denunciá-los, pois eu já ia falar com a McGonagall." – olhei para meu querido irmão e ele tinha um sorriso sarcástico no rosto – "E vai duvidando, Ronald, que amanhã mesmo eu falarei com a McGonagall e você estará ferrado."

"Você não seria capaz. Sou seu irmão!"

"Grande coisa." – disse com desprezo – "E, aliás, eu pensei que tinha dito a vocês que NUNCA mais falaria com vocês!"

"Sim, mas não vale, você já está falando." – Blaise disse com um sorriso de zombaria.

Olhei para eles, séria e disse:

"Saiam. Preciso estudar."

"Ah não, Ginny." – Pansy foi a primeira a dizer – "Nós não iremos sair daqui enquanto você não falar direito conosco."

"Entenda, querida." – Hermione disse, calma – "Eles só fizeram isso porque te amam, assim como eu, a Pansy, a Luna e o Nev amamos. Sei que a violência não leva a nada, mas Draco merecia um aviso, ele precisava saber que você não está sozinha, era necessário que ele percebesse que você tem muita gente que é capaz de matar por você."

E já estava tão cansada e tão cheia de tudo que comecei a chorar novamente.

Eu sei, sou patética!

Na mesma hora senti vários braços me abraçando e, pela primeira vez nesse dia horroroso, me senti bem e protegida. O abraço coletivo só acabou quando já estava difícil respirar.

"Então, você nos perdoou?" – Blaise perguntou depois de algum tempo.

"Sim."

Eles gritaram em comemoração e eu ri da reação deles...

Ainda conversamos um pouco até que ficou tarde e, lentamente, eles foram se despedindo, perto das sete horas da noite estava sozinha no quarto, agora com o pequeno detalhe de estar visível para qualquer um no corredor, já que a porta não tinha sido colocada no lugar.

Meia hora após a saída dos meus amigos, Fred e Jorge vieram me visitar.

"Olá." – Fred disse com o mau humor, agora, habitual.

"Oi, irmãzinha. Quem veio te visitar? O Hulk?" – disse olhando a porta arrancada.

"Quase isso." – respondi, rindo. – "O que foi, Fred? Por que está assim?"

"O de sempre, irmãzinha." – Jorge respondeu – "Mas nós viemos aqui numa missão especial. Você irá conosco ao ensaio da banda."

"Ah não, Jorge... prefiro ficar aqui."

"Nada disso. Mamãe saiu e pediu para que ficássemos de olho em você, temos que ensaiar na casa do Lino e o único jeito de ficarmos de olho em você é se a senhorita vier conosco."

"Mas, eu posso ficar sozinha aqui..."

"Ginny, estou mandando." – Jorge disse, sério – "Esperaremos você lá embaixo, se não descer em cinco minutos, levaremos você a força." – e saiu, mas antes que se afastasse pude ouvi-lo dizendo – "Nossa, estou parecendo a mamãe..."

Sem outra alternativa, vesti um casaco, ajeitei os cabelos e desci. Como a casa de Lino é quase vizinha a nossa, nós fomos andando mesmo e quando chegamos lá já encontramos os outros integrantes da banda arrumando os instrumentos.

Quando digo os outros integrantes da banda, falo do próprio Lino e da garota baterista.

Jorge foi logo falar com a garota, enquanto Fred olhou para os dois com raiva e fingiu que estava arrumando a guitarra e a caixa de som.

"Olá." – Lino disse, sorridente.

"Oi, Lino. Tudo bem?" – perguntei, também sorrindo.

"Ótimo e melhorou com a sua presença." – disse galanteador.

"Jordan, você não quer morrer, quer?" – Fred perguntou, ríspido.

Jorge que parecia alheio à nós, disse:

"Ginny, essa é a Manu, a baterista da nossa banda." – e para a garota disse – "Manu, essa é a minha irmã, a Ginny."

Manu é uma garota de cabelos castanhos escuros compridos e cacheados, alta e, aparentava não ser gorda e nem magra. Digo, aparentava, porque era impossível distinguir, uma vez que ela vestia roupas pretas muito largas e, sinceramente, ela tinha o rosto bondoso e sorridente, mas ela conseguiu me assustar com aquela blusa com uma cruz cortada e um nome enorme "BAD RELIGION". O pior é que ela percebeu para onde eu estava olhando, porque, sorrindo disse para Jorge:

"Ah, mais uma que consigo assustar." – e riu – "É uma banda de punk rock, Ginny." – e sorriu.

E, sinceramente, ela não tinha aparência de punk, quer dizer, tirando as roupas pretas e as centenas de furos nas orelhas, ela parecia tão nerd quanto eu, com aqueles óculos e o ar intelectual.

Resumindo, ela era um pouco estranha.

"Desculpe." – sorri de volta

"É normal, todo mundo se assusta quando a vê." – Fred disse, malvado.

Ela o olhou com profundo desprezo e disse:

"Ninguém pediu sua opinião." – e saiu para o canto em que a bateria estava.

"Ginny, você pode sentar ali." – Lino falou apontando para um sofá velho.

Sentei e esperei que o ensaio começasse, demorou horas para começar, porque Manu e Fred discutiam a cada cinco segundos, já estava quase gritando com os dois, quando Jorge interveio:

"Certo, vamos começar com Forever."

E então eles começaram com essa tal música e era uma balada romântica, muito bonita por sinal, como eles não tinham cantor definido, foi Fred quem cantou essa música. Também entendi porquê Jorge não queria abrir mão da garota baterista, ela era realmente muito boa.

Depois dessa música, eles tocaram outras e os vocais eram revezados entre Fred e Manu, às vezes os dois cantavam juntos e era incrível como as vozes combinavam.

O ensaio terminou depois das dez horas da noite e até para acabar, eles brigavam.

"O próximo ensaio vai ser na minha." – Manu disse quando terminou de arrumar as coisas dentro do carro.

"Não, vai ser na nossa." – Fred disse, apontando para Jorge.

Então deduzi que "minha" e "nossa" se referia a casa.

"Claro que não, vai ser na MINHA!" – ela disse, exaltada.

"Você é burra ou o quê? Vai ser na MINHA!" – Fred disse, quer dizer, gritou.

"Ah meu Deus..." – Lino falou enquanto protegia os ouvidos dos gritos dos dois.

"Certo. Chega!" – Jorge disse mais uma vez e os dois pararam de discutir, mas continuaram se olhando com raiva – "Vai ser na casa da Manu."

Ela riu descaradamente e até eu tive vontade de rir da expressão no rosto de Fred.

"Traidor." – falou antes de ir embora.

Jorge e eu nos despedimos de Lino e de Manu, depois seguimos os mesmos passos de Fred, que andava à nossa frente, com raiva.

"Mas por que eles brigam tanto?" – perguntei, curiosa.

"Não sei." – deu de ombros.

"É estranho." – falei, pensativa.

"Eles são estranhos, Ginny." – disse rindo.

Eu ri também, mas continuei pensando no assunto. Pensei que talvez eles tivessem sido amigos no passado e tinham se apaixonado, assim como Draco e eu, se envolveram e como não deu certo, ficaram brigados para o resto da vida.

Tentei afastar esse pensamento da minha mente, nem tinha nada a ver ficar pensando isso, eu só tinha pensado nessa hipótese porque estava passando por isso.

Mas agora pensando nisso, seria muito triste se Draco e eu ficássemos do mesmo jeito que Fred e Manu, quer dizer, eles vivem brigando, não conseguem ficar no mesmo lugar durante cinco minutos sem se ofender...

Será que Draco e eu também vamos ficar assim, já que agora não somos mais amigos?

Isso sim, definitivamente, seria péssimo, prefiro o silêncio do que o som de ofensas...

Ok, não vou mais pensar nisso, tenho que esquecê-lo, por isso mesmo vou dormir e não irei sonhar com ele nem uma vez sequer.

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É Amor ou Amizade?

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N.B.B.: Ai ai... Se você se matar, Chefa-Suprema-Do-Mal, eu renuncio ao meu cargo de Besta-Reader-Bambesha, ok?? Quero você na história e ponto. Sem discussões!! E você pode aparecer o quanto quiser!! Eu permito!! Hehehehehehe!!

Gentem, esse capítulo enoooooooorme foi maravilhoso!! (Só faltou meu homem maravilhoso, o Carlinhos!!) Não digam que não gostaram!! Eu ri de-mais!! A-M-E-I quando espancaram o Draco!! Ele mereceu por ser tão burro!! Aliás, quem sabe assim o cérebro dele não pega no tranco, né?? Vamos ver... Espero que sim!! Bom, não esqueçam de comentar, ok?? Manuzete merece!! Reclamem, mas não esqueçam as reviews!! Aliás, reclamem na review!! Assim vocês não esquecem!! :D Muy amiga, no? Hahahahaha!!

Amo todas vocês!! \o/

Beijos!!

ChunLi Weasley Malfoy

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Nota da Autora: Olá, gente. Tudo bem com vocês? Aliás, vocês chegaram até o final deste capítulo? Confesso que estou com medo, porque separei novamente os dois e sei que vocês estão me odiando, mas só posso dizer que isso tinha que acontecer.

Tenho que explicar algumas coisas, por isso, vamos lá...

As Explicações...

Primeiro, tenho que começar confessando uma grande dificuldade minha: dar continuidade a estórias românticas. Sempre quando o casal, no caso, Draco e Gina, ficam juntos num capítulo, no capítulo seguinte eu simplesmente travo, bloqueio, empaco. Aí vocês pensam: "Nossa, ela é doente mental.", e talvez eu seja mesmo, porque isso acontece sempre. Sinto uma sensação estranha com cenas românticas. Por esse meu bloqueio, tive MUITA, mas MUITA dificuldade em começar este capítulo.

Quando comecei, beleza, estava escrevendo a fic, ainda com muita dificuldade, mas estava conseguindo, o problema é que logo depois de começar o capítulo, o objeto do meu afeto, o ser que me dava inspiração para escrever, me decepcionou muito e eu vi o resto de inspiração evaporar de mim.

Por isso vocês vão perceber que uma parte do capítulo está tudo bem e na outra está tudo dark, a parte dark foi feita depois da decepção que sofri. Esse capítulo era para ser fluffy, os dois iam ficar juntos e tal, mas não consegui mais escrever nada bonitinho depois do que aconteceu.

Segunda coisa que tenho que explicar, a cena em que Draco e Dobby estão cochichando, vocês já devem ter percebido do que se trata, não é? Só posso dizer que é importante para a continuação da fic.

Terceiro, minha aparição. Caham, eu não sou muito a favor de autores em fanfics, acho estranho, mas tipo, todo mundo sabe (e se não sabe, vai saber agora) que eu amo o Fred, o único jeito que encontrei para contracenar com ele foi na MINHA fanfic. Hahahaha Mas juro que vou me controlar e não vou dar mais foco a mim do que a Ginny, vou aparecer muito, mas se vocês não gostaram de mim na fic, podem falar, digam a verdade, que no próximo capítulo eu me mato, atropelada por um carrinho de picolé. Ok?

Outra coisa sobre mim na fanfic, minha descrição verdadeira não é essa, quem já me viu pelo msn sabe disso, hahahahaha, mas fala sério, eu nem ia me descrever como sou, também não sei tocar bateria (não é por falta de vontade) e nem sei cantar, mas em compensação, tenho essa blusa do BAD RELIGION (que assusta todo mundo) e centenas de furos nas orelhas...ah e uso óculos também... hahahahahaha :P

No próximo capítulo...

A Laurie vai dar o golpe final, uma pessoa já acertou qual será o golpe, mas prefiro manter o mistério.

Eu vou aparecer mais um pouco (vocês não gostaram dessa notícia? Então tudo bem, definitivamente, me matarei atropelada pela carrocinha de pipoca.)

Hm... a Ginny vai começar a organizar a festa de encerramento da copa de futebol...

Agradecimentos...

ChunLi Weasley Malfoy: Oie querida! Obrigada pela review! Infelizmente ainda não "me peguei" com Fredenho, mas isso é só uma questão de tempo! Você gostou da minha participação? Seja sincera, porra! Hahahahahaha Sim, próximo capítulo você aparece, mas só se não quiserem me tirar da fic, se me tirarem vou ter que matar a mim e a minha família, ou seja, você também! Hahahahaha Brincadeira, mas na próxima você aparece! Não com o você-sabe-quem-que-não-é-o-tio-voldiresco, mas aparece. As outras fics... hm...deixa pra lá, né? Hehehehe Beijos!!

Oraculo: Obrigada pela review! Ain, estou com medo! Esse capítulo teve menos DG do que o outro, será que você gostou? Espero, sinceramente, que tenha gostado! E isso mesmo, estude, mas antes deixa uma reviewzinha para mim! Hehehehehe Brincadeira. Beijos.

Fernanda Weasley Potter: Obrigada pela review, Fernanda! Entonces, que bom que gostou da cena do beijo e espero que tenha gostado desse capítulo que foi meio tristinho, né? Beijos.

Caah LisLis: Obrigada pela review, Caah! Que bom que você quer que ele sofra, porque ele vai sofrer mesmo, querida! Hahahahahaha Espero que tenha gostado do capítulo. Ei, Caah, lembra que te dei o Jorge na fic "O Preço do Amor"? Entonces, fia, manda o teu nome em uma PM ou numa review para eu colocá-la na fic, ou você quer que coloque só Caah? Decida-se e me diga, okeijo? Ah que esso! Adoro sua citação da lambada e você é importante mesmo para a fic, viu? Beijocas!

J.T. Malfoy: Obrigada pela review! Eu sei, enrolei bem muito para vocês ficaram na expectativa. Hehehehehe O Harry e a Pansy vão aparecer um pouco menos durante alguns capítulos, porque a Ginny vai ficar um pouco afastada. Mocinha, li sim sua fanfic e adorei! Eu, realmente, não gostava de fics dos Marotos, mas agora adoro. E estou esperando atualização da sua fic. :) Beijos!

Thaty: Obrigada pela review! Hahahahaha E agora? Está com raiva dele de novo? Beijos!!

Jaque Weasley: Obrigada pela review! Sim, Blaise tem uma espécie de perturbação mental e acredito que se deva ao fato de que ele está sendo descrito por meus óculos, digo, meus olhos, ou seja, ele tinha que ser perturbado mesmo. Jaques, não sei porque te chamo de Jaques, mas acho legal Jaques...você não acha? Hauahauahauahua Ok, parei com Jaques. Esse capítulo foi grandão né? Só não sei se você gostou, mas espero sinceramente que tenha gostado, porque deu um trabalhão! Hahahaha Pois é, escrevo só com gíria, mas infelizmente só sei escrever assim, fazer o quê! Huahauahaua... e realmente foi poético o que você escreveu. COMO ASSIM? EU, GRUDENTA, QUE NEM CHICLETE? QUE ESSSOOOOOO... Muhahahahahahahaha Que esso, querendo roubar o Blaisinho da Luna,agora já perdeu, querida, ela chegou primeiro. Alias, eu te prometi o Jorge nessa fic? Ou foi para outra menina? Me responda, please. Beijos!

Misty Weasley Malfoy: Obrigada pela review! Queridenha, PAROU! Pára de chorar! Oia que não vou pedir mais, da próxima vez vou com o cinto! Hahahahahaa Brincadeira, mas pára de chorar. Você realmente é parente da Manuxa Trelawney, sempre acertando o que vai acontecer... humpft...coisa sem graça... ehehehehe Beijos.

Nicky-Evans: Obrigada pela review! Ain que bom que você gostou!! E espero, realmente que continue gostando, confesso que estou com medo da reação de vocês! Hehehehe Beijos.

Srtá.Felton: Obrigada pela review! Pois é! A Ginny é quase o Hulk né...hahahahaha e quanto a cara de culpado de Draco e Blaise... eles realmente estavam aprontando, mas só depois eles vão falar o que era... Espero que continue lendo e gostando. Beijos.

Rebeca: Obrigada pela review! Adorei o tamanho da sua review! Hehehehe Que esso, não fui eu quem bateu no Draco foi... bem, depois você vai saber quem foi! Hehehehe Dobby batendo no Draco? Passou looonge...hehehehe Sim, a Laurie REALMENTE é capaz de TUDO! O Blaise realmente é um fofo e engraçado, além de ser um pouco maluco, ele definitvamente gosta da Luna e DEFINITIVAMENTE ele não é gay. O Colin é gay? Será? Tipo, Será que ele é? Huahauahauaahauahau Ain ain que dor no meu coração de pedra, infelizmente, tive que separá-los! Não me mate e não me odeie... :( Espero que, depois desse capítulo, continue lendo. Beijos.

Yasmin: Obrigada pela review! Ah sim, Yasmin, colocava seu nome inteiro porque, tipo, é seu nick, nem precisa você fazer outro perfil... vai em login, faz o login (óbvio emanuela), e vai em Settings, lá você pode mudar seu nome! :D Tinha dado certo, você quis dizer? Hehehehehe Luna e Blaise vão aparecer um pouco mais, mas assim como Harry e Pansy, eles vão dar uma sumidinha...eu adoro Sin City, e quero ver o dois também, por causa do Clive...ain ain... hehehehe Beijos!

Carol: Obrigada pela review! Será que você gostou desse capítulo? Espero que sim! E esse capítulo ficou grandão também, né... provavelmente os capítulos seguintes sempre serão grandões...hehehe continua lendo! Beijos.

Lou Malfoy: Lou, muito obrigada pelas reviews, vou responder todas em um único tópico, certo? Então, primeiro, a semelhança com "Ele não é meu irmão". Eu já li a fic da Feffys e confesso que não lembro se a Ginny era animadora de torcida e tal, a minha fanfic pode ser parecida, mas a história em si é diferente, assim como a maneira de escrever e tal... o que quero dizer é que existem semelhanças, mas também diferenças.

Sim, no começo tinha pensado no casal Luna e Dino, não sei porquê, talvez tenha sido fruto da minha mente doida, depois lembrei do Blaise e ficou Luna e Blaise, mas sempre esquecia de modificar lá na NA, depois da sua review já modifiquei e o casal que está lá é o certo...hehehehe

O McDonalds... eu amo muito o McDonalds, embora faça meses que eu nem passo perto hahahahaha, mas o fato é que adoro, por isso coloquei a Gina e o Draco tão loucos pelo Mc...os pedidos deles são os sanduíches que mais gosto de lá... hehehe E, também quero um amigo que me leve Mc (e de preferência, pague a conta! Huahauahauahaua

É, esqueci do detalhe da seleção dos times e agora minha mente está lenta demais para inventar algo...só posso dizer que NÃO é pelo chapéu seletor...hehehehe brincadeira, mas foi uma falha mesmo.

Os treinos das animadoras ainda não foram muito detalhados, mas ainda serão, porque vai haver um treino específico em que ela vai armar um plano com Colin.

A irmã do Blaise ainda vai aparecer também, pelo menos estou planejando isso...hehehe

Ela come muito mesmo! E sabe por que? Porque eu ADORARIA comer muito e NÂO engordar! Hahahahaha Ela tem o metabolismo acelerado, por isso é tão esfomeada, digo, é tão faminta. Hehehehe

Sim, você acertou sobre Dobby... mas só vai ficar mais claro no último capítulo... hehehe

O cabeleireiro é mágico mesmo e ele vai aparecer novamente, com uma nova vítima, digo, uma nova cliente.

Narcisa e Molly ainda vão aprontar muito para juntar os dois...

Será que foi a Laurie que mandou surrá-lo? Huahauahauahaua O Lucionor, vulgo, Lucius, hahahahahahaha brincadeira, vai aparecer no próximo capítulo! E com falas! Hahahaaha

Xiuuuuu não fala nada para ninguém, mas você acertou sobre o próximo passo da Laurie...hahahahaha... ela é tão clichê...

Nem me fala em "O Chamado" que eu me tremo...hahahahaha... odeio aquele filme horrendo.. amo De Repente 30 e gosto de Sin City, mas só por causa do Clive, porque ô homi lindo! Heheheheheehe

Uffs, hahahahah... que bom que você gostou! Espero que continue gostando e lendo! Beijão!

Quézia: Obrigada pela review! Ahm... :( Infelizmente, terminou o namoro... mas ainda vai rolar muita coisa e mesmo que o namoro tenha acabado isso não quer dizer que eles não se beijarão em um beco escuro, certo? Hehehehehe Blaise e Luna, Harry e Pansy ainda vão aparecer, mas durante uns dois ou três capítulos ficaram um pouquinho sumidinhos. Demorei com esse capítulo, mas foi falta de inspiração! Beijos.

Mah Crubelatti: Obrigada pela review! Que bom que está gostando, espero que não tenha odiado esse capítulo! Beijos!

Daniela: Obrigada pela review! Mocinha, você agora está com mais raiva do Draco? Ou está com raiva de mim por ter separado os dois? Infelizmente, a Luna chegou primeiro e pegou o Blaise! :( Espero que continue lendo. Beijos.

Emmy Bortoleto: Emmy, seja bem vinda e muito obrigada por sua review! Fico muito feliz que esteja gostando da fic (e espero que continue assim). Eu deixei eles juntos, um pouquinho, tipo, oito dias... hehehehehe! Espero que continue lendo! Beijos.

Paola: Paola, seja bem vinda e muito obrigada por deixar uma review! Só uma perguntinha, você é a Paola Lee? Tenho impressão que já te vi em outras fics minhas... Mas se não era você, desconsidere... hehehehehe Ah, muito obrigada pelo elogio! :D Sei, todas desejaram o mal do Draco numa parte da fic, depois tiveram peninha dele e, acredito que agora estão odiando o rapaz novamente, certo? Pois é, eu também imagina o Blaise loiro, mas depois descobri que ele era negro, o que só aumentou meu interesse por ele, afinal, adoro chocolate! (essa foi podre, mas disfarça! Hahahahahahaha) Mandar me caçar? Huahauahauahauahaua Cuidado que o ibama pode te prender! Espero que continue gostando! Beijos!

Só para terminar...

Gente, continuo pedindo que, quem sumiu, apareça! Ou então vou começar a fazer chamadinha! Hahahahaha Brincadeira.

Obrigada pelas reviews, pelos favorites, pelos alerts, por tudo!

Beijos,

Manu Black